01. A Verdade e o Erro

Atualizado: Mar 29

Baixe esta revista digital nos formatos:

EPUB - MOBI

ÍNDICE

A Verdade e o Erro

W. Kelly

Diversidade e Unidade

C. H. Mackintosh

A Verdade e o Espírito

Bible Herald

Tolerância

W. J. Prost

Heresia

G. V. Wigram

A Verdade é o Teste

F. B. Hole

As Escrituras

J. N. Darby

Sem Igualdade

J. N. Darby

Aceitando a Verdade sem Praticá-la

W. T. Turpin

A Verdade

Bible Treasury

A Verdade e o Erro

J. Timley

Relutância e Determinação

J. G. Deck (Poema)



A Verdade e o Erro


Cristo é a verdade em seu sentido completo. O Espírito Santo também é chamado de “verdade” (1 Jo 5:6), como sendo o poder interior daquele que crê para se apoderar da revelação de Deus e compreendê-la. Jesus é a verdade. Verdade é a expressão do que Deus é e do que o homem é. Aquele que é a Verdade de maneira objetiva deve ser tanto Deus quanto homem para poder tornar conhecida a verdade sobre eles. Ele não é apenas Deus, mas o Ser especial que fez Deus conhecido, e, sendo homem, pôde fazer com que o homem fosse conhecido também. Sim, sendo ambos, Ele pôde tornar tudo conhecido. Assim, nós jamais saberemos o que a vida é a não ser em Cristo, e jamais saberemos o que a morte é senão em Cristo. Novamente, quem jamais saberia o significado correto de julgamento senão em Cristo? Quem pode estimar o que a ira de Deus é senão em Cristo? Quem pode dizer o que é comunhão com Deus senão em Cristo? É Cristo quem nos mostra o que o mundo é, também é Cristo que nos mostra o que o céu é e em contraste o que o inferno será. Alguns filósofos antigos diziam, mesmo que falsamente, que o homem é a medida para todas as coisas. Isto é certamente verdade em Cristo, o Deus-homem.

W. Kelly (adaptado)

Voltar ao Índice


Diversidade e Unidade


É de grande instrução para nós notar a variedade de linhas da verdade que são apresentadas no Novo Testamento, todas encontrando seu centro comum naqu’Ele Bendito que é a verdade. Podemos ver isso tanto nos evangelhos quanto nas epístolas. Cada um dos quatro evangelistas, sob a direção imediata do poder do Espírito Santo, nos dá uma visão distinta de Cristo. Cada um traz sua linha específica, nenhuma se contradiz, mas todas se confirmam. Existe diversidade e unidade. Mateus não se opõe a Marcos, nem Marcos a Lucas, ou Lucas a João. Não existe conflito, porque cada um se move em sua própria órbita, e todas em torno de um único grande centro.


Isso também acontece nas epístolas. A linha da verdade apresentada por Paulo é distinta da de Pedro, a de Pedro da de João, ou a de João da linha de Tiago. Não há conflito, assim como os quatro evangelistas. As órbitas são distintas, porém o centro é único.


Um Espírito – Vários instrumentos

Seria loucura de nossa parte fazer qualquer comparação entre essas variadas linhas da verdade ou dos instrumentos pelos quais essas linhas nos são apresentadas. Isso devemos denunciar imediatamente como sendo uma loucura pecaminosa e que não deve ser tolerada nem sequer por um momento. A variedade de instrumentos são todas empregadas pelo único e mesmo Espírito inspirador para o grande objetivo de apresentar a variedade da glória moral de Cristo. Cada um é necessário em seu devido lugar. Nós estaríamos causando sérios danos a nossa alma, bem como arruinando a integridade da revelação divina, se nos confinássemos a qualquer linha da verdade, ou nos prendêssemos exclusivamente a qualquer instrumento em particular.


