Moisés (Agosto de 2012)
- Revista O Cristão

- 26 de dez. de 2025
- 31 min de leitura

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Revista mensal publicada originalmente em agosto/2012 pela Bible Truth Publishers
ÍNDICE
Tema da edição
Christian Truth (adaptado)
J. N. Darby (adaptado)
W. Kelly (adaptado)
H. H. (adaptado)
J. G. Bellett (adaptado)
H. F. Witherby
W. J. Prost
B. B.
Moisés

O que é um homem de Deus? Moisés é o primeiro servo de Deus que recebeu esse honrado título, e ele lhe foi atribuído cinco vezes (Dt 33:1; Js 14:6; 1 Cr 23:14; Ed 3:2; título do Sl 90). Todo o seu curso foi de singular devoção ao Senhor. Com gozo, ele renunciou as honras e confortos do palácio egípcio, a fim de se identificar com o povo oprimido de Deus; voluntariamente ele carregou o fardo deles durante os quarenta anos da “provocação” e com maravilhosa paciência ele suportou o murmúrio e a ingratidão deles. O que é ainda maior, ele intercedeu por eles diante de Deus, chegando ao ponto de orar para que ele fosse riscado do livro de Deus se desse modo o pecado deles pudesse ser perdoado. Seu zelo pelo santo nome de Deus em conexão com Seu povo era verdadeiramente maravilhoso. Suas íntimas súplicas a Deus em favor deles, como registradas em Êxodo 32:31-33, são praticamente sem igual. Não que Moisés fosse perfeito – apenas Um foi sempre assim –, mas sua comunhão e devoção com Deus o distinguem como um dos personagens mais notáveis da história da Bíblia. Nele temos uma ideia do que está envolvido no título “o homem de Deus”.
W. W. Fereday
Moisés, o Servo do Senhor
Um grande princípio em todo verdadeiro serviço é a consciência de ser sustentado nele por Deus. Foi assim com o Servo perfeito, o Senhor Jesus Cristo. “Eis aqui o Meu Servo, a Quem sustenho, o Meu Eleito, em Quem se compraz a Minha alma” (Is 42:1). A grande característica em Seu serviço era que Ele nunca agiu por Si Mesmo. “Eu não posso de Mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o Meu juízo é justo, porque não busco a Minha vontade, mas a vontade do Pai que Me enviou” (Jo 5:30). No momento em que um servo age de forma independente, ele age por si mesmo e fora de caráter.
Sempre que estivermos vivendo diante dos homens, e não diante de Deus, haverá inquietação e perturbação. Pode haver o desejo de fazer muitas coisas que estão escritas na Palavra, mas elas não serão feitas com gozo tranquilo e pacífico. Nunca somos realmente preservados da hipocrisia, a menos que estejamos vivendo diante de Deus. É a melhor cura possível para o orgulho presunçoso que está presente por natureza em todos nós.
Vamos dar uma olhada na experiência de Moisés. A vida de Moisés é dividida em três períodos distintos de quarenta anos cada. A maioria dos seus primeiros quarenta anos foram vividos no Egito como o “filho da filha de Faraó”.
Os quarenta anos seguintes foram passados no deserto, apascentando o rebanho de seu sogro. Lá, no monte de Deus, ele teve uma visão da glória como nunca poderia ter sido revelada a ele no Egito.
Nos últimos quarenta anos, temos o relato do árduo e penoso curso que ele teve que percorrer, como servo de Deus e de seu povo Israel, levando sobre si o fardo desse povo.
Moisés no Egito
A primeira parte de sua vida foi passada no Egito. Estevão fala dele como sendo “instruído em toda a ciência dos egípcios; e era poderoso em suas palavras e obras” (At 7:22). Mas essa sabedoria do Egito era insuficiente para libertar Israel. Sem dúvida, Moisés sabia que Deus estava prestes a usá-lo como o “libertador” do Seu povo, mas aquilo que havia sido adquirido no Egito não poderia libertar do Egito o povo do Senhor.
“E, quando completou a idade de quarenta anos, veio-lhe ao coração ir visitar seus irmãos, os filhos de Israel” (At 7:23). Qualquer que seja a tranquilidade e o conforto que Moisés possa ter desfrutado na casa de Faraó, seu coração ansiava por seus irmãos. Ele foi até seus irmãos e olhou para o fardo deles. “E, vendo maltratado um deles, o defendeu, e vingou o ofendido, matando o egípcio” (At 7:24). Moisés era “poderoso em... ações”, também em favor do povo de Deus, mas agindo na energia da carne, não como enviado por Deus; Moisés estava pensando em como ele haveria libertar o povo. Como resultado, “ele cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus lhes havia de dar a liberdade pela sua mão; mas eles não entenderam” (At 7:25). Moisés teve que aprender que Deus seria servido apenas pelo poder e força que vêm de Si mesmo, e não pela força ou sabedoria do Egito.
A terra de Midiã
Quando Moisés havia passado quarenta anos no deserto, fazendo, por assim dizer, nada, nós o encontramos respondendo à mensagem de Deus: “Vem agora, pois, e Eu te enviarei”, com as palavras: “Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?” (Êx 3:10-11). E é sempre assim. Quando um santo sente que ele é enviado por Deus em qualquer missão, há sempre a mais profunda prostração de espírito. O fim do treinamento de Deus é quebrar a confiança própria, de modo que, quando finalmente a pessoa sai em serviço, é com o sentimento: “Quem sou eu?” Uma grande característica da carne que adquirimos por termos estado tanto tempo no “Egito” é a relutância em dizer: “Quem sou eu?” Mas Deus deve produzir esse estado de espírito antes de nos usar. O entendimento mais cultivado, a sabedoria humana e a investigação intelectual não se sustentam no serviço de Deus.
