Deus é Amor (Julho de 2012)
- Revista O Cristão

- 19 de dez. de 2025
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Revista mensal publicada originalmente em julho/2012 pela Bible Truth Publishers
ÍNDICE
Tema da edição
Things New and Old (adaptado)
G. V. Wigram (adaptado)
J. N. Darby
T. Oliver (adaptado)
J. G. Bellett (adaptado)
Christian Truth, 13:326 (adaptado)
W. J. Prost
C. Stanley (adaptado)
W. Trotter
Deus é Amor

A vontade de Deus é que sejamos um vaso do Seu amor. Ele deseja encher nosso coração com Seu amor, a ponto de transbordar. Devemos “conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus”. Ele nos transmitiu a natureza divina pelo novo nascimento, para que possamos conhecer Seu amor e para que Ele possa cumprir o desejo de Seu coração de nos encher com Sua plenitude. Ele é a única fonte de Seu amor; não há outra. Tudo vem d’Ele.
Nosso Senhor Jesus nos exorta amorosamente a permanecer em Seu amor. Não devemos permitir que nada das trevas tenha lugar em nosso coração e, assim, dificultar o fluxo constante do amor de Deus. O pecado interrompe a comunhão; isso interrompe o livre fluxo de amor para nós. Quando isso acontece, o Espírito não pode nos ocupar com o amor de Deus em Cristo, mas deve tratar com nossa consciência para julgar e remover aquilo que nos impede de permanecer em Seu amor. O amor de Deus é profundo, vai além do entendimento, mas não além de poder ser conhecido. Que cada um de nós encontre o “gozo em Deus” que coloca nosso coração acima de todas as circunstâncias presentes e nos dá um desfrute presente do que é nossa porção eterna, habitando no amor de Deus e Deus habitando em nosso coração.
Tema da edição
O Amor Divino
O amor divino é perfeito – não o nosso amor a Ele, mas o Seu amor por nós. “não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou a nós”. No entanto, amamos, porque somos nascidos de Deus, pois “qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor” (1 Jo 4:7-8). O amor divino nos abraçou em nosso pior e mais baixo estado, quando estávamos em nossos pecados, rebeldes e distantes d’Ele. “Mas Deus prova o Seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós” (Rm 5:8). Nunca devemos esquecer que Seu amor foi então a primeira fonte de amor em nós, pois “o amor é de Deus”.
O amor nos encontrou onde estávamos
O amor divino se manifestou em toda a sua perfeição, ao nos encontrar da maneira mais bendita, nas profundezas mais sombrias de nossa pecaminosidade, na Pessoa e na obra de Seu Filho unigênito. Ele não apenas veio onde estávamos e nos amou como éramos, mas em Sua obra expiatória na cruz, fez tudo o que a justiça de Deus exigia e tudo o que pecadores gentios como nós necessitavam para nos tornar felizes para sempre na presença de Deus. Com graça indizível, Ele satisfez plenamente o justo juízo que nos era devido como pecadores; satisfez perfeitamente todas as justas exigências do trono da majestade nos céus, nos purificou de nossos pecados, glorificou o Pai, triunfou sobre nossos inimigos – morte, Satanás e o sepulcro – e agora nos dá a vitória. Assim, somos libertados para sempre pelo amor divino e perfeito.
O amor nos leva onde Ele está
O amor de Deus também é perfeito ao nos ter dado o lugar de Cristo nas regiões celestiais. Não somente somos chamados para Sua glória eterna por Cristo Jesus, mas Ele nos deu agora a mais alta posição possível, até mesmo n’Aquele que está na própria glória de Deus. Somos uma nova criação em Cristo, aceitos n’Ele, abençoados n’Ele, nos lugares celestiais, n’Ele mesmo, em Quem “habita corporalmente toda a plenitude da Divindade” e que é “o Cabeça de todo o principado e potestade” (ARA).
O amor nos faz completos n’Ele
O amor divino nos ressuscitou e nos fez assentar juntamente com Ele nos lugares celestiais em Cristo Jesus. E n’Ele estamos “completos” – cheios até a plenitude n’Ele. Isso Deus fez. É nossa posição atual, não na carne, mas em Cristo Jesus. Bem-aventurança maravilhosa! Estamos em Cristo, e Cristo está em nós, nossa esperança de glória. Enquanto conscientemente permanecemos em pleno e imutável favor de Deus, esperamos por Seu Filho vir do céu; nos gloriamos na esperança da glória de Deus. Seu amor perfeito nos circunda em Cristo. Sempre somos vistos por Ele em toda a aceitabilidade e proximidade do próprio Cristo – o Homem glorificado e que subiu aos céus, Cristo Jesus. Assim, somos amados de maneira divina, perfeita e imutável. O amor divino nos deu o mesmo lugar que Cristo.
Amado como o Filho é amado
Também somos levados ao mesmo relacionamento com o Pai que Cristo tem. Somos filhos de Deus e amados com o mesmo amor. Ele foi amado pelo Pai de maneira perfeita e imutável? Então nós também somos; e Ele gostaria que agora desfrutássemos disso. Ele disse ao Pai: “Eu lhes fiz conhecer o Teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que Me tens amado esteja neles, e Eu neles esteja” (Jo 17:26). Mais uma vez, Ele disse: “Eu neles, e Tu em Mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que Tu Me enviaste a Mim, e que os tens amado a eles como Me tens amado a Mim” (Jo 17:23). Assim, podemos realmente dizer: “O amor com o qual Ele ama o Filho, tal é o Seu amor por Mim”.