Os Coríntios caíram nesse grande erro e por isso receberam uma repreensão severa vinda do bendito apóstolo Paulo. Alguns eram de Paulo, alguns de Apolo, alguns de Cefas e alguns de Cristo. Todos estavam errados, e aqueles que disseram que eram de Cristo eram tão errados quanto qualquer um dos outros. Eles eram carnais e andavam segundo os homens. Era uma grande tolice se ensoberbecer um contra o outro, na medida em que todos eram servos de Cristo, e todos pertenciam a uma única Igreja.

Não é diferente do que acontece hoje na Igreja de Deus. Existem vários tipos de trabalhadores e várias linhas da verdade, e é nosso privilégio e dever os reconhecer e nos regozijarmos em todos eles. “Porque tudo é vosso: seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro, tudo é vosso, e vós, de Cristo, e Cristo, de Deus” (1 Co 3:21-23). Essa é a maneira verdadeira e divina de se olhar esta questão. Também é a maneira de se evitar seitas, partidos e grupos exclusivistas na Igreja de Deus. Há um só corpo, uma Cabeça, um Espírito, uma revelação perfeita e divina, as Santas Escrituras. Existem muitos membros, muitos dons, muitas linhas da verdade, muitas características distintas do ministério. Precisamos de todos eles, e sendo assim Deus nos proveu de todos eles.


Toda a verdade

Qual será o efeito de nos dedicarmos a apenas uma linha da verdade, ou uma característica do ministério em particular? Isso somente produzirá um caráter Cristão imperfeito. É triste dizer que nós somos propensos a nos dedicarmos a apenas um lado, e nada trabalha mais a favor deste mal do que nos ligarmos de maneira desordenada a um ramo particular da verdade e excluirmos os demais ramos que são igualmente importantes. É pela verdade que somos santificados, e não por alguma verdade.

Aqui encontramos o grande princípio. Deus tem vários instrumentos para Sua obra, e deveríamos valorizar a todos eles como sendo Seus instrumentos e nada além disso. Tem sido sempre o objetivo de Satanás levar o povo do Senhor a estabelecer cátedras, líderes de partidos, e centros de divisões para espalhar a Igreja de Deus em seitas e destruir sua unidade visível. Que não sejamos ignorantes quanto às suas artimanhas, mas que de todas as maneiras possíveis, esforcemo-nos para “guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Ef 4:3).


Perto do centro

Como este grande objetivo deve ser alcançado? Por nos mantermos perto do centro, por permanecer em Cristo, pela ocupação habitual com Ele, por beber das profundezas do Seu Espírito e andar nas suas pisaduras, por sentar junto a seus pés, em verdadeiro quebrantamento de espírito e humildade de pensamento, pela completa consagração ao Seu serviço, pelo apoio a Sua causa e promoção de Sua glória, pela prosperidade e bênção de cada membro amado de Seu corpo.


Assim seremos guardados de conflitos e disputas, da discussão sobre questões sem proveito e teorias sem embasamento, da parcialidade e de preconceitos. Seremos capazes de ver e apreciar todas as linhas da verdade convergindo em um único Centro divino, os raios variados da verdade emanando da única Fonte eterna. Nos regozijaremos no grande fato de que em todos os caminhos e obras de Deus, em todas as partes da natureza e da graça, nas coisas da Terra e nas do céu, no tempo e na eternidade, não existe uma uniformidade maçante, mas uma prazerosa variedade. Resumindo, o princípio eterno e universal de Deus é “diversidade e unidade”.

C. H. Mackintosh (adaptado)

Voltar ao Índice


A Verdade e o Espírito


“Às vezes penso que estamos experimentando um pouco do que provavelmente foi sentido por alguns no final da era apostólica, a saber, que após toda a verdade ter sido ensinada, ela era pouco compreendida e poderia, como verdadeiramente foi, rapidamente renunciada e perdida”. Essa porção, que foi extraída de uma carta de um irmão (há muitos anos), é uma triste realidade. A facilidade e rapidez na qual a mais importante verdade foi abandonada é impressionante. A obra do Espírito é tão refinada em sua natureza e acabamento que pode ser facilmente estragada se for posta a mão humana nela. A corrupção das melhores coisas é a pior corrupção.


