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Anjos (Agosto de 2011)

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Revista mensal publicada originalmente em agosto/2011 pela Bible Truth Publishers

ÍNDICE

 

          H. Smith (adaptado)

          W. J. Prost

          Words of Truth

          J. G. Bellett (adaptado)

          J. N. Darby (adaptado)

          J. N. Darby (coletânea)

          J. A. vonPoseck (adaptado)

          W. Kelly (adaptado)

          W. J. Prost

          E. Dennett (adaptado)

          J. N. Darby

          J. N. Darby

          J. N. Darby

          A. J. Pollock

          Autor desconhecido

Anjos 


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No céu, estaremos na presença de uma companhia inumerável de anjos. Todas as classes e ordens desses seres gloriosos estarão lá. Essa companhia já existe e, pela fé em nossa alma, chegamos ao conhecimento consciente da existência deles.

 

Os anjos são os guardiões divinos do povo de Deus. “O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que O temem, e os livra” (Sl 34:7). A vida de Eliseu ilustra esse cuidado protetor. Quando cercado por seus inimigos, Eliseu diz a seu servo: “Não temas; porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles”. O monte inteiro estava cheio de cavalos e carros de fogo em volta de Eliseu. Um anjo foi enviado para fechar a boca dos leões, para que Daniel não fosse machucado (Dn 6).

 

O Senhor, como Homem, estava sob os cuidados protetores de anjos, conforme lemos: “Porque aos Seus anjos dará ordem a Teu respeito, para Te guardarem em todos os Teus caminhos” (Sl 91:11). Anjos O esperavam em Seu nascimento; anjos O ministraram no jardim do Getsêmani; anjos guardavam Seu túmulo e estavam presentes em Sua ascensão.

 

Atualmente, os crentes estão sob o cuidado protetor de anjos, conforme lemos: “Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?”. No mundo vindouro, eles ainda exercerão seu cuidado de proteção, pois estarão nos portões da cidade celestial.

 

H. Smith (adaptado)

 

Os Anjos e o Mundo Invisível

 

A criação do universo visível é registrada na Escritura, mas não a criação dos anjos. No entanto, é evidente que eles foram criados antes do mundo, como um grupo separado de seres, pois estão presentes na criação e demonstram interesse na obra de Deus. Naquela época, a Escritura diz que “quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam” (Jó 38:7). Satanás e suas hostes estavam originalmente entre esses anjos, mas em algum momento antes da criação do homem, eles se rebelaram contra Deus e caíram. Mais tarde, antes do dilúvio de Noé, outros anjos “que não guardaram o seu estado original” e se envolveram com as filhas dos homens de maneira pecaminosa. A Escritura nos diz que agora eles estão confinados em “cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo” (2 Pe 2:4). Aqueles que não pecaram são chamados de “anjos eleitos” (1 Tm 5:21) e são os mensageiros de Deus e o poder administrativo no mundo. Em relação ao homem, eles são “maiores em força e poder”. Eles foram como emissários de Deus a Sodoma para investigar a iniquidade ali; um anjo matou 185 mil homens do exército assírio no tempo de Ezequias; os anjos estiveram envolvidos quando a lei foi dada. Um anjo também livrou Pedro da prisão e estará envolvido na execução do julgamento num dia vindouro. De todas as maneiras, eles são servos de Deus, fazendo a Sua vontade instantaneamente e agindo por Ele tanto no que diz respeito ao Seu governo neste mundo, quanto no cuidado dos Seus.

 

A maioria dessas obras é realizada sem ser vista pelo homem. No entanto, a Escritura ocasionalmente nos dá um vislumbre deste mundo invisível. Quando Daniel orou ao Senhor, um anjo foi enviado a ele, mas ele se atrasou “vinte e um dias” por causa do “príncipe do reino da Pérsia” (obviamente um anjo caído). Quando Miguel, “um dos primeiros [principais – JND] príncipes”, veio para ajudar, o anjo foi capaz de falar com Daniel, mas, então, ele tinha que retornar para “pelejar contra o príncipe dos persas”. Ele também diz a Daniel: “eis que virá o príncipe da Grécia”. Portanto, muitas vezes há uma luta entre os anjos eleitos que fazem a vontade de Deus e os das hostes de Satanás que se opõem a eles.

 

Uma hierarquia 

Parece que também há uma hierarquia entre os anjos. Gabriel evidentemente tem um lugar proeminente e é mencionado pelo nome no tempo de Daniel, bem como no anúncio dos nascimentos de João Batista e do Senhor Jesus. Miguel é chamado de “arcanjo” (Judas 9) e parece estar especialmente associado a Israel – “Miguel, vosso príncipe” (Dn 10:21). Quando Satanás e seus demônios forem expulsos do céu em um dia futuro, Miguel parece estar à frente daqueles anjos eleitos que fazem isso (Ap 12).

 

O papel dos anjos 

Quando Cristo nasceu neste mundo, os anjos celebraram Seu nascimento com louvor, contemplando maravilhados e adorando seu Criador Se tornando Homem. Eles se deleitam com os caminhos de Deus com o homem; não há inveja no coração deles, mesmo que Deus esteja alcançando criaturas pecadoras e levando-as a um lugar maior de bênção do que os anjos hoje desfrutam. Durante o ministério terrenal de nosso Senhor, os anjos eram Seus servos – “os anjos O serviam” (Mc 1:13). Quando os conselhos de Deus em graça para com o homem são revelados, Pedro diz, sobre o evangelho da graça de Deus: “as quais coisas os anjos desejam bem atentar” (1 Pe 1:12). Quando o evangelho é pregado, há alegria entre eles por cada pecador que se arrepende. Quando a verdade de Cristo e a Igreja foi revelada por Deus por meio do apóstolo Paulo, lemos que “para que agora, pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus” (Ef 3:10). Uma irmã que ora ou profetiza “deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos” (1 Co 11:10), pois os anjos veem na conduta de uma mulher Cristã uma figura da Igreja. Eles veem a sabedoria de Deus na redenção e Sua glória em trazer pecadores perdidos a uma bênção maravilhosa. Para o crente hoje, os anjos são “espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação” (Hb 1:14), bem como continuam seu papel na administração do governo deste mundo. Quantas vezes, na história da Igreja, Deus interveio em favor dos Seus, usando anjos para guardá-los e protegê-los!

