O Sangue de Cristo (Setembro de 2011)
- Revista O Cristão

- 19 de set.
- 30 min de leitura

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Revista mensal publicada originalmente em setembro/2011 pela Bible Truth Publishers
ÍNDICE
A. Miller
W. J. Brockmeier
H. H. Snell (adaptado)
Words of Truth
W. T. P. Wolston (adaptado)
J. A. Trench (adaptado)
Things New and Old 24:159
J. N. Darby
Bible Student, 3:8
Cowper, Hinário Echoes of Grace, Hino 268
O Sangue de Cristo

Nenhuma caneta pode escrever, e nenhuma língua pode expressar o que o derramamento do sangue de Jesus realizou. Os maravilhosos frutos desse único sacrifício, tanto para Deus quanto para o homem, são infinitos em sua variedade. O valor intrínseco desse sangue atendeu plena e justamente a todas as exigências de Deus, todas as demandas da lei e toda a necessidade do homem. Ele estabeleceu um fundamento – ou, melhor, por si mesmo, ele forma o alicerce – para a completa manifestação da glória de Deus e para a bênção plena de Seu povo por toda a eternidade.
Sua virtude é sentida nas mais elevadas alturas do céu e apreciada de uma maneira que não podemos conceber aqui. Mas, no devido tempo, seu poder se manifestará por todo o universo. O florescer da primavera em cada folha, flor e lâmina de relva, o cordeiro brincalhão, o leão inofensivo e o reino de paz e abundância em toda a criação, no dia de Sua glória milenar, proclamarão igualmente o poder redentor do sangue da cruz. Por outro lado, as terríveis consequências para os pecadores que desprezam esse precioso sangue serão suportadas para sempre nas profundezas do sofrimento indizível. Seu poder será sentido em todos os lugares.
A. Miller
O Sangue de Cristo
“Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas. Contudo um dos soldados Lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água” (Jo 19:33-34).
Muitos de nossos hinos mais ricos, tanto no evangelho quanto na adoração, falam do sangue de Cristo. É uma meditação que vale a pena considerar – separadamente e em conjunto – os hinos, estrofes e expressões que exaltam o valor do Seu sangue derramado.
Alguns, quando estavam preocupados em saber se foram ou não salvos, encontraram paz ao citar em voz alta versículos da Escritura que falam do sangue de Cristo e da bênção que ele traz.
O único evangelho que registra o incidente do sangue derramado do Senhor é o de João. É João quem enfatiza o Senhor Jesus como uma Pessoa divina, o Filho eterno, o Verbo eterno que Se tornou carne. A glória essencial de Sua Pessoa é apresentada em João como em nenhum outro Evangelho. Portanto, quando lemos sobre o Seu sangue derramado, somos levados pelo Espírito de Deus a reconhecer que esse sangue não é como nenhum outro. De fato, é o sangue do próprio Filho de Deus (Atos 20:28).
Ao considerar esse vasto assunto, é útil ver como o sangue é apresentado nas diferentes epístolas. Como era de se esperar, o sangue de Cristo não é mencionado em certas epístolas, e isso também é instrutivo, pois sua ausência destaca o caráter desses livros. Mas aqui estão algumas referências, com alguns breves comentários, que, eu confio, elevarão em nossos pensamentos a grandeza da obra redentora de Cristo e a bênção que resulta do Seu sangue derramado.
Romanos
“Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao Qual Deus propôs para propiciação pela fé no Seu sangue, para demonstrar a Sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da Sua justiça neste tempo presente, para que Ele seja Justo e Justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3:24-26). “Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo Seu sangue, seremos por Ele salvos da ira” (Rm 5:9).
O principal assunto de Romanos é a justiça e responde à grande pergunta: “Como pode o homem ser justo para com Deus?” (Jó 9:2 – JND). A epístola fornece a resposta para a pergunta de Jó: somos justificados, absolvidos e limpos de toda acusação, por meio do poder (o valor intrínseco) do sangue de Cristo.
Os querubins no propiciatório, representando os justos caminhos de Deus em juízo, olhavam para o sangue aspergido, ilustrando assim a verdade de que Deus sempre já tinha em vista a morte de Seu Filho. Com base nessa obra propiciatória, Ele poderia justamente “passar por cima” ou “ignorar” (At 17:30 – JND) os pecados que foram cometidos antes da morte do Senhor e também poderia justificar os pecadores no presente momento. Fora isso, Deus teria sido injusto (uma impossibilidade) se não tratasse com o pecado quando ocorresse, mas o sangue derramado de Cristo mostra a todos que Deus era Justo e agia de forma consistente com Seu caráter – tanto antes quanto agora – ao justificar os ímpios.
A justificação é vista como sendo pela graça (cap. 3:24), pelo sangue (capítulo 5:9) e pela fé (cap. 5:1). A graça é a fonte, o sangue é a base e a fé é o meio. Como foi dito corretamente: “A fé se apropria do que a graça fornece”. Mas o sangue de Cristo é o fundamento sobre o qual a graça é fornecida. Sendo assim, não há lugar para as obras, apenas para a mão da fé se estendendo para receber o que Deus providenciou.
1 Coríntios
“Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo?” (1 Co 10:16). “Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no Meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de Mim” (1 Co 11:25).
Enquanto Romanos descreve as grandes verdades do evangelho – a ruína do homem, a justiça de Deus e a redenção de Cristo – 1 Coríntios trata de assuntos pertinentes à assembleia local. Consequentemente, não encontramos o sangue mencionado em conexão com a revelação de bênçãos eternas e específicas que resultam da morte de Cristo, mas sim com o memorial dessa obra e nosso título para participar de Sua ceia à Sua mesa, que é central para a existência da assembleia local.
