Serviço (Dezembro de 2011)
- Revista O Cristão

- 17 de out.
- 30 min de leitura

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Revista mensal publicada originalmente em dezembro/2011 pela Bible Truth Publishers
ÍNDICE
Tema da edição
Adaptado de uma revista antiga
Christian Truth, 14:29
Christian Truth, 12:197
Bible Treasury, 3:377, adaptado
W. J. Prost
C. H. Mackintosh, adaptado
E. L. Bevir, adaptado
Christian Friend, adaptado
C. E. Lunden, Março de 1988
H. G.
C. H. Mackintosh
Christian Friend
L. Beckwith
Adaptado de “Other May... You cannot”
E. Dennett
G. R. Adkins
Serviço

Enquanto eu começava a escrever esta introdução para a edição, o seguinte e-mail chegou da Índia: “Querido irmão, lamento muito informá-lo novamente, um crente foi morto na noite passada… Ele aceitou o Senhor Jesus como seu Salvador pessoal e não concordou em adorar os ídolos [de sua família]. Eles o mataram; eles o queimaram com fogo. A casa dele é perto do nosso salão de reuniões aqui. A situação não está boa. Os moradores da vila estão nos importunando”.
A maioria dos artigos nesta edição tem a ver com o motivo e a preparação do coração e orientação para o serviço. Este e-mail nos lembra que o serviço também tem um preço. A história nos diz que todos os apóstolos, exceto talvez João, deram sua vida a serviço por Aquele que deu Sua vida por eles. Jim Elliot, que deu sua vida a serviço do Senhor, disse: “Não é tolo aquele que dá o que não pode guardar para ganhar o que não pode perder”. Qualquer que seja o custo, que o Senhor dê ao nosso coração a coragem e a vontade de gritar: “Vale a pena; Ele é digno disso”. “Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a Mim Me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a Minha palavra, também guardarão a vossa” (João 15:20).
Tema da edição
Serviço para Cristo
Aquele que serve sem se assentar aos pés de Cristo faz o que ele acha certo, mas não significa que isso será o que Cristo mais goste. Se eu me assentar aos pés d’Ele, eu saberei do que Ele mais gosta, e então meu serviço pode ser de acordo com Sua mente.
Podemos servir a qualquer um, e também com devoção, de duas maneiras: ou fazendo o que pensamos que será adequado para tal pessoa, ou fazendo o que descobrimos (esperando n’Ele de forma paciente e sincera) que é o que Ele gostaria que fosse feito. Marta e Maria, respectivamente, ilustram essas duas formas de serviço. Marta faz o que ela julga necessário, e sobre a utilidade disso não poderia haver dúvidas, mas ela consulta apenas seu próprio julgamento quanto à adequação disso. Ela sentiu, e com razão, que não poderia haver dúvida sobre a utilidade disso, e trabalhou até ficar cansada e sobrecarregada por ter servido tanto. Ela não tinha o descanso no Senhor que Maria tinha, pois Maria se assentou aos Seus pés e ouviu Sua palavra. É importante lembrar que onde há descanso do coração, o coração buscará ser guiado em tudo para agradar Aquele a Quem serve, e não apenas fazer o que todos veem como adequado e necessário. Se eu consultar minha própria mente sobre o que devo fazer, eu a torno meu guia, presumindo que Ele aceitará isso, mas então, por consequência, eu estou mais diante de mim mesmo do que diante d’Ele.
Quando não estamos em comunhão com a Sua mente, muitas coisas parecem perfeitamente certas para fazermos que não tentaríamos fazer se estivéssemos em maior comunhão. Pedro não teria desembainhado sua espada para defender seu Senhor se estivesse em companhia de Sua mente (João 18:10), no entanto, sem dúvida, ele sentiu que estava fazendo um ato certo e digno.
Um verdadeiro servo
Um verdadeiro servo está sempre pronto. “Eis-me aqui” – “Senhor, que queres que eu faça?” expressa sua condição. Ele não escolhe seu trabalho, mas obedece ao seu Mestre. Muitas de nossas dificuldades sobre o serviço decorrem da falta de inteligência quanto à vontade de nosso Mestre. Esperamos e esperamos por alguma grande comissão e muitas vezes deixamos de fazer as coisas presentes. Nós nos esquivamos do trabalho que o próprio Senhor pode estar colocando diante de nós e desejamos ser usados em outro serviço no qual Ele não nos requer. Não houve o assentar aos pés de Jesus para aprender de Sua mente antes da tentativa de serviço ativo.
Para cada Cristão, que verdadeiramente conhece seu caminho de serviço e se contenta em caminhar nele com humildade e quietude com o Senhor, há trabalho entre aqueles muitos que estão em um estado de espírito inquieto e incerto, desejando atividade, mas ignorantes do que deveriam estar fazendo. Toda essa incerteza causa o descontentamento tão frequentemente evidente entre os santos e murmurações sobre “falta de comunhão”, “falta de cuidado pelas almas” e “nenhum esforço evangelístico”. Frequentemente, aqueles que mais murmuram são aqueles que têm o menor senso de responsabilidade individual e a menor força de Deus para um caminho claro.
Todos têm um lugar
Ainda assim, todos nós devemos confessar as tristes deficiências – frieza, letargia e preguiça. Mas o remédio não está em “murmurações” ou “contendas”, mas em julgamento próprio e propósito de coração para aprender e então fazer nosso trabalho para Deus. Nem todos são pregadores, mas todos têm um lugar no corpo de Cristo, e ser membro implica atividade e vida, responsabilidade para com o Cabeça e cuidado com os membros. Todos têm um Deus e Salvador cuja doutrina são chamados a adornar em todas as coisas. Todos nós estamos vivendo no meio de uma geração “corrompida e perversa”, entre a qual devemos resplandecer, “retendo a palavra da vida”.