O amor do Filho por nós
E em doce e preciosa harmonia com o perfeito amor do Pai para conosco, encontramos o Filho dizendo: “Como o Pai Me amou, também Eu vos amei a vós”, e com isso concordam todos os Seus caminhos para conosco, tanto em Sua vida como em Sua morte. Não havia egoísmo n’Ele. Nós nunca O encontramos fazendo algo por Si mesmo. Ele não Se agradou. Ele nos amou tanto que desejou que pudéssemos desfrutar de tudo com Ele, estar onde Ele está e reinar com Ele. Mesmo agora, Ele gostaria que participássemos de Sua própria paz e regozijo. Ele não apenas disse: “Deixo-vos a paz”, isto é, paz de consciência quanto aos pecados e salvação, paz com Deus, mas Ele acrescentou: “a Minha paz vos dou”. Ele desejaria que nós, ao passar por essa cena de tristeza e provação, compartilhássemos Sua própria paz, Sua calma imperturbável e tranquila em nosso coração e pensamentos e compartilhássemos de Sua alegria também, pois, ao encomendar Seus próprios amados ao Pai, Ele disse: “Mas agora vou para Ti, e digo isto no mundo, para que tenham a Minha alegria completa em si mesmos” (Jo 17:13). E quanto à glória, Ele também a compartilhará conosco, pois disse ao Pai: “E Eu dei-lhes a glória que a Mim Me deste, para que sejam um, como Nós somos um” (Jo 17:22).
O Espírito Santo
E por mais maravilhosas que sejam todas essas ações do amor divino, é perfeito também quanto aquilo que nos já é concedido no presente. Além da completa revelação de todo o conselho de Deus na Palavra escrita, o Espírito Santo, o Outro Consolador, veio, e não como um Visitante passageiro, mas para permanecer conosco para sempre. A mesma Pessoa divina que desceu sobre o imaculado Filho de Deus e habitou n’Ele, por causa da perfeição de Sua Pessoa, como consequência de uma redenção realizada, habitou para sempre naqueles que têm remissão de pecados e que assim se tornam vasos purificados em quem Ele poderia estabelecer Sua morada. Assim, o Consolador, que é o Espírito Santo, está em nós como selo e penhor da herança, para nos guiar a toda verdade, glorificar a Cristo e testificar d’Ele, nos fazer conhecer as coisas que nos são dadas gratuitamente por Deus, para derramar Seu amor em nosso coração, para produzir em nós pensamentos, afeições e sentimentos adequados aos filhos de Deus, e para suscitar em nós o clamor de “Abba Pai” e também de “Vem, Senhor Jesus”, pois “O Espírito e a noiva dizem: Vem!” (ARA). É também pelo Espírito Santo que sabemos que o Senhor Jesus é uma Pessoa divina e que estamos unidos a Ele, como Ele disse: “Naquele dia conhecereis que estou em Meu Pai, e vós em Mim, e Eu em vós” (Jo 14:20). Tendo nos tornado aperfeiçoados quanto à consciência, sendo purificados pelo sangue de Cristo, para que não tenhamos mais consciência de pecados, somos habitados pelo Espírito Santo e por Ele unidos a Cristo, que está à destra de Deus, nossa vida, nossa justiça e nossa paz.
Cristo nosso Sumo Sacerdote
Tampouco Aquele bendito que nos amou e a Si mesmo Se entregou por nós nos ama menos por ter ido para o Pai, pois ali sustenta os ofícios mais importantes para nós, que somente o amor perfeito poderia manter. Como nosso Sumo Sacerdote, Ele nos sustenta na tentação, Se compadece de nossas fraquezas e vive sempre para interceder por nós de acordo com nossa necessidade, para que Ele possa nos levar através de todas as dificuldades e nos salvar como santos até o fim. Como Pastor e Bispo de nossa alma, nada escapa a Seus olhos, e não há emergência ou dificuldade para a qual Ele não seja suficiente. Como o Grande Pastor das ovelhas, cada uma delas é um objeto de Seu constante interesse e cuidado. Ele alimenta, guarda, procura, encontra, protege, restaura e cura! As fracas e sobrecarregadas Ele cuida de maneira especial; a jovem e desamparada Ele carrega em Seu seio. Como nosso Advogado com o Pai, Ele assume nossa causa se pecarmos, para que nossa comunhão com o Pai seja restaurada; para que, como Seus servos, possamos ter parte com Ele, Ele limpa as contaminações que podemos ter contraído, com a lavagem da água pela Palavra.
Amor aperfeiçoado em nós
Assim, o “perfeito amor” nos encontrou em todos os aspectos; Ele não poderia nos amar mais e não nos amaria menos. “O Seu amor é, em nós, aperfeiçoado” (ARA), pela habitação de Deus, pois nada poderia ser maior em nós do que Deus. “Maior é o que está em vós do que o que está no mundo” (1 Jo 4:4). Seu amor também é aperfeiçoado, dando-nos o mesmo lugar, o mesmo relacionamento, a mesma vida, a mesma posição e a mesma proximidade que o próprio Cristo, “porque assim como Ele é, nós somos também neste mundo”. “Nisto é aperfeiçoado em nós o amor, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual Ele é, somos também nós neste mundo. No amor não há medo, mas o perfeito amor lança fora o medo, porque o medo envolve castigo; e aquele que tem medo, não é perfeito no amor. O amamos, porque ele nos amou primeiro” (1 Jo 4:17-19 – TB). Assim, o Pai nos ama como Ele amou Seu Filho, e quando estamos conscientemente no círculo de Seu amor, habitando no amor, habitamos em Deus e Deus em nós: “Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele” (1 João 4:16).
Things New and Old (adaptado)
Deus é Amor
É muito importante entrar na verdade, não apenas de que o amor é de Deus e que Ele habita em nós que cremos, mas entender que o amor é o caráter do próprio Deus. “Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele” (1 João 4:16 – ARA). Isso é algo extremamente bonito para quem O conhece, e “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor” (1 Jo 4:8).
O que o Espírito de Deus fala nesta epístola de João, quanto ao nosso relacionamento com o Pai, é surpreendentemente maravilhoso; Deus enviou Seu Filho para que tivéssemos vida – uma vida que nos leva a uma conexão direta com o Pai e o Filho. Não sou apenas um filho, mas, sendo nascido de Deus, tenho uma nova natureza, e Ele me diz que estou em Seu Filho que era antes de todos os mundos, e Ele em mim. Pense em que lugar Ele me vê colocado e perceba que todas as fontes de Deus estão n’Ele mesmo. Ele não viu nada no homem além de ódio. Foi o amor, o amor divino, que O levou a dar Seu Filho, e foi o amor que levou esse Filho a vir a este mundo. Ele coloca esse mesmo amor no coração daquele que prova disso. É o amor que nos leva à presença do próprio Deus, um amor que comunica a vida de Seu Filho àqueles que estão mortos em ofensas e pecados, e eles têm uma vida que está guardada no Filho e nunca pode ser tocada. É verdade que você pode dizer: “Esse é o modo de vida que recebi – a vida que está escondida com Cristo em Deus”? Se o próprio Cristo é a minha vida, isso me liga a Ele, em Quem está todo o feixe da vida. A Cabeça não pode dizer aos pés: “não tenho necessidade de vós”. Não se pode dizer ao membro mais fraco, passando pelas dificuldades e tristezas do deserto aqui embaixo: “não tenho necessidade de vós”. Por quê? Porque está ligado no mesmo feixe de vida. Não somente a vida é trazida com toda beleza n’Ele, que estava com o Pai, mas essa vida foi comunicada pelo Pai a nós e é tão em nós que Cristo não pode dizer que não precisa de nós.
