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A Instituição do Matrimônio - Parte 2


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ÍNDICE


Capítulo 6 – Da Sua Própria Tribo

Capítulo 7 – Primeiros Passos

Capítulo 8 – Noivado

Capítulo 9 – Demonstração de Afeto

Capítulo 10 – O Casamento

Capítulo 11 – Um Novo Relacionamento

 

Da Sua Própria Tribo Capítulo 6


Em Números lemos sobre um homem de nome Zelofeade que morreu deixando cinco filhas e nenhum filho. Em Israel somente os filhos homens podem herdar a possessão do pai, então uma provisão especial foi concedida (Nm 27:1-11), e as filhas receberam a herança. Mais tarde (Nm 36), os líderes da tribo de Manassés protestaram para Moisés que se as filhas de Zelofeade cassasem fora de sua própria tribos, então a possessão iria para outra tribo. Em resposta ao seu apelo, Moisés disse: “Esta é a palavra que o Senhor mandou acerca das filhas de Zelofeade, dizendo: Sejam por mulheres a quem bem parecer aos seus olhos, contanto que se casem na família da tribo de seu pai” (Nm 36:6). Elas estavam, portanto, limitadas a casar com homens da tribo de Manassés.


Dessa antiga e divina decisão, podemos tirar uma lição para os dias atuais. Já vimos isso, nunca é correto um crente casar com um incrédulo, pois isso é um transgressão muito séria da determinação contra o jugo desigual. Mas, o que podemos dizer de um filho de Deus casando com uma filha de Deus, quando eles não estão na mesma disposição quanto às coisas do Senhor? Quando um está associado a um grupo de Cristãos, numa posição oposta da que o outro se identifica? Tal casamento, não pode, corretamente, ser chamado de jugo desigual no sentido de um ser filho da luz, e o outro ser filho das trevas, pois ambos são salvos pelo precioso sangue de Cristo. Não estaria unindo Cristo e Belial, um crente com um infiel (ou incrédulo), ou o templo de Deus com os ídolos, como encontrado em 2 Co 6:14-18, e assim mesmo seria muito provável ser a mais infeliz união, repleta de perigos para ambos os cônjuges e para sua posteridade. É nesse sentido que aplicamos o preceito de “se casem na família da tribo de seu pai”, mencionado em Nm 36.


Neste dia quando a Cristandade está toda dividida em fragmentos inventados pelos homens, o que cria uma grande barreira em um lar Cristão, do que quando um vai por um caminho e o outro vai por outro caminho na questão de comunhão Cristã. Como pode haver qualquer unidade no propósito de seguir ao Senhor quando marido e mulher não são uma unidade em Suas coisas. Eles podem ser Cristãos zelosos, podem ler a Palavra de Deus juntos em casa regularmente, podem orar juntos, mas quando chega a manhã do dia do Senhor e um vai sozinho a um lugar de sua escolha para se juntar com outros Cristãos, e o outro vai sozinho fazer lembrança do Senhor em outro lugar, que unidade há nisso? Ou talvez, pelo bem (interesse) da paz um deles cede e vai junto a um lugar que sabe que não é o certo. Seria esta uma condição feliz? Fazer concessões raramente, senão nunca, é uma solução satisfatória.


Se alguém se encontra em tal difícil situação, sugerimos que unidos se entreguem em oração e aguardem no Senhor, pois Ele irá mostrar a cada um onde Ele nos quer juntos, pois sabemos que não é da vontade d'Ele que os Cristãos fiquem em casa e não tenham um lugar para se unir em adoração Cristã. Sua Palavra diz: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb 10:25 – ARA). Também não temos qualquer direito de escolha por nós mesmos de onde devemos nos reunir juntos. Se houver uma divisão de pensamento entre marido e mulher nesta importantíssima questão, então um ou outro, ou talvez ambos, estão errados. Será somente em humilhação, buscando a vontade do Senhor nessa questão e deixando de lado seus próprios desejos, que a harmonia, segundo Deus, poderá ser alcançada no lar.