Sob a lei e a antiga aliança, dada a Moisés no Monte Sinai, as bênçãos do homem dependiam de ele cumprir a lei. Todos sabem o que se seguiu. O homem falhou miseravelmente, trazendo o juízo sobre si mesmo. O sangue derramado de Cristo é o sangue da nova aliança, e essa é a base sobre a qual o homem agora pode ser abençoado. Embora a nova aliança ainda não tenha sido formalmente feita com a casa de Israel e Judá (Jr 31:31), a base dela já foi estabelecida no sangue derramado de Cristo. Embora o Cristão não esteja sob nenhuma aliança, antiga ou nova (Rm 9:4), o caráter de sua bênção é o da nova aliança, que está de acordo com a graça, pois tudo depende da obra de outro, a saber, Cristo. Essa é a força da expressão “ministros de uma nova aliança” (2 Co 3:6 – ARA); era o caráter do ministério dos apóstolos em contraste com a lei.
É na assembleia que nos lembramos do Senhor, ao anunciar Sua morte, participando do pão e do cálice. É somente nesse contexto que lemos sobre o sangue de Cristo em ambas as epístolas aos coríntios. O sangue derramado de Cristo é o nosso título para estar na mesa do Senhor para participar desse único pão, expressando assim que somos membros do Seu corpo (que inclui todos os membros do único corpo).
Na ceia do Senhor, a ênfase está em lembrar d’Ele com os símbolos diante de nós de Sua obra consumada: Seu corpo entregue e Seu sangue derramado.
Efésios
“Em Quem temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da Sua graça” (Ef 1:7). “Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto” (Ef 2:13).
A epístola aos efésios estabelece a grandeza das bênçãos do crente em Cristo, tanto individual quanto corporativamente. Escrita para uma assembleia composta por gentios, eles não tinham nenhuma proximidade externa ou relativa com Deus, como tinham os Judeus. É ”em Cristo” que eles conheceriam – como o crente de hoje conhece – todas as suas bênçãos, seja eleição, redenção, aceitação ou proximidade – não em Adão, na lei ou em si mesmos, mas em Cristo. O sangue de Cristo é o fundamento sobre o qual Deus perdoa o pecado, não de má vontade, se assim podemos falar, mas “segundo as riquezas da Sua graça”. De fato, é de acordo com a bondade de Seu próprio coração.
Colossenses
“Havendo por Ele feito a paz pelo sangue da Sua cruz, por meio d’Ele reconciliasse Consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na Terra, como as que estão nos céus” (Cl 1:20).
Enquanto a epístola aos efésios nos apresenta todo o escopo da bênção do crente em Cristo, Colossenses enfatiza a glória e a preeminência do Filho. Assim, enquanto em Efésios 1:7 a redenção é vista como sendo “pelo Seu sangue”, em Colossenses 1:14 essa expressão, de acordo com a epístola, não aparece – não porque não é verdadeira, mas porque o tema em Colossenses não é o meio de nossa redenção, mas a grandeza d’Aquele que a realizou, seja agora na bênção presente pelo Seu sangue ou nos próximos dias por Seu poder.
O fundamento pelo qual a Divindade fez a paz e, finalmente, reconciliará Consigo mesma tudo o que pode ser reconciliado – seja animado ou inanimado – é o sangue de Cristo. Aquilo que está “debaixo da terra” (seres infernais) não será reconciliado; tal será eternamente condenado.
Hebreus
“Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por Seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção. Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno Se ofereceu a Si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” (Hb 9:12-14). “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que Ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela Sua carne” (Hb 10:19-20). “De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?” (Hb 10:29).
Como era de se esperar, existem inúmeras referências ao sangue na epístola aos hebreus. É necessária alguma consciência do tabernáculo, das várias ofertas e da ordem do sacerdócio de Arão para que possamos tirar proveito dos contrastes entre o Judaísmo e o Cristianismo descritos nesta epístola.
O sangue de Cristo, uma vez oferecido, é contrastado com o sangue de touros e de bodes que jamais poderiam tirar o pecado. Em virtude de Seu sangue derramado, Cristo entrou no céu, tendo realizado a redenção eterna, em contraste com o sumo sacerdote que entrava no lugar santíssimo uma vez por ano, no dia da expiação (Lv 16:34).
Consequentemente, com o clamor do Senhor: “Está consumado”, o véu foi rasgado ao meio, de cima para baixo, permitindo que Deus saísse em plena manifestação e bênção para o homem e permitindo que o homem se aproximasse de Deus de uma maneira nova e viva – isto é, não nos rituais da tradição vã, mas na realidade da fé pessoal em uma obra consumada.
Na epístola aos hebreus, uma das grandes preocupações é que os Judeus que se afastaram do Judaísmo para abraçar o Cristianismo voltassem às antigas formas e cerimônias.
Em vista disso, o escritor mostra que voltar para a ordem Judaica de sacrifício e serviço era estimar o sangue de Cristo como “comum” e não diferente do sangue de sacrifícios de animais oferecidos sob a lei. Este é um erro grave que, por implicação, destruiria o fundamento de toda bênção. Somente o sangue de Cristo pode purificar a consciência. Além da morte e do sangue derramado de Cristo, não há outro sacrifício pelo pecado. Seu trabalho é suficiente; se for rejeitado, é um insulto aberto a Ele, o Filho de Deus, e o juízo eterno é o resultado terrível.
