A Voz e a Vontade do Senhor (Dezembro de 2025)
- Revista O Cristão

- 5 de dez. de 2025
- 35 min de leitura

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Revista mensal publicada pela Bible Truth Publishers
ÍNDICE
C. H. Mackintosh
J. N. Darby
J. N. Darby
E. J. Checkley (adaptado)
W. J. Prost
E. Dennett
The Remembrancer, 1899 (adaptado)
Girdle of Truth, Vol. 5
W. Kelly (adaptado)
A. B. Pollock
E. Dennett
George Muller
H. Bonar
A Voz e a Vontade do Senhor

Em todas as épocas, o caráter de servo é assinalado pelo Espírito Santo como alguém de valor especial. É a única coisa que permanecerá em tempos de declínio geral. Temos inúmeros exemplos disso na Escritura. Quando a casa de Eli estava prestes a cair diante do juízo divino, Samuel ocupou a posição de um servo cujos ouvidos estavam abertos para ouvir. Sua palavra foi: “Fala, porque o Teu servo ouve”.
Quando todo o Israel tinha fugido da face do guerreiro filisteu, o caráter de servo em Davi novamente se destacou de modo proeminente, “Teu servo irá, e pelejará”. O próprio Senhor Jesus teve o título de Servo aplicado a Ele nas palavras do profeta: “Eis aqui o Meu Servo”. Além disso, com o fracasso da Igreja, quando ela deixou de ser “a casa de Deus” e se tornou a “grande casa”, o servo do Senhor foi instruído sobre como ele deveria se comportar.
Uma das características especiais da Jerusalém celestial é que “os seus servos O servirão”. Quando um espírito mundano ameaça, qual é o remédio? Um pouco da mente do espírito que nos levaria a dizer: “Fala, Senhor, porque o Teu servo ouve”. Que o Senhor nos conceda mais desse espírito!
C. H. Mackintosh
Conhecendo a Vontade de Deus
"Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso" (Mt 6:22 – ARA). As pessoas gostariam de um meio conveniente e confortável de conhecer a vontade de Deus, como se pudesse obter uma receita para qualquer coisa, mas não existe nenhum meio de descobri-la sem referência ao estado de nossa própria alma.
Além disso, muitas vezes somos demasiadamente importantes aos nossos próprios olhos, e nos enganamos supondo haver alguma vontade de Deus neste ou naquele caso. Deus talvez não tenha nada a nos dizer sobre tal questão, sendo que o mal está totalmente na agitação que causamos a nós mesmos. A vontade de Deus talvez seja que tomemos silenciosamente um lugar insignificante.
Além disso, às vezes buscamos a vontade de Deus, desejando saber como agir em circunstâncias nas quais não é Sua vontade que sejamos encontrados.
Esteja certo de que, se estivermos perto o suficiente de Deus, não teremos dificuldade em conhecer Sua vontade. Em uma vida longa e ativa, muitas vezes pode acontecer que Deus, em Seu amor, nem sempre nos revele imediatamente Sua vontade, para que possamos sentir nossa dependência, particularmente quando o indivíduo tem a tendência de agir de acordo com sua própria vontade.
É, portanto, a vontade de Deus, e uma vontade preciosa, que só sejamos capazes de discerni-la de acordo com nosso próprio estado espiritual. Em geral, quando pensamos estar julgando as circunstâncias, é Deus Quem está julgando nosso estado. Nossa tarefa é manter-nos perto d’Ele. Deus não seria Bom para nós se Ele nos permitisse descobrir Sua vontade sem isso. Poderia ser conveniente apenas ter um diretor de consciências, e assim seríamos poupados da descoberta e do castigo de nossa condição moral. Assim, se você busca como descobrir a vontade de Deus sem isso, você está buscando o mal. É o que vemos todos os dias.
Um Cristão está em dúvida, em perplexidade; outro, mais espiritual, vê tão claro quanto o dia, e fica surpreso, não vê dificuldade e acaba entendendo que a dificuldade está apenas no estado de alma do outro.
J. N. Darby
"Guiar-te-ei com os Meus Olhos"
No que diz respeito às circunstâncias, creio que uma pessoa pode ser guiada por elas; a Escritura decidiu isso. Isso é o que significa ser mantido com "cabresto e freio" (Sl 32:9), enquanto a promessa e o privilégio daquele que tem fé é: "Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os Meus olhos" (Sl 32:8). Ele nos adverte para não sermos como o cavalo e a mula que não têm entendimento da vontade, dos pensamentos e dos desejos de seu dono. É necessário segurá-los com cabresto e freio. Sem dúvida, isso é melhor do que tropeçar e cair, e bater contra Aquele que nos refreia, mas é um estado triste ser guiado pelas circunstâncias.
Aqui, no entanto, deve haver uma distinção entre julgar o que se deve fazer em certas circunstâncias e ser guiado por elas. Aquele que se deixa guiar por elas sempre age no escuro quanto a conhecer a vontade de Deus. Não há absolutamente nada de moral nisso, mas sim uma força exterior que o arrasta. Assim, é bem possível que eu não tenha qualquer julgamento prévio sobre o que devo fazer: não sei quais circunstâncias podem surgir e, consequentemente, não posso tomar partido. Mas no instante em que as circunstâncias surgem, julgo com uma convicção plena e divina qual é o caminho da vontade de Deus. Isso exige o mais alto grau de espiritualidade.
J. N. Darby
A Santa Vontade de Deus
Deus expressou o desejo de Seu coração por um "homem conforme o Meu coração, que executará toda a Minha vontade" (At 13:22), e Ele teve esse desejo satisfeito pelo bendito Senhor Jesus, que disse: "Deleito-Me em fazer a Tua vontade, ó Deus Meu” (Sl 40:8). “o Qual Se deu a Si mesmo por nossos pecados... segundo a vontade de Deus nosso Pai” (Gl 1:4), e ensinou Seus discípulos a orar: “Seja feita a Tua vontade, assim na Terra como no céu” (Mt 6:10).
Nenhuma vontade adversa no Homem Cristo Jesus jamais guerreou contra a vontade de Deus; nenhum pensamento pecaminoso ou desejo egoísta jamais maculou a fragrância de Sua vida. Circunstâncias angustiantes serviram apenas para mostrar a perfeição de Seu coração. Ele expressou docemente Sua submissão à vontade de Deus: "Sim, ó Pai, porque assim Te aprouve” (Mt 11:26).
Para aqueles que Ele redimiu, Ele revela os maravilhosos deleites que fluem para eles da vontade de Deus, declarando que "qualquer que fizer a vontade de Meu Pai que está nos céus, este é Meu irmão, e irmã e mãe” (Mt 12:50). Assim, Ele proclamou o caráter afetuoso do relacionamento espiritual, usando apenas os laços naturais mais queridos, para ilustrar a santa intimidade entre Ele e os Seus – mais preciosos do que o mais próximo dos laços naturais.
