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A Instituição do Matrimônio - Parte 4


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ÍNDICE


 

Padrão de Vida Capítulo 16


Quando jovens recém-casados estabelecem um novo lar, convém-lhes considerar o padrão de vida que devem levar. Com isso, queremos dizer: o custo da casa, a maneira da mobília, o custo com vestuário, alimentação, transportes, etc. Não agrada a Deus nem promove a felicidade do lar viver além, ou até mesmo gastar até o último centavo de nossos rendimentos.


Em uma época como a presente, onde há abundância de tudo para a conveniência do lar, é muito fácil estabelecer um padrão que vai além da capacidade do jovem marido prover. Há, também, uma tendência com pessoas jovens de querer iniciar seu próprio lar no mesmo padrão no qual seus pais vivem atualmente, esquecendo-se de que, na maioria dos casos, os seus próprios pais começaram de maneira muito simples, vivendo dentro dos seus recursos. É importante lembrar o tempo todo que “é grande ganho a piedade com contentamento” (1 Tm 6:6). Não é o estilo de nosso lar, nem o modelo de nosso carro, que constitui o grande critério de como um Cristão está progredindo; mas sim, há piedade e contentamento?


Alguns dos Cristãos mais felizes são aqueles que têm poucos bens neste mundo, mas que desfrutam de Cristo e das coisas de Deus, e vivem em contentamento espiritual nas coisas temporais. A disputa pelas coisas além das próprias circunstâncias ajudará a produzir empobrecimento da alma por um lado, e o oposto à felicidade por outro lado.


Mesmo do ponto de vista meramente mundano, é uma experiência feliz quando jovens casados encontram prazer em trabalhar juntos reformando uma casa velha, ou reformando alguma mobília, ou em qualquer uma das muitas coisas que irão se transformar num lar. Temos ouvido pessoas não salvas comentarem que a maneira mais segura de fazer os jovens recém-casados descontentes é dar-lhes tudo que desejam, de maneira que não haja mais nada pelo que trabalhar. No entanto, a “piedade com contentamento”, poderia nos tornar contentes em quaisquer circunstâncias que estejamos.


Há uma outra questão que merece alguns comentários. Uma das grandes armadilhas para os queridos jovens é contrair dívidas. Isso é feito com tanta facilidade, e com tanta frequência incentivados por vendedores persuasivos, podendo se envolver mesmo antes de perceberem. Dessa forma seus rendimentos podem ficar comprometidos por anos. Isso não é vangloriar-nos do dia de amanhã? Não sabemos o que o dia de amanhã nos reserva, e nos sobrecarregar com obrigações que podem somente ser cumpridas pelo sustento do trabalho com determinado nível de rendimento é uma maneira de vangloriar-se do futuro. Deus não nos prometeu um certo montante de dinheiro para cada ano futuro, mas Ele abundantemente nos provê dia a dia.


Comprar a prazo tende a inflar nosso padrão de vida, e aumentá-lo por meio do endividamento futuro. É bom lembrarmos que a dívida é um jugo, e com frequência pesado, porque “quem toma emprestado, servo é do que lhe empresta” (Pv 22:7 – TB).


Há ainda outra consideração a ser feita também; se estivéssemos incapacitados, e impossibilitados de cumprir nossas obrigações, ou se o Senhor vier e nos levar para casa (essa é uma probabilidade evidente a qualquer momento), aquele a quem devemos sairia prejudicado. Seria isso honroso? Seria compatível com um testemunho Cristão adequado?


Ninguém poderia aprovar que um Cristão defraudasse um credor. Entretanto, há em conexão com o assunto de causarmos prejuízo a outrem, algo que pode ser dito sobre a questão de empréstimos garantidos, ou hipotecas imobiliárias. Nesses casos, o título de propriedade fica retido pelo credor, ou então é facilmente recuperado por ele, e assim ele não sofreria perda, mas simplesmente retomaria a posse da propriedade, que ainda tem o mesmo valor.


É deplorável quando Cristãos sentem que precisam acompanhar seus vizinhos, ou até mesmo seus irmãos em Cristo. Busquemos viver honestamente dentro dos meios que o Senhor nos deu, prosseguindo em ação de graças e contentamento, “desejando em todas as coisas viver condignamente” (Hb 13:18 – ARA).

 

Sacrifícios Cristãos Capítulo 17


Quando o apóstolo Paulo escreveu para os crentes Hebreus, muitos sacrifícios haviam sido oferecidos por mais de 4 mil anos, desde o sacrifício de Abel até seus dias. Uma mudança estava por vir, e Paulo os estava instruindo de que o tempo para figuras e sombras havia acabado, e que agora haviam sido introduzidos em algo “melhor”. Eles agora deveriam adorar a Deus pelo Espírito e na própria presença de Deus, “além do véu” (Hb 6:19 – ARA). A gordura dos carneiros e o sangue de bodes, ou qualquer uma das variadas ofertas que eram ordenadas sob a economia Mosaica, não eram ofertas inteligentes para os Cristãos.


