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As Glórias do Senhor Jesus (Junho de 2006)

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Revista mensal publicada originalmente em maio/2006 pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


          Tema da edição

W. J. Prost

          Adaptado de J. G. Bellett, The Moral Glory of the Lord Jesus Christ

          H. Smith (adaptado)

          J. N. Darby, trechos de Sinopse, vol. 3

          J. N. Darby (adaptado)

         Trechos de Keys to Prophecy

          A. C. Ord. (adaptado)

R. S. Hawker

 

As Glórias do Senhor Jesus


Ao nos concentrarmos nas glórias do Senhor Jesus Cristo, percebemos que esse assunto nos leva a um reino além do que a criatura pode compreender, pois nos leva à “luz inacessível, a Quem nenhum dos homens viu nem pode ver” (1 Tm 6:16). Muitas das glórias de nosso Deus são brilhantes demais para que nós, como criaturas, entremos, mas, bendito seja Deus, algumas de Suas glórias e de nosso Senhor podemos ver, e quando as vemos somos transformados por elas (2 Co 3:18). Nós iremos, como nosso Senhor deseja, compartilhar algumas delas (Jo 17:22).

 

Esperamos que todos os que lerem esta edição percebam que os artigos apenas dão um vislumbre do que é nosso e que podemos desfrutar agora, e o que ocupará nosso coração por toda a eternidade. Em nosso estado atual, a eternidade parece um tempo muito curto para Deus revelar ao nosso coração todas as maravilhas de Suas glórias e as glórias de Seu amado Filho, o Filho do Homem.

 

Paulo, no terceiro céu, "ouviu palavras inefáveis, de que ao homem não é lícito falar" (2 Co 12:4). Logo o que ele viu e ouviu nós veremos e ouviremos. Nosso coração transbordará em adoração para todo o sempre. Agora estamos aguardando, mas enquanto esperamos, todos nós, com rosto descoberto, "contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na Sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito" (2 Co 3:18 – ARA).

 

Tema da edição

 

As Glórias do Senhor Jesus


Quando falamos das glórias do Senhor Jesus, estamos no terreno mais abençoado e santo. Certamente Suas glórias são ilimitadas e passaremos toda a eternidade explorando e desfrutando delas. No entanto, para um mero mortal tomar as glórias do Senhor Jesus e procurar resumi-las é como um homem tentando numerar as estrelas do céu ou a areia na praia. No entanto, se nós, como crentes, pudermos ler, falar e desfrutar de alguma medida dessas glórias agora, poderemos, com a ajuda de Deus, mostrar o que a Sua Palavra diz sobre elas.

 

O que é ‘glória’? A definição mais simples talvez seja "excelência em manifestação". É a excelência exibida para que outros possam ver e apreciar. Os propósitos de Deus para uma eternidade vindoura estão todos centralizados em Seu Filho amado, e Deus Se deleita em mostrar todas as glórias de Seu Filho. Eventualmente, Sua glória será exibida tanto no céu como na Terra, mas pela fé podemos ver e desfrutar de algumas dessas glórias agora!

 

Qualquer enumeração das glórias do Senhor Jesus deve ser um tanto arbitrária, pois elas se sobrepõem e se complementam. Contudo, acredito que podemos distinguir algumas dessas glórias das quais a Escritura fala.

 

A glória da divindade 

A primeira é Sua glória divina – aquela glória que é d'Ele em virtude de ser o Filho de Deus desde toda a eternidade. Em João 1:1 lemos: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Aqui vemos o Senhor Jesus como a Palavra eterna, antes de qualquer outra coisa ser feita. A glória que é d'Ele como Deus não pode ser vista pela criatura, como lemos em 1 Timóteo 6:14-16: “Nosso Senhor Jesus Cristo... Aquele que tem, Ele só, a imortalidade e habita na luz inacessível; a Quem nenhum dos homens viu nem pode ver". Ele deixou essa glória de lado quando veio a este mundo para que os homens pudessem se aproximar d'Ele, mas em Sua oração ao Pai em João 17, Ele pede para ser glorificado novamente “com aquela glória que tinha Contigo antes que o mundo existisse” (v. 5).

 

A glória pessoal 

Entretanto, se a glória de Sua Divindade estava velada, Sua glória pessoal brilhava para aqueles que tinham o privilégio de vê-la. João pôde dizer: “E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1:14). Nas bodas de Caná da Galileia, o Espírito de Deus registra: "Jesus principiou assim os Seus sinais em Caná da Galileia e manifestou a Sua glória, e os Seus discípulos creram n’Ele" (Jo 2:11). Notamos aqui que é dito que somente Seus discípulos creram n'Ele, pois, apesar de todos terem visto o milagre que Ele havia feito, nem todos reconheceram Quem Ele era. Entretanto, para aqueles que tiveram o privilégio de ver, Sua glória pessoal foi mostrada em Suas palavras e milagres. Assim Pedro pôde dizer: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mt 16:16), enquanto a interação do Senhor com Natanael também o impressionou e o fez dizer: "Rabi, Tu és o Filho de Deus" (Jo 1:49).

