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Eliseu (Junho de 2011)

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Revista mensal publicada originalmente em junho/2011 pela Bible Truth Publishers

ÍNDICE

 

          H. Smith

          Adaptado de G. S. B., Bible Treasury

          W. W. Fereday (adaptado)

          D. C. Buchanan

          W. W. Fereday (adaptado)

          W. J. Prost

          D. C. Buchanan

          D. C. Buchanan

          W. J. Prost

          Autor Desconhecido

Eliseu

 

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“Esta é a verdadeira graça de Deus, na qual estais firmes” (1 Pe 5:12).

 

“Quão pouco o homem percebe e acredita no que sabe [sobre a graça], se ele não está identificado com ela em espírito. Os filhos dos profetas sabiam que Elias [Lei] deveria ser levado embora. No entanto, eles propõem procurá-lo” (J. N. Darby).

 

Eliseu é o vaso escolhido para levar esse novo ministério de graça a um mundo em ruínas. Como alguém disse, Eliseu “completa, por um ministério de graça no poder da vida, o que Elias havia começado em justiça contra a idolatria”. Eliseu retorna à terra que Elias havia deixado. A maldição está aí; viúvas em necessidade; fome e escassez estão na terra; inimigos se opõem e a morte está sobre tudo. Nessa cena de pecado e ruína, Eliseu vem com poder do alto, para exibir, em meio a um mundo em trevas, a graça do céu que pode atender à necessidade do homem. Assim acontece que, à medida que Eliseu segue seu caminho, a maldição é removida; as necessidades da viúva são atendidas; a mulher estéril se torna fecunda; os mortos são ressuscitados; o mal é evitado; os famintos são alimentados; o leproso é curado; inimigos são confundidos e derrotados; a escassez da terra cede diante da abundância do céu; da morte surge a vida.

 

H. Smith

O Ministério de Eliseu

 

O ministério de Eliseu em Israel (as dez tribos) estava cheio de bênçãos para esse povo culpado. A responsabilidade por seu baixo tom moral recaiu principalmente sobre seus reis, embora Deus não tenha considerado o povo sem culpa. Mas o pecado de “Jeroboão, filho de Nebate, que fez pecar a Israel”, foi sua ruína e armadilha até o fim de sua história nacional. Seu primeiro rei era muito astuto para tentar governar o povo sem religião de algum tipo, mas ele perverteu tanto toda a administração que a autoridade de Deus se perdeu, e o rei tornou-se supremo em assuntos religiosos, como em todo o resto.

 

O propósito de Deus ao levantar Eliseu era trazer bênçãos ao Seu povo pobre e pecador. A religião falsa pode satisfazer o rei e aparentemente fortalecer sua autoridade, mas nenhuma bênção real poderia ser ministrada ao povo por esses meios. Deus gostaria que eles considerassem seus caminhos e retornassem a Si mesmo, a Fonte de toda verdadeira bênção.

 

Os dois ministérios 

Vamos então considerar esses dois homens notáveis em seus respectivos ministérios como figuras do Senhor Jesus Cristo. Em Elias, vemos o executor do juízo como a testemunha justa de Jeová, ainda rejeitado pela nação, mas reivindicado pela glória à qual ele pertencia. Eliseu foi testemunha dessa trasladação de seu mestre e, no poder de uma porção dupla do espírito de Elias, ele aparece entre o extraviado povo de Deus com um ministério, não de juízo, mas de graça. Nisto vemos uma figura de Cristo ressuscitado, rejeitado na Terra, mas recebido em glória, e que recebeu dons para o homem. Esses dois profetas, tão diferentes em espírito, experiência e testemunho, foram, no entanto, conectados de várias maneiras. Se quisermos entender corretamente um, também devemos ter um conhecimento do outro.

 

Encontramos a primeira referência a Eliseu naquela cena maravilhosa no monte Horebe (1 Reis 19). Elias havia chegado a Horebe, o monte da lei e responsabilidade, para acusar o povo e invocar a maldição de uma aliança quebrada. Raramente encontramos um dos servos de Deus igualmente afetados pela graça e pela verdade, ou capazes de dar a cada uma o seu devido lugar no testemunho. Portanto, descobrimos que, quando Elias não viu nada além de juízo, nenhum recurso da graça para Israel, o mandamento de Deus foi: “Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco; e, chegando lá, unge a Hazael rei sobre a Síria. Também a Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei de Israel; e também a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar” (1 Rs 19:15-16).

 

Elias deveria ser substituído por outro, e no serviço e ministério desse sucessor, temos a bela expressão daquela maravilhosa graça que Deus nutria por Seu povo. Era, portanto, necessário que os dois ministérios estivessem intimamente conectados. O ministério do Senhor na Terra foi caracterizado por graça e verdade, e agora que a redenção foi consumada, existe o triunfo da graça pela justiça, como lemos em Romanos 5:21: “Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor”.

 

Um homem transladado para o céu 

Essa conexão entre os dois profetas foi estabelecida de maneira dupla. Primeiro, o próprio Deus retirou Elias do lugar de testemunho em Israel quando ele se declarou (como pensava ser) a única testemunha de Jeová quanto à verdade e à justiça. Segundo, agradou a Jeová preparar Eliseu para a obra que estava diante dele por um período de instrução na verdade de Deus, e pelo desvio de Israel dela, aos pés de Elias e em sua companhia, aquele a quem Deus havia usado de maneira tão notável para reprimir a apostasia da nação. A trasladação de Elias foi uma testemunha da estimativa de Deus sobre ele, e aquele que foi objeto de malícia irracional, que foi temido e odiado pelo rei de Israel, ameaçado pela ímpia Jezabel e procurado em todo reino e nação conhecidos para que ele fosse entregue até a morte, agora está fora dos limites da terra de Israel por um comboio do céu que o levará aos reinos de glória. Mas a única esperança de Israel de bênção e libertação estava nessa escolta gloriosa! A fé de Eliseu se apoderou desse fato e se baseou nele. Os “cavalos e carros de fogo” poderiam de fato separar essas testemunhas, mas eram os “carros de Israel, e seus cavaleiros”, e eles estariam a serviço de Eliseu até o fim de sua vida (2 Rs 2:12; 6:17; 13:14).