1 Pedro
“Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (1 Pe 1:18-19).
Pedro também escreve aos Judeus, mas apenas aos eleitos, os remidos. Ele contrasta o sangue de Cristo com a prata e o ouro usados como dinheiro da expiação, que eram empregados sob a lei de Moisés. A prata é figura da obra de Cristo na redenção; o ouro é figura da glória de Sua Pessoa. No entanto, era um cordeiro, como lemos em Êxodo 12 na ocasião da Páscoa, que era sem defeito e sem mancha. No bendito Senhor Jesus não havia pecado (natureza pecaminosa) e, portanto, Ele não pecou. É somente o sangue deste, o Cordeiro de Deus, que nos redime a Deus.
1 João e Apocalipse
“Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (1 Jo 1:7). “Aquele que nos amou, e em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados” (Ap 1:5).
Do lado do Senhor Jesus, sangue e água fluíam: o sangue para nos purificar da culpa de nosso pecado e a água para nos purificar da contaminação de nosso pecado. O sangue é aplicado apenas uma vez, assim como a água quando vista como uma figura de um novo nascimento, pelo qual estamos totalmente limpos (A água, como figura da Palavra de Deus, é aplicada de maneira contínua como o agente de limpeza da contaminação moral que encontramos neste mundo – João 13).
Ao encerrar o livro, encontramos a maior prova de Seu amor e o impulso de nosso louvor: Ele nos lavou de nossos pecados em Seu próprio sangue. Todos os remidos se juntarão no cântico eterno: “Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o Teu sangue compraste [redimiste – JND] para Deus” (Ap 5:9).
W. J. Brockmeier
O Sangue
Certamente é na cruz que Deus manifesta o sangue expiatório. Ali foi, pela morte de Seu Filho, que Deus nos reconciliou Consigo mesmo. Se olharmos para algumas Escrituras do Novo Testamento, veremos que temos remissão de pecados pelo sangue, justificação pelo sangue, paz pelo sangue, proximidade a Deus em Cristo pelo Seu sangue, adoramos sobre a base do sangue e entraremos na glória por causa do valor do sangue.
Remissão de pecados pelo sangue
O testemunho divino de que “sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9:22) mostra a impossibilidade de perdoar pecados, exceto por meio do sangue. Deus nos purifica com base no pecado que foi julgado e tirado, e Cristo declara que Seu sangue foi derramado por muitos para remissão dos pecados. Ele carregou nossos pecados em Seu próprio corpo no madeiro; assim, a justiça foi satisfeita e fomos purificados dos nossos pecados. N’Ele “temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas [dos pecados – ARA], segundo as riquezas da Sua graça” (Ef 1:7). O sangue, então, é o que dá remissão dos pecados.
Justificação pelo sangue
Os homens podem conseguir justificar-se diante de seus semelhantes, mas não podemos nos justificar diante de Deus. Ele sabe que todos somos culpados e injustos. Mas a Escritura nos ensina que aqueles que creem no Senhor Jesus são justificados e que são justificados de todas as coisas por Ele. No sangue, Deus declara que Ele é Justo e o Justificador daquele que crê em Jesus. Deus nos justifica por meio do sangue, pois o sangue de Jesus não apenas nos fala sobre o pecado posto de lado, mas também d’Aquele que era perfeitamente obediente até a morte, e a morte da cruz, de modo que, pela obediência de Um, muitos são feitos justos. Por isso, também nos é dito que “tendo sido justificados pelo Seu sangue, seremos por Ele salvos da ira”.
Paz pelo sangue
A paz com Deus é somente por meio do precioso sangue de Cristo. Foi nada menos que a morte de Cristo que satisfez a justiça de Deus e, portanto, somente ela pacifica a consciência. É por isso que o Espírito Santo tão frequentemente usa esses textos que se referem ao sangue de Cristo para dar paz às almas ansiosas. É uma paz já realizada, e Deus agora está pregando a paz por Jesus Cristo, não a paz por ordenanças, deveres e coisas semelhantes, mas a paz por Jesus Cristo. Todos os que simplesmente olham para Cristo e sabem que são justificados pelo Seu sangue têm paz com Deus. Por que muitas almas ansiosas não têm paz? Porque elas não acreditam no que Deus diz sobre o valor do sacrifício de Cristo. Elas olham para si mesmas para ver se sua experiência é boa o suficiente, ruim o suficiente ou religiosa o suficiente, mas o fim de buscar a experiência da paz deve ser decepcionante. Quando elas olham simplesmente para o Senhor Jesus, que derramou Seu sangue para salvar os pecadores, elas encontram paz.
Proximidade com Deus pelo sangue
Nossos pecados nos separaram de Deus. Por natureza, estávamos longe de Deus, mas agora em Cristo e por meio de Seu sangue fomos aproximados – levados ao seio do Pai. Assim, o crente permanece perdoado e abençoado na santa presença de Deus; assim, ele é santificado pelo sangue de Cristo, reconciliado a Deus e permanece em feliz confiança e graça diante d’Ele em amor.
Adoração sobre a base do sangue
Entramos no lugar santíssimo “pelo sangue de Jesus” e adoramos o Pai. Em nós mesmos, não há fundamento de louvor e ação de graças, mas tudo aquilo que faz com que nos abominemos e nos arrependamos no pó e nas cinzas. O sangue nos testemunha tão plenamente do amor do Pai e de nossa eterna redenção e paz que louvamos e magnificamos as riquezas insondáveis da graça divina. Nossa consciência é purificada, nosso coração se alegra, nossa mente está em paz, nossa alma é elevada, de modo que estamos prontos para dizer: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1:3).
