Elias (Maio de 2011)
- Revista O Cristão

- 15 de ago.
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ÍNDICE
F. G. Patterson (adaptado)
D. C. Buchanan
W. W. Fereday (adaptado)
W. Brockmeier
C. H. Mackintosh (adaptado)
D. C. Buchanan
C. P. H.
Elias

Elias foi um homem notável. O que você acha que o fez grande? Será que foram seus grandes feitos que o fez famoso aos olhos dos homens? Não, podemos encontrar a resposta no comentário de Tiago. “Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós, e orou com fervor” (AIBB). Aqui estava a fonte da comunhão interior com Deus. Não foram os grandes atos de serviço; mas sim os exercícios secretos do coração na dependência de Deus.
Deus o treinou em segredo para sua obra pública. Quando seu serviço exterior de poder o afastou de sua comunhão interior com Deus e ele fugiu do homem, então Deus, em graça, cuida dele e lhe dá treinamento adicional. Um homem nunca está mais perto do fracasso do que quando acabou de ir bem em algo! Elias teve que aprender em segredo que Deus pode viver sem ele, mas ele não pode viver sem Deus. E isso vale para você também!
Deus nunca abandona um homem! Ele repreende, castiga e treina, mas nunca o abandona. Mas primeiro ele deve aprender que o poder vem de Deus e que isso só opera na fraqueza.
Deus deu a este homem uma obra a fazer. Ele foge dela. A sós com Deus, ele deve responder à pergunta: “Que fazes aqui Elias?” Deus e a consciência de Elias devem se encontrar face a face. Uma lição deve ser aprendida. Por fim, a “voz mansa e delicada” é ouvida: “Vai, volta”. Que possamos aprender com Elias, o notável servo de Deus.
F. G. Patterson (adaptado)
A Vida e Ministério de Elias
A vida de Elias mostra claramente um homem de paixões iguais a nós mesmos, dando testemunho de Jeová. Há muito a aprender com ele à medida que avançamos na vida. Seu ministério era chamar Israel de volta a Jeová e à lei. Sua representação fiel de Deus provou a real condição de Israel. Seu testemunho da lei a eles e seu subsequente desencorajamento e partida da terra após sua rejeição revelaram que continuar com esse caráter de ministério só traria julgamento. Israel estava além do alcance para ser ajudado por esse ministério. João Batista teve um papel semelhante e acabou sendo decapitado. Considerar a vida de Elias dessa maneira nos permite ver os princípios nos quais Deus termina a dispensação da lei e introduz a dispensação da graça antes de julgar o mundo completamente. Para entender a graça corretamente, é necessário entender o fim da lei. É por isso que Eliseu precisava passar algum tempo com Elias. Eliseu trouxe para Israel o ministério da graça que seguiu o testemunho de Elias contra o mal deles.
Sem chuva
A primeira aparição de Elias diante do rei Acabe é um anúncio abrupto de que não haveria mais chuva a não ser por sua palavra. O objetivo era fazer com que Acabe “se voltasse” a Jeová, expressão que costumava ser usada por Elias. O Senhor então diz a Elias que vá e se esconda. Durante esse tempo, ele foi milagrosamente sustentado pelos corvos que o alimentam junto ao ribeiro de Querite. Esta foi uma testemunha de que Aquele que controla a chuva do céu também Se importa com os Seus, que passam pelos julgamentos governamentais de Deus. Ele até usou os pássaros imundos, agindo contra a própria natureza deles, para alimentar Seu profeta.
Quando o ribeiro secou, Elias foi enviado para ser cuidado pela viúva de Sarepta. O cuidado que cada um desses dois teve um pelo outro é um exemplo do relacionamento desejado de Deus com Seu povo. Deus quer prover ao Seu povo, mas eles devem estar dispostos a dar-Lhe o primeiro lugar. Isso estava faltando em Israel, mas Deus estava procurando por isso. Uma viúva no extremo de sua condição deu ao profeta o primeiro lugar quando ele solicitou. Ela estava no fim de todos os seus recursos, restando apenas uma refeição para ela e para o filho, mas estava disposta a compartilhar essa refeição com o profeta. Ele prometeu que a farinha não acabaria e o azeite não faltaria. Eles dependiam um do outro e isso os preservou durante o período de fome. Que testemunha da misericórdia e bondade de Deus, para alguém que Lhe daria Seu lugar!
O Senhor Jesus lembra os Judeus dessa história em Lucas 4:25‑26, e eles ficaram cheios de ira. A história testemunha que não havia em Israel ninguém que se importasse com o profeta de Deus. Se não havia ninguém em Israel disposto a cuidar de Elias, estava correto que ele fosse até uma viúva e até uma mulher gentia. O Senhor Jesus estava experimentando a mesma rejeição como Elias. O direito de Deus de estender a bênção a quem Ele escolhesse estava sendo estabelecido pelo Senhor. Isso deve ser entendido para podermos apreciar a graça corretamente.
O filho ressuscitado
Depois que Elias viveu com a viúva por algum tempo, seu filho morreu, e a viúva concluiu que ele estava trazendo à memória os pecados passados dela em juízo. Será que não havia outra alternativa senão o julgamento sob a lei de Deus? Elias não desejaria isso para a viúva. Ele tirou o filho do seio dela, o deitou em sua própria cama e orou ao Senhor. A resposta vinda do Senhor é ressurreição. Isso é mencionado em Hebreus 11:35: “As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos”. Havia esperança para aqueles que, em fé, dependiam de Deus no Velho Testamento. Essa esperança de ressurreição é a recompensa final de todos os fiéis, como afirmado no final de Hebreus 11: “E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados” (vs. 39-40). Elias fez mais do que testemunhar contra o pecado, pois ele ressuscitou o filho da viúva. A viúva reconheceu que Elias era realmente “um homem de Deus” e que a palavra do Senhor em sua boca era verdadeira. Ela foi abençoada por ter o profeta em sua casa. Sua fé, embora provada pelas circunstâncias, cresceu por meio da sua associação com o profeta. Acabe, em contraste com isso, acusou Elias de ser o perturbador de Israel no episódio seguinte.
