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Adoração (Novembro de 2011)

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Revista mensal publicada originalmente em novembro/2011 pela Bible Truth Publishers

ÍNDICE

 

          Girdle of Truth

          E. Dennett (adaptado)

          J. N. Darby

          W. W. Fereday (adaptado)

          Things New and Old, 8:53

          D. T. Grimston (adaptado)

          Girdle of Truth, 8:373

          Compilado

          J. N. Darby

          L. Beckwith

Adoração


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Adoração é extasiar-se nas maravilhas que encontramos em Deus e, assim ocupados, o coração transborda em adoração. Deus quer que nós, como Seus filhos, saibamos que estamos não apenas na casa do Pai, mas no seio do Pai. Ele deseja que nossa mente esteja cheia de pensamentos sobre Seu Filho, e quando o coração de um santo está pleno disso, isso se eleva a Deus como adoração.

 

Ao conhecer minha redenção e que Deus é meu Pai, tenho comunhão com Ele e sou conduzido pelo poder do Espírito Santo a apreciar a beleza e a humilhação de Seu Cristo, da maneira como o próprio Deus as estima. Adorar é nos reconhecer como sendo nada e permitir que os pensamentos de Deus sobre Jesus passem pela minha alma. Quando Jesus é tudo, estou ocupado com Deus, não com o que eu sou, mas com o que Cristo é. Quando o Espírito nos leva a conhecer o sangue no propiciatório, Ele dedica Seu tempo em tomar as coisas de Jesus e as mostrar para nós, fornecendo assim alimento para a adoração.

 

Nas ofertas queimadas, de manjares e de paz, temos Cristo apresentado a nós em figura, como o objeto da adoração. No holocausto, Sua perfeita renúncia própria e devoção a Deus, até a morte; na oferta de manjares, a Sua vida em ação; na oferta de paz, como elo entre Deus e a Igreja, aquilo em que Deus e a Igreja se alimentam juntos em feliz comunhão.

 

Girdle of Truth

Adoração

 

A Escritura está bem cheia de instruções sobre adoração, embora haja muita ignorância sobre o assunto entre muitos Cristãos. Por exemplo, alguns acham que ouvir sermões é uma das mais elevadas formas de adoração. É verdade que a apresentação da verdade pode nos levar à adoração, mas há uma grande diferença entre o ato de adorar e escutar a verdade. Na pregação (assumindo que seja a verdade de Deus sendo apresentada), o servo vem com uma mensagem de Deus para aqueles que o ouvem; na adoração, os santos são levados à presença de Deus para apresentar sua adoração e louvor. As duas coisas têm, portanto, um caráter totalmente diferente.

 

Oração

Oração não é adoração; alguém que suplica não é um adorador. Se vou ao rei com uma petição, sou apresentado diante dele com esse propósito. Mas se sou admitido em sua presença para prestar homenagem, não sou mais um peticionário. Portanto, quando me uno a outros crentes em oração e intercessão, estamos diante de Deus como aqueles que buscam misericórdias especiais. Porém, quando nos curvamos diante d’Ele em adoração, nós damos, em vez de recebermos. Estamos diante d’Ele sem necessitar de nada, mas com o coração transbordando de adoração a Seus pés.

 

Ação de graças

A ação de graças está intimamente ligada à adoração, embora não seja a essência da adoração. A ação de graças é a consequência das bênçãos recebidas, seja na providência ou na redenção. O senso da bondade e da graça de Deus ao ministrar a nós, ao nos abençoar com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, nos constrange a derramar nossas ações de graças em Sua presença. Assim, somos necessariamente levados a refletir sobre o caráter e os atributos de Deus, que Se deleita em nos cercar com os sinais de Seu amor e cuidado. Consequentemente, a ação de graças evolui para adoração.

 

Mas, na adoração, considerada em seu significado apropriado, perdemos de vista a nós mesmos e nossas bênçãos, e nos ocupamos com o que Deus é em Si mesmo e com o que Ele é para nós, como revelado em Cristo. Guiados pelo Espírito Santo, nos elevamos acima de nós mesmos e contemplamos Deus em todos os Seus variados atributos e glórias. Pois, embora “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse O revelou” (Jo 1:18) e, completamente dominados pela manifestação de Sua santidade, majestade, amor, misericórdia e graça, não podemos deixar de nos prostrar a Seus pés, enquanto rendemos, em e por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, a adoração de nosso coração.

 

Isso será visto com mais clareza se nos voltarmos para o ensino da Escritura. A mulher samaritana perguntou ao Senhor Jesus sobre o lugar de adoração, e em Sua resposta, Ele foi além do limite da pergunta: “Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-Me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos Judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim O adorem. Deus é Espírito, e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade” (Jo 4:21-24).

 

Não há lugar especial na Terra 

Em primeiro lugar, nosso Senhor nos ensina claramente que, de agora em diante, não haveria mais um lugar especial para adoração na Terra. Jerusalém havia sido o lugar onde o templo de Deus havia estado, mas, em consequência da rejeição de Cristo, a casa deles, que até então era a casa de Deus, foi deixada a eles deserta (Mt 23:37-39), e nunca mais, desde aquele tempo, houve uma casa física de Deus sobre a Terra. A Igreja é agora a habitação de Deus por meio do Espírito (Ef 2:22), e nosso lugar de adoração agora é dentro do véu rasgado, na presença imediata de Deus.