A pergunta poderia muito bem surgir na mente deles: “Mas não temos nada a oferecer? Não há nada para apresentarmos a Deus?” O apóstolo responde que eles foram trazidos para aquele lugar melhor onde tinham um altar, “Temos um altar de que não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo” (Hb 13:10). Aqueles que ainda ofereciam os sacrifícios que apenas apontavam para Cristo não tinham direito de participação naquilo que é adequado e característico do Cristianismo. Aqui tudo isso que é oferecido para Deus, é fruto de Sua própria graça, e é apenas o resultado de uma viva conexão com Cristo. Pela fé, as coisas velhas realmente já passaram.


Então o apóstolo vai adiante para nomear algumas coisas que são adequadas ao sacrifício Cristão. Sim, eles tinham permissão de oferecer algo, mesmo que tivessem que deixar o templo, e todos os rituais. Era seu privilégio oferecer “constantemente a Deus sacrifícios de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu nome” (Hb 13:15 – TB). Nenhum templo era necessário para oferecer este sacrifício, nem era limitado a certos dias de festas, era “a Deus”, e era “constantemente”. Obviamente, somente aqueles que eram filhos de Deus e habitados pelo Espírito Santo eram capazes de apresentar tais sacrifícios.


Isto está em concordância com Efésios 5:19: “Falando uns aos outros em salmos e hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando ao Senhor em vosso coração” (Ef 5:19 – TB). “Ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais; cantando ao Senhor com graça em vosso coração” (Cl 3:16). Vemos algo do caráter dos atuais sacrifícios de louvor no leproso curado em Lucas 17; ele foi enviado ao templo e aos sacerdotes onde poderia oferecer seus dons, mas ao ser curado teve um vislumbre da glória da Pessoa que o curou, e prontamente deu as costas a todo sistema de adoração terrenal, para retornar para o Senhor Jesus Cristo onde ele “prostou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-Lhe” (Lc 17:16 – ARA). Ele encontrou no Senhor o que era “maior do que o templo” (Mt 12:6), mas era somente discernido pela fé. O homem natural se vira instintivamente para formas externas e cerimônias como modelo de adoração.


Portanto, em meio às bênçãos de Deus ao conceder a um homem e sua mulher um lar aqui embaixo, onde nosso Senhor não teve nenhum, é importante que o espírito de louvor seja encontrado nele. A epístola de Tiago nos lembra de que, se estamos aflitos, devemos orar, mas se estamos felizes, devemos cantar salmos; em outras palavras, devemos receber tudo de Deus, e levar tudo a Deus. Dessa forma, as bênçãos não substituem Aquele que abençoa em nossos pensamentos, pois reconhecemos a Ele e Lhe rendemos graças.


Num lar Cristão, onde o Senhor Jesus e Suas coisas são desfrutados, com frequência ressoarão cânticos de louvor. Que isso seja mais característico no nosso lar, pois esses “sacrifícios espirituais” são “agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (1 Pe 2:5). Não foi o louvor e o agradecimento do leproso curado precioso e agradável para o Senhor Jesus? Certamente foi! E agora somos assegurados pela Palavra que nossas palavras e cânticos de louvor são agradáveis a Ele. Que privilégio é o do Cristão! E vastamente superior ao do Judeu do passado.


O apóstolo Paulo continua: “E não vos esqueçais da beneficência [prática do bemARA] e comunicação (da vossa subsistência – JND), porque com tais sacrifícios Deus Se agrada” (Hb 13:16). Aqui são mais duas formas de “sacrifícios” que um Cristão pode e deve oferecer a Deus:


Ele faz “beneficência [prática do bemARA]”. Isso cobre uma grande esfera, pois de muitas maneiras pode praticar o bem. O Cristão é para praticar o “bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gl 6:10 – ARA). Pode ser ajudando alguém doente que necessita assistência, que seja crente ou talvez uma pessoa não salva onde possa ter a oportunidade de testemunhar de Cristo. Não nos alongaremos nas grandes possibilidades que essa agradável forma de sacrifício oferece. Que o escritor e o leitor tenham um ouvido sintonizado para ouvir a voz do Senhor nos dirigindo nas maneiras e lugares para assim servi-Lo. Talvez ninguém venha a saber desse ato senão o Senhor e a pessoa beneficiada; mas é bem melhor assim, pois o nosso coração traiçoeiro não terá a oportunidade de se vangloriar nisso.