Muitos santos seguem em frente por um tempo (talvez logo após sua conversão) movidos pelo entusiasmo e zelo da carne, fazendo coisas certas, mas não no espírito de dependência de Deus; pouco a pouco, suas energias se vão e eles se sentem totalmente inúteis, como se Deus nunca mais pudesse empregá-los em Seu serviço. Agora, essa é uma lição proveitosa, embora profundamente humilhante. O Senhor frequentemente treina um indivíduo assim para que seja muito útil na Igreja depois. O mesmo aconteceu com Moisés.
A sós com Deus
Durante os próximos quarenta anos, Moisés está perdido para o Egito e para Israel, mas então ele está a sós com Deus. É principalmente em solitude que Deus ensina o Seu povo. O bendito Senhor buscou refrigério nesta Terra estando a sós com Deus. E este é o lugar onde o santo aprende sua própria fraqueza e a força de Deus. Ele entra nas profundezas do seu próprio mal, mas também nas profundezas da graça de Deus. Ele aprende a negar o “eu”, a subjugar a imaginação e a tudo aquilo que se exalta contra o conhecimento de Deus. Ele prova a necessidade da cruz.
Quarenta anos havia passado numa preparação em solitude, em treinamento secreto com Deus no deserto, mas havia outra coisa necessária – a manifestação da glória de Deus.
A glória de Deus
“E, completados quarenta anos, apareceu-lhe o anjo do Senhor no deserto do monte Sinai, numa chama de fogo no meio de uma sarça” (At 7:30). “E eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia” (Êx 3:2). Nunca houve algo assim no Egito. Mas, a menos que tenhamos sabedoria para entender por que a sarça não foi consumida, não temos a verdadeira sabedoria de Deus. É impossível no Egito ver a glória do Deus vivo. Que coisa maravilhosa era que haveria uma pequena e fraca sarça, como ela era, nesta Terra, com tudo contra ela, e ainda assim nada capaz de prevalecer contra ela.
Quais terão sido os pensamentos de Moisés a respeito de toda a glória do Egito quando se voltou para ver esta “grande visão”? E quais seriam os nossos, amados, quanto ao mundo, se nossos olhos estivessem sempre e firmemente fixos na glória? Quando Moisés estava empenhado em alimentar solitariamente o rebanho no deserto, poderia haver alguns anseios sobre a glória do Egito, mas estes devem ter cessado quando ele teve essa manifestação da glória de Deus feita a ele, “o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó”.
O mesmo acontece conosco. Quando pensamos na verdadeira glória da Igreja, somos capazes de olhar para a glória do “Egito” e nos sentirmos desapegados dela, assim como desapegados da sabedoria e poder do “Egito”. Mas se nossa alma está apenas olhando para sua própria fraqueza, muito provavelmente seremos tentados a desejar o “Egito” e as coisas do “Egito”. Muitas vezes, pode haver atividade intensa no serviço, mas não o tranquilo assentar aos pés de Jesus, absorvendo de Seus lábios o conhecimento da verdade e da graça.
Note o seguinte: “Agora, pois, vem, e enviar-te-ei ao Egito. A este Moisés, ao qual haviam negado, dizendo: Quem te constituiu príncipe e juiz? a este enviou Deus como príncipe e libertador, pela mão do anjo que lhe aparecera na sarça” (At 7:34-35). Mas Deus deve tirar Moisés do Egito primeiro; Ele não poderia fazer essa comunicação com ele lá. Quando nós estamos no mundo, acontece a mesma coisa; a comunhão é interrompida.
“Moisés disse a Deus: Quem sou eu”? (Êx 3) Depois de ter adorado a Deus como um adorador descalçado, houve um recuo diante daquilo que Deus havia depositado sobre ele, embora, quarenta anos antes, ele estivesse mais ansioso para entrar no mesmo tipo de serviço. É uma coisa muito solene a ver com o povo de Deus. A responsabilidade envolvida é tal que, se deixados por nossa própria conta, devemos sucumbir sob ela.
Lidando com a vergonha e desonra
Moisés agora sabia que aquele que quisesse servir a Israel deveria enfrentar muita vergonha e desonra. Daí a necessidade do treinamento pelo qual ele havia sido submetido. O mesmo acontece com o serviço na Igreja. Se Paulo é um “vaso escolhido”, o Senhor, ao fazer isso conhecido por Ananias, diz: “E Eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo Meu nome” (At 9:15-16). E qual foi a experiência posterior de Paulo? “Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias”; mais uma vez, “Eu de muito boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado” (2 Co 12:10, 15).
Paulo teve a carne esmagada desde o início, esmagada novamente depois de ter sido arrebatado ao terceiro céu, esmagada por todo o caminho. Ele nunca prosseguiu no serviço na energia da carne, mas como alguém que sabia que era necessário resistir até o fim.
Quantas vezes um jovem Cristão pensa: “vou contar aos outros do amor do Senhor, e eles devem acreditar em mim”, ou “vou dizer aos Cristãos a segurança da Igreja, da vinda do Senhor, do chamado celestial dos santos e coisas semelhantes, e eles devem recebê-las”. Mas não! Precisamos aprender que não podemos carregar tudo diante de nós. Onde há a missão mais claramente confirmada por Deus, há sempre a mais profunda humildade. Paulo, ao falar de seu árduo serviço, diz: “trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1 Co 15:10).
Comunhão com Deus
A preparação para o serviço ativo se dá em secreto com Deus, aprendendo a conhecer nós mesmos em comunhão com Ele. É aí que a batalha é realmente travada. O poder para o serviço ativo não é adquirido no serviço ativo, mas em comunhão com Deus em secreto. Tudo o que fazemos no serviço, devemos fazer como adoradores. Nosso serviço será realizado em responsabilidade sentida diante de Deus, e trará bênção para os outros e para nossa própria alma.
Haveria muito mais serviço proveitoso, feliz e útil se apenas víssemos mais da ordem de Deus. Alguém pode se deleitar em ver atividade em serviço, mas então ela deve estar ligada ao estar em secreto com Deus e ao discernir o Seu propósito com relação à Igreja. Assim, serviríamos feliz e de maneira santa, não como se Deus precisasse de nosso serviço, mas como desejando glorificá-Lo em nosso corpo, que é d’Ele.