Se formos aptos para o uso do Mestre e preparados para toda boa obra, logo descobriremos que não há tempo para reclamar, mas que o tempo nos falta para fazer as muitas, muitas coisas que o Senhor colocará diante de nós dia após dia e hora após hora. Talvez não tenhamos que pregar para grandes congregações nem mesmo para pequenas, mas há muito a fazer, além de pregar, e muitos pequenos trabalhos, invisíveis e desconhecidos por todos, exceto pelo próprio Mestre, receberão sua recompensa naquele dia, quando cada um receberá de Deus o louvor.
Adaptado de uma revista antiga
Verdadeiro Serviço
Os servos do Senhor são propensos a cair no erro sutil de considerar a obra como sendo sua, em vez de considera-la como d’Ele. É trabalhar para o próprio crédito em vez de para Sua glória. É atrair ou tentar atrair para mim, não totalmente para Ele. E para onde iremos em busca do remédio? Precisa ser indo a Ele. Deve ser encontrado na renovação da forma como vemos a formosura do Senhor e da bem-aventurança e quão agradável é nossa porção e parte n’Ele.
O serviço é muito mais feliz quando não é a fonte da felicidade do homem. A fonte e o segredo de toda a felicidade é Cristo, e esse segredo age igualmente, seja quando um sucesso destacado acompanha a ação ou o discurso, ou quando não haja nenhum sucesso aparente; seja quando o servo é colocado pelo Mestre na primeira fila da ação no campo da colheita, ou é mandado assentar em um canto e afiar as foices dos outros, ou seja quando ele é chamado a falar a uma multidão com poder espiritual ou a ficar quieto em uma cama por causa de uma doença.
Trabalhar pelo trabalho em si
Eu rogo então, com toda a sinceridade, no interesse do verdadeiro serviço Cristão, por aquilo que, nestes tempos de pressa, precisamos tanto – que nossa alma entre mais profundamente no segredo da presença do Senhor. O trabalho não é alimento para o espírito, assim como não é para o corpo. Em meio a uma multidão de trabalhos, a alma do trabalhador pode murchar, e os trabalhos demonstrarão a diferença no devido tempo. Devemos tomar cuidado com isso, porque somos servos e não empreiteiros, para que estejamos vivendo e servindo a Ele, não apenas para realizar uma grande quantidade de ação, mas para sermos vasos aptos para o uso do Mestre, à maneira d’Ele e não à nossa. E para isso devemos viver, por assim dizer, por trás de nosso serviço; devemos viver em um sentido abençoado, independentemente do trabalho. Devemos viver de Cristo, não de energia, não de sucesso, não de louvor, não de notoriedade. Deus me livre! E para viver d’Ele no serviço, devemos na regra e no hábito de vida vigiar os momentos de solene e sagrada comunhão com Ele em segredo. Graças a Deus, esse quadro não é uma fantasia. É o segredo de muitas vidas de serviço firme, humilde e que reflete a Cristo na Igreja de Deus.
Christian Truth, 14:29
Serviço e Comunhão
Para aqueles que buscam servir ao seu gracioso Mestre no ministério da Palavra no trabalho de escola dominical, na pregação de rua, na distribuição de folhetos, ou em qualquer outra forma de trabalho para o Senhor, eu diria com profundo afeto: certifiquem-se de que seu serviço é aquilo que brota da comunhão com Cristo. Rios de água viva só podem fluir daqueles que vão até Ele e bebem, e eles devem ir a Ele continuamente. Tenham o cuidado de não permitir que nada ofusque o seu desfrute do amor divino, e procurem perceber por si mesmos a preciosidade inigualável de Cristo, para que quando falarem d’Ele seja a partir da plenitude de um coração tornado abundantemente feliz. É verdade que a forma externa do serviço pode ser mantida pela mera energia da natureza e à parte da comunhão com Cristo, mas então faltará o elemento-chave que torna o serviço aceitável a Ele, e a própria alma de vocês será enfraquecida e se tornará como grama murcha.
O objetivo do serviço
Além disso, estejam em guarda contra fazer do serviço o seu único objetivo. Aqueles que agem assim raramente servem bem. Conhecemos homens fervorosos que caíram nessa armadilha. Eles nunca estão satisfeitos a menos que estejam sempre em movimento e menosprezam os outros que não seguem seus passos. Ora, Marta serviu muito e criticou aquela que parecia servir menos, no entanto, a segunda recebeu a aprovação do Senhor, e Marta a perdeu. Há um zelo que percorre mar e Terra, mas não é alimentado por fogos celestiais. Há um correr de um lado para o outro com pés inquietos e um fazer isso e aquilo que, afinal, pode ser apenas a atividade religiosa da carne, que se desvanece.
Comunhão
Cultivem a comunhão com Deus, estejam muito em oração, e dediquem tempo à Palavra de Deus, para que sua própria alma seja alimentada. De que outra forma vocês alimentarão os outros? “Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado dos bois? Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito” (1 Co 9:9-10). Ao pensar nos outros e trabalhar para o bem deles, Deus quer que também nos alimentemos. Logo passaremos fome se não o fizermos, e a força espiritual diminuirá. Seremos cuidadores das vinhas dos outros, enquanto nossas próprias vinhas não foram cuidadas.
Vocês descobrirão que é um hábito enfraquecedor ler a Palavra apenas para buscar algo para outras pessoas. É o serviço gibeonita (Js 9:21). Além disso, o que vocês recolhem e colocam diante dos outros será mera informação religiosa na qual não haverá unção celestial. É muito diferente do ministério vivo do Espírito Santo.
Fidelidade nas pequenas coisas
Sejam fiéis também nas pequenas coisas; pode ser que Deus confie a vocês questões maiores. Ficamos um pouco receosos daqueles que negligenciam os deveres comuns da vida cotidiana para o que eles se agradam de pensar e chamar de obra do Senhor. Em toda a oportunidade, façam com fidelidade e bem, tudo o que lhes vier à mão. Em uma escola humilde, longe da observação pública, Deus treina Seus servos para a mais elevada missão deles. Moisés passou quarenta anos no deserto, guardando os rebanhos de seu sogro, antes de ser chamado para liderar as tribos de Israel para fora da casa da servidão, e Davi no deserto, vigiando as poucas ovelhas de Jessé, foi preparado ali para seu conflito com Golias no vale de Elá. Os anos assim passados não foram anos desperdiçados; o fruto deles foi sempre visto depois.