 

A porção dupla 

Eliseu teve a oportunidade, concedida apenas a outro homem na Escritura, de dar expressão àquilo que seu coração valorizava. “Sucedeu que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim. E disse: Coisa difícil pediste; se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará, porém, se não, não se fará” (2 Rs 2:9-10). Ele desejava herdar o zelo por Deus e a justiça que havia preenchido e caracterizado seu mestre, mas com um espírito de graça em que talvez estivesse faltando em Elias. A “porção dupla” repousou sobre Eliseu.

 

Dessa maneira notável, a cena se encerrou no testemunho de Elias, vindicando aquele cuja obra de vida parecia singularmente árida de resultados, mas provocadora do ódio do homem. Israel o rejeitou, mas o céu o recebeu. Agora seu sucessor aparece diante de nós; sobre Eliseu é conferido a capa e, com ela, também a porção dupla do espírito de Elias, que ele desejava. Antes, quando recebeu o chamado para o ofício profético, ele demonstrou hesitação como se a honra fosse grande demais para ele, mas o treinamento havia cumprido sua missão, e chegou o momento para se apropriar daquilo que ele valorizava. É assim que somos exortados “procurai com zelo os melhores dons” (1 Co 12:31). Aquilo que é realmente valorizado deve ser possuído e associado a nós em nosso serviço aqui, recebendo sua recompensa apropriada no porvir.

 

Nenhuma restauração coletiva 

Nestes últimos dias da história da Cristandade, alguns provaram a realidade do amor de Cristo à Igreja, a presença e o poder do Espírito Santo e a suficiência do nome de Cristo como centro de reunião, até que Ele venha. Não pode haver restauração coletiva, mas a rejeição do que é falso. O ministério de Eliseu não visava a recuperação moral da nação, como foi o caso de Elias, embora, sem dúvida, fosse tão usado por muitas pessoas nisso. Mas Deus gostaria que Seu povo pobre e pecador entendesse que Ele não muda, e aqueles que, em sua miséria, se lançam sobre Ele, provariam isso.

 

Eliseu não atribuiu nenhum valor supersticioso à capa de Elias, nem se pôs a agir de maneira semelhante ao seu falecido mestre amado. Em vez disso, ele invocaria o “Senhor, Deus de Elias”. A fé manifestou nele seu próprio caráter e valor e, na realidade, recordou os dias gloriosos da primeira entrada e ocupação de Israel na terra de Canaã. Nos dois casos, o rio Jordão interpôs uma barreira natural ao progresso do povo de Deus e ao cumprimento de Seus propósitos. No entanto, a fé conta com o imutável poder e graça de Deus, e as dificuldades são superadas. Até os “filhos dos profetas”, com todo o seu oficialismo, formalidade e incredulidade, tinham que reconhecer que “o espírito de Elias repousa sobre Eliseu”. E o Senhor Deus de Elias também estava com ele.

 

Adaptado de G. S. B., Bible Treasury

 Eliseu, o Profeta

 

Na ordem das coisas estabelecidas por Jeová para Israel, não havia lugar para um profeta quando as condições normais prevaleciam. No final do ministério de Moisés, o sumo sacerdote era o elo entre Jeová e Seu povo, e o líder civil foi orientado a andar sob sua orientação (Nm 27:18‑23). Quando o sacerdócio falhou, o rei se tornou o elo, e o sumo sacerdote caiu em segundo lugar (1 Sm 2:35); então, quando a realeza falhou, os profetas foram levantados, pois nosso Deus terá alguns meios pelos quais Ele poderá alcançar Seu povo para que eles recebam instruções e bênçãos. Mas os profetas foram apresentados intermitentemente quando Deus viu a necessidade; não havia linhagem deles, como de sacerdotes e reis. Cada profeta ficou sob sua própria responsabilidade; ele cumpria sua missão e depois falecia.

 

Um sucessor 

Mas havia uma exceção a isso no caso de Elias; ele teve um sucessor. “Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar”. Eliseu foi, portanto, complementar a Elias. O contraste entre os dois foi notável. Um era terrível em sua postura, o outro gracioso; um severo, o outro acolhedor e acessível a todos. Os milagres de Elias foram caracterizados por juízo; os de Eliseu, com uma exceção, foram marcados por misericórdia. A própria maneira como cada um é apresentado mostra o contraste: O Tisbita explode abruptamente na cena, como um raio do nada (1 Rs 17:1); o filho de Safate é visto lavrando pacificamente um campo (1 Rs 19:19).

 

Elias e Eliseu nos lembram João Batista e o Senhor Jesus. O ministério severo de Elias era semelhante ao do precursor (Lc 1:17); o gracioso ministério de Eliseu é sugestivo do ministério do próprio Salvador (Lc 7:33‑34). O nome também é eloquente em seu significado – “Deus é salvação”.

 

O espírito correto 

A intercessão de Elias a Deus contra Israel (Rm 11: 2) levou à unção de Eliseu para ser profeta em seu lugar. Seu espírito profundamente provado explodiu em amarga queixa contra o povo de Deus, trazendo à tona seus pecados diante de Jeová. Devemos tomar o fracasso de Elias como uma advertência. Nossos próprios dias são deploravelmente maus, e a apostasia avança rapidamente. Deus aprecia aqueles que, como Elias, assumem uma posição firme contra o mal, qualquer que seja o custo para si mesmos em termos de conforto e honra aqui. Mas que nenhum de nós alimente pensamentos sobre sua própria fidelidade em contraste com os outros. A humildade nos convém, assim como a extrema ternura de espírito para com aqueles que, por mais estranhas que sejam suas associações, realmente valorizam Cristo em seu coração. Todos esses são muito preciosos para Deus e, por mais severamente que Ele próprio possa repreender neles o que não é agradável aos Seus olhos, Ele jamais tolerará em nós um espírito de censura em relação a eles. Cair nisso é sacrificar nossa própria utilidade neste momento crítico da história da Igreja de Deus. Se até mesmo uma testemunha tão excelente como Elias falhou nesse particular, o perigo para nós mesmos também é muito grande. O espírito e o caráter de Eliseu são os que nos convêm.