Vida com Ele
Você já olhou para o rosto do Senhor Jesus Cristo com a consciência de ter uma vida com Ele? Nesse caso, você não pode ter uma única dúvida sobre a posição em que está diante de Deus. No Éden, tudo era muito bonito, e, olhando ao redor, o homem poderia ter dito: “Que grande Doador é Deus!” Mas certamente podemos dizer com um sentimento mais profundo: “Que Doador mais bendito é o nosso Deus!”
Essa vida tem fluido, por mais de mil e oitocentos anos, para dentro da alma morta dos pecadores e, quando olhamos, descobrimos que ela nos conectou completamente a outra cena. Podemos dizer que sou muito diferente d’Aquele cuja vida eu tenho, mas não é uma questão do que você é, mas de uma porção que fluiu para você, vinda do Pai. Aqueles a quem Deus deu a Cristo estão tão conectados com Ele, que o amor com que Ele é amado está neles, e são capacitados a andar no poder de Sua vida, para Seu louvor e glória, como filhos queridos. Nem você nem eu podemos dizer: “Nós amamos a Deus com todo o coração e alma”, mas podemos dizer: “Ele nos amou a nós, e enviou Seu Filho para propiciação pelos nossos pecados”. Se eu começar com o “eu”, não haverá nada além de ruína. “Nisto está o amor”, diz Deus, “não o seu amor por Mim, mas o Meu por você; olhe para Cristo, para ver como Eu te amei e dei Meu Filho por você.”
Nós amamos porque Ele nos amou primeiro
Deus não pode receber nada de uma criatura arruinada, porque isso vem com uma mancha de pecado e egoísmo; mas, como aceitos no Amado, não é uma expressão de Seu amor colocar isso em nosso coração para dizer: “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (ARA). Toda a ruína e pecado do primeiro Adão se tornou a própria ocasião para todo o amor de Deus fluir. Se sou capaz de dizer: “Sou crente e peregrino”, devo ser capaz de dizer: “Sei que tipo de amor Deus tem me concedido”. A verdadeira reivindicação do amor de Deus sobre eles nunca é correspondida pelos filhos de Deus, se eles não estiverem firmados nesse amor como expressão desse próprio amor.
Estou em um mundo onde todos estão lutando pelo que podem obter por si mesmos. Quando Cristo diz: “Eu vos comprei com o Meu próprio sangue; Eu tomei sobre Mim toda a vossa culpa”, devemos fazer ou dizer algo que não seja para a glória d’Aquele Cristo? Se Deus está trabalhando em nós, tendo nos dado a vida em Seu Filho, e diz: “Agora Eu estou esperando ver vocês andando como Cristo”, acaso nunca deveríamos pensar no lado de Deus? Somente Ele é o canal pelo qual Deus pode abençoá-lo e responder a todos os desejos do seu coração. “Deus é amor”, mas é em e por meio de Cristo que Ele é isso para nós.
G. V. Wigram (adaptado)
A Natureza de Deus
Em 1 João 4:7-14, as três provas do verdadeiro Cristianismo são estabelecidas distintamente, desenvolvendo a plenitude e a intimidade de nossos relacionamentos com um Deus de amor e mantendo a participação da natureza na qual o amor é de Deus. Quem ama é nascido de Deus, e participa, portanto, de Sua natureza, e O conhece como participante de Sua natureza. Quem não ama não conhece a Deus. Devemos possuir a natureza que ama para saber o que é o amor. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Essa pessoa não tem um sentimento sequer em conexão com a natureza de Deus; como então ele pode conhecê-Lo? Ele não pode fazer isso, assim como um animal não pode saber o que é a mente e o entendimento de um homem quando ele não os possui.
A vida eterna que estava com o Pai se manifestou e nos foi comunicada; assim somos participantes da natureza divina. As afeições dessa natureza agindo em nós repousam pelo poder do Espírito Santo no desfrute da comunhão com Deus, que é sua fonte; nós habitamos n’Ele e Ele em nós. As ações desta natureza provam que Ele habita em nós. A primeira coisa é a afirmação da verdade: que, se assim amamos, o próprio Deus habita em nós; Quem trabalha esse amor está lá. Mas Ele é infinito, e o coração repousa n’Ele; sabemos ao mesmo tempo em que habitamos n’Ele e Ele em nós porque Ele nos deu do Seu Espírito. Mas essa passagem, tão rica em bênçãos, exige que a sigamos com ordem.
O amor é de Deus
Ele começa com o fato de que o amor é de Deus. É a natureza d’Ele; Ele é sua fonte. Portanto, quem ama é nascido de Deus – é participante de Sua natureza. Além disso, ele conhece a Deus, pois ele sabe o que é o amor, e Deus é a sua plenitude. Essa é a doutrina que faz tudo depender de nossa participação na natureza divina.
Agora, isso pode ser transformado, por um lado, em misticismo, levando-nos a fixar nossa atenção em nosso amor a Deus, como se dissesse: Amor é Deus, não Deus é amor, ou, por outro lado, a duvidar, porque não encontramos em nós os efeitos da natureza divina como gostaríamos. Mas se eu procuro conhecê-lo e ter a prova disso, não é para a existência da natureza em nós que o Espírito de Deus dirige os pensamentos dos crentes como o objetivo deles. Deus, Ele disse, é amor, e esse amor se manifestou em relação a nós, em que Ele deu o Seu único Filho para que pudéssemos viver por meio d’Ele. A prova não é a vida em nós, mas que Deus deu Seu Filho para que possamos viver, e ainda mais para fazer propiciação por nossos pecados. Deus seja louvado! Conhecemos esse amor, não pelos pobres resultados de sua ação em nós mesmos, mas em sua perfeição em Deus, e isso mesmo em uma manifestação dele em relação a nós, que está totalmente fora de nós mesmos. É um fato fora de nós que é a manifestação desse amor perfeito. Nós desfrutamos dele participando da natureza divina; nós o conhecemos pelo dom infinito do Filho de Deus.
