04. Sabedoria

Atualizado: Mar 29

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ÍNDICE


Sabedoria

W. Kelly

Sabedoria – Onde Será Encontrada?

H. E. Hayhoe

A Sabedoria Oculta

H. Smith

A Sabedoria de Deus em Cristo

J. N. Darby

Cristo, a Sabedoria de Deus

The Remembrancer

O Dom da Sabedoria

W. J. Prost

O Orgulho do Homem

W. J. Prost

Sabedoria de Cima

W. Kelly

Estar em Paz entre Nós

F. C. Blount

O Vasto e o Pequeno

W. Kelly

Ensinados por Deus

Bible Treasury

Cristo, o Poder e a Sabedoria de Deus

Autor desconhecido (Poema)



Sabedoria


Paulo escreve em Romanos 16:19: “Quero que sejais sábios no bem, mas símplices no mal”. Esse é o remédio divino para o mal deste mundo, assim como o Senhor falou, em sentido figurado, em Mateus 10:16, combinando a prudência das serpentes com a inofensividade (ou simplicidade, pois é a mesma palavra) de uma pomba. A sabedoria humana procura se proteger por meio de um conhecimento profundo do mundo e de todos os caminhos do mal. “Esta não é a sabedoria que desce do alto, mas é terrena, natural e diabólica. A sabedoria que vem do alto é primeiramente pura, pacífica, cheia de misericórdia e de bons frutos, incontaminada e não fingida”. Não precisa cultivar o conhecimento do mal. Ela conhece bem a Cristo, e está satisfeita e assim adora. Ela ouve e ama a voz do pastor, a voz de um desconhecido ela não conhece e não a seguirá. E isso se adapta à mais simples alma que é trazida ao conhecimento de Deus, de modo que ela se torna a mais sábia, porque somente ela glorifica ao Senhor. De fato, é o único caminho de segurança para nós, sendo como somos e em tal mundo, pois no mundo o mal ainda tem a vantagem, embora o crente tenha o segredo para a vitória sobre o mal, já vencido na cruz de Cristo.

W. Kelly

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Sabedoria – Onde Será Encontrada?


Concernente à sabedoria, lemos: “O homem não lhe conhece o valor; não se acha na terra dos viventes [...] Porque está encoberta aos olhos de todo vivente [...] Eis que o temor do Senhor é a sabedoria” (Jó 28:13, 21, 28). O temor do Senhor é pôr de lado a nossa própria vontade, de modo que a vontade de Deus que é expressa na Palavra direcione o nosso caminho.


“Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação [isto é, a verdade sendo pregada] (1 Co 1:21).


Antes da criação

A sabedoria existia antes da criação (Provérbios 8) e a criação mostra isso (Sl 104:24). A sabedoria entrou neste mundo na pessoa de Cristo, mas o homem, pela sua sabedoria não O conheceu (At 13:27). O mundo em sua “sabedoria” O rejeitou. Sua morte é o despojamento completo do primeiro homem (2 Co 5:14-18), pois para a nova criação, “todas as coisas são de Deus”. O caminho do bendito Senhor Jesus na terra é o caminho de sabedoria num mundo onde o homem caído, por sua concupiscência e sua própria “sabedoria”, corrompe a si mesmo e rejeita a Deus, revelado em Cristo. O homem natural é escravo dessa concupiscência (Jo 8:34) e sua mente está em inimizade contra Deus (Rm 8:7).


Cristo, o Homem perfeito e obediente, viveu “de toda a palavra que sai da boca de Deus”. Ele deixou para nós, que somos Seus, um exemplo “para que sigamos as Suas pisadas” (1 Pe 2:21). O SERMÃO DA MONTANHA (Mateus 5-7), é a sabedoria de Deus num mundo maligno. A nova natureza dos filhos de Deus manifestará essas excelências morais, à medida que a velha natureza é mantida mortificada (2 Co 4:10).