 

W. W. Fereday (adaptado)

Respostas de Graça

 

O favor imerecido de Deus chega até nós a grandes custas; o Senhor Jesus pagou o preço dando Sua vida. Deus ficou tão satisfeito com Ele que O exaltou ao céu com o direito de levar Consigo quem quisesse para lá. O Senhor Jesus respondeu em João 17:24, pedindo que a Igreja fosse Sua noiva no céu. Tal graça nos obriga a responder de uma maneira que O agrade. Os exemplos de graça que Eliseu realizou revelam uma variedade de reações dos benfeitores de sua graça. Que possamos aprender a responder assim para agradar a Deus.

 

A mulher sunamita 

Nenhuma resposta é registrada dos primeiros milagres que Eliseu realizou – daqueles de Jericó, Betel ou dos três reis. Mas a grande mulher de Suném respondeu quando Eliseu prometeu dar-lhe um filho como recompensa pela hospitalidade mostrada a ele. Sua resposta foi: “Não, meu senhor, homem de Deus, não mintas à tua serva” (2 Rs 4:16). Isso foi dito por que era maravilhoso demais para se esperar? Foi em consideração as suas próprias incapacidades? Ou por descrença no profeta? Por qualquer motivo, podemos deixá-los com o Senhor, pois, independentemente de tudo, Ele lhe deu um filho. Era apenas pela graça, embora ela fosse testada se aceitava isso como base na graça. É uma grande coisa aprender isso

 

O filho prometido nasceu, mas de repente ele morreu. Isso a levou a considerar por que motivo havia recebido o filho. Deitou a criança na cama de Eliseu e foi vê-lo no monte Carmelo; ela foi à fonte da dádiva e não deixou o profeta do Senhor. É interessante considerar nesse momento como Eliseu também não deixaria Elias, quando ele sugeriu três vezes que ele retornasse de segui-lo. Como resultado, Deus o recompensou com a porção dupla. Assim, Eliseu sabia da fidelidade de Deus e sentiu-se constrangido a dar a sunamita seu pedido. Suas palavras remetem ao que ela disse pela primeira vez: “Pedi eu a meu senhor algum filho? Não disse eu: Não me enganes?” (v. 28). Antes de tudo, ela lembrou a Eliseu que não foi seu pedido que levou à promessa de ter o filho. Segundo, se ela aceitasse o filho como uma dádiva com base na graça, poderia devolvê-lo ao Senhor, dizendo: “Vai bem”. Ela se recusou a reivindicar o filho em qualquer outra base que não a graça. Portanto, ela esperou apenas a resposta de Eliseu.

 

Eliseu foi constrangido, nessas circunstâncias, a interceder pela vida do filho. O Senhor o ressuscitou dos mortos, e Eliseu o apresentou vivo a sua mãe. É aqui que sua ação sem palavras brilha tão intensamente. “E entrou ela, e se prostrou a seus pés, e se inclinou à terra; e tomou o seu filho e saiu” (v. 37). Prostrando-se no chão estava sua demonstração de humildade e adoração. Ela fez isso antes de tomar o filho. Ela contava com graça e agora tinha seu filho para sempre no terreno da ressurreição; ele voltou à vida.

 

Naamã 

Naamã é outro que respondeu de maneira positiva à graça que lhe foi mostrada, apesar de ter um problema em se humilhar para fazer o que Eliseu lhe disse. Quantas vezes a graça é recusada por causa do nosso orgulho! A graça é demonstrada por causa da bondade do Doador, não do recebedor. Naamã finalmente desceu e lavou-se no Jordão sete vezes, depois que seus servos pleitearam com ele, e ele foi limpo. Ele ainda não percebeu que a bênção era toda pela graça e voltou para retribuir o profeta. “Então voltou ao homem de Deus, ele e toda a sua comitiva, e chegando, pôs-se diante dele, e disse: Eis que agora sei que em toda a Terra não há Deus senão em Israel; agora, pois, peço-te que aceites uma bênção do teu servo” (2 Rs 5:15).

 

Eliseu recusou os presentes; aceitá-los tiraria o crédito do Senhor que havia dado a bênção. A graça de Deus dá mais do que poderíamos merecer. Mas então a pergunta é: O que deve ser feito em resposta ao Doador? Naamã parece cumprir sua obrigação, pois pede: “Se não queres, dê-se a este teu servo uma carga de terra que baste para carregar duas mulas; porque nunca mais oferecerá este teu servo holocausto nem sacrifício a outros deuses, senão ao SENHOR” (v. 17). A carga de terra das mulas era para ele adorar a Jeová em solo Judeu. A melhor resposta à graça é adorar ao Senhor. O Senhor Jesus revelou Seu sentimento a respeito disso quando um leproso purificado “voltou glorificando a Deus em alta voz; e caiu aos Seus pés, com o rosto em terra, dando-Lhe graças” (Lc 17:15-16). As seguintes palavras do Senhor nos sondam: “Não foram dez os limpos? E onde estão os nove?” Será que apenas um em cada dez cumpre esse maravilhoso papel de dar glória a Deus por Sua graça?