Christian Truth (adaptado)
O Véu no Rosto de Moisés
O povo de Israel havia, de modo irrefletido, entrado em uma aliança com Deus quando disse: “tudo o que o SENHOR tem falado faremos” (Êx 19:8). “E todo o povo viu os trovões e os relâmpagos, e o sonido da buzina, e o monte fumegando; e o povo, vendo isso retirou-se e pôs-se de longe. E disseram a Moisés: Fala tu conosco, e ouviremos: e não fale Deus conosco, para que não morramos” (Êx 20:18-19). Havia terror aqui, mas nenhuma escuridão; Moisés não tinha cobertura sobre o rosto quando desceu do monte após sua primeira permanência de quarenta dias (Êx 32). Os pecados do povo fizeram com que ele descesse. “E virou-se Moisés e desceu do monte com as duas tábuas do testemunho na mão, tábuas escritas de ambos os lados; de um e de outro lado estavam escritas. E aquelas tábuas eram obra de Deus; também a escritura era a mesma escritura de Deus, esculpida nas tábuas” (Êx 32:15-16). Aqui estava a aliança nas mãos do mediador; tudo era claro e conciso. “E aconteceu que, chegando Moisés ao arraial, e vendo o bezerro e as danças, acendeu-se-lhe o furor, e arremessou as tábuas das suas mãos, e quebrou-as ao pé do monte” (Êx 32:19). Esta ação foi cheia de significado. O povo havia quebrado a aliança; o mediador da aliança prestou testemunho e o julgamento seguiu. Nenhum véu foi necessário naquela ocasião; o mediador havia testemunhado que a aliança estava quebrada.
Intercessão
Depois disso, ele intercede pelo povo, e Jeová propõe enviar um anjo para levá-los à terra de Canaã que Ele lhes havia prometido (Êx 32:30, 34; também 33:1‑3). Mas isso não poderia satisfazer o coração de Moisés; ele está perturbado e pede a Jeová que lhe mostre o Seu caminho e que Ele vá com eles. “Se Tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui. Como, pois, se saberá agora que tenho achado graça aos Teus olhos, eu e o Teu povo? Acaso não é por andares Tu conosco, de modo a sermos separados, eu e o Teu povo, de todos os povos que há sobre a face da Terra? Então disse o SENHOR a Moisés: Farei também isto, que tens dito; porquanto achaste graça aos Meus olhos, e te conheço por nome” (Êx 33:15-17). Moisés é encorajado, e continua sua intercessão e diz: “Então ele disse: Rogo-Te que me mostres a Tua glória” (Êx 33:18). Moisés tinha visto a glória de Deus de uma maneira maravilhosa quando a lei foi dada, mas na tenda da congregação erguida fora do arraial, Jeová havia falado com Moisés face a face, “como qualquer fala com o seu amigo” (Êx 33:11), e agora ele busca uma glória mais excelente do que a da lei, pois por trás da lei, permaneciam um caminho de Deus e uma glória de Deus, e a glória da lei serviu apenas para preparar e introduzir esse caminho e essa glória. E era esta glória que Moisés teve que ocultar, porque o tempo de sua manifestação segundo os conselhos de Deus ainda não havia chegado.
Essa glória revelada a Moisés é, na realidade, a glória de Deus na face (na Pessoa) de Jesus Cristo (2 Co 4:6). Foi assim proclamado: “Eu farei passar toda a Minha bondade por diante de ti, e proclamarei o nome do SENHOR diante de ti; e terei misericórdia de quem Eu tiver misericórdia, e Me compadecerei de quem Eu Me compadecer” (Êx 33:19). A soberania de Deus em graça é uma parte essencial de Sua glória. Israel arruinou a base de suas bênçãos, e seu único recurso permaneceu no próprio Jeová – veja Oséias 13:9. Quando tudo está perdido, então é a hora da graça se mostrar, mas a glória dessa graça deve ser contemplada do ponto de vista adequado.
Moisés seria colocado na fenda da rocha para que ele pudesse ver a glória. Para esse fim, Moisés, depois de ter lavrado duas tábuas de pedra como as duas primeiras que foram quebradas, sobe o monte Sinai pela segunda vez. “E o SENHOR desceu numa nuvem e Se pôs ali junto a ele; e ele proclamou o nome do SENHOR” (Êx 34:5). Depois de passar quarenta dias e quarenta noites no monte (Dt 10:10), Moisés desceu do Monte Sinai com as duas tábuas de testemunho na mão e “não sabia que a pele do seu rosto resplandecia, depois que falara com ele” (Êx 34:29).
Graça
Existe um poder transformador inerente à graça. Quarenta dias de íntima comunhão com Deus haviam exercido uma influência maravilhosa sobre Moisés. Por um lado, ele havia aprendido, pela experiência de seu próprio coração, a bênção da graça com a qual ele tinha tido comunhão; por outro, ele permaneceu perfeitamente inconsciente do resultado visível que era o fruto dessa comunhão. Bem-aventurados somos se conhecermos o segredo da comunhão com a graça divina! O coração é revigorado, enquanto o crente é mantido num caminho humilde, admirando-se de que alguém olhasse para ele. De fato, podemos ter certeza de que nunca seremos usados no serviço de Deus até que passemos a considerar-nos como nada. Quando Deus faz resplandecer nosso rosto diante dos outros, devemos ser o último a saber disso.
O povo teme a glória na face de Moisés mais do que as duas tábuas em suas mãos. Tal é o homem! Ele está pronto para prometer obediência à lei por toda a vida, mas quanto mais Deus procura Se aproximar do homem em graça, mais ele se afasta.