Progresso espiritual

Receber e manter a verdade no Espírito será sempre associado com o progresso na espiritualidade e com a excelência da prática moral. O afrouxamento da verdade tende à morte espiritual e à corrupção moral. Quando alguns em Corinto negaram a ressurreição, isso ajudou a manifestar a moralidade deles, pois a ignorância deles a respeito de Deus como um Ser moral, acompanhou a negação da verdade sobre a ressurreição. Adicionar a lei a Cristo para a vida Cristã levou os gálatas a deixarem as práticas do Espírito pelas da carne, e, em princípio, foram do Cristianismo para o paganismo. Paulo esteve em agonia quando viu sintomas de não estarem “ligados à cabeça” em Colosso, e procurou com urgência distanciar os hebreus das “ordenanças”, sabendo como seriam impedidos por elas de avançar na verdade e na palavra da justiça.


O estado da Igreja após a morte dos apóstolos (como preservados nos escritos dos pais apostólicos) não nos conta sobre a perda gradual da verdade, mas de uma completa e imediata descida do céu para a Terra! Uma coisa é ter a verdade completamente ensinada, mas ninguém além das almas espirituais e exercitadas receberão e reterão esse ensino, e estes são sempre a minoria.


O poder e a presença do Espírito

Onde o poder do Espírito é apreciado e os olhos estão focados no Senhor nas alturas, os santos são mantidos no frescor da atmosfera divina, e o Espírito Santo dá a eles a sensação da presença de Deus. As almas são sustentadas pela atmosfera da verdade viva e por meio da presença do Espírito revelando a Cristo. A atmosfera em tais circunstâncias é carregada de alimento, e a menor porção da verdade nesta difusão espiritual pode ser usada para encher toda a alma com a força e doçura de Cristo.


Mas quando o Espírito é entristecido, extinto ou resistido, Seu poder fortalecedor e refrescante desaparece, e quanto mais a verdade é apresentada, pior é o estado produzido. Nada faz com que a consciência se torne mais endurecida do que encher a mente desordenada de alimento sólido das verdades Cristãs, que só podem ser recebidas e desfrutadas por um espírito quebrantado e uma alma divinamente exercitada. O eu (e a aceitação das coisas que o alimentam) nos dá um desgosto pelas coisas do Espírito.


O início do Cristianismo

O Cristianismo teve início com tal poder do Espírito Santo que levou à eliminação do egoísmo, substituído pelo amor de uns para com os outros, que fluía da graça. Sob a pregação da verdade, o Espírito os levou naturalmente à unidade divina, feliz comunhão e doce adoração. Esse é o segredo da unidade, e o esforço da energia humana para suprir sua falta só faz com que os problemas piorem. Nem a verdade ou a comunhão pode existir exceto pela graça viva e poder do Espírito. O que queremos, então, é uma experiência de Cristo dada pelo Espírito, vindo da verdade preciosa que recebemos, e essa verdade é um rico legado que nos faz ter um grande motivo para estarmos gratos. Já que o Espírito Santo está dando liberdade para agir pela Sua energia no nosso meio, então, devoção espiritual, liberdade na adoração e cordial alegria, poderão ser desfrutados, assim como naqueles primeiros dias.


A glória de Cristo

O que devemos desejar fervorosamente, e orar a respeito, é que a verdade do evangelho da Glória de Cristo possa ser dada no poder do Espírito e com os olhos fixos no glorioso Jesus, que está a destra de Deus. Porque, o que é a verdade longe d'Aquele que é a verdade na glória de Deus? Cristo é a verdade objetivamente, o Espírito é a verdade objetivamente, e devemos ter ambos, não somente em objeto e testemunho, mas em vida e poder.


Assim era nos dias de Pentecostes depois da ascensão de Cristo, quando o Espírito prometido veio e “todos foram cheios do Espírito Santo”. Os discípulos testificaram do Cristo glorificado com poder. Este ministério do Espírito continuou, “e crescia a Palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos” (At 6:7). Então, nenhuma pregação era infrutífera! Quando a Palavra era pregada nos tempos apostólicos, havia uma grande força do poder vivo em conexão a ela, Cristo era magnificado e almas eram abençoadas.