Da “comunicação (da vossa subsistência – JND) “não vos esqueçais”; isto é, compartilhar nosso dinheiro ou os nossos bens com os outros, pois isso também é um “sacrifícioagradável a Deus”. Sabemos que no passado, era exigido a Israel dar o dízimo; isto é, dar a décima parte dos seus rendimentos ao Senhor. Agora, não há tal mandamento para os Cristãos. Por quê? Simplesmente, porque não estamos mais sob a lei e ordenhados a fazer algo; estamos sob a graça e Senhorio de Cristo. O que oferecemos para Deus de nossas coisas temporais deve ser feito como um transbordamento de um coração cheio – um coração que está desfrutando tudo o que a graça tem feito por nós. Na questão do Senhorio de Cristo, devemos lembrar que não pertencemos mais a nós mesmos; nós e tudo o que temos, pertencem a Outro. O Senhor nos comprou e somos d'Ele. Um poeta expressou isso assim:

"Nada do que possuo eu digo que é meu, Eu o mantenho para o Doador; Meu coração, minha força, minha vida, meu tudo, São d’Ele, e d’Ele para sempre."


E Davi disse para Deus: “Porque tudo vem de Ti, e da Tua mão to damos” (1 Cr 29:14), quando ofereceram generosamente para a construção do templo.


Sacrifícios Cristãos – Doação Cristã

Um importante assunto a se considerar, quando um jovem casal estabelece o seu lar; é a questão da doação Cristã. Talvez, o marido e a mulher já tinham a sua própria maneira de fazer isso antes de se casarem; mas agora, devem ter o mesmo pensamento nessa muito importante parte do sacrifício Cristão. Sabemos que há uma tendência de evitar mencionar sobre este tema e abster-se de qualquer coisa que possa parecer colocar os santos de Deus de volta sob a lei, onde eles eram obrigados a dar quer quisessem ou não. Concordamos com tudo isso, mas não deveria haver uma atitude de gratidão a Deus, que faz tanto por nós? Desfrutaremos de todas as Suas bênçãos, como a salvação, a vida eterna, tudo o mais; sem nada Lhe oferecer de nossa parte? Ou devemos aceitar todas as abundantes bênçãos nas coisas temporais e usufruir delas nós mesmos e em nosso lar? Responder "sim" a essas perguntas, seria colocar o Cristão numa posição menos digna do que o Judeu do passado. Se o Judeu tinha que dar, certamente o Cristão deveria desejar fazê-lo.


Há princípios no Novo Testamento sobre a maneira de dar. O Cristão deve dar segundo a maneira como Deus o havia prosperado. Se Deus nos dá muito, então devemos ter muitos motivos para dar aos Seus filhos que estejam necessitados, e para o avanço da obra de Cristo neste mundo. Deus não nos obriga a dar, mas a Deus agrada ver uma alma generosa: “A alma generosa engordará” (Pv 11:25). Quando o apóstolo Paulo estava escrevendo aos coríntios sobre doação, ele comentou: “Graças a Deus pelo Seu dom inefável” (2 Co 9:15 – ARA). Pode alguma doação se comparar a d'Ele? Nunca! “Mais bem-aventurado é dar que receber” (At 20:35 – ARA), e Deus certamente reservou a parte "mais bem-aventurada" para Si mesmo.


Deus não quer que demos além das nossas possibilidades. Devemos ser sábios nisso, mas ainda assim o próprio Senhor Jesus louvou a viúva pobre que deitou suas “duas pequenas moedas”. Elas estavam assim divididas para que ela pudesse guardar uma delas e dar 50% do que tinha. Mas não cremos que ela tenha passado necessidade como resultado da sua abnegação. Ó, que bom seria quando os Cristãos dessem de seu sustento, fizessem isso como ao Senhor! Então, o homem não teria um lugar indevido, nem esperaria controlar o que é feito com aquilo que ele dá ao Senhor.


Um outro ponto em dar, ou na preparação para dar, é deixar separado “no primeiro dia da semana” (1 Co 16:2). Isso indica certa regularidade em separar uma porção dos nossos rendimentos para o Senhor. Cremos que essa regularidade de deixar separada uma porção do nosso rendimento para o Senhor é que é pretendida nesse versículo, não uma lei que deva ser cumprida no primeiro dia da semana. Talvez deva ser feito no momento que recebemos nossa renda. As pessoas tem razão em se horrorizar ao falar de dar de forma sistemática, mas, ainda, se não for definido um plano ou procedimento no lar para deixar separado de nosso ganho para o Senhor, somos muito propensos de usar tudo para nós mesmos. Um irmão uma vez disse; quando ele tomou esse versículo literalmente e começou a separar uma porção regular de seus ganhos para o Senhor, o Senhor recebeu muito mais do que quando ele costumava pensar que uma certa porção do que tinha no banco era para o Senhor. Se houver o exercício prático desta palavra “cada um de vós ponha de parte, em casa” (como a melhor tradução de 1 Co 16:2 [ARA] é), haveria com mais frequência algo em mãos para dar quando a ocasião se apresentasse.