Quando o Senhor Jesus enviou dois de Seus discípulos para preparar a última ceia da Páscoa, eles não se separaram e foram a lugares diferentes para preparar a ceia, nem concordaram em um lugar que julgassem adequado; não havia vontade própria nessa questão, e com toda simplicidade perguntaram ao Senhor, “Onde queres que a preparemos?” (Lc 22:9). Esse deveria ser o padrão para todos hoje em dia. Devemos deixar de lado nossos pensamentos e preferências e perguntar ao Senhor onde Ele quer que respondamos a Seu único pedido – “Fazei isto em memória de Mim” (Lc 22:19) – além de nos reunirmos para oração, ministério da Palavra, e atividades evangelísticas.


Outro triste resultado de um lar dividido na questão de onde adorar a Deus, é que as crianças ficam confusas, e com frequência, crescem nem indo no lugar da escolha do pai, nem ao da mãe, mas busca por outra conexão religiosa por conta própria. Talvez se afastem e escolham o mundo, esquecendo-se do Deus de seu pai e de sua mãe. Pode haver muitos resultados tristes de uma divisão entre pai e mãe nessa parte essencial da vida Cristã.

 

Primeiros Passos Capítulo 7


Não seria errado dizer algumas palavras sobre os primeiros passos, que com frequência levam a grandes consequências, tanto para o bem quanto para o mal. Jovens Cristãos precisam, particularmente, ter cuidado na escolha de suas companhias. Nós todos, de certa forma, somos influenciados pela companhia que mantemos; portanto, devemos nos guardar de amizades que podem nos levar para caminhos errados.


Em Atos 4:23, lemos dos apóstolos que sendo “soltos eles, foram para os seus [a sua própria companhia – JND] (At 4:23 – ARA). Quem eram “a sua própria companhia”? Eram “os irmãos – ARA Cristãos, claro. Naquela época, como agora, os Cristãos eram a grande minoria; estavam cercados por Judeus de um lado e pagãos de todos os níveis do outro, mas esses primeiros Cristãos tinham o desejo de estar com, e se manter entre “a sua própria companhia”.


Temos que nos misturar com os incrédulos na escola e no trabalho, para desempenho de nossos deveres diários, mas não é necessário carregarmos tais associações além dos limites do dever. Tornar-se companheiros deles, ou envolver-se socialmente com eles, é um caminho perigoso.


Dessas associações que não se limitam ao mínimo requerido pelo dever, surgem muitos casamentos infelizes. Talvez uma jovem irmã dirá que ela somente mantém proximidade com moças jovens do mundo (embora elas não sejam sua própria companhia), e quando esses laços tornam-se fortes, uma amiga pode dizer, “Gostaria que você conhecesse meu irmão”. Essa pode ser uma situação que não foi calculada, e, em pouco tempo, a jovem Cristã é conduzida a aceitar a oferta de uma tarde com o encantador jovem irmão da amiga. Não suponhamos que isso é meramente um caso hipotético; tais coisas realmente acontecem.


Destacamos sobre aquele quem o Cristão não deve casar; mas acrescentaremos que se um jovem nunca sair com uma moça não salva, ele nunca se casará com ela. E, se uma jovem irmã nunca aceite a atenção de um jovem não salvo, ela nunca se casará com ele. Não podemos reforçar fortemente a necessidade de vigilância contra os primeiros passos na direção errada. Se não houver um primeiro passo, não haverá um segundo, nem um terceiro, e nem finalmente um casamento.