Distância de Deus
A distância de Deus é o elemento natural do homem, e de bom grado ele permanece a essa distância, mesmo quando se proclama que a cruz removeu todos os impedimentos, para que um pecador possa se aproximar de Deus. Jeová suportou um povo que estava sob a maldição de uma lei violada, e Moisés havia aprendido o caminho de Jeová. Mas foi justamente essa glória que ele foi obrigado a ocultar, para que “os filhos de Israel não olhassem firmemente para o fim daquilo que era transitório” (2 Co 3:13). Para Moisés, a questão da justiça humana sobre o princípio da lei foi resolvida. Ele poderia olhar para o fim: “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10:4). Mas a maioria em Israel não podia olhar além da lei, mas buscava a justiça por meio dela, enquanto estava o tempo todo sob a maldição. Deus, por Sua própria causa, não por causa da justiça deles, trouxe Israel temporariamente para a terra, mas no que diz respeito aos tratamentos individuais, Ele agiu como disse a Moisés: “terei misericórdia de quem Eu tiver misericórdia”. Todos, portanto, que foram vivificados por Sua graça, de acordo com esse princípio, podiam olhar além da lei e ver a glória na face de Moisés.
Enquanto o véu permanecesse na face de Moisés, a graça estava necessariamente oculta. Mas agora, diz o apóstolo, não há trevas. O ministério é o ministério das boas novas da graça de Deus (Ef 3:2; At 20:24), as boas novas da glória de Cristo, “o Qual é a imagem de Deus” (2 Co 4:4 – ARA), as boas novas do Deus bem-aventurado (1 Tm 1:11). Isso revela completamente a glória desta graça, cujos raios iluminavam o rosto de Moisés, e as tábuas da lei em sua mão não podiam ofuscá-lo. “A graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1:17).
J. N. Darby (adaptado)
Falai à Rocha
A rebelião de Corá trouxe o sacerdócio de Arão mais evidente do que nunca. O ministério não é sacerdócio, embora tenha seu próprio e importante lugar. Mas somente o sacerdócio pode e levará o povo fracassado de Deus pelo deserto até Canaã. “Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de Seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela Sua vida” (Rm 5:10) “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7:25). Em Cristo, primeiro como Sacrifício e depois como Sacerdote, repousa tudo quanto diz respeito à salvação, pois ainda estamos passando pelo deserto, e com dificuldade os justos são salvos.
A necessidade da intercessão de Arão ficou patente quando a praga se instalou entre os israelitas que murmuravam, e Arão teve que correr para o meio deles, trazendo incenso e fazendo expiação pelo povo. Assim ele se colocou em pé entre os mortos e os vivos, e a praga cessou.
O sacerdote da escolha de Deus
Mas Deus fez mais. Ele decidiu para sempre entre os príncipes do povo e o sacerdote de Sua escolha, pois cada uma das doze cabeças de Israel pôs suas varas diante do Senhor para que Ele pudesse escolher de modo incontestável quem deveria interceder para com Ele. “Eis que a vara de Arão, pela casa de Levi, florescia; porque produzira flores e brotara renovos e dera amêndoas” (Nm 17:8). Todas as outras varas estavam secas e infrutíferas. A questão foi decidida de uma vez por todas: Apenas Arão foi escolhido para se aproximar. Israel, em si mesmo, era tão sem seiva e seco quanto suas varas mortas; o homem precisa de um sacerdote vivo. A vara de Arão (e, ainda mais, Melquisedeque, neste aspecto), apenas tipifica Aquele em Quem está o poder de uma vida sem fim. Daí em diante, esta é a vara, o testemunho vivo e imutável do poder divino e da apropriada bênção diante de Deus para o povo. O sacerdote carrega a iniquidade do santuário. O ministério está subordinado ao sacerdócio, assim como a tribo de Levi estava ligada ao sacerdote (Nm 18). E a graça proveu para todos as cinzas da bezerra ruiva, para que os contaminados entre os filhos de Israel em nenhum momento carecessem de purificação do pecado. Eles sempre foram expostos à imundícia pelo caminho, e então precisavam ser aspergidos pela água da separação, a fim de serem purificados. Deus não diminuiria Sua santidade pela permissão de contaminação em Seu povo, mas Ele provê a água da separação para os contaminados, para que os imundos sejam purificados diariamente. “A graça reinasse pela justiça para a vida eterna”.
A provação
Aqui se vê a nova geração sendo provada antes do encerramento do Êxodo, como a antiga havia sido provada no princípio. Agora, como no passado, não havia água para a congregação; pelo que se ajuntaram contra Moisés e Arão. “E o povo contendeu com Moisés, dizendo: Quem dera tivéssemos perecido quando pereceram nossos irmãos perante o SENHOR! E por que trouxestes a congregação do SENHOR a este deserto, para que morramos aqui, nós e os nossos animais? E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este lugar mau? Lugar onde não há semente, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem tem água para beber” (Nm 20:3‑5). Não é à toa que Moisés e Arão caíram com rosto em terra diante de uma incredulidade tão vil. Mas a glória de Jeová apareceu e, sem censura, Jeová disse a Moisés: “Toma a vara, e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha, perante os seus olhos, e dará a sua água; assim lhes tirarás água da rocha, e darás a beber à congregação e aos seus animais” (Nm 20:8).
As duas varas
Não houve mal-entendido, pois “Moisés tomou a vara de diante do SENHOR, como lhe tinha ordenado. E Moisés e Arão reuniram a congregação diante da rocha” (Nm 20:9-10). A partir deste ponto, porém, tudo estava errado, pois Moisés, provocado pela excessiva ingratidão e revolta do povo, “falou imprudentemente com seus lábios” (Sl 106:33). “Ouvi agora, rebeldes, porventura tiraremos água desta rocha para vós?” (v. 10) Quem pediu isso de suas mãos? Moisés foi vencido pelo mal, em vez de vencer o mal pelo bem. Aquele que havia vivido por tanto tempo o mais humilde dos homens fracassou no final nesse aspecto. Quando Deus estava magnificando Sua misericórdia e chamando atenção expressamente para a verdade de que nada senão a graça sacerdotal poderia conduzir um povo errante até o fim, Moisés cedeu ao ressentimento natural e afirmou sua própria autoridade, “de sorte que sucedeu mal a Moisés, por causa deles”. Ele havia descido tão baixo até ao nível deles, em vez de se esconder a si mesmo, como a fé teria feito, por trás da graça de Deus. E sua ação não era melhor que sua palavra neste momento crítico. “Então Moisés levantou a sua mão, e feriu a rocha duas vezes com a sua vara” (v. 11). Foi um afastamento total do mandamento do Senhor, que lhe dissera que tomasse “a vara”, não a vara dele, mas a de Arão, e falasse “à rocha”, e ela daria a sua água. Com sua vara, Moisés feriu a rocha duas vezes. A testemunha, até agora fiel, não representou fielmente a Deus e deve morrer por seu erro. A vara do juízo mal utilizada trouxe a morte para si mesmo; a vara da graça prevaleceu para o povo, pois ele havia trazido a vara que havia brotado, cuja virtude por si só era adequada para um povo tão falho.