 

Quem pode adorar 

Em segundo lugar, Ele nos diz quem pode ser adorador – aquele que vai adorar o Pai em espírito e em verdade e é a esse que o Pai estava buscando. Ou seja, somente os crentes, a quem Ele traria para um relacionamento Consigo mesmo como Seus filhos, poderiam adorar o Pai em espírito e em verdade. O apóstolo afirma a mesma coisa quando diz: “porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito [ou, como alguns leem, ‘que adoram pelo Espírito de Deus’ (JND)], e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne” (Fp 3:3) – todas as características evidentes dos crentes. De fato, como ensina a epístola aos Hebreus (veja cap. 10), é impossível alguém se aproximar de Deus até que seus pecados tenham desaparecido da Sua vista. E, novamente, uma vez que ninguém, exceto os crentes, tem o Espírito de Deus (veja Rm 8:14-16; Gl 4:6), nenhum outro pode adorar em espírito ou pelo Espírito de Deus.

 

Em espírito e verdade 

Terceiro, o Senhor define o caráter da adoração. Ela deve ser “em espírito e em verdade”. Adorar “em espírito” é adorar de acordo com a verdadeira natureza de Deus e no poder dessa comunhão que o Espírito de Deus proporciona. A adoração espiritual está, portanto, em contraste com as formas e cerimônias e toda a religiosidade da qual a carne é capaz. Adorar a Deus “em verdade” é adorá-Lo de acordo com a revelação que Ele mesmo deu de Si. Os samaritanos não adoravam a Deus nem em espírito nem em verdade. Os judeus adoravam a Deus em verdade, até onde se pode dizer de uma revelação imperfeita, mas em nenhum sentido eles O adoraram em espírito. Para adorar a Deus agora, ambos são necessários. Ele deve ser adorado de acordo com a verdadeira revelação de Si (isto é, “em verdade”) e de acordo com a Sua natureza (isto é, “em espírito”).

 

A Pessoa e obra de Cristo 

Mas a revelação de Deus para nós está na Pessoa e conectada com a obra de Cristo, pois tudo o que Deus é se manifestou na cruz. A morte de Cristo é, portanto, o fundamento de toda a adoração Cristã, pois é pela eficácia de Seu precioso sangue que somos capacitados para entrar na presença de Deus. Visto que aquela morte é a revelação para nós de tudo o que Deus é – Sua majestade, santidade, verdade, graça e amor —, é por meio da contemplação desse maravilhoso sacrifício que nosso coração, operado pelo Espírito de Deus, é levado à adoração e louvor. Assim, a adoração está conectada de uma maneira muito especial à mesa do Senhor, porque é quando estamos reunidos em torno dela, como membros do corpo de Cristo, que anunciamos Sua morte. Para citar as palavras de outro: “É impossível separar a verdadeira adoração e comunhão espiritual da oferta perfeita de Cristo a Deus. Quando nossa adoração se separa de sua eficácia e da consciência dessa aceitação infinita de Jesus diante do Pai, ela se torna carnal e é uma formalidade ou simplesmente um deleite da carne”.

 

A degeneração da adoração 

Onde quer que a mesa do Senhor tenha perdido seu verdadeiro caráter ou lugar, a fonte e o motivo da adoração são obscurecidos. Do que somos especialmente lembrados na mesa do Senhor? É da Sua morte, e é nessa morte que somos capazes de ver o que Deus é para nós e o que Cristo é para Deus, bem como a eficácia infinita de Seu sacrifício em nos levar sem mancha à presença imediata de Deus – à luz como Ele está na luz. A graça, o amor eterno de Deus e o amor inextinguível de Cristo são igualmente manifestados para a nossa alma. Ao lembrarmos d’Aquele que glorificou a Deus em Sua morte na cruz, onde Ele levou nossos pecados e tendo ousadia de entrar no Santo dos Santos pelo sangue de Jesus, nos inclinamos e adoramos diante de Deus.

 

E. Dennett (adaptado)

A Adoração Cristã

 

Os dois grandes elementos da adoração Cristã são a presença do Espírito Santo e a lembrança do sacrifício de Cristo, que é celebrado na ceia.

 

Mas, nesta adoração, são desenvolvidas as afeições que estão ligadas a todos os nossos relacionamentos com Deus. Deus, em Sua majestade, é adorado. Até mesmo os dons de Sua providência são reconhecidos. Aquele que é um Espírito é adorado em espírito e em verdade. Apresentamos a Deus, como nosso Pai – o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo —, a expressão dos santos afetos que Ele produziu em nós, pois nos buscou quando estávamos longe e nos trouxe para perto de Si como Seus filhos amados, dando-nos o espírito de adoção e associando-nos (ó maravilhosa graça!) ao Seu Filho bem-amado.

 

Adoramos nosso Deus-Salvador, que nos purificou de nossos pecados e nos colocou em Sua presença sem mancha. Sua santidade e Sua justiça, que foram tão maravilhosamente manifestadas em nossa redenção, são para nós uma fonte de gozo que não acaba, pois, pela obra perfeita de Cristo, estamos na luz como Ele mesmo está na luz. É o próprio Espírito Santo que nos revela essas coisas celestiais e a glória que está por vir, e que opera em nós para produzir afetos adequados a esses relacionamentos abençoados com Deus. É Ele o vínculo de união entre o coração e essas coisas. Mas, ao despertar nossa alma, Ele nos faz sentir que somos filhos da mesma família e membros do mesmo corpo, nos unindo nesta adoração por meio de afetos e sentimentos mútuos, comuns a todos, para com Aquele que é o Objeto de nossa adoração. O próprio Jesus está presente em nosso meio, de acordo com Sua promessa.

