02. A Presença do Senhor

Atualizado: Mar 29

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ÍNDICE


A Presença do Senhor

A. Barry

"Nós Vimos o Senhor"

Christian Friend

Jesus no Centro

F. C. Blount

Achegue-se a Deus

J. N. Darby

Comunhão

Girdle of Truth

Evitando a Presença do Senhor

W. J. Prost

Na Mesa do Senhor

H. C. Anstey

Horebe: O Monte de Deus

H. Smith

"Não estou Morrendo – Eu Viverei"

Things New and Old

Quando Ele está Presente

G. V. Wigram

No Fundo ou na Superfície

J. N. Darby

Circunstâncias ou Sua Presença

G. V. Wigram

Em Cristo – Cristo em Nós

Christian Friend

Nuvens que Obscurecem

J. T. Mawson

A Presença do Senhor

W. Williams (Poema)


A Presença do Senhor


Uma coisa que caracterizou Davi foi seu amor pelo lugar onde o Senhor colocou Seu nome, onde a presença do Senhor era encontrada. Abra no Salmo 26:8: “SENHOR, eu tenho amado a habitação da Tua casa e o lugar onde permanece a Tua glória”. Isso foi característico de Davi em toda a sua vida, um desejo pelo lugar onde morava a honra do Senhor. Então, no Salmo 27:4: “Uma coisa pedi ao SENHOR e a buscarei: que possa morar na Casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do SENHOR e aprender no Seu templo”.


Será que valorizamos a presença do Senhor mais do que qualquer tipo de ganho que existe nesta vida? Quão fácil é permitir que coisas entrem para quebrar nossa comunhão de tal forma que não possamos desfrutar da presença do Senhor. Isto é uma perda irreversível. Você não pode estimar que grande perda é para sua alma! Deus em Sua infinita graça nos mantém de tal forma que estaremos sempre em um estado capaz de entrar imediatamente na presença do Senhor, assim como Davi, e então aprender mais de Sua beleza. Assim, quando os problemas vierem, porque virão, o Senhor nos esconderá em Seu pavilhão (Sl 27:5).

A. Barry (adaptado)

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“Nós Vimos o Senhor”


As escrituras nos dizem: “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1 Co 1:9). A nossa parte é habitar e repousar na aceitação dessa obra consumada, e depois aprender mais e mais sobre Aquele que fez todo o trabalho por nós.


Se olharmos para Romanos 8, descobriremos que fomos feitos “filhos e filhas do Senhor Deus Todo-Poderoso”. Isso é algo grande demais para o coração do homem conceber. Se nosso coração compreendesse completamente estas verdades, o mundo seria como um nada. É certo que devemos andar com a consciência de que possuímos isso que é inalterável, em meio a tantas coisas que são falhas.


Ao olharmos mais além, para a aparição da “manhã sem nuvens”, a parte mais brilhante para nós deveria ser o pensamento de estarmos na companhia eterna do Cordeiro. Nosso coração jamais estará satisfeito, existe um vazio nele que não pode ser preenchido por nada além da presença de Jesus.


As manifestações pós-ressurreição

Veja as misteriosas manifestações do Senhor Jesus para Sua Igreja durante os quarenta dias, depois de Sua ressurreição, mas antes de Sua ascensão. Elas eram variadas e pretendiam, creio eu, descrever a maneira pela qual, durante Sua ausência, Ele se manifestaria a Si mesmo de acordo com as diversas necessidades de Seu povo. Maria estava em uma determinada condição (Jo 20:14), os discípulos trancados dentro do cenáculo em outra, Tomás numa terceira condição, mas o Senhor foi ao encontro de cada um deles e os satisfez com Sua presença. Que benção é ter o Senhor conosco para podermos perceber a verdade que existe na palavra: “a vossa alegria, ninguém vo-la tirará” (Jo 16:22).


O Senhor tinha sido tirado daqueles discípulos. Maria chorava em Seu túmulo. Os dois estavam tristes enquanto iam para Emaús. Eles puseram o coração n’Ele. Foram atraídos por Sua graça. Eles O tinham como o Filho de Deus. O que quer que ansiassem e esperassem, esperavam n’Ele. Mas agora o seu Senhor, que era a alegria, a esperança, o tudo deles, tinha ido embora! Mas quando o “pouco tempo” acabou, a “tristeza se transformou em alegria”. Ele voltou para ser o companheiro eterno deles. Podemos ter provações e adversidades de formas variadas, mas ainda assim a palavra é: “Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós” (Jo 14:18).