Glória por causa do sangue
Somos comprados pelo sangue de Jesus. Se o “grão de trigo” não tivesse caído no chão e morrido, estaria sozinho, mas, tendo morrido, produz muitos frutos. Todos os crentes são o fruto da morte de Cristo, são lavados em Seu sangue e compartilharão o trono de Cristo no céu – levados para lá somente com base no sangue do Cordeiro. Então cantaremos mais docemente (mas não mais verdadeiramente do que podemos agora): “Aquele que nos amou, e em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e Seu Pai; a Ele glória e poder para todo o sempre. Amém” (Ap 1:5-6).
H. H. Snell (adaptado)
O Precioso Sangue de Cristo
“Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1 Co 5:7). Essas palavras ligam a história de Sua bendita obra de salvação, pelo derramamento de sangue em Sua cruz, com o derramamento de sangue do cordeiro pascal no Egito. Vamos considerar por um momento o que este derramamento de sangue fez por nossa alma.
Quando Deus estava prestes a resgatar Seu povo de seu estado de cativeiro no Egito e a estabelecer o terreno para Ele levá-los àquela boa e larga terra, uma terra que mana leite e mel, Ele não precisava apenas ter um povo limpo de seus pecados e salvo do juízo que eles mereciam, mas também precisava ter uma resposta justa às reivindicações de Sua própria natureza. Isso Ele encontrou para eles, assim como para Si mesmo, no sangue do Cordeiro.
Você crê no valor que esse sacrifício tem diante de Deus? Acaso Ele não descansou sobre a Sua palavra que disse: “vendo Eu sangue, passarei por cima de vós”?
O sangue era apenas para os olhos d’Ele. Israel estava trancado em suas casas, descansando em Sua palavra; Deus estava, por assim dizer, excluído quando, com a mão erguida, Ele estava em julgamento, e Suas reivindicações foram respondidas pelo sangue, e somente por ele.
E assim é agora para qualquer pecador que se curvar ao seu estado e descansar com fé simples na palavra do Deus vivo e crer no que o precioso sangue de Cristo fez por ele diante de Deus. Quão completa é a resposta naquele sangue por todos os seus pecados! Alguém dirá: “Não é suficiente”? Alguém irá supor que Deus não o aceitou? Alguns podem hesitar e supor que, por não sentirem que tenham paz, a situação ainda é incerta. Eles baseiam seus pensamentos em suas próprias experiências. A fé baseia seus pensamentos no que Deus disse sobre isso e que Aquele que concebeu e planejou esse modo de tratar nossos pecados e Suas reivindicações, e que aceitou o que Ele próprio designou, está eternamente satisfeito. Isso não deixa margem para dúvidas. Tudo está estabelecido, eternamente estabelecido, para todos os que n’Ele creem e a satisfação de Deus no que Seu Filho fez.
Vamos nos voltar para o Novo Testamento e ver o que esse sangue fez por nós e quão plena está na Palavra de Deus a porção assegurada daqueles que assim acreditam.
“Pelo sangue de Cristo chegastes perto” (Ef 2:13)
Aqui aprendemos a condição daqueles que se mantêm no seu precioso valor diante de Deus. Seu estado anterior é descrito no verso anterior: “Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo”. Essa foi a descrição deles, e essa pode ser a sua descrição. Mais ainda, ele pode ser descrito de forma ainda mais triste em outras partes da Palavra de Deus, pois ele pode não ser um gentio, mas um homem que se diz Cristão. É um gentio que é descrito aqui. Quando nos voltamos para 2 Timóteo 3, encontramos o que Deus nos diz de nós mesmos, se ainda formos incrédulos de coração: “Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te” (vs. 2-5). Assim e de tal maneira Deus descreve o que se professa Cristão, mas que não tem Cristo. Palavras solenes, e bem calculadas para despertar terror no coração sobre o qual caem, a descrição calma, serena e que examina a consciência, que Ele dá. Que o Senhor abra os ouvidos e alcance a consciência de tal pessoa, para que veja sua própria ruína solene e leia esta descrição como sua própria! “Mais amigos dos deleites do que amigos de Deus”.
Em Efésios 2, lemos estas palavras: ”Mas agora.” Quão abençoadamente a Palavra de Deus testifica por si mesma para tais pessoas! Não deixa ao pobre pecador dizer o que acha que o sangue fez por ele; o Espírito de Deus, depois de descrever um lado, acrescenta esta preciosa palavra: “Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto”. Uma vez que estávamos “longe”, “sem Deus”, “sem Cristo” e “sem esperança”, mas agora fomos aproximados pelo sangue de Cristo.
Lavados de nossos pecados (Ap 1:5)
Uma pessoa assim aproximada precisa mais do que isso. Sua consciência apenas temeria na presença de Deus, a qual apenas revelava sua impureza à Sua vista, e, portanto, Ele coloca uma palavra no coração de tal pessoa: “Aquele que nos amou, e em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados” (Ap 1:5).
N’Ele “temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da Sua graça” (Ef 1:7)
Aqui encontramos a bendita consciência daquilo que possuímos por sermos perdoados. ”Perdoado” por Deus é uma porção bendita e possuída por todos os que creem em Jesus. Muitos que confiam n’Ele não têm a consciência dessa porção. Muitos não trocariam sua confiança em Cristo por nada neste mundo, mas não são conscientemente possuidores do perdão. Deus os perdoou, mas eles não creem nisso. Eles olham para seu próprio coração pobre e descansam no que pensam e sentem sobre isso. Eles repousam sobre um fundamento arenoso e não repousam sobre a segurança viva, sólida e imperecível da Palavra de Deus. Que esses coloquem seu dedo nesse versículo em Efésios (cap. 1:7) e tentem, se puderem, tomarem para si as palavras que Deus providenciou para a fé e dizer: “Em Quem temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas”. O coração deles hesita ao olhar para dentro? Ou eles, com ousada fé que honra a Deus, dizem: “Sim, tenho perdão pelo sangue de Cristo”.