A prova de amor
É impressionante ver como o Espírito Santo, em uma epístola essencialmente ocupada com a vida de Cristo e seus frutos, dá a prova e o caráter pleno do amor naquilo que é totalmente fora de nós mesmos. Tampouco pode ser algo mais perfeito do que o modo como o amor de Deus é apresentado aqui, desde o momento em que é ocupado com o nosso estado pecaminoso até estarmos diante do tribunal. Deus pensou em tudo: o amor para conosco como pecadores (vs. 9-10), em nós como santos (v. 12), e perfeito em nossa condição diante do dia do julgamento (v. 17). Nos primeiros versículos, o amor de Deus se manifesta no dom de Cristo; primeiro, para nos dar vida – estávamos mortos; segundo, fazer propiciação – éramos culpados. Todo o nosso caso é retomado. No segundo desses versículos, o grande princípio da graça, o que é o amor, onde e como conhecido, é claramente afirmado em palavras de infinita importância quanto à própria natureza do Cristianismo. “Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus (esse era o princípio da lei), mas em que Ele nos amou a nós, e enviou Seu Filho para propiciação pelos nossos pecados”. Aqui, então, é que aprendemos o que é o amor. Era perfeito n’Ele quando não tínhamos amor por Ele; perfeito n’Ele, porque Ele o exerceu em relação a nós quando estávamos em nossos pecados e enviou Seu Filho para ser a propiciação por eles. O apóstolo então afirma, sem dúvida, que quem não ama não conhece a Deus. A pretensão de possuir esse amor é julgada por esse meio, mas, para conhecer o amor, não devemos buscá-lo em nós mesmos, mas devemos buscá-lo manifestado em Deus quando não possuímos nenhum. Ele dá a vida que ama e Ele fez propiciação pelos nossos pecados.
O gozo do amor
E agora, no que diz respeito ao gozo e aos privilégios desse amor, se Deus tanto nos amou, devemos amar uns aos outros. Ninguém nunca viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus habita em nós. Sua presença, Ele mesmo habitando em nós, eleva-se na excelência de Sua natureza acima de todas as barreiras das circunstâncias e nos liga àqueles que são Seus. É Deus no poder de Sua natureza que é a fonte de pensamento e sentimento, e se difunde entre aqueles em quem ela está. Pode-se entender isso. Como é que eu amo estranhos de outra terra, pessoas de hábitos diferentes, que eu nunca conheci, mais intimamente do que amo os membros da minha própria família segundo a carne? Como é que tenho pensamentos em comum, afetos poderosamente engajados, um vínculo mais forte com pessoas que nunca vi do que com os companheiros queridos da minha infância? É porque há neles e em mim uma fonte de pensamentos e afeições que não são humanos. Deus está nela; Deus habita em nós. Seu amor é aperfeiçoado em nós. Nós O conhecemos como amor, e há o gozo do amor divino em nossa alma.
Deus habita em nós
O apóstolo ainda não havia dito: “Nisto conhecemos que permanecemos n’Ele” (ARA). Ele dirá agora. Mas se o amor dos irmãos está em nós, Deus habita em nós. Quando isso está em exercício, temos consciência da presença de Deus, como amor perfeito em nós. Isso preenche o coração e, portanto, é exercido em nós. Agora, essa consciência é o efeito da presença de Seu Espírito como fonte e poder da vida e da natureza em nós. Ele nos deu, não “Seu Espírito”, a prova de que Ele habita em nós, mas “de Seu Espírito”. Participamos de afeições divinas por meio da presença do Espírito em nós, e, portanto, não apenas sabemos que Ele habita em nós, mas a presença do Espírito, agindo numa natureza que é a de Deus em nós, nos torna conscientes de que habitamos n’Ele. Ele é a infinidade e perfeição daquilo que está agora em nós.
O coração repousa nisto e desfruta d’Ele e está escondido de tudo o que está fora d’Ele, na consciência do amor perfeito em que (permanecendo assim n’Ele) a pessoa se encontra. O Espírito nos faz permanecer em Deus e nos dá assim a consciência de que Ele habita em nós. Assim, nós, no cheiro e na consciência do amor que havia no coração, podemos testemunhar que o Pai enviou o Filho para ser o Salvador do mundo.
J. N. Darby
Amor e Graça
Na mente de muitos, esses termos são intercambiáveis, mas isso é errôneo. O amor deve ser recíproco, mas a graça é unilateral. “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1 Jo 4:19 – ARA). Deus é amor; isso é uma descrição do que Deus é. Seria incongruente dizer: “Deus é graça”. Ele é gracioso, o Deus da graça, o Deus que dá, mas a graça não é recíproca; age apenas em um sentido, isto é, de Deus para o homem. Deus Se manifestou como o Deus de graça em dar Seu Filho, mas obviamente a graça não pode fluir em retorno do homem para Deus, embora exista uma transmissão adicional de graça para aqueles ao seu redor, para aqueles que a recebem. Assim, a Epístola aos Efésios termina com a invocação de que a graça (a do Senhor Jesus Cristo) possa estar com todo Cristão verdadeiro. Originalmente, a graça flui de Deus e, após permear os Cristãos individualmente, transborda e forma o meio entre eles, mas ela não para aí; vai fora da esfera Cristã para os estranhos ao redor! O que sai da boca do Cristão deve ser bom para a edificação, para que possa ministrar graça ao ouvinte; isso alcançará mais do que apenas os Cristãos (Efésios 4:29).
O amor que subsistia reciprocamente entre o Pai e o Filho antes de existir o tempo continuou enquanto o Filho esteve aqui e é o mesmo agora em Seu lugar de exaltação. Mas a graça não poderia existir, até que houvesse a necessidade do homem em consequência da entrada do pecado. “Onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm 5:20). O reino do pecado para a morte é suplantado pelo reino da graça para a vida eterna, por causa da justiça ter sido consumada por Jesus Cristo, nosso Senhor (Romanos 5:20-21).
