Fracasso no Testemunho (Março de 2022)

Atualizado: 28 de mar.

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ÍNDICE


Fracasso no Testemunho

J. N. Darby

A Ruína da Igreja como Testemunho

The Young Christian

Os Últimos Dias da Igreja

F. G. Patterson

A Ruína da Igreja

J. N. Darby

Testemunho Remanescente

J. L. Erisman

Oração e Confissão

H. Smith

O Discurso de Despedida de Paulo

C. H. Brown

Fracasso e a Graça de Deus

W. J. Prost

Desânimo e Encorajamento: Causas e Curas

J. N. Darby

Embaixadores de Cristo

R. Muir

O Princípio da Unidade com a Sua Presença

J. N. Darby

Um Testemunho do fracasso

The Remembrancer

Fidelidade Através de Dependência, Não Força

A. H. Burton

Suas Misericórdias Não Falham

J. Newton


 



Fracasso no Testemunho


Deus encerra com a Igreja como testemunho no momento em que Laodiceia é vomitada. E quando a Igreja chega a esse completo estado de fracasso, então Cristo a suplanta como a “testemunha fiel e verdadeira” de Deus. O que a Igreja deveria ter feito, Cristo Se apresenta fazendo. Cristo é o Grande Amém de todas as promessas de Deus; a Igreja deveria ter mostrado como todas as promessas de Deus eram Sim e Amém em Cristo Jesus, mas não foi capaz de fazer isso; ela fracassou em dar seu Amém às promessas de Deus.


J. N. Darby


“Somos um testemunho do fracasso. O Senhor faz de nós um testemunho de Sua fidelidade. Como isso nos humilha! Isso me faz chorar, porém continuar, não desanimar.”


 

A Ruína da Igreja como Testemunho


Deus não restabelece o que o homem arruinou. A ruína da Igreja, como testemunho e vista pelo lado da responsabilidade humana, continuará até o fim de sua história. Ela se tornou infiel, até que finalmente se estabeleceu no meio do mundo, misturada com toda sorte de iniquidade, que continua até o fim. Deus a compara a uma grande casa com vasos para honra e para a desonra (2 Tm 2). Mas chegará o momento em que, terminada a história da responsabilidade do homem, o Senhor apresentará para Si mesmo a Sua Igreja, gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante (Ef 5). Naquele tempo se dirá a respeito dela, como de Jacó, não “que coisas o homem fez”, mas sim “que coisas Deus tem feito!” (Nm 23:23).


Não é mais uma questão de refazer o caminho; o edifício está em ruínas. Rebocá-lo novamente seria apenas adornar sua decadência, o que seria pior do que a própria ruína.


O Senhor abomina a pretensão ao poder em uma época como a atual. A força perdida não pode ser recuperada. A exibição do poder humano e carnal (que vemos por todos os lados) é totalmente diferente do poder do Espírito. Aqueles que falam alto sobre o poder de Deus estar com eles soam um tanto como a multidão que seguiu Simão, o Mago, dizendo, “Este homem é o grande poder de Deus” (At 8:10 – KJV), e como Laodiceia, que diz, “Rico sou”, sem saber que é “um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” (Ap 3:17).


Deus preserva um testemunho

Contudo, nunca devemos esquecer que, embora a Igreja, como um testemunho coletivo, tenha fracassado, Deus preservou um testemunho de Cristo em meio à ruína. Aqueles que procuram mantê-lo reconhecem e lamentam seu próprio fracasso comum na presença de Deus. Encontramos algo similar em Ezequiel 9:4. Os homens de Jerusalém que suspiram e gemem são marcados na testa pelo anjo do Senhor; eles são um povo humilhado, como em Malaquias 3:13-18.


Há duas classes nesse capítulo (Ml 3); primeiro, aqueles que dizem: “Que nos aproveita termos cuidado [...] em andar de luto diante do SENHOR dos Exércitos?” (v. 14 – ACF), e segundo, os fiéis, um remanescente fraco e aflito que fala uns com os outros, reconhecendo a ruína, mas esperando o Messias, o Único que pode dar a eles libertação. Estes últimos não dizem: “Que nos aproveita?”. Essa humilhação é para proveito deles, voltando seus olhos para Aquele que “levanta o pobre do pó e, desde o esterco, exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes” (1 Sm 2:8).


Deus conceda que essa também seja a nossa atitude e que não sejamos indiferentes ao estado da Igreja de Deus neste mundo, mas que choremos por termos contribuído para isso. Vamos, como Filadélfia, contentar-nos em ter pouca força, e ouviremos o Senhor dizer para nosso consolo: “Eu tenho a chave de Davi, o poder é Meu, não temas, Eu o coloco inteiramente à sua disposição”.


Quão tocante é a graça que provê adoração em meio à ruína!


The Young Christian, Vol. 26, 1936


 

Os Últimos Dias da Igreja


“A Igreja do Deus vivo” (1 Tm 3:15)

O testemunho no qual os fiéis são chamados a andar nos últimos dias tem um duplo caráter. Primeiro, é um testemunho da unidade do corpo de Cristo, formado pelo Espírito Santo enviado no Pentecostes. Segundo, com o fracasso de toda a Igreja, os fiéis têm o caráter de um remanescente na manutenção desse testemunho, e isso também no meio de uma grande casa batizada, o corpo responsável aqui na Terra, comumente chamada de “Cristandade”. Esse testemunho nunca pode almejar ser mais do que um testemunho do fracasso da Igreja de Deus, conforme estabelecida por Ele. Quanto mais fiel a Cristo for o remanescente do Seu povo, mais serão um testemunho do presente estado da Igreja de Deus, e não do estado dela como exibido no princípio.


Agora, é encontrada na Palavra de Deus, para exemplo e consolo, uma fé que conta com Ele e Sua intervenção divina diante do fracasso do homem: uma fé que se encontra sustentada por Deus conforme o poder e as bênçãos da dispensação, e conforme os primeiros pensamentos de Seu coração quando Ele estabeleceu tudo em poder primário. Ele une esse poder e a própria presença do Senhor com a fé dos poucos que agem segundo a verdade fornecida para o momento presente, ainda que a administração do todo não esteja operando de acordo com a ordem que Deus estabeleceu no princípio.


Ana de Aser

Por exemplo, a bênção de Aser, em Deuteronômio 33:24-25, termina com estas lindas palavras: “Como os teus dias, assim será a tua força” (KJV), e tudo foi à ruína, como a história de Israel revela. No entanto, na primeira vinda de Cristo, quando o remanescente devoto e piedoso do povo estava “esperando a consolação de Israel”, encontramos alguém dessa mesma tribo, “a profetisa Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser […] viúva, de quase oitenta e quatro anos, e não se afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia” (Lc 2:36-37). Ela estava no gozo e poder daquela bênção de Moisés – “assim será a tua força”. E o Senhor, o próprio Cristo, identificou-se com aquele remanescente obscuro, do qual ela era uma, um remanescente que estava pronto para recebê-Lo quando Ele veio da primeira vez.


O cativeiro de Judá

Nos dias após o cativeiro de Judá, encontramos o remanescente que retornou, em toda a fraqueza daqueles que não podiam ter nenhuma pretensão a não ser a ocupação da plataforma divina de povo terrenal de Deus. Encontramos estas palavras reconfortantes dirigidas a eles: “Eu sou convosco, diz o SENHOR dos Exércitos, segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito, o Meu Espírito permanece no meio de vós; não temais” (Ag 2:4-5 – ACF). A fé deles é chamada novamente àquele grande dia de poder, quando Jeová os levou “sobre asas de águias e os trouxe para Si”, e removeu seus ombros dos fardos da escravidão egípcia. Inabalável em poder, Ele estava com eles, do mesmo jeito, para a fé pleitear e usar. Nenhuma exibição exterior havia deles, apenas Sua Palavra e Espírito, que provavam Sua presença para a fé, operada naquele fraco remanescente: A eles é revelado o abalo de todas as coisas (Hb 12:27 – ARA) e a vinda daquele que faria a “última glória” (TB) de Sua casa maior do que a anterior. Eles são, portanto, o elo entre o templo dos agradáveis dias de Salomão e aquele do dia da glória vindoura, quando Ele se assentará um “Sacerdote no Seu trono”, e haverá conselho de paz entre Jeová e Ele, e Ele levará a glória (Zc 6:12-13; Ag 2:7-9).


