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Fundamentos (Março de 2026)

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Revista mensal publicada pela Bible Truth Publishers

ÍNDICE

 

           G. V. Wigram

          W. J. Prost

          W. J. Prost

          W. T. Turpin (adaptado)

          W. J. Prost

          N. Simon

R. Thonney (adaptado)

          J. N. Darby

          Paul Wilson (adaptado)

J. N. Darby

E. Dennett

          J. G. Bellett

          J. N. Darby

          G. V. Wigram

          Lois Beckwith

Fundamentos

 

Um mal após o outro surge em meu coração, e eu bem poderia me sentir desanimado e abatido; mas a resposta para tudo é: “Acaso eu não fui dado por Deus a Cristo antes da fundação do mundo?” Um Pedro poderia amaldiçoar, jurar e negar a Cristo, mas “como havia amado os Seus... amou-os até o fim”. Ele está lá no céu como um Deus Salvador – como Aquele que pode derramar paz e alegria. Eu posso dizer: “Ele está no trono de Deus por mim, Ele sabe o preço que pagou por mim”. Mas será que é porque Ele me ama que Ele me deixa aqui embaixo, como uma ovelha, para Satanás conduzir e atormentar? Sim, porque Ele destruirá tudo o que não é d’Ele em meu coração. Mas como havia amado os Seus, Ele ama até o fim.

 

Ele não pode estar no céu sem nos revelar agora que nos quer lá; Ele nos quer todos ao redor do trono. O que seria se, depois de todo o trabalho de Sua alma, não houvesse salvos lá? E se Aquele que Se assenta no trono visse todos os assentos ao redor dele vazios? Qual era o nosso valor quando Cristo nos chamou para Si? Qual é o nosso valor próprio agora? Absolutamente nenhum. Mas estamos unidos a Cristo, e Ele nunca Se esquece dos Seus, dados a Ele pelo Pai antes da fundação do mundo. Ele preparou a glória deles, não com base no valor que eles têm, mas com base no que aconteceu entre Ele e o Pai, quando fomos escolhidos n’Ele antes da fundação do mundo.

 

G. V. Wigram

Um Esboço das Sãs Palavras

 

Todos nós gostamos de participar de uma conferência bíblica ou outro evento e ouvir um irmão nos falar sobre seus pensamentos e meditações da Escritura. Ou talvez gostemos de ler algo que alguém escreveu. Mas quem está falando (ou escrevendo um artigo) geralmente precisa pressupor uma certa base de verdade que seus ouvintes ou leitores já possuem. Se ele estiver transmitindo uma mensagem do evangelho, pode começar do zero e presumir que seu público não sabe nada sobre a Bíblia ou do caminho da salvação de Deus. Se ele estiver se dirigindo a crianças ou a um grupo de jovens, então esse é um desafio diferente. Um público de adultos e de pessoas da mesma faixa etária é, mais uma vez, diferente.

 

À medida que avançamos em nossa vida Cristã, presume-se que nosso conhecimento também progredirá. Talvez você esteja sentado ouvindo uma pregação e as palavras “propiciação” ou “substituição” sejam mencionadas e sua mente fica sem entender os seus significados. Será que posso sugerir que você pegue seu lápis e caderno e anote as palavras para um estudo posterior? Ou talvez alguém mencione um profeta ou uma história do Velho Testamento sobre os quais você não conhece. Esse nome ou história também deve entrar em suas anotações de “estudo posterior”.

 

Verdades fundamentais 

É muito importante que tenhamos as verdades fundamentais da Escritura claras em nossa mente. Elas formam a base para tudo o mais e, embora toda a Palavra de Deus seja importante para nós, há algumas coisas que são mais significativas do que outras. Por exemplo, lembro-me do meu sogro nos dizendo que todos deveríamos ser bem versados nas três áreas seguintes da Escritura, pois elas estabelecem verdades fundamentais para toda a Palavra de Deus. Essas três são:

 

  1. As festas de Jeová, conforme encontradas em Levítico 23.

  2. As dez parábolas, conforme apresentadas em Mateus 13, 18, 20, 22 e 25. Elas são frequentemente chamadas de “semelhanças do reino”.