Seu alimento
"Minha comida é fazer a vontade d’Aquele que Me enviou” (Jo 4:34), também é o alimento necessário para nutrir a vida do crente. Como um teste da realidade da fé, nosso Senhor declarou: "Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos céus” (Mt 7:21). Suas palavras asseguram a toda alma verdadeiramente confiante que a vontade de Deus garante a segurança eterna. "A vontade do Pai que Me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que Me deu se perca… a vontade d’Aquele que Me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê n’Ele, tenha a vida eterna" (Jo 6:39-40). Está registrado (Sl 40:6-8) que nenhum serviço (sacrifício ou ofertas) poderia se comparar à submissão do Senhor Jesus à vontade de Deus. Os crentes também encontram seu "deleite" em tal sujeição à vontade de Deus. Os servos de Seu gracioso propósito devem ser encontrados "fazendo de coração a vontade de Deus” (Ef 6:6).
Provando a vontade de Deus
O “experimentar" a "boa, agradável e perfeita vontade" de Deus (Rm 12:2) está condicionada à "apresentação do nosso corpo em sacrifício vivo" – sendo "cheios do conhecimento de Sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência [entendimento – ARA] espiritual" (Cl 1:9) – permanecendo "firmes, perfeitos e consumados [convencidos – TB] em toda a vontade de Deus" (Cl 4:12): "regozijando-nos sempre", orando "sem cessar", dando graças "em tudo”, segundo “a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco" (1 Ts 5:18).
Tenha certeza de que tal conformidade com a vontade de Deus é inatingível por meras resoluções ou esforços pessoais, mas com que certeza podemos confiar que o Espírito "segundo Deus intercede pelos santos" (Rm 8:27)! Também podemos confiar no poder de Deus "que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2:13). Deus concedeu uma garantia de total cumprimento; Seus termos são simples, mas excluem a dependência em qualquer coisa além daquilo que a fé se apropria. Se nos entregarmos à Sua direção bendita, provaremos o resultado feliz. O desejo de Deus é nos tornar perfeitos, "em toda a boa obra, para fazerdes a Sua vontade, operando em vós o que perante Ele é agradável por Cristo Jesus, ao Qual seja glória para todo o sempre” (Hb 13:20-21). Regozije-se porque "Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará” (Fp 1:6).
Para um exemplo diferente do bendito Senhor, a Palavra testifica do apóstolo Paulo: "O Deus de nossos pais de antemão te designou para que conheças a Sua vontade… hás de ser Sua testemunha" (At 22:14-15). Ele abandonou a obstinação quando clamou: "Senhor, que queres que eu faça?" (At 9:6). Ele registrou em cinco de suas epístolas o seu apostolado pela vontade de Deus. Registrou até mesmo sua jornada pela vontade de Deus (Rm 1:10; 15:32).
Para uma visão clara da sã doutrina, devemos também prestar atenção a João 7:17- ARA: "Se alguém quiser fazer a vontade d’Ele, conhecerá a respeito da doutrina". Subscrevendo de coração o fato solene de que há apenas uma vontade soberana no vasto universo, Jesus Se rendeu à vontade de Deus. "Cristo não agradou a Si mesmo" (Rm 15:3), então a medida da obediência da alma à vontade de Deus é Cristo.
Vontade própria
Não haverá vontade própria no céu, e lá somente a felicidade completa será conhecida. Não haverá nada além de vontade própria no inferno e consequente choro e lamentação. Tais realidades devem impressionar nossa alma a rejeitar as ofertas do príncipe das trevas, lembrando-nos de que toda vez que a vontade própria governa, pagamos o preço, como Jonas pagou. Parece custoso renunciar à nossa própria vontade, mas isso só acontece se não conseguirmos antecipar a vantagem eterna:
"Aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre" (1 Jo 2:17).
"E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa" (Hb 6:15 – ARA).
"A glória que em nós há de ser revelada" (Rm 8:18).
Enquanto isso, aqui e agora, temos a bendita certeza de que "todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito" (Rm 8:28).
A calma de uma alma que repousa na vontade de Deus é indescritível. O Salvador disse, e nós também podemos dizer: "Deleito-me em fazer a Tua vontade". Essas são palavras deliciosas aos ouvidos d’Ele e do nosso amoroso Pai. Nosso deleite em satisfazer o Seu desejo será verdadeiramente evidenciado por nossa humilde sujeição e nosso feliz reconhecimento de Sua bendita vontade, e esse é, sem dúvida, o caminho da bênção. Em meio a todas as incertezas da vida, que tenhamos em vista essa sublime estabilidade sobre a qual temos a garantia de nosso Deus.
"O Meu conselho subsistirá [permanecerá de pé – ARA], e farei toda a Minha vontade… Eu o disse, Eu também o cumprirei; formei este propósito, também o executarei” (Is 46:10-11 – TB).
E. J. Checkley (adaptado)
"Sim, Senhor"
As palavras exatas do título deste artigo são encontradas apenas uma vez na Palavra de Deus, mas que significado elas têm para nós! A história onde são encontradas nos é contada em Marcos 7:24-30, também em Mateus 15:21-28, e diz respeito a uma visita que nosso Senhor fez às fronteiras de Tiro e Sidom, na costa mediterrânea da terra de Israel. Embora esse território fosse, na verdade, parte da terra de Israel que Jeová lhes havia dado, essas cidades não foram conquistadas por Israel, e assim continuaram sendo famosos centros comerciais gentios. Seus poderosos navegantes eram frequentemente chamados de fenícios. Tiro foi finalmente conquistada por Alexandre, o grande, enquanto Sidom se submeteu a ele. Tiro acabou se recuperando e ambos eram portos importantes do império romano.
Quando nosso Senhor visitou a região, Ele tentou Se esconder, mas como geralmente acontecia, Ele “não pôde esconder-Se". Uma mulher grega se aproximou d’Ele, querendo que Ele "expulsasse de sua filha o demônio". No relato de Mateus, ela se dirigiu a Ele como "Senhor, Filho de Davi", um título peculiar a Israel.
A severidade do Senhor
À primeira vista, a resposta que nosso Senhor deu a ela parece um tanto dura e (falamos com reverência) fora do Seu caráter. Ele disse: "Deixa primeiro saciar os filhos; porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos" (Mc 7:27). Essa era, de fato, uma linguagem forte e poderia facilmente ter gerado raiva e ressentimento no coração da mulher.
No entanto, nosso bendito Senhor e Mestre sempre agiu com a mente perfeita do Espírito de Deus e nunca cometeu um erro. Ele nunca precisou Se desculpar por um comentário que não tivesse sido feito da maneira certa. E assim foi aqui. A aparente severidade de nosso Senhor apenas revelou um coração que estava em paz com Deus e um coração que reconhecia o lugar proeminente do povo terrenal de Deus. A nação de Israel havia falhado muito seriamente, com certeza, e estava prestes a ser rejeitada. Mas para o mundo em geral, eles continuaram sendo o povo de Deus.