Perfeito em conhecimento

A sabedoria de Deus é perfeita, devido ao Seu perfeito conhecimento de todas as coisas. “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os Seus juízos, e quão inescrutáveis, os Seus caminhos! Por que quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi Seu conselheiro?” (Rm 11:33-34). O homem jamais descobrirá (por si só) as coisas que devem ser conhecidas somente por meio de revelação. Este é o tema do livro de Eclesiastes. Ele mostra a extensão da sabedoria do homem “debaixo do sol” longe da revelação de Deus. A criação e a ressurreição são dois exemplos que pertencem a revelação. A sabedoria humana jamais poderia descobrir nenhuma das duas, como vemos em Atos 17:23-32.


O homem é uma criatura caída e sua natureza caída ama o pecado. Ele está em inimizade com Deus e não quer a sabedoria de Deus. Para ele, “as águas roubadas são doces, e o pão comido às ocultas é suave” (Pv 9:17), mas este mesmo Livro dos Provérbios nos mostra que “o caminho dos prevaricadores é áspero” (Pv 13:15). Isso é porque Provérbios mostra o caminho da sabedoria em um mundo maligno. É na sabedoria celestial que o homem é chamado a andar, em vez de ceder ao mal da natureza decaída. Esses princípios morais são de imenso valor para jovens e idosos no caminho da vida.


Nova vida

Agora, o Cristianismo fornece o que é necessário para andar corretamente neste caminho, dando ao crente uma nova vida, um novo poder e um objeto para as afeições de seu coração. Cristo é agora a nossa vida (Cl 3:4), o Espírito Santo que habita em nós é o poder para a piedade (Rm 8:4), enquanto Cristo em glória é o fim do caminho da fé (Fp 3:14). Aquele que conhece tudo e tem entendimento de tudo, nos deu no Livro de Provérbios o caminho da sabedoria em todas as várias relações, tentações e aflições que são encontradas ao longo do caminho da vida.


A sabedoria de Deus não é uma extensão da sabedoria do homem, nem é uma melhoria sobre ela. É sempre o oposto da sabedoria do homem. Separado da revelação da verdade encontrada na Palavra de Deus, o homem faz do mundo no qual ele vive o horizonte de todos os seus pensamentos. Sua vida inteira é governada por esses motivos mundanos. Agora, a voz da sabedoria, como encontrada na Palavra, nos ensinaria a apreender a sabedoria de Deus.


Relacionamentos naturais

Os relacionamentos naturais formam belas imagens da sabedoria dos caminhos de Deus. O pai tem autoridade dada por Deus (Ef 6:1), mas é uma autoridade que deve ser usada com sabedoria amorosa para que faça bem à criança em todos os dias da sua vida. O amor é o motivo principal da autoridade que é usada corretamente. É o amor de Deus que moveu Seu coração para nos dar da Sua sabedoria para guiar nossos pés por meio de um mundo cheio de males, e com a sutileza do inimigo que usa a natureza caída dentro de nós para nos conduzir nos trajetos do pecado e da insensatez.


O relacionamento do marido e da esposa, também é uma figura de Cristo e a Igreja. Se todos os esposos se lembrassem que o relacionamento deles deve ser uma imitação do amor de Cristo pela Igreja, e se todas as esposas se lembrassem que a posição delas de submissão é a mesma que a relação da Igreja com Cristo, que grande benção seria! Nenhum relacionamento na vida pode estar em ordem sem a sabedoria de Deus. Infelizmente, muitos filhos de Deus têm negligenciado isso na vida deles em casa, mesmo que tenham, ao mesmo tempo, mostrado diligência em outras áreas do serviço de Deus. Mas toda a nossa vida Cristã deve ser caracterizada por agradarmos a Deus e não por agradarmos a nós mesmos.


Razão e revelação

Os que frequentam escolas e faculdades devem lembrar-se sempre que as coisas que pertencem à revelação estão além da razão. A razão deve começar com fatos, nunca pode lhe dar os fatos. Nada que é conhecido como um fato é fruto da razão. É sempre o fruto do testemunho ou da experiência. Há coisas na Palavra de Deus que estão além da razão, e realmente devem ser assim, porque elas vêm de Deus. Um Deus cuja razão é igual à razão do homem não é de forma nenhuma Deus. Um homem deve ser mestre de um assunto para conhecê-lo corretamente, e ele não pode ser mestre de Deus. Deus e Sua sabedoria estão totalmente além do homem.