 

A glória como Criador 

Sua glória pessoal está intimamente ligada ao que poderia ser chamado de Sua glória como Criador. No Salmo 19:1 lemos: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos”. Em Colossenses 1:15-16, lemos que Ele é “o Primogênito de toda a criação, porque n’Ele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na Terra, visíveis e invisíveis... tudo foi criado por Ele e para Ele”, e mais do que isso, "todas as coisas subsistem por Ele" (Cl 1:17). Ele é o Primogênito em virtude de ter criado todas as coisas – isto é, Ele tem o lugar de preeminência. Tendo sido chamadas a existência por Ele, todas as coisas são sustentadas "pela palavra do Seu poder" (Hb 1:3). Ele é o Poder característico, o Instrumento ativo e o Propósito de todas as coisas criadas. Todos os homens veem essa glória na criação e são responsáveis para com Deus dessa maneira. Nós lemos em Romanos 1:20: “Porque as Suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo... se entendem e claramente se veem... para que eles fiquem inescusáveis”.

 

A glória moral 

Se o homem não podia ver a glória de Sua Divindade e frequentemente não via Sua glória pessoal, Sua glória moral em Sua caminhada por este mundo, como Sua glória como Criador, eram visíveis a todos. Não poderia ser escondida. No entanto, o termo “glória moral” é amplo e podemos incluir várias glórias distintas, mas semelhantes no termo. A glória moral não é glória material, nem circunstancial, mas é a exibição daquela perfeita combinação de virtudes que eram vistas somente no Filho do Homem. Nesse sentido, podemos dizer que Sua glória moral foi vista em Sua caminhada por este mundo, em Sua obra de redenção, e em toda a glória exibida no evangelho. Todas são glórias morais, no entanto, podem ser distinguidas umas das outras.

 

Primeiro de tudo, quanto à Sua glória em andar por este mundo, ela foi exibida em perfeição para que todos pudessem ver. Houve ao mesmo tempo Sua disposição de ocupar um lugar humilde diante dos homens, e também Sua consciência de Quem Ele era diante de Deus. Em todos os detalhes mais íntimos e comuns da vida, Suas virtudes nos falam de Sua Pessoa. Sua dignidade e elevação moral eram tais que todos podiam vê-las, e Seu caminho por toda a senda estava marcado por isso. Que bendita meditação para nossa alma! Agora, nós que, por meio do novo nascimento, temos Cristo como nossa vida, podemos mostrar de alguma pequena forma as virtudes morais daquela vida neste mundo. Como filhos de Deus, devemos estar conscientes da dignidade dessa posição, enquanto tomamos o lugar de humilhação voluntária perante o mundo.

 

Mas essa glória moral foi percebida em sua plenitude na cruz, porque o Senhor Jesus pôde dizer ali: “Agora, é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado n’Ele” (Jo 13:31). Ao submeter-Se à morte da cruz, Sua glória moral atingiu o seu auge, pois houve suprema submissão à vontade do Pai, enquanto que, ao mesmo tempo, houve a consciência suprema de Sua glória intrínseca diante de Deus. Como resultado desta obra, Ele agora é glorificado: “Se Deus é glorificado n’Ele, também Deus O glorificará em Si mesmo e logo O há de glorificar” (Jo 13:32). Israel esperava pela glória do reino, mas a glória moral da cruz deveria vir primeiro.

 

A glória no evangelho 

Isto nos traz a Sua glória no evangelho, proclamado como o resultado de Sua obra na cruz. Desde que Cristo morreu, toda a plenitude das bênçãos do coração de Deus tem sido revelada. Os céus, uma vez abertos somente para Cristo como um Homem (Mt 3:16) está agora aberto para nós, e como Estevão, podemos olhar para cima e ver a "glória de Deus, na face de Jesus Cristo" (2 Co 4:6). Em 2 Coríntios 4:4 Paulo fala da resplandecência da "luz do evangelho da glória de Cristo”. Deus não apenas foi satisfeito, mas glorificado pela obra consumada de Cristo, e em Sua face podemos ver toda aquela glória revelada.

 

Deixando Sua glória moral, podemos ver uma glória que é d'Ele por causa dos Seus, dos que agora estão associados a Ele. Em Colossenses, vemos algumas das maiores glórias do Senhor Jesus, e lá lemos sobre “as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória” (Cl 1:27). Cristo e a Igreja é um mistério que estava oculto em Deus desde antes da fundação do mundo, mas agora esse mistério (segredo) está revelado, e assim Paulo podia falar “das riquezas da glória da Sua herança nos santos” (Ef 1:18). Os crentes agora estão unidos a Cristo como Seu corpo e Sua noiva, e a glória desse relacionamento maravilhoso é nossa, para desfrutarmos desde agora. O desejo de Paulo para os Efésios era que os olhos do seu entendimento pudessem ser iluminados para que pudessem desfrutar disso ainda mais.

 

A glória do reino 

Finalmente, temos a glória do reino que será mostrada durante o Milênio. Naquele dia o Senhor Jesus voltará para este mundo em poder e glória, como Ele predisse em Mateus 25:31 – "E, quando o Filho do Homem vier em Sua glória" e "Se assentará no trono da Sua glória". Naquele dia "todo olho O verá" (Ap 1:7), e todos se ajoelharão diante d'Ele. Aquele que foi rejeitado – que foi pendurado na cruz do Calvário em humilhação e sofrimento – será vindicado naquele dia quando Ele tomar Seu lugar como Juiz e Rei. O propósito de Deus de "congregar em Cristo todas as coisas" (Ef 1:10) será cumprido naquele dia, e todas as Suas glórias brilharão! Naquele dia nós também seremos “para louvor da Sua glória” (Ef 1:12).