A resposta da mulher foi: "Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos" (Mc 7:28). Ela não se ofendeu, nem discutiu com o Senhor. Ela simplesmente aceitou o que Ele disse e pediu apenas pelas migalhas que os cães podiam obter. Ela recebeu a bênção, quando, sem dúvida, alguns em Israel a perderam.
O melhor para nós e para a Sua glória
Tudo isso tem uma boa lição para nós, em qualquer momento. Quando o Senhor parece permitir circunstâncias adversas em nossa vida, e talvez eventos difíceis de aceitar, nossa primeira resposta a Ele é: "Sim, Senhor"? Deveria ser, pois Sua vontade não é somente sempre a melhor para nós, mas também para a Sua honra e glória. Sua glória é primordial, e apreciar isso muitas vezes exige que tenhamos uma visão de longo alcance. A experiência do homem que nasceu cego (Jo 9:1-3) e a doença fatal de Lázaro (Jo 11) foram muito difíceis na época, mas a Escritura registra que, em última análise, o caso do cego foi para que "se manifestem nele as obras de Deus" e, no caso de Lázaro, "para que o Filho de Deus seja glorificado por ela". Estamos preparados para isso? Dar glória ao nosso bendito Salvador deve ser considerado um grande privilégio para nós, e especialmente neste momento de Sua rejeição. Devemos também lembrar que Ele nunca permitirá que sejamos tentados além do que somos capazes de suportar. Ele envia graça para tudo o que Ele permite em nossa vida.
Não podemos glorificá-Lo com nossas próprias forças, mas ao dizer: "Sim, Senhor" em primeiro lugar, estamos abrindo o caminho para que Sua graça se apresente. Como alguém disse: "Vale a pena passar por uma provação com o Senhor, pois então veremos que Consolador Ele pode ser".
W. J. Prost
A Mensagem de Ageu
Obediência à voz do Senhor
Em Ageu 1:12-15, temos o efeito da mensagem enviada pelo Senhor por meio do profeta. Desde Zorobabel, filho de Sealtiel, e Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, até o mais humilde do povo, a obediência à voz do Senhor foi prestada de comum acordo. A palavra do profeta tinha sido poderosa; cada coração reconheceu a verdade de sua mensagem e as reivindicações de seu Deus. E é importante notar, como um princípio afirmado em todos os lugares nas Escrituras, que a voz do Senhor está ligada às palavras do profeta (v. 12). Quando Deus envia um mensageiro, Ele Se agrada em Se identificar com Seu servo. Nosso bendito Senhor disse assim a Seus discípulos: "Na verdade, na verdade vos digo: Se alguém receber o que Eu enviar, Me recebe a Mim, e quem Me recebe a Mim, recebe Aquele que Me enviou" (Jo 13:20; veja também Mateus 10:40-42). Assim, em nossa passagem, está escrito: “e todo o restante do povo obedeceram à voz do SENHOR seu Deus, e às palavras do profeta Ageu, assim como o SENHOR seu Deus o enviara”. Esta é uma consideração solene para o povo de Deus, pois o inverso é verdadeiro, pois se alguém que seja realmente enviado pelo Senhor é rejeitado, é o Senhor que é rejeitado na pessoa de Seu servo (Mt 25:41-45). Não que todo aquele que afirma ser enviado por Deus deva ser recebido como tal, pois o teste é: “Aquele... fala as palavras de Deus"? (Jo 3:34) Somos ensinados em outro lugar que "muitos falsos profetas se têm levantado no mundo", mas é exatamente por isso mesmo que a responsabilidade recai sobre os santos de provar "se os espíritos são de Deus" (1 Jo 4:1). Os apóstolos podiam dizer: "Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro" (1 Jo 4:6). Eles podiam adotar essa posição porque eram homens inspirados e, portanto, tinham a infalível Palavra da verdade em seus lábios. Nenhum servo, por mais devotado que fosse, poderia agora adotar essa linguagem, mas poderia aplicar o princípio à mensagem que transmitia, se essa mensagem fosse de fato a pura Palavra de Deus. Embora essas limitações sejam necessariamente impostas em nossas circunstâncias atuais, não nos esqueçamos de que o Senhor, nestes últimos dias, envia Seus servos com mensagens a Seu povo, e onde quer que a alma esteja na presença de Deus, elas serão prontamente discernidas. Portanto, não é menos grave agora do que em qualquer época passada fazer ouvidos surdos às palavras de admoestação e advertência que eles possam proferir. Olhe para o caso diante de nós. Não eram Zorobabel e Josué os líderes do povo? E quem foi Ageu? Por que ele deveria se opor a todos eles? Por que ele deveria encontrar tantas falhas e profetizar coisas tão amargas? E o que ele tinha a recomendar a si mesmo à atenção do povo? Ele evidentemente não tinha berço ou posição social, pois sua ascendência e genealogia não são registradas. Ele tinha apenas uma qualificação. Não era sua posição, seu ofício ou seu dom; era simplesmente o fato de que ele foi enviado pelo Senhor seu Deus. Portanto, agora as únicas perguntas para qualquer um de nós, quando um servo professo de Deus está diante de nós, são: Ele foi divinamente enviado? Ele fala a Palavra do Senhor?
E. Dennett
A Graça da Glória de Deus
Descobrimos que o grande objetivo, em toda a Escritura, é conectar a alma com Deus pessoalmente. Após a queda, foi a voz do Senhor Deus caminhando no jardim que abordou Adão, e foi da presença do Senhor Deus que Adão se escondeu – e assim por diante. A conexão pessoal da alma com Deus é dada em muitos casos, até chegarmos ao ponto culminante dela, no evangelho da glória confiado a Paulo – a "iluminação [resplendor – JND] do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo" (2 Co 4:6). Somente aqui a alma está em verdadeira adoração. Existem outras verdades e outras partes do testemunho de Deus – verdade dispensacional, princípios, todos importantíssimos, cada um em seu devido lugar e valiosos até onde podem ir. Somente isso percorre todo o caminho e alcança o objetivo.
Quanto a essas duas linhas de verdade e testemunho, posso ilustrar o que quero dizer com o filho pródigo na casa do pai. Para que ele não sentisse sua condição inadequada para a casa, o pai convocou os servos e ordenou que o vestissem com roupas que indicassem e garantissem sua alta posição. Esse foi um trabalho muito feliz e interessante para os servos, e de uma ordem que envolve muitos entre nós agora. Mas, por mais interessante que isso seja, não atinge o objetivo do pai. Se o filho pródigo fosse apenas vestido e adornado, e não conduzido à casa do pai, tanto o filho quanto o pai teriam sido privados do grande objetivo de sua reconciliação.