O que temos a dizer aqui tem direta relação com nosso capítulo anterior. Ao estabelecer o lar com um padrão de vida proporcional com os rendimentos, a porção do Senhor não deve ser negligenciada. Nenhum Cristão é compelido a dar, nem a dar liberalmente, mas é um abençoado privilégio; “Porque aos que Me honram, honrarei” (1 Sm 2:30). “Honra ao SENHOR com os teus bens [teu sustento – JND] e com as primícias de toda a tua renda” (Pv 3:9 – ARA). Esses versículos parecem conectar a oferta para o Senhor do Velho Testamento com a oferta do Novo Testamento. Deus reivindica com direito as primícias de nossa renda. Tudo vem d'Ele; foi tudo dom de Deus, embora tenhamos trabalhado para isso; pois Quem nos deu força e habilidade para o trabalho? Devemos então atrasar o reconhecimento por Sua bondade ao retornar a Ele as primícias? E quando nós realmente ofertamos ao Senhor, não devemos sofrer com isso, pois Ele é rico demais para ser devedor de qualquer homem. “Um dá liberalmente, e se lhe acrescenta mais e mais; outro poupa mais do que é justo, mas se empobrece” (Pv 11:24 – TB).


Se um novo lar é estabelecido além da renda do provedor, então o Senhor não receberá a Sua porção. E acrescentamos que devemos ser corretos antes de sermos generosos. Se um Cristão deve uma quantia em dinheiro, então ele deve pagá-la antes de dar ao Senhor. Não é conveniente pegar o que pertence ao outro e dar para o Senhor; mas então surge a questão: Como acontece isso de eu dever a outro? Alguns Cristãos compram além da sua capacidade de pagamento, fazem empréstimos futuros, e estão sempre endividados. Claramente, estão vivendo além de suas possibilidades. Estes nada têm a dar à obra do Senhor, nem como ajudar o pobre. Por quê? Porque a Palavra de Deus não está sendo seguida e seu lar está em desordem.


Por vezes perguntamos: Devemos colocar na coleta, aos domingos, tudo o que queremos dar ao Senhor? Essa certamente é uma maneira, e uma boa maneira de ofertar ao Senhor, seja para a necessidade dos santos ou para a obra do Senhor, mas há alguns casos de necessidade que surgem e que podem não estar no escopo da responsabilidade da assembleia. Se o Cristão, em casa, separar regularmente daquilo que pela graça de Deus estiver nas suas posses, para o Senhor, então, conforme Sua direção poderá estender uma mão auxiliadora para àqueles que estão necessitados. O Senhor pode também colocar em nosso coração de ter comunhão especial com determinada parte de Sua obra. Devemos “ser ricos de boas obras, liberais em distribuir, dispostos em compartilhar de sua subsistência” (1 Tm 6:18 – JND), conforme a ocasião, e conforme a direção do Senhor.


Quando o apóstolo escreveu aos filipenses, ele disse que não havia mencionado a oferta deles com vistas a que que ele pudesse receber uma dádiva, mas ele desejou o fruto que iria abundar para a conta deles. Que os constrangimentos do amor levem o povo de Deus a mais diligência nesse sacrifício que irá agradar a Deus e abundar em sua conta.


Há ainda outro sacrifício que os Cristãos podem oferecer a Deus é mencionado em Romanos 12:1: Nosso corpo pode ser um sacrifício vivo e somos exortados a apresentá-lo como tal; e em qual terreno? O da lei? Não, com base nas “misericórdias de Deus”. A grande graça que Deus nos concedeu é usada pelo apóstolo como base – uma base constrangedora – para nos exortar a oferecer “nosso corpo por sacrifício vivo”; e isso também é “agradável a Deus”. Isso exige renúncia e sacrifício próprio. Isso pode nos levar a sair e servir os santos como para o Senhor, ou fazer qualquer uma das mil coisas, em vez da desculpa própria do conforto ou do prazer. Mas aqui, novamente, isso deve ser regulado conforme nossa capacidade. O Senhor não espera mais de nós do que somos fisicamente capazes de dar.

 

O lugar da Mulher no Lar

Capítulo 18


As mulheres idosas entre os Cristãos sejam “para que exortem as moças a serem apegadas a seus maridos, a serem apegadas a seus filhos, discretas, castas, diligentes no trabalho do lar, boas, sujeitas a seus próprios maridos, para que a Palavra de Deus não seja difamada” (Tt 2:4-5 – JND).


Tito foi instruído pelo apóstolo Paulo a ensinar aos jovens o que convinha a eles, e aos os anciãos o que convinha a eles; e também foi instruído a ensinar as anciãs, assim todos juntos poderiam mostrar a sua fé Cristã nas coisas diárias da vida; mas, quando se tratava de ensinar as mulheres mais jovens, Tito deveria deixar isso para as mulheres mais velhas. Tal é o cuidado com a decência a qual é evidenciada pelas palavras do apóstolo, para que Tito fosse guardado, do perigo sutil, de dar uma atenção indevida às mulheres mais jovens. Na verdade, quanto prejuízo entre os Cristãos tem resultado as aparentes boas intenções de homens Cristãos que tomam um interesse especial no bem-estar espiritual das irmãs jovens. Até mesmo a solicitude a respeito da salvação das jovens, está cheia de graves perigos para os servos do Senhor. A idade não dá a nenhum homem uma licença para uma conduta imprópria em relação às mulheres mais jovens.