Acabe e os profetas de Baal
No terceiro ano de fome, o Senhor enviou Elias para se encontrar com Acabe. Estava na hora de demonstrar que Jeová era o verdadeiro Deus. Desde o início, Jeová foi Quem escolheu abençoar Israel. A chuva não chegaria até que Jeová fosse reconhecido. Elias orou para que não chovesse, e somente ele, o profeta de Deus, poderia fazer chover novamente. A idolatria em Israel foi o obstáculo. Foi necessário um confronto entre os profetas de Baal e Jeová, e o julgamento deveria recair sobre os falsos profetas. Elias faz isso sozinho, enquanto havia 450 profetas de Baal. O teste foi: quem poderia fazer com que o fogo do julgamento queimasse o sacrifício? Os profetas de Baal invocaram o deus deles, mas não houve resposta. Elias restaurou o altar de Jeová feito de doze pedras. Depois que o sacrifício foi colocado na lenha sobre o altar, ele ordenou que fosse enchido com quatro cântaros de água. Isso foi repetido três vezes, até que o rego ao redor do altar estivesse cheio de água. A água era algo escasso naqueles dias, mas Jeová deve ter a primeira parte disso também. Colocar água na lenha e sacrificar só tornaria mais difícil para qualquer homem iniciar o fogo, mas para Deus isso não era obstáculo. A única maneira de a bênção da chuva cair sobre Israel era por Seu juízo de fogo cair sobre um sacrifício. O sacrifício de Elias prefigurou Cristo, e foi aceitável a Deus. Quando o povo viu o fogo consumir tudo, caíram todos com o rosto em terra e disseram: “Só o SENHOR é Deus!” Então Elias ordenou que todos os profetas de Baal fossem tomados, e ele os matou ali.
Era hora de orar pela chuva. Elias subiu ao monte Carmelo para orar. Ele orou enquanto o servo subia sete vezes para ver se havia alguma nuvem no céu. Por fim, havia uma pequena nuvem como a mão de um homem. A chuva chegou em abundância. É interessante comparar a história contada por Elias com a de Tiago no Novo Testamento. Do ponto de vista de Elias, ele teve que orar mais insistentemente para fazer chover do que para que a chuva não viesse, enquanto no Novo Testamento é o contrário: Ele “orou com fervor para que não chovesse, e por três anos e seis meses não choveu sobre a Terra. E orou outra vez e o céu deu chuva” (AIBB). Esta é a perspectiva de Deus de dar chuva.
Elias foge por sua vida
Quando Jezabel ouviu o que Elias fez aos profetas de Baal, ela ameaçou matá-lo. Antes, o Senhor havia dito a Elias que se escondesse, mas desta vez ele se escondeu sem instruções de Deus. Por um lado, podemos dizer que faltou fé a ele, mas por outro lado, se ele era o único fiel, havia boas razões para continuar seu tipo de ministério? Se a nação não se arrependesse, o que ele deveria fazer? Qual seria o próximo passo? Elias voltou ao local em que a lei foi dada para obter a resposta. A jornada foi longa, mas o Senhor foi misericordioso com Elias e enviou um anjo para alimentá-lo duas vezes. Na força desse alimento, ele caminhou quarenta dias para Horebe, o monte de Deus. Lá, ele derramou seu coração a Deus. Quando perguntado por que ele estava lá, “ele disse: Tenho sido muito zeloso pelo SENHOR Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a Tua aliança, derrubaram os Teus altares, e mataram os Teus profetas à espada, e só eu fiquei, e buscam a minha vida para ma tirarem” (1 Rs 19:10).
A voz mansa e delicada
A resposta de Deus foi fazer passar três grandes juízos diante de Elias: o vento, o terremoto e o fogo. Em nenhum deles Elias encontrou o Senhor. Tais coisas são apenas preparatórias para o que Deus quer fazer. Deus não Se deleita no juízo. Tais coisas são necessárias para preparar os homens para Deus, mas Ele não é encontrado nelas. Na voz mansa e delicada era onde Deus deveria ser encontrado, e Elias envolveu o rosto em sua capa quando a ouviu. Seu testemunho contra o mal em Israel por grandes demonstrações de poder não deveria ser o julgamento final; era um meio para um fim, um fim de bênção. Elias precisava conhecer a Deus, não simplesmente Seus juízos. Lembramos alguns versículos que ilustram esse princípio no Novo Testamento: “Pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm 3:20). Além disso, “a fim de que pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno” (Rm 7:13). Há coisas a serem aprendidas com a lei, embora ela não dê vida.
Havia mais a ser feito por Israel antes que Deus os julgasse completamente, removendo-os da terra. Então o Senhor perguntou a Elias pela segunda vez: “Que fazes aqui Elias?” Elias deu a mesma resposta, o que parece significar que, para ele, não havia utilidade fazer coisa alguma mais por Israel. Mas Deus não terminou de tratar com Israel. Se Elias não continuasse como testemunha de Deus para Israel, Deus o faria ungir outros para o trabalho. Ele deveria ungir Hazael para ser rei sobre a Síria, Jeú para ser rei sobre Israel e Eliseu para ser profeta em seu lugar. Hazael era quem iria lidar severamente com o povo de Israel; Jeú julgaria a casa de Acabe e os profetas de Baal. Eliseu se tornou o ministro da graça para aqueles que reconheciam sua condição de ruína, que era exatamente o que Elias havia concluído que era. A porta estava aberta para um tipo completamente novo de ministério, cheio de graça. Elias não tinha pensado em tal plano; somente Deus poderia ter um coração assim em relação a Israel. Isso exigia outro servo de caráter diferente de Elias. É bom notar que dos três que Elias foi instruído a ungir, ele ungiu apenas o último – Eliseu. Sem dúvida, era de Deus que os outros fossem ungidos mais tarde por Eliseu.