Ele fará tremer os céus e a Terra e derrubará o trono dos reinos (Ag 2:21-23), identificando assim todo o Seu poder com o pequeno remanescente de Seu povo que anda na companhia de Seus pensamentos. Ele fará com que todos venham e adorem diante de seus pés e saibam que Ele os amou.


O estado moral de Filadélfia

Assim, também, aqueles que respondem ao chamado que condiz com Sua mente, como vemos em Filadélfia (Ap 3:7-13), são fiéis àquilo que, embora não seja um perfeito estado de coisas, é adequado ao estado de fracasso que a fé contempla. Ele os torna o elo, o fio de prata, entre a Igreja do passado estabelecida no Pentecostes (At 2) e a Igreja da glória (Ap 21:9). O vencedor será feito “coluna no templo do Meu Deus”, na “nova Jerusalém” nas alturas.


Deixe-me aqui observar que nunca houve, e nunca poderá haver, um momento em que aquilo que responde a este chamado cessará, até que o Senhor venha. No retrato moral apresentado nestes dois capítulos (Ap 2-3), encontramos, em qualquer momento, todos os sete aspectos juntos, como eles estavam quando Ele enviou as mensagens, e assim permanecem. Na Idade das trevas, e naquelas de mais luz em dias posteriores, e agora no fim antes que Ele venha, todos, em todos os lugares, que respondem com um coração perfeito à medida da verdade que Ele lhes deu são, moralmente, Filadélfia. Outros podem ter mais luz, mas o verdadeiro coração que anda com Cristo naquilo que conhece é conhecido d’Ele e é o que está contemplado em Filadélfia. Historicamente, há um desdobramento no estado de cada uma das sete Igrejas, com cada aspecto maior ganhando proeminência e apresentando as características marcantes da Igreja professa, até que a Igreja se torna um remanescente na mensagem a Tiatira e evolui para aquelas características que se seguem. Mas, moralmente, Filadélfia representa aqueles que respondem ao coração de Cristo em todas as épocas e em todas as circunstâncias, desde o momento em que o Senhor entregou essas mensagens até a Sua ameaça – “Vomitar-te-ei da Minha boca” – ser finalmente executada. Na visão histórica, Filadélfia vem depois de Sardes e é exortada a “guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa”. Mas enquanto Sua voz for ouvida por almas fiéis, elas, onde quer que estejam, formam o elo entre a Igreja no Pentecostes e a Noiva, a esposa do Cordeiro, no dia da glória. Cada estado moral em todas as sete mensagens permanece desde o princípio até o fim. Existem neste momento, assim como no princípio, aqueles que deixaram o seu primeiro amor, aqueles que sofrem por Cristo, aqueles que são fiéis onde está o trono de Satanás, e assim por diante até a conclusão de tudo.


João e Paulo

Além de tudo isso, nunca devemos esquecer que João está vendo a decadência daquilo que foi revelado a Paulo e nos dizendo o que Cristo fará com aquilo que leva o Seu nome. Para o nosso próprio caminho, não recebemos nenhuma direção a não ser para escutar e ouvir “o que o Espírito diz às igrejas”, pois não encontramos terreno da Igreja revelado aqui. João nunca nos dá coisas coletivas, somente individuais, e nunca nos instrui quanto à Igreja de Deus, mesmo reconhecendo plenamente a existência dela. Quando estamos, portanto, fundamentados e firmados naquilo que nunca falha – o um só corpo de Cristo, formado e mantido pelo Espírito de Deus na Terra, conforme ensinado por Paulo –, podemos, com grande proveito, nos voltar para João e essas mensagens e aprender o que Cristo fará com tudo o que leva o Seu nome. Porém, somente com Paulo posso aprender o que devo fazer no meio de tal cena. Devo ser um “vencedor” de acordo com a mente do Senhor, e isso jamais poderá ser pelo abandono daquilo que Seu Espírito mantém na Terra.


Quão importante é, portanto, estar completamente fundamentado na verdade da Igreja de Deus, que permanece enquanto o Espírito de Deus e Sua Palavra permanecem – “até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4:13).


F. G. Patterson (adaptado)


 

A Ruína da Igreja


Está claro que autoimportância e desapontamentos são coisas que podem criar hoje pequenas assembleias sem Deus, mas aquilo que trouxe a ruína acredito ser moral. “Porque todos buscam o que é seu e não o que é de Cristo Jesus” (Fl 2:21). “Todos me desampararam” (2 Tm 4:16). “Os que estão na Ásia todos se apartaram de mim” (2 Tm 1:15) – não de Cristo absolutamente, mas eles não seguiriam todo o caminho de fé com o apóstolo. Eles temiam a cruz, o caminho áspero e malvisto para o qual o Espírito de Deus os conduzia. O mundo havia-se introduzido entre eles na forma de comodidade e respeitabilidade; é a primeira forma que o diabo assume, pois é ordem e atrativo para a carne. Mas é o mundo e Satanás, e, portanto, o poder está querendo permitir a resistência de outras formas de erro, heresia e clericalismo. Um vaso investido de poder torna-se desagradável porque o seu padrão perturba a consciência, em vez de ter seu poder espiritual atuando no coração também. Quando a consciência, e não o coração, é alcançada em um Cristão, ele luta contra ela. Assim a Igreja segue seu próprio caminho para as mãos de Satanás, em uma estrada clerical mundana. Deus foi de fato sábio em não escolher muitos poderosos, nem muitos nobres, nem muitos ricos; eles acham difícil submeter seus confortos e atrativos aos de Deus. Um rico corpo de Cristãos se tornará na prática pobre e simples, ou na prática mundano. Este é o meu pensamento, expresso de forma breve.


A ruína que vejo agora ninguém consegue negar; nossos sentimentos nela são outra questão, porque dependem de nos condoermos junto com Cristo, e isso é poder espiritual. Ninguém teria chorado sobre Jerusalém, como nosso Senhor fez, mesmo não compactuando com sua culpa. Julgo que se ater a divisões marca uma estimativa muito fraca do estado de ruína em que a Igreja se encontra, mas sou grato por cada apreensão da verdade. Seja qual for a porta de entrada, uma vez que as almas cheguem à verdade por meio de ensino divino, ela será percebida por todos os lados à medida que os homens crescerem na consciência do que é a Igreja. Pois onde está a noiva de Cristo, Seu belo rebanho que Ele nos deu? Graças a Deus, ela será vista toda junta na glória!


J. N. Darby – 1847


 

Testemunho Remanescente


Lucas 2:1-18, 25

Em conexão com o remanescente de Israel descrito em Lucas 2, lembro-me do que é dito em Zacarias 13, onde fala do Pastor sendo ferido, e como o Senhor diz: “Volverei a minha mão para os pequenos” (Zc 13:7). Fico impressionado com o pensamento de que o Senhor preservou um remanescente ao longo dos anos. Observe como Daniel agiu quando entendeu a profecia de seu tempo.


Daniel diz: “E eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração, e rogos, e jejum, e pano de saco, e cinza. E orei ao SENHOR, meu Deus, e confessei, e disse: Ah! Senhor! Deus grande e tremendo, que guardas o concerto e a misericórdia para com os que Te amam e guardam os Teus mandamentos; pecamos, e cometemos iniquidade, e procedemos impiamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos Teus mandamentos e dos Teus juízos” (Dn 9:3-5). Daniel teve conhecimento, pelos escritos de Jeremias, de que havia chegado o tempo para a libertação do povo de Deus da Babilônia. Daniel podia dizer: Agora é chegada a hora. Isso não é maravilhoso? Sim, mas ele sentiu que um certo estado teria que acompanhar esse fato, para que o Senhor os libertasse. Daniel percebeu isso e se identificou com o povo de acordo com o estado em que eles se encontravam. A oração do capítulo 9 foi em exercício acerca de tal estado. Ainda não parecia haver muito exercício por parte do povo em relação a retornar.