Não poderia Deus, em Sua soberania, causar uma ação como essa do Espírito para a glória de Cristo nos dias de hoje, quando “as igrejas” estão se afastando da verdade, e o mundo está rapidamente caminhando para a infidelidade religiosa? Todas as coisas eclesiásticas parecem se apressar para a ruína, e a dispersão daqueles reunidos em unidade no divino terreno tem ocorrido simultaneamente com esta deserção. Em pouco tempo, Deus deve se interpor pela vinda do Senhor e pelo julgamento que virá sobre o mundo. Enquanto isso, que Ele possa nos dar forças renovadas para o “testemunho do nosso Senhor” e a obra da graça pelo Seu Espírito!

Bible Herald (adaptado)

Voltar ao Índice


Tolerância


Hoje vivemos num mundo que de muitas formas se vangloria de sua tolerância. Enquanto alguns do mundo continuam tendo uma atitude preconceituosa em relação a questões sobre etnia, cultura, cor e religião, muitos do mundo, especialmente aqueles que se denominam “o ocidente”, se orgulham de sua tolerância e diversidade. Nos últimos anos, essa tolerância tem se estendido à inclusão e aceitação de diferentes pontos de vista morais, como a homossexualidade e a promiscuidade sexual, pontos de vista que há poucos anos eram vistos como inaceitáveis. Os Cristãos têm sido colocados em crescente desafios em sua vida Cristã por diversos pontos de vista divergentes, especialmente sobre a moralidade, e tem sido cada vez mais difícil manter um padrão moral absoluto. Em alguns casos, aqueles que têm falado contra alguns destes pontos de vista, denominados de “tolerantes”, têm sido acusados de “discurso de ódio”.


Intolerância

Paradoxalmente, entretanto, o homem moderno tem, de modo crescente, se tornado intolerante contra qualquer coisa que interfira em suas ambições ou estilo de vida. Isso é evidenciado por tiroteios, até mesmo chacinas, nos últimos anos, bem como por incidentes em corridas de carros (rachas) e outros atos de violência que claramente têm aumentado. Isto traz a tona a questão da tolerância à luz da Palavra de Deus e como o crente deve ver este assunto.


Podemos começar com a definição da palavra “tolerância”. A palavra pode ser descrita como: “a habilidade ou desejo de suportar algo, especialmente a existência de opiniões e comportamentos que talvez não se concorde”. Isso pode ser normalmente entendido como sendo algo bom, até mesmo para os Cristãos, mas primeiramente devemos nos lembrar que existem dois tipos de tolerância.


Tolerância de julgamento e de respeito

Em primeiro lugar existe a tolerância de julgamento, que é quando toleramos atitudes, credos e comportamentos de outros, mas com uma posição mental de estarmos mais corretos nas escolhas e valores que respectivamente temos e adotamos. Suportamos o que os outros pensam e fazem, mas com o sentimento definido de que seus caminhos são menos corretos do que aqueles que acreditamos, ou talvez completamente errados. Também existe a tolerância do respeito, quando nossas atitudes devem ser de apreciação em respeito às diferenças que vemos em outros. Nesta situação, não vemos alguém em posição de estar mais certo ou mais errado (não se tratando de assuntos morais), ao invés disso, nós sustentamos o que pode ser chamado de imparcialidade nas diferenças.