Nos é dito no Novo Testamento que Elias fez intercessão a Deus contra Israel; essa foi a razão de seu ministério ter sido encerrado. Ele não fez diferença entre Acabe e todo o Israel. Agora, depois de ouvir a voz mansa e sabendo que ainda havia sete mil que não se curvaram a Baal, ele teve boas razões para voltar à terra de Israel; não era hora de condenar todos eles. O resto de sua vida foi ocupado com o julgamento de Acabe e a preparação de Eliseu para seu ministério. Eliseu cumpriu a comissão de ungir Jeú como rei de Israel e Hazael, rei da Síria, mas não antes de ele cumprir seu ministério da graça. Foi uma missão difícil para Eliseu ungir o rei Hazael sobre a Síria. Eliseu chorou por Israel, sabendo o terrível julgamento que Hazael executaria sobre eles (2 Rs 8:12). Julgamentos que caem depois que a graça foi desprezada são os piores julgamentos.
D. C. Buchanan
E Eu Fiquei Só
Não indica uma condição muito boa da alma quando Elias fez sua petulante queixa contra Israel, assim: “Tenho sido muito zeloso pelo SENHOR Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a Tua aliança, derrubaram os Teus altares, e mataram os Teus profetas à espada, e só eu fiquei, e buscam a minha vida para ma tirarem” (1 Rs 19:10).
O fator indispensável
De maneira geral, Elias nos fornece um bom exemplo de testemunho fiel de Deus em um dia mau. Em meio à apostasia generalizada, ele se destacou com ousadia por Jeová, pouco se importando se era apoiado por muitos ou por poucos. Ninguém questionaria se ele tinha realmente zelo da honra de Jeová e que ele havia tentado com determinação defendê-la diante de toda oposição. Mas, no momento em que apresentou sua reclamação em Horebe, ele se tornou indevidamente ocupado consigo mesmo e com seu testemunho, e passou a se considerar o único eixo em torno do qual tudo girava. Por um momento, Deus havia sido deslocado por Elias na visão de sua alma. Elias parecia ser o grande fator indispensável e sua vida estava em perigo; o que seria do testemunho então? Em sua opinião, parecia que todo o verdadeiro testemunho de Deus havia chegado ao fim em Israel e que Satanás havia se tornado o senhor absoluto da situação.
Quão dolorosamente afirmativo de si mesmo é esse nosso pobre coração! Nem mesmo os melhores e mais verdadeiros servos de Deus estão imunes a essa armadilha. É verdade que Ele pode sustentar um homem solitário e torná-lo um poder de testemunho em um cenário tenebroso, mas que a testemunha não se considere indispensável ou o resultado imediato será o desastre. As comunidades são tão propensas a cair nesse erro quanto às testemunhas individuais. Se uma comunidade de santos, sejam poucos ou muitos, procurar diligentemente recuperar, para o uso prático, os princípios da verdade que haviam sido deixados de lado, seu zelo e obediência, sem dúvida, se converterão em um testemunho, e Deus estará com eles para abençoar e sustentar. Mas se eles se ocuparem consigo mesmos como testemunhas e seu testemunho para com os outros se torne mais importante aos seus olhos do que sua própria condição espiritual, Deus não os apoiará mais, mas os entregará ao desastre e à vergonha. Acaso a verdade disso não foi dolorosamente evidente em muitos de nós?
Intercessão contra Israel
A ocupação de Elias consigo mesmo o levou a nutrir sentimentos altamente impróprios em relação ao extraviado povo de Deus ao seu redor. “Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como fala a Deus contra Israel” (Rm 11:2). Intercessão contra Israel! Falando bem de si mesmo e mal do povo de Deus! Seria essa a verdadeira posição de uma testemunha de Deus? Ao falar assim, estaria ele expressando fielmente os sentimentos daquele coração que suporta longamente Seu povo e que, apesar de toda a sua teimosia e pecados, nunca os abandona? Moisés falou de maneira muito diferente; é muito reconfortante ouvir sua comovente intercessão a Deus por Israel após a adoração ao bezerro de ouro (Êx 32-33). Embora sentisse fortemente a afronta a Jeová, ainda assim, em Sua presença, nenhuma palavra de reprovação escapou de seus lábios a respeito deles. Pelo contrário, ele insistiu em lembrar a Jeová que eles eram Seu povo, apesar do pecado grave, e que a honra de Seu grande nome estava ligada às bênçãos deles. Em vez de serem destruídos, ele preferiria que Deus o riscasse do livro que havia escrito.
Observemos bem esse princípio, pois é muito necessário nos dias de hoje. O ensoberbecimento, ocupação com nossa própria fidelidade em testemunho, gera sentimentos de censura em nosso coração para com o povo de Deus ao nosso redor e nos coloca completamente fora do lugar de intercessão com Deus em favor deles. Não devemos nos surpreender se nossos ares impróprios extraírem dos outros a observação sarcástica: “Na verdade, vós sois o povo, e convosco morrerá a sabedoria” (Jó 12:2).
A comissão de Elias
No caso de Elias, sua queixa teve resultados bastante diferentes dos que ele previa. Podemos passar neste momento as lições ensinadas pelo vento, pelo terremoto, pelo fogo e pela voz mansa e delicada, e nos debruçarmos um pouco nas próprias palavras de Jeová. “E o SENHOR lhe disse: Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco; e, chegando lá, unge a Hazael rei sobre a Síria. Também a Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei de Israel; e também a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar. E há de ser que o que escapar da espada de Hazael, matá-lo-á Jeú; e o que escapar da espada de Jeú, matá-lo-á Eliseu. Também deixei ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda a boca que não o beijou” (1 Rs 19:15-18). Ele desejou que o povo de Deus fosse castigado por seus pecados? Ele mesmo deve ungir os executores do julgamento de Deus – trabalho doloroso certamente para quem realmente amava o povo. Ele se considerava indispensável como testemunha? Então ele deve ir e ungir seu sucessor – Eliseu, filho de Safate. Ele se considerava o único homem fiel que restou na terra? Então ele deve aprender seu erro no anúncio surpreendente de que Jeová ainda tinha sete mil corações leais entre as tribos de Israel.