O estado de alma

Vemos que um remanescente retorna. Mais tarde, quando Esdras vai, ele não encontra nenhum dos levitas entre eles; não estavam lá justamente aqueles cujo ofício era ensinar o povo. Aquela era uma triste condição. Temos os propósitos de Deus a respeito de certas coisas nas Escrituras, mas deve haver um estado de alma entre o Seu povo para que essas coisas sejam realizadas de acordo com a Sua mente. Não é conhecimento o que vai nos manter; deve haver aquele estado de alma que é aceitável a Ele.


Sabemos que um remanescente voltou e construiu o templo, e houve muito regozijo. Lemos sobre eles em Esdras e Neemias, e mais de uma vez eles se comprometeram com um juramento de guardar a lei de Moisés. Sob a grande energia e fidelidade de Neemias, eles continuaram por um tempo, mas, depois que ele se foi, se desviaram para o mundo. Essa é a maneira como a carne sempre faz; a carne em nós faria o mesmo.


Dias de Malaquias

Nos dias de Malaquias, as coisas estavam em baixa. Foi, talvez, cem anos depois dos dias do remanescente que acabamos de mencionar, quando Ageu e Zacarias despertaram o povo quanto ao estado deles. Nos dias de Malaquias, eles ofereciam sacrifícios usando os animais aleijados, os coxos e os doentes, e ele teve que lhes dizer: “Ora, apresenta-o ao teu príncipe; terá ele agrado em ti? Ou aceitará ele a tua pessoa? – diz o SENHOR dos Exércitos” (Ml 1:8).


No entanto, parece que havia um remanescente separado, e sobre eles lemos: “Então, aqueles que temeram ao SENHOR falaram frequentemente um ao outro; e o SENHOR atentou e ouviu; e um memorial foi escrito diante d’Ele, para os que temeram ao SENHOR, e para os que se lembraram do Seu nome” (Ml 3:16 – ACF).


O Espírito de Deus os havia preservado e exercitado. Malaquias nos diz certas coisas que os caracterizavam, e descobrimos que eram os mesmos traços que caracterizavam aqueles descritos em Lucas, quando o Senhor Jesus nasceu. Eles falavam frequentemente um ao outro, e o Senhor ouviu, e um livro de memórias foi escrito diante d’Ele. Há livros sendo mantidos lá no alto, e os livros serão abertos. Este é um livro especial, chamado de “memorial”, e estava diante d’Ele, como se o Senhor gostasse de olhar o registro daqueles devotos – aqueles que temiam ao Senhor e pensavam no Seu nome. Acredito que haja uma grande bênção para nós em pensar no que é devido ao Seu nome. Deus tem outros livros, entre eles um livro de obras, no qual estão registrados os atos e andar descuidados daqueles que professam o Seu nome.


O que é devido ao Seu nome

Eu estava pensando em Mateus 18:20 – “Pois onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles”. Acredito que “ao Meu nome” (JND) envolve mais do que normalmente se pensa. Traz consigo aquele respeito devido ao Seu nome, do qual temos falado: a resposta do remanescente no tempo de Malaquias, ou seja, meditação sobre o que é devido a esse nome. Para se ter a sanção do Senhor, conforme mencionado em Mateus 18, deve haver meditação sobre o que é devido ao Seu nome. Deve haver um estado de alma como aquele manifestado em Daniel.


O remanescente no tempo de Malaquias existiu trezentos ou quatrocentos anos antes do advento do Senhor a este mundo. Daniel fala de incidentes que aconteceram durante esse intervalo – alguns realizando proezas, e enquanto era feito por fé, Deus honrava. Durante esse intervalo, um usurpador, Antíoco Epifânio[1], a quem Daniel faz alusão, entrou no templo e o profanou oferecendo uma porca sobre o altar. Deus levantou um grupo de fiéis que expulsou os intrusos, e eles rededicaram o templo. Então, depois, a fé deles esmoreceu, e eles chamaram os romanos para ajudá-los. Quando o Senhor esteve aqui, eles ainda celebravam essa festa da dedicação, mas seu coração não estava nisso. O Senhor teve que expulsá-los do templo, por também o profanarem (João 2); eles não tinham consciência do que seus pecados haviam trazido sobre eles.


Conhecimento e fé

Mas, ainda assim, um remanescente foi preservado, e em Lucas 2 vemos que havia aqueles dois grupos: os pastores no campo e aqueles em Jerusalém. Aparentemente eles não tinham muito conhecimento sobre o que as Escrituras profetizavam, mas eles estavam “esperando a consolação de Israel” (Lc 2:25). O Senhor tem uma mensagem especial para eles, anunciando aos pastores o nascimento do Messias e direcionando o remanescente em Jerusalém para o templo no tempo certo para ver o seu Messias. Ele sempre honra a fé.


Que possamos estar na corrente de Seus pensamentos neste momento para podermos trilhar o caminho traçado para a fé conforme revelado nas Escrituras.


J. L. Erisman (adaptado de uma pregação)


 

Oração e Confissão


Em comum com as outras profecias de Daniel, o nono capítulo nos leva para o futuro, trazendo diante de nós o destino de Jerusalém. Como profeta, Daniel teve visões e recebeu revelações do futuro; agora iremos vê-lo como o intercessor em favor do povo de Deus e, em resposta à sua oração e súplica, recebendo instruções quanto à mente de Deus.


O cenário da oração (vs. 1-2)

Sessenta e oito anos se passaram desde que Daniel fora levado cativo na queda de Jerusalém. Ele tinha visto a ascensão e queda da Babilônia, enquanto a Pérsia, o segundo império mundial, havia passado à frente. Neste reino, Daniel ocupava uma alta posição de autoridade. Mas os envolventes assuntos de Estado não podiam ofuscar seu amor ardente pelo povo de Deus, ou sua fé na Palavra de Deus no que dizia respeito a eles.


Versículo 2 – Vimos que Daniel era um homem de oração; agora aprendemos que ele também era um estudioso da Escritura. Daniel aprende que não apenas Babilônia seria julgada, mas que o Senhor havia dito a Jeremias “que, passados setenta anos na Babilônia, vos visitarei e cumprirei sobre vós a Minha boa palavra, tornando-vos a trazer a este lugar” (Jr 29:10).


Daniel faz essa importante descoberta no primeiro ano de Dario. O retorno propriamente dito, nós sabemos, ocorreu dois anos depois, no primeiro ano de Ciro (Ed 1:1).


A confissão de Daniel sobre o pecado do povo de Deus (vs. 3-6)

O efeito imediato de saber pela Palavra que Deus está prestes a visitar Seu povo é Daniel se voltar a Deus. Ele tem comunhão com Deus sobre aquilo que ele recebe de Deus. O resultado é que ele enxerga o verdadeiro caráter do momento e age de maneira adequada ao momento.


Deus está prestes a parar Sua mão disciplinadora e conceder um pouco de avivamento ao Seu povo. Daniel, enxergando o verdadeiro significado do momento, volta-se para Deus com oração, e rogos, e jejum, e pano de saco, e cinza”, e faz confissão ao Senhor seu Deus. Ele vê o passado marcado pelo fracasso, e o futuro sombrio com a previsão de tristezas mais profundas e maior fracasso, e nenhuma esperança de libertação para o povo de Deus como um todo até que o legítimo Rei venha. Diante dessas verdades, Daniel foi profundamente afetado, seus pensamentos o perturbavam, seu semblante mudou, e ele enfraqueceu e esteve enfermo alguns dias (Dn 7:28; 8:27).


Mas Daniel fez outra descoberta. Ele aprendeu com a Escritura que, apesar de todo o fracasso do passado, Deus havia predito que haveria um pequeno avivamento no decorrer dos anos. Em tudo isso, vemos uma correspondência entre nossos dias e aqueles nos quais Daniel viveu. Em meio a todo o fracasso da Igreja, o Senhor disse definitivamente que haverá um reavivamento Filadélfia de alguns que, em meio à corrupção da Cristandade, serão achados em grande fraqueza, buscando guardar a Sua Palavra e não negar o Seu Nome.


Daniel, em sua oração e confissão, mostra o espírito que deve marcar aqueles que, em seus dias ou nos nossos, desejam atender a porta aberta de libertação que Deus coloca diante de Seu povo. Olhando além do fracasso de indivíduos, Daniel vê e admite o fracasso do povo de Deus como um todo. Ele diz: “Pecamos, […] nossos reis, nossos príncipes e nossos pais, e […] todo o povo da terra”. Da mesma forma, em nossos dias, todos nós tivemos nossa parte na baixa condição que levou à ruptura da Igreja.


