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A Nossa Vocação Celestial (Maio de 2006)

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Revista mensal publicada originalmente em maio/2006 pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


          Tema da edição

          W. J. Prost

          H. H. Snell, selecionado de Things New and Old, vol. 25, pág. 38

          J. N. Darby

          Adaptado de The Christian Friend, 1884, págs. 204-207

         J. N. Darby (Collected Writings, Vol. 15)

          H. L. Rossier, adaptado de Meditations on Joshua

          G. V. Wigram, de Ministry of G. V. Wigram

          G. V. Wigram, de Ministério de G. V. Wigram, Vol. 1, págs. 234-235ichael

          J. N. Darby, de Collected Writings, Vol. 12, págs. 381-382

          Adaptado de Words of Truth, vol. 8, págs. 38-39

          D. F. Rule

          Tema da próxima edição

          J. G. Deck

 

A Nossa Vocação Celestial


“Pai, aqueles que Me deste quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a Minha glória que Me deste; porque Tu Me hás amado antes da criação do mundo” (Jo 17:24).

 

Ele veio da glória de Deus, desceu até o mais profundo, até a cruz em toda a sua vergonha. Deus O ressuscitou dentre os mortos e Lhe deu o devido lugar de honra a Sua destra. O Pai O amou antes da fundação do mundo. Ele sabe que os Seus também O amam e, amando-O, Ele sabe que eles desejariam vê-Lo em Sua glória, tendo conhecido algo de Sua vergonhosa rejeição e morte. Estes são os que Ele quer que sejam Sua noiva. Ele não pode desejar nada além de que eles estivessem com Ele onde Ele estava indo. Nada menos poderia satisfazer o Seu coração. Logo, muito em breve, o Pai dirá a Ele: Vá, Filho, e traga-os para casa.

 

Nós somos apenas estranhos aqui;

Não desejamos um lar na Terra,

Onde só Te deram um lugar na sepultura.

Sua cruz cortou os laços que nos prendiam aqui,

Tu és o tesouro em uma esfera mais brilhante.

 

Tema da edição

 

A Nossa Vocação Celestial


Uma vocação celestial não é em si mesma exclusividade da Igreja, pois isto era conhecido até mesmo no Velho Testamento. Na primeira parte de Hebreus 11, o Espírito de Deus Se refere a homens como Abel, Enoque, Noé e Abraão, dos quais se diz no versículo 13: “Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas, mas, vendo-as de longe, e crendo nelas, e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na Terra". Então, no versículo 16, lemos: “Mas, agora, desejam uma melhor, isto é, a celestial”. Então todos esses homens procuravam pelas bênçãos celestiais, ao invés das terrenas, e com essa esperança, viveram como estranhos e peregrinos na Terra.

 

A Igreja, no entanto, tem uma vocação celestial que é única. Não somos apenas chamados para sermos estrangeiros e peregrinos, mas estamos diretamente unidos a um Cristo ressuscitado em glória. Mais do que isso, Cristo é o centro e o pivô em torno do qual todos os propósitos de Deus giram, e Cristo e a Igreja são um. Para ter certeza, os tratamentos de Deus para com os homens na Terra giram em torno de Israel, e eles serão trazidos de volta à bênção na Terra durante o dia do reino milenar. Naquele dia eles serão o centro administrativo de Deus no mundo, e o reino será governado a partir de Jerusalém. No entanto, eles não terão proximidade com Cristo e o lugar de bênção que a Igreja terá. A Igreja não somente administrará o reino com Cristo, mas ela terá aquele lugar especial de proximidade ao Seu coração que caracteriza a noiva. Ela é a noiva de Cristo, e mesmo no estado eterno, quando o reino como tal for entregue “a Deus, ao Pai” (1 Co 15:24), ela ainda é apresentada como “uma noiva ataviada para o seu noivo” (Ap 21:2 – AIBB).

 

As famílias no céu 

Mesmo no céu nem todos compartilharão desse lugar de proximidade, pois a Escritura fala de “cada família nos céus” (Ef 3:15 – JND), que nos mostra que haverá diferentes famílias no céu. Então o Senhor Jesus pôde dizer sobre João Batista: “Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista; mas aquele que é o menor no Reino dos céus é maior do que ele” (Mt 11:11). João Batista estará no céu, pois ele terá “parte na primeira ressurreição” (Ap 20:6), mas posicionalmente ele não fará parte da Igreja, e nesse sentido todos os que fazem parte da Igreja são maiores que ele.

 

O lugar de favor da Igreja 

Assim, vemos que a Igreja está em um lugar mais favorecido aos olhos de Deus. Outros foram chamados a esperar pelas bênçãos celestiais, mas somente a Igreja está unida a um Cristo ressurreto em glória. Somente a Igreja será a noiva de Cristo no céu por toda a eternidade. Uma questão surge: "Será que isso tem o efeito adequado em nossa vida?" Paulo pôde dizer aos coríntios: “pois vos desposei com um só Esposo, Cristo, para vos apresentar a Ele como virgem pura” (2 Co 11:2 – AIBB). A Igreja deve ser somente para Cristo, como uma mulher que espera o dia de seu casamento, mas ela é deixada neste mundo para ser uma testemunha viva d’Aquele que deu tudo para ter aquela “pérola de grande valor” (Mt 13:46). Que tenhamos nosso Noivo diante de nós e vivamos como aqueles que esperam por Ele que vem a qualquer momento!