Ocupação com nosso testemunho
Essas são lições sérias; felizes seremos se as aprendermos a fundo. Exaltar nossa própria importância no testemunho nos fará ser totalmente deixados de lado como testemunhas, para que outros possam tomar o nosso lugar. Isso não tem acontecido, para nossa profunda tristeza? Alguns de nós não estão acostumado a ouvir frases como: “Estamos no lugar do testemunho; nós somos Filadélfia, e quase todo o resto é Laodicéia”? O resultado doloroso é que, quando olhamos ao redor em busca da operação especial do Espírito de Deus, não a observamos entre aqueles que falam assim com aprovação de si mesmos, mas entre outros que possuem muito menos luz espiritual e conhecimento da letra da Palavra de Deus. Esse é o resultado inevitável de permitirmos deslocar Deus em nossa mente e coração. “Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor. Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, mas, sim, aquele a quem o Senhor louva” (2 Co 10:17-18).
Que consolo, mesmo na hora mais tenebrosa, Deus tem esses sete mil de coração fiel! Se eles não se manifestam com tanta ousadia na separação pública do mal como desejaríamos, ainda assim é um gozo para nós saber que eles suspiram e gemem pelos pecados do tempo presente, e procuram manter suas afeições corretas em relação ao Senhor deles e nosso. “Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram suas vestes, e Comigo andarão de branco; porquanto são dignas disso” (Ap 3:4).
W. W. Fereday (adaptado)
A Restauração de Elias
“Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como fala a Deus contra Israel, dizendo: Senhor, mataram os Teus profetas, e derribaram os Teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma? Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para Mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos a Baal” (Rm 11:2-4).
Apesar da coragem, dedicação e fidelidade de Elias durante um período difícil na história de Israel, seu nome não aparece em Hebreus 11, esse grande capítulo que identifica muitos cujos nomes são colocados no registro eterno como exemplos daqueles que viveram pela fé.
Mas o nome de Elias aparece em Romanos 11 em um contexto muito diferente – não como um exemplo de quem viveu pela fé, mas como aquele que, em um momento de fraqueza, intercedeu contra o povo de Deus.
Uma palavra de advertência
Ao considerarmos as circunstâncias difíceis em que Elias se encontrava e reconhecendo nossas próprias vulnerabilidades, dificilmente podemos culpar Elias pelas palavras que ele, indignado, proferiu em particular ao Senhor. Mas o Senhor, que foi o Único a ouvi-las, conhece e pesa todas as coisas e as registrou para nossa instrução. Esse incidente – semelhante à ocasião em que Moisés, no final da jornada no deserto, provocado pelas constantes queixas de Israel, falou com irritação em seus lábios (Sl 106:32-33) – nos serve como um sério aviso para não atacarmos com a nossa língua aos nossos irmãos, sendo contra eles, ainda que os seus caminhos sejam ofensivos. O Senhor tratou firmemente com cada um de Seus servos honrados por causa de sua resposta errada a uma condição errada entre o povo de Deus.
Considerando a singularidade de uma referência no Novo Testamento ao fracasso de um santo do Velho Testamento, alguns observaram que imediatamente após a reclamação de Elias, o Senhor instruiu Elias a ungir Eliseu como seu substituto (1 Rs 19:14-16), enfatizando assim a seriedade do que Elias havia dito. Embora reconheçamos que isso seja assim, os incidentes subsequentes registrados na Escritura nos impedem de concluir que o serviço de Elias foi completamente encerrado naquele momento.
É na história subsequente de Elias que testemunhamos a restauração do coração de um dos servos mais honrados do Senhor.
A ordem dos eventos
Antes de identificarmos os pontos que mostram claramente a restauração de Elias, talvez seja bom observar a ordem dos eventos que levaram Elias a registrar seu descontentamento ao Senhor com relação ao Seu povo.
Elias, cujo nome significa “Jeová é meu Deus”, foi chamado por Deus para chamar Israel a abandonar a adoração a Baal e se voltar a Jeová. No Monte Carmelo, parecia que o povo havia realmente reconhecido a Jeová como o único Deus verdadeiro (1 Rs 18:39).
Mas, naquele momento, Jezabel ameaçou sua vida, e Elias, que havia demonstrado uma coragem tão notável até aquele momento, corre para salvar sua vida. Tal é o homem!
Em seu desânimo, Elias pediu ao Senhor para tirar sua vida, mesmo que a razão pela qual ele havia fugido fosse preservar sua vida. Quão inconsistentes podemos nos tornar quando motivados pelo medo e pela incredulidade! No entanto, o Senhor graciosamente ministrou a Seu servo abatido, e ele seguiu na força dessa provisão por quarenta dias. Então, em uma caverna, sem dúvida simbólica de sua tristeza e depressão, ele proferiu sua avaliação da situação sombria. O Senhor chamou Elias a que se apresentasse diante d’Ele no monte, enquanto mostrava a Elias que Ele não estava no vento, fogo ou terremoto, mas Sua mente e Seus movimentos eram apenas para serem entendidos por Seu servo ao ouvir “uma voz mansa e delicada”.
Assim como nós, Elias não se apossou daquilo que o Senhor estava trazendo silenciosamente diante dele, e ele repete sua queixa anterior, literalmente, como se o Senhor não o tivesse ouvido pela primeira vez. A pronta resposta de Elias ao Senhor nos leva a pensar que ele talvez tivesse ensaiado essa ideia em sua mente com tanta frequência que, como resultado, ela fluía automaticamente.
A palavra para retornar
É neste momento que o Senhor instrui a Elias: “Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco; e, chegando lá, unge a Hazael rei sobre a Síria. Também a Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei de Israel; e também a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar. E há de ser que o que escapar da espada de Hazael, matá-lo-á Jeú; e o que escapar da espada de Jeú, matá-lo-á Eliseu” (1 Rs 19:15-17). A essência da direção do Senhor para Elias era: “Se você quer que Eu providencialmente trate com o Meu povo de acordo com seus caminhos, você deve iniciar o processo colocando oficialmente aqueles que realizarão esse trabalho”.