Em Êxodo 17, foi de acordo com Deus que Moisés ferisse a rocha com sua vara. Ali Moisés aparece sozinho; da rocha ferida deveria sair água. Jesus veio por água e por sangue. A humilhação até a morte devia ser a porção de Cristo, se o povo de Deus havia de receber o Espírito. Era necessário que houvesse um fundamento de justiça, e há; o Filho do Homem devia ser levantado.
Somente a graça é eficaz
Para a jornada do povo pelo deserto, para a passagem para Canaã, somente a graça traz resultado, a graça de um sacerdote que vive sempre. “Ouvi agora, rebeldes”, poderia ser verdadeiro e justo, se a questão fosse o homem, mas era essa a Palavra de Deus para aquele momento? Ele estava agindo em graça ou em juízo? E quando foi acrescentado “tiraremos água desta rocha para vós”, estava Deus diante de seus olhos? Não era o “eu” ferido pela ingratidão do homem? Maravilhoso registrar, o erro do servo não impediu essa graça de Deus. “e saiu muita água; e bebeu a congregação e os seus animais” (v. 11).
“E o SENHOR disse a Moisés e a Arão: Porquanto não crestes em Mim, para Me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso não introduzireis esta congregação na terra que lhes tenho dado. Estas são as águas de Meribá, porque os filhos de Israel contenderam com o SENHOR; e Se santificou neles” (vs. 12-13). Moisés e Arão não O santificaram, mas renunciaram a graça em favor da reivindicação de sua autoridade ferida. Se esse fosse o sentimento de Deus, nenhuma água teria sido tirada da rocha. Jeová foi santificado, porém o foi em manter Sua própria palavra, Sua própria graça, apesar da falha de Moisés e Arão – uma falha que trouxe imediata reprovação a si mesmos e o severo castigo de morrer fora da terra, a terra de Canaã, para onde a graça estava conduzindo o povo.
W. Kelly (adaptado)
Nenhum Pastor
O último pedido de Moisés encontrado em Números 27 mostra, não apenas sua submissão à vontade soberana de Jeová, mas também parece ter o cheiro daquele amor do qual o próprio Deus é a fonte e que cria canais para que ela flua para os corações do Seu povo.
Moisés foi libertado do serviço de Deus antes que os israelitas cruzassem o Jordão em seu caminho à terra prometida, e Aquele que o libertou foi Aquele a Quem ele apelou na época com um coração carregado de desejo pelo bem-estar de Seu povo, para Quem ele fez o seguinte pedido:
“Então falou Moisés ao SENHOR, dizendo: O SENHOR, Deus dos espíritos de toda a carne, ponha um homem sobre esta congregação, que saia diante deles, e que entre diante deles, e que os faça sair, e que os faça entrar; para que a congregação do SENHOR não seja como ovelhas que não têm pastor” (vs. 15-17).
Afeição pelo povo
Teria sido difícil para Moisés dar uma prova mais forte de sua afeição pelo povo de Deus do que aquela que é transmitida nesta oração, e a prontidão com que foi respondida por parte de Deus era uma evidência de Sua boa vontade em relação a alguém que tivesse interesse suficiente em Seu povo para tornar sua felicidade futura sua principal preocupação – mesmo no momento em que ele próprio estava prestes a ser deixado de lado. Sua preocupação por eles era tão grande que ele não poderia morrer em paz e deixá-los no deserto “como ovelhas que não têm pastor”.
“Então disse o SENHOR a Moisés: Toma a Josué, filho de Num, homem em quem há o Espírito, e impõe a tua mão sobre ele. E apresenta-o perante Eleazar, o sacerdote, e perante toda a congregação, e dá-lhe as tuas ordens na presença deles… E fez Moisés como o SENHOR lhe ordenara” (vs. 18‑19, 22).
O pedido de Moisés está em perfeita harmonia com o propósito de Deus e a bênção de Seu povo. Portanto, ao fazer o pedido, ele mostrou sua consideração por Deus e Seu povo, pedindo por um homem que os fizesse sair e que os fizesse entrar. Ele não apenas procurou que o poder fosse exercido em favor deles para esse fim, mas pediu a Deus que a presença pessoal de seu líder fosse conhecida no meio de Seu povo, saindo diante deles e entrando diante deles.
Moisés, depois que fugiu para Midiã, “apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro”. Assim, ele foi treinado para sua futura missão, pois, enquanto estava tão envolvido, o Senhor apareceu a ele e o enviou de volta ao Egito como Seu mensageiro ao Faraó e para se tornar o líder e pastor de Seu povo em seu êxodo da terra de sua escravidão e em sua jornada pelo deserto.
Características de um pastor fiel
Podemos aprender com o exemplo de Moisés quais são as principais características de um pastor fiel. Pode haver fracasso, e certamente houve, no caso dele, mas deve haver amor, se os santos o apreciam ou se não há resposta, como foi visto no caso dos israelitas e também no caso dos coríntios em relação ao apóstolo Paulo, obrigando-o a dizer: “ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado” (2 Co 12:15).