Temos visto jovens crentes encurralados ao serem convidados a sair com um incrédulo apenas uma vez. Depois disso torna-se fácil fazê-lo novamente, e em pouco tempo, um forte laço de amizade foi formado. Frequentemente, pessoas interessadas no bem-estar de jovens Cristãos que estejam indo em direção a tal armadilha, têm buscado alertá-los. Uma resposta comum à tal advertência é uma garantia por parte dos jovens de que o casamento não está sendo contemplado, e que nem deve sequer ser considerado com um incrédulo. Talvez os jovens que respondem dessa maneira sejam sinceros, mas a afeição humana é algo delicado, e muito imprevisível. Pode entrar e crescer, quase imperceptível por um tempo, mas quando estiver bem enraizada, somente é removida por uma muito dolorosa operação. Pode deixar feridas e cicatrizes que duram por anos, pois desistir de alguém, depois do envolvimento afetuoso, não é feito sem alguma tristeza e talvez coração partido.


Cristãos tem sido pegos nessas armadilhas como mosca é pega na teia de aranha mais fina e delicada, e então em vez de partir o coração de alguém a quem eles passam a amar, eles escolheram deliberadamente desobedecer Deus. Nesse momento, eles usualmente tentam se persuadir que aquela pessoa a quem amam é, afinal de contas, um Cristão, mas não tem habilidade para expressar isso corretamente. Não há nada tão ingênuo quanto um coração entrelaçado por outro. Esses podem ser tão completamente enganados a ponto de acreditar naquilo que é oposto à verdade. Novamente, jovens Cristãos, advertimos e imploramos a vocês, para terem cuidado com aqueles primeiros passos que podem levá-los um casamento inadequado, ou levá-los para longe do Senhor, por qualquer um dos muitos caminhos dolorosos.

 

Noivado Capítulo 8


Enquanto cada contato ou associação entre jovens Cristãos não necessita culminar em casamento, ainda é deplorável quando os caminhos do mundo são tão seguidos por alguém, a ponto de brincar com as afeições de outro. Deus colocou a afeição no coração humano e isso não deve ser tratado com leviandade. Um jovem irmão deve ter cuidado de não levar um relacionamento adiante com uma jovem irmã se não tiver sérias intenções, e vice-versa; devemos, entretanto, conhecer alguns exemplos de amizades mais casuais que foram tidas como algo mais do que realmente eram. Isso é igualmente um engano, mas cada alma correta sabe quando está enganando outro demonstrando uma intenção que na realidade não existe. É para a desonra do Senhor quando um coração é partido pela indulgência de flertes; e tal conduta, até mesmo se ambos, o jovem e a jovem, entenderem que não há uma séria intenção, é totalmente indigno de um Cristão.


Depois de um período de espera no Senhor para se ter certeza de ter Sua mente, pode chegar o momento para o jovem e para a jovem de entrarem num acordo – para ficarem noivos. Esse deve ser um momento de felicidade, pois eles estarão, então, comprometidos um com o outro por uma promessa, e aguardam pelo momento quando estarão unidos um ao outro.


O período de noivado é especialmente confirmado nas Escrituras. Rebeca foi prometida para Isaque por intermédio do servo de Abraão antes dela iniciar a longa jornada pelo deserto, para se tornar a noiva daquele que havia estado no altar. No Novo Testamento lemos sobre o noivado de José e Maria. Eles ainda não estavam casados, mas aguardavam ansiosamente o dia das núpcias. E hoje, todo Cristão está em uma posição muito semelhante; ele é destinado a se tornar uma parte da noiva de Cristo, mas ele ainda está aguardando. Paulo disse: “pois vos desposei com um só Esposo, Cristo, para vos apresentar a Ele como virgem pura” (2 Co 11:2 – AIBB). Este é o dia do nosso noivado, e qual deveria ser nossa atitude? Devemos estar repletos com pensamentos d'Aquele que prometeu nos tomar para Si, para ser Sua companheira. Nosso coração deve ansiar por aquele abençoado momento quando Ele nos apresentará a Si mesmo, como Sua noiva imaculada.