  3. O significado profético das sete igrejas em Apocalipse, capítulos 2 e 3.

   

Para colocar essas pedras angulares e alicerces básicos, são necessárias três coisas: desejo, diligência e disciplina. Alguns de nossos escritores mais antigos, do século XIX, escreveram em um estilo mais difícil de entender. Os vitorianos eram frequentemente muito "prolixos"! Eles certamente não escreviam em “tópicos”, mas vale muito a pena o esforço para ler e talvez reler os escritos dos irmãos daquela época para apreender essas verdades básicas. Uma reunião de leitura é um bom lugar para aprender, mas, mais uma vez, você precisa primeiro ter o fundamento sobre o qual construir os pensamentos apresentados nos vários capítulos e livros discutidos. Você não tentaria construir uma casa sem lançar um bom fundamento e ler alguns manuais de construção. Um irmão mais velho, de quem aprendi muito quando era jovem, costumava nos dizer que “o Senhor pode dar o dom para compartilhar a verdade de Deus, mas em nenhum lugar da Escritura se menciona um dom para recebê-la”. O Senhor quer que todos nós tenhamos “um modelo (um resumo, um esboço) das sãs palavras” (2 Tm 1:13). O que isso significa?

 

Significa não apenas conhecer a verdade de Deus, mas, como alguém já observou, significa que Paulo queria que Timóteo não apenas conhecesse a verdade, mas também a tivesse em sua alma de forma ordenada, para que tivesse um conhecimento prático dela. Significa também ter a verdade em minha alma, “não com palavras que a sabedoria humana ensina, mas com as que o Espírito Santo ensina” (1 Co 2:13).

 

As ferramentas 

Tenho certeza de que todos vocês querem colocar um fundamento e começar a construir. Ótimo! Vamos reunir as ferramentas.

 

Primeiro, há o desejo de saber mais sobre este maravilhoso livro de Deus e o que Ele está nos dizendo.

 

Há muitos anos, um de nossos escritores mais conhecidos escreveu para um jovem que fazia muitas perguntas dizendo que ele “precisava ler mais a Palavra de Deus e estudá-la menos”. O que ele quis dizer com isso? Nunca devemos transformar a aquisição de um fundamento em um estudo intelectual, e era isso que esse jovem estava fazendo. Nossa motivação para aprender a verdade de Deus precisa vir do coração. Se dissociarmos a verdade de Cristo, ela se tornará algo morto e não nos fará nenhum bem. Toda a Escritura nos aponta para Cristo, e o desejo de conhecê-Lo mais deve vir primeiro em nossa alma. Nosso coração e consciência devem estar envolvidos, e não apenas nosso intelecto.

 

Leitura sistemática 

O próximo passo é a leitura diária, regular e sistemática da Bíblia. Como já observamos, isso exigirá disciplina e diligência. Se pensarmos que terminaremos todas as nossas responsabilidades seculares primeiro e depois leremos a Palavra de Deus no tempo que nos restar, Satanás se encarregará de que não haja tempo sobrando. Não, devemos colocar o Senhor em primeiro lugar. Outro irmão costumava dizer: “Nunca queira saber mais de outra coisa do que você sabe sobre Cristo e a Bíblia”. Você tem uma carreira pela frente que exige muito estudo? Dedique mais esforço a aprender sobre as coisas de Cristo do que você dedica à sua carreira. O próprio Senhor disse: “Buscai primeiro o reino de Deus, e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33). Paulo disse a Timóteo: “Medita estas coisas; ocupa-te nelas” (1 Tm 4:15). Uma carreira aqui na Terra durará apenas esta vida; ocupar-se com as coisas de Cristo renderá frutos por toda a eternidade.