“Tendo sido justificados pelo Seu sangue” (Rm 5:9)
“É Deus Quem os justifica. Quem os condenará?” (ARC) é o desafio do apóstolo. A alma possui e desfruta do perdão como sua porção, e que só pode ser conhecida por si mesma. O inimigo pode acusar, mas na bendita consciência do perdão, não o ouvimos. Quando o apóstolo dirige a alma para Deus como Justificador, não apenas que a alma é justificada diante d’Ele, mas que Ele mesmo a justificou, o inimigo pode acusar em vão. No versículo acima, encontramos a base bendita de Deus considerar o crente justo, ou, em outras palavras, uma pessoa justificada. O sangue foi apresentado a Deus, e ele atendeu às Suas reivindicações – respondeu à natureza justa d’Aquele que não pode contemplar a iniquidade – e por meio dela Deus é livre para agir de acordo com a Sua própria natureza justa ao justificar os ímpios. Quando Ele justifica, quem é que pode condenar? A alma que foi trazida para perto pelo sangue, que foi lavada em Seu sangue e que tem perdão por meio do sangue agora pode descansar em Sua presença, sendo justificada pelo sangue.
“Havendo por Ele feito a paz pelo sangue da Sua cruz” (Cl 1:20)
Agora, essa alma pode não apenas descansar em Sua presença, estando justificada, mas pode olhar em volta e contemplar com um coração adorador, por fé, a plenitude da Divindade vista em Jesus e saber que, em Seus dias de fraqueza (por assim dizer), quando Seu sangue foi derramado em Sua cruz, a paz do trono de Deus foi eternamente feita. Digo “a paz do trono de Deus” porque, enquanto muitos se alegram, pela graça, em seu próprio futuro e na paz que possuem com Deus – sendo justificados “pela fé” e “pelo sangue” – ainda assim não veem plenamente que a presença brilhante da plenitude de Deus está cheia de paz. É como o lugar sagrado do tabernáculo com as nuvens de incenso, que fala da paz e satisfação do trono de Deus, na perfeição da obra pela qual todas as coisas no céu e na Terra serão reconciliadas e pelas quais temos sido reconciliados com a plenitude da glória da Divindade.
“Em Quem temos a redenção pelo Seu sangue” (Cl 1:14)
Plena e perfeita é a palavra ”redenção”. Ela implica que não há retorno, nem mudança no que foi feito para aqueles que estão em Cristo. Como Ele é, eles também são neste mundo. Ele nunca desfará o que fez, nunca deixará o lugar bendito como Homem no qual Ele agora entrou por meio da obra da redenção. Assim, aqueles que possuem uma porção n’Ele acham isso tão imutável quanto Ele próprio; eles são redimidos e têm redenção n’Ele. Que descanso da alma! Nenhuma incerteza caracteriza seu destino abençoado! Enquanto tudo é incerto aqui embaixo, tudo é certo lá.
“E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo Seu próprio sangue, padeceu fora da porta” (Hb 13:12)
Tão certamente possuímos n’Ele a glória nas alturas, quanto certamente isso nos coloca no lugar da rejeição aqui. Santificados por sangue! Separados do homem e colocados no lugar que Jesus tinha aqui embaixo. Essa é a porção dos redimidos. Quantos deles se contaminam e partem deste lugar e abraçam o mundo novamente! No entanto, tão certo quanto o sangue de Cristo nos deu um lugar no resplendor da glória da presença de Deus, onde se manifestam as perfeições e o valor do precioso sangue de Cristo, assim certamente é o nosso lugar e porção enquanto na Terra para nos identificar com nosso Mestre e Senhor “fora da porta”. Foi aqui que Ele sofreu pelos nossos pecados e por Deus. Aqueles que sofrem por Ele “levando o Seu vitupério” não têm aqui nenhuma cidade permanente, mas buscam uma que ainda virá.
Que possamos saber pela porção de nossa própria alma que nós, pelo sangue, fomos “trazidos para perto”, “lavados”, “perdoados” e “justificados”, que a paz que possuímos é a paz do trono de Deus, que temos a redenção pelo sangue e que fomos santificados – separados para o lugar de seu Senhor aqui e, pelo sangue, santificados à obediência de Jesus Cristo (1 Pe 1:3).