Seria totalmente inadequado para uma jovem prometida, aceitar atenção de outro jovem que não seja o seu noivo, pois isso mostra que seu coração não foi completamente conquistado por aquele com quem ela se comprometeu. Portanto, isso revela uma triste falta em nossa afeição por nosso Senhor e Salvador quando nos esquecemos d'Ele, para encontrar nosso prazer nas coisas insignificantes desse mundo. Tudo o que há no mundo está sob o poder do inimigo d'Aquele que nos prometeu para Si mesmo. Possa o nosso coração entrar mais completamente no espírito de um noivado, enquanto ansiamos por vê-Lo, para ouvir Sua voz, e estar com Ele a Quem, mesmo ausente, aprendemos a amar.


No mundo, este é um momento quando o casamento é tratado de forma leviana e facilmente desfeito, os noivados são também tratados com leviandade, feitos rapidamente, e frequentemente rompidos; mas não deve ser assim com Cristãos. Noivado é um assunto sério, e não deve haver comprometimento a menos que haja expressa intenção de casamento. Noivado deve ser considerado vinculativo e tratado como uma obrigação definitiva. Seria Cristo algum dia infiel à Sua promessa de nos tomar para Si mesmo com Sua noiva? Não. Nunca, nunca. Sua Palavra é tão confiável quanto Sua intenção, como disse o poeta:


"Sua promessa é sim e amém

E nunca foi desfeita"


Para alguém romper um noivado, ele deve ter uma razão que o Senhor aprovaria.


Podemos mencionar, entretanto, que se um crente fica noivo de um incrédulo, deve considerar seriamente se deve ou não desobedecer a Deus, e se casar com um incrédulo. Algumas vezes, as pessoas argumentam que deram sua palavra em relação a algo, e, portanto, devem fazer o que sabem estar errado. Herodes foi um desses; ele prometeu a Salomé qualquer coisa que pedisse, e quando ela pediu pela cabeça de João Batista, ele manteve seu juramento e cometeu homicídio. Em tal caso não é difícil discernir o engano em defender uma promessa contra um dever conhecido.


Se alguém se encontrar no dilema de estar noivo com um incrédulo, deve orar muito a respeito disso, buscando no Senhor o caminho correto para sair de uma situação errada. Podemos desonrar o Senhor na maneira pela qual nos livramos de uma posição que Ele nunca poderia aprovar. Em alguns casos, somente o Senhor pode nos dar uma saída; e devemos aguardar n'Ele enquanto julgamos nossa falha que levou-nos a dar um passo errado. Talvez, uma conversa aberta e sincera com o cônjuge incrédulo, admitindo nosso fracasso e pecado, e mostrando o que dizem as Escrituras, seja de grande ajuda nesse momento.

 

Demonstração de Afeto Capítulo 9


Há pontos perigosos nesse mundo, os quais devem ser diligentemente evitados pelos filhos de Deus. Um deles, sob o qual iremos erguer um farol, é a demonstração da afeição humana – uma coisa certa e adequada em seu devido lugar, mas a mais perigosa armadilha para os desavisados. Talvez não haja um lugar mais escorregadio para os pés Cristãos; está na beira do abismo de sofrimento, no qual muitos queridos Cristãos caíram. Um momento desprotegido, um ato descuidado, pode dar à carne e ao diabo uma abertura que pode levar a uma desonra pública ao Senhor e arruinar permanentemente o testemunho de um Cristão.


Jovens Cristãos que foram criados num dia de grande frouxidão moral no mundo, necessitam ser guiados pela Palavra de Deus, e não pelo que veem nos ímpios, ou até mesmo em outros Cristãos. Toda atmosfera do mundo é permeada por um sentido degradado daquilo que as pessoas “naturalmente conhecem, como animais irracionais” (Jd 1:10). O príncipe deste mundo está conduzindo-o pela estrada trilhada pelo depravado Império Romano, onde virtude era quase inexistente.


Portanto, gostaríamos dar algumas palavras de conselho e advertências a respeito das carícias, ou demonstração de afeto. Aqui podemos confiantemente buscar a sabedoria encontrada na Palavra de Deus. Não permita ninguém dizer, está fora de moda, ou desatualizada. Sã Sabedoria é encontrada somente na Palavra de Deus, e nunca está fora de moda ou antiquada. “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a Tua Palavra” (Sl 119:9 – ARA).


