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Administração e Decisões da Assembleia


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ÍNDICE


 

Administração e Decisões da Assembleia

(Michigan Family Camp 2014)

Joe Countouris

 

Introdução


O assunto que tenho em meu coração para falar com vocês esta noite é duplo: administração da Assembleia e decisões da Assembleia. Sobre a administração da assembleia, como ela afeta você e eu e o lugar que ocupamos nela e então, sobre decisões da assembleia, como elas são formadas.


A razão disso estar no meu coração é porque se olharmos para trás na história, e não é preciso voltar muito atrás, o que descobriremos é que a cada geração há uma divisão entre os santos reunidos. E se formos deixados aqui por mais algum tempo e as coisas continuarem como estão, muito provavelmente alguns de nós aqui nesta sala serão “peneirados”, e serão levados por mais uma divisão.


Muitas vezes essas divisões têm sua raiz em uma coisa principal e esta é simplesmente a falta de submissão.


E eu gostaria de delinear a partir da Palavra de Deus qual é a ordem de Deus. E em todas as esferas da sua vida, uma coisa que você achará muitas vezes e de forma consistente é que Deus tem uma ordem. Seja na esfera de autoridade de um marido e sua esposa, ou a de um pai e seus filhos ou a de cidadão sob o governo de seu país, Deus tem uma ordem na qual Ele quer que vivamos, na qual Ele promete trazer bênção.


Talvez nem sempre seja o que eu quero ou o que falo, mas o que Ele quer que façamos é ocupemos uma posição. E muitas vezes isso exige que sejamos achados em submissão, algo que muitas vezes é muito difícil de fazer.


Então, eu gostaria de começar esta noite abrindo em 1 Timóteo, capítulo 3. Ao abordarmos esses assuntos, vamos percorrer várias Escrituras ao longo da Palavra de Deus para tentar descobrir o que é administração de assembleia e como as decisões da assembleia são formadas.

 

Administração da Assembleia


O que é administração da assembleia?

Mencionamos em outra reunião que em sua vida Cristã há três esferas distintas: Uma é dom, outra é sacerdócio e a outra é administração.


Esta noite vamos falar sobre administração, e dentro da administração há duas ramificações: Uma trata dos cuidados temporais dos santos – esses seriam os diáconos, e a outra trata dos cuidados espirituais dos santos – esses seriam presbíteros, bispos ou supervisores. Isto é o que eu quero destacar esta noite.


Então lemos em 1 Timóteo 3:1: “Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia [o respeito – ARA] (porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?); não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Convém, também, que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta e no laço do diabo”.


Agora vamos ler Tito 1:5: “Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros, como já te mandei”. E então ele lista novamente qualificações semelhantes às que temos em 1 Timóteo.


O que encontramos aqui é que Deus tem alguns em Sua assembleia que são estabelecidos na administração da assembleia. E o que eles procuram fazer é buscar o seu bem e a sua bênção.


Qual é a diferença entre bispos e anciãos

E lemos em Timóteo que havia bispos, porém lemos aqui em Tito que havia presbíteros e alguém pode perguntar qual é a diferença entre um ancião e um bispo? Isso fala do mesmo trabalho ou obra; apenas está tratando de cada um deles sob um ponto de vista diferente.


Quando encontramos a palavra ancião, talvez esteja falando da característica da pessoa naquele trabalho. E assim ancião naturalmente colocaria o foco de nossos pensamentos naqueles que estão em nossa assembleia e que são nossos irmãos mais velhos. Aqueles que trilharam o caminho, aqueles que viram e experimentaram coisas que os que são mais jovens como eu, não viram nem experimentaram.


Ora, não são necessariamente todos os que são mais velhos na assembleia, porque pode haver alguém na assembleia que tenha 80 anos, mas só foi salvo há dois anos. Isso significa que eles sejam um supervisor? Eu entendo que não. Eu acho que eles provavelmente ainda estariam numa posição de neófito (novato), embora sejam mais velhos em idade. Mas normalmente você tem irmãos mais velhos em sua assembleia que caminharam a jornada. E estes são os que vamos buscar para serem os que lideram, para nos guiar em nossa vida na assembleia.


Quando encontramos a palavra bispo, geralmente está se referindo à obra. Qual é a obra que fazem estes que foram colocados na administração da assembleia?


Eu queria mencionar também que, à medida que avançamos por aqui, o que vou fazer é uma lista de perguntas. É assim que olho para a Palavra de Deus, fazendo perguntas e depois olhando na Palavra de Deus para encontrar respostas. Então já temos uma pergunta: “qual é a diferença entre bispos e anciãos”.


Existem presbíteros ou bispos hoje?

Então a próxima pergunta seria: existem presbíteros ou bispos hoje?


Vamos abrir em Atos 14:23: “E, havendo-lhes por comum consentimento eleito anciãos em cada igreja, orando com jejuns, os encomendaram ao Senhor em Quem haviam crido”. E se você se lembrar do que lemos em Tito 1, como Paulo enviou Tito para ordenar presbíteros em cada cidade. O que descobrimos aqui é que, e não acredito que exista outro lugar na Palavra de Deus onde isto é falado, para que haja presbíteros e bispos oficialmente nomeados você precisa de uma dessas duas coisas: Você precisa de um apóstolo ou alguém delegado por um apóstolo. Paulo era um apóstolo e Tito era um delegado do apóstolo.