O reino da graça tem o objetivo de levar o homem ao gozo do amor de Deus. O reino da graça terminará quando a justiça se tornar dominante no mundo vindouro. A graça remove todo obstáculo para esse fim e derruba toda a oposição à autoridade do Senhor. Quem poderia ter previsto o rebaixamento de Saulo de Tarso do estado de um fariseu dominador ao de um humilde obreiro no serviço de Deus? A graça terá então cumprido o seu propósito, mas o amor continuará. Deus finalmente descansará em Seu amor. Ele Se regozijará sobre uma criação redimida, a qual Ele terá levado a descansar em Seu amor. Mas há um aspecto presente para o Cristão. A apropriação desse amor é dificultada pelo medo ou apreensão! “No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena”. “Nisto é aperfeiçoado (completo) em nós o amor, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual Ele é, somos também nós neste mundo” (1 João 4:17-18). “Qual Ele é” implica estar na atmosfera de amor que envolve o Pai e o Filho. Não é “qual Ele é, seremos”, mas “qual Ele é, somos” neste mundo. Se percebermos que somos amados como Cristo é amado, podemos ter algum receio quanto ao presente ou ao futuro?
T. Oliver (adaptado)
A Maneira do Amor de Jesus
Ao longo dos anos do Velho Testamento, Deus estava demonstrando Sua rica misericórdia, mas tudo isso foi feito com certa distância e reserva, permanecendo Deus ainda em Seu próprio santuário, embora fosse tão gracioso. Ele atendeu à necessidade de um pecador, mas ainda estava no templo, no santo dos santos. Ele atendeu à necessidade de Seu povo no deserto, mas foi permanecendo ainda no céu. Ele atendeu a enfermidade de um pobre leproso, mas foi somente depois que esse leproso foi separado, fora do arraial. Em cada caso, havia um estilo na ação que falava em distância do objeto em relação ao Seu amor e bondade.
Deus perto de nós
O Senhor Jesus, o Deus manifesto em carne, é visto fazendo as mesmas obras de amor e poder divinos, mas há outro estilo nessas mesmas ações; a reserva – a distância – se foi. Não vemos Deus Se retirando para dentro do santo dos santos, mas saindo para fora, neste mundo em ruínas. Ele perdoa, mas fica ao lado do pecador para fazê-lo. Ele alimenta, mas está Ele mesmo à mesa com aqueles que são alimentados. Ele cura, mas estende Suas mãos a tantos quantos estavam doentes. E há nisso uma “sobreexcelente glória”, de modo que as primeiras obras não têm glória em razão disso. Como devemos bendizê-Lo por essa demonstração de Si mesmo! É o mesmo Deus de amor e poder em ambos, mas Ele aumentou no resplendor de Suas manifestações.
Os líderes religiosos procuraram manter Deus e o povo separados, pois isso era para eles uma grande interferência; invadia os seus lugares. “Quem pode perdoar pecados, senão só Deus?” – e para eles, Deus estava no céu. O Filho do Homem perdoando pecados na Terra era uma perturbação lamentável daquilo que lhes garantia crédito e fartura no mundo. Mas, quer eles recebessem isso ou não, esse era o caminho do Filho na Terra. Ele encorajava a aproximação feliz e confiante de todos os necessitados a Ele. Ele levava a bênção até a porta de todo homem.
Fé que entendia
Ele veio ao mundo para ser usado por pecadores doentes e necessitados, e a fé que O entendia e assim O usava era a resposta apropriada. Vemos isso na ação daqueles que, descobrindo o telhado, baixaram a cama em que o paralítico estava “até ao meio, diante de Jesus”. Não havia cerimônias nisso – nada da antiga reserva do templo. Era uma forte expressão de fé e de acordo com a mente de Jesus, de modo que, ao ver a fé deles, sem mais o que fazer, Seu coração se expressou em uma expressão plena e forte: “Filho, perdoados estão os teus pecados”.
Bem-aventurada fé que pode, assim, derrubar paredes de separação! Na impressão viva e feliz dessa verdade por meio do Espírito, a alma experimenta algo do céu. Que bem-aventurança saber que esse é o caminho de Deus, nosso Salvador! Somente o amor divino pode explicar isso. Mas os principais não gostaram disso. Seu interesse e seu crédito no mundo desejavam manter o perdão dos pecados ainda na mão d’Aquele que estava no céu.
Mas mesmo em nossos dias, muitas ocasiões têm sido dadas para que esse princípio viva e atue com igual vigor. Pode ter havido a afirmação da graça e a apresentação da maravilhosa graça condescendente da dispensação, mas aqueles que a afirmaram não se comportaram em relação a ela e na presença dela, com aquela reverência, com aquela santidade da confiança, a única que lhes convinha. E isso deu oportunidade de reviver a religiosidade do homem.
A velha religião
Muitos estão fazendo o que podem para afastar o Senhor para aquele lugar que Ele abandonou para sempre. Eles estão fazendo com que Ele pareça estar construindo novamente as coisas que Ele havia destruído. Enquanto eles estariam protegendo a santidade de Cristo, obscurecem Sua graça. Eles estão procurando fazer um serviço para Ele que O entristece mais profundamente. Eles estão ensinando ao homem que Ele é um Mestre austero; eles O retiram para o lugar onde se sente ser uma coisa assustadora pôr ali o pé.
Mas a religiosidade não é nem fé nem justiça. Com os fariseus, ela foi adotada como um alívio para uma má consciência ou uma cobertura para o mal; neles ela era, portanto, contrária à fé. Durante o Seu ministério terrenal, o Senhor procurou conduzir o homem para longe de seus próprios raciocínios e cálculos, em direção a Si mesmo e Suas obras. Quão simples! Quão precioso! E nisto está a grande distinção entre fé e religiosidade. A religião do homem dá à alma muitos pensamentos sérios sobre si mesma e muitos pensamentos devotos sobre Deus. Mas a religião de Deus dá à alma Jesus e as obras e palavras de Jesus.