Acariciar é uma demonstração de afeição humana, um pelo outro. É, com certeza, algo belo em seu próprio lugar. Deus mesmo colocou afeição no coração humano, e Ele nos dotou com a capacidade de manifestá-la, mas certamente é para ser demonstrada com respeito e discrição. A presente prática generalizada das carícias promíscuas a tem degradado ao nível da mais barata indulgência carnal.


Em cada relacionamento, há a conduta adequada para aquele que busca caminhar no temor de Deus e agradar ao Senhor. Por exemplo, há a afeição que pertence ao relacionamento dos pais com os filhos, e dos filhos com os pais; e a falta natural de afeição não é de Deus – é um dos sinais dos últimos dias (2 Tm 3:3) – “sem afeto natural”. Mas, mesmo entre pais e filhos há uma demonstração apropriada de amor e afeto que não deve ser violada, nem deve ser indulgente para aqueles que não estão nesse relacionamento – somente a filha deve demonstrar a afeição que pertence à filha, e somente ao filho deve se dar o lugar de filho. O momento ainda não chegou em que podemos afrouxar nossa afeição; devem ser guardadas pela discrição e sabedoria como nos são dadas por Deus. Aquele que dá liberdade aos seus sentimentos está caminhando à beira da tristeza. Enquanto tivermos a velha natureza com suas concupiscências conosco, e isso será enquanto estivermos no corpo, “tendo cingidos os vossos lombos com a verdade” (Ef 6:14 – TB).


Então há as demonstrações de afeto que são próprios e pertencem exclusivamente ao relacionamento entre marido e mulher. Existe aquilo que é apropriado àqueles “que Deus ajuntou” (Mt 19:6), e até mesmo no casamente deve ser de maneira apropriada, como admoestado em Hebreus: “Que o matrimônio seja mantido de todos os aspectos em honra” (Hb 13:4JND). O descuido em observar essas distinções, e a frouxidão em demonstrar conduta apropriada, e a devida delicadeza trouxeram tristeza a muitos corações.


Há, também, a demonstração de afeto apropriada naqueles que ficaram noivos, e estão comprometidos em se casar, mas que seria completamente imprópria para aqueles que não estão comprometidos. Deve-se lembrar, entretanto, que as pessoas que estão noivas não estão realmente casadas, e que toda manifestação de afeto mútuo, deve ser conduzida com autocontrole , e sábia discrição. (No Livro de Provérbios – Livro dirigido “aos jovens” (Pv 1:4) – “discrição” (TB), é mencionada inúmeras vezes. Quão melhor, mais seguro, e mais feliz é abster-se de ultrapassar os limites da decência, e desfrutar somente daquilo que é apropriado, enquanto se antecipa o momento em que o afeto poderá ser manifestado mais plenamente. Aqueles que se guardam nisso, não são perdedores, e quando o tempo correto se aproxima para uma plena manifestação de afeto, eles experimentarão mais regozijo naquilo que foi preservado puro. “Aquele que confia no seu coração é tolo; mas quem anda em sabedoria, escapará {será salvo – ARA} (Pv 28:26 – TB).


Para aqueles que não estão noivos a regra de “não toque” certamente é sábia e segura. Ó, quanta tristeza Cristãos trouxeram para si mesmos – e desonra para o Senhor – por ultrapassar o que é apropriado, cedendo à mera indulgência da carne. Satanás está sempre pronto para armar um laço para nossos pés, e ele usa “a concupiscência da carne” (Gl 5:16), com muito sucesso. É uma das marcas dos “filhos da ira” que eles satisfazem “a vontade da carne e dos pensamentos” (Ef 2:3). Mas somos exortados: “a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma” (1 Pe 2:11 – ARA).