 

Seu papel no futuro 

No entanto, seu papel nem sempre será o mesmo. Lemos em Hebreus 2:5: “Porque não foi aos anjos que sujeitou o mundo futuro, de que falamos”. Deus vai governar “o mundo futuro” [o Milênio] por meio do Homem – “o Homem Cristo Jesus”. Quando Cristo volta para reinar, Ele vem “na Sua glória, e na do Pai e dos santos anjos” (Lc 9:26). Quando Ele aparecer com Sua Igreja, Ele primeiro executará o julgamento; então o reino glorioso será estabelecido, e Cristo e a Igreja governarão. Por essa razão, Paulo diz aos coríntios: “Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos?” (1 Co 6:3). Quando essa transição ocorre, é registrado que “as potências dos céus serão abaladas” (Mt 24:29), pois a atual administração do mundo sob os anjos dará lugar a Cristo e a Igreja. Uma forma de recompensa para o crente fiel será a responsabilidade administrativa naquele reino: “Sobre dez cidades terás a autoridade”; “Sê tu também sobre cinco cidades” (Lc 19:17, 19).

 

Mas os anjos não terão mais utilidade naquele momento? Pelo contrário, lemos que eles misturam seus louvores com os dos remidos por toda a eternidade. Eles não têm a proximidade que o crente terá naquele dia, nem podem cantar o cântico dos redimidos. Mas o louvor deles ressoa no céu, junto com “toda criatura que há debaixo do céu”. “E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões, e milhares de milhares, que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças” (Ap 5:11-12).

 

W. J. Prost

Espíritos Ministradores

 

Tanto no passado quanto no futuro, o Senhor Se manifesta como Aquele que serve. Mas uma coisa nova foi inaugurada quando Ele foi elevado como Homem, coroado com glória e honra, servindo os santos de Deus na Terra. Não era novidade que os seres celestiais ministrassem aos homens em seu estado mortal, pois assim que Adão e Eva caíram e a expulsão do jardim foi considerada parte das consequências de seu pecado, os querubins, colocados ao leste no jardim, guardavam com a espada flamejante todo o caminho para a árvore da vida. Este foi um ministério de bondade e misericórdia para o casal caído. Daquele dia até o tempo do patriarca Abraão, não lemos nada a respeito do ministério angelical ao homem, mas daquele dia em diante até o final da Escritura, encontramos declarações de seus serviços e intervenções, providenciais e judiciais, ou de outra natureza, nos assuntos dos homens. Pela visita de dois anjos a Sodoma, Ló foi resgatado, e por outro, Pedro foi tirado da prisão. Por um anjo destruidor, os primogênitos foram mortos no Egito, e por um anjo, Israel foi castigado no reino de Davi. Um anjo serviu Elias no deserto e apareceu a Paulo num navio durante uma tempestade. Os anjos de Deus encontraram Jacó em Maanaim e rodearam Eliseu e o jovem no monte. Um anjo foi enviado a Daniel para lhe falar sobre o futuro, e a revelação de Jesus Cristo foi dada a João por um daqueles mensageiros celestiais. Para os homens em geral, sem distinção de raça ou condição espiritual, eles assistem, ao que parece, porque o Senhor nos familiariza com o fato de que, no céu, os anjos das crianças sempre contemplam a face de Seu Pai no céu. Mas eles ministram para o povo de Deus em particular. Assim, o Messias deveria ser o Objeto de seu cuidado providencial, como declarou o salmista (Salmo 91:11), e a nação de Israel, como povo terrenal de Deus, é especialmente cuidada por Miguel, seu príncipe (Dn 10:21; 12:1). E agora, que Israel e o povo de Deus não são a mesma classe, aprendemos com Hebreus 1:14 que os anjos são todos espíritos ministradores, enviados para ministrar àqueles que serão herdeiros da salvação. Assim, homens, Israel e os santos de Deus, embora inferiores aos anjos em posição e poder, são cuidados por eles.

 

O serviço presente do Senhor 

Desde que o Senhor Jesus subiu ao alto, uma coisa nova foi instituída – Seu serviço, enquanto no céu, às almas na Terra, não substituindo o ministério angélico aos homens, como os Atos dos Apóstolos evidenciam abundantemente, nem continuando exatamente o mesmo serviço em que Ele Se envolveu quando estava na Terra. Serviço pessoal acontecia antes; serviço pessoal acontece agora. Ele Se preocupa muito com os indivíduos, como sempre, devemos dizer com reverência e gratidão. Curar todo tipo de doença entre o povo não é a característica especial em Seu ministério agora; restaurar os mortos aos lares e corações desolados não é o Seu serviço atual. Ele pode e responde à oração por necessidades corporais, mas, como partir e estar com Cristo é a melhor coisa para os santos de Deus, não esperamos que Ele restaure os mortos à vida, a menos que, como no caso de Dorcas, seja para um testemunho da realidade de Seu poder e exaltação à mão direita de Deus; mesmo assim, o ministério do Senhor é tão real e constante agora como sempre foi, embora apenas em favor dos Seus, pois, embora na Terra Ele ministrasse aos homens, independentemente de sua condição de alma, desde que Ele foi rejeitado pelo mundo, Ele continua Seu serviço, enquanto no alto, em favor de Seus santos.