Temos apóstolos hoje?

Temos apóstolos hoje? Ouvimos um irmão aqui dizer que não temos apóstolos hoje. Os apóstolos não existem mais. Alguém pode fazer trabalho apostólico indo para uma área do mundo onde nunca se ouviu o nome de Jesus Cristo. Mas ninguém tem o dom ou o ofício de apóstolo hoje. Visto que não há apóstolos, também não há delegados de apóstolos. Como não há nenhuma dessas duas coisas na assembleia hoje, também não temos mais presbíteros ou bispos capacitados oficialmente.


Como podemos hoje ter supervisão na assembleia?

Então a próxima pergunta que alguém pode fazer é: se não tivermos anciãos oficialmente nomeados como podemos ter supervisão na assembleia?


Esta é uma boa pergunta. Vejamos 1 Coríntios 16:15: “Agora, vos rogo, irmãos (sabeis que a família de Estéfanas é as primícias da Acaia e que se tem dedicado ao ministério dos santos), que também vos sujeiteis aos tais e a todo aquele que auxilia na obra e trabalha”. A epístola aos Coríntios foi uma epístola escrita para uma assembleia que estava em uma tremenda desordem. Eu acredito que havia pelo menos 10 diferentes desordens específicas que estavam acontecendo e o apóstolo Paulo teve que tratar com elas.


Você e eu aprendemos os caracteres da casa de Deus e da Igreja por meio das desordens sobre as quais Paulo escreve nesta epístola. Mas uma coisa que você nunca ouve Paulo abordar em Coríntios são os presbíteros ou bispos. E tem sido sugerido e eu sugeriria também que a razão é porque talvez não havia ninguém em Corinto que preenchesse todas essas características sobre as quais lemos em Timóteo ou em Tito.


Contudo, o que encontramos aqui no último capítulo de 1 Coríntios é que, embora o apóstolo Paulo não se dirija aos presbíteros nomeados oficialmente, havia alguns que estavam fazendo a obra. Eles se dedicaram ao cuidado dos santos e foi pedido aos santos que se submetessem a eles.


Agora vamos dar uma olhada em 1 Tessalonicenses 5:12: “E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós, e que presidem sobre vós [entre vós – JND] no Senhor, e vos admoestam e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós”.


Acredito que esta primeira epístola aos Tessalonicenses foi escrita logo após a visita do apóstolo Paulo a eles, provavelmente um período entre 3 semanas a 3 meses. E você se lembra que em 1 Timóteo diz que uma das qualificações para um presbítero ou bispo era que ele não poderia ser um neófito ou novato. Ora, o que é um neófito? Um neófito é alguém que foi salvo recentemente. Então, será que quando o apóstolo Paulo foi a Tessalônica, e creio que ele esteve lá por algumas semanas, ele nomeou oficialmente presbíteros lá? Não poderia ter feito isso, pois eles ainda eram neófitos.


Mas o que descobrimos é que pouco tempo depois de ele ter partido e de ter escrito para eles, ele já tinha ouvido que havia alguns que estavam fazendo essa obra. Eles não foram nomeados oficialmente, mas o Espírito de Deus levantou pessoas que foram colocadas sobre eles, que os admoestava. E os santos deveriam estimá-los muito em amor pelo seu trabalho e estarem em paz entre eles.


Muitas vezes as dificuldades, a inquietação, a falta de paz e o fracasso numa assembleia têm a sua raiz na falta de entender a ordem de Deus. Porque todos pensamos que temos uma palavra a dizer, e todos pensamos que essa palavra deveria ser a mesma.


Às vezes olhamos para nossos irmãos mais velhos como talvez apenas um obstáculo ao nosso roteiro da assembleia que acharmos mais adequado. Bem, o apóstolo Paulo diz aqui que a paz vem por meio do reconhecimento da ordem de Deus.


Agora vamos dar uma olhada em Atos 20:28. A questão diante de nós é se não tivermos superintendentes oficialmente nomeados, como poderemos ter supervisão? Atos 20:28 diz: “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos”. Encontramos aqui um princípio muito importante. E o princípio é esse, que apesar de o apóstolo, ou um delegado do apóstolo, ter sido aquele que nomeou ou ordenou presbíteros e bispos, sempre foi o Espírito de Deus Quem os levantou. E assim conforme os apóstolos iam de igreja em igreja fazendo o trabalho apostólico, salvando almas e, retornando a essas assembleias, nomeavam presbíteros, aqueles que eles encontravam eram aqueles que o Espírito de Deus havia levantado, semelhantemente ao que encontramos em Tessalônica. E eles os escolhiam, não era algo aleatório.


Hoje esse mesmo princípio se aplica. Hoje não temos apóstolos e não temos delegados dos apóstolos. Não temos pessoas que estejam na posição oficial de presbíteros. Não podemos, como assembleia, deixar de lado a Palavra de Deus e dizer: “vamos nomear presbíteros e vamos nomear bispos” porque a Palavra de Deus nunca instrui uma assembleia a fazer isso.