 

Tenho certeza que esses pensamentos poderiam ser comparados a avistar apenas a ponta de um iceberg. As glórias de Sua Pessoa não serão esgotadas em uma eternidade vindoura, mas quão maravilhoso é ter a capacidade de desfrutá-las agora!

 

W. J. Prost

 

Sua Glória Moral


As glórias do Senhor Jesus podem ser dividias em três aspectos – pessoais, oficiais e morais. Sua glória pessoal Ele velou, salvo onde a fé a descobriu ou uma ocasião a exigiu. Sua glória oficial Ele velou da mesma forma, pois Ele não andou pela Terra como o divino Filho do seio do Pai ou como o Filho de Davi com autoridade. Tais glórias eram normalmente escondidas quando Ele passava pelas circunstâncias da vida, dia após dia. Mas Sua glória moral não podia ser escondida. Ele não podia ser menos perfeito em todas as coisas – isso pertencia a Ele, pois era Ele mesmo. Sua excelência era intensa, muito brilhante para o olho do homem, e o homem estava em constante exposição e reprovação diante dela. Mas ali ela brilhou, podendo o homem suportá-la ou não.

 

Se as trevas não compreenderam a luz de Sua glória pessoal ou oficial, Sua glória moral só encontrará ocasião para brilhar mais forte, pois não há nada na moral ou, no caráter humano, mais excelente do que Sua disposição de ocupar um lugar humilde no meio dos homens e a consciência da glória intrínseca diante de Deus.

 

Sua santidade e graça 

Quão consistente foi a combinação de santidade e graça n'Ele. Ele está perto do nosso cansaço, da nossa fome ou do nosso perigo. Ele está longe dos nossos temperamentos desajustados e do nosso egoísmo. Sua santidade fez d’Ele um completo estranho em um mundo tão poluído, já Sua graça O manteve ativo em um mundo tão necessitado e aflito. Isso, posso dizer, realça Sua vida com grande glória moral – que, embora forçado, pela qualidade da cena ao Seu redor, a ser um Solitário, ainda assim Ele foi atraído pela necessidade e tristeza dessa cena a ser ativo. “Eu não conheço ninguém”, alguém disse, “tão gentil, tão condescendente, que desceu até os pobres pecadores, como Ele. Eu confio em Seu amor mais do que no de Maria, ou o de qualquer outro santo; não meramente Seu poder como Deus, mas na ternura de Seu coração como Homem. Ninguém nunca mostrou isso ou provou isso tão bem – ninguém inspirou alguém com tanta confiança. Deixe os outros irem aos santos se eles quiserem, mas eu confio mais na bondade de Jesus".

 

Embora pobre, nunca se vê nada que possa ser considerado mesquinho,  jamais é visto em associação a Sua condição. Ele nunca mendigou, embora não tivesse um centavo, pois quando quis ver um, teve que pedir para ser mostrado a Ele. Ele nunca foge, embora exposto, e Sua vida em perigo, no lugar onde Ele estava. Ele Se retira ou passa por outros como oculto. E assim, mais uma vez, posso dizer, nada mau, nada de impróprio, mas total dignidade Pessoal está ligada a Ele, embora a pobreza e a exposição fossem Sua parte todos os dias. Bendito e belo! Quem poderia manter sob nossos olhos um Objeto tão perfeito, tão imaculado, tão requintado e delicadamente puro, em todos os mínimos e mais simples detalhes da vida humana!

 

Sua maneira de transmitir e receber 

Ele pediu a Seus discípulos na hora do Getsêmani que vigiassem com Ele, mas não lhes pediu que orassem por Ele. Ele queria empatia. Ele a valorizava na hora de fraqueza e pressão, e teria os corações de Seus companheiros já ligados a Ele desde então. Tal desejo era parte da glória moral que formava a perfeição humana que estava n’Ele, mas enquanto Ele sentia isso e agia assim, Ele não podia pedir-lhes que permanecessem como na presença divina rogando em Seu favor, Ele queria que eles se entregassem a Ele, mas Ele não podia pedir para que se entregassem a Deus por Ele.

 

O Senhor estava continuamente dando. Ele repartiu grandemente, porém encontrou pouca comunhão. Isso engrandece Sua bondade. Não havia, por assim dizer, nada para atraí-Lo, e ainda assim Ele estava sempre dando. Ele era como o Pai no céu, de Quem Ele mesmo falou, fazendo Seu Sol nascer sobre os maus e os bons, e enviando Sua chuva sobre os justos e os injustos. Isso nos diz o que Ele é, para o Seu louvor, e o que somos, para nossa vergonha.

 

A luz de Deus brilha, por vezes, diante de nós, fazendo-nos, à medida que temos poder, discerni-la, apreciá-la, usá-la e segui-la. Ela não nos desafia ou exige muito de nós, mas, como eu disse, ela brilha diante de nós, para que possamos refleti-la se tivermos graça. E tal, em um sentido amplo, é a glória moral do Senhor Jesus. Nosso primeiro dever para com essa luz é aprender sobre ela, o que Ele é. Não devemos começar nos medir por ela de maneira ansiosa e dolorosa, mas de maneira calma, feliz e grata aprendermos sobre Ele em toda a Sua perfeita humanidade moral.

 

O Senhor Jesus restaurou a Deus Sua complacência no homem, que o pecado ou Adão havia tirado d’Ele. O arrependimento de Deus por ter feito o homem (Gn 6:6) foi trocado por deleite e glória no homem novamente. E como Ele estava representando o homem para Deus, Ele também representava Deus para o homem.