O Senhor no meio

Quando estamos reunidos biblicamente, somos chamados a esperar pelo Senhor em nosso meio. Se é verdade que o Senhor habita em nosso meio e, se nos reunimos na expectativa de Sua presença, devemos ser capazes, pelo sentimento de estarmos em Sua presença, seja com alegria ou como se nos sondasse, de dizer quando partimos: “Vimos o Senhor”.


Maria esperou pelo Senhor no jardim com tanta ignorância e obscuridade, mas seu Senhor era seu objetivo. Ela preferiria tê-Lo morto, do que não tê-Lo de forma alguma. Ela chorou em Seu túmulo, embora não questionasse sobre o perdão de seus pecados. Podemos ser lavados, purificados e justificados, mas se não tivermos o entendimento da companhia de Jesus, podemos muito bem chorar por causa disso.


Deveria ser igualmente assim em nossa comunhão privada, quando estamos sozinhos, quando experimentamos o Espírito nos revelando Cristo, abrindo-O para o deleite de nosso coração, e nos capacitando a dizer: “Temos visto o Senhor”. Que andemos de tal maneira que a promessa da morada do Pai e de Seu Filho Jesus Cristo possa ser experimentada diariamente por nós.


“Jesus respondeu e disse-lhe: Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra, e Meu Pai o amará, e viremos para Ele e faremos n'Ele morada” (Jo 14:23).

Christian Friend (adaptado)

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Jesus no Centro


“Vós procurais a Jesus” (não como Salvador, mas como Centro) descreve um estado de alma raramente encontrado nestes dias, tal é a confusão da Cristandade, e tal é a nossa indiferença à Sua presença “no meio”. “Lá Me verão” é a resposta d’Ele a esse desejo (Mt 28:10). Aqueles que foram, quão docemente e verdadeiramente O encontraram. Em conformidade com a designação de Jesus, “eles O viram” e “adoraram-No”. Então receberam aquela Palavra que sustenta a alma e que, apesar das dificuldades e das trevas que se seguiriam, eles O teriam “no meio” até o fim dos tempos.


Nada pode nos tirar esse privilégio indescritível. Ele é Bom “até o fim”, para aqueles que foram ao Seu encontro (Mt 28). Compare Mateus 1:23 e 18:20. Sinto a necessidade de perguntar, com profundo exame do coração, diante do Senhor, até que ponto estamos à altura desse privilégio com este estado de alma que temos. Até que ponto temos nos sentido subjugados pela Sua presença, para que possamos dizer como adoradores, como aqueles que estão no interior com alegria profunda e solene: “Na verdade o SENHOR está neste lugar”? Aqueles para quem “as reuniões são secas” e “decepcionantes” pertencem à classe daqueles a quem é dito: “Alguns duvidaram”. Que o Senhor mantenha em nós uma fé vigorosa e o senso arrebatador de Sua presença. Não é uma amostra do céu, o que Aquele Bendito tem o prazer de definir como: “Onde estou”?