 

Lembrando da nossa vocação 

Se nos lembrarmos de nossa vocação celestial, isso fará com que o caminho da fé seja simples. Nós não estaremos perguntando se está tudo bem em fazer isto ou aquilo, mas, ao contrário, sentiremos instintivamente o que é apropriado para aqueles que estão comprometidos a Cristo - o Homem que é rejeitado agora por este mundo. Nós não estaremos nos misturando com o mundo e nos rebaixando ao seu nível, mas seremos como a mulher em Cantares de Salomão que se deleitou em contar aos outros sobre as belezas de seu Amado. Se nosso coração está realmente cheio da antecipação de Sua vinda, isto aparecerá em nosso rosto e em nossa vida. Nosso anseio será ver Aquele que nos ama e morreu por nós, e desejaremos estar em casa com Ele. Por estar ausente, tudo aqui não nos interessará, embora possamos, até certo ponto, desfrutar das coisas da natureza que Ele criou e deu para o nosso bem. Mas tudo carrega a marca da morte e nós buscamos aquilo que é celestial.

 

Se pudéssemos apreender, mesmo que só um pouco, o que nossa vocação celestial significa, isso iria nos aproximar do bendito que é nosso Noivo e cuja vinda é a nossa esperança!

 

W. J. Prost

 

Contemplando-O no Céu


Quando um crente está cheio do Espírito Santo, para onde ele vai olhar? E o que vai marcar o seu testemunho? Em Atos 7:55 lemos de Estevão: “estando cheio do Espírito Santo e fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus e Jesus, que estava à direita de Deus”. Assim, aprendemos que o Espírito Santo fez com que ele desviasse seu olhar da presente provação para o próprio Senhor, onde Ele agora está na glória de Deus. Assim ele foi conduzido pelo Espírito a olhar fixamente para Aquele bendito que o amava e Se entregara por ele. Ele estava ocupado com o Homem glorificado que pouco tempo antes havia sofrido nas mãos daqueles traidores e homicidas, Aquele que, sem dúvida, estava fortalecendo a fé de Seu servo e encorajando o seu coração, apresentando a ele a visão da coroa de um mártir. Estevão não estava se lembrando de uma obra consumada feita para ele na cruz, por mais bendita que ela sempre é, mas ele estava se ocupando com a Pessoa que havia feito esta obra. Assim, o Espírito de Deus nos direciona a olhar para Cristo em glória.

 

A Pessoa 

O testemunho de Estêvão para os outros, portanto, era sobre essa Pessoa maravilhosa que agora preenchia a visão de sua alma, ocupava todas as faculdades de sua mente e enchia cada câmara de seu coração. Ele estava absorvido pelo próprio Senhor, de modo que disse: “Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus” (v. 56). De que mais ele poderia falar naquele momento, além do Homem glorificado? Que testemunho! Não era uma doutrina abstrata, por mais verdadeira ou importante que fosse, mas o que ele viu e estava ocupado era com o próprio Senhor.

 

Descobriremos que o segredo de nossa caminhada como Cristo caminhou, de crescer em graça, de manter a vida de fé e gozo – bênçãos que todos nós desejamos – se realizam no relacionamento pessoal e na comunhão com Cristo glorificado.

 

Como o Mestre 

O efeito de Estêvão estar ocupado com Cristo no céu, em toda a atratividade de Sua graça e glória, foi que ele agiu como seu Mestre, e isso sob as mais difíceis e angustiantes circunstâncias. O mártir sofredor pôde orar por aqueles que o odiavam e o trataram com desprezo: "E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado". Nós também descobrimos que quando as pedras de seus cruéis homicidas estavam se chocando contra seu corpo e o esmagando até a morte, ele silenciosamente e confidencialmente se entregou ao Senhor, dizendo: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito”! Assim, o servo sofredor na Terra, olhando firmemente para o céu e ocupando-se com o próprio Senhor, foi capaz, em certa medida, de caminhar como Ele caminhou, Aquele que, quando sofria todas as agonias da cruz, orou por Seus homicidas, dizendo: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”, e que também encerrou Seu caminho de sofrimento com “Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito”. Se quisermos manifestar os caminhos de Cristo na Terra, devemos nos ocupar inteiramente com Aquele que agora está à direita de Deus!

 

O efeito de estarmos ocupados com Ele ali pelo Espírito, como Ele nos é revelado por meio da Escritura, é que nos tornamos cada vez mais transformados de acordo com a Sua própria mente. "Mas todos nós, olhando para a glória do Senhor, com o rosto descoberto, somos transformados de acordo com a mesma imagem, de glória em glória, como pelo Senhor o Espírito" (2 Co 3:18 – JND). Assim, vimos não apenas que o Espírito Santo nos dirige a olhar para um Cristo glorificado e nos ocupar com Ele, mas também que nossos caminhos serão como Seus caminhos, nosso testemunho será o d'Ele, e nosso progresso será conforme a Sua própria mente – "de glória em glória". Que encorajador para nosso coração é nos ocupar com Ele!