 

O direito de ser glorificado

Quando o Senhor Jesus esteve aqui, e assim Se manifestou como Homem para Deus, o deleite de Deus n’Ele estava sempre se expressando. Em pessoa e caminhos, o homem foi moralmente glorificado, então quando a perfeição do Seu caminho chegou ao fim, Ele pôde ir direto a Deus, como o molho das primícias que era imediatamente colhido do campo e levado, não precisando passar por nenhum processo para ser adequado e aceito na presença de Deus (Lv 23:10). O título de Jesus para a glória era moral. Ele tinha o direito moral de ser glorificado, pois Seu título estava em Si mesmo. E sendo a cruz a perfeição e completude da plena forma de glória moral n’Ele, neste momento Ele profere estas palavras: “Agora, é glorificado o Filho do Homem”. Então Ele acrescenta: "e Deus é glorificado n’Ele".

 

Na cruz Deus foi perfeitamente glorificado assim como foi o Filho do Homem, embora a glória fosse outra glória. O Filho do Homem foi glorificado então, ao completar aquela forma plena de beleza moral que esteve brilhando n’Ele durante toda a Sua vida. Nada disso faltou então, como nada, desde o princípio até àquela hora tardia, se misturou com ela que fosse indigno dela. Estava próxima a hora quando deveria brilhar o último raio que daria a essa glória o seu brilho total. Mas Deus também foi glorificado naquele momento, porque tudo o que era d’Ele foi mantido ou exibido. Seus direitos foram mantidos, Sua bondade manifestada. Misericórdia e verdade, justiça e paz foram satisfeitas ou atendidas. A verdade, santidade, amor e majestade de Deus foi magnificada de tal forma e ilustrada numa luz maior do que tudo que poderia ter sido conhecida por eles em qualquer outro lugar. A cruz é a maravilha moral do universo.

 

As cabeças de duas criações 

O primeiro homem, por seu pecado, foi colocado fora da criação, assim como, posso dizer, o Segundo Homem (sendo, como Ele também era "O Senhor do céu"), por ter glorificado a Deus, foi assentado como Cabeça da criação, bem como à destra da Majestade nas alturas. Jesus está no céu como um Homem glorificado, porque aqui na Terra Deus foi glorificado n'Ele como Aquele que obedeceu na vida e na morte.

 

Em certo sentido, essa perfeição do Filho do Homem, essa perfeição moral, é tudo para nós. Ela dá a sua qualidade ao sangue que expia nossos pecados. Foi como a nuvem de incenso que entrava na presença de Deus, juntamente com o sangue, no dia da expiação (Levítico 16). Mas, em outro sentido, essa perfeição é grande demais para nós. É alta demais e não podemos alcançá-la. Ela sobrecarrega o sentido moral, tanto quanto nós a observamos na lembrança do que nós mesmos somos, enquanto nos enche de admiração, tanto quanto nós olhamos para Ele como nos dizendo o que Ele é. A glória judicial pessoal, quando foi manifestada no passado, era esmagadora. O mais favorecido dos filhos dos homens não poderia estar em pé diante dela, como Isaías, Ezequiel, Daniel, Pedro e João experimentaram o mesmo. E essa glória moral, da mesma forma nos expondo, é aterrorizante. No entanto, a fé está confortável em Jesus. Podemos, eu pergunto, tratá-Lo com temor ou suspeita? Podemos duvidar d’Ele? Poderíamos ficar distantes d'Aquele que Se sentou junto ao poço com a mulher de Sicar? Será que ela tomou por si mesma um lugar como esse? É bem certo, amados, que deveríamos buscar intimidade com Ele.

 

O Humano e o Divino 

Quão perfeito foi isso! Quão perfeito, certamente, era tudo, e cada um em sua geração – as virtudes humanas, os frutos da unção que estava n’Ele e Suas glórias divinas. As naturezas na mesma Pessoa são distintas, mas a refulgência do divino é subjugada, e a simplicidade do Homem é elevada. Não há nada como isso – não poderia haver nada assim em toda a criação. E, no entanto, o humano era humano e o divino era divino. Jesus dormiu no barco: Ele era um Homem! Jesus repreendeu os ventos e as ondas: Ele era Deus!

 

Cada passo de Sua vida e morte é importante para nós. Tudo o que Ele fez e disse foi uma expressão real e verdadeira de Si mesmo, como Ele mesmo era uma expressão real e verdadeira de Deus. E assim, chegamos a Deus, no conhecimento certo e desimpedido d’Ele mesmo, por meio dos caminhos e atividades comuns da vida deste divino Filho do Homem.

 

Adaptado de J. G. Bellett, The Moral Glory of the Lord Jesus Christ

 

Sofrimento e Glória


Lucas 9:22-36 apresenta de uma forma comovente os sofrimentos do Filho do Homem e a glória que se segue. Nas mãos dos homens Ele deveria "padecer muitas coisas", ser "rejeitado" e "morto". Então, no monte da transfiguração, temos uma visão da glória e honra com a qual o propósito de Deus é coroar o Filho do Homem (Salmo 8). A passagem também desafia nosso coração, pois mostra claramente que, se Seus discípulos têm o privilégio de compartilhar da Sua glória, eles também são chamados primeiramente a participar de Seus sofrimentos. Assim, passa diante de nós o caminho daqueles que seguem um Cristo rejeitado neste mundo e a glória à qual o caminho conduzirá no mundo vindouro.