F. C. Blount

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Achegue-se a Deus


Tiago 4:8 nos exorta: “Chegai-vos a Deus, e Ele se chegará a vós”. Nisso é mostrada a dependência ativa do coração. Graças a Deus, nós podemos nos aproximar d’Ele! Seu trono é para nós um trono de graça: Podemos entrar em Sua presença sem medo, por causa do Seu amor, e entrar no santo lugar pelo precioso sangue de Cristo. Quando estamos perto d’Ele, aprendemos a santidade, discernimos Sua vontade, nossos olhos podem ver claramente nesta atmosfera pura. O coração está sujeito, pois o segredo do Senhor está com aqueles que o temem. Nós andamos com Deus, mas como aprendizes de Deus, e todo o corpo está cheio de luz. Então Ele está conosco, Ele se aproxima de nós e nos inspira com confiança. “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” diz o apóstolo (Rm 8:31). Não é só a força de Deus que está conosco, mas a Sua presença produz liberdade e confiança em nosso coração, pois sentimos que temos o conhecimento de Sua vontade, já que Ele está conosco. Sentirmos a Sua presença nos dá alegria, calma e coragem na presença do inimigo, e nas dificuldades que encontramos no caminho, descansamos n’Ele. “Tu os esconderás, no secreto da Tua presença, das intrigas dos homens; ocultá-los-ás, em um pavilhão, da contenda das línguas” (Sl 31:20). A presença de Deus, uma coisa verdadeira e real para o coração, mantém a consciência desperta e o coração cheio de calma confiança. Aproxime-se d’Ele! Mas, para fazer isso, as mãos devem estar limpas e o coração purificado, para que em nada tenhamos o ânimo dobre. Deus é luz e Ele permitirá pureza e integridade no homem interior. Cheio de bondade e condescendência, Ele é rápido para ajudar aos fracos, mas Ele fecha os ouvidos para todos os que têm o ânimo dobre. Ele procura uma caminhada pura e um coração sincero naqueles que buscam aproximar-se d’Ele. Não pode ser de outro modo. Ele se mantém distante daqueles cujo coração não está aberto em Sua presença. Ele vê tudo, mas para que Ele ouça, o coração deve ser sincero.

J. N. Darby

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Comunhão


O que é comunhão? É ter algo em comum com alguém sobre uma condição apresentada. A palavra em grego, traduzida por comunhão, é usada vinte vezes no Novo Testamento e em todos os casos têm esse significado. Em algumas passagens trata-se de comunhão em ações e não de sentimento, enquanto em outras passagens a palavra é aplicada ao sentimento e não ao ato, e isso determina mais claramente seu significado moral. Primeiro encontramos em Atos 2:42, onde lemos: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações”. Assim, eles expressaram, pela primeira vez na história do povo de Deus na terra, a percepção de que estavam interagindo em um sentimento coletivo. Isso é ainda transmitido de maneira mais plena em 1 Coríntios 10:16, nas palavras “comunhão do sangue de Cristo”, que nos ensina que devemos ter um sentimento em comum com o que o sangue de Cristo indica e fornece.


A palavra é usada em sua mais alta enunciação doutrinal em 1 João 1: 3: “Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho, Jesus Cristo”. Nosso sentimento nisso pode ser fraco e ambíguo, mas permanece o fato de que o que temos de maneira imperfeita vai ao encontro do que o Pai e o Filho têm perfeitamente.


Introdução à comunhão

Êxodo 29 apresenta de uma forma muito bela todo o assunto da comunhão: nossa introdução nela e nosso progresso para a mais alta ordem e experiência dela. Primeiro, há expiação e o lavar de tudo o que a alma requer para sua aceitação, sem a qual não poderia haver comunhão. Então há consagração, transmitindo que, como aceito, estamos agora prestes a ser introduzidos em um sentido completo e perfeito de nossa bem-aventurança, e isso como sendo algo preliminar e essencial para o serviço. Havia dois carneiros, um é totalmente oferecido, o que tipifica nosso Senhor indo a Seu Pai e nosso Pai, Seu Deus e nosso Deus. O outro é o carneiro da consagração, que também O representa, mas apreendido e apresentado por nós enquanto O possuímos e O mantemos em nossas mãos. Nós temos a gordura e o ombro direito. A gordura fala de Sua excelência e a glória que é declarada na ressurreição em consequência da Sua morte, enquanto o ombro direito transmite o poder de Sua ressurreição. Estes eram apresentados pelo Sumo Sacerdote e aceitos por Deus como cheiro suave, enquanto o peito era movido por Moisés (tipificando a Cristo como sendo o Filho de Deus) e representando as afeições do coração d'Aquele que foi enviado, não queimado, mas eternamente entregue por nós. Terceiro, o resto do carneiro era comido por Arão e seus filhos no lugar santo.


Três ordens

Baseado nesta figura, eu sugeriria que existem três ordens ou divisões, por assim dizer, de nossa comunhão, que embora consequentes umas das outras, ainda podem ser vistas como sendo distintas. Primeiro, temos comunhão com Cristo onde Ele está, nos lugares celestiais. Em segundo lugar, compreendemos e entramos em Suas excelências. Terceiro, temos a consciência da força e do apoio que vêm d’Ele, pois nos dá de Si mesmo como apoio aqui embaixo: Isso é comer no lugar sagrado. Essas três divisões são estabelecidas no primeiro carneiro (totalmente oferecido) e nas duas partes do segundo (o carneiro da consagração).