 

A adoração é exercida em conexão com a mais doce lembrança de Seu amor, quer consideremos Sua obra na cruz, quer relembremos o pensamento de Sua sempre nova e terna afeição por nós. Ele deseja nossa lembrança d’Ele. Doce e precioso pensamento! Oh, quão cheio de gozo para a nossa alma e, ao mesmo tempo, quão solene deve ser essa adoração! Que tipo de vida deveríamos ter o cuidado de viver a fim de prestar essa adoração! Quão vigilantes deveríamos ser quanto ao nosso próprio espírito! Quão sensíveis quanto ao mal! Com que empenho deveríamos buscar a presença e a direção do Espírito Santo, a fim de prestar tal adoração de maneira adequada! No entanto, ela deve ser muito simples e verdadeira, pois a verdadeira afeição é sempre simples e, ao mesmo tempo, devota, pois o senso de tais interesses inspira devoção. A majestade d’Ele a Quem adoramos e a grandeza de Seu amor dão solenidade a todo ato em que nos aproximamos d’Ele. Com que profunda afeição e gratidão devemos, em tais momentos, pensar no Salvador, quando recordamos todo o Seu amor por nós – permanecendo por meio d’Ele na presença de Deus, muito além de todo mal, na antecipação de nossa bênção eterna!

 

O amor do Pai e do Filho 

Esses dois grandes assuntos sobre os quais a adoração Cristã se ocupa (a saber, o amor de Deus, nosso Pai, e o amor do Senhor Jesus, em Sua obra e como Cabeça de Seu corpo, a Igreja) proporcionam pequenas mudanças no caráter da adoração, de acordo com o estado daqueles que a oferecem. Às vezes, o Senhor Jesus estará mais especialmente diante da mente, já em outros momentos, os pensamentos a respeito do Pai estarão mais presentes. Somente o Espírito Santo pode nos guiar nisso, mas a veracidade e a espiritualidade da adoração dependerão do estado daqueles que compõem a assembleia. Esforço em tais coisas não tem lugar. Aquele que é o canal de adoração, note-se bem, não deve apresentar o que é próprio e peculiar a si mesmo, mas o que é verdadeiramente o exercício, pelo Espírito, do coração daqueles que compõem a assembleia. Isso nos fará sentir toda a nossa dependência do Consolador – o Espírito da verdade – para o verdadeiro serviço a Deus em comunhão. Nada, porém, é mais simples ou mais evidente do que a verdade de que a adoração prestada deve ser a adoração de todos.

 

J. N. Darby

Adoração Hoje

 

A adoração é o exercício mais alto possível da alma renovada, seja aqui ou em glória. A oração e as ações de graças são indizivelmente benditas em seu lugar, mas enquanto a oração leva em conta nossas necessidades e as coloca diante de Deus, e as ações de graças têm em vista as bênçãos de Sua graça, a adoração sobe ao próprio Deus, e o coração se perde na bem-aventurada contemplação de Suas excelências e profundas perfeições. A oração cessará quando alcançarmos o descanso de Deus; a adoração é interminável e, de fato, só será exercida em sua plenitude quando estivermos com o Senhor lá em cima.

 

As várias dispensações 

A adoração varia em seu caráter, de acordo com o caráter das diferentes dispensações e a revelação de Deus sobre Si mesmo. Nos tempos patriarcais, por exemplo, Ele era adorado como Deus Todo-Poderoso. Contudo, notamos uma grande mudança na ordem em que Israel foi chamado para ser o povo de Deus na Terra. Deus habitou entre eles no tabernáculo, um privilégio inestimável e bênção desconhecida pelo homem anteriormente. Isso envolveu a instituição do sacerdócio, mas necessariamente colocou o povo à uma distância. Os sacerdotes agiam por eles; eles lidavam com o sangue dos sacrifícios e apresentavam o incenso aromático diante de Jeová no santuário.

 

Tudo isso mudou agora porque Cristo veio. Deus não está mais escondido atrás de um véu, mas Se revelou plenamente na Pessoa de Seu amado Filho, para que nós que cremos o conheçamos como Pai. Não apenas isso, a redenção sendo realizada, Cristo voltou a Deus e Se assentou à Sua destra no alto. Portanto, todo o caráter da adoração é alterado neste período de graça.

 

As palavras para a mulher samaritana 

Em João 4, temos o Senhor Jesus tratando com a consciência e o coração da mulher junto ao poço. Sentindo-se tocada em sua consciência pela Sua palavra, ela procurou se desviar de seu corte afiado voltando-se ao assunto da adoração. A isto o Senhor respondeu graciosamente: “Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-Me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos Judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim O adorem. Deus é Espírito, e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade” (Jo 4:21-24).

