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Fraqueza e Força (Outubro de 2019)

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ÍNDICE


A. H. Rule

G. V. Wigram

W. Kelly

C. H. Mackintosh

Christian Truth

J. L. Harris

A. H. Rule

W. J. Prost

Christian Truth

J. N. Darby

J. G. D

Hino 124


 

Fraqueza e Força


Cristo foi “crucificado em fraqueza” (2 Co 13:4), mas ressuscitou dentre os mortos pelo poder de Deus. Os instrumentos que Deus usa para pregar o evangelho são apenas pobres criaturas, fracas e indefesas, sem armas carnais para levar adiante sua guerra. No entanto, um mandamento lhes foi dado: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16:15). É fácil perceber que, para a execução desse pedido, era necessária uma força invisível. Vemos, por exemplo, alguns pescadores pregando o evangelho e milhares se curvando à autoridade desse Nome que anunciavam, enquanto o poder mundial procurava silenciá-los e interromper seu trabalho. Mesmo assim, esses pobres e desprezados pescadores continuaram seu trabalho. Qual era o segredo? Deus estava com eles. Os governantes colocaram suas mãos sobre eles e os lançaram numa prisão comum. Na manhã seguinte, eles são encontrados novamente em pé no templo e pregando ao povo “todas as palavras desta vida”. O apóstolo Paulo foi libertado da boca do leão (2 Tm 4:17). Ali estava a verdadeira força e a verdadeira coragem, mas era a força em meio à fraqueza absoluta e a coragem quando não havia esperança nos recursos humanos. Era o poder de Deus. Foi tudo de Deus que operou neles efetivamente para a realização de Seus propósitos.


A. H. Rule (adaptado)


 

Fraqueza e Força


2 Coríntios 12:1-10

Imediatamente após a redenção, a fraqueza toma conta: “Ele foi crucificado em fraqueza” (2 Co 13:4). “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto” (Jo 12:24). Cristo poderia ter subido ao céu como o Filho de Davi, mas se tivesse feito isso não teria ninguém com Ele.


Se o Espírito fosse dado sem o conhecimento da expiação, só produziria um terrível conflito na alma. Não haveria algo como redenção, ser trazido de volta, a não ser pela humilhação de Seu Filho. Se Ele não tivesse Se tornado Homem, não poderia ter morrido, não poderia ter sido a Cabeça dos gentios, não poderia ter sido Aquele entre os homens que atendeu a tudo o que era necessário. Ele desceu para medir tudo pessoalmente, em graça. Ele não foi apenas crucificado em fraqueza, o grande ponto é que Ele ressuscitou dentre os mortos – Ele mesmo é a Ressurreição e a Vida – e podemos olhar para o túmulo e dizer: “Eu O conheço como a Ressurreição e a Vida”. Como esse poder opera em nós? É a ressurreição dentre os mortos e, quando conhecida, traz o gosto da morte para tudo que estiver relacionado a nós mesmos. Veja Saulo de Tarso, ele tinha tudo planejado em sua mente para o serviço, e o Senhor Jesus fala com ele do céu. Sua primeira palavra: “Quem és, Senhor?” mostra que ele estava consciente do fim de tudo relacionado a si mesmo. Então a próxima coisa foi: “Senhor, que queres que faça?” Até que Cristo realmente olhe para você, você não entenderá que O verá como a revelação da glória de Deus. Então você dirá: ‘Há um Homem lá em cima no céu, ressuscitado dentre os mortos, Aquele em cujo rosto brilha toda a glória de Deus. Se eu quiser saber algo relacionado a Deus, devo aprender com Aquele Homem; a resposta para cada pergunta, acima, ao redor, dentro, é encontrada em Sua face. Deus centraliza tudo nesta Pessoa!’


O Homem na glória

Muitas vezes pensamos em 2 Coríntios 12 como a experiência do apóstolo, mas nela temos o princípio de Cristo tratando com a alma. Deus me mostra o Homem na glória, mas depois disso eu olho para cima e vejo Aquele que me leva em Seu coração diante de Deus e que nunca se esquece de mim. Temos aqui o princípio do tratamento de Deus com um homem aqui embaixo. Há mais de um princípio no qual o apóstolo estava bastante disposto a ser um peregrino aqui embaixo, e um deles é: “A Minha graça te basta”. Se é uma questão de serviço, de sofrimento, de algum poder, onde eu posso obtê-la? Em Cristo.


Temos outro fundamento em Filipenses 3. Lá, o coração de Paulo estava tão encantado com Cristo que ele queria em tudo ser como Ele, porque Cristo sofreu, ele também quis levar as marcas do sofrimento – ser como Ele de todas as formas possíveis, no caráter moral, no sofrimento, até mesmo “sendo feito conforme a Sua morte”. Cristo esteve aqui embaixo como Peregrino e Estrangeiro, e assim Paulo queria ter as marcas de um de Seus discípulos, em conformidade com Seus sofrimentos, pelo amor que tinha a Cristo.


Um espinho na carne

Mas neste capítulo (2 Coríntios 12) vemos outra coisa. Cristo deseja nos conformar, como Seus discípulos, àquele princípio de morte e ressurreição que n’Ele foi bem antes de recebermos qualquer bênção, para que na vida cotidiana possamos ter Sua força. Olhe para o peso disso em uma pessoa como Paulo aqui embaixo, a luz que refletiu em seu rosto. Não foi apenas uma questão do perigo que Cristo viu, mas Ele usou Satanás, pois Satanás deu a Paulo o espinho na carne. O propósito de Cristo foi aperfeiçoar Sua força na fraqueza de Seu servo. Toda a cena aqui embaixo está sob Suas mãos, e não são apenas as dificuldades aqui que devemos passar, mas elas são preparadas por Cristo para que Ele possa ser glorificado, levando você através delas. Quem fez o deserto? Deus. E Ele tinha algum propósito especial em fazê-lo como era? Por que Ele não o fez como Canaã? Porque Ele queria um lugar para Seu povo, onde Ele teria que suprir suas necessidades todos os dias. O segredo da quietude e da paz do coração não é olhar para as coisas e dizer: “tenho que enfrentá-las”, antes, Cristo preparou as coisas como elas são para que eu não consiga seguir um único dia sem Ele. Não tenho pão? Não tenho trabalho? Estou doente? Onde está Cristo? Todas as coisas não são apenas suplantadas, mas usadas por Ele para que possamos aprender Sua força de amor que nos paralisa, para que Ele possa dizer: “A Minha graça te basta, porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:9).


Enquanto vou adiante e vejo no meu caminho uma grande rocha, o que eu penso? Como posso superar isso? Não, Cristo permitiu que ela estivesse ali. Ele a colocou no meu caminho para provar a minha fé, e Ele me fará superar esse obstáculo. Você não pode dizer com facilidade e segurança: “Ali está Cristo”, mas assim que a tempestade começa, a fraqueza é sentida, a doença surge e certamente podemos contar com Cristo. Algo extremo nunca O pega de surpresa, embora muitas vezes possa ser um extremo totalmente oposto ao Seu caráter moral. Se Ele deixa uma pessoa por si mesma, não é que Ele a abandonou, mas o faz para provar o coração dela. Se Ele vê um homem cheio de si mesmo, mesmo que seu rosto esteja radiante com a glória, deve deixá-lo um pouco por si só. Se o coração não se curvar a Cristo, deve ser deixado para si mesmo. Se não aprendermos na quietude do santuário, nos encontraremos do lado de fora para aprender o quão pobres somos. Cristo preferiu permitir que Seu nome fosse desonrado e Pedro humilhado do que mantê-lo nas fileiras da Igreja mostrando “boa aparência na carne” (Gl 6:12).


