03. Conhecimento

Atualizado: Mar 29

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ÍNDICE

Conhecimento

W. Kelly

O Verdadeiro Conhecimento

W. J. Prost

Quatro Pontos do Conhecimento

C. H. Mackintosh

Autoconhecimento

W. J. Prost

O Conhecimento de Cristo

E. H. Charter

O Conhecimento do Pai

J. A. Trench

Obtendo o Conhecimento Bíblico

Faithful Words for Young and Old

Renovado no Conhecimento

F. G. Patterson

Ignorância sobre Deus

G. V. Wigram

Mera Interpretação

Girdle of Truth

Como saberemos

A. J. Flint (Poema)

Mais de Ti, Jesus

Hino 110



Conhecimento

Deus, de forma alguma, escreveu a Palavra para livrar pessoas de problemas, nem foi escrita, como alguns pregam, em textos pelos quais as Escrituras são desconectadas e sua força de conexão destruída. Deus escreveu toda a Sua Palavra para ser valorizada, como se fosse uma questão de se esperar no Senhor, para que pudéssemos entrar e desfrutar plenamente dela, embora ela não possa ser compreendida de uma só vez. Quão sábio isso é! Agradeçamos a Deus porque Sua Palavra está escrita de tal forma que nunca houve uma alma desde o começo do mundo que pudesse se apropriar dela e sondá-la por completo, nem mesmo os próprios apóstolos e profetas. Agradeçamos a Deus que a Sua Palavra nos chama a tomar o lugar de um aprendiz. Quanto mais Deus nos dá a conhecer, mais Ele nos faz sentir o quanto ainda há para aprender, e assim somos mantidos, como Ele deseja que estejamos, em atitude de espera. Sem dúvida, isso não combina com o mundo. É muito melhor falar como se tudo já fosse entendido, ao passo que, pelo contrário, se vê quão pouco é realmente conhecido da Escritura quando reduzida a uma ciência.

W. Kelly

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O Verdadeiro Conhecimento

Há um antigo conjunto de provérbios, provavelmente de origem árabe ou chinesa, que diz:


“Quem não sabe, e não sabe que não sabe, é insensato. Evite-o.

Quem não sabe, e sabe que não sabe, é estudante. Ensine-o.

Quem sabe, e não sabe que sabe, está dormindo. Desperte-o.

Quem sabe, e sabe que sabe, é sábio. Siga-o”.


Enquanto no sentido natural existe, como dizemos, um fundo de verdade em tudo isso, é importante perceber que essas máximas não podem ser completamente aplicadas à sabedoria divina, como retratada na Palavra de Deus. Para se ter certeza, é importante ter um nível de confiança quando nos comprometemos a fazer algo. Ao fazer uma cirurgia, o cirurgião deve ter um grau de confiança em sua capacidade de realizar bem a operação. Ao construir uma casa, o empreiteiro deve ter alguma convicção de que possui o “know-how” necessário para concluir o trabalho adequadamente. Por outro lado, todos nós vimos aqueles que, com uma autoconfiança nascida da ignorância, abordam uma tarefa com uma confiança que não percebe as limitações de sua capacidade. Da mesma forma, temos visto aqueles que, percebendo sua falta de aprendizado, estão dispostos a buscar instrução. Tudo isso nós entendemos bem num reino natural.


O reino espiritual

No entanto, quando chegamos às coisas espirituais, devemos abordar o conhecimento de uma maneira diferente. Ao contrário da aprendizagem natural, o entendimento espiritual vem por meio do coração e da consciência, e não pelo intelecto. Isso não quer dizer que o intelecto não esteja envolvido, mas desde a queda do homem, suas tendências pecaminosas o tornam propenso a se afastar de Deus e não de ir em direção a Ele. Por essa razão, a Palavra de Deus nos diz: “a inclinação da carne é inimizade contra Deus” (Rm 8:7). Paulo pôde lembrar aos coríntios que “na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus” (1 Co 1:21), e por essa razão, sua pregação para eles “não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder” (1 Co 2:4). Até mesmo Jó, centenas de anos antes, pôde levantar a questão: “Poderás descobrir as coisas profundas de Deus?” (Jó 11:7). O homem em sua busca pelo conhecimento nunca pode elevar-se acima de si mesmo e, portanto, não pode compreender as realidades eternas. Ele deve ter uma revelação divina.