 

Words of Truth

Proteção Angelical

(2 Rs 6:8-23)

 

No episódio de Eliseu cercado pelo exército sírio, somos lembrados de como nosso Senhor falou sobre ter à Sua disposição doze legiões de anjos. Assim, o monte estava cheio de cavalos e carros à espera do profeta. A simplicidade da fé de Eliseu é muito notável. Ele não precisava orar por si mesmo, pois já tinha visto os “carros de Israel e seus cavaleiros” na ascensão de Elias (2 Rs 2:12). Ele descansou na certeza de que eles estavam sempre prontos para servir. Agora, no momento de sua necessidade, ele sabia que eles estavam por perto. Embora corresse grande perigo de vida, ele não tinha medo por si mesmo. Seu desejo era que seu servo tivesse a mesma elevação de fé. Ele o queria no mesmo sentimento de segurança divina.

 

Carros e cavalos de fogo 

Esses carros e cavalos de fogo, que enchiam a montanha e que, no dia da transladação de Elias, eram acompanhados por um redemoinho, eram, sem dúvida, uma hoste de anjos. Essas criaturas celestiais, que se destacam em força, estão na presença de Deus e saem para ministrar em favor daqueles que são herdeiros da salvação. Lemos sobre eles que Deus “faz dos Seus anjos espíritos [ventos – ARC], e de Seus ministros labareda de fogo” (Hb 1:7); também: “Os carros de Deus são vinte milhares, milhares de milhares” de anjos (Sl 68:17). Ao comando divino, eles estão prontos para servir em qualquer exigência que o santo ou a ocasião sob o trono de Deus que se requeira. Eles formaram um carro para transportar Elias ao céu e levar Lázaro ao seio de Abraão. Eles agora formam carros de guerra, quando Eliseu é sitiado pelos bandos hostis da Síria. Eles visitam os eleitos na Terra e, sozinhos ou em conjunto, celebram a alegria do céu com a plateia da Terra. Eles empunharam a espada para ferir uma cidade culpada, ou com a mão forte do amor arrastaram Ló, o homem relutante, para fora da cidade condenada. Eles são como ventos ou como fogo. São mensageiros de misericórdia e executores de juízos, conforme “o Senhor”, que “está entre eles”, pode ordenar. Participaram do monte Sinai quando a lei foi publicada e pairaram sobre os campos de Belém quando Jesus nasceu. E aqui, em sua ordem e força, são como um muro de fogo, um muro de salvação, ao redor do profeta.

 

Isso é muito abençoado! E ainda é mais abençoado saber que em pouco tempo as glórias ocultas, que agora são conhecidas apenas por aqueles que têm fé como Eliseu, se manifestarão amplamente. Então as ameaças do inimigo, o alarido e o som de armas, que são as coisas aparentes presentes, causando medos e tristezas no coração, terão passado, como a tempestade que já passou, apenas para deixar o Sol brilhante.

 

Poder e graça 

Mas há mais aqui do que essa calma e certeza da fé. Temos traços do poder e da graça de Jesus no caminho de nosso profeta. “Quando os malvados, meus adversários e meus inimigos, investiram contra mim, para comerem as minhas carnes, tropeçaram e caíram”, assim Davi falou a respeito de Jesus (Sl 27). E, portanto, no jardim, quando o bando de homens e oficiais veio para lançarem mão sobre Ele: “Quando, pois, lhes disse: Sou Eu, recuaram, e caíram por terra” (Jo 18). Assim é aqui com o profeta. As tropas da Síria vieram a Dotã para levá-lo, mas o Senhor os feriu com cegueira, enquanto se preparavam para fazer dele sua presa.

 

Eliseu demonstra graça, assim como poder. Ele vence o mal com o bem. O rei de Israel lhe disse: “Feri-los-ei, feri-los-ei, meu pai?”, pois ele capturou as tropas sírias na rede de Samaria. Mas o profeta respondeu: “Não os ferirás... Põe-lhes diante pão e água, para que comam e bebam, e se vão para seu senhor”.

 

Expressão bendita e preciosa da mente de Deus! Que constelações de glórias morais brilham em Seus caminhos! E esses caminhos do Senhor, em poder e graça combinados, são exibidos neste profeta honrado. Quão intimamente ele estava com Deus, se assim posso dizer! Quão plenamente sua amizade com o Senhor o fez conhecer Seus segredos! E quão amplamente sua história ilustra essas palavras: “Certamente o Senhor DEUS não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Am 3:7). Ele conhecia montanhas de força e salvação que eram totalmente invisíveis para os outros; ele sabia da abundância nas portas amanhã, embora hoje tudo fosse fome e morte na cidade. Oh, que o poder em nossa alma valorize tanta bondade n’Ele e tanta dignidade e bênção para nós!

 

J. G. Bellett (adaptado)

O Hino dos Anjos

 

Duas coisas são apresentadas em Lucas 2:11-14. O anjo que vem aos pastores da Judeia anuncia a eles o cumprimento das promessas de Deus a Israel. O coro de anjos celebra, em seu louvor celestial, toda a importância real deste evento maravilhoso. “Pois, na cidade de Davi, vos nasceu”, diz o mensageiro celestial que visita os pobres pastores, “hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Isto estava proclamando boas novas para eles e para todo o povo.

 

A plenitude, soberania e perfeição da graça de Deus 

Mas no nascimento do Filho do Homem, Deus manifestado na carne, a realização da encarnação teve uma importância muito mais profunda do que isso. As palavras, “Glória a Deus nas alturas, Paz na Terra, boa vontade [de Deus] para com os homens”, abrangem pensamentos tão extensos que é difícil falar adequadamente deles. Primeiro, é profundamente bendito ver que o pensamento de Jesus exclui tudo o que poderia oprimir o coração na cena que cercava Sua presença na Terra. Infelizmente, o pecado estava lá, mas se o pecado O havia colocado ali, a graça O havia colocado lá. A graça superabunda; aquilo que Deus é em graça absorve a mente e possui o coração e é o verdadeiro alívio do coração em um mundo como este. Vemos somente a graça, e o pecado apenas amplia a perfeição dessa graça. Jesus, vindo em graça, enche o coração. É a mesma coisa em todos os detalhes da vida Cristã. É a verdadeira fonte de poder moral, de santificação e de gozo.