J. G. Bellett (adaptado)
O Presente Amor de Deus
“Ora o Senhor encaminhe os vossos corações no amor de Deus, e na paciência de Cristo” (2 Ts 3:5).
O amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado. Assim diz o testemunho de Romanos 5:5. É o próprio amor de Deus para conosco, não o nosso amor por Ele – amor que se eleva muito acima de todo amor terrenal, por maior que seja. O amor de amigo por amigo pode ser maravilhoso, assim como o amor de Jônatas por Davi, e o amor de uma mãe por seu filho é terno e incansável, mas o amor de Deus para conosco – Seu próprio amor – é incomparavelmente maior e é tanto mais belo, porque nada havia em nós que o despertasse. Ele nos amou quando éramos pecadores e deu Seu Filho para morrer por nós. Nunca podemos duvidar desse amor quando contemplamos a cruz. O amor ali se esvaziou. Ele deu tudo por nós – por você, por mim.
Incredulidade ao amor de Deus
Que resposta é essa para a mentira de Satanás no jardim do Éden! Lá, ele conseguiu persuadir Eva de que Deus escondia algo que seria bom para ela ter. Oh, que colheita de tristeza, lágrimas, angústia e morte se seguiu àquela incredulidade ao amor de Deus! Mas esse amor, colocado em dúvida e desacreditado no Éden, se manifestou no Calvário. Como? Ele não poupou Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós. Lá aprendemos o poderoso e imensurável amor de Deus.
E esse amor perfeito lança fora o medo. Necessariamente assim o faz, pois como poderíamos ter medo d’Aquele que nos ama com amor perfeito? Ora, o amor de Deus é perfeito, e também santo, pois Ele levou em conta os nossos pecados e demonstrou Seu amor exatamente naquilo que os removeu. “Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou a nós, e enviou Seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4:10).
Não desejaríamos que Deus pensasse levianamente em nossos pecados, nem Ele o faria, se tal fosse o nosso desejo. Deus abomina o pecado, e é nosso gozo e descanso ver que tudo o que nos era devido a nós e aos nossos pecados foi suportado pelo próprio Filho de Deus. A cruz tirou os nossos pecados para sempre, e em tons solenes, e ao mesmo tempo claros e doces, diz-nos que Deus é luz e Deus é amor.
Ampla provisão
Mas será que esse amor, que pensou em nossa profunda necessidade espiritual e fez uma provisão tão ampla para ela em Cristo, desviou seus olhos de nós, não se importando em nos contemplar mais até que sejamos vistos em glória? Ah, não! E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. E se nenhum pardal cai no chão sem o conhecimento de nosso Pai, não temos mais valor do que muitos pardais?
É no presente amor de Deus – o amor que hoje se importa conosco – que nosso coração precisa ser direcionado, pois é lá que ele pode encontrar descanso, e em nenhum outro lugar. Não conhecemos o ontem, senão a cruz, e não o amanhã, a não ser a glória, mas então existe o hoje – o deserto e as coisas que certamente vêm sobre nós aqui.
O poder de Deus
O poder de Deus, como Seu amor, é infinito. Ele é capaz de suavizar os lugares difíceis e nunca permitir que um espinho fure nosso pé. E o conhecimento do poder de Deus é a própria porta pela qual Satanás frequentemente procura insinuar na mente uma dúvida sobre o amor de Deus. A alma raciocina assim: “Se Deus me ama com o amor de um Pai, por que Ele não faz isso ou aquilo por mim? Por que minhas orações permanecem tanto tempo sem resposta?”
Ah, não é porque Deus não te ama que a resposta para a oração às vezes demora a chegar, e às vezes a resposta não é o que você desejava. Deus tem lições a ensinar, que nunca seriam aprendidas se a nossa vontade guiar Sua mão. Quanto a família amada de Betânia teria perdido se Lázaro não tivesse sofrido para descer à sepultura! E que perda para Paulo se o espinho na carne tivesse sido retirado em resposta à sua oração três vezes repetida!
Há muitas coisas que podem permanecer um mistério para nós na Terra. Quantas vezes a vida, que a nosso ver parecia tão necessária, é levada embora, enquanto uma que poderia ter sido mais facilmente poupada, é deixada para trás, ano após ano. Deus não explica tudo isso para nós. Ele não nos diz Suas razões, mas nos diz para confiar em Sua sabedoria e em Seu amor. Que tenhamos paciência. A noite logo passará, e na luz da manhã do dia sem fim veremos o que está escondido dos nossos olhos hoje.
E se o passado pudesse ser apagado e pudéssemos começar a jornada da vida de novo, e Deus nos perguntasse se escolheríamos nosso próprio caminho e o traçaríamos conforme melhor nos parecesse ou se escolheríamos que Ele o escolhesse para nós, não colocaríamos nas mãos d’Ele para Ele escolher e nos guiar?
A paciência de Deus
Este é o tempo de Sua paciência. Ele está assentado no trono de Seu Pai, mas ainda não tem sua Noiva. Ele espera com paciência para ver o fruto do trabalho de Sua alma. Ele também não tem o reino mundial agora, mas Aquele que disse: “Assenta-Te à Minha mão direita”, também disse: “até que ponha os teus inimigos por escabelo dos Teus pés” (Salmo 110:1). Portanto, Ele espera com paciência agora; este é agora o “reino e paciência de Jesus Cristo” (Ap 1:9). Em breve será o reino e a glória de Jesus Cristo. E antes disso seremos conduzidos à Sua presença em um corpo de glória como o Seu. Que cena de inexprimível alegria e deleite!
Então, daquelas alturas sem nuvens, olharemos para trás “E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o SENHOR teu Deus te guiou”. Então você verá que a mão que ordenou tudo era a mão de um Pai e que o Seu caminho era melhor do que o seu. Descanse em Seu amor, incline-se sobre Seu seio, até que o dia amanheça e as sombras fujam.
Christian Truth, 13:326 (adaptado)
O Amor Retornou
É uma verdade bem conhecida que a Escritura nunca nos ocupa com nosso amor a Cristo, mas sim com Seu amor por nós. Alguns de nós lembram-se bem de um irmão mais velho, há muito tempo com o Senhor, que costumava nos lembrar: “Nunca tente amar o Senhor mais do que você já ama; pense somente em quanto Ele te ama!” Isso é importante, pois ocupar-se consigo mesmo de qualquer maneira que seja, exceto para nos julgarmos, não honra a Deus e não é o caminho de bênção.