Da mesma forma, em Josué 5, temos toda a preparação para a possessão da terra. Um servo habilidoso poderia me ensinar profundamente em todos os detalhes, desde a circuncisão até o trigo da terra. Mas eu perderia o poder real e o título consciente de entrada se não tivesse visto o Capitão do Exército do Senhor e, como um adorador descalço, soubesse que é com Ele que tomaria possessão. Em 2 Coríntios 4:6, o apóstolo mostra como a recepção do evangelho nos conecta com Cristo em glória, assim como ele próprio se conectou inicialmente, quando lhe foi ensinado esse evangelho e ele foi encarregado de ser ministro e testemunha das coisas que tinha visto. Ora, era um Cristo glorificado que ele tinha visto; portanto, se alguém não vê esta luz que é a ministração da justiça, não é somente a salvação que ele está rejeitando, mas a "iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face (ou Pessoa) de Jesus Cristo".
A Pessoa e a presença do Senhor
Muitas vezes tenho sentido que, na pregação ou no ensino, a Pessoa e a presença do Senhor não era o grande objetivo colocado diante da alma. O evangelho é pregado por alguns, chamando os pecadores a apresentar Cristo a Deus como uma expiação totalmente suficiente para seus pecados. Outros, mais esclarecidos, proclamam o amor de Deus declarado em Seu Filho, concedendo vida eterna a todo crente. Mas ambos ficam aquém da apresentação de Deus ao estabelecer a justiça em Seu próprio Filho e, por meio d’Ele, leva o filho pródigo crente à Sua própria casa, e à proximidade d’Ele para sempre, em pleno e ininterrupto regozijo para ambos. Nos dois primeiros, embora o ganho do pecador seja amplamente enfatizado, a satisfação de Deus – Seu ganho, podemos dizer, Seu regozijo – não é mencionado de forma alguma. Pouco entendemos o evangelho da glória de Cristo revelado a Saulo de Tarso, que daquele ponto em diante se tornou a testemunha das coisas que ele tinha visto. A glória de Deus tornou-se o ponto de partida do pecador; era também o alvo para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
Sob a lei, havia sacrifícios, que, no entanto, nunca salvaram os seus transgressores das penalidades legais. O evangelho pregado, ainda hoje, é muitas vezes mais a apresentação do sacrifício. É proclamado, admito, como todo-suficiente e satisfatório, e o chamado aos pecadores é para que se aproximem dele. No entanto, isso não é apresentar à fé a salvação de Deus, porque para Ele o sacrifício é pleno e infinitamente satisfatório, Sua satisfação é o grande tema apresentado à fé. A recepção do filho pródigo, por maior que tenha sido seu resgate, não deriva sua principal excelência da plenitude de sua segurança e da grandeza de sua libertação, mas de sua proximidade feliz e bem-vinda com o pai.
Queremos um evangelho que nos conecte com a presença de Deus em Seu regozijo, e queremos um ensino em Sua Palavra que nos conecte com nosso Senhor pessoalmente como a transcrição viva da mente de Deus.
The Remembrancer, 1899 (adaptado)
Poder e Proximidade
1 Reis 18-19
A demonstração de poder nunca revigora a alma, a menos que esteja ligada à comunhão individual com o Senhor; nesse caso, é a comunhão, e não o poder, que confere a bênção. A demonstração de poder dá efeito ao serviço, mas é seguida por depressão e desânimo, a menos que a alma seja mantida em secreta proximidade com o Senhor. Aprendemos isso no capítulo diante de nós – 1 Reis 18. Vemos Elias depois de testemunhar uma das mais maravilhosas demonstrações do poder do Senhor na Terra: “Então caiu fogo do SENHOR, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego" (1 Rs 18:38). Além disso, houve também uma grande chuva em resposta à oração de Elias. Houve uma dupla manifestação do poder de Deus: uma para corroborar a missão de Seu servo, a outra para abençoar Seu povo. No entanto, depois de tudo, encontramos Elias, no parágrafo seguinte, tão desanimado e temeroso que fugiu caminhando por um dia pelo deserto para salvar sua vida e pediu a morte para si mesmo! Nesse estado, o anjo do Senhor vai até ele para prepará-lo para uma jornada ao Monte Horebe. Então, não tendo comido nada por 40 dias e 40 noites, ele é instruído que o Senhor não está no vento forte que rasga as montanhas, nem no terremoto, nem no fogo, mas na "voz mansa e delicada". Ele está naquela comunicação secreta, invisível e silenciosa, [o nome] que "ninguém conhece senão aquele que o recebe" (Ap 2:17). Quando Elias ouviu esta última, sua alma respondeu à inconfundível voz do Senhor; as ovelhas conhecem a Sua voz. As manifestações de Seu grande poder [o vento, o terremoto e o fogo] não tiveram tal efeito sobre ele. E essa é a nossa experiência, se ao menos tivermos distanciamento e abstração suficientes da natureza para observá-la. A alma deve estar em atitude de escuta para distinguir as notas peculiares da voz do Senhor. A atitude de escuta é moralmente figurada pela posição de Elias no monte de Deus – sozinho, sem alimento e subsistindo apenas da provisão de Deus para ele. É a solitude com Deus em Horebe, sem o sustento da natureza, que é a verdadeira preparação para o julgamento e a instrução espiritual.
Demonstrações de poder
Nas histórias do povo de Deus nas Escrituras, encontramos que a humilhação e o desastre sucedem imediatamente a algum sinal ou demonstração do poder de Deus a favor deles. Por que isso? Simplesmente porque ser exaltado é sempre perigoso, a menos que a alma seja simultaneamente mantida consciente da necessidade de dependência de Deus. Quando os discípulos disseram ao Senhor que até os demônios estavam sujeitos a eles, Ele respondeu: "alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus" (Lc 10:20). O que Deus é para mim é maior do que qualquer coisa que Deus faça diante de mim.
Tão logo termina o cântico para a maravilhosa libertação do Egito, os filhos de Israel começam a murmurar por causa de Mara. De que lhes vale agora a grande demonstração de poder na travessia do Mar Vermelho? Devem reconhecer sua dependência de Deus como um socorro bem presente em tempos de angústia. O grande livramento provou a eles o valor d’Ele, mas Ele mesmo, e não a prova, é a única bênção segura em todos os momentos de necessidade. Portanto, havia a necessidade de que eles fossem levados a tais circunstâncias provadoras.
Quando Davi atinge o ápice da importância real, ele enumera o povo, mas em sua humilhação, ele aprende sobre Deus de uma maneira que nunca havia conhecido antes. Em sua queda em relação a Bate-Seba, ele havia aprendido a profundidade da restauração de Deus, então agora ele aprende, na hora da humilhação, uma revelação muito mais completa de Sua mente do que jamais tinha antes conhecido. Não que seja bom cair, mas a graça de Deus é algo maior para minha alma do que os atos de Seu poder e, portanto, Davi avançou mais em momentos de arrependimento do que jamais fez em qualquer época de honra e glória. Paulo encontrou mais força para sua alma na comunicação: "Minha graça te basta", do que em toda a evidência da glória que ele vira no terceiro céu.