Há um lugar para a irmã mais velha (não é questão de idade, mas de ser "mais velha" em contraste com as que são mais jovens), em aconselhar as irmãs mais jovens, naquilo que honraria a Deus nos assuntos da vida doméstica. A Palavra de Deus pode ser desacreditada pelas falhas das mulheres Cristãs em cumprem adequadamente seus deveres em seus próprios lares.


Claramente, então, o lugar apropriado para as mulheres casadas é no lar, porque têm que ser “boas donas de casa” (Tt 2:4-5). Há uma tradução que diz: “diligentes no trabalho do lar” (Tt 2:4-5 – JND); e duas outras traduções “operosas donas de casa” [AIB]; e, “cuidadosas da casa” [TB]. Todavia, as mulheres casadas, hoje em dia, superam as solteiras nas posições que ocupam no mundo. É uma coisa comum no mundo que as jovens recém-casadas permaneçam nos cargos de trabalho que ocupavam quando eram solteiras, ou que voltem a trabalhar em outra empresa pouco tempo depois de haver se casado. Isso não é algo saudável para um Cristão, pois não está de acordo com a Palavra. As esposas Cristãs têm a responsabilidade definida de serem “diligentes no trabalho do lar” (JND), e dar sua atenção para o cuidado do seu marido, dos seus filhos quando os tiverem. O próprio apóstolo Paulo, escrevendo a Timóteo, disse que: as mulheres casadas “governem a casa, e não deem ocasião ao adversário de maldizer” (1 Tm 5:14). Embora o marido seja a cabeça da família, e como tal, é o responsável perante o Senhor pela conduta do lar, contudo, há um lugar no qual a esposa governa – nos afazeres do lar.


Falamos de maridos que negligenciaram suas responsabilidades, dadas por Deus, como cabeça do lar, mas, por outro lado, também sabemos de alguns maridos que querem conduzir o trabalho das suas mulheres no lar, até os mínimos detalhes. Isto também é fora de lugar.


Há dois perigos, característicos, para a mulher que trabalha em algum emprego e deixa de ocupar seu lugar designado no lar. O primeiro é que coloca em desordem as posições relativas do marido e da mulher no lar; o marido perde o senso de seu dever como provedor e supridor das coisas necessárias no lar, enquanto a mulher, em alguma medida, assume a posição do marido em ganhar dinheiro, e, assim, assume parte de seu lugar. Isso simplesmente não promove a ordem piedosa no lar. O segundo perigo é que o acréscimo de renda da mulher tende a elevar o padrão de vida da família, acima do que o marido poderia proporcionar com seu trabalho, e uma vez que o padrão de vida sobe, é muito difícil abaixá-lo. Se no futuro a mulher é compelida a desistir de seu emprego, resultará em infelicidade e descontentamento.


Por vezes, há outros perigos que espreitam a mulher casada que sai para trabalhar; que são de ordem moral e social. Elas podem ser colocadas em contato e associações com outros homens. Esses homens podem ser mal-intencionados, e, assim, a mulher Cristã ser desnecessariamente exposta à tentação. Os Cristãos, muitas vezes, têm se encontrado em lugares de grande provação e perigo, onde mal sabem qual caminho tomar, quando, se estivessem no lugar onde o Senhor os colocou, teriam escapado da provação. Abraão, que era um homem piedoso, não estava preparado para a provação que encontrou no Egito em relação a sua mulher. Mas, porque estava ele no Egito? Deus o chamou para Canaã. É bom desejar: “não nos induzas à tentação” (Mt 6:13), e é sábio não buscá-la deliberadamente.


Há uma lição saudável para nós em Gênesis 18: Apareceu o Senhor a Abraão nos carvalhais de Manre, quando “ele estava assentado à entrada da tenda, no maior calor do dia” (Gn 18:1 – ARA). Evidentemente, os dois anjos que visitaram Sodoma, foram, também, convidados de Abraão naquele dia. Que homem privilegiado foi Abraão! No Novo Testamento lemos: “Não vos esqueçais da hospitalidade, porque, por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos” (Hb 13:2).


Esses anjos não lhe apareceram como anjos, mas como homens; e então Abraão sem saber, acolheu anjos. Ele também acolheu o Senhor da glória naquele dia. Mas o que Abraão teria feito sem a ajuda e cooperação de Sara, sua mulher? Quando “os homens” disseram-lhe: “onde está Sara, tua mulher?” ele respondeu, “Ei-la, aí está na tenda” (Gn 18:9). Ela não estava afastada do seu lar, trabalhando numa vila vizinha; ela estava “na tenda”. E estando na tenda, Sara estava lá para preparar um banquete para aqueles hóspedes celestiais.