Christian Truth, 12:197
Reflexões sobre o Serviço
Na Epístola aos Filipenses, um grande objetivo do Espírito Santo é nos dar a conhecer Cristo como o Servo. Ele faz isso para produzir em nós um serviço de coração sincero. Deus tem Sua própria maneira de fazer isso, e só pode ser por meio de Seu Filho. Ele quer tornar Seu Filho querido para nós, e por isso Ele nos associa a Ele no serviço aqui na Terra, assim como Ele nos associou a Ele na glória acima. É a comunhão com Cristo que nos torna verdadeiros servos e nos dá poder.
Devemos ser filhos antes de podermos ser servos, e a única coisa que pode nos capacitar a desempenhar qualquer serviço de forma aceitável é o poder que obtemos ao olhar para Jesus – ao saber o que somos e o que temos n’Ele. Todas as outras energias podem parecer nos elevar, mas não nos capacitam para o serviço. Deus quer sempre que nos lembremos do que somos em Sua graça. Eu pertenço ao Jesus ressuscitado, e com Ele e n’Ele eu compartilho toda a glória dada. E nada me capacita para servir ou me dá poder para caminhar em obediência como a apreensão de minha associação com um Cristo glorificado. Nada me dá poder para me abster do mal além de perceber minha união com Aquele que uma vez esteve morto, mas agora está exaltado no céu.
Quanto mais sensivelmente o Espírito Santo nos mantiver no amor de Cristo, mais fortes nos tornaremos. O que nos fortalece é o que vemos em Jesus e o que obtemos ao olhar para Ele. Aqui em Filipenses, o Espírito Santo está exibindo Jesus como o Servo, para que aqueles que Lhe são queridos possam seguir as mesmas atividades de amor e serviço.
Bible Treasury, 3:377, adaptado
Adoração e Serviço
A maioria dos que leem este artigo provavelmente foi ensinada que, embora a adoração e o serviço sejam ambos privilégios muito reais para cada crente, a adoração precisa ter o primeiro lugar e vem antes do serviço. No entanto, talvez seja difícil para nós encontrar uma Escritura específica que prove isso sem sombra de dúvida. Algumas verdades espirituais são expressas de forma sucinta em um ou dois versículos, e uma simples leitura desses versículos resolve a questão. Por outro lado, algumas verdades são tecidas ao longo da Palavra de Deus, tanto por preceito quanto por ilustração. Eu sugeriria que a relação entre adoração e serviço é uma dessas últimas verdades.
Adoração no Velho Testamento
A primeira menção de adoração no Velho Testamento na versão ACF é em Gênesis 22:5: “Eu e o moço iremos até ali; e havendo adorado, tornaremos a vós”. No entanto, é a mesma palavra hebraica em Gênesis 18:2 e capítulo 19:1, onde é traduzida como “inclinou-se”. Há muitas referências subsequentes à adoração, mas no Velho Testamento a palavra é usada principalmente em um sentido cerimonial. Certamente era aceitável a Deus, se realizada com um verdadeiro coração, mas a verdadeira adoração não era conhecida. Embora alguns indivíduos (como Abraão, Moisés e Davi) sem dúvida tivessem uma apreciação muito mais profunda do Senhor do que muitos outros, o fato é que a adoração no Velho Testamento era em grande parte de acordo com uma forma exterior. Foi somente com a vinda de Cristo que a adoração “em espírito e em verdade” pôde ser introduzida.
No entanto, mesmo no Velho Testamento encontramos a adoração ocupando o primeiro lugar. Na própria lei, os primeiros mandamentos diziam respeito ao que era devido a Deus; e então aquilo que era devido ao homem vinha em seguida. Durante Seu ministério terrenal, o Senhor Jesus resumiu esse mesmo fato, mostrando que o primeiro mandamento dizia respeito ao que era devido a Deus, enquanto o segundo trazia o que era devido ao homem.
Além disso, a lei fez previsão tanto para os sacerdotes quanto para os levitas. Os sacerdotes estavam claramente envolvidos na adoração, pois tinham o privilégio de se aproximar de Deus em nome do povo. Seus deveres são mencionados primeiro, como aqueles que podiam oferecer os sacrifícios. Os levitas, por outro lado, estavam envolvidos no serviço e estavam sob a administração dos sacerdotes. Eles podiam até ajudar a oferecer sacrifícios, mas seus deveres eram de serviço, não como adoradores. Mas todos deviam ser dirigidos por Arão, uma figura de Cristo.
Quando o Senhor os abençoou com uma boa colheita na terra de Canaã, eles deveriam trazer suas primícias ao Senhor, e isso está conectado com a adoração (Dt 26:1-11). Foi somente depois disso que o dízimo foi mencionado, e a importância de dar ao órfão, ao estrangeiro e à viúva. Em tudo isso vemos que o que era devido ao Senhor sempre vinha antes do que era devido ao homem.
Adoração no Novo Testamento
No Novo Testamento, encontramos a verdadeira adoração introduzida, em toda a sua bem-aventurança. Ela não seria caracterizada por despertar as pessoas com emoção, música ou rituais, mas precisava ser “em espírito e em verdade”. Mais uma vez, nos é mostrada a importância prioritária da adoração, sendo seguida pelo serviço como algo natural. Quando Marta “estava sobrecarregada com o muito serviço” (Lc 10:40 – KJV) enquanto Maria “assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a Sua palavra” (v. 39), o Senhor gentilmente repreendeu Marta, dizendo que “Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada” (v. 42). Mais tarde, quando a mesma Maria ungiu o Senhor em Betânia, antes que Ele fosse para a cruz, o Senhor respondeu àqueles que se opuseram, lembrando-os de que, embora os pobres estivessem sempre com eles e que eles pudessem fazer-lhes o bem sempre que a oportunidade se apresentasse, eles nem sempre teriam a chance de honrá-Lo neste mundo.