Um senso de fraqueza

João, um exilado em Patmos, pode ter pensado que seu apostolado havia terminado, mas Cristo vem e dá a ele um livro para escrever, revelando coisas de profunda importância para a Igreja em todas as épocas. Temos outro exemplo em Romanos 8. Não sei o que pedir, mas o Espírito faz intercessão com gemidos, e Aquele que sonda o coração sabe disso. Será que eu sei o que eu quero? Não, mas apresentamos nossos desejos diante d’Ele, muitas vezes incapazes de transformá-los em frases. Cristo está lá em cima; Ele sabe o que o Espírito deseja para nós. A redenção, trabalhando através do poder onipotente, conecta Deus e Cristo no céu a mim, um indivíduo insignificante aqui embaixo. Deus está tão ocupado comigo que me leva a desejar coisas espirituais ligadas à glória de Cristo. Apresento o desejo, Cristo entende, e sou levado a um sentimento de fraqueza por esse caráter de comunhão, pois temos Sua “força aperfeiçoada na fraqueza”. Hoje em dia, grande parte do Cristianismo defeituoso se deve ao fato de o povo do Senhor não ter percebido isso. Entendemos que todo o deserto deve ser um livro de morte e ressurreição para nós? Aqui está toda a minha vida desenvolvida por Cristo, e Sua ação sobretudo para desenvolver o princípio da morte e ressurreição, e isso para que eu compreenda: “Minha graça te basta”. Se olharmos para Satanás como um dos poderes pelos quais Deus opera, para o deserto como o lugar preparado por Cristo, onde são mostrados os sinais de Seu amor, e para nós mesmos, paralisados por Cristo para que não tenhamos nenhuma força senão a Sua para agir, encontraremos doçura e refrigério para a alma.


G. V. Wigram (adaptado)


 

Suportar a Tentação (Provação) e Entrar Nela


Existe uma vasta diferença entre “cairdes em várias tentações” (ou “suportardes a provação”; Tg 1:2, 12), por um lado, e “entrar em tentação” (Mt 26:41), por outro. Fazemos bem, portanto, ter isso claro e estabelecido em nossa alma, pois, um é bênção, mas o outro é o mais perigoso possível para a alma. Não há nada mais fortalecedor do que “suportar a provação” e nada mais perigoso do que “entrar em tentação”. As palavras são semelhantes, e podemos facilmente ignorar a diferença. Mas a diferença é grande, pois em um caso é uma honra que Deus coloca sobre nós, e no outro uma armadilha que Satanás nos apresenta.


Qual destas duas coisas conhecemos melhor? Até que ponto nossa alma sabe o que é passar por várias provações, ou suportar a provação? Bem-aventurados somos nós se assim fazemos, porque passar por provação ou suportá-la é aquilo que Deus Se agrada. Em Gênesis 22, descobrimos que Abraão estava em uma condição na qual Deus poderia testá-lo [prová-lo], e Ele ama quando estamos em tal condição na qual Ele pode nos provar. Mas isso não acontece a menos que sejamos governados pelo sentido da presença de Deus, e a carne ser julgada.


Não suportar

A salvação não é apenas um favor incomparável que Deus nos mostrou na nossa necessidade, mas ela é inseparável no trato com o ego na presença de Deus, tanto que, quando isso não é aprendido no princípio, deve ser mais dolorosamente ensinado no curso da nossa vida. E então, que desonra para Deus! Como isso entristece o Seu Espírito! Tal fracasso, para nos ensinar o que somos, não quer dizer suportar a provação, nem quer dizer, na pior das hipóteses, que Deus está nos tentando. Em tal estado, o Senhor prefere nos esbofetear por nossas falhas, como aqueles que levam o nome do Senhor Jesus de maneira inapropriada.


Quão doloroso é que aqueles que têm tal salvação, a tenham usado tão pouco para lidar com o ego, a mais odiosa de todas as coisas para Deus! Não há nada tão ruim quanto o eu, mas é exatamente isso que cada um de nós carrega conosco. A questão agora é: Até que ponto a graça agiu sobre nossa alma para nos levar a julgá-la plenamente na presença de Deus? Onde isso acontece, o Senhor pode nos testar, isto é, Ele pode nos colocar à prova por aquilo que não é em absoluto uma questão de mal, porque Deus não tenta pelo mal nem tampouco é tentado por coisas más.


Abraão

Quando Deus pediu a Abraão que desse o seu único filho, isso não foi algo mau, mas uma experiência muito abençoada, provando se Abraão tinha uma tal perfeita confiança em Deus a ponto de entregar o objeto que era mais querido para ele, em quem estavam centradas todas as promessas de Deus. E pela graça Abraão pôde fazê-lo. É claro que ele fez isso com a certeza perfeita de que, se Isaque morresse, Deus o ressuscitaria, pois Abraão sabia perfeitamente, antes que o sacrifício fosse pedido, que Isaque seria o filho da promessa. Foi, portanto, realmente o bem do coração de Deus que foi refletido no que Ele pediu ao coração de Abraão, e Abraão foi levado a uma maior comunhão com Deus naquilo que era o equivalente à entrega de Seu próprio Filho.


É assim com as provações pelas quais Deus tem prazer em nos provar. É uma demonstração da maior confiança da parte de Deus supondo que existe em nós um fundamento para andar diante de Deus, de modo que Ele pode nos provar com algo que é como Ele mesmo – algum prêmio para abandonar, algum sofrimento para suportar em graça. Seja o que for, que esteja de acordo com a Sua própria mente. É nesse sentido que a tentação é mencionada em Tiago 1:2, 12.


Depois disso (Tg 1:13-15), imediatamente nos voltamos para a tentação mencionada em um mau sentido, e isso se conecta com Mateus 26:41. Ambas são palavras de grande importância para nossa alma. O Senhor havia buscado por Seus discípulos para vigiarem com Ele. Ele lhes disse: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação”, pois, lembre-se disto, não é nenhum poder conferido pelo Espírito de Deus que mantém, mesmo sendo Ele o Espírito de poder – não é energia que mantém, mas dependência; é o sentimento de fraqueza que vigia e ora e, portanto, tem o poder de Cristo repousando sobre nós. O Seu poder se aperfeiçoa na fraqueza.


Quanto maior o nosso conhecimento da Palavra de Deus, maior será nossa necessidade de vigiar e orar.


Não há nada que tenha maior tendência para destruir a dependência, como um grande conhecimento da Palavra de Deus à parte de Cristo. Quanto maior o nosso conhecimento da Palavra de Deus, onde não houver o sentido de fraqueza total e, consequentemente, da necessidade de vigiar e orar, maior é o perigo. Esta é uma advertência solene para nossas almas. Não há dúvida de que há muito conhecimento da Escritura e do que é chamado inteligência da verdade, mas, nossa alma mantém esse senso de necessidade e fraqueza e qual é a expressão disso para Deus? “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação”.