 

Quando você ler a Palavra de Deus, deixe o Espírito de Deus ensiná-lo e forme seus próprios pensamentos sobre o que lê. Depois, procure bons ministérios, escritos por autores confiáveis, para obter uma visão mais ampla da verdade de Deus e, talvez, ter seus pensamentos um pouco reformulados. Lembre-se também de que você não pode obter uma perspectiva correta da verdade de Deus por meio daqueles que não caminham nela.

 

Ande na verdade 

Em terceiro lugar, ande no bem daquilo que você tem lido: deixe que isso se torne parte de você. Paulo pôde dizer a Timóteo: “Permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado” (2 Tm 3:14). Aprender algo é conhecê-lo; ter certeza de algo é praticá-lo.

 

Alguns de vocês podem perguntar: O que eu faço quando ouço um ministério que está “muito além do meu entendimento”? Isso pode ser um problema real, e admitimos francamente que pode haver ministérios pouco proveitosos que não são adequados aos ouvintes. Como uma observação pessoal, encontrei isso na faculdade de medicina, onde (naquela época) a maioria dos professores estava envolvida em pesquisas. Eles ficavam tão animados para falar sobre suas pesquisas, mas nós, alunos que precisávamos aprender sobre as manifestações, o diagnóstico e o tratamento de uma determinada doença, às vezes nos perdíamos em uma discussão sobre seis teorias diferentes sobre o que causava a doença. Um médico que estava envolvido no ensino observou sabiamente que os pesquisadores deveriam ser colocados em quarentena para o seu próprio bem e para o bem dos alunos.

 

No entanto, em assuntos espirituais, somos instruídos: “Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem” (1 Ts 5:20-21). Sempre podemos extrair algo do que nos é apresentado, mesmo que não entendamos tudo. Além disso, mais uma vez, anote o que você não entende e, em seguida, faça sua própria pesquisa. O Senhor o ajudará.

 

Resumindo, precisamos de um bom fundamento sobre o qual construir. Não nos desanimemos, mas lembremo-nos de que, “Se alguém quiser fazer a vontade d’Ele, conhecerá a respeito da doutrina” (Jo 7:17 – ARA). Se o nosso coração for correto, o Senhor nos ajudará a estabelecer um bom fundamento para entender a verdade de Deus.

 

W. J. Prost

Antes da Fundação do Mundo

 

Não sabemos quão antigo é este mundo, mas o próprio Jeová diz ao Filho: “Desde a antiguidade fundaste a Terra” (Sl 102:25). Como é maravilhoso considerar que Deus nos fala em Sua Palavra sobre coisas que aconteceram antes da fundação do mundo!

 

A primeira referência que consideraremos está no ministério de Pedro, onde lemos: “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis... que fostes resgatados mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o Qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós” (1 Pe 1:18-20).

 

A obra de Cristo na cruz e Seu sofrimento pelo pecado não foram um pensamento posterior para Deus. Não, Deus sabia que o pecado viria e corromperia Sua bela criação, seja uma criação que ocorreu “desde a antiguidade”, seja quando foi modificada antes da criação do homem. Deus sempre teve diante de Si a exaltação de Seu Filho amado, como o “Cordeiro de Deus” que “tira o pecado do mundo” (Jo 1:29). Ele foi “pré-ordenado” (At 3:20 – JND) ou predestinado a ser Aquele que realizaria essa obra grandiosa.

 

Como criaturas que nasceram em um contexto de tempo, não conseguimos entender o conceito de eternidade, embora possamos entender o termo e seu significado. Mas Deus vive e Se move na eternidade, e determinou o remédio para o pecado, não apenas antes que o pecado entrasse neste mundo, mas muito antes da fundação do mundo!

 

Isso nos dá paz e descanso, enquanto contemplamos com reverência a Divindade, que pôde conceber tal plano. Não podemos medir a eternidade, de modo que não nos é dito quão longe na eternidade essa predestinação se estendeu. Somente o próprio Deus pode medir isso, mas podemos descansar no Cordeiro de Deus, que veio no tempo determinado para ser “manifestado nestes últimos tempos”.