Adoração, depois serviço
Essa mesma ordem de adoração e depois serviço é encontrada em todo o Novo Testamento. Em Hebreus 13:15, somos lembrados para que “ofereçamos sempre por Ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu nome”. Então, no versículo seguinte, nos é dito para não nos esquecer “da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus Se agrada” (Hb 13:16).
Pedro nos diz que agora somos “sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (1 Pe 2:5), enquanto mais tarde no mesmo capítulo, ele nos diz que somos “sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes d’Aquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (1 Pe 2:9). Novamente, a ordem é primeiro a adoração e depois o serviço. Outras Escrituras poderiam ser citadas, mas estas são suficientes para mostrar a ordem que a Escritura nos apresenta, em conexão com a adoração e o serviço.
Adoração-Serviço
Outra conexão significativa entre adoração e serviço ocorre em Romanos 12:1, onde o crente é exortado a apresentar seu corpo em “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”. A palavra usada aqui para “culto” é usada várias vezes no Novo Testamento. Na maioria das vezes, é traduzida como “servir” ou “serviço”, mas também tem a conotação de adoração e é traduzida dessa forma várias vezes. Por exemplo, quando Paulo diz aos Filipenses que “circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito” (Fp 3:3), a palavra traduzida como “servimos” é a mesma palavra-raiz que aquela traduzida como “culto” em Romanos 12:1. Há um serviço envolvido na adoração, mas também um serviço envolvido no ministrar ao homem, e nossos corpos devem ser usados para ambos, mas novamente, na ordem correta.
Há algumas lições importantes a serem aprendidas com tudo isso. Em primeiro lugar, devemos reconhecer a conexão íntima entre adoração e serviço. Como alguém observou, “Todo serviço deve ser realizado no espírito de adoração”. Um irmão, que já está agora com o Senhor, costumava dizer: “A lembrança do Senhor tem uma semelhança com a pregação do evangelho: Em uma, apresentamos Cristo e todas as Suas glórias a Deus o Pai. Na outra, apresentamos Cristo como Salvador ao pecador”. Embora Deus dê dons para serem usados no serviço, é importante ver que nenhum dom está envolvido na adoração. Da mesma forma, adoração e serviço não estão agora conectados a diferentes grupos de pessoas, como estavam no Velho Testamento; todo crente é tanto um sacerdote quanto um levita nesta presente dispensação.
Comunhão com o Senhor
Alguém pode se propor a servir sem ser um adorador, mas se somos verdadeiramente adoradores, não podemos deixar de ser servos. É aquele que está em verdadeira comunhão com o Senhor que terá não apenas o desejo e a energia para o serviço, mas também a inteligência espiritual para conhecer a mente do Senhor.
Em segundo lugar, e conectado a esta primeira lição, vemos que sem ser um verdadeiro adorador, não se pode ser um servo aceitável. Nosso coração e mente podem se encantar com o serviço, especialmente se outros estão ativamente engajados nele, e podemos supor que podemos elevar nosso estado espiritual nos envolvendo. Raramente isso acontece; muitas vezes resultará ou em buscarmos aliviar nossa consciência com uma atividade frenética após a outra, ou em um espírito de queixa, como aconteceu com Marta, quando ela se sentiu sobrecarregada ao servir. Antes de podermos servir efetivamente, devemos estar em comunhão com o Senhor.
A resposta do amor
Em terceiro lugar, somos lembrados de que a fonte tanto da adoração quanto do serviço é a mesma – a resposta do amor, como resultado do amor de Deus desfrutado na alma. A respeito do ato de Maria de ungi-Lo, o Senhor disse que sua ação seria contada em todo o mundo, onde quer que o evangelho fosse pregado. Ele não queria dizer que Maria deveria ser exaltada, mas sim que sua ação mostrava como o amor de Deus e a apreciação de Cristo – Sua Pessoa e Sua obra, desfrutados na alma – podiam fazer um pecador amá-Lo tanto em retorno. “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro” (1 Jo 4:19), e a verdadeira adoração e serviço brotam do desfrute de Seu amor e de nossa resposta a esse amor. É verdade que “o amor de Cristo nos constrange” (2 Co 5:14), seja na adoração ou no serviço. Se nosso coração está verdadeiramente desfrutando Seu amor, haverá uma pronta resposta, em primeiro lugar no “sacrifício de louvor” prestado em conexão com a lembrança do Senhor, e então um desejo de servi-Lo, de qualquer maneira que Ele possa nos dirigir.
W. J. Prost
Sacerdócio e Serviço
Deus dá uma descrição do serviço relativo dos sacerdotes e dos levitas em Números 18:1-7. Aqui temos uma resposta divina à pergunta levantada pelos filhos de Israel no capítulo anterior: “Todo aquele que se aproximar do tabernáculo do SENHOR, morrerá; seremos pois todos consumidos?” (Nm 17:13). “Não”, diz o Deus de toda graça e misericórdia, porque Arão e seus filhos com ele “fareis o serviço do santuário e o serviço do altar; para que não haja outra vez furor sobre os filhos de Israel” (Nm 18:5). Assim, o povo é ensinado que naquele mesmo sacerdócio, que havia sido tão desprezado e criticado, eles deveriam encontrar sua segurança.