 

O Senhor do rei 

Durante a fome de Samaria causada pelo cerco de Ben-Hadade, rei da Síria, a comida ficou tão escassa que as mães estavam comendo seus filhos. As notícias dessa extremidade levaram o rei a ir a Eliseu com a intenção de cortar sua cabeça. O rei de Israel culpou o Senhor pelos males. Eliseu os parou na porta e disse: “Ouvi a palavra do SENHOR; assim diz o SENHOR: Amanhã, quase a este tempo, haverá uma medida de farinha por um siclo, e duas medidas de cevada por um siclo, à porta de Samaria” (2 Rs 7:1). Eliseu respondeu em graça, dizendo que a fome terminaria. “Porém um senhor, em cuja mão o rei se encostava, respondeu ao homem de Deus e disse: Eis que ainda que o SENHOR fizesse janelas no céu, poder-se-ia fazer isso?” (v. 2). Essa expressão de desdém pelo céu e incredulidade na palavra do Senhor o impediu de participar da bênção. Parece ser uma imagem profética do que acontecerá com aqueles que rejeitaram a graça no final da presente dispensação quando o Senhor vier. Eliseu responde a ele: “Eis que o verás com os teus olhos, porém disso não comerás” (v. 2). No dia seguinte, quando a comida foi descoberta, esse senhor tentou controlar o fluxo de pessoas no portão, mas foi pisoteado pelo povo e morreu. É uma coisa solene impedir o fluxo da graça de Deus.

 

Hazael 

O último caso ocorreu enquanto Eliseu estava na Síria, e era para cumprir o que Deus havia dito a Elias muitos anos antes. Terminaria o tempo da graça e introduziria o julgamento. O caso diante de nós é que o rei Ben-Hadade enviou Hazael para perguntar ao Senhor se ele se recuperaria de sua doença. “E Eliseu lhe disse: Vai, e dize-lhe: Certamente viverás. Porém, o SENHOR me tem mostrado que certamente morrerá. E afirmou a sua vista, e fitou os olhos nele até se envergonhar; e o homem de Deus chorou. Então disse Hazael: Por que chora o meu senhor? E ele disse: Porque sei o mal que hás de fazer aos filhos de Israel... E disse Hazael: Pois, que é teu servo, que não é mais do que um cão, para fazer tão grande coisa? E disse Eliseu: O SENHOR me tem mostrado que tu hás de ser rei da Síria. Então partiu de Eliseu, e foi a seu senhor, o qual lhe disse: Que te disse Eliseu? E disse ele: Disse-me que certamente viverás. E sucedeu que no outro dia tomou um cobertor e o molhou na água, e o estendeu sobre o seu rosto, e morreu; e Hazael reinou em seu lugar” (2 Rs 8:10-15).

 

É triste ver como Hazael usou as informações mostradas em graça para se voltar contra seu mestre para obter a posição. Que egoísmo! Que contraste com a conduta de Davi depois que ele foi ungido para ser rei. Hazael tomou as coisas em suas próprias mãos para fazer com que o rei morresse para que ele pudesse ser rei. Então, fazer essas “grandes coisas”, como ele as chama, contra Israel – matando mulheres e crianças – é insensibilidade além da descrição. Este foi o tipo de homem que Deus escolheu para julgar Israel; certamente o mal deles deve ter sido grande diante de Deus para usar tal homem. É fácil ver por que Eliseu choraria. Os juízos que caem depois que a graça é rejeitada são os mais severos.

 

Conhecer a vastidão da graça de Deus deve nos tornar humildes, agradecidos e adoradores. E, por outro lado, as terríveis consequências de rejeitar a graça são as mais solenes. Que o Senhor nos permita responder à Sua graça de maneira que Lhe agrade no pouco tempo que resta antes de Seu julgamento chegar.

 

D. C. Buchanan

Trazei-me um Músico

 

Desde que o pecado entrou, os filhos da fé têm achado o presente cenário incompatível com a vida espiritual que a graça divina implantou neles. A atmosfera moral deste mundo não é propícia à mente celestial ou à comunhão com Deus. Portanto, a alma que deseja desfrutar dessas coisas invisíveis deve se colocar fora do ambiente existente.

 

Em 2 Reis 3, o Espírito de Deus nos dá uma lição instrutiva sobre isso. O rei de Israel – Jeorão, filho do ímpio Acabe – partiu em uma expedição para subjugar o rei de Moabe, que se revoltou contra ele. Ele procurou a cooperação de Jeosafá, rei de Judá, que, acompanhado por seu súdito, o rei de Edom, consentiu em acompanhá-lo na guerra. Ai de Jeosafá! Por mais que fosse verdadeiro servo de Deus, era a terceira vez que ele se deixava enredar em comunhão com os ímpios (1 Reis 22:10; 2 Crônicas 20:35-37). Como em uma ocasião anterior, ele agora tinha novamente uma inquietação de consciência sobre o que havia empreendido e, por isso, propôs buscar a mente de Jeová pelas mãos de um de Seus profetas. Consequentemente, os três reis procuraram por Eliseu em Samaria. Ao rei de Israel, o profeta disse severamente: “Que tenho eu contigo? Vai aos profetas de teu pai e aos profetas de tua mãe”, acrescentando: “Vive o SENHOR dos Exércitos, em cuja presença estou, que se eu não respeitasse a presença de Jeosafá, rei de Judá, não olharia para ti nem te veria”. O profeta de Jeová assim fez uma distinção nítida entre Jeorão e Jeosafá, mesmo que este estivesse seguindo um caminho de desobediência naquele tempo.

 

O músico 

“Ora, pois, trazei-me um músico”. Porque disso? “E sucedeu que, tocando o músico, veio sobre ele a mão do SENHOR”. A presença do rei ímpio de Israel era uma ofensa ao espírito de Eliseu. Ele se sentiu restringido e impedido por causa disso. A santa atmosfera de comunhão com Deus, que o profeta estava acostumado a respirar, foi, por assim dizer, poluída pelo fato de Jeorão estar diante dele. A “voz mansa e delicada”, que era o símbolo característico do ministério da graça de Eliseu, não pôde ser ouvida em meio ao clamor dos iníquos. Por isso, ele sentiu que era necessário se colocar, em espírito, fora daquilo que o cercava antes de poder discernir a mente de Jeová, a fim de transmiti-la ao único homem realmente piedoso que a valorizaria. Quando o músico tocou, então “veio sobre ele a mão do SENHOR E disse: Assim diz o SENHOR”.