Words of Truth
O Valor do Sangue
Na ocasião da páscoa, os israelitas deveriam matar o cordeiro e, em seguida, tomar um molho de hissopo, mergulhá-lo no sangue e passar na verga e os dois umbrais da porta com o sangue (Êx 12:7, 22). Além disso, Deus disse: “E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo Eu sangue, passarei por cima de vós” (Êx 12:13). Deus passaria pela terra como Juiz, e a única coisa que poderia salvar a alma do juízo de Deus era o sangue aspergido. Mas há outro ponto que geralmente é esquecido: o hissopo deve ser usado. Ele deveria ser mergulhado no sangue, e neste caso o israelita tinha que usá-lo ele mesmo. Se quisermos obter algum valor do sangue do cordeiro, devemos usar o hissopo também. O significado da figura é este: que a alma, que no sentido de absoluto “não servia para nada”, tira o proveito da morte de Cristo. Podemos crer que Cristo morreu e ressuscitou e que Ele terminou a obra da expiação, mas podemos não nos apropriar do valor de Sua morte para nós mesmos. Quando nos colocamos em julgamento próprio, quebrantamento e arrependimento diante de Deus, acredito que, então, nossa alma usa esse molho de hissopo. Nós fugimos, como pecadores da pior espécie, para Cristo. O juízo devido a nós recaiu sobre o amado Filho de Deus, e o Senhor passa sobre nós em justiça. O sangue sobre a verga mantém Deus, como Juiz, fora. Ele não pode julgar duas vezes – primeiro o cordeiro e depois o primogênito. A paz com Ele é o resultado. A paz com Deus não repousa sobre nossos sentimentos. É o sangue expiatório do Cordeiro, o próprio Cordeiro de Deus, diante dos olhos de Deus, que é a base da nossa paz. “Vendo Eu sangue, passarei por cima de vós”. Não é quando nós vemos o sangue; é Deus Quem o vê.
Possivelmente dizemos: não acho que aprecio suficientemente o sangue de Cristo. Certamente não, mas Deus aprecia, e Ele diz: “Vendo Eu o sangue, passarei por cima de vós”. Devemos entender isso: que a base da paz de nossa alma com Deus é o sangue derramado e aspergido (Êx 12:8).
W. T. P. Wolston (adaptado)
Nascido da Água
É muito útil para a alma ver o lugar que a ”água” normalmente tem na Escritura, assim como o sangue. Ambos são muito importantes, pois ambos fluíram do lado do Senhor Jesus na morte, como João dá testemunho (Jo 19:31-35).
O sangue é mencionado primeiro, como base de tudo para a glória de Deus. Nesse precioso derramamento de sangue, tudo o que Ele é em santidade e justiça contra o pecado e em amor ao pecador foi consumado, envolvendo perdão e paz para nós. Mas quando chegamos à aplicação dessas benditas realidades para nós, a ordem é invertida. “Este é Aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue” (1 Jo 5:6). Há algo necessário antes do sangue, a saber, a Palavra, da qual a água é o símbolo. Isso precisa ser aplicado à alma no poder do Espírito para que possa haver o despertar da consciência e a convicção do pecado, à qual o sangue se aplica. O Espírito, a água e o sangue são a ordem de aplicação.
A água
Encontramos a água mencionada no Velho Testamento como uma figura. No dia da consagração de Arão e de seus filhos, eles foram lavados com água (Lv 8:6), bem como aspergidos com sangue posteriormente (v. 23). Essa lavagem nunca foi repetida, embora na pia, que estava entre o tabernáculo e o altar, eles lavassem as mãos e os pés quando entravam na tenda da congregação e se aproximavam do altar (Êx 40:31).
O Senhor Jesus fala dessa dupla ação da água em João 13. Sob o símbolo da lavagem dos pés de Seus discípulos, Ele traz Seu serviço atual para os Seus. Sua ação é de profundo significado para nós – “Se Eu te não lavar, não tens parte Comigo”. Essa lavagem é essencial para termos parte com Ele na percepção e no desfrute de Sua presença aonde Ele foi. Pedro se opõe dizendo: “Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça” (Jo 13:9). Jesus disse a ele: “Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo”. Ele declara que houve uma primeira aplicação da água que nunca precisa ser repetida, estando conectada à comunicação de uma nova vida e natureza pelo Espírito, na qual somente há uma verdadeira limpeza. Segundo, há a necessidade constante da aplicação da água em nossos caminhos, em um mundo onde somos tão facilmente contaminados e tornados impróprios para o gozo da presença do Filho com o Pai. Resumidamente, é a Palavra aplicada à alma primeiro no novo nascimento e depois pelo Senhor em Seu serviço constante por nós em graça, da qual o Senhor fala sob o símbolo da água.
Novo nascimento
Isso nos leva ao começo de todos os caminhos de Deus conosco na graça: o novo nascimento. Sem ele, nossos olhos nunca verão o reino de Deus, pois “aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”. O que nasce da carne pode ser religioso, como foi Nicodemos, e até mesmo irrepreensível na vida exterior, como foi Saulo de Tarso, mas é carne e nunca pode ser outra coisa senão carne, e serve apenas para julgamento de Deus. Mas o que nasceu do Espírito é espírito; isto é, tem a natureza e o caráter essenciais de sua fonte, como a carne tem de sua fonte. Não pode haver purificação da carne. Ela deve ser tratada na cruz ou no lago de fogo.
Isso nos mostra, então, por que a água para purificação e o sangue para propiciação vieram do lado de Jesus na morte. É a Palavra aplicada pelo Espírito que é o poderoso instrumento dessa mudança. Essa participação na vida e na natureza de Deus leva consigo a sentença do julgamento de Deus sobre tudo o que é da carne. E a purificação é pela comunicação de uma nova vida e natureza, na qual estamos limpos por completo. Assim, em João 13, enquanto Judas ainda estava presente, o Senhor teve que dizer (v. 11): “Porque bem sabia Ele quem O havia de trair; por isso disse: Nem todos estais limpos”. Tendo Judas saído (v. 30), Ele pôde dizer em João 15:3: “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado”.
Limpeza da contaminação
Tiago e Pedro confirmam a força do símbolo da água. “Segundo a Sua vontade, Ele nos gerou pela palavra da verdade” (Tg 1:18). “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela Palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre” (1 Pe 1:23). Pelo uso do símbolo, somos levados além do novo nascimento, para captar também seus efeitos na purificação da contaminação do pecado, pois o sangue era necessário para a purificação de sua culpa.