O conhecimento de Deus

Quando se trata do conhecimento real - o conhecimento de Deus e das questões eternas - o homem deve estar sujeito a uma revelação vinda de Deus, o mesmo Deus que a mente natural não quer conhecer. Mas Deus em Seu amor alcança ao homem (que não é apenas um pecador, mas um pecador perdido e um pecador rebelde) e o atrai de volta a Si mesmo. Ele primeiro concede uma nova vida ao homem pelo poder de Seu Espírito, usando Sua Palavra, e então lhe dá um novo desejo, um desejo de conhecer mais sobre Deus e de ter um relacionamento com Ele. É aí, então, que o homem começa a encontrar o verdadeiro conhecimento, pois ao invés de olhar para tudo com seus olhos e intelecto naturais, ele começa a ver tudo pelas lentes da Palavra de Deus.


Isso não quer dizer que a nova vida em Cristo fará alguém versado em coisas como matemática ou literatura, mas, ao contrário, mostra-O como Deus acima de tudo e levará o homem a um relacionamento com o Deus que não é apenas um Criador, mas também um Redentor. Assim, à medida que o conhecimento do homem se aprofunda, ele se torna mais humilde, ao invés de se tornar mais exaltado em si mesmo e orgulhoso. Quando um homem sabe muito no reino natural, isso tende a fazê-lo se orgulhar, o que é algo que o homem natural é muito propenso. Ele não percebe que mesmo o que conhece de maneira natural, sabe apenas como um descobridor, nunca como um criador. É triste dizer que até um crente pode se orgulhar do que sabe, e essa foi a condição de alguns na assembleia em Corinto. Foi para eles que Paulo fez a declaração clara: “Se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber” (1 Co 8:2). Da mesma forma, ele pôde dizer aos gálatas: “Se alguém cuida ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo” (Gl 6:3). Quando o homem é levado à presença de Deus, mesmo quando tem a ver com coisas naturais, o resultado é a humildade. Não só ele sabe muito pouco, mesmo nas coisas deste mundo, mas quão grande é a sua falta de conhecimento das coisas reais quando ele é trazido para a presença de Deus!


“Como escutas”

Relacionado ao conhecimento espiritual do homem, existe uma observação importante feita por nosso Senhor enquanto esteve na terra, uma verdade tão necessária que o versículo é repetido (com pequenas variações) cinco vezes nos Evangelhos. Podemos ler em Lucas 8:18: “Vede, pois, como ouvis, porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado”. Para ter o conhecimento das Escrituras do jeito certo, devo andar nela. Só então eu realmente o terei, e nessa condição, mais será dado a mim. Mas Deus não permitirá que eu tenha a teoria da verdade em minha cabeça sem a prática correspondente dela em minha vida. Perceberei que não somente nada mais me será dado, mas que Deus tirará o que eu já tenho. Ter e não andar no que tem é apenas parecer que tem. O verdadeiro conhecimento a respeito de Deus tem que ser parte do meu ser moral, não simplesmente um conjunto intelectual de fatos.


O verdadeiro conhecimento

O verdadeiro conhecimento é conhecer a Deus, não apenas como um Criador, mas como Aquele que preparou um plano na eternidade passada de enviar Seu filho amado a este mundo, como homem, para morrer por mim. Começa com o conhecimento do Pai revelado no Filho, e assim João pôde dizer: “Eu vos escrevi, filhos, porque conhecestes o Pai” (1 Jo 2:14). Mas então ele escreveu diferentemente para os pais, aqueles que amadureceram na fé, para estes ele disse: “Pais, escrevo-vos, porque conhecestes aquele que é desde o princípio” (1 Jo 2:13). Aqui é o próprio Cristo, Aquele que é desde o princípio, que eles conheceram, e não pode ser nada além disso. Foi Ele quem revelou o Pai, e é n’Ele que todos os propósitos e conselhos estão centrados. Progredir no conhecimento d’Ele abrange tudo o mais.