Dependência e amor
A fonte de força e bênção para o homem está na dependência de Deus. Uma manifestação de poder tem a tendência de me tornar independente de Deus, como se eu tivesse o poder do meu lado. Há sempre um desejo de poder na mente natural, porque o pensamento do homem desde a queda é que, se ele tivesse poder, faria melhor por si mesmo do que Deus faria por ele. O homem não negou, a princípio, em sua natureza, o poder de Deus. Ele desconfiava de Seu amor, e como Seu poder, sem amor, não podia ser confiável, havia também desconfiança no poder, mas ao mesmo tempo, sempre desejado.
Os homens podem reconhecer o poder de Deus de forma abstrata, mas Seu amor – jamais. Por isso, buscam o poder para concretizar aquilo que o amor deles por si mesmos lhes faria, e não o que o amor de Deus faria por eles. Eles não têm fé. O homem usaria qualquer poder emprestado e se gloriaria pessoalmente nisso; consequentemente, no momento em que o homem se envolve com o poder de Deus sem estar em comunhão com Ele, esse poder se torna uma armadilha deixando sua alma estéril e infrutífera. A consciência de que o Poderoso me AMA e está ao meu lado é o verdadeiro revigoramento da alma. Quando Elias ouviu a "voz mansa e delicada", ele voltou ao seu trabalho como um homem onipotente. Quando Davi estava na eira de Araúna, o jebuseu, ele estava em espírito e inteligência mais avançados do que nunca. Quando Paulo disse: "sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias... para que em mim habite o poder de Cristo" (2 Co 12:9-10), ele alcançou o ápice da glória moral.
Gosto de ver o poder de Deus para magnificar Seu nome, mas quanto mais faço isso, mais desejo perceber em uma proximidade invisível que Ele é meu Deus. O último é sempre mais valioso para mim do que o primeiro. Por acaso não vimos, repetidas vezes, dons e poderes distintos de Deus se tornarem uma armadilha para a Igreja e para os possuidores deles? A alma pode facilmente se ocupar mais com a manifestação do que com o coração d’Aquele de Quem ela veio.
A percepção interior de poder
O ensino poderoso me abençoa na medida em que posso perceber o amor de Cristo, do qual o ensino é a exposição. Se estou ocupado com a exposição, como eu poderia estar com um poema, isso é algo intelectual e não espiritual. Mais tarde, se descubro que preciso dos resultados da exposição, descubro que a recebi e senti o poder dela sem me apropriar dela como sendo os próprios sentimentos do coração de Deus para comigo. A consequência é que estou em pior situação do que se nunca tivesse ouvido, pois eu sou humilhado quando pensei ter conquistado algo. O verdadeiro poder, afinal, consiste na percepção interior que ele produz, não na sua demonstração exterior. Paulo preferia falar cinco palavras inteligíveis do que possuir o dom de línguas como uma mera demonstração de poder. As pessoas às vezes se maravilham com as manifestações do poder de Deus, como se desconhecessem totalmente a maneira e a grandeza desse poder em sua própria alma. Um lugar indevido é dado àquilo que a natureza pode apreender mais facilmente, pois a natureza sempre olha de fora para dentro, e não vice-versa.
Que sejamos espirituais o suficiente para reconhecer que todos os dons e poderes de Deus são dados, para a Igreja, a partir da Igreja e em favor da Igreja, mas que também possamos conhecer a "voz mansa e delicada", a comunhão secreta, o elo invisível que deve ser nosso verdadeiro recurso, em vez de qualquer demonstração de poder.
Girdle of Truth, Vol. 5
A Voz do Senhor Desconsiderada
O coração humano, mesmo quando não é renovado, sente a necessidade da religião até se endurecer pelo pecado sem consciência ou cegar-se pelas especulações de uma mente equivocada. Mas, por mais justa que seja sua promessa ou sua forma real, a vontade logo é posta à prova pela Palavra de Deus, que somente a fé pode aceitar. Vemos um exemplo disso no caso de algumas pessoas que foram deixadas na terra de Israel, depois que Nabucodonosor levou Judá para o cativeiro. Elas apelaram fervorosamente ao profeta Jeremias, pedindo para ouvir a palavra do Senhor.
"Então chegaram todos os capitães dos exércitos, e Joanã, filho de Careá, e Jezanias, filho de Hosaías, e todo o povo, desde o menor até ao maior. E disseram a Jeremias, o profeta: Aceita agora a nossa súplica diante de ti, e roga ao SENHOR teu Deus, por nós e por todo este remanescente; porque de muitos restamos uns poucos, como nos veem os teus olhos; Para que o SENHOR teu Deus nos ensine o caminho por onde havemos de andar e aquilo que havemos de fazer” (Jr 42:1-3).
A verdadeira fé é sem desconfiança
A verdadeira fé em Deus é sem desconfiança, e ela pode ser assim, pois o crente sabe em Quem creu e pode entregar a si mesmo e aos outros, o presente e o futuro, Àquele cuja graça olhou para nós por toda a eternidade. Seu governo justo observa cada palavra, sentimento e desejo ao longo do caminho. Se formos sábios, seremos poupados de um espírito crítico e, embora sujeitos ao engano, isso só ocorrerá quando deixarmos de levar todas as dificuldades ao nosso Deus. Assim foi aqui: "E disse-lhes Jeremias, o profeta: Eu vos tenho ouvido; eis que orarei ao SENHOR vosso Deus conforme as vossas palavras; e seja o que for que o SENHOR vos responder eu vo-lo declararei; não vos ocultarei uma só palavra. Então eles disseram a Jeremias: Seja o SENHOR entre nós testemunha verdadeira e fiel, se não fizermos conforme toda a palavra com que te enviar a nós o SENHOR teu Deus. Seja ela boa, ou seja má, à voz do SENHOR nosso Deus, a Quem te enviamos, obedeceremos, para que nos suceda bem, obedecendo à voz do SENHOR nosso Deus” (Jr 42:4-6). Se uma declaração solene pudesse ter convencido o profeta, tudo o que disseram certamente soaria forte o suficiente. Mas ele não ignorava nem o homem nem Satanás. Sua confiança estava em Deus, fossem os Judeus verdadeiros ou falsos.
Mas como é doloroso comprovar que a carne se revela, tanto por sua excessiva demonstração de piedade quanto por sua profanidade! Não é por falta de fervor que seu vazio é detectado pelo olhar experiente, mas sim por uma disposição excessiva, ou pelo menos pela excessiva confiança própria, para obedecer à vontade divina, seja ela qual for. O dever pode ser claro, mas e quanto ao coração? E quanto à força para seguir em frente e perseverar? A fé pressupõe a percepção de nossa própria fraqueza tão certamente quanto confia em Deus e em Sua graça. A resolução humana nas coisas divinas só tem força onde lhe é permitida sua própria vontade.