Isso não interfere em demonstrar hospitalidade aos santos, quando a mulher não é a “dona de casa”? Não há muitas oportunidades para servir assim ao Senhor que passa pela porta das tais? Não há melhor lugar para servir ao Senhor do que aquele onde Ele nos colocou de acordo com a Sua Palavra. Quem pode medir a influência de uma esposa temente a Deus que administra seu lar como para o Senhor, que reconhece seu marido como sua cabeça, e que está pronta para toda boa obra que está dentro de sua esfera? Grandes bênçãos têm vindo em todas as épocas de mulheres que mantiveram seus lugares determinados, e ali serviram a Deus. Jael não saiu de sua tenda para conquistar a vitória que o exército de Israel não conseguiu, nem usou de armas que não fossem de uso regular de uma mulher em sua tenda (veja Jz 4:18-22).


As mulheres ocupam um lugar abençoado no Novo Testamento. Marta serviu ao Senhor em sua própria casa, assim como Maria de outra maneira. Outras mulheres ministraram às Suas necessidades. A mãe de João Marcos abriu sua casa para os santos, e uma longa e contínua reunião de oração, ali foi realizada quando Pedro estava aprisionado (At 12:12). Priscila trabalhava com seu marido e lemos que a assembleia estava em sua casa enquanto moravam em Éfeso e em Roma (1 Co 16:16 – esta epístola foi escrita de Éfeso – Rm 16:3-5). Eles também levaram Apolo para casa com eles e o instruíram mais pontualmente o caminho de Deus (At 18:24-28); isso teria sido possível sem uma casa para onde levá-lo, ou sem uma Priscila nela? Febe é mencionada em Romanos 16, como tendo sido de auxílio a muitos, inclusive o próprio Paulo. Há muitas outras mulheres citadas em Romanos 16, como recebendo menção honrosa do apóstolo. De algumas é dito que trabalharam no Senhor, e uma delas trabalhou muito no Senhor; como elas fizeram isso não foi dito, mas isso é o que sabemos, há um lugar para a mulher para glorificar a Deus, e para servir a Deus sem que: “exerça autoridade sobre homem” (1 Tm 2:12 – JND), ou fale na assembleia, ambas as ações proibidas.


 

Uma Herança do Senhor

Capítulo 19


O plano de redenção de Deus não foi um pensamento que ocorreu mais tarde da parte de Deus. Não foi algo que Ele elaborou para atender uma emergência quando o pecado entrou em cena; foi um plano bem estruturado em Seus conselhos eternos. O amor de Deus exigia, para sua plena satisfação, objetos nos quais pudesse se derramar, e que esses objetos pudessem e iriam valorizá-lo como recipientes de seu infinito estoque. Ele sabia que o pecado iria estragar a Terra Adâmica, mas muito antes da Terra existir, Seus conselhos de amor tiveram o propósito de resgatar os caídos e degradados filhos de Adão em amor, e trazê-los para Si mesmo em justiça. Podemos dizer com o poeta:


“Para que os pecadores pudessem a Ele se achegar;

Esse grandioso e gracioso esquema, Deus planejou,

E o resgate também encontrou”.


“Como também nos elegeu n'Ele [Cristo] antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante d'Ele em caridade (ou amor), e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para Si mesmo, segundo o beneplácito de Sua vontade” (Ef 1:4-5). “Segundo o eterno propósito que [Ele – TB] estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Ef 3:11 – ARA).


O poeta G. W. Frazer expressou de uma bela maneira essa verdade nas seguintes palavras:


“Em conselho eterno e profundo,

Antes de o mundo ter sido fundado,

Antes dos alicerces do abismo,

Sobre o nada serem estabelecidos;

Deus para a bênção nos tem destinado,

E nos escolheu em Seu Filho amado,

Para sermos a Ele conformados,

Quando aqui nosso tempo tiver terminado”.


A medida do amor de Deus foi vista em dar o Seu Filho amado – “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o Seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio d'Ele” (1 Jo 4:9 – ARA). Mas havia mais: Deus só poderia nos trazer para Si em conformidade com Seu próprio caráter; o pecado precisava ser afastado; Seu Filho deveria morrer e sofrer o abandono de Deus naquelas três terríveis horas de trevas quando Ele, o Único sem pecado, foi feito pecado. O próximo versículo nos dá o caráter desse amor: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou o Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4:10 – ARA).


De que outra maneira poderíamos ter conhecido o amor que Deus tinha por nós? Ou como poderíamos conhecer como Ele poderia nos salvar e, ao mesmo tempo, manter Sua santidade absoluta? O envio de Seu Filho nos revela o primeiro, e a Sua morte propiciatória nos demonstra o segundo.


“Insondável maravilha!

Ó mistério divino!”


O coração de Deus Pai pôde, assim, expressar-se em amor ao trazer pobres pecadores para Si mesmo, justificados de todas as coisas, e feitos Seus filhos. E nós os filhos redimidos somos trazidos para perto d'Ele em justiça, onde podemos beber da plenitude desse amor, e em certa medida, demonstrar a resposta a esse amor. “Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4:19).