Respeito

Primeiramente iremos considerar a tolerância do respeito. Durante os primeiros momentos do ministério do Senhor Jesus, Ele jamais julgou os homens unicamente com base em sua cultura, antecedentes, ocupações, ou em qualquer outro aspecto que seja relacionado com as coisas desta vida. Todos eram bem recebidos para estar com Ele, e Ele se deu a todos livremente. É verdade que todos aqueles que vieram, tiveram que se aproximar com uma atitude correta, a mulher sirofenícia não pôde reivindicar nada a Ele como sendo o Filho de Davi. Ela teve que se aproximar como uma gentia, admitindo sua posição. Mas logo quando ela admitiu isso, houve a mais completa benção para ela. Da mesma forma, os apóstolos e os primeiros Cristãos não exibiam nenhuma forma de intolerância com base na cultura, etnia ou antecedentes. O evangelho era livre para todos e pregado a todos. Não há nenhuma evidência que indique que eles tentaram mudar a cultura e os comportamentos daqueles para quem eles pregavam (Falaremos sobre este assunto mais tarde, e as práticas culturais que eram moralmente erradas e contrárias à vontade de Deus).


Discriminação

Da mesma forma, os Cristãos hoje em dia deveriam exercitar a tolerância do respeito e não discriminar coisas que não envolvem questões morais ou sobre a verdade, porque lemos que “Deus [...] de um só fez toda a geração dos homens [...] para que buscassem ao Senhor” (At 17:26-27). Deus está formando sua Igreja com pessoas de todas as nações, raças e antecedentes, e esses tipos de diferenças devem ser respeitados e aceitos, e não julgados. Somos todos produtos de nossa nacionalidade e cultura, e naturalmente tendemos a pensar que nossa forma de fazer as coisas é a melhor. Essa atitude pode se estender para nossa própria língua. É triste dizer, esse tipo de consideração tem frequentemente levado Cristãos a se dividirem em bases raciais, culturais e em linhas nacionais, em detrimento daquela unidade do Espírito na qual somos exortados a manter “pelo vínculo da paz” (Ef 4:3). Por exemplo, em pelo menos dois países que eu visitei, é perfeitamente aceito que qualquer pessoa, de qualquer idade, pergunte a idade que o outro tem. Pode até mesmo ser a primeira pergunta que será feita a você quando for apresentado a alguém. Este tipo de pergunta poderia ser considerada rude e até mesmo de pessoas sem modos na maioria dos países ocidentais. Os Cristãos devem ser conhecidos, por todas as pessoas deste mundo, por serem tolerantes nestas áreas, também por seu respeito e aceitação nas questões culturais, étnicas, e diferenças nacionais. Já que somos cidadãos celestiais, deveríamos pensar sobre nós mesmos desta forma. Não deveríamos nos identificar primeiramente com uma cultura terrena ou com uma nação na qual nos encontramos, mas como parte da Igreja e como alguém na qual sua lealdade é celestial, não terrenal.


Da mesma forma, essa tolerância deveria ser estendida para as diferentes personalidades, qualidades, dons e habilidades, pois Paulo pôde dizer: “Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu [dom, qualidade], senão também cada qual o que é dos outros” (Fp 2:4). Muitos problemas que afligem os santos de Deus têm sua raiz nos conflitos de personalidades, diferenças entre ricos e pobres, diferentes aptidões e graus de educação, bem como estilos de vida diferentes. Porém, Deus traz diferentes tipos de pessoas para dentro de Sua Igreja, e então nos dá um objeto em Cristo que transcende todas as diferenças, e nos capacita a andarmos juntos com objetivos e desejos comuns. Existe mais em Cristo para nos atrair e unir do que todas essas diferenças que nos dividem.


A tolerância de Deus

Deus também suporta o mal no mundo e neste sentido exercita a tolerância de julgamento. No entanto, nós hesitamos em usar a palavra “tolerante” em referência a Deus, para que não seja dada uma má impressão. Deus não tem uma posição liberal ou permissiva em relação ao mal, como alguns podem dizer hoje em dia. Nós lemos no Salmo 7:11 (TB): “Deus é um juiz justo, Um Deus que sente indignação todos os dias”. Sua natureza santa abomina o pecado, e enquanto Ele pode exercitar a paciência e longanimidade para com este mundo, Seu julgamento do pecado continua o mesmo. Este mundo se acostumou com o pecado, mas Deus jamais se acostuma.