 

Balaão 

Balaão nunca conheceu uma experiência como essa. Embora ele tenha expressado alguns dos pensamentos mais divinos contidos na Escritura, ele fez isso apenas como o instrumento de um poder superior ao seu. Seus próprios afetos e empatias não estavam de modo algum envolvidos no serviço; de fato, ele teria dito de bom grado o oposto do que disse sobre o povo de Deus, se Deus tivesse permitido que ele o fizesse. Portanto, a presença do ímpio não lhe afligia; ele não sentiu necessidade de se separar da influência do ambiente maligno para entrar na mente de Deus.

 

Comunhão com Deus 

Nossas empatias estão com Eliseu. Todos nós provamos experimentalmente, dia após dia, os muitos obstáculos à comunhão com Deus. “Os cuidados desta vida” afetam alguns, e “o engano das riquezas” afeta outros, mesmo entre os verdadeiros santos de Deus. Eles obstruem nossos passos, obscurecem nossos olhos, pesam nosso espírito e nos mantêm em um plano espiritual baixo, se permitirmos que eles o façam. Mas a fé faz bem em abrir suas asas e voar acima de todas as influências ao redor, para que seu prazer nas coisas do Cristo invisível possa ser pleno e completo. Em 2 Coríntios 12 nos é apresentada uma experiência maravilhosa uma vez concedida ao honrado apóstolo dos gentios. Ele não se autodenomina, mas nos fala de “um homem em Cristo” que foi arrebatado até o terceiro céu, para ouvir palavras que possivelmente não poderiam ser comunicadas aos homens em uma condição meramente terrenal. Ele estava tão completamente separado que afirma duas vezes que não sabia dizer se estava ou não no corpo naquele momento. Embora reconhecendo completamente o elemento milagroso na experiência feliz do apóstolo, não há uma voz para nossa alma nisso? Não foram estas coisas que foram escritas para o nosso aprendizado?

 

Coisas celestiais 

A vida que é nossa em Cristo é uma coisa essencialmente celestial. O pleno gozo disso não pode ocorrer até que o pleno pensamento de Deus a nosso respeito seja percebido e nos encontremos na casa do Pai. Mas a vida eterna é realmente nossa agora; muitas afirmações divinas nos asseguram disso. No entanto, é uma coisa exótica neste mundo, e precisamos viver em espírito fora deste mundo, se quisermos desfrutar de alguma medida da rica porção espiritual que Deus nos deu em Seu Filho.

 

As palavras do apóstolo em 1 Coríntios 7:35 são penetrantes: “E digo isto para vos unirdes ao Senhor sem distração alguma”. A linguagem supõe que a alma esteja vivendo pela fé no santuário celestial, mantendo comunhão com o Senhor sem um peso e sem um cuidado. Este é o desejo do Espírito por todos nós. Ele é o elo divino sempre presente entre nossa alma aqui e Cristo ali, e é Seu mais profundo deleite tornar reais à fé agora aquelas coisas que somente serão desfrutadas completamente quando o Senhor voltar. É na ocupação com o invisível que nossa alma reúne forças para todas as circunstâncias do caminho; é somente isso que torna nosso coração animado no meio de tudo o que vem sobre nós em um mundo mau e em um testemunho Cristão fracassado.

 

W. W. Fereday (adaptado)

Julgamento do Homem da Graça

 

O ministério de Eliseu foi caracterizado pela graça, em contraste com o de Elias, que foi caracterizado pela lei. No entanto, ao considerar a história de Eliseu, não podemos deixar de ser impactados por uma exceção mais notável a isso, no caso dos meninos que zombaram dele quando ele subiu de Jericó a Betel. O incidente é muito solene, pois quando esses meninos zombaram de Eliseu com as palavras: “Sobe, calvo; sobe, calvo!”, ele os amaldiçoou em nome do Senhor, fazendo com que duas ursas saíssem do bosque e despedaçassem quarenta e dois deles. Quando consideramos o que as raivosas ursas podem fazer, podemos apenas imaginar o terrível massacre que ocorreu naquele momento e a tristeza das famílias cujos filhos foram tirados delas dessa maneira terrível.

 

O julgamento não característico 

À primeira vista, todo o incidente parece totalmente fora de caráter para Eliseu. É este o mesmo homem que poderia curar as águas de Jericó – uma cidade que havia sido reconstruída em desafio direto ao mandamento de Deus – ou curar um Naamã, um homem cujos exércitos haviam devastado Israel anteriormente? Podemos perguntar por que nenhuma graça foi demonstrada a esses meninos, ou talvez uma repreensão severa, em vez desse juízo terrível.

 

Embora eu não tente explicar inteiramente as razões desse terrível juízo, sugiro várias considerações e várias lições importantes que Deus procura nos ensinar em tudo isso.

 

Devemos lembrar que Elias e seu ministério eram bem conhecidos, não apenas em Israel, mas também nas nações vizinhas. Em particular, sua notável vindicação do verdadeiro Deus no Monte Carmelo estava diante de todo o Israel e ocorreu alguns anos antes de Elias ser tomado e Eliseu se tornar profeta em seu lugar. Evidentemente, também, a ascensão milagrosa de Elias se tornou conhecida em um tempo relativamente curto, mesmo para crianças pequenas. Será que tudo isso produziu o devido efeito sobre Israel? Pelo contrário, parece que, assim como Elias não era querido, o seu sucessor também não era. Eles teriam ficado contentes se tivesse visto Eliseu ir embora também, para que sua idolatria e pecado pudessem continuar sem nenhuma interferência.

 

O Deus do juízo 

Antes de tudo, então, esse terrível juízo lembrou às pessoas que, embora Deus pudesse agir em graça, Ele ainda era um Deus de juízo. Ele pode mostrar misericórdia, como está fazendo hoje neste mundo, mas isso não nega Seu caráter santo. Durante a vida e o ministério de Eliseu, havia outras evidências do juízo de Deus, como a escassez na terra (2 Rs 4:38), a fome em Samaria (2 Rs 6:24-33) e a unção de Jeú (2 Rs 9:1‑6). Ele também foi comissionado para dizer a Hazael que seria rei da Síria (2 Reis 8:13), embora Eliseu chorasse quando considerasse o mal que Hazael faria a Israel. Em conexão com a cura de Naamã, Geazi foi julgado muito severamente por sua cobiça e mentira, mas talvez acima de tudo por deturpar o caráter do Deus de Israel. Portanto, Deus pode ser gracioso, e podemos ser muito gratos por Ele ser, mas Ele não pode passar por cima do mal. Eliseu agiu em graça para com Jericó e curou a água e a terra. Mas a graça desprezada traz juízo, pois que mais Deus pode dar?