A vontade trabalhando

O que nosso Senhor quer dizer com “entrar em tentação”? É a vontade indo para um lugar onde nada pode ser mantido, a não ser por uma vontade julgada, apoiando-se n’Ele, ou seja, a vontade entra onde o fracasso é inevitável, justamente porque é a vontade trabalhando. Na passagem, o próprio Pedro demonstrou isso em seguida. Pedro entrou onde ele não podia se manter, a menos que o Senhor o houvesse chamado e o guardado por fé. Pedro entrou em tentação e caiu. Ele teria suportado, se tivesse entrado por graça, obediência, vigiando e orando, em vez de confiar em sua própria vontade de morrer por seu Mestre. Quando nosso Senhor diz: “na verdade o espírito está pronto [disposto – KJV], mas a carne é fraca”, Ele está olhando para a natureza no homem, e a natureza é incapaz de tal prova. Ninguém, a não ser Deus, pode sustentar e, portanto, isso exigiria que a vontade de Deus expressa em Sua Palavra nos levasse diretamente a tal cenário de tentação, e que Sua graça nos sustentasse pela fé para nos manter nessa provação.


Teria sido uma abominação Abraão sacrificar seu filho, a menos que Deus tivesse falado para fazer isso. Mas a fé, onde o ‘ego’ é julgado, fortalece a alma para suportar a tentação. Nós não entramos em tentação quando permanecemos na dependência e julgamento próprio. Então, quando passamos por várias tentações, temos gozo nisso e, como não entramos por nossa própria vontade, assim não caímos nelas, mas pela graça perseveramos.


Que o Senhor nos ajude a vigiar e orar, tanto mais porque nos abençoou com tal conhecimento de Sua Palavra e de Si mesmo no Senhor Jesus Cristo.


W. Kelly (adaptado)


 

“Amei a Jacó”


Ao traçar a história de Jacó, somos lembrados repetidamente da graça expressa nessas palavras: “amei a Jacó”. A resposta à pergunta: “Por que Deus teria amado alguém assim?” só pode ser respondida na graça soberana d'Aquele que coloca Seu amor em objetos que não possuem nada dentro deles, “para que nenhuma carne se glorie perante Ele”. O caráter natural de Jacó não era amável; o nome dele realmente dizia o que ele era – “um suplantador”[1] Ele iniciou sua vida desenvolvendo isso e seguiu um curso de fazer barganhas.


Ao sair da casa de seu pai, Jacó faz uma barganha com Deus. “Se Deus”, disse ele, “for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer e vestes para vestir, e eu em paz tornar à casa de meu pai, o SENHOR será o meu Deus; esta pedra, que tenho posto por coluna, será Casa de Deus; e, de tudo quanto me deres, certamente Te darei o dízimo (Gn 28:20-22). Aqui o encontramos fazendo uma barganha com o próprio Deus; então, novamente, durante sua permanência com Labão, vemos suas maquinações secretas para promover seus próprios fins. Quão claramente é visto que o ‘eu’ era o grande objeto diante de sua mente, em tudo o que ele colocou sua mão. O mesmo ocorre no curso de Gênesis 32, ele está profundamente engajado nos planos de afastar a temida ira de seu irmão Esaú.


Uma má consciência

Mas há uma circunstância neste capítulo que merece atenção. Jacó tem uma má consciência em relação a seu irmão e, portanto, fica pouco à vontade com a perspectiva de encontrá-lo. Mas Deus teve um combate com Jacó. Ele teve que conduzi-lo através de um curso de aprendizagem para poder ensiná-lo que “toda carne é erva”. Jacó pensou apenas em apaziguar Esaú com um presente. É verdade que ele se afastou neste capítulo para confessar e orar, contudo, foi manifesto que seu coração estava comprometido com seus próprios arranjos para apaziguar Esaú, mais do que qualquer outra coisa. Mas Deus estava preparando um curso restaurador de disciplina para ele, a fim de ensiná-lo o que estava em seu coração. Para esse fim, Jacó foi deixado sozinho. Toda a sua companhia, organizada de acordo com seu próprio plano, havia passado, e ele próprio estava aguardando esse tão temido encontro com Esaú.


Há uma força especial nas palavras: “Jacó, porém, ficou só”. Assim é com todos os que são treinados na escola de Deus, os quais são trazidos para a solidão da presença divina para verem a si mesmos e a seus caminhos a sós, onde podem ser vistos corretamente. Não há parte da história de um homem tão importante como quando ele é levado em solidão à presença divina! É que ele entende coisas que antes eram trevas e inexplicáveis. Lá, ele pode julgar a respeito dos homens e das coisas em sua devida luz, lá também ele pode julgar a si mesmo e ver sua própria nulidade e vileza.


O santuário

No Salmo 73, encontramos uma alma olhando para o mundo e refletindo sobre o que viu – raciocinando a tal ponto que quase se sentiu tentado a dizer que era inútil servir ao Senhor. No Salmo 77, encontramos uma alma olhando para dentro de si e ponderando sobre o que viu interiormente – ponderando a ponto de questionar a continuidade da graça de Deus. Qual foi o remédio nos dois casos? “O Santuário”. Entrei no santuário de Deus e então eu entendi. O mesmo aconteceu com Jacó; seu “santuário” era o local solitário onde Deus lutou com ele até o romper do dia. Se lida com atenção, esta passagem não suporta a ideia popular, a saber, que é um exemplo do poder de Jacó em oração. Observe que ele diz: “e lutou com ele um varão”; não se diz que ele lutou com o homem. Creio que, longe de provar o poder de Jacó em oração, prova a tenacidade com que ele agarrou as coisas da carne. Tão firmemente manteve sua “confiança na carne” que a noite toda a luta continuou. “O suplantador” resistiu, não cedeu até que o próprio lugar de sua força foi tocado, e ele foi levado a sentir que, na verdade, “toda a carne é erva”. Em vez da paciência e perseverança de Jacó na oração, temos a paciência de Deus ao lidar com alguém que precisava ter seu “velho homem” esmagado antes que Deus pudesse fazer alguma coisa dele.


“Se me não abençoares”

Essa cena importante é o grande ponto de virada na vida desse homem extraordinário. E podemos perguntar o que a expressão significa: “Não Te deixarei ir, se me não abençoares”. Certamente foi o enunciado de quem fez a descoberta de que ele estava ‘sem força’. A Jacó foi permitido entrar no segredo da fraqueza humana; portanto, ele não pensou mais em seus próprios planos, arranjos e presentes para apaziguar “meu senhor Esaú”. Não! Ele estava intimidado e tremendo diante d'Aquele que o humilhou e clamou: “Não Te deixarei ir, se me não abençoares”. Certamente este é a porta do céu! Jacó havia chegado ao fim da carne; não era mais ‘eu’, mas ‘Tu’. Toda confiança própria se foi, todas as suas barganhas não lhe valeram nada. Quão miserável deve ter-lhe parecido tudo o que ele fazia, quando assim deixado no pó da humilhação própria e da fraqueza consciente!