Paulo vem para completar o testemunho, pois ao falar do amor de Cristo para a Igreja, que Se entregou por ela, aprendemos que o Seu amor não era apenas um amor do passado, mas do presente. Se Ele a limpou com a lavagem da água pela Palavra, é para que Ele a torne cada vez mais semelhante a Si Mesmo pelos mesmos meios, pois a Palavra é a revelação de tudo o que Ele é, que Se separou em glória, como o Objeto de nossa alma, portanto, para ser a fonte, medida, caráter e poder de nossa santificação e de sermos conformados a Ele. Nem isso é tudo, pois Seu amor nunca será satisfeito até que Ele possa apresentar a Si mesmo uma Igreja gloriosa, não tendo mancha de contaminação ou rugas da velhice ou coisa parecida, mas tudo o que Seu coração pode deleitar para sempre (Ef 5:25-27).
J. A. Trench (adaptado)
O Sangue Sobre Nós
O precioso sangue de Cristo sendo derramado por nós é a grande verdade do Cristianismo. Ele fala do maravilhoso amor de Deus por nós, mesmo quando ainda éramos pecadores. Também nos fala dos pecados julgados, da paz feita e do pecador, ao crer, ser purificado. Assegura ao coração sobrecarregado pelo pecado que Deus é por ele e não contra ele, e pede à alma trêmula que descanse em Seu amor. Para isso, as palavras de Jesus vêm com um conforto indizível: “Porque isto é o Meu sangue; o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados” (Mt 26:28). Que amor! Sim, na mais rica graça, Ele morreu pelos ímpios!
Também é sobremodo bem-aventurado saber que Jesus, que esteve morto, está vivo novamente, e isso para sempre, e Ele entrou no próprio céu por Seu próprio sangue, de modo que agora temos “ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus” (Hb 10:19 – AIBB). Sim, tendo o véu sido rasgado, é nosso doce privilégio nos aproximar. Quão maravilhoso é que tais pecadores dos gentios como nós éramos, agora, pelo precioso sangue de Cristo, que está sempre diante dos olhos de Deus, sejam purificados de todo pecado e possam entrar, pela fé, por meio do Espírito, em Sua própria presença onde Jesus está. É a Sua própria Palavra que nos assegura que temos a remissão de pecados e, por esse “novo e vivo caminho que Ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela Sua carne”, podemos nos aproximar de Deus. Que paz e conforto estar assim, na presença de Deus, onde Jesus foi por Seu próprio sangue e onde temos o privilégio de vir com ousadia! Pode ser, no entanto, que muitos queridos filhos de Deus parem já nesta primeira dessas grandes verdades da Escritura – de ter remissão de pecados por meio do sangue de Jesus que foi derramado por muitos – e eles são, talvez, completamente estranhos a essa segunda verdade – da liberdade de se aproximar de Deus pelo Seu sangue. No entanto, existem alguns que se aprofundam nos passos do Senhor em ressurreição e ascensão e conhecem o conforto indizível e a bênção de entrar com ousadia no lugar santíssimo pelo Seu sangue e, quando lá, tiveram seus corações atraídos em adoração e ação de graças.
Santificação
Há outra verdade de grande valor prático referente ao sangue. É essa: que ele foi espargido sobre nós, ou seja, não apenas o poder de purificação, mas o valor santificador ou consagrador do sangue de Jesus foi aplicado em nosso coração pelo Espírito Santo. Lemos sobre “tendo os corações purificados [espargido – JND] da má consciência” e de ser “santificado” com o sangue de Jesus.
Na consagração dos sacerdotes, que em alguns aspectos eram notavelmente figuras de nós, certas partes de seus corpos recebiam o sangue colocado sobre eles. Não se trata apenas do sangue dado a conhecer para alívio da consciência, por mais bendito que seja, mas para mostrar que a pessoa está, tanto praticamente como pessoalmente, separada para Deus. Nós não somos de nós mesmos. Daqui em diante devemos viver, não para nós mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por nós.
Quando os sacerdotes foram consagrados, o sangue foi colocado na ponta da orelha direita, no polegar da mão direita e no dedão do pé direito, pois foram totalmente separados para o serviço do santuário, conforme a vontade de Deus. E, certamente, quando temos a consciência de que somos separados para Deus em Sua própria graça soberana pelo sangue de Jesus e dom do Espírito Santo, isso nos conduz para os caminhos e ocupações que sabemos serem agradáveis a Ele. Não podemos errar muito, se o Senhor testemunha em nossa consciência a remissão de pecados, se estamos dentro do véu em virtude desse sangue, e também temos a consciência de seu valor pessoal como nos separando para Deus.
A orelha
A ponta da orelha direita era marcada com sangue porque, pela orelha, recebemos comunicações; é uma avenida para nossa mente e coração. Nossos julgamentos são formados conforme ouvimos. “Como ouço, assim julgo”. Recebemos instruções por meio do ouvido, e há uma conexão notável entre a boca e o ouvido. Quanto ao ministério da Palavra, o verdadeiro servo ouve primeiro e depois fala. O mesmo aconteceu com o Servo perfeito. “O Senhor DEUS Me deu uma língua erudita, para que Eu saiba dizer a seu tempo uma boa palavra ao que está cansado. Ele desperta-Me todas as manhãs, desperta-Me o ouvido para que ouça, como aqueles que aprendem [aprendiz]. O Senhor DEUS Me abriu os ouvidos, e Eu não fui rebelde; não Me retirei para trás” (Is 50:4-5). Se homens maus e sedutores tiverem acesso aos nossos ouvidos, dificilmente haverá limite para os danos que possamos receber. Satanás primeiro conquistou o ouvido de Eva e depois seu coração transgrediu contra Deus. Oh, que possamos ter em nossa alma um senso constante de que nossos ouvidos são totalmente para Deus, para que dia após dia e hora a hora, como uma criança pequena, possamos olhar para cima e dizer: “Fala, porque o Teu servo ouve”.