Devemos também, lembrar que o casamento é a abençoada figura de Cristo e a Igreja. O homem representa Cristo, que amou a Igreja e entregou a Si mesmo por ela; e se um homem brinca com os afetos e trata levianamente aquilo que é sagrado, ele certamente não é fiel com aquilo que deveria manifestar; nem uma jovem irmã é fiel a ser uma figura da Igreja se permite ou recebe abraços e atenções íntimas de outros que não sejam seu próprio marido, ou seu futuro marido – neste último caso, com suas devidas limitações. O apóstolo Paulo escreveu aos Coríntios; “pois vos desposei com um só Esposo, Cristo, para vos apresentar a Ele como virgem pura” (2 Co 11:2 – AIBB).


Estas notas não se esquadrinham nem com as ideias gerais ou prática no mundo, mas quando o mundo já foi capaz de estabelecer um padrão de conduta adequado para os filhos de Deus? O mundo está acelerando para a sua destruição e está diariamente crescendo em frouxidão moral e depravação, mas Deus nos chamou para fora dele, para Si mesmo. Que possamos nos lembrar das palavras de nosso Senhor Jesus quando Ele orava para Seu Pai (Jo 17); Ele fez uma grande distinção entre o mundo e aqueles que são d'Ele, e Ele desejou que fossemos guardados do mal – “Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno” (Jo 17:15 – TB). Seria bom para nós ler cuidadosamente o capítulo quinto de Efésios, onde somos chamados para ser “imitadores de Deus” (Ef 5:1), enquanto estamos nesse cenário moralmente sombrio; devemos evitar toda impureza, não ter comunhão com ela, andar como filhos da luz, e ser circunspecto e sábio. Possa o Senhor no dar Seus pensamentos para aquilo que é apropriado àqueles que foram assim chamados para fora desse mundo para Aquele que é santo.

 

O Casamento Capítulo 10


Finalmente chega o dia das núpcias – esse momento feliz quando a noiva e o noivo estão para ser unidos em casamento, no Senhor. É tempo para os irmãos e irmãs em Cristo de “alegrai-vos com os que se alegram” (Rm 12:15). Certamente é adequado desejar e ter a comunhão com outros Cristãos ao dar esse grande passo, “porque somos membros uns dos outros” (Ef 4:25), e “se um membro é honrado, todos os membros se regojizam com ele” (1 Co 12:26).


Houve um dia quando o Senhor Jesus e Seus discípulos foram convidados para “umas bodas em Caná da Galiléia” (Jo 2:1), e eles foram (veja João 2). Sabemos que esse incidente tem uma aplicação típica para a bênção de Israel num dia futuro, quando Ele irá suprir seu regozijo, mas ainda permanece o fato que Ele sancionou o casamento pela Sua presença. Isso, algumas vezes, tem sido usado para trazer Seu nome, para dar aprovação a exibições muito extravagantes e suntuosas, mas devemos buscar o equilíbrio em todas as coisas. Enquanto a comunhão em um casamento seja claramente desejável, agir como se já estivéssemos reinando como reis (1 Co 4:8), é incongruente com nossa posição como “peregrinos e forasteiros” (1 Pe 2:11). Não está de acordo com o fato de sermos nada neste mundo onde nosso Senhor e Salvador foi rejeitado, nem mostra o espírito de usar este mundo, mas não como sendo nosso – “os que usam deste mundo, como se dele não abusassem” (1 Co 7:31). Que o Senhor dê aos Seus, graça para estarem dispostos a suportar as marcas de cidadania estrangeira, enquanto ao mesmo tempo, aceitem de Sua mão amorosa as provisões de graça que Ele tem para nós, sejam quais forem.