Então, o que podemos ter confiança é que o mesmo Espírito que levantou os anciãos e bispos quando eles eram oficialmente nomeados é o mesmo Espírito que está fazendo isso hoje. E nosso papel, como encontramos em 1 Coríntios e em Tessalonicensses, é procurá-los e nos submetermos a eles, e estimá-los altamente e amá-los por causa de seu trabalho.


Qual é a obra que os que guiam fazem?

Próxima pergunta, como é o trabalho que eles realizam? O que eles fazem? Ouvi um irmão fazer um comentário. Já ouvi isso algumas vezes e achei que era um comentário infeliz. Ele disse que um irmão jovem veio até ele e perguntou-lhe: “Como posso conhecer aqueles em minha assembleia que estão fazendo o trabalho de supervisão?”. E o irmão respondeu-lhe: “Bem, se você se meter em problemas, você vai saber bem rápido quem são os que fazem a obra”. E eu achei isso lamentável, porque vocês deveriam conhecer aqueles em sua assembleia que assumem a liderança, não porque vocês se meteram em problemas, mas porque eles amam vocês, porque eles alimentam vocês.


Vamos continuar lendo Atos 20:28-30, “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a Igreja de Deus, que Ele resgatou com Seu próprio sangue. Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si. Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar, com lágrimas, a cada um de vós”.


Vejamos também Tito 1:9: “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina como para convencer os contradizentes”.


Então, aqueles que estão na posição de supervisão, o trabalho que fazem é principalmente o de vigiar, vigiar contra aqueles lobos ferozes que entram no meio do rebanho em busca de dispersão. Eles estão ali para alimentar. Eles devem conhecer a Palavra de Deus para que quando alguém entrar na assembleia pregando algo que é contrário à Palavra de Deus eles tenham o conhecimento para poder contradizer essa pessoa.


Não é que eles tenham propriamente o dom de um mestre, embora possam ter como vemos em 1 Timóteo 5 onde os anciãos ou presbíteros que ensinam devem receber uma dupla honra, então alguns anciãos, alguns bispos também podem ter um dom de ensinar, mas todos os supervisores, todos nessa posição de supervisão devem estar aptos a ensinar. Eles têm que conhecer a Palavra de Deus.


E então 1 Pedro 5:1 diz: “Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar; apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de glória”. Então aqui novamente encontramos o apascentar, apascentar o rebanho de Deus.


Será que é verdade que se você fizer algo errado e se meter em problemas, se você se afastar do Senhor, isso pode resultar em um desses irmãos virem até você e falar com você? Talvez. Se você realmente se afastar do Senhor, pode até ser necessário que medidas disciplinares sejam tomadas e estes irmãos virão falar com você. Talvez. Então, o que aquele irmão disse era correto por si só, mas deveríamos reconhecê-los primeiro por seu amor, por seu cuidado em apascentar o rebanho de Deus.


Digo novamente: não são necessariamente aqueles que falam na reunião de leitura ou talvez se levantem e apresentam o evangelho em suas assembleias locais que estão nesta posição de supervisão. Pode ser que eles não tenham um dom público. Lembre-se de que estamos falando de três esferas distintas: dons, sacerdócio e administração.


O cuidado que eles estão tendo, caso eles não tenham um dom público como um mestre ou alguém que exorte ou um profeta, talvez se revele depois da reunião, talvez se reunindo com você.


Como a assembleia deve considerar esses?

Como a assembleia os considera seria a próxima questão. Como deve a assembleia considerá-los? Bem, já lemos em 1 Tessalonicenses capítulo 5 que devemos estimá-los muito. Lemos em 1 Coríntios 16 que devemos nos submeter a eles. E eu gostaria de acrescentar Hebreus 13:7 a essas duas porções: “Lembrai-vos dos vossos pastores que vos falaram a Palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver (considerando o seu comportamento – JND). Aqui novamente temos essa classe de pessoas que supervisionam na assembleia. Novamente temos essa classe apascentando o rebanho. Não é que seguimos um homem que esteve na nossa assembleia, mas seguimos a fé daquele homem cuja fé devemos imitar, considerando sua maneira de viver ou seu comportamento. Veja no versículo 17: “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil”. Obedeçam-lhes, submetam-se, eles cuidam da alma de vocês!


Um irmão frequentemente menciona em nossa assembleia quando estamos tratando de algo relacionado à supervisão, que eles recebem a coroa de glória, como lemos em 1 Pedro 5:1. E ele frequentemente menciona que eles receberão a coroa de glória quando chegarem à glória porque são principalmente eles que sofreram a maior dor enquanto estiveram aqui embaixo. E o trabalho que faz aquele que guia muitas vezes é como o trabalho de pastoreio e muitas vezes quando estamos em mau estado, falo por mim mesmo, a última coisa que quero fazer é falar com um pastor ou ouvir um pastor. Muitas vezes um pastor é alguém que está na posição de supervisão e pode receber o impacto do ataque carnal de alguém, mas é um trabalho necessário. É um trabalho que eles devem fazer. É um trabalho que não é uma escolha para aqueles que estão nesta posição, para os nossos irmãos mais velhos, para que a assembleia funcione adequadamente de acordo com o que Deus estabeleceu quanto à Sua ordem na assembleia.