 

“Glória a Deus nas alturas” 

Vemos, a seguir, que há três coisas trazidas à tona pela presença de Jesus nascido como Criança na Terra. A primeira é a glória para Deus nas alturas. O amor de Deus, Sua sabedoria, Seu poder, o cumprimento de Seus conselhos eternos, a perfeição de Seus caminhos onde o mal havia chegado, a manifestação de Si mesmo em meio ao mal de maneira a glorificar-Se diante dos anjos – em uma palavra, Deus havia Se manifestado de tal maneira pelo nascimento de Jesus que as hostes do céu, há muito familiarizadas com Seu poder, podiam elevar seu coro: “Glória a Deus nas alturas”! Que amor como esse amor! Que pensamento puramente divino, que Deus Se tornou Homem! Que supremacia do bem sobre o mal! Que sabedoria em aproximar-Se do coração do homem e do coração do homem de volta a Ele! Que aptidão em abordar o homem! Que manutenção da santidade de Deus! Que proximidade com o coração do homem, que participação em seus desejos, que experiência de sua condição! Mas acima de tudo, Deus acima do mal em graça, e nessa graça visitando este mundo contaminado para Se tornar conhecido como Ele nunca fora conhecido!

 

“Paz na Terra” 

O segundo efeito da presença d’Aquele que manifestou Deus na Terra é que a paz deveria estar lá. O coro celestial está ocupado com o fato de Sua presença, e eles celebram essas consequências. O mal manifestado deve desaparecer, pois Jesus, poderoso em amor, deve reinar e transmitir Seu caráter a toda a cena, segundo o coração de Deus.

 

Os meios para isso – a redenção, destruição do poder de Satanás, a reconciliação do homem pela fé e de todas as coisas no céu e na Terra a Deus – não estão aqui apontados. Tudo dependia da Pessoa e da presença d’Aquele que nasceu. Apresentado à responsabilidade do homem, o homem é incapaz de tirar proveito disso, e tudo é falha. Mas, sendo a graça e a bênção ligadas à Pessoa d’Ele recém-nascida, foi a intervenção de Deus cumprindo o conselho de Seu amor, o propósito estabelecido de Seu bom prazer. E, Jesus, uma vez lá, as consequências não poderiam falhar; qualquer interrupção que houvesse para o cumprimento deles, Jesus era a garantia deles. A presença do Filho de Deus no meio dos pecadores dizia a toda inteligência espiritual: “Paz na Terra”.

 

“Bom prazer de Deus nos homens” 

A terceira coisa foi o bom prazer de Deus nos homens (JND). Esta é a mesma palavra usada quando se diz de Cristo: “Em Quem Me comprazo”. É bonito ver a celebração sem inveja, por esses seres santos, do avanço de outra raça para este lugar exaltado pela encarnação do Verbo. Era a glória de Deus, e isso lhes bastava. Isto é muito belo.

 

Foi um testemunho glorioso de que a afeição, o bom prazer de Deus estava centralizado nesta pobre raça, agora longe d’Ele, mas na qual Ele teve o prazer de realizar todos os Seus conselhos gloriosos. Assim, em João 1, a vida era a luz dos homens. Em uma palavra, era o poder de Deus presente em graça na Pessoa do Filho de Deus, participando da natureza e interessando-Se no destino de um ser que havia se afastado d’Ele e fazia dele a esfera da realização de todos Seus conselhos. Que posição para o homem! Todo o universo deveria aprender no homem o que Deus era em Si mesmo, e o fruto de todos os Seus conselhos gloriosos, bem como seu descanso completo em Sua presença, de acordo com Sua natureza de amor. Tudo isso estava implícito no nascimento d’Aquele Menino a Quem o mundo não prestou atenção. Assunto natural e maravilhoso de louvor aos santos habitantes do céu, a quem Deus o fez conhecer! Era Glória a Deus nas alturas.

 

J. N. Darby (adaptado)

Querubins e Serafins

 

Temos querubins, bem como serafins. Qual é a diferença? Os querubins estão conectados com o julgamento presente na Terra; eles são a sede do poder judicial de Deus na Terra. Os serafins cobrem o rosto, clamando: “Santo, santo, santo”. Eles estão conectados com Deus revelado, de modo a trazer o homem, como homem, à Sua presença. Em Isaías 6, encontramos os serafins. Aqui vemos o governo com respeito à santidade da natureza de Deus, não tanto aos Seus caminhos revelados. Deus vem à tona de acordo com a Sua natureza. Eu não posso aceitar qualquer coisa que não seja de acordo com essa natureza. Encontramos a incompatibilidade da natureza de Deus com o pecado – a contrariedade de uma natureza profana com um Ser santo. As criaturas vivas aqui são querubins, os atributos de Deus e as cabeças da criação – gado, animais do campo, pássaros e homem. O leão era o símbolo da força; o bezerro, de firmeza; homem, de inteligência; a águia, rapidez de julgamento. Os serafins de Isaías 6 não têm nada a ver com graça, apenas com julgamento. A brasa viva é graça, mas graça ardente. Os querubins são o governo de Deus na Terra; os serafins clamam: “Santo, santo, santo”. Os seres viventes aqui (Ap 4:6-9) ilustram o caráter de um querubim, enquanto “Santo, santo, santo” ilustra o caráter de serafim, e os sete Espíritos de Deus o caráter atribuível. As sete lâmpadas são os sete espíritos; eles estão em conexão com o governo de Deus na Terra e semelhantes a Isaías 11, “o espírito de sabedoria”, e assim por diante. O arco-íris (Ap 4:3) é a aliança de Deus com a criação. Você encontra julgamento, mas ainda não o Senhor até o próximo capítulo. Os seres vivos em Ezequiel 1 são os atributos de Deus, as colunas do trono. “O SENHOR reina... Ele está entronizado entre os querubins” (Sl 99:1 – ARC). O homem fez dos atributos de Deus objeto de adoração.