Um verdadeiro pastor vive para suas ovelhas, cuida do seu conforto, sofre ao servi-las e busca por todos os meios protegê-las do mal. Se isso é verdade na vida cotidiana, é muito mais no que diz respeito ao fiel pastor das ovelhas de Deus. E bonito é ver a devoção de homens como Moisés e o apóstolo Paulo, que enfrentaram os piores perigos e até a própria morte, a fim de servir e libertar os objetos de seu amor. Tudo isso, sabemos, é atribuível à graça de Deus. E o pedido de Moisés, com relação ao Seu povo, era apenas um débil reflexo do que Deus pensava a respeito deles, e foi usado por Ele como um meio de nos dar a conhecer o quão carinhosamente Ele Se importava com o Seu povo.
H. H. (adaptado)
Glória Celestial de Moisés
No final de sua vida, vemos Moisés no Monte Pisga, contemplando a terra de Canaã estendida diante dele (Dt 34). Esse era um novo monte de Deus para ele. Ficava um pouco fora da terra prometida, mas lhe proporcionava uma visão completa dela. Era uma alta eminência, o cume de Pisga, no monte Nebo, nas montanhas de Abarim. A terra já havia deixado de reconhecer Moisés; Israel também já não o conhecia mais. O deserto também já havia sido todo atravessado, e somente o Senhor é sua companhia no monte que olhava para toda a terra da promessa. Que expressão do lugar da Igreja ou da glória celestial é tudo isso! No alto com o Senhor, Moisés contempla abaixo a herança terrenal, o lugar das tribos de Israel, Gileade e Dã, Naftali, Efraim e Manassés, com toda a terra de Judá até o mar, também o sul e o vale do Jericó, com a cidade das palmeiras, até Zoar! Um lugar de onde se poderia comandar tais objetos abaixo, e em tal companhia, é realmente celestial! Moisés está no alto com o Senhor, olhando as cidades e planícies onde as famílias redimidas e felizes da terra deveriam habitar. É somente do céu que tal bênção e ocupação da terra, em justiça e paz, serão vistas pelo Senhor e Seus filhos da ressurreição. (Também temos um testemunho da glória celestial de Arão, companheiro de Moisés, em Números 20. Ele morre como sacerdote no topo do monte, estando o povo terrenal debaixo dele e o conhecendo apenas como sacerdote nos lugares altos.)
O monte da transfiguração
Novamente, como outro testemunho de Moisés no lugar celestial, nós o vemos no Novo Testamento, em outro monte, no monte da transfiguração. Pedro, Tiago e João estão lá, representando Israel e o povo terrenal, e eles estão do lado de fora. Mas Moisés está lá, novamente em companhia do Senhor e de outro coerdeiro da glória celestial, e eles estão do lado de dentro, envoltos nas nuvens da magnífica glória, o verdadeiro véu que há de separar o lugar santo dos átrios ou os céus da Terra. Moisés está do lado celestial desse véu, glorificado à semelhança do próprio Senhor da glória.
Estes são dois testemunhos fortes e claros da glória celestial de Moisés – impressionantes manifestações dele no lugar celestial, estando em companhia do Senhor no topo de dois montes; de um deles ele vê a herança terrenal embaixo de si, e do outro, o povo terrenal fora dela. E assim julgo que, de todas essas testemunhas que ouvimos aqui, colhemos o chamado e a glória celestiais ou o caráter e o lugar celestiais deste honrado e fiel servo de Deus. Ele é um filho da ressurreição e coerdeiro de Deus com Jesus Cristo.
Terra e céu
Assim, Moisés perde a terra, mas ganha o céu. Ele perde Canaã por sua própria falha, transgredindo, como vimos, contra a graça e o poder da vara que tinha florescido, mas ganha glória no topo do monte que olhava para Canaã, mediante a bondade e amor abundantes de Deus, seu Salvador. A lei (humana) diz que “ninguém tirará proveito do seu próprio erro”, e com justiça, pois a justiça proíbe o pensamento de que alguém obterá um benefício por sua própria falta. Mas a graça não age por lei, pois a glória que colhemos por ela, como pecadores perdoados, é mais rica e brilhante do que aquilo que Adão, na inocência, conhecia. O enigma de Deus é resolvido em nossa história – do comedor saiu comida e doçura saiu do forte. Moisés e a Igreja ilustram isso; ambos estão peregrinando adiante após a perda da terra, liderados pela mão do Filho de Deus, até o cume daquele monte que contempla, abaixo, as boas tendas de Jacó. Ó amado, que tipo de pessoas devemos ser! Que a vida e a energia do Espírito que habita em nós nos mantenha cada vez mais separados para o caráter e as esperanças celestiais!
J. G. Bellett (adaptado)
A Vara de Deus na Mão de Moisés
Quando foi dito a Moisés que ele seria o libertador e recebeu do Senhor a ordem de ir a Faraó e fazer subir Israel do Egito, ele respondeu: “Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?” Antes tão ansioso para libertar Israel, agora ele estava hesitando. Ele havia aprendido a desconfiar de si mesmo; ele não aprendeu a confiar em Deus. Ele fez objeções parcialmente baseadas em seu antigo fracasso. Como Israel deveria saber que ele era realmente o libertador deles? A resposta foi notável. Em nenhum sentido porque ele era Moisés, mas completamente porque Deus é o que Ele é. “EU SOU O QUE SOU”.
Moisés, porém, não ficou satisfeito e Jeová deu-lhe três sinais como suas credenciais para com Israel. Primeiro, sua vara lançada ao chão tornou-se uma serpente, e a serpente, tomada pela cauda, voltou a tornar em uma vara. Segundo, sua mão colocada em seu peito tornou-se leprosa e, quando voltou ao peito, tornou-se limpa. Terceiro, a água do Nilo sendo derramada sobre o solo seco se tornaria em sangue – esse sinal só poderia ser feito no Egito.
No Oriente, a vara é símbolo de autoridade e poder. Satanás tinha poder e autoridade na vara de Faraó, e Jeová confiaria a Moisés, como Seu servo, a vara de Deus. O poder da serpente deveria ser anulado diante da vara de Deus na mão do libertador.