Esses que estão nesta posição um dia terão que prestar contas a Deus sobre como eles administraram naquela posição. E a Palavra de Deus exorta você e eu a facilitar as coisas para eles. Eu sei que quando eu era jovem, não facilitava a vida deles. Eu não facilitei nada para eles.


Houve coisas que aconteceram na nossa assembleia quando eu tinha 15 e 20 anos eu sabia o que deveria ser feito e os irmãos mais velhos, que tinham 60 e 70 anos, não tinham a menor ideia – era assim que eu pensava. E quando as coisas não aconteciam do jeito que eu queria que acontecesse, eu dizia em meu coração: “eu não tenha tempo para isso, não tenha tempo para esses irmãos que não conhecem a Palavra de Deus, porque se a conhecessem, saberiam muito bem o que deveria ser feito”.


Demorou muito tempo para que Deus penetrasse na teimosia do meu coração para me fazer reconhecer que o problema não estava em meus irmãos, mas em mim. Era minha falta de conhecimento quanto à Sua ordem e o que Ele estava tratando era o meu problema.


Veja que, quando há dificuldades na assembleia, muitas vezes podemos ver essa dificuldade sob a seguinte perspectiva: como isso me afeta? O que não percebemos é que os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos e os nossos caminhos não são os Seus caminhos.


E em qualquer situação ou circunstância da vida, seja na assembleia ou não, Deus está lidando com uma ampla gama de questões e uma ampla gama de pessoas. E Ele está orquestrando as circunstâncias na assembleia, nesse contexto que estamos falando, de tal maneira que Ele revelará o que está em seu coração e o que está em meu coração. Ele sabe exatamente qual botão apertar. Ele sabe exatamente que circunstância permitir e muitas vezes, pela dureza do nosso coração, não vemos isso por um tempo muito longo.


Eu apenas rogaria a vocês, jovens, não tornem isso difícil para seus irmãos mais velhos. Não torne isso difícil para eles. Não os faça ficar acordados até tarde da noite orando pelo seu bem-estar espiritual, pensando que esse ou aquele jovem se foi. Torne isso mais fácil para eles. Ajude-os. Sirva-os, ame-os. Entenda o trabalho que eles têm que fazer, como se dedicam em cuidar de você, como aqueles que hão de dar contas.


Veja também o versículo 24: “Saudai todos os vossos chefes [guias – ARA] e todos os santos. Os da Itália vos saúdam”. Apenas para citar mais um versículo que nos fala desta classe de supervisão que está liderando entre os santos.


Esses irmãos que cuidam têm autoridade?

Então a próxima pergunta que eu faria é: Eu vejo esse grupo em nossa assembleia; têm eles autoridade? Vamos dar uma olhada em Apocalipse capítulo 1, a partir do versículo 9: “Eu, João, que também sou vosso irmão e companheiro na aflição, e no Reino, e na paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da Palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo. Eu fui arrebatado em espírito, no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: O que vês, escreve-o num livro e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodiceia. E virei-me para ver Quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; e, no meio dos sete castiçais, Um semelhante ao Filho do Homem, vestido até aos pés de uma veste comprida e cingido pelo peito com um cinto de ouro. E a Sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os olhos, como chama de fogo; e os Seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivesse sido refinado numa fornalha; e a Sua voz, como a voz de muitas águas. E Ele tinha na Sua destra sete estrelas; e da Sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o Seu rosto era como o Sol, quando na sua força resplandece. E eu, quando O vi, caí a Seus pés como morto; e Ele pôs sobre mim a Sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu Sou o Primeiro e o Último e O que vive; fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém! E tenho as chaves da morte e do inferno [Hades – TB]. Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer: O mistério das sete estrelas, que viste na Minha destra, e dos sete castiçais de ouro. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, que viste, são as sete igrejas”.


Na verdade, não estamos abordando esse assunto do ponto de vista daqueles que estão exercendo a supervisão, mas nesta sala, sem dúvida, há quem ocupe essa posição. E estes versículos que lemos apresentam-nos o tremendo retrato do caráter que alguém nessa posição deveria demonstrar ao lidar com as dificuldades em uma assembleia, à medida que vemos o Senhor Jesus Cristo em Seu caráter de juiz.


Mas o que eu queria destacar aqui era este versículo 20, o mistério das sete estrelas na Sua mão direita. Sua mão direita nos fala de autoridade e as estrelas são os anjos da igreja. Os anjos da igreja não nos falam de algum ser místico que paira sobre nossa assembleia para certificar-se de que está tudo bem. A palavra anjo nos fala de um servo ministrador. E no contexto do que estamos abordando aqui e nos dois próximos capítulos, "ao anjo", está nos falando daqueles que estão na posição de supervisão e anjo está no singular. Mas, como lemos em Tito, ele deveria ordenar presbíteros – no plural – em cada cidade. Na assembleia uma pessoa só não é um supervisor. É um grupo, pode ser um grupo pequeno, mas é um grupo, é sempre mais de um. Mas aqui estão esses numa posição de supervisão e são vistos em Sua mão direita, o que caracteriza uma posição de autoridade.