O poderoso Lutador diz: “Deixa-Me ir, porque já a alva subiu”. Ele estava determinado a tornar manifesta a condição da alma de Jacó. Se Jacó imediatamente O soltasse, teria provado que seu coração ainda estava envolvido em seus planos e esquemas mundanos. Pelo contrário, quando ele clama: “Não Te deixarei ir”, ele declara que somente Deus era a fonte de todo o gozo e força de sua alma. Tal sempre será o feliz efeito de um profundo conhecimento do nosso próprio coração. Jacó então teve seu nome mudado; ele não deveria mais ser conhecido como “o suplantador”, mas como “um príncipe”, tendo poder com Deus através do próprio conhecimento de sua fraqueza, pois “quando estou fraco, então, sou forte” (2 Co 12:10). Nunca somos tão fortes como quando nos sentimos fracos e, pelo contrário, nunca somos tão fracos como quando nos imaginamos fortes. Pedro nunca demonstrou fraqueza mais lamentável do que quando imaginava ter força incomum. Se ele tivesse sentido um pouco da feliz condição de Jacó quando seu tendão encolheu, ele teria pensado, agido e falado de maneira diferente.


Poder com Deus

Não devemos sair desta passagem sem, pelo menos, ver claramente que o que deu a Jacó poder “com Deus e com os homens” foi a consciência plena de sua própria nulidade. Não há nada aqui do poder de Jacó em oração. Não, tudo o que vemos é, primeiro, a força de Jacó na carne e Deus o enfraquecendo, então, sua fraqueza na carne e Deus o fortalecendo. Essa é realmente a grande moral da cena. Jacó ficou satisfeito por “parar” em sua jornada, pois havia aprendido o segredo da verdadeira força. Ele foi capaz de seguir adiante no espírito das palavras proferidas posteriormente pelo apóstolo Paulo: “De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo” (2 Co 12:9). Sim, “minhas fraquezas”, por um lado, e “o poder de Cristo”, por outro, constituirão o resultado da vida de um Cristão.


C. H. Mackintosh (adaptado)


 

Rei Uzias Fortalecido e Forte


Em 2 Crônicas 26:5-16 aprendemos que o rei Uzias “deu-se a buscar a Deus nos dias de Zacarias, sábio nas visões de Deus; e, nos dias em que buscou o SENHOR, Deus o fez prosperar”. Ele saiu e guerreou, e “Deus o fez prosperar”. “Porque se fortificou altamente”. Ele construiu torres em Jerusalém e as fortificou, e torres no deserto, e cavou muitos poços. Também tinha lavradores e vinhateiros nas montanhas e no Carmelo. Além disso, ele tinha um exército de homens destros nas armas, que saíam à guerra em tropas. O número total dos chefes dos pais, varões valentes, era de dois mil e seiscentos. E sob as suas ordens havia um exército guerreiro de trezentos e sete mil e quinhentos homens, que guerreavam valorosamente, para ajudarem o rei contra os inimigos. Uzias proveu ao exército inteiro escudos, lanças, capacetes, couraças e arcos, e até fundas para atirar pedras. E ele fabricou em Jerusalém máquinas inventadas por homens capacitados, para estar nas torres e nos cantos, para disparar flechas e grandes pedras. Não precisamos nos debruçar sobre a descrição do numeroso exército do rei Uzias, mas nos voltaremos para a instrução de Deus para nós mesmos. “E voou a sua fama até muito longe, porque foi maravilhosamente ajudado até que se tornou forte. Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração até se corromper”. De todas as palavras que encontramos, há poucas mais notáveis que essas.


Alguém poderia pensar que o objetivo a ser alcançado por Uzias era ser forte, mas a força que naturalmente cobiçamos é a independência de Deus. Se lembrarmos que toda a força real deriva da plenitude que existe em Jesus, sempre poderíamos dizer com Paulo: “quando estou fraco, então, sou forte” (2 Co 12:10). Precisamos ser privados de todos os recursos em nós mesmos, para que possamos conhecer que nossa força está n’Ele. Quando Uzias se sentiu forte, Deus o deixou. Existe um grande perigo de colocarmos múltiplas ferramentas no lugar do próprio Senhor; podemos utilizar uma sucessão de ferramentas e esquecer que elas não são a fonte.


Forte

Qual tem sido a história da Igreja? Ela foi maravilhosamente ajudada até ficar forte; quando ela estava forte, seu coração se elevou. Os santos de Corinto multiplicaram recursos, homens, sabedoria e coisas do gênero, e foram tentados a pensar que, pelo exercício dessa sabedoria poderiam refutar os pagãos. Mas eles foram informados pelo apóstolo: Não! É somente trazendo a “sabedoria de Deus”, que é loucura para o homem, e a força de Deus, que é fraqueza para o homem. No livro de Atos, o Espírito de Deus nos mostra que a Igreja, quando em número reduzido, foi maravilhosamente ajudada. Mas logo a Igreja começou a olhar para si mesma, para seus próprios recursos e grandeza, em vez de olhar para o Senhor! E isso tem uma voz para nós mesmos? Nossa bênção está em tomar o lugar de fraqueza, para que Deus possa, por causa de Seu próprio nome, fornecer ajuda.


Existe perigo em supor que tenhamos alcançado algo. É uma marca de fracasso quando um Cristão olha para sua própria honra e crédito, em vez da honra do Senhor. A grande coisa é ter respeito por Seu nome, pois um olho simples estará ocupado com Cristo.


Exaltou-se o seu coração

É uma palavra muito forte que temos aqui em referência a Uzias – “exaltou-se o seu coração até se corromper”. Mas há uma palavra tão forte quanto a essa no Novo Testamento: “Porque o que semeia na sua carne da carne ceifará a corrupção”. Se alguém, mesmo um santo de Deus, “semeia na sua carne”, colherá apenas uma triste colheita de corrupção, tendo todo o seu tempo sido mau empregado. Precisamos dar atenção às palavras perscrutadoras das Escrituras, não nos afastando delas sob a suposição de que elas não podem se aplicar a nós. Esse pensamento tem sido a fonte de muito dano na Igreja. A alma que prosperará é a que treme ao ouvir a Palavra de Deus e está disposta a enfrentar as partes mais exigentes dela. O santo de Deus pode semear na carne, pode andar “segundo a carne”, pode “militar (guerrear) segundo a carne”; mas o fim miserável será que ele “da carne ceifará a corrupção”. Quando Uzias era forte (sua força estava em seus próprios recursos), seu coração se “exaltou” – mais como o coração de Nabucodonosor, rei da Babilônia (Dn 4:20) do que o do rei de Judá ungido de Deus. Um coração que está “exaltado” está em um estado perigoso e está quase sempre à beira de uma queda.


Embora Uzias fosse o rei ungido de Deus, não o sacerdote ungido de Deus, mesmo assim nenhuma atitude dele foi refreada. Nós o encontramos transgredindo “contra o Senhor seu Deus” e entrando no templo do Senhor para queimar incenso sobre o altar de incenso, que não lhe pertencia, mas apenas aos sacerdotes, os filhos de Arão que foram consagrados para queimar incenso. Também tomemos cuidado em lidar com o Senhor em familiaridade profana; um espírito humilde é sempre um espírito confiante, mas um espírito humilde pode confiar apenas no sangue de Jesus; não se apressa na presença de Deus como o homem que está “exaltado” em seu coração. Só podemos chegar a tal presença pelo incenso do Senhor Jesus, não pelo crédito de nossas próprias graças, ou devoção, ou com fervor carnal.