Mas devemos notar que os filhos de Arão e a casa de seu pai estão associados a ele em seus santos privilégios e responsabilidades; os levitas foram dados como uma dádiva a Arão, para fazer o serviço do tabernáculo da congregação e para servir sob ele. Isso nos ensina uma lição muito necessária para os Cristãos no momento presente. Todo serviço, para ser inteligente e aceitável, deve ser prestado em sujeição à autoridade e orientação sacerdotal. “Também farás chegar contigo a teus irmãos, a tribo de Levi, a tribo de teu pai, para que se ajuntem a ti, e te sirvam” (Nm 18:2). A tribo inteira de trabalhadores estava associada e sujeita ao grande sumo sacerdote; tudo estava sob seu controle e orientação imediatos. Assim deve ser agora, em relação a todos os trabalhadores de Deus. Todo serviço Cristão deve ser feito em comunhão com nosso grande Sumo Sacerdote e em santa sujeição à Sua autoridade. Não tem valor de outra forma. Pode haver muito trabalho feito e pode haver grande atividade, mas se Cristo não for o Objeto imediato diante do coração – se Sua orientação e autoridade não forem plenamente reconhecidas – o trabalho deve ser considerado nulo.
Servindo sob Cristo
Por outro lado, o menor ato de serviço feito sob o olhar de Cristo, com referência direta a Ele, tem seu valor na estima de Deus e receberá sua devida recompensa. Isso é verdadeiramente encorajador e consolador para o coração de todo trabalhador sincero. Os levitas tinham que trabalhar sob Arão; os Cristãos têm que trabalhar sob Cristo. Somos responsáveis perante Ele. É bom caminhar em comunhão com nossos companheiros de trabalho e estar sujeitos uns aos outros, no temor do Senhor. Nada está mais longe de nossos pensamentos do que fomentar um espírito de independência ou aquela disposição de alma que impediria nossa cooperação sincera com nossos irmãos em toda boa obra. Todos os levitas estavam unidos a Arão em seu trabalho e, portanto, estavam unidos uns aos outros. Assim, eles tinham que trabalhar juntos. Se um levita tivesse virado as costas para seus irmãos, ele teria virado as costas para Arão. Todos foram chamados a trabalhar juntos, por mais variado que o trabalho deles pudesse ser.
Ainda assim, é preciso ter em mente que o trabalho deles variava, embora cada um fosse chamado a trabalhar sob a direção de Arão. Havia responsabilidade individual juntamente com a mais harmoniosa ação coletiva. Certamente desejamos, de todas as maneiras possíveis, promover a unidade na ação, mas isso jamais deve ser permitido a ponto de invadir o domínio do serviço pessoal ou interferir na relação direta do trabalhador individual com o seu Senhor. A Igreja de Deus oferece uma plataforma muito extensa para os trabalhadores do Senhor, e há ali amplo espaço para todos os tipos de trabalhadores. Não devemos tentar reduzir todos a um nível legalista, nem restringir as variadas energias dos servos de Cristo confinando-os a certas velhas rotas de nossa própria formação. Todos nós devemos diligentemente procurar combinar a mais cordial unanimidade com a maior variedade possível na ação. Ambos serão promovidos de forma saudável, se todos nos lembrarmos de que somos chamados a servir juntos sob Cristo.
Servindo juntos
Aqui reside o grande segredo – juntos, sob Cristo! Se tivermos isso em mente, isso nos ajudará a reconhecer e apreciar a linha de trabalho de outra pessoa, embora possa ser diferente da nossa. Por outro lado, isso nos preservará de uma estima demasiadamente elevada de nosso próprio campo de serviço, pois veremos que somos, todos e cada um, simplesmente companheiros de trabalho no único e vasto campo. O grande objetivo diante do coração do Mestre só pode ser alcançado por cada trabalhador seguindo sua própria linha especial e seguindo-a em feliz comunhão com todos.
Há uma tendência prejudicial em alguns de depreciar toda linha de trabalho, exceto a sua própria. Isso deve ser cuidadosamente evitado. Se todos seguissem a mesma linha, onde estaria aquela bela variedade que caracteriza a obra do Senhor e Seus obreiros no mundo? Nem é apenas uma questão da linha de trabalho, mas na verdade do estilo peculiar de cada trabalhador. Você pode encontrar dois evangelistas, cada um marcado por um intenso desejo pela salvação das almas, cada um pregando substancialmente a mesma verdade, e ainda assim pode haver a maior variedade possível no modo como cada um procura alcançar o mesmo objetivo. O mesmo se aplica a cada outro ramo do serviço Cristão. Devemos suspeitar fortemente do terreno ocupado por uma assembleia Cristã se não houver amplo espaço permitido para cada ramo e estilo de serviço Cristão – para cada linha de trabalho capaz de ser assumida em responsabilidade individual para com o grande Cabeça da casa sacerdotal. Não devemos fazer nada que não possamos fazer sob Cristo e em comunhão com Ele. E tudo o que pode ser feito em comunhão com Cristo certamente pode ser feito em comunhão com aqueles que estão caminhando com Ele.
C. H. Mackintosh, adaptado
O Espírito de Serviço
O serviço de Deus neste mundo sempre foi acompanhado de dificuldade e oposição. Nos tempos do Velho Testamento, os servos enviados à vinha do Senhor voltaram todos decepcionados, espancados ou apedrejados; alguns nunca voltaram, mas foram mortos por aqueles de quem eles buscavam frutos para Jeová. No serviço do Novo Testamento, aquele que foi usado principalmente para levar o evangelho da glória de Deus primeiro ao Judeu e depois ao gentio teve que sentir não apenas a cruel oposição do mundo em geral – o açoite, as pedras e as prisões – mas teve que lamentar, no final de sua jornada, o abandono e a negligência da maior parte daqueles que haviam recebido a verdade por meio dele.
Haveria o suficiente para deter até mesmo um homem ativo e zeloso em tal caminho. Lembro-me bem das palavras de um velho servo do Senhor para alguém que estava desanimado pela ingratidão daqueles que ele havia tentado servir: “O Cristianismo não é demonstrado buscando algo na Terra, nem mesmo a gratidão dos Cristãos, mas trazendo para a Terra o poder de outra esfera”.
Servir por amor
O espírito de serviço no Cristianismo é o amor, e um amor que está disposto a se gastar e a ser gasto pelos outros, sem recompensa, mas até mesmo pronto a amar os coríntios ainda mais, quanto menos eles o amavam (2 Co 12:15).