 

Várias coisas devem ser notadas aqui. Primeiro, o Senhor coloca de lado completamente a adoração samaritana. “Vós adorais o que não sabeis”. Em segundo lugar, ele justifica o Judaísmo como inteligente e proveniente de Deus: “Nós adoramos o que sabemos”. Ele então passa a mostrar que havia chegada a hora de colocar os dois de lado para que algo melhor pudesse ser estabelecido. Não há lugares santos no Cristianismo. Reconhecer e servir a um lugar santo na Terra agora é roubar a própria alma do desfrute de tudo o que é distintamente Cristão. Além disso, adoramos “o Pai”. Que proximidade e afeição estão implícitas nisso! Estamos agora no relacionamento de filhos por meio da obra de Cristo e podemos elevar nosso coração em adoração na consciente liberdade de filhos. Mas isso exclui todos os que não são filhos de Deus. Para tais, o evangelho é destinado; até que ele seja recebido por fé, ninguém tem direito de se unir à adoração ao Pai; é preciso ser filho de Deus para adorar a Deus como seu Pai.

 

O Pai procura adoradores 

O Pai procura adoradores – pensamento precioso! Mas Ele procura aqueles que O adorarão em espírito e em verdade. Isso implica que o homem interior está envolvido sob a direção do Espírito Santo e que Sua verdade é conhecida e controla a alma. Isso contrasta diretamente com as meras formas, que não exigem a verdade de Deus nem o Seu Espírito, e nunca podem satisfazer Seu coração.

 

Além disso, não apenas o Pai procura adoradores espirituais, mas Seu solene “importa que” entra em cena – “importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade”. Sua natureza agora está totalmente revelada, e o que é adequado para Ele é agora declarado em consequência. Os homens que vêm diante d’Ele com meros ritos exteriores O tratam como se Ele fosse como as divindades dos pagãos; o Cristão que foi levado a conhecê-Lo entende que somente a adoração espiritual pode servir a um Deus como o nosso.

 

O santuário celestial 

A epístola aos Hebreus nos apresenta outra linha da verdade. Nela somos vistos como no deserto, passando adiante para o descanso de Deus. Quanto à adoração, temos liberdade de acesso pela fé ao santuário celestial. Tudo isso é bem diferente da linha de instrução de João. Lá, como vimos, o relacionamento familiar é proeminente – somos vistos como filhos, adorando o Pai em espírito e em verdade.

 

Vamos examinar Hebreus 10:19-22. Sob a lei, os adoradores não podiam entrar na presença de Deus; o véu impedia o caminho. Mas não há impedimento agora. A obra de Jesus satisfez as reivindicações de Deus de tal maneira que o véu se rasgou, e o caminho para o santo dos santos é agora manifestado. Além disso, nossas consciências são purificadas, para que possamos permanecer em paz diante d’Ele. Temos a certeza de que o único sacrifício de Jesus removeu todos os nossos pecados e nos aperfeiçoou para sempre. Seu assento atual à destra de Deus é a gloriosa prova de que a questão do pecado foi resolvida de uma vez por todas. Se não tivéssemos essa confiança não poderíamos adorar. Um homem que é incerto e infeliz quanto à sua posição diante de Deus não está em condições de adorar, por mais retos e bons que sejam seus desejos.

 

Sendo consumada a obra de Cristo, o caminho para Deus está aberto, e todo crente pode se aproximar com santa ousadia. A “inteira certeza de fé” glorifica realmente a Deus. Se alguma coisa dependesse de nós mesmos, poderíamos muito bem estar cheios de medo e tremor, mas sabendo que nossos privilégios Cristãos são todos baseados na obra do Senhor Jesus, não ousamos desonrá-Lo, mantendo uma dúvida.

 

Nossas imperfeições 

No entanto, fazemos bem em lembrar nossa atual condição imperfeita. Ser perfeito “quanto à consciência” não é necessariamente ser perfeito em todos os outros sentidos. De fato, enquanto estivermos no corpo, todo serviço ficará aquém do padrão de Deus e de nossos próprios desejos. Agora não falo aqui de pecado manifesto, mas da deficiência que se deve às nossas fraquezas. Aqui o sacerdócio de Cristo entra como nosso auxílio. “Tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus”, por meio d’Ele todos os nossos sacrifícios espirituais se elevam a Deus de maneira aceitável. Ele os apresenta a Deus por nós, acompanhado por toda a excelência e fragrância de Sua sempre bendita Pessoa e obra. Quanto dependemos d’Ele, não apenas para nossa necessidade geral no deserto, mas até mesmo para a adoração de nosso coração renovado!

 

Quando Paulo escreveu, as almas demoraram a abraçar a bem-aventurança da nova ordem de adoração que Cristo havia introduzido, por causa do poder ofuscante dos preconceitos religiosos antigos. A mesma coisa explica as trevas que cobre muitas mentes hoje. Os sistemas terrenais foram criados imitando uma forma de adoração de um judaísmo julgado, e a tendência de todos eles é manter a alma mais ou menos à distância de Deus. Que Ele estabeleça nossa alma mais completamente em Sua própria graça e verdade.

 

W. W. Fereday (adaptado)

A Verdadeira Ideia de Adoração

 

O Mestre enche tanto o vaso que ele transborda. Quando o coração está cheio da verdade, “como está a verdade em Jesus”, e habitado pelo Espírito Santo, transborda em ação de graças e louvor – ele adora a Deus, que é Espírito, em espírito e em verdade. O coração do hóspede, podemos dizer, responde à gentileza do anfitrião. Mas, claramente, aquilo que desce de Deus para a alma em graça reascende da alma para Ele em grato louvor. Como a fumaça que se eleva do altar de ouro, ela sobe no cheiro suave da adoração aceitável.