O lugar de um sacerdote

Azarias, o sacerdote, com oitenta sacerdotes, homens valentes, resistiu ao rei. “Então, Uzias se indignou [...] indignando-se ele, pois, contra os sacerdotes, a lepra lhe saiu à testa perante os sacerdotes, na casa do SENHOR” (2 Cr 26:19).


Amados, esta história do rei Uzias está escrita para nossa advertência. Elevar o coração é sempre uma busca de algo pessoal, não uma busca pelas coisas de Deus. Temos (bendito seja Deus) a liberdade de entrar no Santo dos Santos, pois somos sacerdotes diante de Deus pelo sangue de Jesus, mas é sempre através do incenso de nosso grande Sumo Sacerdote.


No capítulo 27:6, não foi mencionado o grande exército de Jotão: “Se fortificou Jotão, porque dirigiu os seus caminhos na presença do SENHOR, seu Deus”. É assim que o santo cresce em força prática. Assim foi com os tessalonicenses; “da obra da vossa fé, do trabalho da caridade e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai”. Jotão colocou o Senhor sempre diante dele e continuou com uma conduta constante. Aos olhos do homem, ele não era tão poderoso quanto Uzias, mas o Espírito Santo registrou seu nome como o de um “poderoso” aos olhos de Deus.


Christian Truth, Vol. 11


 

A Carne É Fraca


Vejamos o franco, sincero e íntegro apóstolo Pedro. Fervoroso em seu amor a Jesus, ele ignorava que seu coração era enganoso. Os olhos do Senhor podiam olhar adiante e ver Pedro no meio de uma cena em que ele ainda não havia sido colocado. O companheiro diário de Jesus, testemunha de Seus milagres, participando de Suas instruções mais secretas quando expôs a Seus discípulos Suas parábolas, conhecendo experimentalmente o cuidado de Jesus em prover a ele e a Seus companheiros quando os enviou sem bolsas: Seria ele como um cão? Será que O negaria? O pensamento é repelido com indignação honesta. “Ainda que me seja necessário morrer Contigo, não Te negarei” (Mt 26:35). Foi para Pedro que o Pai fez uma revelação especial da glória da Pessoa do Senhor, que Ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo. O quê?! Pedro negaria sua própria confissão e a honra depositada sobre ele na revelação feita a ele pelo Pai? Impossível!


Confiar em nossas intenções

Assim, o erro de Pedro e o de todos nós é tomar como certo que conhecemos nosso coração, assim como o Senhor o conhece. Confiamos na integridade de nossas intenções e “entramos em tentação”, sem saber que somos levados ao local onde a integridade de nossas intenções deve ser testada. Vamos mudar a cena para onde Pedro estava dormindo no jardim quando o Senhor estava em agonia. O Senhor impôs um limite que seria perigoso para Seus discípulos tentar cruzar com suas próprias forças. “O espírito está pronto, mas a carne é fraca”. Fraco na realidade, embora forte aparentemente, Pedro despertou do seu sono para a confiança carnal, “estendendo a mão, puxou da espada e, ferindo o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe uma orelha” (Mt 26:51). A ação de lutar sozinho contra uma multidão é corajosa, mas vigiar, orar e não confiar na carne é muito mais difícil. Jesus foi abandonado por Seus discípulos, desprezado e rejeitado pelos homens. Pedro iria permanecer com sua antiga confissão? Não, ele se equivoca, nega, amaldiçoa, jura: “Não conheço tal Homem”. O Senhor então mostrou que conhecia o coração de Pedro melhor do que ele próprio. Ele o restaurou com um olhar, mas Pedro saiu e chorou amargamente.


A história de Pedro nos mostra a conexão entre o engano e a maldade desesperada do coração. Mal sabia ele que xingamentos e maldições estavam prontos para explodir na ocasião em que fossem desbloqueados. Existe um Cristão com alguma experiência que não conheça a vergonha de confessar Jesus perante os homens como sendo algo mais poderoso do que a mais correta determinação? É relativamente fácil reconhecê-Lo quando estamos entre muitos que reconhecem Jesus, também reconhecê-Lo, mas para Cristo ser o único Objeto, é necessário a cruz. Se não tomarmos como certo que “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso”, de modo que sejamos levados a vigiar e orar, entraremos em tentação.


Cristo em rejeição

Muitos são os exemplos de resolução humana destemida, mas a resolução humana não é o espírito daquele que é a testemunha de Jesus. Ele precisa ser quebrado e saber que é apenas fraqueza. Se o Senhor tivesse corrido para a batalha à frente de Seus seguidores, com toda a probabilidade Pedro o teria seguido, indiferente ao perigo. Mas essa ousadia é fraqueza, pois o caminho de fé, em vez de seguir Jesus para a batalha, deve segui-Lo até a rejeição. Esse era o caminho do Mestre: “Porventura não importa que o Cristo padecesse essas coisas e entrasse na Sua glória?” Quando Pedro aprendeu o verdadeiro segredo de transformar a onisciência do Senhor em um relato pessoal prático dizendo: “Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que eu Te amo” (Jo 21:17), então ele não estava mais preparado para a glória em sua “sabedoria” ou em “sua força”. O Senhor “disse isso significando com que morte havia ele de glorificar a Deus” e disse: “Segue-Me”. O que Pedro não pôde fazer em seu próprio tempo, maneira e força, o Senhor o capacitou a fazer em Seu tempo, Sua maneira e Sua força.


O fim e o objeto de Deus

O que temos, então, a dizer sobre essas coisas?” Primeiro, um Cristão habitualmente deve vir “para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus” (Jo 3:21). Isso impedirá não apenas a atuação de um caráter, mas também a cilada sutil de usar o caráter que ele tem, entre outros, como um cego usaria para ocultar suas próprias falhas. Segundo, devemos lembrar que o fim e o objetivo de Deus não é de nos glorificar, mas a Seu próprio Filho Jesus Cristo. Esse é sempre o objetivo do Espírito Santo, e quando Ele escreve a história de Seu povo, Ele não hesita em registrar seus pecados, falhas e defeitos, às vezes até sem criticar, para que possamos aprender a impossibilidade de qualquer carne se gloriar diante do Senhor. Se isso for aprendido de maneira imperfeita aqui, isso será muito evidente quando conhecermos, assim como nós mesmos somos conhecidos. Mas, por fim, somos ensinados, tanto histórica quanto doutrinariamente (pode ser experimentalmente), que esse é o engano do coração, que nenhum dom da mais alta ordem, nenhuma graça recebida da plenitude de Jesus, nenhum zelo honesto por Seu nome, nenhuma devoção ao serviço passado e nenhuma atividade do serviço presente são uma salvaguarda contra isso. Só podemos ser “guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação” (1 Pe 1:5). E a regra prescrita e não revogada para nossa segurança por Jesus é: “Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-Me” (Lc 9:23).