 

O espírito da graça 

Segundo, foi a coisa mais séria que esses meninos disseram. Não há dúvida de que Elias havia falhado em alguns aspectos, mas ele era um homem muito fiel, e Eliseu havia aprendido muito com ele. Como resultado, Deus levou Elias para casa de uma maneira muito honrosa, e o último pedido de Eliseu foi para uma porção dupla de seu espírito, pois ele viu em Elias algo a desejar. Terem os meninos, zombado desse espírito e da maneira como ele havia sido levado para o céu era algo solene, mesmo para crianças pequenas, pois mostrava desprezo pelo testemunho do Senhor.

 

A rejeição de Eliseu 

No entanto, mesmo essas considerações dificilmente causariam um juízo tão terrível sobre as crianças pequenas. Mas há uma terceira perspectiva sobre o incidente, que sugiro ser talvez a mais importante. É altamente questionável se esses meninos inventaram por si mesmos as palavras de zombaria, uma vez que o Espírito de Deus Se preocupa em identificá-los como “meninos pequenos” (JND). É sabido que as crianças repetem o que ouviram de adultos, especialmente daqueles a quem admiram e respeitam. É muito provável que essas crianças repetissem apenas o que ouviram em casa ou em conversas entre pais e outros adultos. A zombaria deles refletia o sentimento comum entre muitos que, apesar de respeitarem o poder que Elias exercia em nome do Senhor, ainda assim desejavam sinceramente que ele fosse embora e os deixasse com seus pecados e idolatria. Quando Acabe disse a Elias: “És tu o perturbador de Israel?” (1 Reis 18:17), seu comentário sem dúvida refletia não apenas seus próprios sentimentos, mas a atitude geral em seu reino. Quando o carro de fogo levou Elias, eles ficaram desanimados ao encontrar outro ocupando o lugar dele e com prazer o teriam visto ir embora também. Deus faz com que sintam a seriedade de desprezar Sua graça e rejeitar Seus servos, mediante um juízo que provavelmente lhes afligiria mais profundamente – a morte de seus filhos pequenos.

 

Temos outros exemplos disso na Escritura. Quando “toda Jerusalém” se perturbou com o nascimento do Senhor Jesus, Deus permitiu que Herodes destruísse todas as crianças dentro e ao redor de Belém, a partir de dois anos de idade para baixo, como uma voz para aqueles que não reconheciam seu Messias. (veja Mateus 2:3, 16). Da mesma forma, Deus permitiu que o filho de Davi e Bate-Seba morresse, como parte de Seu governo sobre eles. Nos dois casos, as crianças eram totalmente inocentes, mas foram levadas como voz de Deus para seus pais. Outros casos, como a morte do jovem filho do rei Jeroboão, também poderiam ser mencionados.

 

Graça e juízo 

Sem dúvida, todas essas crianças, levadas em seus tenros anos, caíram sob a provisão de Deus que nos foi dada em Mateus 18:10-11: “Os seus anjos nos céus sempre veem a face de Meu Pai que está nos céus. Porque o Filho do Homem veio salvar o que se tinha perdido”. No entanto, a tristeza e a agonia sofridas por seus pais e outras pessoas que testemunharam sua morte foram um lembrete solene de que “Deus não Se deixa escarnecer” e que Aquele que é um Deus de graça também é um Deus de juízo.

 

No sentido profético, vemos uma figura aqui do Israel apóstata nos dias vindouros. Tendo violado a lei de Deus, rejeitado o seu Messias e desprezado a graça de Deus oferecida a eles por meio do Senhor Jesus, eles cairão sob o juízo mais terrível. As duas ursas podem muito bem representar a besta e o anticristo, que atormentarão o apóstata Israel por quarenta e dois meses – o número de crianças que foram mortas. Mas depois do juízo, há graça mais uma vez, e Eliseu posteriormente vai ao Monte Carmelo, não apenas o lugar do julgamento de Baal por Deus, mas também o lugar da frutificação e das bênçãos.

 

W. J. Prost

Os Cinquenta Profetas

 

Após Eliseu ter ferido as águas do Jordão com a capa de Elias, em demonstração de poder, ele foi confrontado imediatamente com a incredulidade dos filhos dos profetas, que questionaram se Elias havia realmente sido levado para o céu. Eles sugeriram que ele poderia ter sido lançado em algum monte ou vale. Havia cinquenta deles, o mesmo número daqueles que haviam contado a Eliseu sobre esse evento anteriormente. Cinquenta é o número da presente dispensação – Pentecostes. Aprendemos, pelo comportamento deles, que o conhecimento da verdade não é suficiente; devemos crer e andar de acordo com ela. Eliseu não precisava de nenhuma equipe de busca para convencê-lo aonde Elias havia ido. Vemos um paralelo com isso no livro de Atos; Estevão, o primeiro mártir Cristão, creu no registro de Deus e viu Jesus no céu.

 

Os cinquenta profetas (valentes) não creram no relato de Eliseu e insistiram em fazer uma busca por Elias. Eles disseram: “pode ser que o elevasse o Espírito do SENHOR e o lançasse em algum dos montes, ou em algum dos vales” (2 Rs 2:16). Eles são como aqueles hoje em dia que veem Jesus apenas como um Homem na terra. O Cristianismo é sobre um Homem no céu. “Vemos, porém, coroado de glória e de honra Aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte” (Hb 2:9).