No entanto, existem várias Escrituras que, embora não nos ocupem com nosso amor a Cristo, nos lembrariam o quanto Ele aprecia qualquer resposta em nosso coração ao Seu amor. Um incidente muito precioso diz respeito a Maria de Betânia, quando ela ungiu o Senhor antes que Ele fosse à cruz. O relato é mais explícito em João 12:1-9, mas os relatos em Mateus 26:6-13 e Marcos 14:3‑9 são muito provavelmente na mesma ocasião, embora Maria não seja nomeada; ela é simplesmente identificada como “uma mulher”. Talvez isso nos mostre que o privilégio de tal ato de adoração não se limita a Maria, mas poderia ser realizado por qualquer crente devotado.
Deve-se lembrar que Maria foi a única (Lucas 10:39) que se assentou aos pés de Jesus e ouviu Sua palavra. Da mesma forma, foi ela quem mais se destacou na corrente dos pensamentos de Deus quando seu irmão Lázaro morreu (João 11). Quando chegou a hora de o Senhor ir à cruz, novamente é ela quem entende, talvez mais do que qualquer outro, o que iria acontecer. É ela quem responde com verdadeira devoção e, mais do que isso, segundo a mente de Deus.
O unguento de nardo
Aparentemente, era costume que as moças jovens e solteiras daqueles dias procurassem adquirir um pouco do caro unguento de nardo que seria guardado até que a usassem no dia do seu casamento. Era muito caro, pois era cultivado no Himalaia e tinha que ser importado. O preço mencionado na Escritura representaria o salário de aproximadamente um ano de um trabalhador. Às vezes era misturado com azeite, e a noiva o usava como perfume. É mencionado várias vezes em Cantares de Salomão a esse respeito.
É provável que Maria tivesse inicialmente reservado o seu arrátel desse unguento para o dia em que talvez ela viesse a se casar, mas, quando ela viu seu Senhor e Mestre prestes a morrer, ela usou todo o unguento para ungi-Lo em vez de usar para ela. Em seu ato de assim proceder, ela reconheceu o Senhor Jesus em Seus dois caracteres distintos – como o legítimo Rei e como o sacrifício pelo pecado. Porque ela sabia que Ele era o Rei legítimo, está registrado em Mateus e Marcos que ela ungiu a Sua cabeça; porque ela sabia que Ele sofreria pelo pecado em Sua humilhação, está registrado em João que ela ungiu Seus pés. “Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós Se fez pobre; para que pela Sua pobreza enriquecêsseis” (2 Co 8:9). Enquanto os discípulos talvez não entendessem quando o Senhor lhes disse que Ele devia sofrer e morrer, e enquanto Judas (e talvez outros) se queixassem do desperdício do unguento, Maria entendia plenamente Quem o Senhor era e o que Ele tinha que fazer. Seu ato manifestou tanto inteligência espiritual quanto devoção de coração.
O valor de seu ato
Quando foram feitas objeções ao ato de Maria, o Senhor a defende de maneira comovente. Os pobres estavam sempre presentes, e ninguém tinha compaixão por eles como o Senhor. Sempre haveria ampla oportunidade para ajudá-los. Mas aqui estava uma ocasião que não se apresentaria novamente, e Maria aproveitou a oportunidade. A resposta do Senhor a ela é comovente e encorajadora, pois mostra o quanto Ele valorizava seu ato. Ele diz: “Ora, derramando ela este unguento sobre o Meu corpo, fê-lo preparando-Me para o Meu sepultamento. Em verdade vos digo que, onde quer que este evangelho for pregado em todo o mundo, também será referido o que ela fez, para memória sua” (Mt 26:12-13).
O evangelho da graça de Deus estava prestes a ser pregado, como o resultado bendito da obra do Senhor na cruz. O amor de Deus haveria de ser manifestado na cruz como nunca antes, e o coração de Deus revelado como nunca havia sido no Velho Testamento. “Mas Deus prova o Seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8). Qual tem sido a resposta do homem? É triste dizer que muitos rejeitam a oferta de misericórdia de Deus e preferem permanecer em seus pecados. Mas, ainda mais triste, são aqueles que aceitam e são introduzidos na bênção eterna com Cristo, deixando às vezes de apreciar o custo envolvido. Com demasiada frequência, nós, que somos do Senhor, tendemos a reagir como os nove leprosos de Lucas 17, que desfrutaram de sua cura, mas não tinham coração para voltar e agradecer.
A manifestação da mais profunda gratidão
O ato de Maria não seria necessariamente usado como testemunho do evangelho aos pecadores perdidos; ao contrário, seria mencionado porque seu apreço pela Pessoa do Senhor Jesus e a profundidade de Seu amor por ela exigiam dela a mais profunda gratidão. O amor d’Ele, desfrutado no coração dela, fez com que ela desse o que talvez fosse o bem mais precioso que ela possuía, a fim de mostrar sua apreciação pelo Seu amor.
Seu ato foi individual, mas foi realizado na presença de outros, e é, portanto, talvez uma figura da lembrança do Senhor, que Ele instituiu mais tarde. O unguento foi derramado sobre Ele e era para Ele, mas lemos que “encheu-se a casa do cheiro do unguento” (João 12:3). Nossa adoração não é para nós mesmos; na realidade, ela sobe a Deus por meio de Cristo. Mas todos os presentes sentirão a preciosidade disso, pois tudo o que Cristo é e tudo o que Ele fez transbordará também para nosso gozo.
O Senhor Jesus era Deus, mas também era um Homem perfeito, com todos os pensamentos e sentimentos naturais de um homem, “mas sem pecado”. Ele continua sendo um Homem na glória e aprecia qualquer pequena resposta de nosso coração ao Seu amor. O desfrute de Seu amor em nosso coração certamente produzirá isso, pois “amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 João 4:19).