Essa é a razão, nas Escrituras, pela qual tanta ênfase é dada à Pessoa de Cristo, ao invés de ser dado um simples conhecimento intelectual sobre a Palavra de Deus, embora seja isso uma grande benção. Pedro nos disse que: “Visto como o Seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento d'Aquele que nos chamou por Sua glória e virtude” (2 Pe 1:3). Paulo pôde dizer: “para conhecê-Lo, e a virtude da Sua ressurreição, e a comunicação de Suas aflições, sendo feito conforme a Sua morte” (Fp 3:10). Ele mesmo é a verdade, e assim nosso Senhor Jesus pôde dizer a Pilatos: “Todo aquele que é da verdade ouve a Minha voz” (Jo 18:37). Como a encarnação da verdade, Ele “estará conosco para sempre” (2 Jo 2).


Por toda a eternidade, nunca esgotaremos as glórias de Cristo, pois elas são infinitas. É nosso privilégio apreciá-las agora!

W. J. Prost

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Quatro Pontos do Conhecimento

Em Deuteronômio 8:1-9, temos quatro valiosos pontos de conhecimento relacionados à nossa caminhada pelo deserto. Temos o conhecimento de nós mesmos, o conhecimento de Deus, o conhecimento de nosso relacionamento e o conhecimento de nossa esperança.


O conhecimento do ‘eu’

Quanto ao conhecimento do ‘eu’, lemos: “Te lembrarás de todo o caminho pelo qual o SENHOR, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te tentar, para saber o que estava no teu coração”. Quem pode penetrar nas profundidades de um coração humano? Os detalhes de uma vida no deserto tendem a trazer para fora uma quantidade vasta do mal que está em nós. No começo de nossa caminhada Cristã, somos propensos a estar tão ocupados com a alegria presente e libertadora que não sabemos muito sobre as características da nossa natureza. À medida que estamos na nossa caminhada no deserto, começamos a conhecer mais do ‘eu’.


O conhecimento de Deus

Mas não devemos supor que, à medida que crescemos em autoconhecimento, nossa alegria deve diminuir. Isso seria fazer com que nossa alegria dependesse da ignorância do ‘eu’, ao passo que realmente depende do conhecimento de Deus. De fato, enquanto o crente avança no conhecimento de si mesmo, sua alegria se torna mais profunda, à medida que é levado mais profundamente a si mesmo para encontrar seu único objetivo em Cristo. Ele aprende com sua própria experiência a realidade profunda da ruína total da sua natureza. Ele também aprende que a graça divina é uma realidade e que a defesa de Cristo é uma realidade. Em uma palavra, ele aprende a profundidade dos recursos graciosos de Deus. “E te humilhou, e te deixou ter fome”, não para que pudéssemos ser levados ao desespero, mas para que Ele pudesse “te sustentar com o maná, que tu não conheceste”.


Um apelo belo e tocante: Eles tiveram quarenta anos de evidências ininterruptas do que estava no coração de Deus para com Seu povo redimido! Como é possível que, com a história das andanças pelo deserto de Israel abertas diante de nós, pudéssemos ter uma única dúvida ou medo? Oh! que nosso coração possa ser mais completamente esvaziado de nós mesmos, pois isso é verdadeira humildade, e estejamos mais cheios de Cristo, pois isso é verdadeira felicidade e verdadeira santidade. “Pois o SENHOR, teu Deus, te abençoou em toda a obra das tuas mãos; ele sabe que andas por este grande deserto; estes quarenta anos o SENHOR, teu Deus, esteve contigo; coisa nenhuma te faltou” (Dt 2:7).