“Mas, a todos quantos O [Cristo] receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no Seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” (Jo 1:12-13).


Bem exclamou o mesmo apóstolo; “Vede quão grande caridade (ou amor) nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus” (1 Jo 3:1). Leitor Cristão, vamos ponderar esta verdade. Que possamos nos deleitar com a expressão do coração do Pai para conosco, e enquanto meditamos em Seu incomparável amor, que o Espírito Santo possa brilhar em nós a afeição recíproca que nos convém.


Nós, que fomos trazidos tão perto de Deus, também temos o privilégio de pronunciar as mesmas Palavras que Seu Filho amado usou quando Ele esteve aqui na Terra – “Aba, Pai” (Mc 14:36; Rm 8:15; Gl 4:6).


“‘Abba’, Pai — assim Te chamamos,

(Sagrado nome!) dia a dia;

Conhecer-Te é direito de Teus filhos,

Somente os filhos dizem 'Abba'.

Esta alta honra recebemos,

Teu dom gratuito, pelo sangue de Jesus;

Deus, o Espírito, com nosso espírito,

Testemunham que somos filhos de Deus.


O propósito de Abba nos deu existência,

Quando em Cristo, nesse vasto plano,

Abba escolheu os santos em Jesus

Muito antes de o mundo começar;

Ó que amor o Pai nos tinha!

Ó quão preciosos aos Seus olhos!

Quando Ele deu a Igreja a Jesus!

Jesus, o deleite de toda a Sua alma!


Embora a queda de nossa natureza em Adão

Parecesse nos afastar de Deus,

Assim era Seu conselho nos trazer

Ainda mais perto, pelo sangue de Jesus:

Pois n’Ele encontramos redenção,

Graça e glória no Filho;

Ó a altura e a profundidade da misericórdia!

Cristo e nós, pela graça, somos um”.


Deus, tendo nos trazido para esse relacionamento onde temos vida e natureza capaz de nos regozijarmos n'Ele, age, também, como um Pai para conosco. Ele nos corrige e disciplina como Seus filhos, com o fim de sermos participantes da Sua santidade (Hb 12:7-11; 2 Pe 1:4). Ele também Se compadece por nós como um pai: “Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR Se compadece daqueles que O temem” (Sl 103:13). E, Ele conforta como uma mãe faria: “Como quem recebe de sua mãe conforto, assim Eu vos confortarei” (Is 66:13 – TB).


Essas meditações nos remetem ao relacionamento entre pais e filhos. É nesse relacionamento humano que aprendemos numa frágil medida algo sobre o amor de nosso Pai para conosco, e da satisfação que obtemos dessa resposta de amor de nossos filhos. Que momento é, quando o jovem pai e a jovem mãe vê pela primeira vez seu próprio filho precioso! Que experiência emocionante é quando eles pela primeira vez seguram em seus braços aquele pequeno vivente – sua própria carne e sangue! Ondas de afetos até então desconhecidas crescem no coração de ambos.


Bem disse o salmista: “Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, Seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta” (Sl 127:3-5 – ARA).


É repreensível quando um marido e mulher Cristãos buscam escapar ou evitar as responsabilidades da paternidade. Seria melhor permanecerem solteiros do que buscar frustrar o principal propósito do casamento. Tais caminhos podem ser tolerados no mundo, mas o filho de Deus não deve buscar por sabedoria e orientação no mundo.


Deus em Sua sabedoria pode não dar filhos para alguns casais, mas isso deve ser recebido como um de Seus desígnios de amor e sabedoria, e não ser tratado com rebeldia. Também pode haver problemas físicos que surgem e limitem o tamanho da família, mas isso não é de nossa competência discutir. A Palavra de Deus diz; que as mulheres se casem “gerem filhos, governem a casa” (1 Tm 5:14), etc.


Sabemos de alguns pais, que tiveram longas e grandes dificuldades financeiras ao criar uma família, mas Deus foi suficiente para tudo, e finalmente, chegou o dia em que essas difíceis circunstâncias foram aliviadas. Então eles tiveram o gozo e o conforto de filhos que já haviam crescido. Quanta falta de comodidade e provisão muitos pais teriam em sua velhice, se não fosse pelos filhos que Deus lhes deu em sua juventude.


Gostaríamos, especialmente, de enfatizar o privilégio e bênção de sermos pais. Há seus problemas, dificuldades, e provações, mas quem pode ter o coração de um pai se não for um? Muitas e variadas são as lições que nosso Pai nos ensina ao criar os filhos. Com frequência, essa experiência é uma das mais instrutivas na escola de Deus, em nossa jornada por esse deserto, como filhos de Deus.


“Pai, Teu amor soberano buscou

Cativos ao pecado, distantes de Ti;

A obra que Teu Filho realizou

Trouxe-nos de volta, em paz e livres aqui.


E agora, como filhos diante de Ti,

Com passos alegres seguimos o caminho,

Que nos conduz a esse abençoado lugar,

Preparado para nós por Cristo, nossa Cabeça.