W. J. Prost
O Amor de Cristo
Muitos Cristãos passam grande parte de sua vida desejando o amor de Cristo, e ainda mais desejando amar a Cristo. “Leva-me Tu, correremos após Ti” (Cantares 1:4). Aqui há amor a Cristo, mas uma sensação de distância. “Dize-me, ó tu, a quem ama a minha alma: Onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes descansar ao meio-dia; pois por que razão seria eu como a que anda errante junto aos rebanhos de teus companheiros?” (Cantares 1:7). Expressões como estas em Cantares expressam o estado de muitas almas agora, assim como descrevem a condição do restante de Israel nos dias vindouros. Quantos de nós temos sentido que um verso bem conhecido de um hino se ajusta ao verdadeiro estado de nossa alma: “Oh, atrai-me, Salvador, após Ti” e podemos nos ter perguntado por que um querido servo do Senhor teria alterado esse verso para: “Senhor, Tu me tens atraído após Ti”. A diferença não é imensa?
A diferença não seria maior do que se você visse uma criança olhando ansiosamente pela vitrine de uma loja com vários tipos de frutas deliciosas. Sim, essa criança ama uvas, peras e ameixas e as deseja muito, mas de nenhuma delas ela desfruta; ela está do lado de fora e as frutas estão dentro. Uma mão amável abre a porta e uma voz amorosa diz: Entre, meu filho. De graça eu dou todas a você. Coma e desfrute o que for para o seu bem. Quão real é a diferença entre o desejo daquela criança e o desfrute do fruto! E Aquele com as mãos feridas não abriu a porta? “Levou-me à casa do banquete, e o Seu estandarte sobre mim era o amor” (Cantares 2:4).
Alguns cometem um erro muito comum, pensando que devemos amá-Lo mais e mais e mais, até que finalmente possamos esperar chegar a esse banquete de amor. Não é assim; não é um ato nosso. “Levou-me à casa do banquete”. Oh, com que ternura Ele me levou com aquelas mãos feridas ao banquete do amor! Mas não deve ser nosso amor a Ele que faz o banquete de amor? Não – “Seu estandarte sobre mim era amor”.
Permanecendo em Seu amor
É bem verdade, em outro sentido, que precisamos constantemente de Seu poder para nos manter e nos guiar por esse deserto. Mas “Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele” (1 João 4:16). Sim, Ele não apenas nos trouxe ao banquete do amor e estendeu Seu estandarte sobre nós, mas esta é a nossa morada. O estandarte do amor sempre flutua sobre nós. O fruto é sempre doce; o descanso perfeito é sempre seguro. Ele nunca pode deixar de amar ou interceder por aqueles cujos pecados Ele levou.
Não há esforço para amar; tudo é profundo, perfeito e pleno gozo. “Como o Pai Me amou, também Eu vos amei a vós; permanecei no Meu amor” (Jo 15:9). Certamente então Ele não poderia nos amar mais! Não temos que guardar Seus mandamentos para fazer com que Ele nos ame, mas para permanecer em Seu amor. “Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor; do mesmo modo que Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai, e permaneço no Seu amor” (Jo 15:10). Ele não quer que fiquemos do lado de fora na contínua decepção do mero desejo, mas venha ao banquete de alegria plena na posse eterna de Seu amor, com a consciência purificada e em perfeito descanso, por meio de Seu precioso sangue. Seu amor por nós foi demonstrado ao máximo. Não podemos desejar que Deus nos amasse mais do que Ele ama, pois nada pode nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus.
O desejo de amar
Mas podemos dizer: “Não devo desejar amar a Deus?” Quão clara é a resposta! Se conhecermos e crermos nesse maravilhoso amor de Deus para conosco, nós O amaremos, porque Ele nos amou primeiro. Como filhos de Deus, temos a natureza de nosso Pai, e Ele é amor. Não seria uma criança estranha aquela que desejasse amar seus pais? E o amor de Deus nos leva a ter prazer de guardar Seus mandamentos. É o próprio fluxo da nova natureza, pelo poder do Espírito de Deus que habita em nós. O verdadeiro amor nunca é ocupado com o “eu”; o desejo de amar é sempre assim. Se estamos buscando e desejando amar a Deus, não encontraremos nada além de ocupação com o próprio “eu”, do começo ao fim. Nosso pensamento será que, quanto mais amamos a Deus, mais Ele nos ama. Isso mostra triste ignorância do grande fato declarado aqui.
Mas se conhecemos e cremos no amor de Deus para nós ao enviar Seu Filho, então, todas as barreiras ao amor de Deus são removidas. Não temos que desejar, mas “o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5:5). Esse amor é revelado em Cristo, e podemos assentar-nos felizes sob Sua sombra em descanso eterno.
C. Stanley (adaptado)
O Amor de Deus
Deve o homem, então, sem esperança, estar perdido para sempre,
Já que obras, riquezas e ofertas não podem salvá-lo?
Deve ele ser lançado no lago ardente do inferno,
Absorver os tormentos de suas ondas incandescentes,
E em vão ansiar por água em sua sede?
Ah! Sim; essa seria a sua aflição, se o amor tivesse tosquenejado,
E se Deus jamais tivesse enviado Seu Filho para salvá-lo;
Pois nada que o homem pudesse trazer Ele poderia aceitar,
E o homem, então, perdido, teria chorado em incessante sofrimento.
Mas o amor divino transcende todo pensamento humano;
Veja no Filho quão ardente o Seu fervor resplandece!
Pois é n’Ele que Deus agora recomenda Seu amor,
A Quem Ele entregou para sofrer por Seus inimigos,
E provar por eles a mais aguda das aflições;
Ah! Sim, por eles, o mundo, a raça humana culpada,
Este amor maravilhoso flui tão plena e livremente,
Para o homem traidor, que desvia o rosto
Do seu Criador-Deus, o Deus de amor e graça.
N’Ele, o Filho, eis o amor de Deus!
A Ele, Seu amado, Ele não poupou,
Mas O entregou a uma dor e sofrimento indizíveis,
Para que Ele pudesse suportar o juízo pelos pecadores,
E assim declarar o próprio amor ilimitado de Deus
Ao homem, que hasteou a bandeira da rebelião!
Onde está o amor que se compara a este?
Seu Filho entregue por este mundo culpado,
O qual Ele, com justiça, poderia ter lançado à perdição eterna!
W. Trotter
“Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós”, “porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo”
(Tiago 4:7; 1 João 4:4)




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