Quando Moisés lançou sua vara na terra, levantou-se a serpente, e Moisés fugiu diante dela! Por um lado, a sarça ardia no fogo e, contudo, não se consumia – Israel ainda se mantinha, embora na fornalha da aflição, pois Jeová estava com eles; por outro lado, a majestade do Egito tinha o domínio, e Israel fugiu diante dele. Mas quando Moisés, por ordem de Jeová, segurou a serpente pela cauda, ele segurou em sua mão a vara de Deus, o poder divino para libertá-los.
O segundo sinal, o da lepra, figura o pecado. A mão do homem é impura e, quando colocada sobre o peito por ordem divina, simboliza tanto as ações quanto os pensamentos secretos como pecaminosos. Mas Deus, que revela ao homem sua impureza, também é capaz de purificar. Ele deu a Moisés uma mão e um coração limpos e puros, e com os quais usar Sua vara, com os quais cumprir o encargo que lhe foi confiado.
Quanto ao terceiro sinal, o Nilo era a própria vida do Egito; esse, pelo sinal de Deus, tornar-se-ia em morte. A vida do Egito, como no próprio caso de Moisés, o faraó havia desejado que fosse a morte do Israel de Jeová; agora Deus transformaria essa vida em morte, no Seu julgamento sobre a terra, pela escravidão de Israel.
Sendo vencido o poder de Satanás, a lepra da carne foi purificada e o verdadeiro caráter do mundo manifestado: Satanás, a carne e o mundo são vistos nesses três sinais.
Mas Moisés ainda hesitava. O nome de Deus e os sinais de Deus não eram exatamente o que ele queria; ele esperava algo em si mesmo que deveria testemunhar sua aptidão para o seu trabalho. “Ah, meu Senhor!”, disse ele, “eu não sou homem eloquente, nem de ontem nem de anteontem, nem ainda desde que tens falado ao teu servo”. “Ah, meu Senhor! Envia pela mão daquele a quem Tu hás de enviar”. Assim, um dos maiores servos de Deus entristeceu a Deus. Ele ficou irado com a incredulidade, mas misericordiosamente se inclinou à fraqueza de Seu servo e uniu Arão a ele para realizar a libertação que Ele havia determinado para Israel.
H. F. Witherby
O Caminho dos Reis do Oriente
Entre os terríveis julgamentos que cairão neste mundo no final da grande tribulação, encontramos o seguinte: “E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do oriente” (Ap 16:12).
A última parte deste versículo pode ser traduzida com mais precisão: “Para que o caminho dos reis que vem do nascente do Sol possa ser preparado” (JND). Vale ressaltar que há uma referência semelhante ao rio Eufrates em Apocalipse 9:13-14, onde lemos que “E tocou o sexto anjo a sua trombeta, e ouvi uma voz que vinha das quatro pontas do altar de ouro, que estava diante de Deus, a qual dizia ao sexto anjo, que tinha a trombeta: Solta os quatro anjos, que estão presos junto ao grande rio Eufrates”.
O rio Eufrates
Com um comprimento de quase 3.000 quilômetros, o rio Eufrates é o rio mais longo do oeste da Ásia e está associado ao comércio e negócios de grandes cidades e impérios há milhares de anos. Tendo sua nascente no que hoje é a Turquia, ele percorre a Síria e o Iraque e, por fim, se une a outro rio antigo bem conhecido, o Tigre, antes de desaguar no Golfo Pérsico. É mencionado muitas vezes na Palavra de Deus, desde o Jardim do Éden, pois o Eufrates era um dos quatro braços nos quais o rio do Éden se dividia (Gênesis 2:10-14). A terra chamada Mesopotâmia era a terra entre esses dois rios, geralmente chamada de “crescente fértil”, e geralmente reconhecida como a parte do mundo em que a civilização começou.
O rio Eufrates sempre foi a fronteira tradicional entre o Oriente e o Ocidente. É verdade que o império persa e o de Alexandre, o grande, se estenderam além desse ponto, mas a fronteira oriental do império romano sempre foi considerada o rio Eufrates, e é em grande parte com esse império, em sua forma revivida, que a profecia no livro do Apocalipse é ocupada.
A referência em Apocalipse 16:12 à secagem do rio Eufrates, a fim de preparar o caminho para os reis do oriente, tem sido objeto de especulações entre os estudantes de profecia por muitos anos. Este versículo significa que o rio literalmente secará ou a linguagem é simbólica? Que papel os reis do oriente desempenham na cena final do julgamento? Como eles irão interagir com aqueles que fazem parte da confederação ocidental, sob a besta romana? Eles serão aliados ou inimigos? A Escrituras não responde diretamente a essas perguntas, mas dois desenvolvimentos recentes no mundo são dignos de nota a esse respeito.
Antes de tudo, houve uma notável secagem do rio Eufrates nos últimos cinco anos, e isso não mostra sinais de que esteja diminuindo. A seguinte citação do New York Times de 16 de julho de 2009 resume a situação: “Por toda a região dos pântanos, os coletores de juncos, pisando sobre a terra onde antes eles flutuavam, gritam aos visitantes em um barco que passa. ‘Maaku mai!’ eles gritam, levantando suas foices enferrujadas. ‘Não há água!’ O Eufrates está secando. Estrangulado pelas políticas hídricas dos vizinhos do Iraque, Turquia e Síria, por uma seca de dois anos e anos de uso indevido pelo Iraque e seus agricultores, o rio está significativamente menor do que era há apenas alguns anos atrás. Alguns oficiais temem que ele possa em breve ter metade do tamanho que tem agora.”
Não colocaríamos ênfase indevida nesse fato, pois o problema é parcialmente causado pelo homem. A Turquia e a Síria construíram várias barragens no rio para atender às suas próprias necessidades, e o próprio Iraque utilizou mal a água que estava fluindo para ele. No entanto, é claro que as chuvas estiveram muito abaixo do normal nos últimos anos, e isso certamente contribuiu para a escassez de água.