Nosso relacionamento

Tudo o que temos vivido flui de outra coisa, isto é, o relacionamento em que estamos. “Saberás, pois, no teu coração que, como um homem corrige a seu filho, assim te corrige o SENHOR, teu Deus” (Dt 8:5). Isso vale para todos. A fome e a comida, a sede e a água, o deserto sem trilha e a coluna-guia, a labuta e o descanso, a doença e a cura, todos falam da mesma coisa, a mão de um Pai, o coração de um Pai. É bom lembrar-se disso, “para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos” (Hb 12:3). Um pai terreno terá que usar a vara da disciplina, assim como dar o beijo do afeto. Assim é com Deus nosso Pai. Todos os Seus procedimentos fluem desse relacionamento maravilhoso em que Ele Se coloca com respeito a nós. Andar com Ele, apoiar-se n’Ele e imitá-Lo “como filhos queridos” deve assegurar tudo no caminho da felicidade genuína, da verdadeira força e da verdadeira santidade. Quando andamos com Ele, somos felizes. Quando nos apegamos a Ele, somos fortes, e quando O imitamos, somos praticamente santos e graciosos.


Nossa esperança

Finalmente, no meio de todos os exercícios, das provações, dos conflitos e até mesmo das misericórdias e privilégios do deserto, devemos manter os olhos firmemente fixos naquilo que está diante de nós. As alegrias do reino devem encher nosso coração enquanto atravessamos o deserto. Os campos verdes e as colinas cobertas de vinhedos da Canaã celestial, os portões de pérola e as ruas douradas da Nova Jerusalém, devem encher nossa alma. Quando a areia do deserto nos provar, deixe o pensamento sobre Canaã nos alegrar. Vamos nos debruçar sobre a “herança incorruptível, incontaminável e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós” (1 Pe 1:4). Que perspectiva brilhante e abençoada! Que possamos permanecer nisso e n’Ele, que será a fonte eterna de todo o brilho e bem-aventurança!

C. H. Mackintosh (adaptado)

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Autoconhecimento

Nós ouvimos muito sobre autoconhecimento no mundo hoje em dia. A importância de conhecer a nós mesmos é frequentemente ensinada. Muitos livros foram escritos sobre o assunto, e vários testes são divulgados para nos ajudar a alcançar esse objetivo, tais como tipo de personalidade, testes de QI, questionários que determinam nossa aptidão para diferentes carreiras e outros que avaliam nossos pontos fortes e fracos. Em um mundo que abraçou amplamente o humanismo secular, nos é dito que “desenvolver o autoconhecimento é provavelmente a coisa mais importante que podemos fazer pela felicidade”.


Tal pensamento não é novo, pois foi Sócrates quem cunhou a frase: “Conhece-te a ti mesmo”, mas ele foi além e disse: “Conhecer a ti mesmo é o começo da sabedoria”. No entanto, até mesmo o homem natural reconhece as limitações e a futilidade de tudo isso, pois alguém observou: “Quem estuda a si mesmo impede seu próprio desenvolvimento”. Outro escritor fala sobre “o manuscrito nunca completo que é o conhecimento de si mesmo”. Como crentes, podemos nos perguntar como tudo isso se encaixa na Palavra de Deus. É certo nos conhecermos? Se sim, até onde podemos ir no autoconhecimento? É útil em nossa vida Cristã gastar nosso tempo nessas coisas?


O negativo e o positivo

Por um lado, é útil para nós, como crentes, saber algo sobre nós mesmos, tanto negativamente quanto positivamente. Do lado negativo, muitos de nós, especialmente aqueles que cresceram em lares Cristãos, não percebem as profundezas do pecado de que nossa velha carne pecaminosa é capaz. É possível perceber isso pela revelação divina, pois a Palavra de Deus nos diz, por meio do apóstolo Paulo, que: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum” (Rm 7:18). Mas a maioria de nós, teria que admitir que Deus nos coloca em experiências que nos fazem perceber o que está em nosso coração. Pedro era autoconfiante de que nunca negaria o Senhor e tinha que passar por uma amarga experiência para aprender sobre sua fraqueza. Quando estamos cientes dos “pecados que nos assediam”, confiamos mais na força do Senhor e não em nós mesmos.