Eu disse que a primeira ordem é a comunhão com Cristo onde Ele está. A alma tem consciência de participação com Aquele que é a nossa vida e naquele lugar para o qual Ele foi. Mas a segunda ordem é ainda maior, que é a consagração ou preenchimento. O entendimento da excelência, do poder e das afeições de Cristo dá força e habilidade à nossa alma para julgar e determinar todos os caminhos de Deus na Terra e fazer de um homem o que o apóstolo chama de “espiritual, julgando todas as coisas”. Essa é uma participação de Sua mente, uma partilha de Seu julgamento das coisas.


É evidente que essas duas ordens de comunhão são muito diferentes e bastante distintas. Em ambos os casos eu estou, por assim dizer, na companhia de Cristo, mas posso ter uma grande medida de apreciação de minha posição sem aquela intimidade com Sua mente. Podemos ilustrar os dois em um sentido inferior pelo exemplo de Pedro e João em João 13. Ambos estavam na presença do Senhor, mas Pedro não conhecia a Sua mente, enquanto João desfrutava de intimidade. Assim também foi com os dois discípulos indo para Emaús, quando o coração deles “ardia [...], quando ele, [...] nos expunha as Escrituras”. Embora não soubessem, eles estavam em comunhão tanto com Sua presença quanto com Sua mente, avançando mais profundamente nela. Muitos são os abençoados pela consciência de sua participação com Ele lá, mas que não conhecem a intimidade que os capacita a entrar nos Seus sentimentos, gostos e julgamentos de todas as coisas. Essa é a diferença entre piedade e espiritualidade: A piedade se refere em tudo a Ele, já a espiritualidade, aos sentimentos e pensamentos d’Ele.


A terceira divisão

E agora, quanto à terceira divisão de nossa comunhão, que é intimamente ligada à segunda, é o resto do carneiro da consagração, comido por Arão e seus filhos no lugar santo (v. 32). Aqui obtemos a força e nutrição para nossa alma vindas do entendimento e comunhão tipificadas pela outra parte do carneiro, queimada e movida. É a comunhão uns com os outros, assim como com o Sumo Sacerdote. Nós nos alimentamos dela juntos, “Se, porém, andarmos na luz, como Ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros” (1 Jo 1:7). É o efeito de compreender com todos os santos “qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade”, e o efeito deve ser o de estar “tomados de toda a plenitude de Deus” (Ef 3:18-19).


Em conclusão, este capítulo (Êxodo 29) nos apresenta, em figura, os meios pelos quais somos introduzidos, nessa posição e experiência abençoadas, em nosso caráter sacerdotal. A primeira coisa é aceitação, a segunda, comunhão, da qual temos três divisões, a saber, a primeira que é a participação posicional com Cristo, o poder do qual a alma entra na oferta do primeiro carneiro. A segunda, o do entendimento de Sua excelência, interação mental de pensamento e sentimento, como estabelecido pela gordura, ombro e peito do carneiro da consagração. E a terceira, aquela de força e nutrição derivada d’Ele, com Ele e uns com os outros, enquanto permanecemos com Ele no céu, comendo o que sobrou, no lugar santo.

Girdle of Truth (adaptado)

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Evitando a Presença do Senhor


Na Palavra de Deus encontramos exemplos de incrédulos e crentes que não queriam estar na presença do Senhor. Vamos primeiro considerar os incrédulos.


Caim é o exemplo mais notável de alguém que “Retirou-se da presença do SENHOR” (Gn 4:16). Conhecemos bem a história, como ele ficou muito zangado porque seu sacrifício do “fruto da terra” (Gn 4:3) não foi aceito pelo Senhor. Como resultado, ele assassinou seu irmão, mentiu sobre isso, reclamou que sua punição era severa demais e finalmente saiu da presença do Senhor. Ele então saiu e construiu uma cidade e sua posteridade começou a se desenvolver na agricultura, indústria e entretenimento. O mundo que ele estabeleceu permanece em princípio no sistema mundial de hoje. É um mundo que não quer Deus, mas procura cercar-se do maior conforto possível em um mundo amaldiçoado pelo pecado. Suas preocupações são apenas com a vida aqui embaixo.