Agora voltemos a Deuteronômio 17:8, e vejamos uma imagem do Velho Testamento: “Quando alguma coisa te for dificultosa em juízo, entre sangue e sangue, entre demanda e demanda, entre ferida e ferida, em negócios de pendências nas tuas portas, então, te levantarás e subirás ao lugar que escolher o SENHOR, teu Deus; e virás aos sacerdotes levitas e ao juiz que houver naqueles dias e inquirirás, e te anunciarão a palavra que for do juízo. E farás conforme o mandado da palavra que te anunciarão do lugar que escolher o SENHOR; e terás cuidado de fazer conforme tudo o que te ensinarem. Conforme o mandado da lei que te ensinarem e conforme o juízo que te disserem, farás; da palavra que te anunciarem te não desviarás, nem para a direita nem para a esquerda. O homem, pois, que se houver soberbamente, não dando ouvidos ao sacerdote, que está ali para servir ao SENHOR, teu Deus, nem ao juiz, o tal homem morrerá; e tirarás o mal de Israel”. Creio que a palavra “soberbamente” talvez signifique “rudemente” ou “arrogantemente”.


Imagine, se talvez alguns irmãos que estão numa assembleia na posição de supervisão, venham até um irmão e dizem: “precisamos conversar com você”, e esse irmão diz: “você não vai falar comigo”. No Velho Testamento, esse indivíduo seria eliminado. Ele seria morto, pois assim é a lei. Porém, os caminhos morais de Deus nunca mudam. E se pensarmos que durante o dia da graça, podemos agir com mais presunção do que os santos do Velho Testamento fizeram, eu creio que estamos tremendamente enganados.


Pode a supervisão falhar ou é infalível?

Agora, à luz de tudo o que mencionei sobre supervisores e supervisão na assembleia, vou fazer uma pergunta: pode a supervisão falhar ou ela é infalível, querendo dizer que ela não comete erros? A igreja católica, creio eu, vê o papa como sendo infalível e alguém que não pode pecar.


Deus em Sua sabedoria e, com certeza, não em minha sabedoria, decidiu colocar a administração nas mãos dos homens. O que sabemos sobre os homens? Nós temos a carne, cada um de nós.


Supervisão nunca é vista na Escritura como sendo infalível. Gostaria de lembrar do rei Davi. Ao lermos os livros históricos vemos que eles fornecem um rico recurso para os princípios de administração da assembleia. À medida que você lê os livros históricos, há pelo menos quatro maneiras diferentes pelas quais você pode visualizá-los.


Há o contexto histórico, o moral, o administrativo e o profético. Alguém talvez possa sugerir outros, mas esses são os quatro que eu conheço.


O rei nos fala de um grupo na assembleia que está no lugar de supervisão. E então, quando lemos histórias sobre Davi, ele nos apresenta esse caráter. Davi alguma vez falhou? Ele falhou terrivelmente na administração de seu reino. Deus ficou com Davi, mesmo que ele tenha falhado? Ele ficou. Mesmo quando havia alguém que talvez pudesse julgar melhor o assunto? Sim, Deus permaneceu com Davi.


E quanto àqueles nesta sala esta noite que são maridos de uma esposa? Minha pobre esposa mora com alguém que falha constantemente na administração do lar como marido. Alguém que carece de paciência e que muitas vezes pode ser autoritário. Será que Deus anulou sua ordem quanto ao relacionamento entre marido e mulher por causa do meu fracasso? Não, Ele não anula.


E aqueles na sala que são pais? Você já bateu demais em seus filhos? Eu já. Você já gritou com eles quando não deveria ter gritado? Eu já. Será que Deus remove a ordem que dá ao pai sobre o filho por causa do fracasso? Não, Ele não remove.


E quanto ao governo sob o qual vivemos? Se o atual presidente ou o próximo abolir a Constituição? Se ele estabelecer que não vai mais seguir o que está na Constituição e que agora devemos viver de acordo com uma lei militar. Ele estabelece sua ideia de como a lei deve ser. Estamos dispostos a nos submeter como manda a Palavra de Deus? Ou vamos lutar? Será que Deus deixou de lado Sua ordem para você e eu quanto às nossas responsabilidades para com o governo porque há fracasso? Não, Ele não altera a Sua ordem. Ela ainda permanece.


O que Ele quer para nós é submissão, submissão de coração.

 

Decisões de Assembleia


Por que há dificuldades em uma assembleia?

Por que há dificuldades em uma assembleia? Vamos abrir em 1 Coríntios, capítulo 11, versículo 18: “Porque, antes de tudo, ouço que, quando vos ajuntais na igreja, há entre vós dissensões; e em parte o creio. E até importa que haja entre vós heresias (ou seitas), para que os que são sinceros [aprovados – ARA] se manifestem entre vós”.