 

Eliseu ficou em Jericó, a cidade que havia sido reconstruída apesar de ser amaldiçoada. Ele começou a ministrar onde homens foram encontrados sob a maldição. Jericó representa este mundo, que o homem reconstruiria sob uma maldição, em vez de procurar uma cidade celestial, como Abraão fez. A cura das águas em Jericó é um exemplo do resultado de um novo nascimento; ele capacita ao crente manter uma vida santificada neste mundo, apesar da maldição do pecado. O remédio era colocar sal em um novo recipiente e jogá-lo na água. O novo recipiente é uma figura da nova natureza. Sal é o que preserva e dá sabor. Esses pensamentos combinados nos lembram que o sal é o “poder separador da santidade” moral. A nova vida no crente dá a capacidade de beber dos poços da natureza, em santidade, sem ser degradado na aridez da mera satisfação própria. Os homens invertem essa ordem, buscando a vida nas coisas da natureza, mas sem distinguir o caráter caído da criação e sua incapacidade de satisfazer a vasta necessidade no coração do homem.

 

D. C. Buchanan

A Viúva do Profeta e Seus Filhos

 

A graça de Deus é tão grande, e, ainda assim, muitas vezes é necessário o governo de Deus em nossa vida para nos levar a pedir ajuda ao Senhor. Foi o caso da viúva que estava tão endividada que seus dois filhos corriam o risco de serem vendidos como escravos. A viúva foi levada ao ponto de não ter nada para resolver seu problema. Duas coisas foram usadas para livrá-la: a botija de azeite e os vasos emprestados. O azeite é uma figura do Espírito Santo, que é o poder da vida Cristã. Os vasos emprestados representam nosso corpo e as coisas temporárias desta vida que são dadas para nós usarmos até que o Senhor venha. Quando a viúva derramou o azeite nos vasos emprestados, foi multiplicado até que todos estivessem cheios. Este é um exemplo do poder do Espírito de Deus para suprir todas as nossas necessidades ao longo do caminho. Ela foi capaz de pagar todos os credores, libertar seus filhos da escravidão e depois viver do resto. Quando não havia mais vasos, o azeite parou de multiplicar. O suprimento correspondia perfeitamente à necessidade.

 

D. C. Buchanan

Sobrecarga de Informações

 

Informações e mais informações! Não apenas ela está prontamente disponível, mas somos bombardeados com ela, por meio de outdoors, jornais, revistas, televisão, rádio e, nos últimos quinze ou vinte anos, o uso generalizado da Internet e de celulares. Mais recentemente, a Internet gerou o Facebook, um fórum pelo qual podemos manter contato com inúmeras pessoas, visualizando quantidades quase infinitas de informações escritas e simbólicas. Atualmente, existem cursos universitários onde os alunos estudam “TI” – tecnologia da informação, que é a ciência da coleta e disseminação de informações.

 

Os méritos 

Tudo isso pode ser um verdadeiro “plus”. A Internet facilitou a comunicação muito rápida, especialmente com partes remotas do mundo, onde o correio postal é pelo menos muito lento e às vezes quase impossível. Da mesma forma, a tecnologia de telefonia celular disponibilizou um bom serviço telefônico para muitas áreas do mundo a um preço bastante razoável, pois as despesas de instalação de telefones fixos são removidas. Qualquer pessoa com serviço de Internet pode encontrar informações sobre quase qualquer assunto em segundos, em vez de precisar realizar pesquisas prolongadas em uma biblioteca. Que vantagem tremenda para quem escreve documentos ou faz pesquisa!

 

Essa tecnologia também teve seus méritos nas coisas espirituais. Ele permitiu aos incrédulos olhar para a verdade do evangelho na privacidade de seu próprio lar, em países onde a literatura Cristã ou a participação em uma reunião Cristã podem trazer severas represálias. Além disso, permitiu que os fiéis acessassem ministérios que poderiam estar fora de seu alcance, por meio de sites Cristãos que podem disponibilizá-lo a qualquer pessoa com um computador. Como em muitas outras entidades que o homem inventou, Deus pode e usa a tecnologia da informação para abençoar.

 

A desvantagem 

No entanto, há uma desvantagem nessa montanha de informações. Como alguém disse, os dados são como comida. É melhor ser servido em porções razoáveis e úteis, em vez de ingerir tanto de uma só vez que engasgamos com isso. Hoje, muitos de nós processam tanta informação em uma semana quanto uma pessoa do século XIX fazia na vida toda. Foi claramente reconhecido que muita informação nos afeta física e mentalmente, e um pesquisador da International Stress Management Association criou o termo “Síndrome da Fadiga da Informação”. Essa síndrome é caracterizada por pressão alta, visão debilitada, falta de memória, atenção reduzida e eficiência reduzida. Além disso, e talvez igualmente importante, as vítimas de “sobrecarga de informações” geralmente se sentem confusas, ansiosas e incapazes de tomar decisões racionais. Tanta informação, muitas vezes com pontos de vista conflitantes, resulta em “paralisia por análise”. Parece que o cérebro humano, quando entupido com muita informação, simplesmente trava. O resultado geralmente são erros estúpidos e más decisões, devido à exaustão mental.

 

O impacto 

Para o crente, isso afeta não apenas sua saúde e capacidade de realizar seu trabalho secular, mas também sua vida espiritual. Se nossa mente está congestionada com todo tipo de informação que clama por nossa atenção, será difícil nos concentrarmos na leitura da Palavra de Deus, na oração e até na comunhão Cristã. A constante enxurrada de informações que acomete nossa mente prejudicará nossa concentração, nossa memória e nossa capacidade de fazer o que é realmente importante. Evidentemente, o Senhor previu esse perigo, pois mesmo no tempo de Daniel o Espírito de Deus profetizou que, no tempo do fim, “muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará” (Dn 12:4). Da mesma forma, o Senhor Jesus advertiu Seus discípulos, e, finalmente, também a nós, sobre “mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas, e as ambições de outras coisas, entrando”, que tenderiam a sufocar a Palavra, para que fique infrutífera (Mc 4:19).