A mão
O polegar da mão direita sendo marcado com sangue mostra que somos designados a ministrar a outros de acordo com a vontade de Deus e como Ele deu capacidade e oportunidade. Portanto, lemos: “Se é ministério, dediquemo-nos ao nosso ministério” (TB); qualquer que seja a linha de coisas que Deus nos designou para nos engajarmos, esperemos n’Ele e esperemos oportunidades para realizá-la. Nisto provaremos a verdade das Escrituras: “O que vela pelo seu senhor será honrado”.
O pé
O dedão do pé direito também era marcado com sangue, porque somos consagrados pelo sangue de Jesus para andar em obediência à vontade de Deus como não sendo de nós mesmos, mas separados para Ele. Portanto, devemos fazer tudo em nome do Senhor Jesus e para a glória de Deus. Oh, que nossa alma possa ter a lembrança constante de sermos separados para Deus pelo sangue de Jesus!
De fato, porém, nossa energia espiritual às vezes se esgota, nos cansamos de fazer o bem e desmaiamos em nossa alma. E agora? Para nosso encorajamento, Deus diz: “Dá força ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor”. Devemos aprender a insuficiência e a fraqueza dos recursos naturais mais fortes e justos: “Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os moços certamente cairão”. E depois o que? Novamente somos encorajados: “Mas os que esperam no SENHOR renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão” (Is 40:29-31).
Things New and Old 24:159
A Água e o Sangue
“Este é Aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue” (1 Jo 5:6).
Somente João, dos evangelistas, menciona o fluxo de sangue e água do lado de Cristo; ele menciona isso em sua epístola também. É um belo testemunho da graça divina, respondendo ao último insulto que o homem poderia amontoar sobre Ele. Eles O levaram para fora do arraial, O colocaram para morrer na cruz e, então, para se assegurar duplamente, o soldado Lhe deu um golpe com sua lança. A salvação era a resposta de Deus ao insulto do homem – pecado em sua rejeição a Ele – porque o sangue e a água eram os sinais disso.
Na epístola de João, a água é nomeada primeiro, porque, vista do lado de Deus, a água vem primeiro; na sequência histórica, não pode: “Lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água”; na epístola, “não só por água, mas por água e por sangue”. O ponto é que a vida eterna não é encontrada no primeiro Adão, mas no Segundo. As testemunhas disso são a água, o sangue e o Espírito. Você necessita de se purificar para ter a vida eterna, mas não a encontrará em lugar algum além da morte, e naquela morte de Cristo em graça. Você precisa da expiação, e o sangue de Cristo faz isso. Você precisa do Espírito Santo. Cristo não foi apenas morto, mas glorificado, e o Espírito foi dado, o testemunho de que não há vida no primeiro Adão, mas no Filho. Seu poder é encontrado naquilo que marca a total violação do primeiro homem com Deus e de Deus com ele, somente em misericórdia soberana. Na epístola, João está mostrando que a limpeza moral não será suficiente. O Espírito é mencionado pela primeira vez quando Deus o aplica. A Palavra é o instrumento, mas é pela própria morte. Você deve ter limpeza, mas a limpeza vem pela morte. A água que sai do lado é pureza, e você pode ter pureza somente pela morte e somente pela Sua morte.
J. N. Darby
O Sangue Está Disponível
Para:
Aquisição [Compra]: Atos 20:28.
Justificação: Romanos 5:9.
Redenção: Efésios 1:7; Colossenses 1:14; 1 Pedro 1:19.
Aproximação: Efésios 2:13.
Paz: Colossenses 1:20.
Purificação da consciência: Hebreus 9:14.
Entrada no Santo dos Santos: Hebreus 10:19.
Santificação: Hebreus 13:12.
Limpeza: 1 João 1:7; 1 Pedro 1:2.
Lavagem (ou libertação) do pecado: Apocalipse 1:5.
Bible Student, 3:8
Há um Fluxo de Sangue Precioso
Que fluiu das veias de Jesus,
E pecadores lavados naquele abundante fluxo
Perde todas as suas manchas de culpa.
Perde todas as suas manchas de culpa,
Perde todas as suas manchas de culpa,
E pecadores lavados naquele abundante fluxo
Perde todas as suas manchas de culpa.
O ladrão moribundo se alegrou em ver
Aquele salvador em seu dia,
E por esse sangue, embora sejamos vil como ele,
Nossos pecados são lavados.
Nossos pecados são lavados,
Nossos pecados são lavados,
E por esse sangue, embora sejamos vil como ele,
Nossos pecados são lavados.
Bendito Cordeiro de Deus, Teu sangue precioso
Nunca perderá seu poder,
Até todo santo resgatado de Deus
Ser salvo para nunca mais pecar.
Ser salvo para nunca mais pecar,
Ser salvo para nunca mais pecar,
Até todo santo resgatado de Deus
Ser salvo para nunca mais pecar.
Cowper, Hinário Echoes of Grace, Hino 268
“Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo?”
1 Coríntios 10:16




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