Afastamento do Senhor

Nós lemos em outro lugar na Palavra de Deus que “o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Rm 8:7). Jó também resume a atitude e a vida dos ímpios: “Retira-Te de nós! Não desejamos conhecer os Teus caminhos” (Jó 21:14). Nosso próprio Senhor disse: “Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem arguidas as suas obras” (Jo 3:20). Mesmo que um homem viva uma vida exteriormente correta, ele evita a presença do Senhor, pois a menos que o Senhor comece uma obra em sua alma, a presença de Deus imediatamente o convence e ele percebe que, em seu estado natural, ele não está apto para estar ali. Ele não precisa ser um assassino como Caim para querer manter-se afastado da presença do Senhor.


Judas Iscariotes

O outro exemplo proeminente de alguém que eventualmente saiu da presença do Senhor é o de Judas Iscariotes. Como Caim, ele sabia quem era o Senhor e, sem dúvida, admirava a bondade do Senhor Jesus e Sua maneira de andar entre os homens. Ele tinha um testemunho muito maior do que o de Caim, pois ele acompanhou o Filho de Deus por três anos e meio e compartilhou de Seu ministério terreno. Sem dúvida ele até mesmo pregou e fez milagres em nome do Senhor. No entanto, seu coração permaneceu intacto e, no final, ele traiu seu Senhor e Mestre por dinheiro. Em João 13, quando o Senhor lhe disse: “O que pretendes fazer, faze-o depressa”, está registrado que “Ele, tendo recebido o bocado, saiu logo. E era noite” (vs. 27, 30). Ele deixou a presença d'Aquele que o amava e desejava ser seu Salvador, preferindo a companhia de Satanás. Seu triste final é bem conhecido, e as solenes palavras de nosso Senhor a respeito dele ressoam pelos séculos: “Melhor lhe fora não haver nascido!” (Mc 14:21).


Será um triste fim para todos os que resistem ao Senhor agora durante suas vidas, pois lemos que num dia vindouro, eles “sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor” (2 Ts 1:9). Aqueles que rejeitarem Sua presença neste mundo, serão banidos de Sua presença por toda a eternidade como resposta. O horror de tal julgamento não pode ser descrito.


Crentes que evitam Deus

Mas e quanto aos crentes? Eles também podem, às vezes, desejar evitar a presença do Senhor? Sim, de fato, e temos exemplos disso nas Escrituras. Novamente, dois exemplos vêm à mente.


O primeiro é o de Adão e Eva que, quando desobedeceram a Deus, foram e “esconderam-se da presença do SENHOR Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim” (Gn 3:8). Eles não eram como Caim, que queria ficar permanentemente longe da presença de Deus, não, eles tinham fé, mas haviam perdido a comunhão com Aquele que queria desfrutar de sua companhia. O julgamento se seguiu e eles perderam o Jardim do Éden. Mas um remédio foi providenciado. Eles estavam vestidos com casacos de pele. A morte teve que entrar, um tipo da morte de Cristo, o que providenciaria a salvação eterna. Eles foram restaurados à comunhão, e outro filho, Sete, deu início a família de fé.


Jonas fugiu do Senhor

Outro exemplo proeminente é o de Jonas, que “se dispôs, mas para fugir da presença do SENHOR, para Társis” (Jn 1: 3). Sua dificuldade era diferente da de Adão e Eva, mas em princípio era a mesma coisa. Ele não queria obedecer ao Senhor. Ele era um profeta e, como tal, conhecia não apenas o julgamento de Deus, mas também Sua graça. No entanto, ele não queria ver essa graça dada ao povo de Nínive. Seu orgulho levou-o para longe do Senhor, mas o trato do Senhor com ele o trouxe de volta e ensinou-lhe que a graça de Deus não era apenas para Israel, mas para todos os homens. Ele também era apenas um troféu da graça de Deus.