A primeira indicação da restauração de Elias não está nas palavras, mas na ação. O Senhor disse-lhe para ungir Hazael para ser rei da Síria. Ali estava alguém que traria a espada contra Israel sem remorso. Mas não há registro de que Elias tenha ungido Hazael. Muito tempo depois, Eliseu, com lágrimas, disse a Hazael que ele seria rei, posição que ele garantiu para si mesmo por traição e brutalidade. Elias também não ungiu Jeú para ser rei sobre Israel, mesmo que ele, ao contrário de Hazael, não estivesse entre os inimigos de Israel. Por fim, foi um dos filhos dos profetas que, sob a direção de Eliseu, ungiu Jeú para ser rei.
O chamado de Eliseu
Em contraste com Hazael e Jeú, Elias, sem hesitação ou reserva, imediatamente encontra Eliseu e joga sua capa sobre ele. Quão muito maior é esse ato de identificação pessoal com Eliseu do que uma unção formal! Embora o Senhor tenha ordenado a Elias que ungisse esses três homens para que eles trouxessem juízo sobre Israel, parece igualmente claro que Elias, em sua resposta, possuía inteligência espiritual e afeto pelo povo de Deus. Ele se recusou a ungir aqueles que matariam o povo de Deus, mesmo que ele próprio tivesse se queixado deles. E enquanto o Senhor tivesse falado de Eliseu matando os que escapassem da espada de Jeú, seu ministério seria o ministério da graça, e era disso que Israel precisava.
O ministério de justiça de Elias, procurando levar o povo ao arrependimento sob a lei, era tão necessário quanto o de João Batista, como precursor do Messias, mas nunca poderia trazer Israel para a bênção. Precisa ser apenas pela graça.
Comunhão em serviço
Há também uma bela ilustração de desprendimento nesta cena. Será que estamos tão prontos quanto Elias para ceder lugar a outro servo do Senhor, mesmo que isso signifique que devemos, por assim dizer, “sermos colocados de lado”? Eliseu não poderia ter recebido uma expressão mais calorosa ou mais completa de comunhão do homem cujo lugar ele tomou. Essa cena desses dois nobres corações é verdadeiramente notável, e sua comunhão continuou até o dia em que Elias foi levado ao alto, com Eliseu observando com reverente atenção. O Senhor falou de sete mil que não haviam dobrado os joelhos a Baal. Eliseu era um. Nos capítulos seguintes, lemos sobre outros: um dos filhos dos profetas, Micaías e Nabote. A obra de Deus continuaria com ou sem Elias.
A testemunha contra o rei Acabe
No entanto, Deus ainda tinha um trabalho importante que somente Elias poderia fazer. A ganância e selvageria de Acabe na execução de Nabote foi um crime contra um dos servos de Deus que Ele não deixaria passar.
Às vezes, reconhecemos que há situações em que algo precisa ser dito, mas ninguém parece preparado para dizê-lo. Assim foi aqui. Quem poderia abordar, muito menos repreender, o rei de Israel? Seria necessário um peso moral, coragem, integridade e fidelidade para transmitir a mensagem.
Elias, aparentemente separado de seu papel público, é chamado diretamente por Deus para entregar uma mensagem solene a Acabe face a face.
Acabe e Elias já haviam se encontrado logo no início do ministério de Elias. Acabe certamente não tinha esquecido aquele que havia retido a chuva de Israel por três anos, e ele não perdeu tempo em cumprimentá-lo, “Já me achaste, inimigo meu?” Elias não parou para corrigir o pensamento de Acabe. Ele simplesmente respondeu como alguém que dominava a situação: “Achei-te” (1 Rs 21:20).
A palavra profética de Elias para Acabe resultou no que consideraríamos virtualmente impossível – que o orgulhoso e perverso Acabe se humilhasse. Tal era o poder da palavra de um homem quebrantado que, sem ressentimento, aceitou a disciplina de Deus e se rendeu à disposição de Deus, por mais que Deus quisesse usá-lo.
O julgamento de Acazias
Mas o trabalho de Elias ainda não estava terminado. Acazias, rei de Israel, sofreu uma queda grave e ficou doente. Em vez de se voltar para o Deus de Israel, Acazias se voltou para Baal-Zebube, o deus de Ecrom, uma cidade dos filisteus. Elias foi enviado pelo Senhor para encontrar a delegação de Acazias e dar a notícia de que Acazias morreria. Sua ordem a Elias foi confrontada duas vezes na ousadia e poder característicos de Elias, chamando fogo do céu, um relato que os discípulos do Senhor se lembraram bem, imaginando se deveriam usar a resposta de Elias como precedente para chamar fogo aos samaritanos (Lc 9:54), quando um capitão dos terceiros cinquenta clamou misericórdia, “Homem de Deus, seja, peço-te, preciosa aos teus olhos a minha vida, e a vida destes cinquenta teus servos”, o Senhor redirecionou Elias para ir com ele encontrar o rei.
Estes três incidentes mostram Elias em seu melhor momento – aquele que imediatamente se submeteu à disciplina do Senhor, que, quando o chegou o momento decisivo, não levantaria a mão contra o povo de Deus, que, liberto de qualquer esperança de que seu ministério resultasse na restauração de Israel, foi capaz de transmitir a mensagem de juízo de Deus com ousadia e firmeza diretamente a reis, e de agir conforme as exigências da lei que ele, em seu ministério, era chamado a exigir.
Elias como pessoa
Talvez deva ser esclarecido que é importante distinguir entre Elias pessoalmente e Elias em figura, assim como com outros servos do Senhor, como Moisés, Salomão e Jonas.