Quando chegamos a algo que não podemos entender, devemos apenas dizer como Davi no Salmo 139:6: “Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta, que não a posso atingir”. Que possamos ir sempre à Palavra de Deus como bebês recém-nascidos e permitir que nossos pensamentos sejam formados pela preciosa sabedoria de Deus. “O homem não viverá só de pão, mas, de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem” (Dt 8:3).

H. E. Hayhoe (adaptado)

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A Sabedoria Oculta


Em 1 Coríntios, capítulo 1, o apóstolo mostrou que Cristo crucificado deixa inteiramente de lado a carne, não deixando espaço para o homem se gloriar em si mesmo. No capítulo 2, o apóstolo aplica o ensinamento do capítulo 1 a si mesmo e sua maneira de apresentar o testemunho de Deus. Ele recusou a carne em si mesmo para ser fiel à cruz, para que não houvesse nenhum obstáculo à obra do Espírito. Nos primeiros cinco versos o apóstolo nos diz como pregou o evangelho aos pecadores. Na última parte do capítulo ele nos fala de como ministrou as coisas profundas de Deus aos santos.


A sabedoria humana

Quando Paulo foi a Corinto, ele não apelou ao homem natural tentando mostrar alguma sabedoria humana. Ele foi para anunciar o testemunho de Deus a respeito de Jesus Cristo e Este crucificado, a mais baixa e reduzida posição na qual um homem poderia ser encontrado. Paulo diz aos coríntios intelectuais que para que fossem salvos, Cristo deveria ir até a Cruz. Para dar aos crentes Seu lugar diante de Deus, Ele teve que tomar o lugar deles diante de Deus. Não há nada digno, heroico ou nobre numa cruz. É um lugar de vergonha, repreensão, julgamento e morte. Dizer a um homem que este é o seu verdadeiro lugar diante de Deus em nada o exalta em toda a sua “sabedoria, grandeza e pompa”. A pregação da cruz não satisfaz o orgulho do homem. Além disso, o próprio Paulo estava entre eles em uma condição que era humilhante para o orgulho do homem. Consciente de sua própria fraqueza e da gravidade de sua mensagem, ele estava entre eles com temor e muito tremor. Além disso, na maneira de sua pregação, ele recusou todos os métodos carnais a fim de deixar espaço para que Deus operasse. Ele não usou linguagem eloquente, que poderia tê-los atraído para si mesmo.


Tudo isso deixou espaço para o Espírito trabalhar com poder, pois se alguém acredita naquilo que é tão humilhante para o homem, então, obviamente, não é a sabedoria do homem que o leva a crer, mas o poder do Espírito de Deus trabalhando nele. Não é apenas uma questão da verdade em que ele crê, mas a maneira como ele a recebeu. Não foi recebido de um homem, mesmo que esse homem fosse um apóstolo, mas de Deus. Entre os crentes “perfeitos”, aqueles que eram adultos, em contraste com os “bebês” (1 Co 2:1), Paulo pôde falar da sabedoria de Deus. O apóstolo então prossegue nos dando algumas instruções bem definidas quanto a essa sabedoria, a fim de não a confundirmos com a sabedoria do homem.


Sete recursos da sabedoria

Primeiro, ele nos diz que não é a sabedoria desta era, pois os gigantes intelectuais deste mundo “chegam a nada”, em contraste com o crente que chega à “glória” (v. 7). Aqueles que brilham na glória deste mundo chegam a nada, enquanto aqueles que não são nada neste mundo chegam à glória.


Em segundo lugar, essa sabedoria é “a sabedoria de Deus”. Se fosse a sabedoria do homem, poderia ser adquirida nas escolas dos homens. Sendo a sabedoria de Deus, está fora do currículo das escolas e além da obtenção da mente humana.


