03. Conhecimento

Atualizado: Mar 29

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ÍNDICE

Conhecimento

W. Kelly

O Verdadeiro Conhecimento

W. J. Prost

Quatro Pontos do Conhecimento

C. H. Mackintosh

Autoconhecimento

W. J. Prost

O Conhecimento de Cristo

E. H. Charter

O Conhecimento do Pai

J. A. Trench

Obtendo o Conhecimento Bíblico

Faithful Words for Young and Old

Renovado no Conhecimento

F. G. Patterson

Ignorância sobre Deus

G. V. Wigram

Mera Interpretação

Girdle of Truth

Como saberemos

A. J. Flint (Poema)

Mais de Ti, Jesus

Hino 110



Conhecimento

Deus, de forma alguma, escreveu a Palavra para livrar pessoas de problemas, nem foi escrita, como alguns pregam, em textos pelos quais as Escrituras são desconectadas e sua força de conexão destruída. Deus escreveu toda a Sua Palavra para ser valorizada, como se fosse uma questão de se esperar no Senhor, para que pudéssemos entrar e desfrutar plenamente dela, embora ela não possa ser compreendida de uma só vez. Quão sábio isso é! Agradeçamos a Deus porque Sua Palavra está escrita de tal forma que nunca houve uma alma desde o começo do mundo que pudesse se apropriar dela e sondá-la por completo, nem mesmo os próprios apóstolos e profetas. Agradeçamos a Deus que a Sua Palavra nos chama a tomar o lugar de um aprendiz. Quanto mais Deus nos dá a conhecer, mais Ele nos faz sentir o quanto ainda há para aprender, e assim somos mantidos, como Ele deseja que estejamos, em atitude de espera. Sem dúvida, isso não combina com o mundo. É muito melhor falar como se tudo já fosse entendido, ao passo que, pelo contrário, se vê quão pouco é realmente conhecido da Escritura quando reduzida a uma ciência.

W. Kelly

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O Verdadeiro Conhecimento

Há um antigo conjunto de provérbios, provavelmente de origem árabe ou chinesa, que diz:


“Quem não sabe, e não sabe que não sabe, é insensato. Evite-o.

Quem não sabe, e sabe que não sabe, é estudante. Ensine-o.

Quem sabe, e não sabe que sabe, está dormindo. Desperte-o.

Quem sabe, e sabe que sabe, é sábio. Siga-o”.


Enquanto no sentido natural existe, como dizemos, um fundo de verdade em tudo isso, é importante perceber que essas máximas não podem ser completamente aplicadas à sabedoria divina, como retratada na Palavra de Deus. Para se ter certeza, é importante ter um nível de confiança quando nos comprometemos a fazer algo. Ao fazer uma cirurgia, o cirurgião deve ter um grau de confiança em sua capacidade de realizar bem a operação. Ao construir uma casa, o empreiteiro deve ter alguma convicção de que possui o “know-how” necessário para concluir o trabalho adequadamente. Por outro lado, todos nós vimos aqueles que, com uma autoconfiança nascida da ignorância, abordam uma tarefa com uma confiança que não percebe as limitações de sua capacidade. Da mesma forma, temos visto aqueles que, percebendo sua falta de aprendizado, estão dispostos a buscar instrução. Tudo isso nós entendemos bem num reino natural.


O reino espiritual

No entanto, quando chegamos às coisas espirituais, devemos abordar o conhecimento de uma maneira diferente. Ao contrário da aprendizagem natural, o entendimento espiritual vem por meio do coração e da consciência, e não pelo intelecto. Isso não quer dizer que o intelecto não esteja envolvido, mas desde a queda do homem, suas tendências pecaminosas o tornam propenso a se afastar de Deus e não de ir em direção a Ele. Por essa razão, a Palavra de Deus nos diz: “a inclinação da carne é inimizade contra Deus” (Rm 8:7). Paulo pôde lembrar aos coríntios que “na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus” (1 Co 1:21), e por essa razão, sua pregação para eles “não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder” (1 Co 2:4). Até mesmo Jó, centenas de anos antes, pôde levantar a questão: “Poderás descobrir as coisas profundas de Deus?” (Jó 11:7). O homem em sua busca pelo conhecimento nunca pode elevar-se acima de si mesmo e, portanto, não pode compreender as realidades eternas. Ele deve ter uma revelação divina.