A Palavra do Senhor
"E sucedeu que ao fim de dez dias veio a palavra do SENHOR a Jeremias. Então chamou a Joanã, filho de Careá, e a todos os capitães dos exércitos, que havia com ele, e a todo o povo, desde o menor até ao maior, e disse-lhes: Assim diz o SENHOR, Deus de Israel, a Quem me enviastes, para apresentar a vossa súplica diante d’Ele: Se de boa mente ficardes nesta terra, então vos edificarei, e não vos derrubarei; e vos plantarei, e não vos arrancarei; porque estou arrependido do mal que vos tenho feito. Não temais o rei de Babilônia, a quem vós temeis; não o temais, diz o SENHOR, porque Eu sou convosco, para vos salvar e para vos livrar da sua mão. E vos concederei misericórdia, para que ele tenha misericórdia de vós, e vos faça voltar à vossa terra” (Jr 42:7-12). O próprio profeta espera até que a resposta divina venha; não era questão de sua sabedoria, mas da Palavra de Deus. E Deus agora os adverte fortemente contra a fuga para o Egito em busca de proteção, assim como Ele antes os havia advertido a se submeterem ao rei da Babilônia. A fé aceita o castigo que nos é devido por causa do pecado, mas, ao mesmo tempo, confia em Deus e em Sua graça. A incredulidade é frutífera em recursos, todos os quais são apenas o trabalho de um coração rebelde e não garantem nada além de ruína para aqueles que são levados por ela. Se eles cressem, por mais baixa que fosse sua condição, não precisariam se apressar e certamente seriam estabelecidos. Estariam nas mãos d’Aquele que poderia inclinar o coração de Nabucodonosor para eles: Por que eles deveriam ser aterrorizados por seus adversários? "Mas se vós disserdes: Não ficaremos nesta terra, não obedecendo à voz do SENHOR vosso Deus, dizendo: Não, antes iremos à terra do Egito, onde não veremos guerra, nem ouviremos som de trombeta, nem teremos fome de pão, e ali ficaremos, nesse caso ouvi a palavra do SENHOR, ó remanescente de Judá: Assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Se vós absolutamente propuserdes a entrar no Egito, e entrardes para lá habitar, acontecerá que a espada que vós temeis vos alcançará ali na terra do Egito, e a fome que vós receais vos seguirá de perto no Egito, e ali morrereis. Assim será com todos os homens que puseram os seus rostos para entrarem no Egito, a fim de lá habitarem: morrerão à espada, e de fome, e de peste; e deles não haverá quem reste e escape do mal que Eu farei vir sobre eles. Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Como se derramou a Minha ira e a Minha indignação sobre os habitantes de Jerusalém, assim se derramará a minha indignação sobre vós, quando entrardes no Egito; e sereis objeto de maldição, e de espanto, e de execração, e de opróbrio, e não vereis mais este lugar” (Jr 42:13-18).
Andando no caminho da vontade de Deus
Assim, Deus, a longo prazo, invariavelmente cumpre a Sua vontade. Felizes aqueles que estão na sua correnteza até o fim! Se os homens resistem, eles não ganham nada além de tristeza e decepção, que o sucesso temporário apenas amarga. Longe de impedir a Palavra de Jeová, eles só a cumprem com as medidas destinadas a dar efeito aos seus próprios desejos, e infalivelmente trazem sobre si mesmos os males que mais temem.
"Falou o SENHOR acerca de vós, ó remanescente de Judá! Não entreis no Egito; tende por certo que hoje testifiquei contra vós. Porque vos enganastes a vós mesmos, pois me enviastes ao SENHOR vosso Deus, dizendo: Ora por nós ao SENHOR nosso Deus; e conforme tudo o que disser o SENHOR nosso Deus, declara-no-lo assim, e o faremos. E vo-lo tenho declarado hoje; mas não destes ouvidos à voz do SENHOR vosso Deus, em coisa alguma pela qual Ele me enviou a vós. Agora, pois, sabei por certo que morrereis à espada, de fome e de peste no mesmo lugar onde desejais ir, para lá morardes” (Jr 42:19-22).
O profeta havia andado com paciência, o povo em dissimulação, e Deus tornou tudo claro para Sua própria glória e em Seu próprio tempo. Com justiça eles são destruídos por sua desobediência a Deus, aqueles próprios que fizeram o mais piedoso protesto de devoção inabalável à Sua vontade.
W. Kelly (adaptado)
Dons e Influência
Quanto mais dons e mais influência alguém tiver, tanto mais útil será para seus irmãos quando, andando em humildade e mansidão, tiver a orientação do Senhor em seu caminho. Por outro lado, quanto mais dons e mais influência tal pessoa tiver, mais pedra de tropeço ela será para seus irmãos quando, não entendendo a mente do Senhor, seguir as orientações, imaginações ou obras de sua própria mente.
Encontramos um exemplo notável disso em relação a Pedro, a quem o Senhor havia dado as chaves do reino dos céus (Mt 16:19), a quem Ele havia confiado Seus cordeiros e Suas ovelhas (Jo 21), e a quem também foi confiado o evangelho da circuncisão (Gl 2). Sua pregação foi usada para a conversão de quase 3.000 pessoas de uma só vez (At 2). Então, novamente, ao percorrer as ruas de Jerusalém, ele encontrava os enfermos deitados em camas e macas, para que sua sombra, ao passar sobre eles, pudesse curar alguns deles (At 5). Esses favores do alto lhe dariam um grande lugar na consciência e no amor dos santos, e muita influência e autoridade na Igreja.
Um feliz exercício dessa influência e autoridade é encontrado em Atos 15. Lá, depois de muita disputa na assembleia, Pedro se levantou e falou. Suas palavras foram usadas para produzir ordem onde antes havia desordem, pois, em vez de muitas disputas (ou discussões) anteriores, a multidão ficou em silêncio e escutou a Barnabé e a Paulo. Tal é o bendito fruto do dom e da influência quando exercidos de acordo com a mente do Senhor. Mas isso não é assim quando o temor ou o louvor ao homem, ou a confiança ou a ocupação consigo mesmo, exercem influência sobre a mente. Encontramos este mesmo apóstolo abençoado, não apenas falhando notavelmente em relação a uma verdade muito importante para a Igreja de Deus (Gl 2), mas que a mesma influência e autoridade, de maneira tão feliz exercidas em Jerusalém e posteriormente em Antioquia, levou outros à dissimulação e a um andar que não era reto nem de acordo com a verdade do evangelho. Foi suficiente até mesmo para que Barnabé, até então o companheiro de Paulo, se deixasse levar por isso.