 

H. H. Snell, selecionado de Things New and Old, vol. 25, pág. 38

 

Regozijo e Conflito


Existe a vida celestial, a batalha nos lugares celestiais, que acontecem no mesmo tempo da nossa jornada no deserto. Quando digo ao mesmo tempo, não quero dizer no mesmo instante, mas durante o mesmo período de nossa vida natural na Terra. Uma coisa é passar por este mundo de forma fiel, ou infiel, em nossas circunstâncias diárias sob a influência de uma melhor esperança, e é outra coisa estar travando uma batalha espiritual para desfrutar das promessas e dos privilégios celestiais e conquistarmos a vitória sobre o poder de Satanás em nome de Deus, como homens já mortos e ressuscitados, como absolutamente não sendo deste mundo. Ambas estas coisas são verdadeiras na vida Cristã. Ora, é como mortos e ressuscitados em Cristo que estamos em conflito espiritual – para fazermos guerra em Canaã, precisamos ter atravessado o Jordão. Efésios corresponde a isso, somente Efésios não traz nada a respeito de nossa morte para o pecado. É, quanto a essa questão, simplesmente o ato de Deus, nos tomando quando estávamos mortos em pecados e nos colocando em Cristo no alto. Colossenses fala parcialmente de ambos. É a vida aqui em ressurreição, mas não nos coloca em lugares celestiais – apenas nossas afeições estão lá. Por vida celestial quero dizer viver em espírito nos lugares celestiais. Cristo estava divinamente lá – nós estamos unidos a Ele pelo Espírito.

 

Tanto em Filipenses como em Colossenses a vida celestial é mencionada como algo presente, mas há separação total, mesmo aqui embaixo, entre a peregrinação e a própria vida celestial, embora a última tenha uma influência poderosa no caráter de nossa vida de peregrino.

 

J. N. Darby

 

Assentados nos Lugares Celestiais em Cristo Jesus


Pode não ser demais dizer que toda a Epístola aos Efésios é o desenvolvimento do seguinte versículo: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (Ef 1:3). Nesta declaração de louvor existem três coisas. Primeiro, todas as bênçãos para as quais somos trazidos fluem para nós de Deus como o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, isto é, com base na redenção, somos trazidos para o mesmo relacionamento com Deus como Cristo desfruta. Em segundo lugar, todas essas bênçãos espirituais são nossas por estarmos em Cristo. Terceiro, o lugar em que estas bênçãos são possuídas e desfrutadas é nos lugares celestiais. Em espírito de oração, procuremos entender esses pontos.

 

Podemos perguntar o que significa Cristo estar nos lugares celestiais, e isso nos é explicado no final do capítulo 1. Lá o apóstolo ora para que os santos possam entender “qual a sobre-excelente grandeza do Seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do Seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-O dos mortos e pondo-O à sua direita nos céus [nos lugares celestiais – ARA] (Ef 1:19-20).

 

O grande poder de Deus foi manifestado na ressurreição de Cristo. Ele foi ressuscitado do túmulo em que Ele jazia e colocado à própria destra de Deus nos lugares celestiais. Nós lemos que o Seu poder para nós é "segundo a operação da força do Seu poder, que manifestou em Cristo". Se o capítulo 1 nos dá o efeito desse grande poder em relação a Cristo, o capítulo 2 nos mostra o efeito em Seu povo. A sobre-excelente grandeza do poder de Deus nos encontrou no lugar em que estávamos mortos em pecados e nos “vivificou juntamente com Cristo... e nos ressuscitou juntamente com Ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Ef 2:5-6). Cristo cumpriu os propósitos de Deus para a glória de Deus, e Deus agiu em poder em resposta Àquele que suportou tudo para a Sua glória. O efeito é visto de duas maneiras – no lugar que Cristo ocupa e no lugar que ocupamos n'Ele – assentados n'Ele nos lugares celestiais.

 

Pode-se perguntar se estamos em Cristo Jesus nos lugares celestiais apenas no sentido de sermos vistos n'Ele como o Cabeça da nova raça. Em primeiro lugar, Cristo nunca é mencionado como o Cabeça de uma raça nesta epístola; em vez disso, Ele é chamado de Cabeça sobre todas as coisas para a Igreja. Também nos é dito que todas as coisas, seja no céu ou na Terra, serão “encabeçadas” no Cristo, mas isto é algo muito diferente. Somos abençoados com todas as bênçãos espirituais em Cristo, não apenas por meio de Cristo. Como unidos a Ele e membros de Seu corpo, somos abençoados n'Ele. Este é o ensinamento de Efésios. Lá tudo é visto do ponto de vista de Deus, o lado do propósito e, portanto, é completo. Os conselhos de Deus são cumpridos e Ele tem diante d'Ele toda a Sua Igreja assentada em Cristo. Ele nos revela isso para nos mostrar nosso verdadeiro lugar, o caráter de nossas bênçãos e a cena em que, em espírito, Ele quer que vivamos e nos movamos. Fomos feitos para nos assentarmos em lugares celestiais em Cristo. Toda a Igreja está agora diante dos olhos de Deus, e Ele a tem ali “para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da Sua graça, pela Sua benignidade para conosco em Cristo Jesus” (Ef 2:7).