O conhecimento de Deus

Quando se trata do conhecimento real - o conhecimento de Deus e das questões eternas - o homem deve estar sujeito a uma revelação vinda de Deus, o mesmo Deus que a mente natural não quer conhecer. Mas Deus em Seu amor alcança ao homem (que não é apenas um pecador, mas um pecador perdido e um pecador rebelde) e o atrai de volta a Si mesmo. Ele primeiro concede uma nova vida ao homem pelo poder de Seu Espírito, usando Sua Palavra, e então lhe dá um novo desejo, um desejo de conhecer mais sobre Deus e de ter um relacionamento com Ele. É aí, então, que o homem começa a encontrar o verdadeiro conhecimento, pois ao invés de olhar para tudo com seus olhos e intelecto naturais, ele começa a ver tudo pelas lentes da Palavra de Deus.


Isso não quer dizer que a nova vida em Cristo fará alguém versado em coisas como matemática ou literatura, mas, ao contrário, mostra-O como Deus acima de tudo e levará o homem a um relacionamento com o Deus que não é apenas um Criador, mas também um Redentor. Assim, à medida que o conhecimento do homem se aprofunda, ele se torna mais humilde, ao invés de se tornar mais exaltado em si mesmo e orgulhoso. Quando um homem sabe muito no reino natural, isso tende a fazê-lo se orgulhar, o que é algo que o homem natural é muito propenso. Ele não percebe que mesmo o que conhece de maneira natural, sabe apenas como um descobridor, nunca como um criador. É triste dizer que até um crente pode se orgulhar do que sabe, e essa foi a condição de alguns na assembleia em Corinto. Foi para eles que Paulo fez a declaração clara: “Se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber” (1 Co 8:2). Da mesma forma, ele pôde dizer aos gálatas: “Se alguém cuida ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo” (Gl 6:3). Quando o homem é levado à presença de Deus, mesmo quando tem a ver com coisas naturais, o resultado é a humildade. Não só ele sabe muito pouco, mesmo nas coisas deste mundo, mas quão grande é a sua falta de conhecimento das coisas reais quando ele é trazido para a presença de Deus!


“Como escutas”

Relacionado ao conhecimento espiritual do homem, existe uma observação importante feita por nosso Senhor enquanto esteve na terra, uma verdade tão necessária que o versículo é repetido (com pequenas variações) cinco vezes nos Evangelhos. Podemos ler em Lucas 8:18: “Vede, pois, como ouvis, porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado”. Para ter o conhecimento das Escrituras do jeito certo, devo andar nela. Só então eu realmente o terei, e nessa condição, mais será dado a mim. Mas Deus não permitirá que eu tenha a teoria da verdade em minha cabeça sem a prática correspondente dela em minha vida. Perceberei que não somente nada mais me será dado, mas que Deus tirará o que eu já tenho. Ter e não andar no que tem é apenas parecer que tem. O verdadeiro conhecimento a respeito de Deus tem que ser parte do meu ser moral, não simplesmente um conjunto intelectual de fatos.


O verdadeiro conhecimento

O verdadeiro conhecimento é conhecer a Deus, não apenas como um Criador, mas como Aquele que preparou um plano na eternidade passada de enviar Seu filho amado a este mundo, como homem, para morrer por mim. Começa com o conhecimento do Pai revelado no Filho, e assim João pôde dizer: “Eu vos escrevi, filhos, porque conhecestes o Pai” (1 Jo 2:14). Mas então ele escreveu diferentemente para os pais, aqueles que amadureceram na fé, para estes ele disse: “Pais, escrevo-vos, porque conhecestes aquele que é desde o princípio” (1 Jo 2:13). Aqui é o próprio Cristo, Aquele que é desde o princípio, que eles conheceram, e não pode ser nada além disso. Foi Ele quem revelou o Pai, e é n’Ele que todos os propósitos e conselhos estão centrados. Progredir no conhecimento d’Ele abrange tudo o mais.


Essa é a razão, nas Escrituras, pela qual tanta ênfase é dada à Pessoa de Cristo, ao invés de ser dado um simples conhecimento intelectual sobre a Palavra de Deus, embora seja isso uma grande benção. Pedro nos disse que: “Visto como o Seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento d'Aquele que nos chamou por Sua glória e virtude” (2 Pe 1:3). Paulo pôde dizer: “para conhecê-Lo, e a virtude da Sua ressurreição, e a comunicação de Suas aflições, sendo feito conforme a Sua morte” (Fp 3:10). Ele mesmo é a verdade, e assim nosso Senhor Jesus pôde dizer a Pilatos: “Todo aquele que é da verdade ouve a Minha voz” (Jo 18:37). Como a encarnação da verdade, Ele “estará conosco para sempre” (2 Jo 2).


Por toda a eternidade, nunca esgotaremos as glórias de Cristo, pois elas são infinitas. É nosso privilégio apreciá-las agora!