 

É perfeitamente claro que um cálice transbordante não pode conter mais nada; o que é derramado apenas aumenta seu transbordamento. Mas quais são, posso perguntar, os sentimentos espirituais de uma alma que responde a essa figura? Eles são celestiais em seu caráter e produzidos pelo Espírito Santo. Nada na Terra chega tão perto da ocupação do céu como a adoração. Será nossa feliz ocupação por toda a eternidade. Mas a alma deve, em espírito, estar no céu – no santo dos santos – antes de atingir essa condição, e é aí que o Cristão sempre deve estar. Ele está em Cristo, e Cristo enche todo o céu com Sua glória. Aos olhos de Deus, não há adoração nos átrios exteriores agora; ela deve ser sacerdotal e dentro do véu. Quando o coração do adorador reflete o cálice que transborda, é evidente que ele está completamente cheio – nenhum canto fica vazio. Este é o pensamento principal. Parece, espiritualmente, que todo desejo é atendido – todo desejo é satisfeito – e todos os anseios da alma são perfeitamente respondidos. É verdade que o adorador ainda não está na glória da ressurreição, mas ele sabe e sente que tem tudo, exceto a glória. É por isso que ele espera, mas não de maneira incerta. “Porque nós pelo Espírito da fé aguardamos a esperança da justiça” (Gl 5:5).

 

Oração e adoração 

Pode ser bom notar a diferença entre a oração e a adoração, por mais que sejam quase aliadas uma da outra, e até adequadamente misturadas, como “deprecações, orações, intercessões, e ações de graças”. Sempre temos muito pelo que agradecer; ainda assim, as duas coisas, por si só, são bem distintas. Trazemos nosso cálice vazio para a reunião de oração e rogamos e pedimos a nosso Deus e Pai que o encha. Isso mostra nosso conhecimento de Deus e nossa confiança n’Ele, e se orarmos com fé, o óleo poderá fluir até que todo vaso seja preenchido (2 Reis 4). Assim, a oração pode levar à adoração, como a pregação do evangelho ao mundo e o ensino do povo de Deus possam também levar à adoração. No entanto, é bom entender a diferença entre oração, pregação, ensino e adoração. Cada um deles é de grande importância em seu lugar e em tudo de Deus e não deve ser confundido.

 

Na pregação do evangelho, Deus está Se dirigindo ao mundo; no ensino, Ele está falando aos Seus santos, mas na adoração nos dirigimos a Deus – rendemos-Lhe adoração. O ministério é de Deus para o homem; adoração é do homem para Deus. Dificilmente duas coisas poderiam ser mais distintas, e ainda assim a distinção é raramente vista. A verdadeira adoração pode ser produzida por qualquer uma das três formas mencionadas, e até mesmo um espírito de adoração pode ser desfrutado quando envolvido neles, e tanto melhor quando é assim. Mas na adoração Cristã nos aproximamos de Deus como nosso Pai por meio de Cristo Jesus e nos dirigimos a Ele. Quando conhecemos Deus como Ele Se revelou na Pessoa e obra de Cristo, temos santa liberdade em Sua presença e prestamos louvor, adoração e ação de graças de um coração transbordante.

 

O sacrifício de Cristo 

O sacrifício de Cristo, que é celebrado no partimento do pão, é o único fundamento da adoração verdadeira, e o Espírito Santo presente na assembleia é o único poder pelo qual Deus pode ser adorado de maneira aceitável. Seria a presunção mais ousada para alguém se aproximar de Deus como adorador, a menos que soubesse que toda a sua culpa foi removida e que ele era uma nova criação em Cristo Jesus. Mas quando sabemos que o bendito Senhor, pelo sangue de Sua cruz, glorificou completamente a Deus, apagou todos os nossos pecados e nos limpou de toda a contaminação, temos santa ousadia para nos aproximar de Deus como nosso Pai.

 

Mas sem a cruz, tudo seria juízo, mas por meio da cruz, tudo é graça, graça sem limites. O véu sendo rasgado de cima para baixo é a testemunha divina de que Cristo tirou o pecado pelo sacrifício de Si mesmo e abriu o caminho para nós, para o santo dos santos. Em virtude de Seu sacrifício expiatório, agora há glória para Deus, nenhuma questão de pecado entre o adorador e Deus. Essa questão foi totalmente abordada na cruz e aí se encerrou – se encerrou para sempre. O mesmo golpe que matou o Cordeiro rasgou o véu e abriu o caminho para a presença de uma santidade infinita, onde o adorador agora permanece sem mancha e se regozija diante do Senhor, seu Deus.

 

Medita ainda, ó minha alma, para o aprofundamento e elevação da tua adoração, naquela cruz maravilhosa – o grande centro do universo moral de Deus! Para este centro, Deus sempre apontava e os olhos da fé sempre olhavam para frente, até que o Salvador viesse. E agora devemos sempre nos voltar para essa cruz como o centro de todas as nossas bênçãos e a base de toda a nossa adoração, tanto na Terra como no céu – no tempo e por toda a eternidade. O “cântico novo” nunca poderia ter sido cantado no céu e nenhum hino de louvor jamais poderia ter sido cantado na Terra por homens caídos, se não fosse pela cruz de Jesus. Mas se não fosse por essa mesma cruz, o nosso cálice teria sido para sempre um cálice de tremor, em lugar de um cálice transbordante de regozijo.