Do lado positivo, é bom saber algo dos dons e capacidades que Deus nos deu, seja em coisas naturais ou espirituais. Alguém que é muito ruim em matemática, por exemplo, não seria sábio em procurar uma carreira como engenheiro. Na Igreja, o dano foi feito quando alguns tiveram uma visão exagerada de seus dons e foram além deles. Em outros casos, tem sido uma grande perda para a Igreja quando aqueles que tinham dons não os exercitaram e nem os desenvolveram, e por isso Paulo teve que dizer a Timóteo: “Não desprezes o dom que há em ti” (1 Tm 4:14). Se tivermos o desejo de servir ao Senhor, Ele nos mostrará o que podemos fazer por Ele e, em geral, estará de acordo com a capacidade que Ele nos deu.


O Cristianismo é objetivo

No entanto, ocupar-se consigo mesmo nunca nos faz felizes, e a Palavra de Deus nunca nos encoraja a isso. A ideia de que conhecer a si mesmo é o caminho para a sabedoria e para a felicidade é a sabedoria humana, que é o oposto da sabedoria de Deus. O Cristianismo é objetivo, não subjetivo. Deus não nos ocupa conosco, a não ser para julgar o pecado e depois para nos ocuparmos com Cristo. Quando nosso coração é levado a Ele, descobriremos que não precisamos ser levados a nós mesmos de forma alguma, exceto para lidar com o que não está de acordo com a mente de Deus. Em última análise, é impossível nos conhecer completamente e, como bem sabemos, podemos e realmente mudamos. Aqueles que buscam a felicidade em um parceiro de casamento, descrevendo a si mesmos e, em seguida, listando seu “perfil” em um site, às vezes descobrem que o indivíduo com quem acabam tendo um relacionamento tem qualidades e traços de caráter que não eram evidentes a princípio. Além disso, muitas pessoas descrevem a si mesmas como gostariam de ser, não como realmente são. Verdadeiramente o coração humano é: “Enganoso mais do que todas as coisas” (Jr 17:9). É triste dizer que muitas vezes podemos enganar até a nós mesmos a respeito de quem somos. Verdadeiramente, o conhecimento de si não traz sabedoria, mas “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria” (Pv 9:10), e para o crente, Cristo é a sabedoria de Deus para o caminho do Cristão. Jeremias nos lembra “que não é do homem o seu caminho, nem do homem que caminha, o dirigir os seus passos” (Jr 10:23).


O conhecimento de si mesmo

Quando somos trazidos a Deus, temos que tratar não apenas com Aquele que nos conhece, mas com Aquele que nos leva ao conhecimento de Si mesmo. Como alguém uma vez disse: “Eu posso conhecer o coração de Deus muito mais do que o meu”. Podemos perguntar como isso pode ser quando lemos: “Quão insondáveis são os seus juízos [de Deus], e quão inescrutáveis, os seus caminhos!” (Rm 11:33). É porque Deus é totalmente Bom e sempre age de acordo com a Sua natureza santa, para que assim possamos conhecer o Seu coração e o Seu caráter. Ele enviou Seu Filho a este mundo para revelar-Se a nós, para que o Senhor Jesus pudesse dizer: “Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14:9). Seu coração de amor foi totalmente revelado. Não há mudança, nem engano, nem fraude ali. No meu próprio coração existe.


Um objeto fora de nós mesmos

Assim, agora temos um objeto fora de nós mesmos, um objeto no Filho amado de Deus e que se deleita em preencher nosso coração. Se houver necessidade de saber algo de nós mesmos, seja de maneira negativa ou positiva, Ele nos mostrará. Nosso objetivo principal é ser levado a Ele e a tudo o que Ele é. Mas alguns podem dizer: “Não é bom saber o máximo possível sobre os outros, aqueles a quem eu gostaria de considerar como meus amigos e especialmente alguém com quem eu gostaria de me casar?” No entanto, quantos casamentos falham, apesar de todas as tentativas feitas para conhecer mais sobre o cônjuge em potencial antes que seja confirmado o laço!