 

Adaptado de The Christian Friend, 1884, págs. 204-207

 

A Vocação Celestial e a União com Cristo


A nossa vocação (ou chamado) celestial não é em si mesma nossa união com Cristo, e é muito importante fazermos esta distinção. Aqueles que têm a vocação celestial podem estar unidos. Mas a união com Cristo não é uma vocação, mas um estado, um lugar e uma posição adquiridos. Uma vocação é aquilo para o qual somos chamados por fé e nunca é em si mesma a união, embora os chamados possam estar unidos. Minha vocação é aquilo que Deus colocou diante da minha alma, como aquilo que deve formar minha alma, tendo meu coração posto sobre ela, conforme me é dado pela graça, e pela graça a ela chamada, e a Escritura trata constantemente com a alma neste terreno.

 

J. N. Darby (Collected Writings, Vol. 15)

 

O Cristianismo Terrenal


Em Josué 1:12, a Palavra de Deus se refere aos rubenitas, aos gaditas e metade da tribo de Manassés. Devemos lembrar que eles escolheram tomar sua herança no lado oriental do Jordão, porque estavam bem adaptados às circunstâncias dali (Números 32). Ora, quando chegou a hora de conquistar a terra de Canaã, eles não se recusam a entrar, como fez a geração anterior, quando os espiões fizeram seus corações derreterem. Pelo contrário, eles se associam com seus irmãos, mas não para tomar posse da Terra. Eles já haviam escolhido sua herança do outro lado do Jordão, porque o lugar era “terra de gado" (Nm 32:4).

 

Os cuidados terrenais 

O mesmo acontece com muitos Cristãos hoje. O ponto principal na vida de tais crentes são as circunstâncias desta vida, as necessidades cotidianas, tais como recintos para seu gado e cidades para suas famílias. Tais pessoas não estão, propriamente falando, com falta de fé. Pelo contrário, eles experimentam que o Senhor pode entrar com graça em todas as suas circunstâncias, Se adaptando a eles. Seu Cristianismo não é mundano, mas sim terrenal. Israel era uma figura de Cristianismo mundano quando eles se recusaram a entrar na terra com Moisés no início, mas as duas tribos e meia são o tipo daqueles que rebaixam o Cristianismo a uma vida de fé para as circunstâncias terrenais que experimentam, fazendo com que sua vida consista dessas coisas. Moisés é o primeiro a se indignar, mas depois ele os suporta, vendo que, embora sua fé fosse fraca, ainda assim era fé, e que esses laços terrenais não os separavam de seus irmãos.

 

Tal tendência a diminuir o Cristianismo para os cuidados da Terra é evidente em todas as partes. Com muita pretensão ao poder, pouco se conhece além de um Cristo em Quem confiar para seu cuidado providencial e nos detalhes, grandes ou pequenos, da vida cotidiana. Cristo é de fato conhecido como um Pastor, mas mesmo assim, quão debilmente a extensão de Seus recursos é apreciada! Os campos verdejantes não estão nos currais, nas pastagens, ou nas cidades de Gileade (a leste do Jordão), mas sim na Terra de Canaã.

 

A Canaã celestial 

É bom confiar n'Ele para tudo, mas que possamos conhecer algo do gozo da entrada, mesmo agora, lá onde um Cristo glorificado pode ser encontrado, de estar desapegado deste mundo, afastado dessa cena, para ser introduzido, morto e ressurreto com Ele, em uma Canaã celestial. Lá, o motivo da nossa caminhada não será mais “muito gado”, mas, tendo deixado tudo para trás – o ego e os assuntos desta vida – no fundo do rio da morte, estaremos prontos para lutar para tomar posse de todos os nossos privilégios em Cristo e desfrutar deles no poder do Espírito. É bom lutar contra a infidelidade e o poder de Satanás neste mundo, mas deixe que a morte e a ressurreição sejam uma realidade para nós e não apenas uma crença.

 

Princípios mundanos 

As duas tribos e meia nos chamam novamente a atenção em Josué 22. Eles haviam passado armados diante de seus irmãos para lutar contra os inimigos do Senhor na Terra de Canaã. Agora eles recebem de Josué permissão para retornar à sua herança do outro lado do Jordão. Não havia aparentemente nada neles que poderíamos considerar como falhas. No entanto, um problema logo se apresentou entre eles.

 

Quando o Cristão permite, em qualquer medida, que os princípios deste mundo governem sua conduta, sua posição se torna necessariamente muito complicada, ao passo que nada é mais simples que o caminho da fé. Dessa forma, as duas tribos e meia acharam necessário construir currais para o gado, cidades cercadas para suas famílias e abandonar suas esposas e filhos durante muitos anos. Agora, quando a oportunidade chega para eles voltarem para suas casas, uma nova complicação é apresentada. O Jordão os separa do resto das tribos e eles estão inquietos. Sua posição os expõe a uma divisão, e eles veem que pode chegar o momento em que eles serão tratados como estranhos por seus irmãos. O perigo de sua situação os obriga a estabelecer um testemunho pelo qual eles proclamam publicamente que servem a Jeová, assim como em uma ocasião anterior (Js 1:16-18); sua posição duvidosa os havia compelido a fazer uma profissão em alta voz. Então eles constroem um grande altar nas margens do Jordão dentro dos limites do seu território. Sua própria sabedoria os leva a estabelecer este testemunho. Poderia ser chamada de uma confissão de fé, contra a qual, por enquanto, nada poderia ser dito. No entanto, isso tinha a aparência de outro centro de reunião. Este ato – resultado de uma boa intenção –, tinha sabor do homem. Seu artifício para manter a unidade fez parecer que eles estavam negando-a, e eles se expõem a serem mal interpretados.