Terceiro, é a sabedoria de Deus “em mistério, que esteve oculta” (ARA), não pode ser descoberto pela inteligência do homem. Além disso, ao longo dos séculos tem sido “escondida” e, portanto, não é encontrado nas Escrituras do Velho Testamento.


Em quarto lugar, essa sabedoria, que ao longo dos séculos tem sido ocultada, foi predeterminada antes dos séculos para a nossa glória nas eras ainda por vir. Se o nosso chamado torna manifesto que os crentes são os fracos e desprezados do mundo, não obstante eles são predestinados para a glória. Podemos não ser sábios, poderosos ou nobres neste mundo, mas somos chamados para a glória.


Quinto, sobre esta sabedoria, os príncipes deste mundo não sabiam nada. Eles provaram sua ignorância crucificando o Senhor da glória. Eles rejeitaram totalmente Aquele que é a Sabedoria de Deus e por quem todos os conselhos de Deus são executados. “O Senhor da glória” fala de uma cena mais ampla do que esta terra. Fala de um domínio universal que abrange todas as coisas e seres criados, sobre os quais o Crucificado é feito Senhor.

Sexto, esta cena de glória, para a qual a sabedoria de Deus destinou Seu povo, está fora do alcance do homem natural. O apóstolo cita, assim, o profeta Isaías para mostrar que Deus tem segredos, nos quais o homem, como tal, não pode entender. Seus olhos, ouvidos e mente podem descobrir coisas maravilhosas, mas há coisas que Deus preparou para aqueles que O amam, que o homem natural não viu nem ouviu, e que estão além do alcance dos mais altos voos de sua imaginação.


E em sétimo lugar, o fato de a sabedoria de Deus estar fora do entendimento do homem natural não implica que ela não possa ser conhecida, pois o apóstolo diz: “Deus a revelou”. Se, no entanto, Deus revelou essas coisas, é “pelo Seu Espírito”. Somente o Espírito é competente para revelar essas coisas, pois Ele sonda todas as coisas profundas de Deus. Podemos procurar desculpas para nossa falta de energia espiritual dizendo que essas coisas são profundas demais para nós, mas devemos nos lembrar que elas não são profundas demais para o Espírito, pois Ele “penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus”.


Inspiração

Além disso, as coisas que foram dadas a conhecer aos apóstolos pela revelação do Espírito, nos foram transmitidas pela inspiração do Espírito. Na comunicação dessas coisas, o apóstolo toma o cuidado de afastar qualquer erro possível do homem, dizendo que essas coisas não são comunicadas “com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina”. Esta é a reivindicação apostólica de inspiração verbal. As próprias palavras usadas são inspiradas pelo Espírito Santo. As coisas espirituais são transmitidas por meios espirituais. Os instrumentos não eram infalíveis, mas eram perfeitamente guiados em suas comunicações. Isto é inspiração.


Revelação

Assim, aprendemos que a sabedoria de Deus é feita conhecida pela revelação e comunicada aos outros por inspiração. Agora aprendemos que a recepção da verdade é também pelo Espírito de Deus. O homem natural não pode receber as coisas de Deus. Elas são loucura para ele e só podem ser discernidas espiritualmente. Mas aquele que é espiritual (não simplesmente aquele que tem o Espírito) discerne todas as coisas. É preciso ter o Espírito para ser espiritual, mas ser espiritual implica uma condição na qual o homem está sob o controle do Espírito. O homem espiritual pode discernir os motivos que governam o mundo, embora o mundo não possa discernir os motivos e os princípios que governam o homem espiritual.


Natural – Espiritual – Carnal

No verso 14 o apóstolo fala do homem natural, no verso 15 do homem espiritual e no capítulo 3 do homem carnal. O homem natural é o homem não convertido, sem o Espírito. Já o homem carnal é o crente, tendo o Espírito, mas andando como o homem natural e o homem espiritual é o crente que anda no Espírito.


Se o primeiro capítulo exclui a carne em seu orgulho de nascimento, poder e posição, este capítulo exclui a mente do homem, para que os crentes possam ser colocados no privilégio de ter “a mente de Cristo” por meio do Espírito.