 

A resposta 

Qual é a resposta? Parece que, assim como acontece com os alimentos e outras coisas em nossa vida, também ocorre com a informação: precisamos decidir o que é importante. Precisamos filtrar as coisas que chegam até nós, descartando o que é de valor questionável, enquanto permitimos o que é benéfico. Embora optar por um estilo de vida antiquado que recuse as invenções modernas não seja a resposta, ainda podemos ter que “descomplicar” nossa vida para ter o que perdurará por toda a eternidade. Como outro escritor secular observou, a fim de fazer algo de bom na vida, teremos de renunciar a muitas outras coisas que de outra forma poderíamos ter feito. Em suas epístolas, Paulo frequentemente se refere a “naquele dia” ou “o dia de Cristo”, e tudo em sua vida era governado pela forma como as coisas apareceriam naquele dia. Quando Cristo fizer Sua estimativa de como usamos nosso tempo, energia e recursos, será que nosso trabalho passará no teste e será recompensado, ou será queimado? (Veja 1 Coríntios 3:11-17).

 

É necessário que trabalhemos e vivamos neste mundo, para nos suprir e aos que dependem de nós, e ter os recursos para ajudar os outros, à medida que surgir a oportunidade. O que quer que façamos, devemos fazê-lo “de todo o coração, como ao Senhor,”, pois “a Cristo, o Senhor, servis” (Cl 3:23-24). Deus promete uma recompensa por isso. No entanto, há muito que podemos deixar de ter como benefício eterno e muitas vezes pouco ou nenhum benefício, mesmo nesta vida. Até as autoridades mundanas estão reconhecendo o valor minúsculo da maioria dos programas de televisão (para não falar da contaminação do crente!). A importância muito limitada de grande parte do material das revistas e o colossal desperdício de tempo envolvido em “navegar na internet”. Mesmo as chamadas telefônicas podem degenerar em conversas relativamente inúteis e demoradas.

 

Conhecendo a Cristo 

Por outro lado, “aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 João 2:17). Há muito a ser aprendido neste mundo e muito a ser feito que permanecerá por toda a eternidade. Se nos perguntássemos, sempre que somos tentados a fazer algo, “Como isso parecerá diante do tribunal de Cristo?” usaríamos nosso tempo de maneira muito mais eficaz como crentes. Mais do que isso, ao contrário da informação no campo natural, aprender mais de Cristo jamais sobrecarregará nossa mente. É verdade que simplesmente adquirir informações sobre a Palavra de Deus e memorizar fatos por si só não alimentará nossa alma. Mas, quando lida corretamente, a Palavra de Deus nos conecta com a Pessoa de Cristo e atrai nossas afeições a Ele. Dessa maneira, nosso coração é alargado e, em vez de nossa mente ser sufocada com informações, passamos a conhecer mais Aquele que nos amou e Se entregou por nós. É verdade que adquirimos informações que podem ser passadas a outras pessoas, mas, porque temos uma nova vida em Cristo e somos habitados pelo Espírito Santo, temos o gozo de Cristo em nosso coração, e não simplesmente um corpo de informações. O Espírito de Deus torna a verdade boa e proveitosa para nossa alma e nos capacita a colocá-la em prática. Assim, não apenas nos tornamos menos ansiosos e tomamos melhores decisões, mas nos tornamos mais semelhantes a Cristo.

 

Um irmão, recentemente levado para estar com o Senhor, uma vez comparou a Palavra de Deus a uma floresta. Se acharmos que podemos nos perder na floresta, devemos frequentá-la mais e, assim, nos tornarmos mais familiarizados com ela. O mesmo acontece com as Escrituras; quanto mais entrarmos nelas, mais será bom para nós. Aprender mais de Cristo nunca tornará nossa mente “travada”, pois nossas afeições estão envolvidas.

 

Tempo de Priorização 

No entanto, devemos fazer um comentário final. Não queremos sugerir que uma mente ativa ou curiosidade sobre coisas naturais ou mesmo sobre as invenções do homem esteja errada. Algumas das maiores invenções do mundo foram feitas por crentes. Frequentemente, são os crentes que estão interessados em muitas coisas diferentes que também têm mais interesse na Palavra de Deus. Mas eles filtram o que exploram e priorizam seu tempo para usar as informações com sabedoria. Da mesma forma, a capacidade de processar informações varia. O que uma pessoa pode facilmente usar em vantagem pode sobrecarregar outra. Os Cristãos precisam da sabedoria do Senhor nestes últimos dias, a fim de que usem “o mundo, como não fazendo uso dele como se fosse seu; pois a aparência deste mundo passa” (1 Co 7:31 – JND). Em resumo, a resposta para o problema da sobrecarga de informações é viver em vista da eternidade e ser guiado pelo Espírito de Deus sobre o que e quanta informação permitimos em nossa mente.

 

W. J. Prost

Olhando para Jesus

Hebreus 12:2

 

“Vive o SENHOR, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim ambos foram juntos” (2 Reis 2:6).


Eu não olho para trás; Deus conhece os esforços infrutíferos,

As horas desperdiçadas, os pecados, os arrependimentos;

Deixo tudo com Aquele que guarda os registros;

Em misericórdia, Ele perdoa e depois remove.


Eu não olho para frente; Deus vê todo o futuro;

A estrada, curta ou longa, que me levará para casa;

E Ele enfrentará comigo todas as suas provações,

E carregará comigo os fardos que possam vir.


Eu não olho ao meu redor, assim me assaltariam os medos,

Tão selvagem o tumulto dos mares inquietos da Terra,

Tão sombrio o mundo, tão cheio de aflição e maldade,

Tão vã a esperança de conforto ou de cuidado.


Eu não olho para dentro, pois lá sou o mais miserável;

Eu mesmo não tenho nada em que basear minha confiança;

Nada vejo além de fracassos e deficiências,

E esforços fracos se desfazendo em pó.


Mas eu olho para o rosto de Jesus,

Pois ali meu coração pode descansar; meus medos se aquietam;

E há esperança, alegria e luz para a escuridão,

E paz perfeita, e toda esperança se realiza.


Autor Desconhecido

“Muitos leprosos havia em Israel no tempo do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o siro”

Lucas 4:27


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