O casamento é o momento quando conectamos em nossa mente os livros de Gênesis e de Apocalipse. Em Gênesis encontramos a divina instituição do matrimônio, e em Apocalipse encontramos o grande antitipo – o grandioso momento para o qual Deus mesmo aguarda – quando o Noivo celestial tomará Sua noiva – a noiva que Ele morreu para conquistar. Então, em um casamento, olhamos para trás e para frente. Como olhar para o futuro preencherá nosso coração com êxtase e louvor! Nosso Senhor mesmo está pacientemente esperando para nos tomar, o preço do “trabalho de Sua alma” (Is 53:11). Então Ele estará satisfeito e todo o céu se regozijará, “Porque são chegadas as bodas do Cordeiro” (Ap 19:7 – ARA).


Na Terra, há especulações, algumas vezes, sobre como a noiva será vestida, e a Palavra de Deus nos diz da nossa vestimenta naquele dia futuro quando seremos a noiva: “Pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos” (Ap 19:8 – ARA; veja JND). Nossas vestes serão exatamente as mesmas, que nessa cena, nosso Senhor operou em nós por Sua graça e Seu Espírito; são todas vindas d'Ele mesmo. As pequenas coisas feitas hoje e ontem para Ele; as coisas que Deus operou, “tanto o querer como o realizar, segundo Sua boa vontade” (Fp 2:13 – ARA), serão vistos lá para realçar nossa beleza para Ele, e tudo para Seu próprio louvor.


O tempo logo deixa suas marcas em tudo aqui, e a noiva não é mais a noiva, mas em Apocalipse lemos da Igreja como a noiva mais de 1.000 anos depois das bodas: “Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o Seu Esposo” (Ap 21:2 – ARA). Nesse momento, todo o Milênio terá terminado seu curso, e o estado eterno terá iniciado, e ainda assim o tempo não terá mudado nada na glória e beleza da noiva do Cordeiro. Sim, Ele apresentará “a Si mesmo Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante” (Ef 5:27). Máculas falam de contaminação, e rugas falam de decadência, mas nenhuma delas jamais manchará aquela abençoada cena para qual estamos indo. Vale a pena mencionar aqui que ela é “adornada para seu Esposo”, e não para os olhos de outros. Então, Ele verá aquela pérola de grande valor pela qual Ele vendeu tudo, e Ele a verá na beleza que Ele mesmo colocou sobre ela. Nós seremos, para Ele, exclusivamente naquele dia, e seremos exatamente como Ele nos quer. Senhor, Senhor, apresse o tempo! E, embora, estejamos vestidos com vestes de beleza que Ele nos deu, não estaremos ocupados com elas, mas com Ele mesmo, como o poeta tão apropriadamente expressou:


“A noiva não olha para seu vestido,

Mas o rosto de seu amado noivo.


Há um outro vislumbre da noiva celestial, quando ela é vista “descendo do céu da parte de Deus, e tendo a glória de Deus” (Ap 21:10-11 – TB). Aqui o caráter da noiva não é tão enfatizado como “a esposa do Cordeiro”; é a glória que ela terá diante de todos, por estar conectada com Ele, que é o Herdeiro de todas as coisas. Teremos uma beleza que é toda para Ele; teremos, também, a glória diante de todo universo sendo “a esposa do Cordeiro” (Ap 21:9 – ARA) – aquela que compartilhará todos Seus vastos domínios. Ambas serão nossas, queridos irmãos em Cristo.


Também, haverão convidados para esse casamento do Noivo celestial e da noiva – “Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro” (Ap 19:9 – ARA). Somente aqueles que forem salvos entre o dia de Pentecostes e o arrebatamento farão parte da noiva, mas haverá miríades de outros santos no céu – todos os santos do Velho Testamento. Sim, e João Batista que disse que era apenas um amigo do Noivo, estará lá como um destes convidados. Eles desfrutarão de um regozijo peculiar ao contemplarem a Seu gozo.


Nós nos detivemos nessas certezas da esperança, pois nossa apreciação por elas ampliará grandemente nosso gozo, seja como noiva ou noivo, ou como um daqueles que se regozijam com eles em um casamento aqui, enquanto aguardamos pela realidade lá dos céus.