Além disso, devemos reconhecer que a profecia não se refere diretamente a eventos durante o período da Igreja e, portanto, o que lemos em Apocalipse 16:12 não ocorrerá até a última parte da grande tribulação. No entanto, Deus pode, em Suas advertências ao homem, permitir que seja montado o cenário desses julgamentos, e nós, como crentes, podemos certamente ver “que se vai aproximando aquele dia” (Hb 10:25), ao observarmos esses desenvolvimentos. Uma coisa é certa: Deus acabará por remover qualquer barreira entre o Oriente e o Ocidente, para que toda a humanidade esteja envolvida nos juízos de Deus sobre este mundo – juízos que terão como centro a terra de Israel.
Há outro desenvolvimento, no entanto, que é muito mais sinistro e importante – o da ascensão militar da China. Durante séculos, a China geralmente ficou de fora da interação das potências mundiais e se contentou em buscar seus próprios fins. Foi reconhecida como uma das grandes potências do mundo por causa de sua grande população, mas até recentemente não participou amplamente dos assuntos mundiais. Tão recentemente quanto a Segunda Guerra Mundial, a China foi devastada por ataques do Japão. Nos anos seguintes a 1945, foi dividida pela guerra civil, que culminou na vitória dos comunistas em 1949, forçando o governo nacionalista de Chiang Kai-shek a ir para a ilha agora chamada Taiwan.
No entanto, nos últimos vinte anos, a China “atingiu a maioridade” e, há vários anos, deslocou o Japão para se tornar a maior potência econômica da Ásia atualmente. Como resultado de uma grande quantidade de mão-de-obra relativamente barata e de algumas reformas que favoreceram as empresas privadas, seus produtos agora são enviados ao redor do mundo em enormes navios porta-contêineres, resultando em um fluxo de caixa sem precedentes para o país. Mantendo seu status de grande potência mundial, a China iniciou um aumento notável nos gastos militares. No passado, a China geralmente contava com seu grande exército (ainda o maior do mundo numericamente), mas agora também começou a adquirir armas modernas. Embora seu orçamento de defesa seja inferior a 25% do dos EUA, ela tem aumentado esse orçamento em média 12% ao ano na última década. Como podemos esperar, tudo isso causou preocupação e até alarme entre alguns dos vizinhos da China. A China insiste que toda essa mobilização é defensiva, mas o resultado final pode ser uma corrida armamentista na Ásia, já que outros países tentam combater a ameaça aumentando seus gastos militares. Países como Japão, Austrália, Coréia do Sul e Índia estão agora gastando mais em defesa, com ênfase no poder marítimo. Apesar das afirmações da China de que suas intenções são pacíficas, existe a preocupação de que a direção adotada por um Estado autoritário possa mudar rápida e radicalmente. Isso, por sua vez, poderia fazer com que outros reagissem, pois o homem raramente desenvolveu um potencial militar que ele acabou não utilizando. Todas as nações asiáticas dentro da esfera de influência da China poderiam muito bem estar entre as referidas como “os reis que vem do nascente do Sol”.
Armagedom
Tudo isso está muito de acordo com o que lemos na Escritura sobre os propósitos de Deus. Está claro nas profecias que Ele reunirá o mundo inteiro para juízo. “E os congregaram no lugar que em hebreu se chama Armagedom” (Ap 16:16). A potência ocidental (o império romano reavivado), o rei do norte (provavelmente uma confederação de nações árabes, talvez apoiada pela Rússia) e a potência russa, todos têm seus lugares bem definidos na conflagração que ocorrerá no fim da tribulação. Mas o Oriente não será deixado de fora, pois todos serão reunidos no Armagedom. Embora a China possa ver seu aumento do poder militar como sendo necessário para proteger seus interesses econômicos e suas reivindicações de soberania, ela também deixou claro que está pronta para usar esse poder de forma mais agressiva, se necessário. Por exemplo, a economia em expansão da China gerou um rápido aumento em sua necessidade de petróleo. Se seu acesso ao petróleo estiver comprometido, ela poderá reagir com bastante força.
No entanto, o Senhor terá a palavra final. Ao vermos uma trindade profana se unir durante a tribulação, composta por Satanás, a besta romana e o anticristo (Ap 16:13-14), somos lembrados que o Senhor diz: “Eis que venho como ladrão” (Ap 16:15). “E a arrogância do homem será humilhada, e a sua altivez se abaterá, e só o SENHOR será exaltado naquele dia” (Is 2:17).
W. J. Prost
Moisés em Pisga
O brilho do Sol repousa sobre os montes da terra de Canaã,
Os vales férteis e os riachos borbulhantes e caudalosos,
Como quando Moisés se encontrava no alto solitário do Pisga,
Para contemplar a perspectiva de seus sonhos de peregrino.
Uma terra onde correm leite e mel em abundância,
Cujas muralhas se erguem imponentes até o céu,
Onde a mão imparcial de Deus oferece abundante fartura,
E, imersas em deliciosa riqueza, jazem vinhedos ensolarados!
Não percebida pela natureza, mas possuída pela fé,
Seu coração poderia abraçar a paisagem deslumbrante,
E enquanto permanece ali, com os olhos firmes e a força inabalável,
Ele pode vislumbrar a promessa de Deus e o propósito eterno.
O conflito e a liderança agora terminaram,
O fardo e o calor dos longos dias de peregrinação da vida;
E ele, com o espírito sereno e a fronte selada pela paz,
Conhece que a decepção se fundiu em glorioso louvor.
Não estamos em majestosas alturas, como Moisés,
Mas no vale, para contemplar nossa terra prometida –
Um vale de lágrimas, onde corre a poderosa torrente da morte,
Mas Cristo triunfou onde nenhum homem poderia permanecer.
Contemplar e olhar para Cristo trará
Rica frutificação ao coração de cada crente;
Nele, tesouros tão variados se agrupam e brotam,
Que a admiração concede uma parte cativa e disposta.
Então permaneça com Ele; prove sua porção celestial;
A comunhão com Ele revela todo o mistério;
Seu abraço de amor impede toda pressa desnecessária,
E, perdida n’Ele, ó minh’alma! Perde toda a identidade.
B. B.
“E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras”
Lucas 24:27




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