 

O caminho do sofrimento 

O Senhor começa com as palavras: "Se alguém quer vir após Mim" (v. 23). Estas são palavras tocantes que presumem que Ele passou por ali antes e traçou um caminho para os Seus, e que, atraídos pelo amor, desejariam trilhar o caminho por onde Ele pisou. Na entrada deste caminho encontramos estas palavras: "Negue-se a si mesmo". Estas são palavras que nos sondam, pois a negação do ‘eu’ não é simplesmente negar a nós mesmos certas coisas, mas a negação do homem que deseja estas coisas. A negação de si mesmo é ignorar completamente o ‘eu’ para servir aos outros em amor. Mas como é possível negar a si mesmo e aceitar a reprovação? Só quando temos diante de nós um objeto que é maior que o “ego”. Assim, o Senhor acrescenta as palavras "siga-Me". Seguir a Cristo deve significar o abandono da vida presente. Aquele que vive apenas para a vida presente está vivendo uma vida que ele inevitavelmente perderá, pois na melhor das hipóteses é apenas uma vida passageira. Ter Cristo diante de nós é viver uma vida que nunca passará. É uma vida que pode ser desfrutada agora, mas será conhecida em toda a sua plenitude somente quando estivermos em nosso lar eterno.

 

As glórias do mundo vindouro 

O caminho de reprovação e perda das coisas presentes envolve sofrimento para a carne. Mas o sofrimento é apenas por um período, e diante de nós está o peso eterno de glória. O Senhor gravaria em nossa alma a percepção dessa glória, revelando diante de nós tanto a bem-aventurança quanto os traços morais da casa de glória que se encontra no fim do caminho do sofrimento. Para entrarmos nessas coisas celestiais, devemos ter nosso espírito elevado acima deste mundo atual, e portanto lemos: [Ele] subiu ao monte.

  

Tendo subido no monte, a primeira grande visão que passa diante dos discípulos é um homem que ora, pois lemos: “estando Ele orando”. A oração é a expressão da dependência em Deus e da comunhão com Deus. As tristezas da Terra podem ser traçadas até a desobediência e independência de um homem – Adão. As glórias do mundo vindouro são introduzidas pela perfeita obediência e dependência de um homem – Cristo. O mundo vindouro será um mundo de bem-aventurança, pois todos serão dependentes de Deus.

 

Nesta grande cena, aprendemos a mudança que virá sobre os santos quando Jesus vier. Vemos em Cristo a imagem que teremos revestidos na glória vindoura, pois “assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” (1 Co 15:49). Assim, tendo Ele orado, os discípulos viram na Pessoa de Cristo que o terreno mudou-se em celestial. Em um instante Suas vestes de humilhação foram trocadas por vestes de glória, e Seu rosto tornou-se resplandecente como o Sol. N’Ele foi exibido o grande poder que em "um piscar de olhos" vai mudar nosso corpo de humilhação em um corpo de glória como é o Seu próprio corpo.

 

A glória compartilhada 

Também nos é revelado que, na glória vindoura, não seremos apenas como Ele, mas estaremos com Ele, pois lemos: “E eis que estavam falando com Ele dois varões”. Ele terá companheiros, embora Ele seja verdadeiramente o Ungido com o óleo de alegria acima de Seus companheiros. Ele não será cercado por uma multidão de anjos – Seus companheiros serão homens. Eles são homens por quem Ele morreu, e homens que irão compartilhar com Ele em Sua glória como o Filho do Homem. Nosso maior gozo será que estaremos “como Ele”!

 

Mais do que isso, estaremos confortáveis na glória, pois lemos sobre esses dois homens que eles estavam “falando com Ele. Se tivesse sido escrito apenas que Ele falou com eles, poderíamos julgar que na glória ficaremos encantados, mas como ouvintes silenciosos. Se, no entanto, eles puderam falar com Ele, significa que toda a distância e as reservas desaparecerão. Os discípulos, de fato, tiveram uma doce conversa com Cristo quando esteve na Terra, porém, às vezes, com certa medida de limitação. Na glória haverá uma conversa santa e feliz, sem vestígios de limitação. É de fato algo bendito o fato de Ele vir a dois discípulos no dia da ressurreição e, em suas tristes circunstâncias do deserto, eles pudessem dizer que Ele fez arder “em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava e quando nos abria as Escrituras”. Mas quão mais maravilhosa é esta cena em que Ele traz dois santos para falar com Ele em glória.

 

Também compartilharemos de Sua glória, pois lemos sobre esses dois homens que eles “apareceram com glória. Eles compartilham da glória de Cristo como Homem glorificado. Então lemos a respeito dos que creem: "Quando Cristo, que é a nossa vida, Se manifestar, então, vós também sereis manifestados com Ele, em glória" (Cl 3:4). Não é uma grande dificuldade abandonar as glórias passageiras deste mundo e aceitar o caminho do sofrimento quando sabemos que vamos compartilhar das glórias de Cristo no mundo vindouro.