 

J. N. Darby (coletânea)

Obediência

 

Todos nós conhecemos o caráter do primeiro pecado que entrou no mundo, que o transformou em um cenário de violência, corrupção, tristeza, morte e julgamento; foi a desobediência. Orgulho e independência levaram Satanás, o príncipe deste mundo, à desobediência, e assim o fizeram cair. O espírito angelical outrora exaltado e brilhante, cujo nome era “estrela da manhã” e “filho da alva” (TB), havia dito em seu coração: “Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14:13-14). Ele foi perfeito em seus caminhos desde o dia em que foi criado, até que a iniquidade foi encontrada nele. E qual era a iniquidade dele? “Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti” (Ez 28:17). Não há dúvida de que esta passagem de Ezequiel se refere não apenas ao então rei de Tiro, mas a Satanás, o príncipe deste mundo, de quem o príncipe de Tiro é uma figura. Tiro representa o mundo quanto à “concupiscência dos olhos” (no comércio e no tráfico); Sodoma, quanto à “concupiscência da carne”; Nínive, quanto à “soberba da vida”; Babilônia, quanto ao orgulho e à prostituição espiritual ou religiosa.

 

Esse pecado de desobediência transformou aquele belo “querubim protetor” no arquienganador, e “aquela antiga serpente” e seus brilhantes anjos em “hostes espirituais da maldade” – “príncipes das trevas deste século”. A queda de Satanás e seus anjos ocorreu antes que ele, como a serpente, tentasse Adão e Eva no jardim. E depois que Deus ordenou que a luz brilhasse das trevas e terminou “os céus, e a Terra, e todo o seu exército foram acabados”, foi novamente o mesmo espírito de desobediência que levou à queda de outro número daqueles brilhantes seres angelicais. Eles “não guardaram o seu principado [estado original – JND], mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia” (Jd 1:6). Eles “viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram” (Gn 6:1). Seus filhos eram os “gigantes na terra”, uma raça caracterizada por autoconfiança, orgulho e vontade própria.

 

Força e obediência 

Após esses relatos solenes da queda daqueles seres outrora perfeitos e celestiais, é um alívio voltar ao mesmo registro divino quanto ao caráter dos anjos bons, tão bela e concisamente dados no final do Salmo 103. Nós vemos que eles são os que excedem “em força” e guardam “os Seus mandamentos”. Ao contrário de seus ex-companheiros caídos e da humanidade caída, onde força e desobediência andam de mãos dadas, há força combinada com obediência. Mas há uma terceira característica que nos é dada neste salmo quanto aos seres angelicais brilhantes; eles são os que excedem “em força” e que guardam “os Seus mandamentos”, eles também estão “obedecendo [ouvindo atentamente – JND] à voz da Sua palavra”. A obediência deles não é morna, mera obediência de dever, mas é uma obediência do coração. Eles “ouvem atentamente”, isto é, inclinam os ouvidos, não apenas para “Sua palavra”, mas para a “voz de Sua palavra”. O coração deles, assim como seus ouvidos, gostam de ouvir a voz de seu Soberano divino, e se interessam por tudo o que diz respeito à Sua glória. Quanto à criação, “as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam” (Jó 38:7); quanto à salvação e redenção, “as quais coisas os anjos desejam bem atentar” (1 Pe 1:12); também, eles podem se engajar em aprender na Igreja “a multiforme sabedoria de Deus” (Ef 3). Com eles, é a mesma obediência de coração à vontade de Deus, o mesmo interesse de coração em todos os conselhos de Sua vontade divina, mesmo onde os objetos desses conselhos pertencem a uma raça caída e rebelde e mesmo que eles mesmos continuem “espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação” (Hb 1:14). Não há inveja daqueles abençoados assistentes nas cortes celestiais acima, onde tudo é perfeito e todo coração tem apenas um objetivo e motivo – a glória de Deus e Seu Cristo e fazer Sua vontade, ouvindo atentamente a voz de Sua Palavra.

 

J. A. vonPoseck (adaptado)

Anjos Caídos

 

Parece que houve pelo menos duas quedas de anjos; uma foi a daquele que chamamos de Satanás, o qual, quando o homem foi feito, tentou o homem por meio de Eva. Com relação a esses anjos maus, dos quais lemos na Bíblia desde Gênesis até Apocalipse, eles não estão sob cadeias eternas. Eles estão vagueando pelo mundo continuamente, e até agora não foram reservados em cadeias de trevas; é permitido a eles terem acesso ao céu. Você verá isto de maneira muito admirável na história de Jó. Você verá os “filhos de Deus” que são referidos ali. Eles são os anjos de Deus. Os anjos de Deus se apresentaram diante de Deus. Aprendemos com isso que eles têm acesso e incluem não apenas os anjos bons, mas também os anjos satânicos. Satanás é um anjo caído, mas ainda assim ele era um anjo, e quando “os filhos de Deus” vieram, Satanás também estava lá, de modo que é evidente, mais particularmente no Livro do Apocalipse, que Satanás não perderá esse acesso à presença de Deus até que estejamos de fato no céu. Isto ainda não aconteceu. As pessoas têm uma ideia extraordinária de que, seja qual for o acesso que Satanás tivesse antes daquele tempo, ele o perdeu – ou quando nosso Senhor nasceu ou quando nosso Senhor morreu – mas não há nada disso na Epístola aos Efésios, onde, pelo contrário, é afirmado expressamente que nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra espíritos iníquos nas regiões celestiais. Não somos como os israelitas que lutavam contra os cananeus. Nosso cananeu é um inimigo espiritual nos lugares celestiais, isto é, Satanás e seu exército de demônios ou anjos.