É muito melhor buscar a mente do Senhor, pois Ele nos conhece completamente, muito melhor do que conhecermos a nós mesmos. Ele não apenas nos criou, mas também conhece nosso caráter, forças e fraquezas naturais e os pecados que nos assediam. Ele prometeu nos direcionar e guiar. O quanto isso é superior a combinar tipos de personalidade com possíveis ofertas de emprego e parceiros para toda a vida!

W. J. Prost

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O Conhecimento de Cristo

Uma coisa é para um homem moribundo o ser salvo por outra pessoa, mas é algo mais além, para aquele que foi salvo, conhecer quem o salvou. Assim, também, uma coisa é para um pecador que perece ser salvo por Cristo, e outra coisa é conhecer a Cristo depois de salvo.


Antes de ser salvo, Paulo, como Saulo de Tarso, se diferenciava de entre seus companheiros por seu ódio persistente ao nome de Jesus e sua perseguição aos que O seguiam. Ele se referiu a esse período de sua vida várias vezes em seu ministério, em Atos 26:9-11, quando se defendeu na presença de Pórcio Festo e do rei Agripa, em Gálatas 1:13-14, quando esteve prestes a mostrar que um crente não vive segundo a lei, em 1 Timóteo 1:13, quando falou de sua vida anterior para seu “filho na fé” e também em Atos 22:19-20, onde ele repetiu o que já havia confessado ao Senhor. Ele era um homem de boa posição e cuidadoso em sua observância da lei de Deus, mas, em vez dessas coisas produzirem verdadeira sujeição e amor a Deus, ele havia se tornado o mais valente defensor de Satanás ao tentar derrubar a verdade.


Mas no decorrer do tempo, na estrada para Damasco, ele viu uma luz ‘mais brilhante que o brilho do sol’ brilhando de repente sobre ele, e que o fez cair. E embora um juízo fosse altamente merecido, foi como seu Salvador, que o Senhor o deteve naquele dia, e desde então Saulo de Tarso (cujo nome foi mudado para Paulo), perdoado e salvo, conduz a divulgação do evangelho da graça de Deus.


O que foi ganho e perdido

E agora em Filipenses 3:4-7, podemos aprender, escrito com sua própria pena, o maravilhoso efeito produzido em sua alma por essa poderosa mudança: “Ainda que também podia confiar na carne, [...] ainda mais eu [...] Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo”. Quão grandioso é o poder da graça divina! Ele era um homem tão rigoroso em sua observância à lei de Deus que andava sem culpa no meio de seus companheiros. Observe bem estas palavras: “perda por Cristo”. Muitos o criticam, como se lesse “desistiu por Cristo”, mas não era assim que Paulo relatava. Ele se considerava como um ganhador, não um perdedor. Ele teria sido um perdedor se tivesse continuado com aquelas coisas quando já tinha Cristo.


E agora, como é a nossa situação? É Cristo o meu Salvador? Se sim, como estamos olhando para as coisas que são um ganho para nós na carne? Nós nos ressentimos ao desistir delas e a retemos com uma má consciência? Certamente, se conhecemos um Salvador em glória e O valorizamos da maneira correta, não deveria ser assim. Não houve esforço da parte de Paulo. Cego por causa de sua conversão durante três dias, seus olhos foram novamente abertos para serem fixados em um novo objeto, um Salvador em glória que o salvou. Oh, que nós, como ele, possamos dizer à vista de Deus: “Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo”.


A excelência do conhecimento

Porém, existe algo além. No verso seguinte (v. 8) lemos: “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo”. O que temos falado relata o efeito produzido sobre Paulo na sua conversão, mas ele estava aqui escrevendo aos santos em Filipos aproximadamente 30 anos depois. No versículo 7, ele falou de ter contado como perda todas as coisas por Cristo, o que era um ganho para ele. Isso aconteceu quando ele conheceu a Cristo como seu Salvador, mas então acrescentou: “Sim, sem dúvida, as conto todas como perda”. Por cerca de 30 anos, ele seguiu seu caminho rumo ao objetivo que tinha diante dele. Ele estava cansado e cheio de arrependimento por conta de seu autossacrifício? Não, ele estava ocupado com Cristo, e superior àquelas coisas que seu coração naturalmente teria procurado e voltado a elas.