Daniel justifica a Deus (vs. 7-15)

Tendo confessado o pecado de “todo o povo da terra”, Daniel justifica a Deus por tê-los castigado. Ele reconhece que esses males devem ser aceitos como vindos de Deus, agindo em Sua santa disciplina, e não simplesmente como resultado de atos particulares de indivíduos. Isso é claramente visto na grande divisão que ocorreu em Israel. Instrumentalmente, ela foi causada pela loucura de Roboão, mas, Deus diz, “de Mim proveio isso” (2 Cr 11:4). Daniel não se refere à violência implacável de Nabucodonosor; mas, olhando além desses homens, ele vê, na dispersão, a mão de um Deus justo. Por outro lado, “a misericórdia e o perdão” pertencem ao Senhor nosso Deus. Não só Deus é justo, mas Ele é misericordioso e cheio de perdão.


Além do mais, quando o mal veio, eles não se voltaram a Deus em oração (v. 13). Aparentemente, não havia desejo de se apartar de suas iniquidades e entender a verdade. Certamente há uma voz para nós em nossos dias. O povo de Deus está disperso e dividido por causa de seus pecados, porém quão calmamente, e até com complacência, esse estado de divisão é frequentemente visto pelo povo de Deus!


A súplica de Daniel a Deus por misericórdia (vs. 16-19)

Tendo confessado o pecado e o fracasso do povo de Deus e tendo, além disso, justificado a Deus em todos os Seus caminhos, Daniel agora ora em forma de súplica. É significativo que, ao rogar pela cidade, pela montanha, pelo santuário e pelo povo, ele os vê não em relação a si mesmo ou à nação, mas como pertencentes a Deus. Ele não diz nossa cidade, ou nosso santuário, ou nosso povo, mas “Tua cidade”.


É da mais profunda importância ver que a base da súplica de Daniel é o fato, repetidamente enfatizado em sua confissão, de que o próprio Deus é quem havia dispersado o povo. Até que esse fato seja encarado e admitido, sem qualquer reserva, não pode haver recuperação.


Enxergar o homem como o único causador divisões levou muitas pessoas sinceras à falsa conclusão de que, se foi o homem que causou divisões, então ele tem o poder para remediá-las. Daí os esforços que são feitos para reunir novamente o povo de Deus estarem fadados ao fracasso, e pior do que fracasso, pois apenas aumentam a confusão entre o povo de Deus. Reunir está além da inteligência do homem; é obra de Deus. Podemos destruir, podemos espalhar, podemos partir corações, mas “O Senhor edifica a Jerusalém; congrega os dispersos de Israel. Sara os quebrantados de coração, e lhes ata as suas feridas” (Sl 147:2-3 – ACF).


Aqui, então, na oração de Daniel, temos o curso que deve sempre guiar o povo de Deus em um dia de ruína. Primeiro, obter, ao nos voltarmos para Deus, um senso renovado e profundo de Sua grandeza, santidade e misericórdia para aqueles que estão preparados para guardar Sua Palavra. Segundo, devemos confessar nosso fracasso e pecado, e que a raiz de toda a dispersão está em uma baixa condição moral. Terceiro, precisamos reconhecer o justo governo de Deus em todos os Seus meios de castigar o Seu povo. Quarto, devemos recorrer à justiça de Deus, que pode agir em misericórdia para com o fracasso de Seu povo, por amor do Seu nome.


Entendendo a palavra e a visão (vs. 20-27)

Voltando-se para Deus em oração e confissão, Daniel recebe luz e entendimento acerca da mente de Deus. É significativo que ele receba a resposta para sua oração à hora do sacrifício da tarde, indicando que sua oração é respondida com base na eficácia da oferta queimada que fala a Deus do valor do sacrifício de Cristo.


No início da súplica de Daniel, Deus havia dado mandamento a Gabriel acerca de Daniel. Deus não esperou uma longa oração, para ouvir tudo o que Daniel diria. Deus conhecia os desejos do coração dele, e logo no início Deus ouviu e começou a agir. A incumbência de Gabriel era abrir o entendimento de Daniel para receber as comunicações de Deus, conforme ele diz, “para fazer-te habilidoso de entendimento” (JND). Não bastava Daniel receber revelações; ele precisava ter seu entendimento aberto para tirar proveito delas. Em uma data posterior, o Senhor abriu as Escrituras aos discípulos e abriu também o entendimento deles para que pudessem entendê-las. Nós, também, precisamos do entendimento aberto, bem como das Escrituras abertas, assim como o apóstolo Paulo pode dizer a Timóteo, quando ele lhe abre a verdade: “Considera o que digo; e o Senhor te dê entendimento” (2 Tm 2:7 – KJV).


Além disso, tendo-se associado com o fracasso do povo de Deus, e confessado que “[nós] pecamos”, Daniel agora tem a certeza de que, apesar de todo o fracasso, ele é “mui amado”. Que encorajamento para nossa própria alma nestes últimos dias!


H. Smith (adaptado)


 

O Discurso de Despedida de Paulo


Agora, o querido apóstolo Paulo se aproxima do fim de seu discurso aos anciãos, em Atos 20. Sem dúvida, as lágrimas corriam por seu rosto enquanto ele lhes contava a triste notícia do que aconteceria depois que ele não estivesse mais entre eles. Satanás estava ele próprio ocupado em dividi-los e espalhá-los. Essa dispersão ocorreria de duas maneiras. Primeiro, mestres malignos, como o Juiz Rutherford das Testemunhas de Jeová, Joseph Smith do Mormonismo e seus semelhantes, se levantariam como lobos cruéis e despedaçariam o rebanho, se possível. Mas o segundo perigo do qual o apóstolo os advertiu era mais sério que o primeiro. A segunda dispersão seria aqueles dentre eles que formariam partidos e dividiriam o rebanho. “E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” (At 20:30). Ah, foi o que fez Paulo chorar. Foi a razão pela qual ele disse: “Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar, com lágrimas, a cada um de vós” (v. 31). Oh, como é triste quando um irmão assume a responsabilidade de dividir os santos de Deus. Eles falam coisas perversas, coisas obstinadas, coisas voluntariosas. Para quê? “Para atraírem os discípulos após si.” A Igreja de Deus tem sofrido sob esse flagelo ao longo de toda sua história. O espírito da coisa já estava em circulação nos dias de Paulo, tanto que alguns diziam, “Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo” (1 Co 1:12). Mas isso é tão hediondo aos olhos de Deus hoje como era então. A avaliação de Deus não mudou em nada.


Pastores auxiliares[2]

Uma das mais tristes tragédias que podem acontecer na vida de um servo do Senhor é a de ser culpado de afastar de Cristo, o Centro, uma porção da Igreja de Deus. Quão contrário ao coração de Cristo é que alguém busque seguidores após si! O Bom Pastor deseja ver o rebanho mantido junto; Ele os ama a cada um. Um irmão mais velho costumava dizer, “Lembrem-se, nosso Senhor Jesus tem pastores auxiliares que cuidam do rebanho, mas Ele não tem nenhum cão de guarda”. Em que espírito anseio eu por aqueles a quem vejo se desviando? O meu interesse é um interesse de justiça própria, farisaico, ou tenho eu o coração de Cristo, o Pastor Principal? É meu desejo ver essas ovelhas que estão dispersas reunidas de volta a Cristo, o Centro, para que possam novamente ser felizes em Sua presença?