Ao considerarmos Elias pessoalmente, nos maravilhamos com a graça de Deus para com Seu servo (que duas vezes rogou ao Senhor para que lhe tirasse a vida), em que Ele o tomou em um redemoinho, acompanhado por carros de fogo, figuras adequadas do ministério de Elias e um reconhecimento apropriado para alguém que serviu ao Senhor tão fielmente. Os propósitos de Deus excederam não apenas os desejos patéticos de Elias nas profundezas do desespero e da autopiedade, mas além do que ele podia conceber – ser “recebido em glória” e ser associado ao Senhor Jesus no monte quando Ele foi transfigurado diante de Seus discípulos (Lc 9:30), a amostra do reino vindouro para o qual o ministério de Elias, por fim, preparará o povo de Deus (Malaquias 4:5‑6).
W. Brockmeier
Trasladação de Elias
A jornada de Elias antes de sua transladação para a glória é algo muito interessante, a partir de Gilgal. Parece que este Gilgal, do qual Eliseu foi com Elias, não era o Gilgal nas margens baixas do Jordão, perto de Jericó. A partir daquele Gilgal, não era possível que eles tivessem ido para Betel. Mas se olharmos para o Gilgal colocado no mapa a cerca de 16 quilômetros de Samaria, perto de Siquém, contra o Mar Ocidental ou Mediterrâneo, então este Gilgal estaria bem no caminho de Betel. Isso concorda com a referência de Moisés a “Gilgal, junto aos carvalhais de Moré” (Dt 11:30), e também a referência de Josué ao “rei de Goiim em Gilgal” (Js 12:23). Este Gilgal era evidentemente uma cidade real nos altos das montanhas de Canaã, e é quase uma linha reta desde o Gilgal dos altos de Canaã até Betel, Jericó e Jordânia. Assim, a descida de Elias foi dos altos de Canaã até as profundezas do Jordão. Então não vemos aqui uma figura do caminho do Senhor Jesus? Os altos do Gilgal real nos lembram aquelas alturas de glória que Ele tinha com o Pai antes que o mundo existisse. Em figura, Elias também deve passar pelo próprio Jordão da morte.
A descida para o Jordão
O primeiro passo na descida de Elias foi de Gilgal a Betel. Como Filho encarnado, o Senhor Jesus foi enviado a Betel, a casa de Deus, às ovelhas perdidas da casa de Israel. E assim como Eliseu, aquele que foi chamado, se apegou a Elias, enquanto os filhos dos profetas de Betel tinham apenas conhecimento e palavras, assim, no meio a um Israel rejeitador, Jesus poderia dizer: “Todo o que o Pai Me dá virá a Mim; e o que vem a Mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (Jo 6:37). Muito bonitas foram as palavras de Eliseu: “Vive o SENHOR, e vive a tua alma, que não te deixarei” (2 Rs 2:2).
Isso nos leva a uma descida adicional de Elias. “E Elias lhe disse: Eliseu, fica-te aqui, porque o SENHOR me enviou a Jericó” (2 Rs 2:4). Se Betel era a casa de Deus, Jericó era o lugar da maldição. Jesus não apenas desceu a Israel como seu Messias, mas também desceu ao homem em seu estado perdido e culpado. Oh, que maravilha, Deus ter amado tanto um mundo sob a terrível maldição do pecado. Que Jericó!
Mas o Santo deve descer ainda mais baixo. Assim, temos em uma figura: “E Elias disse: Fica-te aqui, porque o SENHOR me enviou ao Jordão” (2 Rs 2:6). Assim, Elias (cujo nome significa “Meu Deus é o Senhor”) desce de Gilgal nas alturas de Canaã, a Betel, a Jericó, ao Jordão. Em figura, ele deve passar pela morte, antes de ser o homem que subiu ao céu. Quão surpreendentemente isso ilustra o caminho de descida do Filho de Deus! Não somente Ele Se tornou o Homem encarnado, e, como tal, Se apresentou a Israel e ao homem sob a maldição, mas Ele deve descer às profundezas da morte antes que pudesse subir à glória e ser o Cabeça de uma nova raça.
A morte de Jesus
Elias foi enviado sozinho, embora Eliseu fosse com ele. Existem também dois aspectos distintos da morte de Jesus. No primeiro, como Substituto expiatório de Deus, Ele estava absolutamente sozinho. Em outro aspecto, como Cabeça da nova criação, nós somos considerados como havendo morrido com Ele. Este também é o significado do batismo Cristão, como todo crente o entendeu no início. “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na Sua morte?” (Rm 6:3). Há instruções importantes nesse aspecto da morte de Cristo, no contraste entre os cinquenta filhos dos profetas que se levantaram para ver de longe e Eliseu que desceu e passou com Elias. Uma coisa é crer que Jesus morreu por nossos pecados, de acordo com a Escritura, e outra coisa é aceitar esse lugar da morte com Ele. Quantos foram batizados, que nunca entenderam seu significado! Quantos estão distantes para ver, como os cinquenta filhos dos profetas! Quão poucos aceitam o lugar de morte com Cristo!
Associação com Sua morte
Assim como Elias tomou o seu manto e feriu as águas, e elas se dividiram para um lado e para o outro, de modo que ambos passaram em seco, assim também o Senhor Jesus, o Justo, pôde passar pela morte. Ele, na justiça divina, poderia suportar o justo julgamento de Deus por nós. Assim, em justiça, passamos n’Ele da velha criação para a nova. “Sucedeu que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim” (2 Rs 2:9). Elias não falou assim aos filhos dos profetas que estavam de longe, mas àquele que desceu ao Jordão e passou com ele. Se tivermos passado pela morte com Jesus, nenhum pedido que fizermos será grande demais. Eliseu pediu uma coisa difícil, mas nos lembra as palavras de Jesus: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em Mim também fará as obras que Eu faço, e as fará maiores do que estas, porque Eu vou para Meu Pai” (Jo 14:12). Essa foi uma promessa maravilhosa.