 

O pecado da independência 

Os filhos de Rúben e Gade finalmente chamaram o altar de 'o altar de Ede', que significa “um testemunho”. Com esse altar de Ede, um mal ainda maior estava em risco de se infiltrar e era que isso poderia abrir as portas para a independência. Finéias, um exemplo de zelo por Cristo, enxerga além de tudo isso. Ele traz diante dessas duas tribos e meia duas coisas que poderiam resultar desse ato – o pecado de Acã e o que havia acontecido na iniquidade de Peor. O pecado de Acã era cobiçar as coisas do mundo, enquanto Peor era caracterizado por uma aliança corrupta com o mundo religioso.

 

Que Deus nos proteja do mundanismo, da aliança com o mundo religioso e da independência, o mais sutil e perigoso de todos, porque é a raiz de todo pecado. Cristo é sempre o Santo e o Verdadeiro, e nossa responsabilidade é sermos fieis a Ele. Que possamos ser encontrados andando em santidade e dependência, sem as quais não há comunhão com Ele.

 

H. L. Rossier, adaptado de Meditations on Joshua

 

Como Ser Celestial


Qual foi o poder dos convertidos dos primeiros dias para serem celestiais? Uma coisa é ver qual é a vocação celestial e outra é conhecer a fonte de poder que torna o povo celestial. Sabemos que o Senhor Jesus foi deste mundo para o céu, o Espírito Santo desceu e o mistério da Igreja foi apresentado no ministério de Paulo. Durante o ministério terrenal de nosso Senhor, os doze tiveram a experiência pessoal do que Cristo era durante aqueles três anos e meio de convívio. Todo esse tempo os pensamentos deles estavam voltados para Ele assumindo o lugar de rei na Terra, e mesmo depois de Sua ressurreição, os seus pensamentos continuaram fluindo em torno dessa mesma ideia. Ele esteve com eles durante quarenta dias como um Homem ressurreto, e Seus pensamentos fluindo de acordo com os planos de Deus. Então eles O viram subir, mas mesmo assim eles não sabiam que Ele não voltaria naquele tempo a Jerusalém para reinar, pois Deus queria fazer mais uma oferta ao povo. Mas Ele se foi. O ímã que atraiu o coração deles havia ido para o céu, e era impossível não sentir, em pensamentos e afeições, que o céu era o cenário para eles.

 

Quando Ele estava na Terra, Pedro, Tiago e João não podiam, e não deveriam, ter seus pensamentos no céu onde o seu Senhor não estava. Ele deveria ser o centro do coração deles, seus pensamentos e afetos deveriam seguir a Ele. Isso está no fundo da questão: Como posso me tornar celestial? Mantenha firme o fato de que Cristo subiu ao céu e não voltou. Sim, Cristo foi para o céu, e agora posso conhecer o que há em mim que não está de acordo com Ele. Não diga: "Não há esperança, agora que as coisas são tão baixas e mundanas em toda parte", ou eu pensarei que você não ama a Cristo. O que você possui se você não tem Cristo? Onde você O tem? No céu. Cuide que tudo o que em você é inconsistente com Ele, seja julgado.

 

O Espírito de Deus é o poder 

O Espírito de Deus é o poder nos filhos de Deus e, como tal, todo poder está centrado n'Ele. Ele também é chamado de Espírito de Cristo e, como tal, Ele é a expressão de Sua mente e caminhos. Ele veio até você da parte de Cristo e trouxe o poder e a mente de Cristo para dentro de você. Você pode falar de sua fraqueza, pois não pode esperar nada além disso em si mesmo. No entanto, se você tem o Espírito Santo, você conhece o poder de Deus em si mesmo, e você não deve se ocupar com a sua fraqueza.

 

Os Cristãos não sentem a solenidade do fato de estarem roubando a glória de Deus. O pensamento: "Eu quero paz", não dará solenidade como: "Como ouso questionar o que Cristo fez?" A leviandade não nos põe na presença do Filho do Homem no céu. Deus retirou a cortina e nos mostrou o que está no céu. Seu Filho, tendo feito a purificação, Se assentou ali (Hb 1:3). Cristo é agora o Cabeça de Sua casa, e Ele ofusca todo o resto, embora cumpra tudo em Si mesmo.

 

Os interesses celestiais em nosso caminho na Terra 

Há uma palavra solene que gostaria de ver aprofundada no coração de todos nós. Para Israel, uma coisa foi deixar o Egito, mas outra coisa foi aquela geração cair no deserto. Não podemos passar por este lugar sem Deus e não queremos fazer isso sem Ele. Deus sabe como, não apenas mostrar visões brilhantes de glória, mas trazer o coração de um homem para aquela posição onde nada além de Abba serve para ele aqui abaixo, bem como lá em cima. Não é meramente que você deve atravessar o deserto, mas que Deus o formou para que o homem tenha a oportunidade de dizer deliberadamente: "Eu não quero ter nada que não venha de Deus em Cristo". Ele nos leva a circunstâncias nas quais Ele é o que nos serve. A Palavra de Deus sonda-nos e expõe-nos. Se você se der crédito pelo mínimo de vontade ou poder que seja, você cairá a partir desse ponto.