As dissensões (ou divisões) nos falariam de dificuldades dentro de uma assembleia onde há partidos. Esses irmãos aqui não gostam daqueles irmãos ali e aqueles irmãos não gostam destes irmãos. Heresias (ou seitas) falariam conosco sobre o rompimento oficial dessas divisões e o fato de eles não mais se reunirem juntos. O apóstolo Paulo lhes diz que essas divisões que havia entre eles, das quais ele falou no primeiro capítulo, “eu sou de Paulo, eu sou de Apolo”, iriam resultar em seitas. E a razão é para que os aprovados se manifestem entre vocês.


O Senhor permite que dificuldades cheguem à assembleia porque quando as coisas vão bem, todos nós podemos desempenhar o nosso papel. Todos nós podemos nos vestir bem, todos podemos ir à reunião e todos podemos parecer que vamos bem quando as coisas estão bem. Mas surge uma dificuldade e o que acontece é que ela tende a tirar a fachada, aquilo que é aparente. Eu sei que isso também é verdade em nossas vidas pessoais. E o que realmente somos vem à tona. O que somos se manifesta. E é isso que o apóstolo Paulo está dizendo aqui.


Como as decisões da assembleia são formadas?

Como as decisões da assembleia são formadas? Existe algum lugar na Palavra de Deus onde podemos encontrar, onde temos uma figura ou algo que indicaria como as decisões da assembleia são formadas? Ou elas estão simplesmente à altura da sabedoria humana? Bem, eu acho que elas deveriam ser formadas dessa maneira ou dessa outra maneira.


Vamos abrir em Atos 15. Aqui nos é apresentado talvez o melhor recurso para ver como as decisões da assembleia são formadas. O caráter é um pouco diferente porque naquela época eles tinham apóstolos; eles tinham presbíteros oficiais, bispos oficiais. Não temos apóstolos, não temos presbíteros oficiais, não temos supervisão oficial, mas o princípio aqui exposto ainda é aplicável.


E vou ler o versículo 1: “Então, alguns que tinham descido da Judeia ensinavam assim os irmãos: Se vos não circuncidardes, conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos. Tendo tido Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda contra eles, resolveu-se que Paulo, Barnabé e alguns dentre eles subissem a Jerusalém aos apóstolos e aos anciãos sobre aquela questão”. Se você abrir em Gálatas 2, não vou ler agora, pois não temos tempo, mas você vai descobrir que há um pouco mais de informação sobre esse período da vida de Paulo. “E eles, sendo acompanhados pela igreja, passaram pela Fenícia e por Samaria, contando a conversão dos gentios, e davam grande alegria a todos os irmãos. Quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e pelos apóstolos e anciãos e lhes anunciaram quão grandes coisas Deus tinha feito com eles”.


A primeira coisa que quero mencionar aqui é que eles não espalharam a questão ocorrida. Eles viajaram de Antioquia para Jerusalém, que era de onde tinham vindo esses que ensinavam diferente, e por todo o seu caminho eles trouxeram alegria, contando da conversão dos gentios. O que muitas vezes acontece hoje, quando há dificuldade na assembleia, é que o assunto se espalha. Por quê? É obra de Satanás. Ele sabe que se puder espalhar esse assunto, poderá causar confusão. E não se espalha apenas na assembleia, espalha-se para outras assembleias. A ideia comum é: “Vou chamar esse irmão obreiro aqui, esse irmão que é muito respeitado e vou rogar para que ele veja o problema da maneira como eu vejo. Talvez eu consiga fazer com que ele venha aqui e diga a esses irmãos o que fazer”.


Paulo e Barnabé mantiveram esse assunto bem guardado entre eles dois. Eles trouxeram alegria aos irmãos por onde passaram. Eles não foram a uma conferência e conversaram com as pessoas e fofocaram e disseram, você sabe o que está acontecendo aqui? Não! Eles trouxeram alegria aos irmãos.


Versículo 5: “Alguns, porém, da seita dos fariseus que tinham crido se levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés. Congregaram-se, pois, os apóstolos e os anciãos para considerar este assunto. E, havendo grande contenda, levantou-se Pedro e disse-lhes: Varões irmãos”, ou “homens irmãos”, outro princípio que não mencionamos quando lemos 1 Timóteo 3 ou Tito 1, é que a administração da supervisão é apenas para os irmãos. Não é para as mulheres na assembleia. Será que é porque as mulheres não são espirituais o suficiente? Será que é porque as mulheres não são inteligentes o suficiente? Será que é porque as mulheres não conhecem suficientemente a Bíblia? Não, obviamente não é isso.


Eu sugeriria que na assembleia provavelmente a maioria das mulheres é muito mais espiritual e leem suas Bíblias muito mais do que nós, os homens. É simplesmente uma ordem de Deus. É uma ordem de Deus. Não estamos interessados em seguir a ordem de Deus?


Formulando uma decisão de assembleia

Há três coisas que quero destacar aqui que são necessárias para a formulação de uma decisão da assembleia.