Deve ter sido muito difícil continuar este serviço aos coríntios. De fato, há um prazer em trabalhar para os outros que demonstram um pouco de gratidão e interesse em retribuição ao serviço, mas o que deve ter sido para o coração do dedicado apóstolo receber nada além de desagrado e ingratidão daqueles por quem ele havia tanto sofrido e trabalhado arduamente? Se em coisas naturais é mais doloroso ter um filho ingrato do que sentir a picada da serpente, quanto mais nas coisas espirituais, onde o cuidado e o serviço ativos, fruto do verdadeiro afeto Cristão, são desprezados? O motivo e a razão para continuar a servir os ingratos são encontrados no próprio amor, e não em seus objetos. Este é exatamente o caráter do amor, a natureza divina; não há nada de egoísta nele, e se o olho for simples, o servo mais dotado ficará bastante contente em ser mal compreendido e mal recompensado ao realizar o serviço para a Igreja de Deus.
Devemos notar a maneira abnegada com que o apóstolo atendia às necessidades dos mais fracos; sendo livre de todos, ele se fez servo de todos, para que pudesse ganhar mais. “Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” (1 Co 9:22). O espírito de serviço em Paulo era evidentemente o espírito de amor; havia aquele verdadeiro “procurar o bem” dos outros, mesmo à custa própria, e a perseverança nisso que é peculiar ao amor. Em 1 Coríntios 13, o amor é enfatizado pelo apóstolo. Os dons são encontrados no capítulo 12, o uso deles no capítulo 14, e o capítulo 13 vem entre eles como sendo a preparação para o seu uso.
O serviço de Jesus
Mas temos uma impressão muito mais gloriosa e comovente do amor do que aquela que foi vista em Paulo; temos o amor perfeito de Deus manifestado no serviço do próprio Jesus. Seu serviço foi caracterizado por uma perseverança abnegada em um caminho de condescendência que podia descer aos objetos mais fracos e onde nada além da ingratidão do homem era encontrado. Isso é amor divino. Nunca entenderemos plenamente o que foi aquele amor, que pôde descer da glória suprema para o lugar do Homem dependente, que aprendeu a obediência pelas coisas que Ele sofreu, para ser capaz de ajudar e servir os cansados. Mas é uma coisa feliz para nós que tenhamos o próprio Senhor como o padrão e modelo de serviço.
“Eu, porém, entre vós sou como Aquele que serve”, Ele disse, em um momento em que todos os sofrimentos da cruz estavam diante d’Ele e quando havia pouca resposta daqueles que eram os objetos de Seu cuidado. Se realmente desejamos cumprir nossa missão, devemos estar perto d’Aquele cuja bendita vida aqui na Terra foi gasta em serviço perfeito a Deus e ao homem, que nunca buscou nada para Si mesmo, mas sempre o bem dos outros.
Se nossos recursos estão no próprio Senhor, não importa qual seja nosso dom ou serviço, nós o realizaremos com um coração feliz n’Ele e sustentado por Ele até o fim. Naquele dia, “os Seus servos O servirão. E verão o Seu rosto, e nas suas testas estará o Seu nome” (Ap. 22:3-4).
E. L. Bevir, adaptado
O Servo do Senhor
Aqueles que lutam as batalhas do Senhor devem se contentar em não ser considerados em nenhum aspecto; eles não devem esperar ser encorajados pela perspectiva de louvor humano. E se você abrir uma exceção, contando que os filhos de Deus o louvarão, tome cuidado com isso, pois a sua expectativa da aprovação deles pode desviá-lo do objetivo correto, fazendo com que você semeie para a sua própria carne em busca da aprovação deles. Você não será beneficiado por eles nem eles por você, enquanto o respeito por eles for o seu motivo. Todos esses motivos são um veneno e debilitam a força para dar glória a Deus. A falta de entendimento do mundo não é a única falta de entendimento que o Cristão deve se contentar em suportar no trabalho. Ele deve esperar que até mesmo seus irmãos o julguem mal; ele não deve esperar a empatia e os aplausos de aprovação deles. O homem de Deus deve caminhar sozinho com Deus e se contentar que o Senhor saiba. É um alívio tão grande para o homem natural depender do apoio, dos pensamentos e da empatia humanos; muitas vezes nos enganamos a nós mesmos e pensamos que é “amor fraternal”, quando estamos apenas descansando na empatia de algum semelhante. Você deve ser seguidor d’Aquele que foi deixado sozinho, e você deve se alegrar como Ele, porque você não está sozinho, porque o Pai está com você, para que você possa dar glória a Deus.
É uma glória tão grande para Deus ver uma alma que tem sido exposta ao louvor dos homens, estar contente, satisfeita e feliz em servir com referência apenas a Deus, sabendo que aqueles que estão sendo servidos possivelmente todos o julgarão mal. Aqui estava a vitória de Jesus; não havia um único coração que batesse em empatia com o Seu coração ou entrasse em Sua amarga tristeza, ou compartilhasse Sua dor em Sua hora de provação. Seu caminho era com o Senhor; Seu julgamento era com Deus, Seu Pai, que disse: “Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo” (Mt 3:17). Esta foi a glória perfeita dada ao Pai pelo Filho, que em carne e sangue manifestou tamanha confiança em Deus. É para isso que você é chamado; você não é chamado para isso como Ele foi, mas você é chamado para ver Deus n’Ele. Deus Se aproximou de você em Cristo; aqui você tem um coração humano, uma empatia perfeita, e Deus sempre nos leva a isso. Se houver qualquer outra empatia com você em todo o vasto universo, é apenas aquela que flui de Cristo para Seus membros que pode ser de algum valor para você. Alimente-se disso e lembre-se de que você deve caminhar no mundo desta maneira, sem depender uns dos outros.