 

Anjos em cadeias 

Em Judas 6, lemos sobre “anjos que não guardaram o seu principado [primeiro estado – ARA]. Esses anjos caíram em uma iniquidade muito peculiar, que é geralmente mencionada em Pedro, mas de maneira especial em Judas. Em consequência, eles foram colocados sob cadeias de escuridão e não foram autorizados a sair da prisão. Eles não são os anjos que nos tentam agora; eles fizeram sua má obra pouco tempo antes do dilúvio. Não sabemos exatamente como isso foi feito, mas Gênesis 6 diz que havia “filhos de Deus” na Terra naquele tempo que agiram de uma maneira que era tão ofensiva para Ele que provocou o dilúvio. Sem dúvida, o homem em geral era muito corrupto e vil, mas, além disso, havia, de alguma maneira misteriosa, essa terrível violação dos limites que dividem as criaturas de Deus. Como resultado, Deus destruiu completamente toda a estrutura da criação, de modo que cada um deles pereceu. Aqueles anjos que se comportaram daquela maneira tremendamente perversa se tornaram prisioneiros. Eles não são como Satanás e seu exército que nos tentam até hoje; esses anjos em particular não podiam mais tentar homens. Eles haviam feito demais, e Deus não permitiria que essas coisas continuassem mais; portanto, houve essa poderosa interferência no momento do dilúvio. Sua queda foi um afastamento de seu primeiro estado, mas nesse caso particular Satanás não fez isso, nem os anjos que caíram com Satanás. Esses anjos deixaram sua própria habitação e preferiram ocupar seu lugar na humanidade para agir como se fossem homens na Terra. Consequentemente, Deus agora os reservou em cadeias eternas sob as trevas até o julgamento do grande dia.

 

O que torna o assunto tão impressionante é que Judas compara essa terrível conduta com Sodoma e Gomorra. A enormidade dessa maldade excedeu a de todas as pessoas más, e é isso que as coloca em uma posição com Sodoma e Gomorra: “Assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregue à fornicação como aqueles (anjos), e ido após outra carne, foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno” (Judas 7).

 

Em Pedro, é geral: “Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram” (2 Pe 2:4). Ele os lançou em cadeias de escuridão, mas essa descrição não se aplica a Satanás e suas hostes. Portanto, parece que houve duas diferentes quedas de anjos; a de Satanás e seus seguidores elevando-se em orgulho de seus corações para com Deus; e, outra, a desses anjos afundando-se na impiedade de seu coração para com o homem, em uma condição realmente muito baixa. A diferença, portanto, é mais acentuada. Deus “os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo; E não perdoou ao mundo antigo”. Existe uma conexão entre as duas narrativas (isto é, o julgamento desses anjos e o dilúvio de Noé), pois elas ocorreram na mesma época. Pedro marca exatamente esse ponto e o coloca junto com o tratamento de Deus com os anjos. De acordo com esse tema de injustiça e julgamento, Noé é descrito como um “pregador da justiça”, não como um pregador da graça.

 

Obediência 

Chegamos agora à implicação das palavras de Pedro em relação ao tempo presente. “Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos para o dia do juízo, para serem castigados” (2 Pe 2:9). A analogia é que essa forma particular de mal requer uma forma particular de disciplina, e que o mundo será destruído não pela água, mas pelo fogo vindo de Deus no céu. Agora, quando chegamos a Judas, é muito mais próximo do que tudo isso. O que ele diz é: “contudo, da mesma forma estes sonhadores” (v.8 – JND) – aqueles que vivem na imaginação de seu próprio coração, ao invés de serem guiados pela Palavra de Deus. A Palavra de Deus é uma expressão da autoridade de Deus, e Sua vontade é a única coisa que deve nos guiar, sejam crentes ou incrédulos. Se eu desse, em uma palavra, o que consiste todo o Cristianismo prático, devo dizer obediência, obediência da fé, não lei. É caracterizado por Pedro em sua primeira epístola como “a obediência de Cristo”. Anjos caídos falharam na sua obediência, e o homem caído falhou na sua obediência. É um privilégio, como crentes, procurar ser caracterizado pela obediência de Jesus Cristo.

 

W. Kelly (adaptado)

Anjo como Representante do Senhor

 

Sabemos que os anjos agem como mensageiros ou administradores de Deus neste mundo e estão ocupados em transmitir boas novas ou executar julgamento. De fato, a palavra hebraica para “anjo” significa “mensageiro”. Além disso, o termo “anjo” é frequentemente usado na Palavra de Deus para falar de alguém que representa outro, sem que ele esteja pessoalmente lá. Por exemplo, aqueles que estavam orando por Pedro (At 12:12-17) não acreditavam que fosse Pedro quem batia à porta, mas diziam: “É o seu anjo”. Também lemos sobre crianças pequenas que “seus anjos nos céus sempre veem a face de Meu Pai que está nos céus” (Mt 18:10).

 