A primeira coisa que quero mencionar aqui é que diz que quando houve muita disputa, Pedro levantou-se. A supervisão compete àqueles que o Espírito de Deus levantou. Há irmãos mais velhos, há muito poucos numa assembleia, que ocupam essa posição. Supervisão não é para os novatos, não é para mulheres, mas digamos que você seja um jovem e você tem um cuidado para com a assembleia. Você pode ir a uma reunião de cuidados e aprender? Sim, você pode. Mas eu apenas alertaria você para ter cuidado ao ir à reunião de cuidados, se você for um jovem e você tiver um cuidado com a assembleia. Tenha cuidado com o quanto você acaba se envolvendo. Eu falhei neste ponto. Eu entrei em áreas que não deveria ter me envolvido. Eu entrei em áreas que não foram atribuídas a mim, e causei dificuldades. Por isso tenha cautela. Se você tiver um cuidado, você pode ir. Você pode até ser capaz de apresentar algo que possa ser usado. Mas depois de muita discussão, Pedro se levanta e aqueles de nós que são mais jovens, temos que saber quando parar e deixar aqueles que estão na posição de supervisão assumirem o controle. Deixe-os formular o caminho que acham que a assembleia deve tomar. Então Pedro, que para nós representa uma pessoa experiente, nos fala aqui de sua experiência. E vou agora para o versículo 13. Você pode ler essa parte mais tarde. Pedro dá a sua experiência e precisamos da experiência dos nossos irmãos mais velhos. Eles podem nos contar sobre coisas que aconteceram no passado. E eles podem dizer “foi assim que isso aconteceu. Eu me lembro disso quando era mais jovem” ou “foi isso que aconteceu comigo”. E foi isso que Pedro fez. No versículo 13, Tiago se levanta e o que ele faz? Ele abre a Palavra de Deus. É imperativo que tenhamos a Palavra de Deus. Como podemos formular uma decisão em assembleia sem a Palavra de Deus? Será que podemos nos basear em algo como “acho que essa é a direção que devemos seguir”? Ou “parece estar bem assim?” Sabedoria humana? Nós precisamos, nós precisamos ter a Palavra de Deus! Então Tiago se levanta e apresenta a Palavra de Deus. E então no versículo 28, lemos do Espírito de Deus, pois “pareceu bem ao Espírito Santo”. O Espírito de Deus é necessário em uma decisão da assembleia.


Voltando ao nosso assunto, como esta decisão é formulada? Isso acontece quando em uma reunião, que chamo de “reunião de cuidados” (alguns podem discordar desse termo, mas certamente não é uma “reunião de irmãos” porque nem todos os irmãos da assembleia necessariamente tem um cuidado para com ela e, portanto, você não está necessariamente se reunindo como uma “reunião de irmãos”, mas está se reunindo como aqueles que têm um cuidado com a assembleia). Eles se reúnem e formulam um caminho que a assembleia deveria tomar. Pedro expõe seus pensamentos baseado em sua experiência. Tiago se levanta e expressa seus pensamentos baseado na Palavra de Deus. E o que o versículo 22 nos diz? “Então, pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, com toda a igreja, eleger varões dentre eles e enviá-los com Paulo e Barnabé a Antioquia, a saber: Judas, chamado Barsabás, e Silas, varões distintos entre os irmãos”, e eles escrevem uma carta. A supervisão determina o caminho que eles sentem que a assembleia deva seguir. Embora os irmãos supervisores tenham autoridade, eles não têm autoridade para tomarem decisões de assembleia. Eles têm autoridade para vir até você e conversar com você. Eles têm autoridade para falar algo para você, mas não têm autoridade para tomar decisões pela assembleia. As decisões da assembleia são tomadas, ou sancionadas pela assembleia, com o Senhor no meio e temos isso em 1 Coríntios 5, quando os irmãos se reuniram – foi uma reunião de assembleia, uma reunião especial de assembleia.


Mas as decisões da assembleia não são baseadas na democracia. Às vezes porque nós vivemos num governo baseado na democracia, temos a ideia de que todos têm uma palavra a dizer ou que se isto fosse uma assembleia e fôssemos formular uma decisão, temos que conseguir a presença de pelo menos metade da assembleia antes de podermos tomar uma decisão de assembleia. Mas não é isso que é apresentado aqui. O que é apresentado aqui é que alguns dentre os irmãos que carregam o peso moral da assembleia; aqueles que trilharam o caminho, que andaram com Deus. E a assembleia, ao ver esses que foram levantados pelo Espírito de Deus para ocupar essa posição, ela concorda com essa decisão. Com a autoridade do Senhor em seu meio, uma decisão de assembleia é sancionada.


E se eu não concordar com uma decisão?

E se eu não concordar com a decisão? Qual é o meu recurso? A assembleia acabou de tomar uma decisão e eu reconheço que Deus levantou aqueles para ocuparem a posição de supervisão para guiar a assembleia. Eles traçaram um caminho que entendem que a assembleia deveria tomar, mas eu não concordo. O que devo fazer? Bem, você poderia ir falar com eles. Seu irmão ficaria feliz em falar com você. Estou certo disso. Entretanto, normalmente não queremos fazer isso, antes, queremos conversar com todo mundo sobre quão errada é essa decisão, não é verdade? Com quem mais podemos conversar? Poderíamos falar com o Cabeça da assembleia? Podemos falar com o Senhor? Não está Ele sobre essa assembleia? Não controla Ele todos os aspectos dessa assembleia? Não foi Ele que acabou de permitir que essa decisão, com a qual eu não concordei, fosse sancionada? Sim, foi Ele que permitiu. Então meu recurso é ir diante d’Ele em oração. E se eu sentir que uma decisão foi errada, o que eu pediria a Ele é que me mostrasse se estou errado, ou mostrasse aos irmãos se eles estão errados. Esse é o meu recurso.