 

O poder da adoração 

Tendo meditado brevemente sobre o único fundamento de adoração – o sacrifício de Cristo —, agora nos referiremos ao único poder de adoração – o Espírito Santo. Quando nascemos “de novo”, recebemos uma nova natureza, que é santa e adequada à presença de Deus. Também é capaz de desfrutar d’Ele, uma verdade que certamente nos dá o pensamento mais elevado de felicidade da criatura, e, no entanto, como diz o apóstolo, esse estado bendito pode ser desfrutado mesmo agora. “Também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5:11). Sem essa nova natureza, não poderia haver adoração. São os filhos que o Pai procura para adorá-Lo. Filiação é essencial para a nossa adoração. Mas o Pai Se deleita na adoração de Seus filhos. Ele não apenas a aceita, mas Ele a procura. Verdade maravilhosa e graciosa, ó minha alma! Nosso Deus e Pai está procurando adoradores! “O Pai procura a tais que assim O adorem”.

 

A religião da carne 

Aqui, não é o pecado da carne, mas a religião da carne, contra a qual o apóstolo adverte. Aos olhos de Deus, um é tão ruim quanto a outra. Os verdadeiros adoradores são conhecidos por adorar a Deus em Espírito e regozijar-se em Cristo Jesus. A carne pode ser muito piedosa à sua maneira e estar amplamente ocupada com boas obras, mas nunca se alegrará em Cristo Jesus. Não conhece nada de Cristo como desprezado na Terra e honrado no céu, nem quanto a colocar nossas afeições nas coisas do alto. Mas mesmo quando Cristo tem Seu devido lugar no coração e o Espírito Santo é reconhecido como o único poder de adoração; precisamos vigiar para não misturar os pensamentos da carne com a direção do Espírito. Será o objetivo constante do inimigo, onde ele não pode substituir o Espírito pela carne, misturar os dois.

 

Uma pergunta solene – um grande teste – permanece para cada um de nós, para todos: Regozijamo-nos apenas em Cristo Jesus? Este é o verdadeiro padrão pelo qual devemos julgar – a pedra de toque da adoração espiritual. Responda a este padrão, ó minha alma: Cristo é meu tudo em todos? Venho diante de Deus – estando em Sua santa presença – regozijando-me somente em Cristo Jesus? Ele é o deleite do coração do Pai – o Objeto do testemunho do Espírito – o gozo e a glória do Seu povo. Felizes, três vezes felizes, aqueles que, neste dia de pietismo carnal generalizado, “servimos [adoramos – KJV] a Deus em Espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne”.

 

Things New and Old, 8:53

Unguento de Maria

 

Em João 12:1-3, lemos sobre uma mulher que veio para ungir o Senhor Jesus. Ela não veio ouvir um sermão, embora o Maior dos mestres estivesse lá, nem veio assentar-se aos pés d’Ele para ouvir Sua palavra (Lc 10:39). Ela não veio Lhe fazer pedidos, embora houvesse um tempo em que, em profunda submissão à Sua vontade, caíra aos pés d’Ele, dizendo: “Senhor, se Tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido” (Jo 11:32). Tampouco veio derramar suas súplicas a Ele, pois seu irmão estava assentado à mesa. Ela não veio se encontrar com os santos, apesar de existirem santos ali preciosos, porque “Jesus amava a Marta... e a Lázaro”. A amizade com eles era abençoada e de ocorrência frequente, mas esse não era o objetivo dela agora. Ela não veio depois do cansaço de uma semana lutando com o mundo para ser reconfortada por Ele, embora, como todo santo, ela tivesse aprendido as provações do deserto e conhecia as fontes abençoadas de refrigério n’Ele.

 

Mas no momento em que o mundo estava expressando seu ódio mais profundo por Ele, ela veio para derramar aquilo que havia entesourado, a coisa mais valiosa que ela tinha na Terra, sobre a Pessoa d’Aquele cujo amor cativou seu coração e absorveu suas afeições. “Só Jesus” encheu sua alma; seu coração batia fiel a ele, e ela “ungiu os pés de Jesus, e enxugou-Lhe os pés com os seus cabelos”. Adoração, homenagem, devoção e bendição eram o propósito dela, em honra Àquele que era tudo para ela. Certamente tal adoração O reconfortou! O não-espiritual pode murmurar, mas Ele defendeu sua causa e apreciou o grato tributo de um coração que conhecia o valor e preciosidade d’Ele. Assim, um registro duradouro é preservado do que realmente é a adoração! Se todos os olhos estivessem apenas no Senhor, todo coração fiel a Ele, cada um determinado a não ver ninguém mais senão apenas a Jesus, que louvor completo haveria! Não com vasos de alabastro agora, mas nosso corpo cheio do Espírito Santo, uma corrente de ação de graças e adoração mais elevada ascenderia em honra do Bendito que agora adorna a glória, como Ele uma vez adornou a Terra. Também é nosso privilégio, portanto, adorá-Lo em Espírito e em verdade.