 

Nesta grande cena, somos levados em espírito além da glória do reino para o que fala da casa do Pai. Nós lemos que “veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra”. A morte que Cristo consumou não apenas abre o caminho para os crentes compartilharem das glórias do reino de Cristo, mas os capacita a entrar em companhia com Cristo na presença imediata de Deus Pai, do qual a nuvem fala. Pedro em sua epístola fala da glória que se destaca, pois ele diz: da magnífica glória Lhe foi dirigida a seguinte voz”. Existe a glória do reino terrenal, mas existe a mais excelente glória – a glória da presença do Pai na casa do Pai. Os discípulos tinham visto a glória do Seu reino, mas há uma glória maior – uma glória da qual o Senhor fala em Sua oração quando pede “para que vejam a Minha glória que Me deste” (Jo 17.24). Nós compartilharemos da glória do Seu reino, mas nós contemplaremos Sua maior glória – uma glória acima de todas as outras. É uma glória dada, adquirida pelos Seus sofrimentos por nós – a justa recompensa por ter glorificado perfeitamente o Pai. O mundo verá a glória que temos em comum com Cristo, mas há uma glória que é um segredo para aqueles que O amam. Ela pertence à Sua Pessoa e à nossa associação com Ele. Somos levados para a casa do Pai, para ter comunhão com o Pai em Seu deleite no Filho.

 

Enquanto viajamos para estar com Cristo em glória, que sempre nos lembremos de que temos o Senhor conosco em nosso caminho pelo deserto. Assim lemos: “E, tendo soado aquela voz, Jesus foi achado só. A visão passa, Moisés e Elias partem, a nuvem se desvanece, a voz fica silenciosa, mas Jesus permanece. Ao tomarmos nossa jornada por este mundo com todas as suas provações e tristezas, Ele está conosco de acordo com Sua própria promessa: "Não te deixarei, nem te desampararei". Amando-nos até o fim, Ele estará conosco para sempre, quando estivermos com Ele para não sairmos mais dali, e as bênçãos do monte serão nossa porção eterna.

 

H. Smith (adaptado)

 

O Filho do Homem Glorificado 


Como Filho do Homem, Ele deve possuir todos os reinos da Terra. Os gregos vem (pois Sua fama se espalhou) e desejam vê-Lo. Jesus diz: “É chegada a hora em que o Filho do Homem há de ser glorificado”. Ao tomar Seu lugar como o Filho do Homem, uma coisa muito diferente necessariamente se abre diante d'Ele. Como Ele poderia ser visto como Filho do Homem, vindo nas nuvens do céu para tomar posse de todas as coisas de acordo com os conselhos de Deus, sem morrer? Se o Seu serviço humano na Terra estivesse terminado e Ele tivesse saído livre, chamando, se fosse necessário, doze legiões de anjos, ninguém poderia ter tido qualquer parte com Ele: Ele teria permanecido sozinho, pois “se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto”. Se Cristo toma Sua glória celestial e não está sozinho nela, Ele morre para alcançá-la e trazer consigo as almas que Deus lhe deu. De fato, a hora tinha chegado Não podia mais demorar. Tudo estava agora pronto para o fim do julgamento deste mundo, do homem, de Israel, e, acima de tudo, do cumprimento dos conselhos de Deus.

 

A fim de trazer os homens para essa glória, Ele mesmo precisa passar pela morte. Mas Ele estava centrado em uma coisa que desconectou Seus pensamentos da glória e do sofrimento – o desejo que Seu coração tinha de que Seu Pai deveria ser glorificado. Perfeito em Seu desejo de glorificar Seu Pai, e isso até a morte, o Pai não podia deixar de responder, e em Sua resposta, como me parece, o Pai anuncia a ressurreição. Mas que graça, que maravilha, ser admitido em tais comunicações! O coração é surpreendido, enquanto cheio de adoração e com graça, ao contemplar a perfeição de Jesus, o Filho de Deus, até a morte, e em vê-Lo, com o pleno sentido do que a morte era, buscando a glória unicamente do Pai, e o Pai respondendo – uma resposta moralmente necessária para este sacrifício do Filho e para Sua própria glória. Assim, Ele disse: “Já O tenho glorificado e outra vez O glorificarei”. Eu creio que Ele O glorificou na ressurreição de Lázaro e Ele faria isso novamente na ressurreição de Cristo – uma ressurreição gloriosa que, por si mesma, implicava a nossa, como o Senhor disse, sem mencionar a Sua própria.

 

Tudo chegava agora ao ponto em que isso deveria ser realizado, e chegava o momento em que Judas havia saído para consumar o crime que levaria ao maravilhoso cumprimento dos conselhos de Deus. Jesus conhecia a condição de Judas. Foi apenas a realização daquilo que Ele faria, por meio de alguém para quem não havia mais esperança. “O que fazes”, disse Jesus, “faze-o depressa”. A porta que se fechava atrás de Judas separou Cristo deste mundo. "Agora", diz Ele, "é glorificado o Filho do Homem". Ele havia dito isso quando os gregos chegaram, mas naquele momento era a glória que estava por vir – Sua glória como Cabeça de todos os homens e, de fato, de todas as coisas. Mas isso ainda não poderia acontecer, e Ele disse: “Pai, glorifica o Teu nome”. Jesus deve morrer. Foi o que glorificou o nome de Deus em um mundo onde o pecado reina. Era a glória do Filho do Homem para realizar isso ali, onde todo o poder do inimigo, o efeito do pecado e o julgamento de Deus sobre o pecado, foram exibidos. De fato, por meio daquilo que aconteceu, todas as perfeições de Deus foram glorificadas, sendo manifestadas por meio de Jesus, ou por meio daquilo que Jesus fez e sofreu.