Encomendando a Deus

“Agora, pois, irmãos, encomendo-vos a Deus e à palavra da Sua graça” (At 20:32). Observe que Paulo não disse, “encomendo-vos aos anciãos” ou “aos diáconos”. Ele não os encomendou a nenhuma autoridade terrenal. Ele os encomendou a dois imutáveis e inalteráveis objetos – Deus e a Palavra. Pode Deus mudar? Não. Pode a Palavra mudar? Não. “Para sempre, ó SENHOR, a Tua palavra permanece no céu” (Sl 119:89). Ele os encomendou “a Deus e à palavra da Sua graça; a Ele, que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os santificados”. Tal é o desejo de Deus para todos nós hoje, que sejamos edificados na fé – que sejamos preparados para a grande herança que nos aguarda. O povo de Deus é um povo santificado, um povo separado, um povo reunido. Paulo sabia que a vontade de Deus expressada em Sua Palavra seria realizada no meio de um povo separado e santo. Quando vemos santos de Deus procurando misturar as coisas santas de Deus com o lixo do mundo, que insulto isso é ao bendito Senhor! O espírito de mistura entre o santo e o profano está em toda a nossa volta hoje. Vamos evitá-lo como evitaríamos uma praga. Oh, amados, vamos acordar! Lembremo-nos de quão perto estamos do fim. Nossas associações são aqueles a quem Deus pode chamar de santificados? O que fazemos para relaxar de vez em quando são atividades santificadas? Deus não tem nenhuma objeção a nos retirarmos para descansar e relaxar, mas será que tais períodos estão em harmonia com a vontade d’Ele para nós?


A oração

Agora, o versículo 36: “E, havendo dito isto, pôs-se de joelhos e orou com todos eles”. Orou com eles, não para eles, nem sobre eles. Todos juntos se ajoelharam, e ele orou com todos eles. “Levantou-se um grande pranto entre todos e, lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam”. Que belas são as afeições do povo de Deus! Jamais tente buscar algo semelhante no mundo, pois você nunca encontrará. Essa maravilhosa comunhão para a qual você e eu fomos trazidos é o fruto do Calvário. Ela vem de cima, do Cabeça da Igreja. “[...] lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam”. Como eles o amavam! Era ele um pastor infiel? Ele sempre lhes falou coisas suaves? Estava sempre tentando conformá-los ao seu conforto pessoal? Absolutamente, não! Mas, na hora da despedida, o coração e consciência deles lhes disseram que este querido homem de Deus lhes havia dito a verdade. E o Espírito de Deus fez com que suas lágrimas e as dele se misturassem, no momento em que se separavam pela última vez na Terra.


“[Eles] não veriam mais o seu rosto. E acompanharam-no até ao navio.” Eles o observaram embarcar, e posso vê-los acenando o seu adeus enquanto o navio vai embora. Como me lembro bem da despedida de um velho e querido servo do Senhor há cerca de 50 anos. À medida que nosso barco deixava o cais, esse velho servo veterano ficou na margem e, enquanto conseguimos vê-lo, ele acenava com o lenço para nós. Aquela foi a última vez em que o vimos neste mundo. Nosso próximo encontro será aquele “nos ares”, quando o Senhor vier para a Sua Igreja. Oh, amados, quão reais são as afeições de Cristo! Não as traiamos. Não procuremos um substituto. Vamos nos aproximar. Precisamos uns dos outros. Eu preciso do seu encorajamento e adoraria ser um pouco de encorajamento para você, enquanto juntos aguardamos a Sua vinda.


C. H. Brown (adaptado)


 


Fracasso e a Graça de Deus


Nesta edição da revista, estamos discutindo o fracasso da Igreja e o que isso significa para todos nós. Infelizmente, fracasso tem sido a história do homem desde o princípio de sua criação; ele arruinou tudo o que foi colocado sob sua responsabilidade. Adão e Eva falharam, em inocência, no Jardim do Éden, e em seguida o homem falhou, sob a consciência, de modo que a Terra estava corrompida e encheu-se de violência. Noé se embriagou logo após o dilúvio, e depois Deus foi obrigado a confundir a linguagem do homem, quando construíram a torre de Babel. Então a idolatria se instalou, e o Senhor chamou Abraão para fora dela.


Israel fracassou em todos os testes que o Senhor lhes aplicou: primeiro, sob a lei; depois, sob os juízes, sob o sacerdócio e, finalmente, sob seus reis. O seu julgamento terminou ao crucificarem seu próprio Messias, o Senhor Jesus, e então o teste do homem acabou. Deus não podia submeter o homem a nenhum outro teste; Ele precisava declarar juízo sobre este mundo. Mas, então, Deus revelou o mistério “que desde o princípio do mundo esteve oculto em Deus” (Ef 3:9 – KJV) – o mistério de Cristo e a Igreja. Essa foi uma revelação maravilhosa – algo que Deus não havia revelado de maneira alguma no Velho Testamento. Há muitas profecias no Velho Testamento, mas a Igreja não tinha lugar na profecia, pois, como uma companhia celestial, não era o assunto da profecia. A profecia diz respeito à Terra; não abrange o que acontece com um povo celestial. Existem figuras da Igreja no Velho Testamento (muitas delas), mas nenhuma profecia direta a respeito dela.


A verdade da assembleia

A verdade da assembleia foi especialmente revelada ao apóstolo Paulo, que foi escolhido por Deus, como ele mesmo diz, para “pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo” (Ef 3:8 – ARA). Há riquezas de Cristo no Velho Testamento, e estas podem ser examinadas, agora que temos a luz do Novo Testamento. Podemos ler textos como o Salmo 22, Salmo 69, Isaías 53, Zacarias 12, para mencionar algumas referências. Tais escrituras de fato testificam dos “sofrimentos que a Cristo haviam de vir e a glória que se lhes havia de seguir” (1 Pe 1:11). Mas nada disso é a verdade da assembleia, ou a revelação do mistério de Cristo e a Igreja. Isso teve que esperar até que Paulo entrou em cena e revelou a preciosa verdade desse mistério. Na verdade, ele reconheceu que havia sido separado desde o ventre de sua mãe para essa responsabilidade e levou muito a sério essa responsabilidade. Todos os propósitos de Deus foram agora revelados, e Paulo podia dizer com confiança: “Nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus” (At 20:27).


Todas as bênçãos possíveis foram dadas à Igreja, pois somos abençoados “com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1:3), e toda bênção Cristã é o pico de uma montanha além do qual até mesmo o próprio Deus não poderia ir. Ele “nos elegeu n’Ele [Cristo] antes da fundação do mundo” (Ef 1:4), e “nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Ef 2:6). Somos agora a noiva de Cristo e teremos o lugar mais próximo a Ele na glória vindoura. Poderíamos continuar aqui listando, mas certamente as bênçãos e as revelações que Deus deu à Igreja excedem em muito qualquer coisa que tenha sido dada ao homem em qualquer dispensação anterior.


A graça de Deus

Ao dar tudo isso, a graça de Deus brilhou muito além de qualquer coisa que Ele havia dado anteriormente ao homem. Quando o homem estava totalmente arruinado e falhara em todos os testes que Deus lhe aplicou, precisava haver juízo. A natureza santa de Deus o exigia, e Deus pronunciou juízo. O Senhor Jesus pôde dizer, quando foi rejeitado: “Agora, é o juízo deste mundo” (Jo 12:31). No entanto, em vez de aplicar esse juízo imediatamente, Deus primeiro trouxe bênção por meio da graça que excedia em muito tudo o que Ele havia feito antes. Certamente, com tudo isso, não poderia haver fracasso. Certamente o homem reagiria de maneira correta desta vez!


Mas, como bem sabemos, aconteceu exatamente o contrário. A maior exibição da graça de Deus e as mais abundantes revelações apenas resultaram no que talvez tenha sido o maior fracasso do homem. Isso foi predito desde o princípio, pois o próprio Senhor Jesus previu o fracasso da Igreja, mesmo antes de ser formada no dia de Pentecostes. Várias das parábolas de Mateus 13 mostram claramente a decadência que viria – a parábola do joio, a parábola do grão de mostarda e a parábola da mulher escondendo fermento em três medidas de farinha. Mais tarde, então, Paulo poderia dizer aos anciãos de Éfeso: “Depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” (At 20:29-30). A assembleia em Éfeso era uma assembleia onde muitos foram salvos e onde Paulo pôde ministrar a mais elevada verdade que o Senhor lhe dera. Mas o fracasso entraria até mesmo ali. Mais tarde, em cartas como 2 Timóteo, 2 Pedro e Judas, vemos o fracasso chegando antes que os apóstolos fossem levados para casa. Poderíamos mencionar muitas outras escrituras para apoiar isso, mas vamos passar para os nossos dias atuais. Estamos vendo agora o resultado completo de tudo isso, como nos é mostrado em 2 Timóteo 3. Estamos nos últimos dias e vemos a Cristandade fazendo coisas muito piores do que aquela parte do mundo que não recebeu a luz do evangelho da mesma maneira.