 

Que tipo de coração o Senhor encontra quando examina o seu e o meu? Ele Se afastará? Não, mas Ele trará a Sua mais profunda experiência para ter um efeito sobre nossa fraqueza, como Ele fez, em Apocalipse 1, com João, que caiu a Seus pés como morto. Cristo olha para a coisa mais suja que Ele pode encontrar - o coração sujo de um pobre pecador – e o torna apto para a presença de Deus. Não há nada entre você e Deus agora, tal como não há entre Deus e Cristo. Cuidado com o que você está fazendo. É no céu que sua porção está. Cuide para que seus interesses de agora sejam os eternos. Olhe para Paulo e veja se você é como ele a esse respeito.

 

G. V. Wigram, de Ministry of G. V. Wigram

 

O Poder do Nazireado


Em Lucas 2:49, o Senhor questiona Seus pais: “Não sabeis que Me convém tratar dos negócios de Meu Pai?” Qual de nós teria dito essas palavras quando tínhamos doze anos de idade? Seus caminhos eram tais que Ele apelava a eles como se devessem saber, pelo teor da Sua vida, com o que Ele estava Se ocupando. Filipenses 3 mostra como Paulo, um homem com paixões como nós, pôde trilhar o mesmo caminho, vendo e estimando a beleza de Cristo. O efeito foi, primeiro, que ele considerava todo o resto como escória por causa da excelência do conhecimento de Cristo Jesus seu Senhor, e, segundo, tendo a morte do Senhor como seu substituto e a ressurreição de Cristo como sua justiça, ele descobriu que tudo estava contra ele. Sua posição era como a do próprio Cristo, e ele poderia então dizer: "Pai". Como filho do Pai, seu pensamento se tornou, “eu quero ser como Cristo na comunhão de Seus sofrimentos”. Ele não tinha um saco com buracos, como Judas, onde ele poderia colocar as coisas da Terra. Elas eram apenas escória, e o mundo inteiro para ele era um lugar que tinha o sabor da morte de Cristo, e isso produzia nele uma espécie de náusea repugnante das coisas do mundo.

 

A associação com Cristo 

O poder do nazireado vem do conhecimento da associação com Cristo. Sendo crucificado com Ele e ressuscitado juntamente com Ele, eu gostaria de andar como Ele andou neste mundo, para ter a vida que Ele teve quando ressuscitou dentre os mortos manifestada em meus caminhos. Quão poucos tem isso em mira como seu objetivo final! Quão poucos procuram viver Cristo! O que isso produzirá? Se você e eu pudéssemos dizer: "Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?" em breve nos encontraríamos na comunhão de Seus sofrimentos. Se eu sou um filho, o Pai ainda tem Seus negócios por fazer aqui. Será que isso entra em nossa alma, assentados ao redor da mesa, quando comemoramos a morte de nosso Senhor, que nosso Pai tem negócios a serem feitos? Pelo Seu Espírito podemos descobrir que parte desse negócio Ele coloca em nossa responsabilidade, e que façamos isso, abandonando completamente o mundo e o “eu”. A extensão em que a simples fé nessa verdade levaria nosso coração a trilhar o mesmo caminho que Cristo trilhou e nos daria poder para se ocupar dos negócios do Pai é maior do que imaginamos. Cristo me trouxe e me colocou na posição correta – eu em uma, você em outra, onde há sofrimento ou não, mas como Ele quis, e onde existem os negócios de Seu Pai para serem feitos. Permanecendo na ressurreição do Senhor Jesus Cristo, consciente de que Seu Pai é nosso Pai, Seu Deus, nosso Deus, e de que temos o Espírito d’Aquele Bendito que está à destra de Deus, o propósito de nosso coração deve estar nos negócios do Pai. Você tem propósito de coração? A agulha da bússola vibra sem descanso até virar para o Norte, pois existe um propósito ali. "Cujo serviço é a liberdade perfeita" deve ser a nossa palavra. O que eu estou fazendo? Pensando nos negócios do Pai em primeiro lugar? Qual é a minha confiança sobre o que está diante de mim? O que seria se eu buscasse apenas a vontade do Pai, se eu tivesse confiança em Sua sabedoria e desejasse nada além de Sua vontade? Como eu poderia temer se não tivesse mais nada a fazer além da vontade do Pai?

 

G. V. Wigram, de Ministério de G. V. Wigram, Vol. 1, págs. 234-235

 

O Nosso Chamado e a Igreja


O chamado celestial não transmite em si mesmo o pensamento da Igreja. Poderíamos, como um conjunto de indivíduos, ser chamados, e aguardarmos ser arrebatados para o céu, e ter uma porção celestial como os irmãos em Cristo, sem saber que éramos o corpo e a noiva de Cristo. A "esperança" da Igreja é seu casamento com o Noivo, e isso é no céu. Podemos sair do céu, para o reino e a glória, mas nosso lugar é no céu, na unidade com Cristo sendo um com Ele. Somos edificados juntos para a habitação de Deus pelo Espírito, e esse é o chamado da Igreja aqui embaixo.

 

J. N. Darby, de Collected Writings, Vol. 12, págs. 381-382

 

A Vocação Celestial e a Igreja 


Pergunta: A expressão “vocação celestial [ou, chamado celestial – JND] de Hebreus 3:1 inclui somente a Igreja, ou é mais ampla em seu aspecto do que a Igreja?