 

D. T. Grimston (adaptado)

Um Altar de Terra

 

“Um altar de terra Me farás, e sobre ele sacrificarás os teus holocaustos, e as tuas ofertas pacíficas” (Êx 20:24). Tudo o que expressa aceitação por parte de Deus, como a oferta queimada, ou comunhão entre o adorador, Deus e o sacerdote que a oferece, como na oferta pacífica, está ligado ao altar de terra. Pois foi na Terra que “Cristo vos amou, e Se entregou a Si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave”. E na Terra Ele fez a paz por meio do sangue da cruz e veio e pregou paz aos que estavam longe e aos que estavam perto.

 

É na excelência do Senhor Jesus Cristo em Sua Pessoa e na obra realizada, como aceita por Deus, que encontramos os elementos e as bases da adoração. É para a alma estar ocupada com a Pessoa e a obra na presença de Deus, na expressão de admiração, gratidão, gozo, ação de graças, deleite, antecipação, esperança e desejo, a fim de apresentar adoração verdadeira e aceitável. O altar de terra é certamente encontrado na cruz, cujo símbolo Cristo ordenou e que deve ser trazido constantemente diante de nós quando nos reunirmos ao Seu nome. E, exatamente, respondendo à declaração aqui: “em todo o lugar, onde Eu fizer celebrar a memória do Meu nome”, é a promessa do Senhor: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos ao Meu nome, aí estou Eu no meio deles”.

 

Nenhuma pedra lavrada 

Mas, em conexão com essa adoração sobre altar de terra, duas coisas são expressas: a obra do homem e a ordem do homem são proibidas. “E se Me fizeres um altar de pedras, não o farás de pedras lavradas; se sobre ele levantares o teu buril, profaná-lo-ás. Também não subirás ao Meu altar por degraus, para que a tua nudez não seja descoberta diante deles”.

 

Nada pode ser mais importante do que nossa alma ter em mente que, na adoração, não temos nada a trazer a Deus – nada a ser trabalhado por meio de esforço – e nada a título de forma exterior ou de um esforço de sentimento interior para nos elevarmos até Deus. Ele nos encontra no altar de terra. Deus vem até nós onde estamos. É ter nossa alma cheia com o sentido do que Sua graça fez e de como Ele desceu para nos encontrar onde estamos e para nos ocuparmos com o cheiro suave de Cristo, “que pelo Espírito eterno Se ofereceu a Si mesmo imaculado a Deus”, pois a adoração é o reflexo disso; o coração expressando seu deleite e satisfação, sua adoração e louvor pelo que Cristo é para nós como esta bendita provisão de Deus.

 

Nenhuma subida por degraus 

Ora pode muito bem ser que, onde as obras humanas são rejeitadas e a ordem humana na adoração é evitada, ainda estejam presentes, de uma forma mais sutil, as duas coisas que são proibidas aqui. Os atos rituais de curvar-se, fazer o sinal da cruz, aspergir de água benta, bem como as posturas e a ordem do ritual instituído podem ser recusados, enquanto, ao mesmo tempo, pode haver uma tentativa de elevar os sentimentos a fim de chegar a Deus por um processo mental, o que é completamente diferente da ocupação do coração na presença de Deus com o que Cristo é e o que Ele realizou. 

 

Ou, pode-se pensar que a maioria dos santos está tão ocupada no mundo durante a semana que é necessário agir sobre os sentimentos deles quando se reúnem, a fim de produzir neles um melhor tom de adoração no dia do Senhor. Mas essa é uma suposição errada. Uma vida de uma pessoa instruída não é necessariamente uma vida de maior espiritualidade do que a daqueles que não a possuem. Onde o Senhor é reconhecido como Aquele que ordena nossas circunstâncias e é reconhecido na caminhada diária da vida, o coração, quando trazido à Sua presença, responderá naturalmente às manifestações que Ele dá da Sua graça quando nos encontramos para adorar em Seu nome. Além disso, a adoração, se verdadeira, é a da assembleia, e não o esforço de um indivíduo para agir de acordo com a mente e sentimentos dos santos, a fim de levá-los ao seu próprio senso do tom apropriado de adoração.

 

Em primeiro lugar, a própria constituição da assembleia, composta pelos filhos de Deus, é que eles são capazes de adorar, pois “o Pai procura a tais que assim O adorem”. Outra coisa é que, sendo possuidor de uma natureza em comum que pode deleitar-se em Deus, é a ação espontânea e apropriada dessa natureza adorar, quando trazida à Sua presença. Além disso, sendo os crentes participantes do Espírito Santo, cada membro, em sua medida, é responsabilizado pela adoração da assembleia. A adoração é para pessoas espirituais que são dirigidas pelo Espírito. Abaixar o caráter da comunhão, a fim de satisfazer a condição não espiritual assumida de alguns que possam estar presentes, é enfaticamente construir degraus até o altar. Em vez disso, deixe prosseguir a adoração espiritual, e se houver almas que não possam se juntar a ela, que elas julguem sua condição na presença do Senhor por causa disso.

 

Girdle of Truth, 8:373

O Fogo e o Incenso

 

“E os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário e puseram neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e ofereceram fogo estranho perante o SENHOR, o que não lhes ordenara. Então saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR” (Lv 10:1-2). O fogo apresenta uma figura do juízo de Deus. O fogo que eles colocaram em seus incensos não veio do altar de cobre, onde o contínuo holocausto era oferecido a Deus. O fogo sob o holocausto é uma figura de como o juízo de Deus trouxe à tona o cheiro suave que Cristo foi para Deus quando Ele esteve na cruz. Não havia nada impuro n’Ele. Cristo voluntariamente Se oferecendo a Deus na morte fez propiciação a Deus. A santidade de Deus exigia que fosse feita propiciação. “Cristo... Se ofereceu a Si mesmo imaculado a Deus” (Hb 9:14).