 

Estas perfeições tinham sido diretamente reveladas n’Ele, até onde a graça foi, mas agora que a oportunidade do exercício de todas elas foi concedida, por Ele tomar um lugar que O colocou à prova de acordo com os atributos de Deus, sua perfeição divina poderia ser demonstrada por meio do homem em Jesus onde Ele estava no lugar do homem, e (feito pecado e, graças a Deus, pelo pecador) Deus foi glorificado n'Ele, por ver o que, de fato, encontrou na cruz:

 

  • O completo poder de Satanás sobre os homens, exceto Jesus;

  • O homem em aberta e perfeita inimizade contra Deus na rejeição de Seu Filho;

  • Deus manifesta em graça: então em Cristo, como homem, perfeito amor a Seu Pai, e perfeita obediência, e isso no lugar do pecado, isto é, como Ele foi feito (pois a perfeição do amor e obediência ao Pai foram exibidos quando Ele estava como pecado diante de Deus sobre a cruz):

  • Então a majestade de Deus fez bem, O glorificou (Hb 2:10);

  • Seu julgamento perfeito e justo contra o pecado como o Santo;

  • Mas aí está Seu perfeito amor aos pecadores ao dar Seu Filho unigênito.


O bem e o mal totalmente resolvidos 

Por isso sabemos que amamos. Para resumir: Na cruz encontramos o homem no mal absoluto – o ódio ao que era bom; O poder total de Satanás sobre o mundo – o príncipe deste mundo. O Homem em perfeita bondade, obediência e amor ao Pai custando tudo para Si mesmo; Deus em absoluta e infinita justiça contra o pecado e infinito amor divino ao pecador. O bem e o mal foram totalmente resolvidos para sempre, e a salvação feita, o fundamento dos novos céus e da nova Terra foi estabelecido. Bem, podemos dizer: "Agora, é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado n’Ele". Totalmente desonrado no primeiro, Ele é infinitamente mais glorificado no Segundo e, portanto, coloca o Homem (Cristo) em glória, e imediatamente, não tendo que esperar pelo reino. A cruz é a mais brilhante manifestação da glória de Deus, o centro da história da eternidade.

 

Na cruz 

Agora, em Jesus na cruz, o Filho do Homem foi glorificado de uma forma muito mais admirável do que a glória positiva que pertence a Ele sob esse título. Ele seria, sabemos, revestido dessa glória, mas, na cruz, o Filho do Homem suportou tudo o que era necessário para a perfeita exibição de toda a glória de Deus. Todo o peso daquela glória foi trazido sobre Ele, para colocá-Lo à prova, para que pudesse ser visto se Ele poderia sustentá-la, verificá-la e exaltá-la e isso ao colocá-la no lugar onde o pecado ocultou essa glória e, em certo sentido, tentou provar (erroneamente) que essa glória não tinha lugar ali. Seria o Filho do Homem capaz de entrar em tal lugar, empreender tal tarefa, cumprir a tarefa, e manter Seu lugar sem falhar até o fim? Jesus assim o fez. A majestade de Deus deveria ser vindicada contra a insolente rebelião de Sua criatura, Sua verdade, que O ameaçou com a morte, mantida, Sua justiça estabelecida contra o pecado (quem poderia resistir a ela?) e, ao mesmo tempo, Seu amor plenamente demonstrado. Satanás tendo aqui todos os pesarosos direitos que adquiriu por causa do nosso pecado; Cristo – perfeito como Homem, sozinho, separado de todos os homens, em obediência, e tendo como Homem apenas um objeto, isto é, a glória de Deus, assim divinamente perfeito, sacrificando-Se para este propósito – Deus totalmente glorificado. Deus foi glorificado n’Ele. Sua justiça, Sua majestade, Sua verdade, Seu amor – tudo foi verificado na cruz como eles estavam em Si mesmo, e revelados somente ali, e isso com respeito ao pecado.

 

E quem teria feito isso? Quem assim estabeleceu (quanto à sua manifestação, e tornando-a boa onde esteve, quanto ao estado das coisas, comprometida pelo pecado) toda a glória de Deus? Foi o Filho do Homem. Portanto, Deus O glorifica com Sua própria glória. Deus, sendo glorificado no Filho do Homem, O glorifica em Si mesmo. Mas, consequentemente, Ele não espera pelo dia de Sua glória com o homem, de acordo com o pensamento de João 12. Deus O chama para estar a Sua direita e O coloca lá imediatamente e sozinho. Quem poderia estar ali (salvo em espírito), exceto Ele? Aqui Sua glória está conectada com aquilo que somente Ele poderia fazer – com aquilo que Ele precisava fazer sozinho, e do qual Ele deve ter o fruto sozinho com Deus, pois Ele era Deus.

 

As outras glórias

Outras glórias virão em seu tempo. Ele as compartilhará conosco, embora em todas as coisas tenha a preeminência. Aqui Ele está, e deve sempre estar, sozinho (isto é, naquilo que é Pessoal para Si mesmo). Quem compartilhou da cruz com Ele, sofrendo pelo pecado e cumprindo a justiça? Nós, na verdade, compartilhamos com Ele até o ponto de sofrer por causa da justiça, e pelo amor a Ele e a Seu povo, até a morte – e assim também compartilharemos de Sua glória. Mas é evidente que não podemos glorificar a Deus pelo pecado. Somente Aquele que não conheceu pecado poderia ser feito pecado. Só o Filho de Deus poderia suportar esse fardo.