O Espírito é o grande tema do capítulo. Se Paulo traz o testemunho de Deus aos pecadores, é “em demonstração do Espírito e de poder” (v. 4). Se Deus preparou grandes bênçãos para aqueles que O amam, elas foram reveladas aos apóstolos pelo Espírito (v. 10). As coisas que são reveladas pelo Espírito são plenamente conhecidas pelo Espírito (v. 10-11). As coisas reveladas e conhecidas pelos apóstolos são, por meio delas, comunicadas aos outros pelo Espírito (v. 13). As coisas comunicadas pelos apóstolos são recebidas pelo Espírito (v. 14-15). O resultado é que os crentes são, por meio do Espírito, instruídos na mente de Cristo (v. 16).

H. Smith (adaptado)

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A Sabedoria de Deus em Cristo


Toda a loucura do homem, mesmo do santo, é ocasião para trazer a sabedoria de Deus. Todos os pensamentos são transformados em bons por Ele, embora isso não seja desculpa para nossa tolice. Duas coisas que são destacadas em 1 Coríntios, capítulo 1 são: A primeira é que tudo que é do homem é partido em pedaços e a segunda é que Deus entra, e a justiça do homem, seu descuido e pecado, é completamente quebrada em pedaços. Nenhuma carne pode se gloriar em Sua presença.


Então, os homens não têm glória alguma? Não mesmo. Antes, “Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor” (v. 31). E aqui encontramos a perfeição em força, sabedoria e santidade. Nunca teremos que nos envergonhar daquilo que é perfeito e que nunca passará, quando tudo mais desaparecer. Que coisa gloriosa para o santo! Parece maravilhoso para um pobre pecador poder “gloriar-se no Senhor”. Mas que tendência existe na natureza para se gloriar em qualquer outra coisa! O homem deve se gloriar em alguma coisa, pode até mesmo ser que ele se gabe de ser o pior dos pecadores. Ele pode se gloriar em seus pecados, sua miséria, qualquer coisa ligada a si mesmo. Quando Deus vier, logo haverá um fim nisso. Ele se esconderá rapidamente e irá se envergonhar de tudo o que ele glorificou antes. O estado do homem por natureza é “sem Deus”, mesmo que ele possa ser abençoado por Ele com todas as coisas naturais. Ele ficaria feliz em estar fora da presença de Deus, se pudesse, mas em um sentido ele não pode. O homem não pode fugir da Sua presença, todavia, é miserável nisso.


Justiça própria

Se um homem se considera justo, Deus o quebrantará, como fez com Paulo. Estamos facilmente satisfeitos com nós mesmos. Muita pouca justiça nos fará satisfeitos. E há outra coisa também: O homem se contenta em fazer sua própria vontade. Ele não conhece a obediência. Isso acontecerá quando Deus vier? Cristo não veio para salvar os justos, mas os pecadores, portanto, se o homem será salvo, ele deve ser tratado como pecador. Onde estava toda a jactanciosa justiça de Saulo de Tarso? Ele teve que ser aceito como um pobre pecador. Toda justiça própria do homem revela-se como orgulho quando é sondada até a raiz. O irmão mais velho em Lucas 15 diz: ‘O quê?! Ele receberá a um pródigo?’ Seu orgulho não o deixou entrar para estar na companhia com alguém desse tipo. Há uma abundância de irmãos mais velhos agora, e mais jovens também. O homem em sua vaidade se prepararia para ser um sábio, mas ele realmente é como um jumento selvagem. Qual é a sabedoria dele? Ele consegue pequenas porções de conhecimento e chama isso de sabedoria. É a sabedoria humana, remoendo pensamentos de exaltação própria. O homem é mais superficial do que a vaidade. Mas, “Essa vereda, a ignora a ave de rapina, e não a viram os olhos da gralha” (Jó 28:7). A verdadeira sabedoria está lá. Tudo o que não dá descanso à consciência é tolice e desaparece.