 

O segundo lugar em que o fogo foi usado foi na oferta pelo pecado, o sacrifício necessário para tirar o pecado. O fogo consumiu a oferta pelo pecado fora do arraial. A vítima morreu em substituição dos culpados e levou seus pecados. Cristo cumpriu isso durante as três horas de trevas, quando clamou: “Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?” Este sacrifício foi necessário para o pecador. Devemos perceber o que Cristo sofreu, sendo abandonado fora do acampamento por nossos pecados.

 

A ação do fogo no holocausto produz apenas um cheiro suave. A ação do fogo na oferta pelo pecado consome, fora da morada de Deus (o arraial), tudo o que é contrário (pecaminoso) à Sua santa presença. Esses dois efeitos estão relacionados à ação do fogo e ambos encontraram seu cumprimento na cruz. Nesta base, Deus procura adoradores que O adorem em espírito e em verdade. Nesta base, os crentes podem agora entrar no santo dos santos como adoradores. A ação do fogo no incenso nos incensários trouxe o cheiro suave. É uma figura da Pessoa de Cristo. Ele é o tema da nossa adoração. Nenhum incenso (adoração) é permitido na presença de Deus que esteja à parte da ação do fogo do juízo em que Cristo morreu ou à parte da lembrança disso. O único incenso aromático aceitável diante de Deus (uma figura de nossa adoração) era aquele produzido a partir do fogo do altar. A adoração em espírito e em verdade tem como base a recusa e o julgamento de tudo o que sou em mim mesmo e a confissão de que Deus encontrou Sua eterna satisfação na Pessoa e na obra do Senhor Jesus Cristo.

 

Toda pretensão de adoração que não se baseia nisso é resultado de “fogo estranho”. Nem talento natural, habilidade, intelecto, habilidade musical ou belas artes são aceitáveis como adoração; são coisas do primeiro homem (Adão), e nada que tenha sua origem nele pode vir diante de Deus, exceto para juízo. Todos os Cristãos podem ser adoradores, mas a autoafirmação é proibida. Cristo é o único Objeto que deleita o coração de Deus. Como adoradores, estamos em “terra santa”. O fogo consome tudo o que é contrário à mente de Deus, e somente aquilo que fala da Pessoa e obra de Seu amado Filho é aceitável. Que seja nosso desejo apresentar aquilo que Lhe agrada.

 

Compilado

Adoração Verdadeira

 

A verdadeira adoração está em um relacionamento conhecido, louvando, adorando, agradecendo, bendizendo a Deus, na consciência de Seu favor, em Sua presença como aqueles que foram introduzidos pela obra de Cristo, tanto limpos quanto segundo o valor e cheiro do Seu sacrifício. A adoração está em um relacionamento conhecido de favor e graça presentes, no qual permanecemos, para que tenhamos regozijo em Deus. E, posso acrescentar, estar diante do Pai que nos ama.

 

É a efusão do coração, deleitando-se com Deus e adorando-O por tudo o que Ele fez quando pensamos nisso, mas que flui do que Ele é para nós. E na verdade estamos em Sua presença, nunca esquecendo com certeza como chegamos lá, pois Ele Se manifestou. Nisso aprendemos amor, retidão e santidade lá, mas como por dentro, louvando a Quem encontramos, em nosso relacionamento presente com Ele.

 

J. N. Darby

O Pai Procura Adoradores

 

O Pai busca adoradores,

Para transmitir Seus louvores,

E por toda a Terra,

Ele sonda cada coração.

 

É nosso coração que o Salvador quer,

Afeições e nosso louvor;

O fruto e a adoração de nossos lábios

Ao cantarmos Seus caminhos.

 

Seu coração de amor deseja que os Seus

Correspondam ao Seu amor,

Reunindo-se ao Seu redor

E louvando-O nas alturas.

 

“A tua voz é doce”, diz o Salvador

À Sua amada noiva,

Que assim responde para adorá-Lo

E dar graças ao Cordeiro que morreu.

 

Que paz e satisfação vêm

De adorar o Senhor!

De louvá-Lo e lembrá-Lo,

De acordo com Sua Palavra.

 

De saber que todos os nossos pecados foram perdoados,

Nossa consciência agora está livre,

Pois Jesus pagou a dívida que tínhamos

No cruel madeiro do Calvário.

 

Oh! Ele é digno do teu amor;

Ele é digno do teu louvor;

E todo joelho se dobrará a Ele

Nos dias vindouros.

 

Mas é precioso reconhecê-Lo agora,

O Cordeiro que por nós foi morto,

Correspondendo ao Seu coração de amor,

E adorando em Seu nome.

 

Oh! Agradeça-O então, lembre-se d’Ele,

E adore a Seus pés;

Dê-Lhe a adoração que Lhe é devida,

Os louvores que Lhe são devidos.

 

Que as ações de graças do nosso coração

Nosso louvor sempre se eleve,

A Deus Pai, por meio do sangue

De Cristo, o Amigo do pecador.


L. Beckwith

“Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse O revelou”

João 1:18


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