Desânimo

Podemos facilmente ficar desanimados vendo tudo isso, e deveríamos sentir isso, nos preocupar com isso e derramar lágrimas por isso. Mas na Escritura nunca encontramos o desânimo como parte da reação adequada de um Cristão ao fracasso da Igreja coletivamente. Não, muito pelo contrário. Em 2 Timóteo, podemos ver o peso que Paulo deve ter sentido no coração, quando ele teve que dizer: “Todos os da Ásia me abandonaram” (2 Tm 1:15 – ARA). No entanto, em toda a epístola não há um sinal sequer de desânimo. Por quê? Porque Paulo conhecia a verdade que ele havia ministrado; ele sabia que era a verdade de Deus e que ela honrava a Cristo. Se outros desistiram dela, isso apenas tornava essa preciosa verdade ainda mais valiosa.


Um remanescente

Há mais do que isso, no entanto. Em cada dispensação, quando o fracasso do homem arruinou o que Deus estabeleceu, Deus restaurou o verdadeiro caráter dela, mas apenas em um caráter remanescente. O que queremos dizer com isso? Não gosto de usar a palavra “remanescente”, por ela ter sido usada quase que em excesso em relação ao assunto sobre o qual estamos falando, mas a palavra transmite o pensamento. Um remanescente é uma sobra, um resto, um pedaço que é tirado da roupa original que não temos mais. Contudo, é feito do mesmo tecido e tem a mesma cor do original. Podemos olhar para ele e imaginar como seria o original. Deus sempre agiu assim quando o homem falhou no que Deus lhe confiou. O homem não teve mérito nisso; foi somente a graça de Deus que o fez.


Como observamos, o fracasso da Igreja foi maior do que o fracasso com qualquer relacionamento anterior de Deus com o homem. O maravilhoso é que a graça de Deus, de forma correspondente, foi maior do que em qualquer dispensação anterior, ao restaurar a preciosa verdade da assembleia para nós, embora novamente em um caráter remanescente. Quando Deus começou a trabalhar dessa maneira há quase 200 anos, Ele levantou homens que foram poderosamente usados por Deus para trazer de volta a verdade da assembleia e nos mostrar o que Paulo transmitiu no princípio. A dispensação da graça já é mais longa do que qualquer outra anterior, pois Deus ainda está esperando que mais pessoas venham e sejam salvas. Contudo, Ele também providenciou um caminho que podemos reconhecer e no qual podemos andar em toda a verdade de Deus, e exibi-la, na prática, de uma maneira corporativa. Que graça infinita para aqueles que fracassaram tão profundamente!


Palavras de encorajamento e de advertência

A recompensa pela fidelidade, da mesma forma, é maior também. Quando lemos a recompensa prometida a Filadélfia em Apocalipse 3:12, ela enche nosso coração: “A quem vencer, Eu o farei coluna no templo do Meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do Meu Deus e o nome da cidade do Meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do Meu Deus, e também o Meu novo nome”. Um irmão mais velho costumava nos lembrar de que não há maior encorajamento em toda a Bíblia do que o que temos neste versículo. Não iremos entrar nos detalhes do versículo aqui, mas apenas observar que à medida que o dia fica mais sombrio, a graça de Deus brilha mais forte. Em nenhum lugar isso é mais verdadeiro do que no caráter remanescente da Igreja.


Vamos encerrar com uma palavra de advertência. A abundância de bênção pode às vezes fazer com que esqueçamos nosso fracasso e nos induzir a pensar que somos “tão bons” quanto eles eram nos primeiros dias da assembleia. Cair nessa armadilha é estar enaltecido de orgulho e esquecer que somos um testemunho do fracasso da Igreja, e não da nossa própria fidelidade. Não há limite, em certo sentido, para a bênção que o Senhor pode conceder, mas lembremos que estamos em “dias remanescentes”, não em dias apostólicos. Humildade é o que convém a nós, mas nunca o desânimo, pois o Senhor é o mesmo, Seu Espírito ainda está aqui, temos Sua Palavra em nossas mãos e temos Sua promessa de que “diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar” (Ap 3:8).


W. J. Prost


 

Desânimo e Encorajamento: Causas e Curas



Cada seção sob um novo subtítulo foi extraída de diferentes artigos, todos escritos por John N. Darby.


Preocupações e provações

Com relação a nossas preocupações e provações, Cristo não nos tira delas. “Não peço que os tires do mundo” (Jo 17:15). Enquanto Ele nos deixa no mundo, Ele nos deixa sujeitos a tudo o que é passível de acontecer ao homem, porém, na nova natureza, Ele nos ensina a nos apoiarmos em Deus. O pensamento que muitas vezes temos é o de que, porque somos Cristãos, devemos ficar longe das provações, ou então, se estamos nelas, não deveríamos senti-las. Esse não é o pensamento de Deus no que nos diz respeito.


Quanto mais perto um homem anda com Deus, pela graça, mais terno ele se torna em relação às falhas dos outros; quanto mais tempo ele vive como santo, mais consciente da fidelidade e ternura de Deus e de como ela tem sido aplicada a ele próprio.


Não devemos esperar que nunca seremos exercitados, atribulados ou abatidos, como se estivéssemos sem sensibilidade. “Deram-me fel por mantimento, e na Minha sede Me deram a beber vinagre” (Sl 69:21). O Senhor sentiu tudo completamente. “O opróbrio”, diz Ele, “partiu-Me o coração” (Sl 69:20 – ARA). Mas existe uma diferença entre Cristo, em Seu sofrimento e aflição, e nós – com Ele nunca se passou um instante entre a provação e a comunhão com Deus. Não é esse o caso conosco. Temos primeiro que descobrir que somos fracos e que não podemos ajudar a nós mesmos, e então nos voltamos e olhamos para Deus.


O Senhor guarda os Seus

É um consolo saber que em tudo o Senhor guardará os Seus. Não estou querendo dizer que os obreiros e todos os santos não devam estar exercitados em relação a isso, mas que, ao verem o fracasso, eles têm isso para recorrer. Desejamos vê-los como um jardim regado, e que alegria é quando os vemos assim! É o poder do Espírito de Deus que os faz unidos e felizes juntos, contudo Ele deve trabalhar no coração de cada um, para que seja assim, para que eles possam ser como “salgueiros junto aos ribeiros das águas”. E há graça o bastante em Cristo para fazê-lo. Este texto, com frequência, tem sido um conforto para mim, “A minha graça te basta” (2 Co 12:9), no entanto devemos aprender, e por experiência, que não somos nada. Todos sabemos que isso é verdade, mas devemos aprender a andar no sentido que isso tem. Isso faz a diferença entre um santo e outro, apenas devemos buscar a Cristo em graça, ou podemos ficar desanimados. Mas um homem que está desanimado realmente não chegou nesse patamar: ele não encontra força, mas onde ele está procurando por isso? Quando realmente não somos nada, olhamos para Cristo e sabemos que Ele pode fazer tudo, e, enquanto lutamos em oração por uma bênção, sabemos que Ele faz e ordena tudo. Mas isso pressupõe um justo senso de nossa própria nulidade e bendita confiança em Deus, de modo que, conhecendo Seu amor, podemos deixar tudo com Ele, sabendo que, em todo caso, Ele faz tudo e que fará tudo resultar em bênção.


O coração de Jesus

Eu pensei que ela (uma irmã que estava passando por verdadeiras dificuldades na vida) pudesse estar desanimada e abatida com essa aflição. Se for esse o caso, que ela se lembre de que os caminhos d’Ele não são como os nossos caminhos e de que o próprio coração de Jesus, d’Aquele que nos fere, passou por todas as provações pelas quais Ele nos faz passar – de que Ele não pode nos fazer provar nada para o nosso bem sem que Ele mesmo tenha bebido todo o seu amargor até a última gota. Ele sabe o que está fazendo; Ele sofre tudo o que Ele inflige. É o Seu amor, o Seu conhecimento de tudo, que O faz fazer tudo o que Ele faz. Tenhamos plena confiança n’Ele que foi tentado em todas as coisas semelhante a nós.