A perigosa influência dos homens bons
Pode parecer estranho para alguns santos ouvir que um homem bom é muitas vezes mais perigoso em um ataque do inimigo do que um homem mau. No entanto, não é necessária grande medida de discernimento para descobrir o caráter de um homem mau e, assim, evitar ser conduzido por ele. Mas o fracasso do homem bom, quando ele próprio se engana, muitas vezes não é descoberto até que aqueles que confiaram nele tenham colhido os frutos amargos de sua confiança. Entendemos isso nas coisas do mundo, mas nas coisas do Senhor cada santo individualmente, se não andar habitualmente no temor do Senhor, está sujeito a colocar sua confiança excessivamente naqueles que ele considera mais espiritualmente capacitados do que ele.
O que os santos precisam, para andar de uma maneira que seja agradável ao Senhor, é o conhecimento da vontade de Deus. Alguns podem pensar que o conhecimento da vontade de Deus só pode ser alcançado por aqueles que são especialmente dotados e que são Cristãos há muitos anos. Embora um santo deva, sem dúvida, avançar no conhecimento da vontade de Deus, muitos erros foram cometidos em relação aos Cristãos mais jovens e mais velhos neste exato ponto. Uma criança não conhecerá a vontade de seu pai em muitas coisas que serão ditas ao filho que se tornou adulto. Mas a criança pequena, se estiver atenta, saberá o suficiente da vontade do pai para fazer as coisas que lhe são agradáveis.
O filhinho (bebês) em Cristo
Assim, com o Cristão mais jovem, não há desculpa para o menor fracasso; a palavra dirigida aos filhinhos é: "E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo" (1 Jo 2:20). Se olhar para o Senhor, o filhinho encontrará a Palavra de Deus suficiente para ele, e suficiente para evitar que seja enganado por outros. "A entrada das Tuas palavras dá luz” (Sl 119:130). "Mas todas estas coisas se manifestam [tendo seu caráter exposto pela luz – JND], sendo condenadas pela luz, porque a luz tudo manifesta” (Ef 5:13). O filhinho pode não ser provido de toda a Palavra na mesma medida que o jovem (1 Jo 2:14), mas, em Cristo, ele tem orientação suficiente da Palavra para salvá-lo de qualquer mal-entendido da vontade do Pai ou de qualquer desobediência a Ele.
João é usado de maneira especial para advertir os filhinhos em Cristo, pois é a eles que ele escreve: "Não vos escrevi porque não soubésseis a verdade, mas porque a sabeis, e porque nenhuma mentira vem da verdade" (1 Jo 2:21). Um grande princípio está contido neste versículo: O conhecimento do que é verdadeiro nos permite discernir o que é falso. (Isso se verificará nas coisas cotidianas desta vida.) É bom sempre ter em mente que é o fato de estar ocupado com a própria verdade que constitui a segurança para o crente, seja ele filhinho, jovem ou pai. Ocupar-se com o que é falso não é a maneira de aprender o caráter do que é falso, mas sim a maneira de ser seduzido e enganado pelo falso.
A unção
Muitos santos (sejam jovens ou idosos), ao raciocinar ou ouvir aqueles que sustentam ou ensinam falsas doutrinas, foram apanhados na armadilha do inimigo, da qual teriam escapado se tivessem sido obedientes à Palavra de Deus, que lhes ordena que se afastem deles (Rm 16:17; 1 Tm 6:5; 2 Tm 3:5). O apóstolo João também escreve aos filhinhos: "Estas coisas vos escrevi acerca dos que vos enganam. E a unção que vós recebestes d’Ele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a Sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim n’Ele permanecereis" (1 Jo 2:26-27).
Não precisamos lembrar ao crente mais jovem que essa unção não o torna de forma alguma independente de ser ensinado por outros. Efésios 4 (ARA) mostra que os mestres estão entre os dons dados para o aperfeiçoamento dos santos, e onde o ensino está de acordo com o que é ensinado na Escritura, então o filhinho e todos os outros devem valorizá-lo. A advertência por meio do abençoado apóstolo, quando atendida, ajudará o crente a julgar se o ensino está de acordo com o que ele já aprendeu (Gl 1:9), ou se tem o cheiro daquelas coisas contra as quais o crente é tão constantemente advertido pelas Escrituras.
Portanto, lembro novamente ao leitor que quanto maior o dom, e quanto mais influência alguém tem entre os santos, mais uma pedra de tropeço ele será em qualquer assunto que possa surgir entre os santos, se falar ou agir sem o conhecimento da mente de Deus.
A. B. Pollock
Mara e Elim
Êxodo 15:22-27
De Êxodo 15 até o final de Êxodo 18 há uma seção distinta do livro. Para entendê-la corretamente, deve-se lembrar que Israel ainda não estava sob a lei, mas sob a graça; e, portanto, este breve período se encerra, em figura, com o milênio. O leitor cuidadoso encontrará nesta declaração a chave para muitos dos eventos registrados. Por exemplo, as murmurações registradas nos capítulos 15, 16 e 17 são suportadas pelo Senhor com longanimidade e ternura, e suas necessidades são atendidas pela plenitude de Seu amor incansável. Mas depois do Sinai, murmurações do mesmo caráter são a ocasião de julgamento, pela simples razão de que o povo havia sido, a seu próprio pedido, colocado sob a lei. Estando, portanto, sob o reinado da justiça, as transgressões e a rebelião são tratadas instantaneamente segundo os requisitos da lei que formava a base do governo justo de Jeová. Antes do Sinai, estando sob o reinado da graça, eles são suportados, e seus pecados e iniquidades são cobertos.
A jornada de Israel no deserto tinha agora que ser iniciada. Os acordes de seu cântico mal haviam cessado quando eles começaram sua jornada de peregrinação.
"Depois fez Moisés partir os israelitas do Mar Vermelho, e saíram ao deserto de Sur; e andaram três dias no deserto, e não acharam água. Então chegaram a Mara; mas não puderam beber das águas de Mara, porque eram amargas; por isso chamou-se o lugar Mara. E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber? E ele clamou ao SENHOR, e o SENHOR mostrou-lhe uma árvore, que lançou nas águas, e as águas se tornaram doces. Ali lhes deu estatutos e uma ordenança, e ali os provou. E disse: Se ouvires atento a voz do SENHOR teu Deus, e fizeres o que é reto diante de Seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos Seus mandamentos, e guardares todos os Seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre o Egito; porque Eu sou o SENHOR que te sara. Então vieram a Elim, e havia ali doze fontes de água e setenta palmeiras; e ali se acamparam junto das águas” (Êx 15: 22-27).
Três dias
"Andaram três dias no deserto, e não acharam água" (v. 22). A expressão "três dias" é sempre significativa na Escritura. Muito frequentemente, é associada à morte; e, portanto, aqui, os três dias significarão a distância da morte. Eles, em figura, atravessaram o Mar Vermelho, passando pela morte e agora precisam aprender isso na prática. Se Deus, em Sua graça, nos dá uma posição perfeita diante d’Ele, se Ele nos associa a Cristo em Sua morte e ressurreição, o objetivo de todos os Seus caminhos conosco será nos levar à conformidade prática com nossa nova posição. Os filhos de Israel devem, portanto, ser ensinados que, como consequência da libertação do Egito, o mundo se tornou um deserto para eles, e que precisamos nos adentrar nisso pela aceitação da morte.