Tu nos deste, em amor eterno,

A Ele para nos trazer de volta a Ti,

Conforme o Teu plano sublime acima,

Como filhos semelhantes a Ele, com Ele estaremos.


Na Tua própria casa, Lá o amor divino

Repleta os brilhantes átrios de gozo;

Mas é o amor que nos tornou Teus,

Que preenche toda essa casa sem mistura alguma.


Ó graça infinita! É a que enche de gozo

Puro, todos os que adentram ali,

A natureza divina, amor sem mistura alguma,

Ao nosso coração agora são dados para compartilhar”.

 

Outro Novo Relacionamento Capítulo 20


Com a chegada do precioso bebê no lar, inicia-se um novo relacionamento. O jovem casal não mais ocupa somente o relacionamento de marido e mulher um com o outro; eles agora são pai e mãe de um recém-nascido. Uma grande mudança ocorreu no lar, pois agora são pais, experimentando as emoções e sentimentos dos pais. Com o nascimento de seu filho nasceu um novo círculo de afeições inteiramente novo. É com certeza tempo de regozijo, e nos leva a pensar no regozijo que é levado ao coração de Deus quando pobres pecadores se voltam a Ele, e em fé viva, creem no Senhor Jesus Cristo. O poeta Watts disse:


“No céu, gozo triunfante é encontrado,

Quando filhos para Deus são gerados”.


Os jovens pai e mãe agora tem um objetivo comum para suas afeições. Não há nada como o nascimento de seu primogênito para unir o coração de ambos. Certamente eles amarão cada um e todos seus filhos posteriores com o mesmo amor de pai e mãe, mas o advento do primogênito é o que os traz para esse relacionamento, e abre a fonte, até então, adormecida das afeições paternas, e dá um senso de responsabilidade paternal. Quando a mãe segura em seus braços aquele querido bebê, sua própria carne e sangue, pela primeira vez, ela aprende o que são as afeições de mãe; da mesma forma o pai experimenta os sentimentos quando carinhosamente segura seu próprio filho ou filha.


Essas afeições abençoadas são de Deus; foi Ele Quem os colocou no seio humano. Ser desprovido desse sentimento seria uma grande falta, de fato; e mostraria quanto absorvidos do espírito dos “últimos dias” quando os homens são “sem afeto natural” (2 Tm 3:1-3).


É normal para os pais serem solícitos com seus filhos, e desejem dar a eles coisas boas. O Senhor tomou conhecimento disso, e usa isso como uma ilustração dos desejos de nosso Pai de nos abençoar com coisas boas. “Se, vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais o Pai, que está nos céus, dará bens aos que Lhe pedirem?” (Mt 7:11). Que os pais se lembrem disso quando buscarem coisas boas para seus filhos.


Devemos acrescentar uma palavra de atenção, entretanto, pois a verdadeira demonstração de amor a nossos filhos não deve ser medida pelo número ou grandeza de coisas materiais que damos a eles. Pais que tem poucos recursos nesse mundo, ainda podem esbanjar afeição por seus filhos, e afeição pode ser vista e sentida onde não há nenhuma capacidade de dar presentes caros. Nem sempre o filho que tem “tudo o que o coração pode desejar” é o mais feliz; com frequência o mais feliz e mais contente dos filhos são aqueles que possuem pouco brinquedos e outras atrações. Os pais devem ser sábios em seu desejo amoroso de dar; isso deve ser temperado com moderação e ajustado à renda básica, levando em consideração todas outras questões temporais, e aquilo que pertence ao Senhor. A consideração e interesse no bem-estar de seus filhos, e em suas atividades, e pequenas coisas baratas as quais manifestam estes elementos, significam mais para eles, do que as grandes somas gastas em bugigangas, ou em brinquedos que serão esquecidos amanhã. Há também presentes inestimáveis, coisas que o dinheiro não pode comprar, que podem e devem ser dados – os tesouros da sabedoria da Palavra de Deus, conselhos sábios, e treinamento mental. Alguns desses virão diante de nós nos capítulos seguintes.


Pais carinhosos devem tomar cuidado de não tornar o filho dado a eles por Deus, num ídolo. Há o perigo de permitir que a dádiva se coloque entre os pais e o Doador. Algumas vezes, Deus tomou para Si um filho amado, quando Ele viu que o coração dos pais estava se enlaçando muito com ele.


O nascimento do primogênito para o jovem pai e mãe, traz também outros para um novo relacionamento; esses novos pais podem ter pais e mães, que pela primeira vez se tornarão avôs e avós. Sendo avós, têm suas próprias alegrias e compensações, pois eles, também, têm a oportunidade de demonstrar suas afeições para seus “filhos dos filhos” (Pv 17:6). Avós podem ser de grande e verdadeira ajuda, e influência para o bem, mas talvez haja uma maior tendência com eles do que com os pais, de mimar os netos com excesso de tolerância e presentes caros. É preciso graça e sabedoria para ser bons avós.


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