A carne

A carne no santo é mostrada em sua terrível maldade por sua própria proximidade com o Espírito. Mas o coração, enganosamente, pensa que não precisa ser continuamente protegido, e prontamente dá novos nomes a velhas concupiscências e paixões, mas o veredito permanece inalterado: “A carne para nada aproveita” (Jo 6:63). Embora a vigilância e a oração sejam sempre necessárias, somente será irrepreensível, sem culpa e sem ofensa, aquele que anda na solene convicção de que deve temer a eclosão dos pecados mais graves, a menos que sua alma esteja ocupada com Jesus. O pecado do qual seu coração recuaria, se deliberadamente apresentado, pode ser aquele ao qual ele é insensivelmente levado de um passo após outro em direção à tentação. “Ora, Àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, ao único Deus, Salvador nosso, por Jesus Cristo, nosso Senhor, seja glória e majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, agora e para todo o sempre. Amém” (Jd 24-25).


J. L. Harris (adaptado)


 

Força e Coragem


O terreno de força e coragem é o fato de que Deus ordenou e está com aquele que obedece. “Não To mandei eu? Esforça-te e tem bom ânimo; não pasmes, nem te espantes, porque o SENHOR, Teu Deus, é contigo, por onde quer que andares” (Js 1:9). As dificuldades poderiam ser como montanhas, o inimigo poderia ser grande e poderoso, mas Jeová era maior do que todos, e estava com Seu servo obediente, de modo que ele não tinha nada a temer. Ele havia libertado Israel do Egito e os trouxe através do Mar Vermelho, do deserto e do Jordão. Quem tinha feito isso poderia dar força e coragem contra as quais nenhum inimigo poderia resistir.


Nós precisamos desta mesma força e coragem. “Fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder” (Ef 6:10), é dito, quando se trata do poder e das artimanhas de Satanás. E quando o Cristianismo começou a declinar e Timóteo estava perdendo o ânimo, o apóstolo Paulo o encorajou com estas palavras: “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação. Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro seu; antes, participa das aflições do evangelho, segundo o poder de Deus” (2 Tm 1:7-8). E ainda: “Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus” (2 Tm 2:1). Timóteo precisava desse encorajamento, e precisamos disso, e, além disso, Deus é capaz de dá-lo àqueles que prosseguem em obediência dependente à Sua vontade.


Fé em Deus

Nós devemos ter fé em Deus. Existe um ditado neste mundo que diz: ‘Conhecimento é poder’, mas para o crente o poder está antes conectado à . Fé traz Deus para dentro da questão, e para o Seu poder não há limite. A verdadeira questão é: estamos andando com Ele? Temos o conhecimento de Sua vontade para que possamos agir com confiança? Podemos trazê-Lo ao que estamos fazendo? Se for assim, podemos seguir em frente no nome do Senhor com força e coragem de coração e indiferentes a todo o poder que Satanás possa levantar contra nós. E aqui vamos observar que a diligência do coração é necessária, e posso acrescentar, como de igual importância, a dependência em oração. “Medita dia e noite” e “orar sempre” são o que os guerreiros de Cristo são chamados a fazer. Josué devia meditar nas palavras da lei dia e noite, e os santos efésios deveriam orar sempre com toda oração e súplica por todos os santos. Paulo diz a Timóteo: “Medita estas coisas, ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos” (1 Tm 4:15). Oh, se fôssemos mais diligentes quanto à Palavra de Deus e à oração, quão diferente seria nosso estado! Que fervor de coração em todo o nosso serviço e que devoção a Cristo e Seu povo haveria, e quão maior bênção seria desfrutada!


Quanto nos falta essa diligência de coração! Quanto tempo poderia ser direcionado à oração e meditação na bendita Palavra de Deus é gasto em conversas tolas e fofocas ociosas, entristecendo o Espírito, prejudicando o crescimento espiritual e secando as fontes do amor divino na alma! “Então, aqueles que temem ao SENHOR falam cada um com o seu companheiro; e o SENHOR atenta e ouve; e há um memorial escrito diante d’Ele, para os que temem ao SENHOR e para os que se lembram do Seu nome” (Ml 3:16). “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros” (Cl 3:16). Nisto precisamos dessa diligência de coração para que o Senhor seja honrado e nossas bênçãos e a bênção dos outros possam ser garantidas.


Dependência de Deus

Força e coragem são mais necessárias em um dia de declínio do que quando tudo está indo bem. Não temos que lutar somente contra o inimigo, mas também, em vez de ter o apoio de nossos irmãos, podemos nos encontrar com aquilo que estremece o coração e o enche de tristeza. Aqui o coração é testado e só Deus pode sustentá-lo. Não existe apenas conflito com um inimigo comum, mas há o estado dos santos a ser suportado como um fardo para o coração. Vamos suportar esse fardo? Você vai se apegar aos santos no poder do amor divino quando eles se afastarem de você como todos na Ásia fizeram com Paulo? Procuraremos servi-los quando formos incompreendidos, deturpados ou mesmo criticados? Paulo poderia dizer aos santos de Corinto: “Eu, de muito boa vontade, gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado” (2 Co 12:15). É fácil amar meus irmãos quando eles me amam e amontoam seus favores sobre mim. Mas eu os amo da mesma forma mesmo quando eles se voltam contra mim ou me abandonam? Eu intercedo por eles noite e dia quando talvez eles só estejam falando mal de mim? A verdadeira questão é: Eu tenho o coração de Cristo a respeito dos santos? Então eu agirei em relação a eles de acordo com Seu coração, e buscarei Sua glória em conexão com o estado deles, independentemente de direitos pessoais ou vantagens atuais.


A busca diligente da face e da paciência de Deus, esperando n’Ele por Sua vontade, Sua ajuda e Sua orientação são indispensáveis. Por que não temos força? Por que há declínio entre nós? Por que a ruptura das fileiras e a separação dos santos? Não é porque não temos vivido perto de Cristo seguindo em humilde dependência de Deus? E o Cristo de Deus, a verdade de Deus e o povo de Deus passam a não ter seu lugar de direito em nossas afeições. Temos visto alguém se tornando descuidado e outro caminhando de modo errado, e talvez tenhamos falado sobre eles e os criticado quando deveríamos ter ficado de joelhos intercedendo por eles.


O reconhecimento de nosso estado

Mas será que consideramos nosso próprio estado e o de nossos irmãos? Será que nós confessamos nossa frouxidão de alma, nosso descuido, e com diligência de coração buscamos a face de Deus? Então poderíamos esperar Sua bênção e o gozo de Seu favor que é melhor que a vida (Sl 63:3). Não há tempo para desperdiçar, tempo para fofocas ociosas, tempo para mimar a carne e alimentá-la com as vaidades deste mundo. “Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus” (Ef 5:14-16).


Que o bendito Senhor dê ao escritor e ao leitor força e coragem neste mundo mau para vivermos para Ele e para os Seus, servindo a Ele e a eles em humilde graça, até sermos tirados do cenário de conflito e serviço para descansarmos no eterno brilho da Sua própria presença e no gozo do Seu amor imutável.