No entanto, existem muitas vezes na Escritura quando a palavra “anjo” é usada para significar a presença divina, embora possa às vezes ser um anjo literal, ou poder angelical, que realiza o ato. Sobre esse uso da palavra, J. N. Darby faz este comentário: “Em Êxodo 23:20-21, o Senhor diz: ‘Eis que eu envio um Anjo diante de ti, para que te guarde pelo caminho, e te leve ao lugar que te tenho preparado. Guarda-te diante dele, e ouve a sua voz, e não o provoques à ira; porque não perdoará a vossa rebeldia; porque o meu nome está nele’. Deus vai diante deles pelo poder angélico, por aquilo que Ele chama de Meu Anjo (v. 23) – isto é, uma intervenção de Deus daquela maneira que era, de fato, Ele mesmo, apenas sob a forma de poder angélico. Assim, Jacó diz (Gn 48:15-16): ‘O Deus, em cuja presença andaram os meus pais Abraão e Isaque, o Deus que me sustentou, desde que eu nasci até este dia; O Anjo que me livrou de todo o mal, abençoe estes rapazes’. Do mesmo modo, onde Deus, como EU SOU, Se manifestou numa chama de fogo na sarça, Ele é chamado ‘o Anjo’ na sarça (Êx 3:2). Onde Jacó declara em Peniel (isto é, a face de Deus) que ele viu Deus face a face e viveu, Oséias diz: ‘Lutou com o Anjo, e prevaleceu’ (Os 12:4 – JND). Assim, no caso de Manoá, é dito: ‘agiu o Anjo maravilhosamente’ (ARC) e Manoá diz: ‘temos visto a Deus’, e as palavras são recebidas como de Jeová, dizendo-lhes tais e tais coisas (Jz 13:19-22). Ele é chamado durante toda a passagem de ‘Anjo do SENHOR’, como muitos o traduzem. Após o que é mencionado em Êxodo 23, Israel fez o bezerro de ouro. O Senhor teria Se recusado a ir com eles, pois, se presente, ele deve consumi-los e declarou que enviaria um anjo com Moisés. Moisés intercede e o Senhor diz que Sua presença irá com ele”.

 

Encontramos o mesmo uso da palavra no Novo Testamento, pois não há dúvida de que o “anjo forte” mencionado em Apocalipse 10:1 é o próprio Senhor. Ele está “vestido de uma nuvem”, o que é indicativo da presença divina, e Sua reivindicação subsequente à Terra e ao mar não deixa dúvidas sobre Quem Ele é. Além disso, em Atos 7:38, Estevão se refere ao “anjo que lhe falava (a Moisés) no monte Sinai”, e isso é claramente uma referência ao Senhor.

 

A face de Deus 

Podemos muito bem perguntar por que o Senhor escolheria agir dessa maneira. Certamente, o Senhor pode e intervém na vida dos que são Seus ou executa juízo por meio do poder dos anjos. Às vezes são visíveis, mas geralmente sua obra é feita fora da visão do homem em geral. Mas, em certas ocasiões, o próprio Senhor deseja tornar conhecida Sua presença e usa o poder angelical ou a forma de um anjo para fazer isso. Se Ele aparecesse em Sua glória como Deus, o homem não poderia contemplá-la. O rosto de Moisés resplandecia quando ele esteve no monte, de modo que os filhos de Israel não podiam olhar para ele, embora ele não tivesse contemplado diretamente o rosto de Deus. Assim também em qualquer outro momento, o homem não podia olhar para o rosto de Deus e viver. Mas, agindo por meio dos anjos e com poder angelical, Ele podia manifestar-Se claramente às vezes, permanecendo, por assim dizer, oculto aos olhos do homem. Nesses casos, Ele deixou claro, por Sua voz e Suas palavras, que era o próprio Deus Quem estava falando. Que graça, que Deus Se dignaria a falar com o homem e fazê-lo de uma maneira que mostrasse claramente Quem Ele era, mas também de uma maneira que o homem não fosse consumido.

 

W. J. Prost

O Anjo da Igreja

 

O significado dessa expressão em Apocalipse 2-3 deve ser obtido do uso do simbolismo da estrela na Escritura e não deve ser confundido com os seres angelicais celestiais. Como pode ser visto em Apocalipse 12:1-4, uma estrela (ou estrelas) significa autoridade subordinada; lemos expressamente no Salmo 136:9, “A Lua e as estrelas para presidirem à noite”. Comparando essa passagem com Gênesis 1:16, é evidente que o Sol apresenta autoridade suprema, a autoridade derivada da Lua e a autoridade subordinada das estrelas. Agora “as potestades que há foram ordenadas por Deus” (Rm 13:1), e isso é verdade para a Igreja, como para os reinos do mundo; por isso é que Cristo tinha as sete estrelas em Sua mão direita. Os anjos das Igrejas, simbolizados pelas estrelas, significam aqueles que Deus colocou na Igreja para dar luz e para governar, e, como tal, são Seus representantes. É por essa razão que o Senhor os considera responsáveis pelo estado da assembleia, que Ele Se dirige a eles nessas cartas e que Ele lhes dá repreensão ou elogio de acordo com sua condição. Às vezes, um remanescente fiel é distinguido do anjo, como em Tiatira; às vezes, como em Esmirna, onde não havia nada a repreender, o anjo e os santos podem ser abordados de forma intercambiável. Mas é o anjo quem é considerado responsável, e é esta a razão: são aqueles que dão luz (ensinam) e aqueles que governam que formam o estado da assembleia. São estes que são representados pelo anjo. No entanto, não se deve esquecer que a própria assembleia também é responsável e que todos os que a compõem são responsáveis pelo estado espiritual da assembleia. Três considerações explicarão isso. No versículo 5, embora o anjo de Éfeso seja abordado, o termo “teu castiçal” é usado, quando manifestamente é o castiçal da assembleia; segundo, a proclamação é feita no versículo 7: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”; terceiro, há a promessa ao vencedor individual. Por esses motivos, não hesitamos em nossas observações para falar da condição e responsabilidade da assembleia, bem como da do anjo. O mesmo se encontra na história do reino de Israel. Deus considerou os reis responsáveis pelo estado do povo, mas, como mostram os profetas, Ele não absolveu o povo da culpa. Ainda os reis, como os anjos, eram aqueles que foram colocados em responsabilidade como representantes de Deus.

 

E. Dennett (adaptado)

Os Anjos Cantam?

 

Quando o Cordeiro aparece, os anciãos cantam um novo cântico. Observe que os anjos nunca cantam. As pessoas falam deles como se estivessem cantando, mas nunca vemos isso na Escritura. Anjos clamam e bradam, mas há apenas uma nota encontrada neles. O homem tem todos os tipos de fraquezas, mas pode ser afinado; é preciso um ser como o homem para ser afinado. Os anjos clamam e louvam, e isso é formoso.