Vendo o homem que foi elevado
Elias percebeu que o pedido de Eliseu era algo difícil e imediatamente estabeleceu uma condição importante. Ele diz: “Se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará, porém, se não, não se fará” (2 Rs 2:10). Ele não diz: Se você me viu na minha vida passada, ou se me viu descer das alturas de Canaã até Betel, depois a Jericó, até as profundezas do Jordão. Tudo isso Eliseu viu. E, certamente, é da maior importância vermos o caminho do Senhor Jesus desde o mais alto trono de glória até as mais baixas profundezas da morte no Jordão. No entanto, se for só isso, a fé é vã: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” (1 Co 15:17). Para Eliseu, a resposta ao pedido da fé dependia dessa única coisa: ver o homem ascendido que havia passado antes pelo Jordão. Eliseu realmente o viu subir com um carro de fogo e obteve a porção dupla.
C. H. Mackintosh (adaptado)
Elias e Eliseu
Depois de voltar de Horebe, a primeira coisa que Elias fez foi encontrar Eliseu e lançar sua capa sobre ele. Ao fazer isso, Elias pode ter ficado feliz em saber que um servo mais jovem estava sendo preparado pelo Senhor. Este caso de um profeta dando sua capa a outro é único; os dois profetas juntos nos dão uma visão do vínculo existente nos caminhos de Deus entre lei e graça.
Eliseu estava arando com a última das doze juntas de bois. Ele estava corretamente ocupado com a herança dada por Deus. Ele parecia entender que ter a capa lançada sobre ele era um chamado para deixar sua ocupação e família para servir ao Senhor, pois imediatamente pediu permissão para beijar seu pai e mãe. Elias disse-lhe: “Vai, e volta; pois, que te fiz eu?” Elias não era o autor desta chamada para o serviço; somente o Senhor poderia fazer isso. Eliseu deve ouvir o chamado do Senhor. A capa era um sinal do chamado. Esse ato não foi apenas um profeta passando sua obra para outro. Quando Eliseu voltou, ele fez isso para sacrificar os bois e queimar os instrumentos. Então ele deu as carnes ao povo. Ele deu a Deus sua parte e ao povo e não guardou nada para si. Ele contou o custo e se tornou um verdadeiro discípulo, ministrando a Elias. Lições importantes deveriam ser aprendidas com o servo mais velho que pregava a justiça pela lei. Em Gálatas 3:24 (JND), Paulo disse: “A lei tem sido nosso tutor até Cristo, para que sejamos justificados no princípio de fé”. Eliseu estava aprendendo esse princípio para estar mais bem capacitado a ministrar graça posteriormente.
A vinha de Nabote (1 Rs 21:17‑29)
Elias aparece apenas mais duas vezes nas Escrituras antes de ser levado para o céu. Nos dois casos, ele pronunciou julgamento, mas também mostrou misericórdia quando a humildade foi mostrada. Isso foi uma mudança no comportamento dele; ele havia aprendido algo com a voz mansa e delicada. A primeira vez que ele aparece é para pronunciar um julgamento sobre o rei Acabe por matar Nabote e tomar posse da vinha que pertencia a ele. Jezabel acusou falsamente Nabote e fez com que fosse apedrejado. Este foi um grande pecado contra um vizinho. Nabote valorizava a vinha como a herança que seus pais haviam recebido do Senhor e não a venderia como Esaú fez com sua primogenitura. Não era apenas mais um terreno conveniente para vender ou negociar. Deveria ser preservado na família até que o Messias chegasse. As posses dos israelitas eram terrenais; as nossas são celestiais. Que não vendamos nossas bênçãos celestiais. Se não andarmos no bem delas, estaremos em perigo de eventualmente desistir delas completamente. Esse é o tipo de tentação sutil que enfrentamos hoje.
Na ressurreição, Nabote será capaz de reinar sobre o que ele considerava precioso para si até a morte; Acabe não.
Rei Acazias e seus capitães de cinquenta (2 Reis 1)
A próxima e última aparição de Elias antes de sua transladação foi para o rei Acazias, filho de Acabe, depois que ele enviou para consultar Baal-Zebube sobre sua saúde. Este foi um pecado contra Jeová, o Deus de Israel, e trouxe juízo sobre ele. Elias disse aos mensageiros do rei: “Porventura não há Deus em Israel, para irdes consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom?” (2 Rs 1:3). Depois de ouvir isso, Acazias enviou soldados para prender Elias. Mas Elias lhes disse: “Se eu sou homem de Deus, desça fogo do céu, e te consuma a ti e aos teus cinquenta”. Isso aconteceu por duas vezes, e dois capitães, cada um com seus cinquenta homens, foram consumidos pelo fogo que Elias invocou do céu. Foi um exemplo dramático de Deus e de Seu poder. Eliseu pode muito bem ter testemunhado isso e estava familiarizado com o poder de Deus. O ministério da graça que Eliseu iria anunciar não negligencia as santas reivindicações de Deus, ao dispensar bênçãos. Isso é estabelecido no livro de Romanos.
O terceiro capitão chegou a Elias em humildade, implorando por sua vida e pela de seus homens. “Homem de Deus, seja, peço-te, preciosa aos teus olhos a minha vida, e a vida destes cinquenta teus servos” (v. 13). Elias percebeu que era hora de mostrar misericórdia e poupar sua vida. Ele foi com o capitão ver o rei. Humildade é o melhor sinal de arrependimento. Esses homens sobreviveram e poderiam participar do ministério da graça de Eliseu. O rei não teve misericórdia e morreu de acordo com a palavra de Elias.
Descida de Elias ao Jordão
A partida de Elias de Israel envolveu uma jornada de deixar para trás o lugar alto de Gilgal e descer o rio Jordão. Ao longo do caminho, Eliseu foi testado três vezes – em Gilgal, em Betel e em Jericó – para ver se ele deixaria seu mestre. Esta é uma figura do Senhor Jesus deixando Israel, o lugar das bênçãos terrenais, descendo à morte e depois subindo por meio da ressurreição ao céu. As três cidades representam as diferentes características das bênçãos terrenais que devem ser deixadas para trás para entrar no bem das coisas celestiais. Eliseu seguiu com Elias por todo o caminho até o outro lado do Jordão. Os outros profetas sabiam sobre o evento que aconteceria, mas não andaram com Elias quando ele saiu. O Senhor Jesus ensinou claramente a Seus discípulos a necessidade de deixar tudo e segui-Lo (Lc 14:26‑27, 33). A bênção celestial não pode ser desfrutada sem fazer isso.