A. H. Rule (adaptado)


 

Força na (Aparente) Derrota


Por toda a Palavra de Deus, somos encorajados a ter fé em Deus e a recorrer à Sua força e poder em nossa vida. Para fazer isso, é claro, devemos reconhecer nossa própria fraqueza e entender claramente “que não é do homem o seu caminho, nem do homem que caminha, o dirigir os seus passos” (Jr 10:23). Mas se olharmos para a história do homem, teremos bastante exemplos, especialmente no Velho Testamento, de homens que quando não tinham força se apoiaram sobre Ele e tiveram vitórias impressionantes. Nós vemos Abraão armando seus 318 servos e derrotando a confederação de quatro reis, que tinham acabado de derrotar outra confederação de outros cinco reis. Vemos os filhos de Israel passando pelo Mar Vermelho, enquanto os egípcios foram afogados por tentar segui-los. Vemos Israel conquistando a terra de Canaã, apesar de amplamente superados em número pelos inimigos. Vemos Davi, que era apenas um jovem, matando Golias, que não era apenas um gigante, mas um homem habilidoso na guerra. A lista continua daqueles que, contando com o poder de Deus, conquistaram grandes vitórias. Parte dessa história é registrada em Hebreus 11, e especialmente a história da família de Abraão e, posteriormente, Moisés e os filhos de Israel.


Finalmente, alguns são mencionados sem detalhes, temos – Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, Samuel e os profetas (Hb 11:32). (Observe que os quatro primeiros nomes não são dados em ordem cronológica, mas talvez na ordem da força de sua fé). Os triunfos desses homens (também das mulheres!) estão bem documentados para nós na Escritura. Mas então, no meio do versículo 35, lemos: “uns foram torturados, não aceitando o seu livramento [...] E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões” (vs. 35-36). Pode parecer, à primeira vista, que eram pessoas sem fé, pois não experimentaram a demonstração externa do poder e da libertação de Deus. No entanto, o Espírito de Deus registra que “todos estes” estavam entre aqueles que tinham obtido “testemunho pela fé” (v. 39). Alguns podem perguntar como isso pôde acontecer, já que havia verdadeira fé em seus corações.


Provado com fogo

Devemos reconhecer que Deus é glorificado quando Seu povo obtém grandes vitórias por meio de Sua força, mas que Ele também é glorificado quando crentes “sofrem agravos, padecendo injustamente” (1 Pe 2:19). Deus às vezes glorifica Seu nome, demonstrando Seu poder em nome de Seu povo, e podemos ser muito gratos por isso. Contudo, a maior demonstração de fé, a que traz a maior honra ao Senhor, é encontrada quando Seu povo continua firme em sua confiança, mesmo quando não é recompensado externamente no momento. No primeiro caso, nossa fé é recompensada aqui embaixo, no outro, devemos esperar a recompensa em ressurreição. Alguém observou apropriadamente que “Deus pode testar nossa fé, mas nunca desapontará nossa fé”. Isso é verdade, mas os testes podem continuar por toda a vida, sem parecer que serão recompensados. Então, nossa fé é realmente “provada pelo fogo”, mas essa prova severa de nossa fé será achada “em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo” (1 Pe 1:7). Há uma glória em ter Deus entrando com Seu poder aqui embaixo e demonstrando claramente Sua capacidade de nos libertar, mas há uma glória ainda maior quando Seu povo suporta tudo o que pode vir contra eles, sem nenhum alívio exterior, mas continua a honrar o Senhor andando com fidelidade.


Nenhuma intervenção aberta

Nestes últimos dias, talvez estejamos vendo mais disso, à medida que a rejeição de Cristo se torna cada vez mais pronunciada neste mundo. No entanto, Deus não intervém abertamente nos assuntos dos homens, embora sem dúvida permita que eventos como furacões, terremotos, incêndios e inundações ocorram, para alertar os homens sobre o julgamento vindouro. Mais do que isso, Ele está trabalhando nos bastidores e movendo tudo em uma direção para realizar Seus propósitos. Enquanto isso, os crentes estão descobrindo a verdade das palavras de nosso Senhor: “No mundo tereis aflições” (Jo 16:33), e: “Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, Me aborreceu a Mim” (Jo 15:18). É triste dizer que alguns estão sucumbindo à pressão e decidindo que o caminho Cristão é muito difícil, que é melhor se comprometer um pouco e desfrutar de algum alívio das dificuldades do que seguir um Cristo rejeitado. Mas o Senhor nos deu um encorajamento maravilhoso.


Lembre-se de Jesus Cristo

Estamos dispostos a ser como nosso Senhor e Mestre? Vale ressaltar que em Hebreus 11:35-38 nenhum nome é dado. No início do capítulo, os nomes são dados dos que foram vitoriosos na fé, mas nenhum dos que sofreram sem serem libertos. Embora não pretenda explicar isso completamente, eu sugeriria que o Espírito de Deus não deseja desviar nossos olhos d'Aquele que é o Exemplo supremo disso. Houve alguém que sofreu como nosso bendito Senhor sem ser libertado? Ele pôde dizer profeticamente no Salmo 22:4, 6: “Em ti confiaram nossos pais; confiaram, e Tu os livraste [...] Mas Eu sou verme, e não homem, opróbrio dos homens e desprezado do povo”. Mais do que isso, ele pôde dizer: “Deus Meu, a Ti clamo de dia, porém não Me respondes” (Sl 22:2 – TB). Não apenas não houve libertação, mas até o Seu clamor ficou sem resposta. No entanto, o que a Escritura nos exorta a fazer? Lemos em 2 Timóteo 2:8, “Lembra-te de que Jesus Cristo, que é da descendência de Davi, ressuscitou dos mortos, segundo o meu evangelho”. Paulo também estava sofrendo, sem libertação, mas diz a Timóteo que se lembre de que a recompensa pela fidelidade aqui embaixo virá em ressurreição, e não necessariamente neste mundo. Foi assim para o nosso bendito Mestre, e “basta ao discípulo ser como seu Mestre, e ao servo ser como seu Senhor” (Mt 10:25).


Uma perspectiva eterna

As dificuldades do caminho são muitas nestes últimos dias. Em alguns países, continua a perseguição aberta aos crentes, até a morte. Em outros, a vida se tornou complicada e desafiadora, especialmente para os jovens, encontrar uma carreira adequada, estabelecer um lar e criar uma família é muito mais complicado do que há alguns anos. Alguns estão “optando por sair”, e especialmente quando veem outros que abandonam e parece que se deram bem. Se somos tentados a fazer isso, lembre-se de que a fidelidade nunca passará despercebida pelo Senhor e nunca ficará sem ser recompensada. Mas devemos ter uma perspectiva eterna, pois “as (coisas) que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2 Co 4:18).


W. J. Prost


 

Da Fraqueza Tiraram Forças


O plano do Senhor de libertar Seu povo às vezes implica permitir a maldade contra eles em toda a sua força. Isso é muito alarmante por si só, mas é a maneira de Deus libertar, porque o efeito é subjulgar a carne, mostrar que não temos força alguma. E esta é a nossa vitória, pois a questão é entre Deus e Satanás, e não entre nós e Satanás.


No Egito, o Senhor libertou os israelitas trazendo contra eles todo o exército do faraó. Eles viram que eles próprios não tinham força e clamaram ao Senhor e foram consolados com a promessa: “O SENHOR pelejará por vós, e vos calareis” (Êx 14:10-14).