Julgamento

Já que Deus é longânimo em relação a este mundo, assim deve ser o crente. Há um lugar para a tolerância do julgamento no Cristão e, às vezes, para a intolerância direta. É muito importante que o crente não caia na atitude normal do mundo quando questões morais vitais estão em jogo. É importante notar, no entanto, que a tolerância, ou a falta dela, no crente é baseada nos padrões de Deus revelados em Sua Palavra, não em suas próprias ideias ou preferências. Além disso, quando o crente exerce a tolerância do julgamento, ele reconhece que, se Deus suporta o mal por um momento, sua paciência com o mal do homem não continuará indefinidamente.


Essa é a tolerância do julgamento, um julgamento formado com base nos conceitos absolutos da divindade e dado a nós pela revelação divina. Estamos no tempo da graça de Deus, e Deus está alcançando pecadores perdidos para salvá-los, mas haverá um dia de julgamento. De acordo com isso, a tolerância do crente ao mal, hoje, não significa que ele seja indiferente a esse mal ou se torne menos preocupado com isso. Somos informados em Efésios 4:26: “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira”. (Isto é, não permita que a exposição constante ao mal diminua sua sensibilidade moral a ele, de acordo com a estimativa de Deus sobre isso). Nossa sensibilidade ao pecado deve ser sempre a mesma que a de Deus sobre o pecado. Isso é muito diferente de ter uma tolerância de respeito com relação ao mal, onde alguns podem não concordar com isso, mas ainda assim considerá-lo uma variante a ser pelo menos reconhecida e aceita. Isso é errado. Uma atitude de respeito ao mal nega essencialmente a existência de um padrão absoluto e faz com que o bem e o mal sejam ideias relativas. [Nós já consideramos este assunto em um artigo de uma edição anterior desta revista; ver O Cristão, Junho de 2014].


Cultura

Já observamos que na Igreja primitiva, os apóstolos não tentaram mudar a cultura. Contudo, se as práticas de uma determinada cultura ou grupo étnico contradizem as reivindicações de Deus, então todas devem ser julgadas à luz do padrão de Deus. Assim, Paulo poderia repetir a Tito as observações de um profeta cretense a respeito de seu próprio povo, escrito mais de 500 anos antes. O profeta usou uma linguagem muito forte e negativa (Tt 1:12), e Paulo afirma que essas observações eram verdadeiras. Consequentemente, foi dito a Tito que os repreendesse severamente se tal comportamento ocorresse, “para que sejam sãos na fé” (Tt 1:13). O caráter nacional e cultural não poderia ser usado como desculpa para um estilo de vida pecaminoso.

Assim, em um mundo de pecado, existem dois perigos. Um é de nos tornarmos endurecidos e deixarmos de ver o pecado com o mesmo horror que Deus o vê, e o outro é o de esquecermos que estamos vivendo nos dias da Graça de Deus e por isso começarmos a nos levantar para trazer julgamento contra o pecado. O crente deve evitar ambas as armadilhas.


O mundo e o lar

No entanto, haverá necessariamente uma diferença entre o que o crente suporta no mundo em geral e o que ele permite em sua própria casa ou na assembleia Cristã local. Nós lemos em Salmos 93:5 – “A santidade convém à tua casa, SENHOR, para sempre”. A assembleia Cristã deve ser “coluna e baluarte da verdade” (1 Tm 3:15), pois é o lugar onde o próprio Senhor está no meio (Mt 18:20). Assim, a santidade deve ser mantida onde os crentes se reúnem, de acordo com a presença e autoridade do Senhor.

Da mesma forma, o lar Cristão deve ser um lugar onde o mal do mundo exterior deve ser excluído. Um pai deve educar seus filhos “na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef 6:4). Além disso, João pôde exortar a mulher eleita a não receber em sua casa aqueles que ensinavam má doutrina a respeito da Pessoa de Cristo (2 Jo 1:10). Um crente e sua casa estavam intimamente ligados, por isso Paulo e Silas puderam dizer ao carcereiro filipense: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa” (At 16:31). O que deve caracterizar o crente individualmente deve também caracterizar sua casa.