O conhecimento de Cristo

Assim, ele considerou todas as coisas como perda, mas por quê? Por causa de Cristo como Salvador? Sim, mas mais que isso. Cristo ainda era seu Salvador, mas ele não estava satisfeito com isso, então ele diz: “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus”. Seu coração foi arrebatado pela Pessoa que o salvou, e essa é a verdadeira devoção. Os homens ao seu redor podem se gabar do conhecimento das coisas naturais. As artes e as ciências, a literatura, a astronomia ou a geologia (coisas certas em seu devido lugar) podem atrair a muitos, mas Paulo tinha um objetivo diante dele que era infinitamente superior a todas elas. Ele estava arrebatado pela Pessoa do Cristo. Ele aprenderia sobre Ele, tornando-se mais intimamente familiarizado com Ele, desfrutando de ainda mais profunda e doce comunhão com o Filho do amor de Deus.


Cristo Jesus meu Senhor

Quantos milhares conhecem a Cristo como Salvador, mas que param aí, aparentemente satisfeitos com Sua obra consumada, talvez regozijando-se e falando sobre a salvação para os outros, e, no entanto, não têm prazer em sua alma para progredir no conhecimento daqu’Ele que os salvou! Eles são gratos por conhecê-Lo como Salvador, mas provavelmente não devem dizer: “Cristo Jesus, meu Senhor”. Sua vontade é mais ou menos ativa e o mundo é mais ou menos atraente. Possuir o senhorio de Cristo significa ter uma vontade quebrantada, doravante sujeitar-se a Ele, e ao mundo como algo sem valor sob nossos pés. Estamos preparados para isso?


Para que eu possa ganhar a Cristo

E observe também agora, ao encerrar, o que o apóstolo acrescenta: “pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo” (Fp 3:8). Cristo não era mera doutrina para ele, mas uma Pessoa viva em glória, que absorvia sua alma e mais do que satisfazia seu coração. Por causa do conhecimento d’Ele, tinha sofrido a perda de tudo o que a carne valoriza, e ele foi habilitado, após 30 anos de experiência no caminho da fé sem essas coisas, a considerá-las como algo imundo, para que ele pudesse ganhar a Cristo. Nisso ele é um exemplo para todos os crentes em Jesus. Tal conhecimento de Cristo, em vez de levar ao descuido e libertinagem, nos preserva do mal. E quanto mais sabemos d’Ele, mais sério será o desejo de que todo o nosso modo de vida seja conformado em todos os detalhes a Ele. E, na verdade, também poderemos dizer como o apóstolo: “Para mim, viver é Cristo”.

E. H. Chater (adaptado)

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O Conhecimento do Pai

“Eu vos escrevi, filhos, porque conhecestes o Pai” (1 Jo 2:13 – ARC).

O que é esse conhecimento do Pai que faz com que os filhos mais novos que estão em Cristo recebam esse título (de filhos) intransferível? E se o mais novo filho em Cristo tem tal direito, eu e você também podemos desfrutar desse privilégio inestimável? É claramente algo mais do que saber que somos filhos de Deus, embora nosso coração possa muito bem ser tocado ao contemplarmos o modo do amor que nos foi concedido, a fim de podermos ocupar o lugar das crianças diante do Pai, como nascidos d’Ele e possuindo o Espírito de Seu Filho (1 Jo 3:1).


Relacionamento e conhecimento

O relacionamento é uma coisa, já o conhecimento do Pai, cujo filho eu sou, é outra. Se considerarmos um relacionamento natural, a diferença é óbvia. O relacionamento permanece o mesmo, seja qual for o caráter do pai, mas quanta diferença faz para os filhos! O pai pode ser amoroso e compreensivo ou muito distante e frio e a diferença para a criança é incalculável. É suficiente, então, que saibamos que somos filhos de Deus? Não devemos desejar também nos tornar familiarizados com os pensamentos e sentimentos do Seu coração, o amor de Sua natureza e Seu caráter (se posso, assim, usar esta palavra com a maior reverência), quando Ele torna esse conhecimento de Si mesmo