No tempo de Josafá, os filhos de Israel eram como dois pequenos rebanhos de crianças, enquanto os sírios enchiam o país, mas o Senhor prometeu: “O SENHOR é Deus dos montes e não Deus dos vales, toda esta grande multidão entregarei nas tuas mãos, para que saibas que Eu sou o SENHOR” (1 Rs 20:27-28).


Os judeus tinham um país na Terra, e quem os matasse os removeria da Terra, mas os santos são estrangeiros na Terra, tendo seu país no céu, portanto, eles não precisam do mesmo tipo de libertação que os judeus precisavam e não devem procurar por isso.


O príncipe das potestades do ar, governadores do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniquidade nas regiões celestes (TB) são os inimigos do santo, tentando impedir a mentalidade celestial e impedi-lo de ter comunhão com o Pai e o Filho.


Se o santo mais fraco está se apoiando apenas em Jesus, ele é mais forte que todos os poderes de Satanás, porque Jesus é mais forte. Que Aquele que trabalha em Seu povo para que desejem e realizem o Seu bom prazer, trabalhe em nossa alma, nos libertando daquela grande obra de Satanás – uma forma de piedade sem poder.


Christian Truth, Vol. 4


 

Um Espinho na Carne


Para que Paulo não se exaltasse acima de medida, um espinho na carne foi dado a ele. Aprendemos da epístola aos Gálatas que foi algo que o tornou desprezível em sua pregação. Era algo para impedir que ele se ensoberbecesse, mas isso não representava força. Temos a bênção de Paulo no terceiro céu. Temos o homem em Cristo que pode agradecer e bendizer a Deus pelo que fomos feitos em Cristo – quem pode dizer entre todos nós: “dando graças ao Pai, que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz” (Cl 1:12). Mas depois disso, temos outra coisa, a carne e sua inclinação para se ensoberbecer. E então encontramos uma terceira coisa, a carne que se torna extremamente desagradável. Mas isso não é força – pelo contrário, é o esvaziamento de força. Você não pode conseguir que Deus ajude a carne e ajude a vontade própria, antes, Ele vai quebrantá-las. Ele te humilhará por isso, mas nunca a ajudará. Ele quebra o vaso para que possamos saber que o poder não é do homem, mas de Deus. De modo que ele diz: “quando estou fraco, então, sou forte” (2 Co 12:10). Quando estou fraco, eu sinto que estou fraco. Conheço a verdade sobre mim mesmo. Aqui o apóstolo estava pregando, e sua maneira de pregar era desprezível, ainda assim centenas de pessoas se converteram por sua pregação. Bem, isto não vem do que é desprezível: Isto não vem de Paulo, mas de Deus. O Senhor então, quando fez com que ele sentisse sua fraqueza, disse: “A Minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:9). Se Paulo tivesse considerado sua própria força, Cristo não precisaria ter dado muito a ele, mas se Paulo não tinha nenhuma, a força que veio de Cristo estava nele. O homem foi trazido para um estado de fraqueza consciente para que o poder de Cristo pudesse repousar sobre ele.


Cristo no homem

Agora aqui temos, não o homem em Cristo, mas Cristo no homem, e é isso que queremos aqui embaixo. Se pensarmos no homem em Cristo, isso é perfeição. Mas quando se trata de caminhar aqui, queremos força e sinceridade – queremos poder. Se o poder estiver em mim, existe o velho homem, e isso não funcionará. O velho homem precisa ser afastado, e então outro poder entra. Eu tenho Cristo comigo, portanto, sou um homem dependente. Cristo disse: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4:4). Nós O vemos constantemente dependente, e sempre certo. Isso é o que é tão difícil para nós, assim, nos envolvemos em mau comportamento justamente quando passamos a agir em independência de Deus. É por isso que tantas vezes vemos Cristãos caírem, depois de um período de grande gozo. Por quê? Porque se gozo o afastou da dependência de Deus. Quando estou esvaziado de mim mesmo, e estou em angústias, enfermidades e necessidades pela causa de Cristo, então posso dizer que me gloriarei nelas. Por quê? “Para que em mim habite o poder de Cristo”, onde haverá bênção – nada sendo feito em minha própria consciência, mas tendo a consciência do poder de Cristo repousando sobre mim. Este não é o homem em Cristo, mas o poder de Cristo repousando sobre ele enquanto ele caminha aqui embaixo – é Cristo no homem. Supondo que eu esteja esvaziado de mim mesmo, e que Cristo esteja vivendo em mim, o que devo obter? Eu não estarei sempre no terceiro céu, mas Cristo está sempre lá. Eu tenho minha segurança lá, minha vida lá, minha justiça lá, tudo o que preciso está lá. Cristo é o meu título: Eu estou em Cristo, e não no primeiro Adão.


J. N. Darby (adaptado)


 

Olhando para Jesus


Se na estrada espinhosa da vida,

A alma sob sua carga desmaiada-

Por seus cuidados e pecados oprimida,

Na terra sem paz e nem guarida;

Quando o tentador astuto está perto,

Nos enchendo de dúvidas e medo:

Jesus, para os teus pés fugimos;

Jesus, olhamos, e temos em Ti acolhida.


Tu, Salvador, do trono,

O gemido de Teu povo escutas;

Tu, o Cabeça vivo, partilhas

Toda angústia que, por amor, mitigas:

Cheio de ternura Tu és;

Curarás o coração partido;

Cheio de poder, com Teu braço dominas

A ira e força do inferno que abominas.


Tu, ó Jesus, Tu levaste

A ira de Satanás, o desprezo dos mundanos:

Tu conheces a hora amarga

Do poder do astuto e de seus planos;

Ver! Teu suor de sangue, enxergamos,

Lá no jardim escuro, Getsêmani:

Ouvir! Esse choro penetrante e horrível,

Do monte do Calvário, dor audível!


Por aquele amor que a Ti

Do alto trono eterno a Ti tirou;

Velou-Se o Senhor da terra e do céu

Numa humilde criança, perfeito véu:

Por esse amor que mutilação curou,

Curou doentes, aos coxos restaurou,

E até ao cego a vista clareou, lembremos.

-Jesus, nós também para Ti olharemos


J. G. Deck


 

Precioso Nome

8.7.8.7.:6.7.6.7. - Precious Name (De Jesus el Nombre Exalta)


De Jesus o nome invocai ante a dor e a aflição; Será doce a taça amarga, os trabalhos cessarão.

Suave luz, manancial de esperança, fé e amor; Sumo bem celestial é Jesus, o Salvador.

De Jesus o nome estimai, n’Ele escudo achareis; Mesmo fracos, abatidos, um abrigo encontrareis.

Suave luz, manancial de esperança, fé e amor; Sumo bem celestial é Jesus, o Salvador.

De Jesus o nome exalçai, pois é sem igual poder; Do sepulcro nos levanta, renovando nosso ser.

Suave luz, manancial de esperança, fé e amor; Sumo bem celestial é Jesus, o Salvador.

De Jesus o nome exaltai, quão precioso e digno é! Logo deitareis coroa ante Seus feridos pés!

Suave luz, manancial de esperança, fé e amor; Sumo bem celestial é Jesus, o Salvador.


Hino 124

 

“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”

(2 Co 12:9)



 

Notas do Tradutor:

[1] N. do T.: o que toma o lugar de alguém por meios desonestos.

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