Comunhão

Em relação à sua obra, busque a face do Senhor e apoie-se n’Ele. Quando o corpo não é robusto, corremos o risco de fazê-la como uma tarefa, como uma obrigação, e o espírito torna-se um pouco legalista, ou nos rendemos ao cansaço e desanimamos diante de Deus. A obra é um favor que nos é concedido. Esteja completamente em paz e feliz no sentido da graça; depois vá e derrame essa paz para as almas. Este é um verdadeiro serviço, do qual pode ser que voltemos muito cansados fisicamente, mas sustentados e felizes; descansamos debaixo das asas de Deus e retomamos o serviço até chegar o verdadeiro descanso. Nossa força se renova como a da águia. Lembre-se sempre: “A minha graça te basta, porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:9). Busque, acima de tudo, comunhão pessoal com o Senhor.


A mente de Deus em comunhão

Antes de iniciarmos em qualquer serviço em particular, antes que qualquer coisa possa ser feita, se não temos a certeza de que Deus com Seus olhos a nos guiar, devemos procurar obtê-la, julgando nosso próprio coração quanto ao que possa estar atrapalhando. Suponha que eu comece a fazer uma coisa e encontre dificuldades; começarei a ficar inseguro se é, ou não, a mente de Deus, e, com isso, haverá fraqueza e desânimo. Mas, por outro lado, se eu agir no conhecimento da mente de Deus, em comunhão, serei “mais do que vencedor”, seja o que for que venha ao meu encontro pelo caminho.


Castigo

Existe uma classe de provações que vêm de fora: elas não devem ser rejeitadas; devem ser suportadas. Cristo passou por elas. Nós não resistimos, como Ele, até ao ponto de derramar nosso sangue e não falhar em fidelidade e obediência. Agora, Deus age nessas provações como um pai; Ele nos castiga. Talvez elas venham, como no caso de Jó, do inimigo, mas a mão e a sabedoria de Deus estão nelas. Ele castiga aqueles a quem ama. Não devemos, portanto, desprezar o castigo nem desanimar por conta dele. Não devemos desprezá-lo, pois Ele não castiga sem motivo ou causa (além disso, é Deus quem o faz), nem devemos desanimar, pois Ele faz isso em amor.


A carne em nós

É algo sério manter a causa de Deus, quando se tem a carne em nós e Satanás dispondo do mundo para nos atrapalhar e enganar. Mas não desanime, pois Deus trabalha em você; maior é Aquele que está em nós do que aquele que está no mundo. Você não pode estar em dificuldades no deserto a menos que tenha sido resgatado do Egito. “A Minha graça te basta”, diz Cristo. “O Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” O segredo é humildade de coração e o senso de dependência e de olhar com confiança para Cristo, que nos salvou e nos chamou com uma santa vocação. Nunca é demais desconfiar de si próprio e confiar em Deus. O verdadeiro conhecimento da redenção leva a pessoa a uma perfeita paz, a uma verdadeira e constante dependência do Redentor.


Diante de Deus ou do homem?

Pobre Elias! Ele tinha uma lição a aprender, que nós mesmos, fracos e pobres como somos, precisamos igualmente aprender. Quando Elias estava diante do Senhor, ele pôde, pelo poder do Senhor, parar ou enviar chuva para a Terra. Mas quando estava, agora não diante do Senhor, mas diante de Jezabel, ele então ficou sem forças, e essa mulher ímpia conseguiu fazê-lo temer. Abatido, Elias, então, vai para o deserto, senta-se debaixo de um zimbro e pede para o Senhor lhe tirar a vida (1 Rs 19:4). Quão pouco ele se lembrava do que o Senhor havia feito por ele; quão pouco ele entrou na mente de Deus e quão pouco esperava aquela carruagem de fogo que em breve o levaria para o céu (2 Rs 2:11)!


Assim é conosco. Ficamos abatidos, desanimados e fracos em nós mesmos assim que deixamos de viver em fé e oração, e em tal momento não conseguimos dizer, como Elias em 1 Reis 18, “O SENHOR […] perante cuja face estou” (v. 15).


A fé que compreende a bondade de Deus, e suspira pelo tempo em que o povo desfrutará de seus privilégios, sempre confessa o pecado que obrigou Deus a privar o Seu povo, por um tempo, desses privilégios. A fé nunca desanima, como se Deus fosse infiel; ao contrário, ela insiste que a culpa é do povo e que Deus apenas agiu fielmente ao lidar assim com eles. O interesse que Daniel sentiu pelo seu povo o levou a considerar o profeta Jeremias, e então ele roga ao Senhor que confirme esta bênção que Ele havia prometido por Jeremias, isto é, de que Ele realizaria a libertação de Seu povo do cativeiro.


Um homem verdadeiramente humilde

A fé tem uma confiança constante e inabalável em Cristo. Tristeza eu sei o que é, mas desânimo eu não sei. Se você está contando com sua própria força, então não me surpreende o seu desânimo, mas “não dormitará nem dormirá Aquele que guarda a Israel” (Sl 121:4 – TB). Devemos estar humilhados – ah, humilhados no pó, se preferir, mas nunca desanimados. Um homem verdadeiramente humilde não fica desanimado; o homem desanimado não é um homem humilde, pois confiou, como homem, em algo além de Deus; o verdadeiro nada é incapaz.


Como Deus vê

É muito importante nós, às vezes, vermos a Igreja de cima, no deserto, mas na beleza dos pensamentos de Deus, uma pérola que não tem preço. No meio do arraial aqui embaixo, no deserto, que murmurações e queixas; quanta indiferença, que motivos carnais seriam testemunhados e ouvidos! De cima, para aquele que tem a visão de Deus, e que tem os olhos abertos, tudo é belo. “Estou perplexo a vosso respeito” (Gl 4:20), diz o apóstolo, e imediatamente depois, “confio de vós, no Senhor” (Gl 5:10). Devemos subir até Ele, e teremos Seus pensamentos de graça, que vê a beleza de Seu povo, de Sua assembleia, através de tudo o mais [as murmurações e as queixas], pois é belo. Não fosse por isso, ficar-se-ia completamente desanimado ou satisfeito com o mal. Essa visão de Deus remove esses dois pensamentos de uma só vez.


A ruína da Igreja

Encontram-se tantas faltas (necessidades), um estado tão triste da Igreja, que surpreende, mesmo eu tendo crido nisso e o ensinado por quase 40 anos, mas também encoraja. Nunca devemos ficar desanimados, porque o Senhor em quem confiamos nunca falha nem pode falhar. Em 2 Timóteo, quando tudo estava em ruína e declínio, Paulo espera que seu querido filho seja forte na fé: nunca há um momento tão bom para ela, porque é necessária, e o Senhor atende a necessidade. Eu tenho a forte sensação de que tudo está se desintegrando, mas isso faz com que se sinta mais intensamente e claramente que possuímos um reino que não pode ser abalado.


J. N. Darby (trechos de seus escritos)


 

Embaixadores de Cristo


A posição do Cristão neste mundo atual

Há vinte anos, em 11 de setembro de 2001, o país que há muito se orgulhava de ser a democracia mais poderosa do mundo foi atacado pelo terrorismo vindo de fora. Aquele trágico evento uniu o país e o unificou, pelo menos por um curto período de tempo, de uma forma que não se via há algum tempo. Quase 20 anos depois, em 6 de janeiro de 2021, o mesmo país foi atacado pelo terror vindo de dentro, e esse evento assustador resultou na solidificação do estado bastante dividido em que o país agora se encontra, em um grau que não era visto há pelo menos um século e meio.


Isso nos mostra que, não importa qual a forma de governo o homem escolha para governar um país, e não importa quão poderosa qualquer nação pareça ser neste mundo, não há sistema de governo, seja democracia ou qualquer outro, que possa ser sucesso duradouro garantido. Além do mais, nos é dito na Palavra de Deus, em Romanos 13:1, “Não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus”. Esse versículo deixa muito claro que quem quer que esteja governando qualquer país do mundo, e seja qual for o candidato que no final se determine vencedor de uma eleição em uma democracia, essa pessoa é aquela que Deus ordenou para governar aquele país até que Ele decida ordenar outra pessoa para governá-lo.