Há mais um ponto que requer cautela, entretanto, deveria ser acrescentado como a conduta apropriada em um casamento. Temos falado sobre como uma exibição exagerada é inapropriada, mas há também um perigo em cair nos caminhos do comportamento mundano, com brincadeiras barulhentas ou comportamentos indecorosos. Essas demonstrações grosseiras mostram uma completa falta de respeito pela Sagrada instituição do matrimônio; são eventos vergonhosos para aqueles que professam serem seguidores de Cristo. Que toda postura adequada esteja concedida a todo casamento Cristão.


A cerimônia concluída, a noiva assume o nome do marido. Esse, de fato, é um princípio da Escritura, pois em Gênesis, onde o registro da criação de Adão e Eva é mencionado é acrescentado que Deus “os abençoou, e lhes chamou pelo nome de Adão ” (Gn 5:2 – ARA). Ela estava tão identificada com seu marido que seu nome também se tornou Adão, ou como costumamos dizer hoje – a senhora Adão. Assim também seremos identificados com Cristo.


"Ele vem como o Noivo,

Vindo para revelar finalmente

O grande segredo de Seu propósito,

Mistério de eras passadas.

E à noiva, a ela é concedida,

Em Sua beleza então brilhar,


Como em êxtase ela exclama,

'Eu sou d’Ele, e Ele é meu!'

Oh, que gozo aquela união matrimonial,

Mistério do amor divino!

Doce é cantar em toda a sua plenitude,

'Eu sou d’Ele, e Ele é meu!'”

 

Um Novo Relacionamento Capítulo 11


O jovem rapaz e a jovem moça que acabaram de se casar, agora iniciam algo que para eles é totalmente novo, um relacionamento abençoado, de fato, se for pela vontade do Senhor. Até esse momento, eles trilharam caminhos de vida separados; agora, eles se uniram para caminharem juntos, como “sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida” (1 Pe 3:7 – ARA). Eles podem, agora, compartilhar todas as alegrias e tristezas. Alguém disse que isso duplica a alegria e divide a tristeza. Entretanto, por mais verdadeiro que isso seja, há definitivamente bênçãos e compensações em estarem alegremente casados “no Senhor" (1 Co 7:39). É também verdadeiro que a esposa “cuidade como agradar ao marido”, e o marido “cuida… de como agradar à esposa” (1 Co 7:33-34). Isso é como deve ser, só que cada um deve cuidar de não dar ao outro aquilo que pertence ao Senhor. Jesus Cristo é nosso Senhor, e tudo o que temos e somos pertencem a Ele, e não devemos deixar que as bênçãos fiquem entre nós e Ele. Nosso coração é traiçoeiro, e ele pode fazer de qualquer coisa um ídolo. “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1 Jo 5:21). Foi dito que um ídolo é qualquer coisa que substitui Cristo em nossa afeição, e alguém pode ter um ídolo por um momento, um mês, um ano, ou pela vida inteira.


A falta de cuidado amoroso um pelo outro seria deplorável; carregaria a marca daquela condição maligna que existe “nos últimos diassem afeto natural” (2 Tm 3:1-3). Um grande lema para os jovens casados – de fato, para todos os Cristãos casados –, é: “um por todos, e todos pelo Senhor”.


Não se pode compreender plenamente a beleza e o afeto do relacionamento do casamento sem estar nele. A intensidade do amor que faz esquecer-se de si e buscar a felicidade e o bem do cônjuge que o Senhor deu só é conhecida pela experiência. Mas sem esse amor irrestrito e abnegado da parte de cada um, muitas alegrias não serão conhecidas, ou manchadas. Nem sempre essas duas pessoas verão as coisas da mesma forma, mas o amor é um grande bálsamo em qualquer desavença. Foi realmente dito que em cada lar, deveria haver “dois ursos” – “suportar e ser suportado (tolerar)”. A própria proximidade da relação acentuará pequenas diferenças e exigirá a pronta aplicação do espírito de amor e compreensão.


Paul Wilson

 

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