Descuido

O descuido e a ostentação do pecado e da justiça própria são loucura e vaidade. A diferença entre eles é que o homem com justiça própria é mais orgulhoso do que o seu próximo, mas na presença de Deus todo motivo do homem natural é visto como pecado, pois é baseado na vontade própria. Existe um caminho de libertação aberto a partir do julgamento. Deus fala com Adão: “Onde estás?” Você está nu em Sua presença, mas há um recurso no amor de Cristo, e isso é concedido aqui, não quando chegarmos ao céu. Existe coração suficiente em Jesus para abrir para o mais vil pecador.


Cristo – A sabedoria de Deus para nós

Existe amor para satisfazer a necessidade, portanto não tenho necessidade de esconder meus pecados. Isso não deixa espaço para a malícia no coração e não oferece nenhuma tentação de me autolimpar. Quando Cristo vem, Ele afasta tudo isso. Cristo Jesus é “feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1 Co 1:30). Quando alcançamos a vida eterna em Cristo, havia morte em nós, mas a vida chegou e a vida está no Filho. Cristo é feito para nós “sabedoria” de Deus. Que tipo de sabedoria? Sabedoria divina. Como poderia Deus amar alguém como eu sou? Existe a sabedoria de Cristo. Quando Cristo é feito sabedoria para mim, eu posso fazer as coisas sem a minha própria sabedoria e aprender d’Ele como uma criança. Como era Sua sabedoria? Ele veio para onde a morte reina e foi vitorioso sobre a morte. O mundo pecou contra Deus, e Ele veio aqui em misericórdia. Isto é sabedoria. A perversidade ainda tem seu lugar neste mundo. Por que Deus ainda suporta isso pacientemente? Ele está salvando pecadores por Cristo o Senhor: Isto é sabedoria.


As necessidades da justiça

“Justiça” é a própria justiça perfeita de Deus. Não é somente mais “sabedoria” que posso ter, que me faz calmo e quieto, mas também “justiça” na qual não há falhas. Por Sua graça Ele também é feito para mim “santificação”. O padrão e medida, o poder e separação dado pela nova vida, estão todos em Cristo.


Cristo é a chave para o quebra-cabeça deste mundo. Por Ele eu nunca mais tremerei atemorizado diante de Deus. Não! Eu posso me gloriar n’Ele, adorando a Ele que é tudo o que preciso. Quanto mais eu avalio e medito sobre isso, mais perfeito e maravilhoso me parece. Não devemos estar mordiscando um pouco da lei e pensar que Cristo fez todo o resto. Graça e verdade vieram por Jesus Cristo. Ele é um Salvador completo e, portanto, aprendemos que Ele também é a “redenção”. Por isso, o poder do mal e da morte é posto de lado. Esperamos pela redenção do corpo. Eu agora tenho a “redenção” em Cristo, minha Cabeça, e estou esperando o fruto perfeito dela.


Por que esperamos? É o tempo de Sua “longanimidade”. “Pelo espírito da fé, aguardamos a esperança da justiça”. Agora, no melhor e mais elevado sentido, somos redimidos a Ele. “Estamos n’Aquele que é livre, em seu Filho Jesus Cristo”. Nós não temos somente a vida de Adão, mas somos de Deus em Cristo, e isso é bálsamo para o coração. Que posição diferente estamos em relação a um pecador, tremendo diante de um juiz! De onde vem tudo isso? Ele elevou nosso coração em graça e irá moê-lo, assim como Ele tomou Jó e o moeu, para mostrar o que estava em seu coração. O que saiu foi o que estava nele, ou não teria saído. “Glória no Senhor” é a verdadeira humildade: Nisso confesso que tenho vergonha de mim mesmo, mas reconheço a Cristo.

J. N. Darby (adaptado)

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Cristo, a Sabedoria de Deus


Em Provérbios 8 encontramos a sabedoria em toda parte, pois lá a Sabedoria é personificada como o próprio Senhor Jesus. “O SENHOR me possuiu” (v. 22) antes de todas as Suas obras, antes de Ele estabelecer as fundações da terra e dos mundos. Em Lucas 1 o arcanjo anunciou Sua vinda a Maria e, em Seu nascimento, uma multidão de anjos dos exércitos celestiais espalharam as boas novas de que “na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Simeão, no poder do Espírito Santo, segurou este Tesouro do alto em seus braços e O celebrou como a salvação de Deus até os confins da terra: “Uma luz para alumiar as nações e para glória de teu povo Israel”.