Santidade no lar

À medida que o mundo cresce cada vez mais em sua perversidade nestes últimos dias, ele passa a ter um efeito cada vez maior sobre o Cristão, e assim se torna mais e mais difícil manter a santidade nas assembleias e nos lares Cristãos. Da mesma forma, a prevalência de entidades como a televisão, a internet e outros tipos de mídia social, tendem a trazer o mundo para dentro de nossa casa e nos levar para o mundo. É preciso muito cuidado para sermos encontrados “renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas”, e “vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente” (Tt 2:12). Mas Deus dá a graça em quaisquer circunstâncias em que nos encontramos, se O pedirmos. Ele nos capacitará a preservar “todo o vosso espírito, e alma, e corpo [...] irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”, pois “Fiel é o que vos chama, o qual também o fará” (1 Ts 5:23-24).

W. J. Prost

Voltar ao Índice


Heresia


A heresia não se afasta da figura da verdade, mas do Espírito da verdade, e é o espírito do herético que a Palavra nos diz para julgar como uma obra da carne mais do que o fruto na forma de doutrina.


As Escrituras nos são dadas por Deus como “um depósito completo e padrão da verdade”, elas contêm tudo o que precisamos saber como Cristãos, e por elas todo erro pode ser detectado. Mas quem é o intérprete das Escrituras? Eu respondo, o Espírito Santo é o único intérprete autorizado e infalível dela. É verdade que Ele nos dá, a cada bebê em Cristo, a unção na qual podemos saber todas as coisas e nos dá várias medidas de capacidade de entendimento. Ele também pode dar mestres à Igreja e dons de sabedoria e conhecimento. Mas ainda assim o próprio Espírito Santo ainda é o único intérprete. Ao honrá-Lo os santos encontram grande poder, com abrangência e unidade na verdade, e o contrário acontecerá caso O desonremos.


A Palavra hairesis, heresia, significa escolha. O verbo hairetizo (da mesma raiz de hairesis), pode ser visto em Mateus 12:18 – “O meu servo que escolhi. Existe outra palavra similar a essa, Haireomai, em Filipenses 1:22 – “não sei, então, o que deva escolher.


A forma mais perversa na qual a heresia é introduzida é a de pôr os dons acima d'Aquele que os deu. Confiar no mestre ou em sua sabedoria, ou na mente divina que existe em nós e sua medida de desenvolvimento, e assim esquecer a Pessoa e a ação do Espírito Santo, cuja energia ausente trará somente a ruína sobre todas as coisas.


A obra da carne

A primeira coisa que eu gostaria de observar é que a heresia é considerada uma obra da carne (Gl 5:20). A carne é a raiz de onde ela surge e é a energia na qual ela se mostra. Se alguém, em vez de procurar a orientação do Espírito Santo, buscar algo superficialmente nas Escrituras, verá algo no livro que não estará lá, ou lerá o conteúdo do livro fora de sua ordem e importância, e isso será o começo da heresia. Ele, talvez até mesmo inconscientemente, terá desonrado o Espírito Santo e honrado a si mesmo. O fermento da heresia agora poderá estar em ação nele. Se assim for, e se ele não julgar a si mesmo, o fermento se mostrará pouco a pouco. Ele ou abordará coisas que não estão no livro, ou abordará uma conexão de coisas que não são verdadeiras. Ele poderá diminuir a importância de uma verdade fundamental, ou ampliar indevidamente a importância de algum item ou ponto da superestrutura da verdade. Como ela se mostra não importa. Ele não lidará com a verdade como um homem guiado pelo Espírito faria. Além disso, quando o inimigo está trabalhando por meio de heresias, ele raramente toma como instrumentos aqueles assuntos que são ofensivos à natureza humana, muitas belezas e ornamentos naturais podem cobrir o enredo, mas o sopro e o rompimento das bolhas em breve exigirão que os santos julguem esse comportamento. Se eles não se anteciparem ao mal, ele irá subir e cair. Ele atrairá discípulos após ele, uma seita será formada em volta dele, e o homem será um herege (Tt 3:11).


Um mal moral