Christian Friend, adaptado
A Responsabilidade pelo Trabalho Evangélico e Ministério
Eu classifico todos os seguintes itens juntos como exercício e responsabilidade pessoais:
Reuniões de jovens em casas ou em certas ocasiões, quando os jovens são chamados a se reunir.
Escolas dominicais.·
Acampamentos de verão, incluindo atividades recreativas.·
Reuniões especiais para casais jovens.·
Reuniões em casas.·
Palestras sobre assuntos especiais.·
Trabalho de publicação.·
Trabalho evangélico, incluindo distribuição de folhetos, pregação de rua e pregação do evangelho de forma itinerante.
Atividades de lazer.
“Sempre abundantes na obra do Senhor” (1 Co 15:58).
“Preparados para toda a boa obra” (Tt 3:1).
Crítica
Um irmão mais velho costumava dizer: “Se há uma oportunidade, use-a”. Eu acredito que a questão não é apenas que devemos usar as oportunidades, mas que elas sejam usadas de acordo com os princípios bíblicos. Talvez se aqueles que criticam estivessem ativos em alguma pequena esfera de serviço, aproveitando as oportunidades, eles teriam pouco ou nenhum tempo para a crítica. Eu, no entanto, posso não me sentir à vontade para fazer algumas das coisas que outros fazem. Deus preparou cada servo: Alguns são “canhotos”, alguns têm o dom para visitar, alguns vão aos pagãos e alguns são mestres. Deveria eu, então, julgá-los pela minha falta de habilidade?
O trabalho evangelístico é uma responsabilidade individual. “Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai” (Rm 14:4). Sou muito lento para criticar qualquer trabalho, porque em alguns casos há ignorância, mas um coração disposto. Cada um tem que aprender diante do Senhor, e os Evangelhos são uma grande ajuda nisso.
Para nós, questionar o trabalho de outra pessoa é algo sério. Eu sou responsável por repreender qualquer coisa nesse trabalho que não esteja de acordo com a Escritura, assim como a pessoa responsável por isso. Mas devemos ter certeza de que temos a Escritura para isso e que o fazemos com humildade de forma a não interromper o trabalho. Nós nunca precisamos baixar o padrão, seja em um lugar público ou em uma reunião privada. Cristo era o mesmo no templo, na casa do fariseu ou em Betânia.
O ministério deve estar sempre em conformidade com a santidade e a glória de Cristo, e cada reunião especial deve estar sob o controle completo daquele que a conduz.
C. E. Lunden, Março de 1988
Direção no Serviço
A questão se apresenta: De que maneira e em que medida podemos esperar a direção de Deus em nosso trabalho? A resposta é análoga à mesma intervenção de Deus para nos libertar dos perigos. Não podemos esperar intervenções visíveis e sensíveis, mas podemos esperar com certeza o cuidado e a direção de Deus pelo Seu Espírito no coração se caminharmos com Ele – para sermos “cheios do conhecimento da Sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual” – para sermos guiados pelo Espírito se caminharmos com humildade (Rm 8:14; Cl 1:9; veja também Sl 32:8-9). Não duvido que se caminharmos com Deus e olharmos para Ele, o Espírito colocará em nosso coração as coisas especiais que Ele deseja que façamos. Apenas é importante que mantenhamos na memória a Palavra de Deus, para que ela possa ser uma guarda contra todas as nossas próprias imaginações; caso contrário, o Cristão que carece de humildade fará sua própria vontade, muitas vezes tomando-a como se fosse do Espírito Santo. Esta é apenas a loucura enganosa de seu coração – primeiro, que ele pensa que as conhece; segundo, que as toma como se fosse do Espírito Santo. Mas repito, aquele que olha com humildade para o Senhor será conduzido pelo Senhor no caminho, e o Espírito Santo, que habita nele, lhe sugerirá as coisas que Ele deseja que ele faça.
J. N. Darby
Perseverança no Serviço
Se for para o nosso ministério ter poder e nosso testemunho evangelístico eficácia, isso apenas acontecerá à medida que nossa alma se elevar acima de nossas falhas e da falha de todos ao nosso redor e, com a mão da fé, agarrarmos a mão do Deus infalível e nos apoderarmos das promessas de Sua Palavra. Foi assim que Abraão triunfou sobre a tristeza de colocar seu Isaque no altar, e é assim que nós triunfamos sobre toda a tristeza de dentro ou de fora – sobre toda a dificuldade que encontramos no caminho da obediência e sobre toda a fraqueza que resulta de nossas próprias falhas e deficiências. É a consideração da fidelidade de Deus que nos levantará de nossa fraqueza ou de nossa incredulidade.
H. G.
Eu Não Farei – Eu Farei
Não farei nada para salvar minha alma,
Pois isso o Senhor já fez;
Mas eu trabalharei como qualquer servo
Pelo amor ao Filho amado de Deus.
Verdadeiro serviço
O servo verdadeiramente dedicado manterá seu olhar não em seu serviço, por maior que seja, mas no Mestre, e isso produzirá um espírito de adoração. Se eu amo meu mestre segundo a carne, não me importarei se estou limpando seus sapatos ou dirigindo sua carruagem, mas se estou pensando mais em mim mesmo do que nele, eu preferirei ser um cocheiro a um engraxate. Assim é precisamente no serviço do Mestre celestial; se estou pensando apenas n’Ele, estabelecer igrejas e fazer tendas serão ambos a mesma coisa para mim.
Podemos ver a mesma coisa no ministério dos anjos. Não importa para um anjo se ele é enviado para destruir um exército ou para proteger a pessoa de algum herdeiro da salvação; é o Mestre que preenche inteiramente sua visão. Como alguém comentou, “Se dois anjos fossem enviados do céu, um para governar um império e o outro para varrer as ruas, eles não disputariam a respeito de suas respectivas tarefas”. Isso é muito verdadeiro, e assim deveria ser conosco. O servo deve estar sempre unido ao adorador, e as obras de nossas mãos devem ser perfumadas com os ardentes anseios de nosso espírito. Em outras palavras, devemos sair para o nosso trabalho no espírito daquelas palavras memoráveis: “Eu e o moço iremos ali e adoraremos” (JND). Isso nos preservaria eficazmente daquele serviço meramente mecânico no qual somos tão propensos a cair – fazendo as coisas simplesmente por fazer e estando mais ocupados com nosso trabalho do que com nosso Mestre. Tudo deve fluir da fé simples em Deus e da obediência à Sua Palavra.