 

Resposta: O escritor de Hebreus está se dirigindo a um remanescente peculiar. Eles haviam sido judeus e haviam recebido todas as bênçãos de um "chamado celestial". Esse chamado é muito mais amplo em aspecto do que a “assembleia que é o corpo de Cristo”, e inclui todos os santos do Velho Testamento, todos os quais terão parte no reino do Pai (Mateus 13). "A Noiva, a esposa do Cordeiro" terá um lugar mais elevado na glória, e nós (somente) como "a noiva" em espírito agora estamos "em Cristo Jesus", não apenas "em Cristo".

 

Existem três aspectos normais em que alguém pode ser considerado um “crente” na Escritura:

 

  1. Como alguém que tem uma esperança terrenal – um santo milenar, por exemplo.

  2. Como alguém que espera a perfeição (atual) em Cristo, em um corpo glorificado. Isto todos os santos do Velho Testamento terão (veja Hebreus 11), como também aqueles que serão mortos durante a “grande tribulação”. Estes recebem uma ressurreição suplementar antes que Cristo apareça em glória.

  3. Como alguém que viveu na Terra a qualquer momento desde o Pentecostes até o arrebatamento da Igreja. Tal pessoa, quando selada, está unida a Cristo acima e terá (como alguém que está "em Cristo Jesus") uma porção especial no lado celestial do reino como a noiva, a esposa do Cordeiro.


Hebreus, então, é dirigido diretamente àqueles que foram trazidos do judaísmo para a Igreja, ainda que grande parte da epístola seja adequada à condição daqueles que serão mortos durante a tribulação e até mesmo aqueles no reino milenar na Terra. O crente em Hebreus é visto na Terra, mas como esperando por Ele que aparecerá  “sem pecado, aos que O esperam para a salvação” (Hb 9:28). Lucas 21 nos mostra este remanescente, enquanto Mateus 24 e Marcos 13 incluem os santos do Milênio. As palavras de Davi, "Eu irei para ele" (2 Sm 12:23 – TB) são expressivas sobre o pensamento que ele se tornaria um homem celestial, e assim um participante da "vocação celestial". O herdeiro segundo a carne tinha morrido e está seguro acima. Isso traria as “fiéis bênçãos de Davi” (At 13:34).

 

Adaptado de Words of Truth, vol. 8, págs. 38-39

 

O Chamado do Alto


Ele veio de cima, da morada de Deus, para a Terra. Ele viveu em silêncio por cerca de trinta anos. Então Ele chamou discípulos para segui-Lo enquanto viajava de cidade em cidade fazendo o bem e chamando os pecadores ao arrependimento. Ele foi rejeitado, expulso e pregado na cruz. Mãos amorosas levaram Seu corpo para a sepultura e vigiavam o túmulo. No terceiro dia, Ele ressuscitou dentre os mortos e Se manifestou a eles pelos quarenta dias seguintes. Então Ele foi levado para o céu para Se assentar à direita do Pai.

 

Seguindo a Ele 

No momento em que a nuvem O recebeu ocultando-O de seus olhos, o objeto, a esperança e a vida deles não estavam mais centrados na Terra, pois seu Senhor, seu tudo em todos, estava agora no céu. Daquele momento em diante, a vida deles estava ligada ao céu. Separado no coração da Terra pela morte – Sua morte –, eles agora viviam no poder da vida em ressurreição e na esperança de Sua promessa de retornar por eles para que Ele os recebessem e os levassem para a casa do Pai onde eles estariam com Ele para sempre. Já que Ele não estaria mais com eles na Terra para cuidar deles, quando chegasse ao céu, Ele enviaria à Terra o Espírito Santo para habitar neles, os guiar e os dirigir nos assuntos da vida deles. O Espírito neles era o “selo” da redenção deles e a garantia de que, pertencendo a Ele, a porção deles era estar com Ele onde Ele estava, para contemplá-Lo em Sua glória.

 

Pouco depois de seu Senhor retornar ao céu, Estevão acusou os judeus de pecarem por terem matado o Justo, e em resposta eles o expulsaram da cidade, como fizeram ao seu Senhor, para apedrejá-lo até a morte. Ele, cheio do Espírito Santo, olhou para o céu e viu a glória de Deus e Jesus em pé à direita de Deus. Ele, clamando a Deus, disse: "Senhor Jesus, recebe o meu espírito", e adormeceu em Jesus.

 

Um homem celestial na Terra 

Mais tarde, Saulo, em sua missão de perseguir essas pessoas que eram seguidoras de Jesus, foi atingido pela luz do céu e ouviu uma voz do céu falando com ele. Chamado do alto, Ele foi obediente à visão celestial, confessando a Jesus como Senhor, e este novo homem recebeu o novo nome de Paulo. Ele teve o privilégio único de ser chamado ao terceiro céu para ver a glória que aguarda aqueles que como ele são chamados desde o alto. Deus fez de sua vida um padrão para todos seguirem – o padrão de um homem celestial que vive na Terra. Como tal, ele foi crucificado com Cristo, ele tinha Cristo ressuscitado como sua vida e tinha Cristo na glória como o único objetivo de sua vida. Ele esqueceu tudo que já estava atrás dele, para correr totalmente focado no alvo "pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (Fp 3:14).