Se eu começar a comentar sobre o problema com os meus filhos, sendo eles ainda jovens, e incentivá-los a procurar seus amigos de mesma idade para discutir sobre o assunto, ou se eu começar a comentar com as pessoas na assembleia e começar a formar partidos, poderia dizer que isso vem do Espírito de Deus? Isso vem da Palavra de Deus? Essa é a ordem de Deus? É isso que Ele gostaria que fizéssemos? Isso é de boa ordem? O problema é que não acreditamos no poder da oração e acreditamos que estamos certos. Meu conselho é que você vá ao Senhor em oração!


E se a maioria da assembleia não concordar?

Próxima pergunta: e se a maioria da assembleia não concordar? Uma decisão é tomada, mas a maioria da assembleia não concordou com essa decisão. Eu ouvi isso sendo explicado desta forma, embora este seja um princípio democrático. Ele disse assim: “na minha família, somos eu, minha esposa e meus cinco filhos. Digamos que cada um dos meus filhos tem um voto, somando cinco votos e minha esposa tem dois votos que totalizam sete votos. Mas eu tenho oito. Portanto, mesmo que a maioria da minha família sinta que devemos fazer algo como família, se eu, como cabeça da família, sinto diante do Senhor, que devemos fazer outra coisa, tenho que fazer o que sinto diante do Senhor ser correto fazer. Será que eu não dou ouvidos a eles? Sim, claro que os escuto. Muitas vezes eles estão certos, assim como Sara estava certa com o que Abraão deveria fazer com Agar”. Esse é um princípio democrático e, portanto, imperfeito. Mas temos que entender que Deus permanece com a supervisão na assembleia. É aí que reside o peso moral. Estes são aqueles a quem deveríamos seguir. Mesmo que a maioria da assembleia pense o contrário.


Gostaria que você se lembrasse de Absalão e Davi. Quem tinha mais pessoas do seu lado? Davi ou Absalão? Absalão roubou o coração do povo. Davi ficou com alguns poucos. Deus ficou com quem? Ele ficou com Davi, o que é uma figura de permanecer com a supervisão quando há dificuldades numa assembleia. Ele não ficou com alguém que tentou usurpar a supervisão, com quem pensava que poderia julgar as coisas melhor do que Davi. Deus ficou com Davi. E no Seu tempo Ele trouxe Davi de volta, mesmo não sendo a maioria.


Se a consciência da assembleia não tiver sido alcançada?

Último ponto, e se a consciência da assembleia não tiver sido alcançada? Ainda é uma decisão que eu deva me submeter? Gosto do que o irmão Bill Warr mencionou quanto à consciência da assembleia. Você nunca lê algo sobre “consciência da assembleia” na Palavra de Deus. E acho que, além disso, não é realmente um princípio bíblico. Porque a consciência é individual. A consciência não é algo que existe numa assembleia. No entanto, o Senhor quer a sua consciência e a minha consciência envolvida na decisão. Então Bill Warr explicou assim. E vou repetir talvez não exatamente. Ele disse: “a consciência da assembleia é a assembleia reconhecendo aqueles que o Espírito de Deus levantou em uma assembleia. E, tendo a consciência deles engajada no que Deus está fazendo, eles seguem aqueles que ocupam essa posição”.


A dificuldade hoje é que embora possamos dizer que não há democracia, às vezes usando esta frase “a consciência da assembleia” tem sido usada para tentar trazer princípios democráticos. “Minha consciência não estava envolvida nisso, então não foi uma decisão da assembleia”. Bem, isso não está muito correto, está? Nossa consciência deve estar engajada com a ordem de Deus, e nosso desejo deveria ser sujeito àquilo que é a ordem de Deus. E uma disposição para seguir Sua ordem até quando acontecem coisas que não são do meu agrado ou mesmo até muito do meu agrado, lembrando que em cada situação, em cada dificuldade de uma assembleia, Deus está trabalhando de muitas, muitas maneiras diferentes. E Ele tem algo para você e para mim e para todos os demais.


Deus está trabalhando com todos naquela assembleia. Há algo que eles precisam ver. E muitas vezes uma decisão de assembleia acontece e, pela maneira como reajo a isso, o Senhor me mostra que há algo de errado comigo. Talvez essa decisão não tenha sido tomada de forma totalmente correta. Talvez tenha sido algo muito mal feito, mas como eu reajo a isso? Qual é a minha parte nisto? Como eu falhei? O que Deus está me dizendo? O que Ele me revelou sobre meu coração nessa dificuldade? Então, eu quero apenas encorajar você a permanecer com os que supervisionam. Siga a ordem de Deus. Reconheça que Deus tem uma ordem em cada esfera da sua vida.

Joe Countouris

 



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