C. H. Mackintosh
Serviço Adequado
“Marta, porém andava distraída em muitos serviços” (Lc 10:40). Há uma tendência à distração em todo serviço, por mais abençoado que seja em seu lugar. Todos nós temos algum serviço que nos foi dado a fazer por Cristo – seria realmente triste se estivéssemos em uma posição em que não tivéssemos nada para fazer por Ele. O grande ponto é a maneira como ele é feito. O que é necessário é a quietude da comunhão para que possamos sair de Sua presença e depois retornar a Ele. Há aqueles que trabalham, pensando com isso alcançar a comunhão. Eles nunca podem conhecê-la ou desfrutá-la desta forma. Todo serviço real deve fluir da comunhão; então estamos ocupados com Cristo e temos Seus pensamentos.
W. T. Turpin
Como Realizar o Verdadeiro Serviço
O verdadeiro serviço começa com Cristo, que é a Cabeça, e quando Cristo é esquecido, então o serviço é defeituoso; ele perdeu a conexão com a nascente e a fonte de todo serviço, porque é da Cabeça que “todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo”. O corpo é de Cristo, e Ele o ama como a Si mesmo, e todo aquele que o servir melhor aprenderá a fazê-lo conhecendo Seu coração e Seus propósitos para com o corpo. Em uma palavra, é Cristo Quem serve, embora possa ser por meio de nós. Somos apenas “juntas e ligaduras”. Se não obtemos de Cristo, e não comunicamos d’Ele, somos inúteis. Para eu ser útil, os meus olhos e o meu coração devem estar em Cristo e não no resultado do meu serviço, embora se eu for fiel a Ele, o fim também me justificará, por mais desanimador que seja o intervalo. Aquele que julga seu serviço pelas aparências atuais julgará pela flor e não pelo fruto, e afinal, o serviço não é por causa da Igreja, mas por causa de Cristo, e se Ele for servido na Igreja, embora a Igreja não o reconheça, ainda assim, sendo Cristo servido, Ele o reconhecerá. Agora, o esforço constante de Satanás é desconectar, em nossa mente, Cristo do nosso serviço, e isso, talvez, muito mais do que qualquer um de nós tenha plenamente percebido. Se nos julgarmos a nós mesmos, quão raramente agimos simplesmente como para Cristo e para Ele somente, seja na leitura, na oração ou na fala! Com que frequência o sentimentalismo e o sentimento natural podem nos influenciar em nosso serviço, em vez do amor simples a Ele!
Christian Friend
Com Olho Simples
“Feliz três vezes aquele que serve
O Senhor com coração e alma!
Cujo propósito nunca se desvia,
Que ama o controle do Senhor.
Com olho simples – sem medo –
Com fé simples e infantil –
Ouvindo ao tom das palavras do Mestre;
Ele faz o que Ele diz.”
Serviço
O Senhor pode deixar outros serem honrados e colocados em evidência e manter você escondido na obscuridade, porque Ele quer produzir alguns frutos raros e perfumados para a Sua glória vindoura, que só podem ser produzidos na sombra. Ele pode deixar outros serem grandes, mas manter você pequeno. Ele pode deixar outros fazerem uma obra para Ele e levarem o crédito por isso, mas Ele o fará trabalhar e labutar sem saber o quanto você está fazendo, e então, para tornar seu trabalho ainda mais precioso, Ele pode deixar outros levarem o crédito pelo trabalho que você fez e assim tornar sua recompensa dez vezes maior quando Jesus vier.
Quando você for esquecido ou negligenciado ou propositalmente desprezado e você sorrir por dentro, se gloriando no insulto ou no descuido, porque assim você é considerado digno de sofrer com Cristo – isso é vitória!
Quando o seu bem é mal falado, quando seus desejos são contrariados, seu gosto ofendido, seu conselho desconsiderado, suas opiniões ridicularizadas, e você aceita tudo em silêncio paciente e amoroso – isso é vitória!
Quando você está contente com qualquer comida, qualquer roupa, qualquer clima, qualquer companhia, qualquer solidão, qualquer interrupção pela vontade de Deus – isso é vitória!
Adaptado de “Other May... You cannot”
Serviço Eficaz
Quando você bendiz a Deus, você é capaz de abençoar outras pessoas, pois todo serviço deve ser realizado no espírito de adoração. Nenhum serviço é eficaz se não for o transbordamento do coração.
E. Dennett
Vou Desejar Ter Dado Mais a Ele
Em breve, quando eu contemplar o Seu rosto –
Maravilhoso rosto, rosto sombreado por espinhos –
Em breve, quando eu olhar para o Seu rosto,
Vou desejar ter dado mais a Ele —
Mais, muito mais –
Mais da minha vida do que eu já dei antes;
Em breve, quando eu contemplar o Seu rosto,
Vou desejar ter dado mais a Ele —
Em breve, quando Ele estender as mãos –
Mãos acolhedoras, mãos perfuradas por pregos –
Em breve, quando Ele estender as mãos,
Vou desejar ter dado mais a Ele —
Mais, muito mais –
Mais da minha vida do que eu já dei antes;
Em breve, quando Ele estender as mãos,
Vou desejar ter dado mais a Ele —
À luz daquele lugar celestial –
Luz de Seu rosto, belo rosto –
À luz daquele lugar celestial,
Vou desejar ter dado mais a Ele —
Mais, muito mais –
Tesouros ilimitados para Ele que adoro;
Em breve, quando eu contemplar o Seu rosto,
Vou desejar ter dado mais a Ele —
G. R. Adkins




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