 

J. N. Darby, trechos de Sinopse, vol. 3

 

O Modo de Deus Agir


O modo de Deus agir em todos os tempos de bênçãos consiste em reproduzir as glórias e as obras do Senhor Jesus. Quanto mais escura se torna a longa noite da apostasia, mais distintamente a Luz da vida se mostra. A palavra para o remanescente é: "santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração". Ele é o único centro de reunião. Os homens podem fazer confederações entre si, tendo muitas coisas como seu objetivo ou foco, mas a comunhão dos santos não pode ser conhecida a menos que cada linha convirja para este Centro vivo.

 

J. N. Darby (adaptado)

 

A Glória de Cristo 

A chave para a profecia 

 

  • A glória de Deus é o objetivo e o fim de todos os tratamentos de Deus para com os homens.

  • Todos os conselhos de Deus a respeito de Sua glória são conhecidos em Cristo e encontram sua manifestação nas várias maneiras que Sua glória é revelada. 

  • Qualquer que seja o estágio da verdade que o Espírito Santo chame nossa atenção, sua importância deriva somente da sua influência na glória de Cristo, e o que diz respeito à glória de Cristo suscita as afeições daqueles que O amam. A glória de Cristo é o único assunto adequado para exercitar a inteligência espiritual daqueles que são Seus. 

  • Toda profecia tem por objetivo a glória de Cristo, exceto no que diz respeito aos Seus sofrimentos. 

  • O entendimento correto do que é devido à glória de Cristo desvenda a profecia.

  • A profecia tem a ver com Israel e não com a Igreja. A Igreja é uma revelação de Deus, mantida em segredo enquanto Israel era reconhecido como o povo de Deus. O chamado de Israel era para mostrar a glória de Cristo na Terra.

  • O chamado da Igreja é para mostrar a glória de Cristo nos céus. Tanto a Igreja quanto Israel devem exibir o governo divino associado a afeições divinas. Tanto a Igreja quanto Israel falharam completamente em fazer isso até agora.

  • Os Judeus e os gentios estão sujeitos à profecia, mas não são o objeto dela. Cristo é o Objeto. Os vários assuntos tornam-se importantes, à medida que eles fluem d’Ele ou para Ele, o centro.

  • A Igreja não é um assunto da profecia.

  • A relação da Igreja com Cristo e a relação de Israel com Cristo abrem diferentes esferas da glória de Cristo. Confundi-las é falsificar ambos e anular a glória de Cristo em cada uma delas.

  • Onde as afeições a Cristo estão certas, o entendimento do que é devido a Ele se torna claro.

  • Se considerarmos a Cristo como Deus O considera, a profecia se torna santificadora para a alma. Se considerarmos a profecia à parte da glória de Cristo, a mente se encherá de especulações prejudiciais.

  • A profecia é a revelação dos caminhos de Deus para realizar Sua glória em Cristo.

  • Cristo é o Cabeça da criação, que inclui anjos. Mas as três grandes esferas nas quais a glória de Cristo é exibida são a Igreja, os Judeus e os gentios.

 

Trechos de Keys to Prophecy

 

A Glória de Sua Pessoa Divina


“Porque um Menino nos nasceu... e o Seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade” (Is 9:6). O mistério da Pessoa de nosso Senhor Jesus é "Maravilhoso". Pretende ser um mistério e, como tal, é insondável. Aquele que tenta tocá-lo, ou raciocinar sobre ele, necessariamente perde a glória apropriada que lhe pertence e perde sua profundidade, e na realidade destrói o que ele toca, porque é infinito, pois ele é apenas finito; ele é limitado e isso é ilimitado, indefinível. Alguém disse bem: “No momento em que você define, você limita”, reduzindo a glória de Sua Pessoa divina a um nível baixo ou a medida da mente humana. A fé, e somente a fé, pode apreender, ou corretamente receber, sem pretender penetrar, tais mistérios como a Trindade ou a Pessoa de Cristo. Ela recebe a revelação maravilhosa d’Eles, e se ajoelha e adora.

 

“N’Ele, estava a vida e a Vida era a luz dos homens” (Jo 1:4). Ele veio como Homem e para o homem, e foi manifestado aqui abaixo, na humildade e renúncia da força humana, a fim de alcançar o homem. Sua glória externa estava escondida, a fim de chegar tão perto do homem, para atraí-lo e conquistá-lo.

 

A. C. Ord. (adaptado)

 

Glória Brilhando de Seu Rosto 

 

Quão maravilhosas são as glórias que se encontram

 Em Jesus e no brilho de Seu rosto;

 Seu amor é eterno e doce,

 É humano, também é divino!

 

Sua glória não apenas o Filho de Deus

 Em humanidade Ele teve Sua parte completa

 E a união de ambos unidos em um só

 Forma a fonte de amor em Seu coração.

 

Os méritos e o valor do Seu sangue

 Libertaram-nos do inferno e do temor,

 Para que nós, como filhos abençoados de Deus,

 Possamos fazer com que Sua boa vontade seja nosso cuidado.

 

 Ah, então que essa união e amor

 Faça-nos caminhar a serviço do céu,

 Pela obediência e sofrimento provar

 Que nós fomos dados ao Cordeiro.

 

R. S. Hawker

 

“O sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo pecado”

 

1 Jo 1:7

 

 

 

 

 

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