A Palavra de Deus também nos diz em 1 Timóteo 2:1-2, “Exorto, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que exercem autoridade” (AIBB). No entanto, em nenhum lugar na Palavra de Deus, encontramos que devemos fazer campanha ou votar em um determinado candidato ou partido a ser eleito. Se fizéssemos isso, é bem possível que estivéssemos indo contra a escolha de Deus. Ainda que a posição política declarada de um partido apoie princípios bíblicos e alguns candidatos até sejam Cristãos verdadeiros, isso não significa necessariamente que eles são aqueles que Deus ordenou para estar no poder. Daniel 4:17 nos fala, “O Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens; e os dá a quem quer, e até ao mais baixo dos homens constitui sobre eles”.


Não muitos anos após este mundo ter rejeitado e crucificado o Senhor Jesus Cristo, o apóstolo Paulo, em Gálatas 1:4, já falava deste presente mundo mau. Um pouco depois, em 2 Timóteo 3:13, ele nos fala, “os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados”. Desde aquela época até agora, o mundo nunca mudou de ideia e nunca melhorou. Na realidade, por muitas décadas, agora a própria existência de Deus tem sido questionada e até negada. Muitas pessoas hoje, até mesmo Cristãos verdadeiros, parecem acreditar que o presente estado de coisas caótico neste mundo pode ser melhorado. Mas a Palavra de Deus deixa muito claro que não há governo ou governante individual, nem mesmo Cristãos verdadeiros envolvidos em política ou governo, em qualquer país, que possa ter esperança de melhorar o presente estado de coisas ou endireitá-las.


Qual deve ser então a posição dos Cristãos verdadeiros em meio ao caos atual? Mais uma vez a Palavra de Deus é muito clara. O próprio Senhor Jesus disse em João 15:19: “[Vós] não sois do mundo, antes Eu vos escolhi do mundo”. Efésios 2:6 nos diz que Deus nos ressuscitou juntamente com Ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus”.Filipenses 3:20 diz: “Mas a nossa cidade [cidadania] está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo”. 2 Coríntios 5:20 nos diz: “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo”. Se somos cidadãos do céu e temos o imenso privilégio de sermos deixados aqui por um breve período para sermos embaixadores de Cristo neste mundo, então não temos nada que nos envolver na política ou governo deste mundo, nem deveríamos estar procurando por melhoria neste mundo. Em vez disso, temos a maravilhosa responsabilidade de verdadeiros embaixadores, representando Cristo como luzes neste mundo escuro, para que indivíduos sejam convencidos de pecado, atraídos por Seu amor e Sua oferta de salvação gratuita, e creiam n’Ele como seu Salvador!


Depois dos eventos dos últimos dois anos, o mundo ainda está esperando desesperadamente que as coisas voltem ao normal, para que possam seguir com sua vida. No entanto, Romanos 12:2 nos diz, “Não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (AIBB). É possível estarmos nós, crentes no Senhor Jesus Cristo, redimidos por Seu precioso sangue, também esperando que as coisas voltem ao normal, para que possamos voltar ao nosso modo de vida relativamente próspero e tranquilo? Uma pergunta muito solene!


Ou estamos, como lemos em Tito 2:13, “aguardando a bem-aventurada esperança [‘voltarei e vos receberei para Mim mesmo’ (Jo 14:3 – ARA)] e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo [‘Eis que vem com as nuvens, e todo olho O verá, até os mesmos que O traspassaram’ (Ap 1:7)]”? Estamos esperando que ao nome de Jesus se dobre todo joelho [...] e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2:10-11)? Será que existe alguma coisa que poderíamos estar esperando neste mundo que seja mais importante para nós do que ser “arrebatados juntamente [...] a encontrar o Senhor nos ares” (1 Ts 4:17)? Esse momento poderia muito bem acontecer HOJE!


R. Muir


 

O Princípio da Unidade com a Sua Presença


O que desde o princípio senti, com o que também comecei, foi isto: o Espírito Santo permanece, e, portanto, permanece também o princípio essencial da unidade com a Sua presença, pois “onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles” (Mt 18:20). Quando isso é realmente buscado, certamente há bênção por meio de Sua presença. No entanto, sempre que há uma tentativa de exibir a posição e a unidade, haverá confusão e fracasso. Deus não tomará tal lugar conosco. Devemos entrar no lugar onde está Sua mente para obter Sua força, e esse lugar agora é o reconhecimento do fracasso da Igreja. Mas ali Ele estará conosco. Nós não limitamos o que o bendito Espírito pode fazer por nós neste baixo estado, mas devemos tomar o lugar onde Ele pode fazê-lo.


Onde dois ou três estiverem reunidos em Seu nome, Cristo estará. O Espírito de Deus é necessariamente a única fonte de poder, e o que Ele faz será abençoar através do senhorio de Cristo. Mas há um ponto muito importante que surge – não podemos suprir a falta por meio de arranjo ou sabedoria humana; devemos ser dependentes. O Espírito Santo é sempre competente para agir nas circunstâncias em que o povo de Deus se encontra. O segredo é não pretender ir além. A vida e o poder divinos estão sempre presentes, mas devemos confessar que estamos em um estado imperfeito. Contudo, a unidade do corpo necessariamente continua, seja qual for a condição de dispersão em que ele se encontre, porque depende da existência da Cabeça e de sua união com ela. Nisto o Espírito Santo necessariamente é supremo.


J. N. Darby (adaptado)


 

Um Testemunho do Fracasso


Só podemos ser, na verdade, um testemunho do completo fracasso da Igreja de Deus. Mas, para ser isso, devemos ser tão verdadeiros, em princípio, quanto a coisa que falhou. E, enquanto formos um testemunho do fracasso, nunca falharemos.


The Remembrancer, 1910


 

Fidelidade Através de Dependência, Não Força


Paulo escreveu a Timóteo: “Para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade” (1 Tm 3:15). Infelizmente, quão longe dessa posição a Igreja está na prática! Não é dito que a Igreja é quem ensina a verdade, mas que é responsável por manter a verdade – a coluna e a firmeza (ou esteio) da verdade. A infidelidade da Igreja como um todo de modo algum tira o dever e a responsabilidade daqueles que servem a Deus e esperam n’Ele de manterem Sua verdade em todos os aspectos. A infidelidade do homem de modo algum muda a fidelidade do Senhor: “Ele permanece fiel; não pode negar-Se a Si mesmo” (2 Tm 2:13).


Fidelidade na mais completa dependência, e não força, é o que o Senhor procura nos Seus e o que o Espírito produz naqueles que esperam em Deus. Nós, portanto, podemos muito bem tomar coragem, queridos irmãos, e contar com Deus.


A. H. Burton


 

Suas Misericórdias Não Falham


“As Suas misericórdias não têm fim. Novas são cada manhã; grande é a Tua fidelidade” (Lm 3:22-23).


Como Deus é nosso Guia, se escuro parecer Ele dará a saída, cabe a nós obedecer. Mesmo que as cisternas quebrem e fracasse toda a criação As palavras por Ele ditas certamente prevalecerão.


Seu amor, de outros tempos, não nos permite pensar Que Ele finalmente em apuros nos deixará afundar: O Cordeiro em Sua glória sempre em vista estará, A garantia e a prova de que Ele em tudo nos ajudará.


Como tudo que nos acontece coopera pro nosso bem, O amargo é doce; e o remédio é mantimento também: Embora doloroso no presente, em breve cessará, E então quão triunfante a canção do vencedor será!


J. Newton (adaptado)


 

“O fundamento de Deus permanece firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são Seus”

(2 Tm 2:19)


 

Notas do Tradutor: [1] N. do T.: Informações sobre o rei Antíoco IV Epifânio podem ser encontradas no Dicionário Bíblico Conciso, de George Morrish, disponível no site da Associação Verdades Vivas. [2] N. do T.: Pastor auxiliar está se referindo ao pastor que ajuda o pastor principal no cuidado das ovelhas. O termo se encaixa em algumas figuras na Bíblia, falando do cuidado do Senhor Jesus com os Seus, Seu rebanho. Nada tem a ver com o termo usado em seitas e denominações hoje em dia.

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