Nós, que conhecemos o Senhor, não fugimos de Deus porque tememos Seu julgamento sobre nossos pecados, mas pode haver a inclinação em nossos corações de fugir de Sua presença porque estamos permitindo que a carne atue em nosso coração e nossa vida. É por isso que o Cristão infiel geralmente é infeliz, ele não se sente confortável em nenhum lugar. Se ele sai ao mundo, sua consciência o incomoda. Se ele está entre os Cristãos fiéis, mais uma vez ele não se encaixa. O único remédio é voltar à presença do Senhor, confessar o pecado e se acertar com Ele. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1:9).

W. J. Prost

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Na Mesa do Senhor


Há momentos em nossa vida que Deus, em Sua graça, se achega muito perto e nos torna sensíveis à Sua presença e amor, quando a alma redimida prova por um momento o gosto daquele futuro eterno que a aguarda. De nenhuma outra forma isso é mais claramente percebido aqui na terra do que naquilo que era o deleite da Igreja no princípio: “ajuntando-se os discípulos para partir o pão” (At 20:7).


Não devemos jamais perder a sensação de sua presença conosco e do que a graça tem feito. Ele está sempre conosco e existem os eternos, e consequentemente imutáveis, raios de sol do Seu favor que irradiam sempre sobre nós. As nuvens não são d’Ele, embora às vezes Ele permita que elas venham. A maioria de nós tem momentos em nossa vida quando não é Deus e a plenitude de Sua graça que estão mais evidentes diante de nós, mas sim a pressão de outras coisas. É a hora em nossa vida quando estamos “perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos” por um período de opressão por meio de múltiplas tentações. Em tal época, Deus frequentemente vê que existe uma "necessidade", como diz Pedro.


A bondade do Senhor

Mas Ele é O que Se levanta. “Deus, que consola os abatidos”, faz isso Ele mesmo. A maneira como Ele trata conosco nestas situações tem sido a maneira de Sua graça tratar a todo o Seu povo desde o princípio. Ele faz Sua bondade passar diante de nós, e somos curvados pela visão disto diante d’Ele. Assim foi com Moisés (Êxodo 33). Quando esmagado e quase em desespero por causa do povo, ele desejava ver a glória de Deus. O Senhor disse: “Eu farei passar toda a Minha bondade por diante de ti” (v. 19). Mas o que Deus faria por ele, para que ele não fosse esmagado por aquela glória? “Te porei numa fenda da penha e te cobrirei com a minha mão, até que Eu haja passado” (Êx 33.22). “Passando, pois, o SENHOR perante a sua face, clamou: JEOVÁ, o SENHOR, Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade […] E Moisés apressou-se, e inclinou a cabeça à terra, e encurvou-se” (Êx 34:6, 8). O que ele poderia dizer, estando protegido ali, enquanto observava e ouvia tudo? Ele se apressou, inclinou a cabeça e adorou. Assim é sempre, e assim também é conosco sempre que Ele nos faz sensíveis à Sua bondade e à Sua presença.


“Quem sou Eu?”

Assim foi também com Davi quando ele entrou e sentou-se diante do Senhor. Faltavam palavras, ou elas simplesmente morreram no silêncio, o silêncio da adoração, pois ele também estava contemplando a Deus, que fizera com que Sua bondade passasse diante de Sua alma. “Quem sou eu, SENHOR Deus? E qual é a minha casa, que me trouxeste até aqui? […] Que mais Te dirá Davi, acerca da honra feita a Teu servo? Porém Tu bem conheces o Teu servo” (1 Cr 17:16, 18). Isso é tudo que ele pôde dizer. Tanto as palavras como as expressões fracassam enquanto o coração se inclina em adoração e ação de graças, pois a expressão ou a linguagem não são necessárias para a adoração, muitas vezes o silêncio marca isso. Somos chamados a contemplar “toda a Sua bondade” estando em um abrigo, “com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor”, vemos Jesus (que foi feito um pouco menor que os anjos para o sofrimento da morte) “coroado de glória e honra”. Em breve, nossa porção será vê-Lo como Ele é, mas o Espírito frequentemente faz com que toda a Sua bondade passe diante de nós.


Reunidos para partir o pão

É como estando abrigados e, além de tudo, como convidados a ouvir e participar do desdobramento de toda a bondade de Deus, que estamos reunidos para partir o pão em cada primeiro dia da semana. Que saibamos como valorizar o privilégio