 

J. N. Darby

Anjos

 

A criação dos anjos não é registrada historicamente, mas sim a deste universo visível; eles, havendo sido já criados como uma ordem separada de seres, manifestam interesse nas obras de Deus – “Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam” (Jó 38:7).

 

Quando Cristo nasce, primeiro o aspecto Judaico é anunciado aos pastores, e depois uma multidão que o celebra – seu deleite público nos caminhos de Deus e com deleite sem inveja neles – declara que o bom prazer (ou beneplácito) de Deus está no homem. É o aspecto celestial disso – eles veem a mente de Deus nisso – não a parte da consciência ou o mal do homem. Eles proclamam glória a Deus, pois Seu amor está aqui, paz sobre esta Terra arruinada – o lugar de Seu serviço.

 

Quando Cristo entra em Seu ministério, eles são Seus servos no deserto e no Getsêmani. A revelação do evangelho, que não os tem como objetivo, eles desejam bem atentar. Os sofrimentos de Cristo e as glórias que se seguem trazem uma apreensão mais solene à mente deles; não é uma alegria simples como criação ou encarnação e seus frutos naturais; eles se regozijam sobre todo pecador que se arrepende; é alegria para eles. Na Igreja, eles aprendem, como nos lugares celestiais, a multiforme sabedoria de Deus; eles tinham visto a glória da revelação de Deus na Terra; eles são para nós, em amor, espíritos ministradores; eles louvam, em um círculo fora dos remidos, no Apocalipse.

 

J. N. Darby

Os Anjos e a Lei

 

Parece claro no Salmo 68 que a manifestação de glória exterior de fogo no Monte Sinai se deu pela ministração dos anjos. Essa foi a solene sanção dada à lei e sua promulgação (Êx 19:16-18). Isso é totalmente confirmado por Deuteronômio 33:2. O Salmo 104:4 e 2 Reis 1:10; 6:17 oferecem exemplos análogos de Jeová fazendo de Seus ministros uma labareda de fogo. Assim, mesmo na sarça, quando houve, quanto à forma, uma manifestação angelical de Deus, a sarça ardia em fogo. Moisés falou com o Anjo na sarça. O que é particularmente referido nas passagens que estamos considerando é que os anjos eram os instrumentos imediatos por meio dos quais eles receberam a lei, a glória manifesta que lhe deu sua sanção – não que eles falassem ou se dirigissem pessoalmente ao povo. Ou seja, as funções dos embaixadores são tratadas como semelhantes às dos anjos, ou legados divinos. O caráter da autoridade ligada à lei era angelical, não a encarnação do próprio Deus, quer falando na Terra ou no céu. Todo o conjunto dos dois primeiros capítulos de Hebreus é mostrar a superioridade da revelação Cristã em relação ao Judaísmo pela superioridade de Cristo sobre os anjos, primeiro como Pessoa divina e segundo, nos conselhos de Deus quanto à exaltação do homem.

 

J. N. Darby

O Anjo do Senhor

 

Essa expressão, “O Anjo do SENHOR [Jeová], ocorre muitas vezes no Velho Testamento, significando mensageiro ou agente. Às vezes, descreve um mensageiro angelical, e às vezes refere-se ao próprio Senhor. O contexto facilmente deixa claro o que é indicado. O contexto de Gênesis 16:7, por exemplo, prova claramente que o anjo do Senhor é o próprio Senhor. Ninguém, a não ser uma Pessoa divina, poderia dizer: “Multiplicarei sobremaneira a tua descendência, que não será contada, por numerosa que será” (Gn 16:10).

 

Que Agar reconheceu isso é claro. Lemos: “E ela chamou o nome do SENHOR, que com ela falava: Tu és Deus que me vê; porque disse: Não olhei eu também para Aquele que me vê? Por isso se chama aquele poço de Beer-Laai-Rói (que significa o poço d’Aquele que vive e me vê – margem da KJV) (Gn 16:13-14).

 

Um caso marcante de o Anjo do Senhor ser o próprio Jeová é visto quando o Senhor chamou Moisés da sarça ardente, dizendo: “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó” (Êx 3:6).

 

Há uma variação muito bela desse título encontrada em Isaías 63:9. “Em toda a angústia deles Ele foi angustiado, e o Anjo da Sua presença os salvou; pelo Seu amor, e pela Sua compaixão Ele os remiu; e os tomou, e os conduziu todos os dias da antiguidade”.

 

Ninguém, a não ser uma Pessoa divina, poderia usar palavras como estas. Referindo-nos a um dia ainda futuro, lemos: “Naquele dia o SENHOR protegerá os habitantes de Jerusalém; e o mais fraco dentre eles naquele dia será como Davi, e a casa de Davi será como Deus, como o Anjo do SENHOR diante deles” (Zc 12:8).

 

A. J. Pollock

A Face de um Anjo

“Todos os que estavam assentados no conselho, fixando os olhos nele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo” (Atos 6:15)


Ele é acusado de blasfêmia

Em relação a Moisés e a Deus;

As multidões se agitam,

Suas vozes são ouvidas;

A ira invade o lugar;

Falsas testemunhas são convocadas e

Eles olham para o Seu rosto.

 

Parece que faltam palavras

Para descrever a postura pacífica;

“O rosto de um anjo”,

Sem traço algum de medo,

Mas calma sobre Sua fronte;

Ele conhecia Aquele que sustentava o mundo,

Sustentava-o mesmo agora.

 

Que maravilhosa recomendação

Para o conflito e na provação:

Um brilho pacífico

Ao mundo mostrar

A calma dentro do coração;

Oh, que possamos ter aquele “rosto de anjo”

Que Sua presença pode transmitir!

Autor desconhecido

 

“Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam”

Jó 38:7



1 comentário


Nubia Viana
12 de set.

Bom dia

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