O milagre que Elias realizou ao ferir a água com sua capa é uma demonstração de que Deus, que secou o rio para Josué ao entrar na terra, estava agora tirando Seu pregador da justiça pela lei como meio de bênção. “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10:4). Tentativas de misturar lei e graça são uma falha em ver esse princípio.
Elias é levado ao céu
A ascensão de Elias ao céu depois de ser rejeitado por Israel é uma figura do Senhor Jesus sendo recebido no céu. Elias era o representante de Deus para mostrar quando era hora de terminar a pregação da justiça pela lei. Agora havia chegado a hora e Deus iria removê-lo, mas restava ainda uma coisa. Elias ficou muito triste com todo o mal em Israel; agora ele deseja abençoar o servo que o seguiria em sua rejeição. Ele tinha a mente de Deus, pois Deus não traria Sua reserva de bênçãos àqueles que seguiam Seu servo. Sob essa circunstância, ele deu a Eliseu oportunidade sem restrições. “Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim” (2 Rs 2:9). Elias disse que foi uma coisa dura que ele pediu. Nós pouco percebemos o quanto custou ao Senhor nos dar nossas bênçãos. No entanto, Elias diz: “Se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará, porém, se não, não se fará” (2 Rs 2:10). O ponto principal foi Eliseu ver Elias quando ele foi levado. Este é o ponto chave para nós hoje, ver pela fé que o Homem Cristo Jesus subiu ao céu. O Senhor disse a Seus discípulos, pouco antes de deixar este mundo: “Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a Meu Pai, em Meu nome, Ele vo-lo há de dar” (Jo 16:23). Essa é a base de toda bênção. A porção dupla nos é trazida de Cristo pelo Espírito de Deus. O Espírito é o que leva o crente a um relacionamento com Cristo em glória. Quando Eliseu viu Elias ser levado pelo carro de fogo, ele gritou: “Meu pai, meu pai”. Este é o “Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai” (Rm 8:15).
Os profetas que observavam de Jericó não viram Elias ser levado para o céu e insistiram que fossem procurar Elias no deserto, mas não o encontraram. Foi um desperdício de tempo e energia. Procurar Jesus apenas como um Homem na Terra é perder o significado do Cristianismo.
Eliseu atravessando o Jordão
Chegamos agora ao momento em que Eliseu iniciou seu ministério da graça. Seu primeiro ato depois que Elias foi levado para o céu foi rasgar suas roupas em duas partes. A porção dupla não deixa ninguém orgulhoso, mas é muito humilhante. Por meio do ministério da graça, não somos feitos merecedores de nada, mas recebemos tudo por causa de Quem Jesus Cristo é e o que Ele fez. Eliseu mostrou essa atitude em seu comportamento.
Em seguida, ele pegou a capa que caiu de Elias e foi para o Jordão. No Jordão, ele feriu a água e disse: “Onde está o SENHOR Deus de Elias? Quando feriu as águas elas se dividiram de um ao outro lado; e Eliseu passou” (v. 14). O poder não veio de si mesmo, mas ele invocou o Deus de Elias. Apelamos ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Nessa atitude, o apóstolo Pedro disse àqueles que observaram o milagre que ele fez: “por que olhais tanto para nós, como se por nossa própria virtude ou santidade fizéssemos andar este homem?… E pela fé no Seu nome fez o Seu nome fortalecer a este” (At 3:12, 16). O nome do Senhor é nossa fonte de força.
Eliseu atravessou o Jordão depois que as águas se separaram, e dessa vez era para retornar a Israel com um novo ministério. Deus deu testemunho por este sinal de poder de que este novo ministério era de Si mesmo, como Ele havia feito nos dias de Josué. “Vendo-o, pois, os filhos dos profetas que estavam defronte em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu. E vieram-lhe ao encontro, e se prostraram diante dele em terra” (2 Rs 2:15). No livro de Atos, é dito dos apóstolos: “Então eles, vendo a ousadia de Pedro e João, e informados de que eram homens sem letras e indoutos, maravilharam-se e reconheceram que eles haviam estado com Jesus” (At 4:13). Esta é a melhor recomendação que se pode dizer de quem prega o evangelho da graça de Deus por meio de Cristo.
D. C. Buchanan
Passe o que Tens Adiante
“O Deus... que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus” (2 Coríntios 1:4).
O Sol está alto e quente; o ribeiro faz pouco barulho;
Elias contempla ao redor o solo seco e árido;
Sua oração havia sido: “Não haja chuva”; ele sofreu com o resto
De Israel, que abandonou o Senhor; uma nação outrora tão abençoada.
Podemos supor que ele, ainda assim, em silêncio, orava,
Em comunhão com Seu Senhor, querendo saber Sua vontade?
Quando será o momento de agir? Os corvos ainda proverão?
Devo prosseguir com fé, com Jeová ao meu lado?
“O ribeiro secou”, e ainda, com fé, outro teste:
“Levanta-te, vai e habita”: o caminho de Jeová é o melhor;
Dois cavacos, um pouco de azeite, um bolo: Estou satisfeito com isso?
É o Seu caminho, a Sua escolha, não a mim mesmo agradar.
A solidão é a sua porção? Ninguém entende?
Desfrute do Seu novo suprimento; dê ouvidos ao Seu comando!
Você descobrirá que o caminho o levará a outros que você pode abençoar.
Alguma alma faminta que precisa do refrigério que você possui.
C. P. H.
“Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós, e orou com fervor para que não chovesse, e por três anos e seis meses não choveu sobre a Terra”
Tiago 5:17 – AIBB




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