A sabedoria expressou sua voz e começou a pregar na cidade, ao entrar pelas portas e, em Lucas 4, em Nazaré (onde Ele havia sido criado de acordo com o conhecimento humano). Jesus entrou na sinagoga e a Sabedoria “levantou-Se para ler”. Ele tomou o livro dos concertos eternos de Deus e encontrou o lugar onde está escrito “O Espírito do Senhor é sobre Mim” (Lc 4:18-23).


Os prazeres nos homens

Os prazeres da Sabedoria estavam nas partes habitáveis da terra, e com os filhos dos homens. Em Lucas 5 Ele estava em uma certa cidade e um homem cheio de lepra se encontrou com Ele. A Sabedoria em graça o curou e o homem ficou limpo. A Sabedoria foi encontrada em outra cidade, e às portas havia um homem morto que estava sendo carregado, o único filho de sua mãe que era uma viúva (Lucas 7). A Sabedoria encontrou um prazer novo ao encontrar-se com a morte, e, tomando Seu lugar no meio deste cenário, em compaixão disse: “Não chore”. E Ele foi e tocou o caixão... e entregou o jovem à sua mãe. Chegou a hora desta Sabedoria, por sua vez, ser justificada por um de seus filhos, e quem poderia fazer isso senão uma mulher de outra cidade que era pecadora? Ela o justificou por reconhecê-Lo, como só um pecador pode, e ficou atrás d’Ele chorando (Lc 7:36-50). Simeão tinha sabedoria em seus braços, mas a pecadora estava a Seus pés e Ele encontrou Seus melhores e mais doces prazeres com essa mulher. A Sabedoria foi justificada por aquela criança na casa do fariseu, e ela foi justificada pela infinita sabedoria e amor: “Os teus pecados te são perdoados. A tua fé te salvou; vai-te em paz”.


Na cruz

Em Lucas 23, a “Sabedoria” ocupou outro lugar, na cruz, a fim de que Deus pudesse justamente assumir a atitude de pedir aos pecadores que se reconciliem Consigo mesmo e encontrem seu prazer em fazer isso. Ele realizou a obra de morte e sangue, pela qual Ele se tornou ainda mais a Sabedoria de Deus e o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. A Sabedoria (como fruto desta redenção finalizada) levou um de seus filhos, um ladrão agonizante, de volta aos céus, como o troféu e testemunha que Seus prazeres estavam com os filhos dos homens. Esta criança justificou a Sabedoria quando expirou, dizendo: “Este nenhum mal fez”, acrescentando: “Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no Teu reino”. A sabedoria, na infinitude de seus próprios prazeres, justificou o ladrão dizendo: “Hoje estarás comigo no Paraíso!” O ladrão subiu com a Sabedoria, como uma amostra para os céus do que havia sido recolhido aqui embaixo, e o próprio Deus pôde descer para fazer da cruz de Cristo um propiciatório (veja Rm 3:25) e proclamar-se a Si mesmo em retidão, um Deus justo e o justificador daquele que crê em Jesus.


Cristo feito sabedoria por/para nós

Ao lado desta Sabedoria (como em 1 Coríntios 1) toda a sabedoria do homem é loucura para com Deus e rejeitada pelos filhos da Sabedoria também. “Ninguém se engane a si mesmo: se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para ser sábio” (1 Co 3:18). Esta Sabedoria que Deus possuiu desde o princípio para Si mesmo, agora faz, em graça soberana e santidade divina, ser para nós nossa sabedoria, pois em 1 Coríntios 1:30 é a mão de Deus que fecha o círculo de nossa bem-aventurança, por permanecer no meio da Sabedoria e de todos os seus filhos e dizendo: “Mas vós sois d’Ele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor”. Que possamos nos gloriar no Senhor aqui emba