 

Os judeus eram um povo terrenal com esperanças e promessas terrenais. Mas quando eles rejeitaram e crucificaram seu Rei, eles ficaram culpados de expulsar Aquele de Quem todas as suas promessas terrenais dependiam. Durante o presente dia da graça, essas esperanças terrenais foram colocadas de lado. Agora eles, como todos os outros homens, devem confiar em Jesus para se tornarem “participantes da vocação celestial”. O Homem no céu à destra de Deus deve ser seu Apóstolo e Sumo Sacerdote. As coisas terrenais, incluindo as coisas visíveis da adoração terrenal, são colocadas de lado e as “coisas celestiais” tomam seu lugar. Em vez de ter uma morada terrenal para Deus, a qual não estavam em condições de entrar, eles agora tinham acesso ao próprio céu para adorar – acesso por meio de Cristo, que por um sacrifício havia para sempre removido seus pecados da vista de Deus. Melhor ainda, cada um que, como Paulo, responde com fé ao chamado celestial, deixa seu lugar terrenal como judeu e se torna parte da Igreja de Deus, a nova Jerusalém celestial.

 

Terrenal ou celestial 

Hoje, todo homem começa a vida como um membro da raça de Adão, um cidadão da Terra. Como tal, ele não tem lugar nem vínculo com o céu, mas está perdido em seus pecados. O Homem do céu veio à Terra buscando e salvando aos tais. Quando encontrado, ele é redimido – redimido de sua condição pecaminosa, recebendo nova vida em Cristo, ressuscitado dentre os mortos com seu Salvador e assentado diante de Deus nos lugares celestiais. Sua cidadania – sua vida e relacionamentos – são agora celestiais, ele se importa com as coisas celestiais. O objetivo supremo de sua vida está no céu e nada pode o satisfazer plenamente, além de estar com e ser como seu Senhor onde Ele está. Ele espera por Ele, sua esperança celestial, para cumprir Sua promessa: “Certamente cedo venho”.

 

Antes, ele era do primeiro homem da Terra, terrenal, mas o segundo homem, seu Redentor, é o Senhor do céu. Ele será mudado para ter a imagem do celestial. Agora, na casa terrenal, ele geme “desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu”. Ele espera a redenção do corpo, aquela casa não feita por mãos, eterna nos céus (veja Romanos 8:23; 2 Coríntios 5:1).

 

Quando estiver em casa, no céu, ele deve compartilhar a glória com outros que desejaram “uma pátria melhor, isto é, a celestial” – outros como Noé, Abraão, Davi e João Batista que também deviam ser levados para compartilhar do reino celestial (2 Tm 4:18) e estar lá como amigos do Esposo. Quando os juízos vindouros de Deus estiverem sobre a Terra, alguns em fidelidade ao seu Senhor serão martirizados. Eles também serão chamados para o céu como parte da "primeira ressurreição".

 

Um alerta 

Cada um, agora chamado do alto, é avisado sobre o perigo de cuidar de “coisas terrenas” e de perder de vista seu “tesouro” no céu, do fato de que seu Senhor foi expulso e crucificado e, como resultado, de se tornar como aqueles que são inimigos da cruz de Cristo (Fp 3:18-20). Tais são chamados a se levantarem, encher suas lâmpadas (com óleo) e sair para encontrar seu Noivo, pois o casamento no céu está próximo.

 

D. F. Rule

 

As Glórias do Senhor Jesus


Na próxima edição, planejamos, se o Senhor nos permitir, concentrar a atenção em algumas das glórias de nosso Senhor Jesus Cristo. Quão emocionante é antecipar a resposta do Pai à oração de nosso Senhor: “Pai, a Minha vontade é que onde Eu estou, estejam também comigo os que Me deste, para que vejam a Minha glória” (Jo 17:24).          

 

Tema da próxima edição

 

O Homem Celestial

 

Chamados do alto, e homens celestiais por nascimento

(Que uma vez foram apenas os cidadãos da Terra),

Como peregrinos aqui, buscamos um lar celestial,

Nossa porção nos séculos ainda por vir.

 

Tu eras “a imagem”, na aparência humilde do homem,

Do Invisível aos olhos mortais;

Vindo do Seu seio, dos céus acima,

Vemos em Ti encarnado: “Deus é amor”.

 

Teus lábios nos revelam o nome do Pai;

Que poder ardente sentimos em todas as Tuas palavras,

Quando ao nosso coração arrebatado Te ouvimos contar

Das glórias celestiais que Tu conheces tão bem.

 

Nenhuma maldição da lei, em Ti estava a graça soberana,

E agora que glória está em Teu rosto revelado!

Tu atraíste os miseráveis e os fracos,

Teu gozo que os errantes e os perdidos procuram.

 

Esse precioso fluxo de água e de sangue

Que do Teu lado ferido fluía tão livremente,

Afastou nossos pecados de tinta escarlate,

Lavou-nos de todas as manchas e nos aproximou.

 

Somos apenas estrangeiros aqui; nós não desejamos

Um lar na Terra, que Te deu apenas um túmulo:

Tua cruz cortou os laços que nos prendiam aqui,

Tu mesmo é nosso tesouro em uma esfera mais brilhante.

 

J. G. Deck

 

“Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis”

2 Pedro 1:10

 

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