Esta é a necessidade fundamental de todo crente. Não pode haver progresso, nenhuma ruptura real com o passado, até que a morte seja aceita, até que ele se considere morto para o pecado (Rm 6), morto para a lei (Rm 7) e morto para o mundo (Gl 6). Daí o caráter do tratamento de Deus com as almas. Ele as ensinará experimentalmente – como no caso de Israel diante de nós – e assim as capacitará a entender o verdadeiro caráter do caminho em que entraram. E qual foi a primeira experiência de Israel? Eles não encontraram água. Como o salmista, eles estavam em uma terra seca e sedenta, onde não há água (Sl 63). Não; toda fonte da Terra se secou para aqueles que foram redimidos do Egito. Não há uma única fonte de vida – nada que possa ministrar de alguma forma para a vida que recebemos em Cristo.
E quão bem-aventurado é para a alma entender esta verdade! Começando nossa peregrinação, exultantes com a alegria da salvação, quantas vezes nos surpreendemos ao descobrir que as fontes em que havíamos bebido antes agora secaram. Devemos esperar isso, mas a lição nunca é aprendida até que tenhamos percorrido a jornada de três dias no deserto. É de fato uma experiência surpreendente descobrir que os recursos da Terra estão esgotados, mas é um requisito indispensável se quisermos conhecer a bem-aventurança da verdade de que "todas as nossas fontes estão em Ti".
Águas amargas
Eles passaram adiante e chegaram a Mara. Aqui havia água, mas eles não podiam beber das águas de Mara, porque eram amargas. Esta é a aplicação adicional do mesmo princípio. Primeiro, não havia água para beber; e, em segundo lugar, quando é encontrada, é tão amarga que não poderia ser bebida. Esta é a aplicação à alma do poder daquela morte da qual fomos libertados. A carne se esquiva dela e a rejeita completamente. Mas para aqueles que foram libertados do Egito e são peregrinos a caminho da herança, ela é absolutamente necessária. Verdadeiramente isso é Mara – amargura; e lá, isso perturbou o povo, e eles murmuraram contra Moisés, dizendo: “Que havemos de beber?” Que contraste! Há poucos dias, como se fossem um só coração, eles cantavam, com exultante regozijo, os louvores de seu Redentor; e agora o cântico silencia, e murmúrios discordantes tomam seu lugar. Assim é com o crente – num momento cheio de louvor, e imediatamente depois a carne reclama e murmura por causa das provações do deserto. Mas Moisés intercedeu por eles, e o Senhor lhe mostrou uma árvore que, quando lançada nas águas, as tornou doces. Essa é uma bela figura da cruz de Cristo – que muda completamente o caráter das águas amargas. "Do comedor saiu comida, e do forte saiu doçura” (Jz 14:14). Ou, como Paulo clama: "Longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo” (Gl 6:14). Traga a cruz para a amargura das águas de Mara, e imediatamente elas se tornam doces ao paladar – são bem-vindas como meio de libertação e bênção.
A bênção depende da obediência
Segue-se um princípio muito importante – um princípio sempre aplicável à caminhada do crente. É encontrado em todas as Escrituras e em todas as dispensações. E é que a bênção depende da obediência; isto é, a bênção dos crentes (pois os filhos de Israel agora foram redimidos) depende de sua caminhada. Eles seriam protegidos das doenças do Egito, se ouvissem diligentemente a voz do Senhor seu Deus, e fizessem o que era correto aos Seus olhos, e assim por diante (v. 26). Da mesma forma, nosso bendito Senhor diz: "Se alguém Me ama, guardará a Minha Palavra; e Meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos nele morada" (Jo 14:23). Nunca insistiremos o suficiente neste princípio. Há muitos crentes que conheceram a alegria da salvação e que ainda não têm o gozo consciente de uma única bênção. A razão é que eles são descuidados com sua caminhada. Eles não estudam a Palavra, nem dão: "ouvidos aos Seus mandamentos" (v. 26 – ARA) e, consequentemente, andam como parece certo aos seus próprios olhos. Não é de admirar, portanto, que eles sejam frios e indiferentes, que não estejam no gozo consciente do amor de Deus – da comunhão com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo? Não; é aos obedientes que Deus vem, e Se deleita em vir, nas mais doces manifestações de Seu amor imutável; é para aqueles que têm consciência de cada preceito da Palavra e buscam, no poder do Espírito, ser encontrados em obediência em todos os detalhes, para aqueles cujo deleite é fazer a vontade de seu Senhor, e cujo único objetivo é ser, em todos os momentos, aceitável a Ele, que Ele pode se aproximar e abençoar de acordo com Sua própria mente e coração. Nada pode compensar a falta de um andar obediente. Toda a nossa bênção – quanto à sua apreensão e desfrute – depende da obediência. Ela é, além disso, o meio de crescimento e a condição da comunhão.
É por isso que se acrescenta imediatamente: “Então vieram a Elim, e havia ali doze fontes de água e setenta palmeiras; e ali se acamparam junto das águas" (v. 27). Ou seja, eles imediatamente encontraram refrigério, descanso e sombra – as fontes e as palmeiras sendo, como se disse, "tipos daquelas fontes vivas e daquele abrigo que havia sido providenciado, por meio de instrumentos escolhidos por Deus, para o consolo de Seu povo”. Como é bem-vindo o descanso para os peregrinos já cansados! E quão terno da parte do Senhor prover tão grato refrigério para Seu povo no deserto! Como Pastor de Israel, Ele os conduziu, por assim dizer, a pastos verdejantes e os fez deitar junto às águas tranquilas, para confortar e fortalecer o coração deles.
E. Dennett
Quatro Elementos Essenciais para o Serviço
Quatro fundamentos de um serviço duradouro...
Devo esperar por quatro coisas –
"Primeiro, devo saber se uma obra é obra de DEUS.
Em segundo lugar, devo saber se é o MEU trabalho.
Terceiro, saber se é o TEMPO de Deus para agir.
Quarto, devo saber se é o CAMINHO de Deus.
George Muller
Encontrando Deus
Estou no monte de Deus
Com a luz do sol em minha alma;
Eu ouço as tempestades nos vales abaixo;
Eu ouço os trovões rolarem.
Mas estou calmo Contigo, meu Deus,
Sob estes céus gloriosos;
E à altura em que estou,
Nenhuma tempestade nem nuvens podem surgir.
Oh, esta é a vida! Oh, isto é regozijo!
Meu Deus para Te encontrar assim:
Teu rosto ver, Tua voz ouvir,
E todo o Teu amor conhecer.
H. Bonar
“Fala, SENHOR; porque o Teu servo ouve"
1 Samuel 3:9




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