 

Escolhidos em Cristo 

A segunda referência está em Efésios, onde lemos: “O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo nos elegeu n’Ele (em Cristo) antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante d’Ele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para Si mesmo, segundo o beneplácito de Sua vontade” (Ef 1:3-5). Isso traz todo o plano de Deus ainda mais perto de nós nesta dispensação, pois é somente a respeito dos santos que fazem parte da Igreja que a Palavra de Deus diz que fomos escolhidos dessa maneira. Sim, aqueles salvos neste tempo especial da graça de Deus são trazidos a um favor distinto diante de Deus e foram escolhidos para fazer parte da Igreja – um lugar de proximidade com Cristo que outros não terão.

 

Embora todos na Igreja sejam escolhidos, eles são escolhidos individualmente e, em seguida, acrescentados à Igreja. Acaso já consideramos que lugar privilegiado temos? Muitos queridos crentes que fizeram e fazem parte da Igreja se perguntaram: "Por que fui escolhido?" A única resposta é que se trata da graça soberana de Deus. Deus pôde escolher Saulo de Tarso para fazer parte da Igreja, embora ele pudesse se descrever com precisão como o principal dos pecadores. Deus está formando Sua Igreja a partir de todas as nações hoje, e juntos eles comporão a Noiva de Cristo. Novamente, que lugar privilegiado temos! Se tivéssemos podido escolher quando nascer neste mundo, não poderíamos ter escolhido um momento melhor. É de fato “segundo o beneplácito de Sua vontade, para louvor da glória da Sua graça” (Ef 1:5-6).

 

Tu Me amaste 

Finalmente, temos a terceira referência, e talvez a mais preciosa de todas. Lemos no evangelho de João: “Pai, aqueles que Me deste quero que, onde Eu estiver, também eles estejam Comigo, para que vejam a Minha glória que Me deste; porque Tu Me amaste antes da fundação do mundo” (Jo 17:24). Talvez possamos conectar isso com o versículo anterior (v. 23), onde lemos: “Para que o mundo conheça que Tu Me enviaste a Mim, e que os tens amado a eles como Me tens amado a Mim”. Aqui somos levados diretamente para fora de nós mesmos, para um amor divino que existiu entre o Pai e o Filho em uma eternidade passada, e é a mesma afeição com que o Pai nos ama. Novamente, não nos diz quão distante esse amor remonta, pois não podemos medir a eternidade. Mas esse amor que começou na eternidade perdurará por toda a eternidade, porque é amor divino. Antes da criação do mundo – em eras anteriores à existência do tempo – o Pai amava o Filho e agora nos tem demonstrado esse mesmo amor.

 

O pensamento é avassalador, pois somos introduzidos àquilo que está, em última análise, além do nosso entendimento, embora não além do nosso desfrute. Não apenas desfrutaremos desse amor por toda a eternidade, mas lemos em Sofonias: “Jeová teu Deus... descansará no Seu amor, exultará sobre ti com júbilo” (Sf 3:17 – TB). Isso, sem dúvida, se refere ao gozo de Deus na nação restaurada de Israel num dia vindouro, mas será plenamente realizada quando a Igreja for trazida à plena bênção. Nosso gozo será grande, mas o gozo do Senhor será maior. Ele descansará em Seu amor – aquele amor que existia antes da fundação do mundo.

 

W. J. Prost

Cristo, o Fundamento

 

Em Mateus 16:13, o Senhor Jesus perguntou aos Seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do homem?” Quando consideramos Cristo e tudo o que Ele é, encontramos aqui um grande princípio de graça, um grande consolo para o nosso coração, que também nos traz um ânimo peculiar. Se aceitarmos Cristo, aceitamos tudo o que está em Cristo e temos tudo o que está em Cristo, embora nós mesmos possamos perceber apenas a menor parte da Sua glória. Podemos absorver apenas a menor parte da Sua glória; ainda assim, se temos Cristo, se Cristo é o nosso centro, se O aceitamos como tal, aceitamos tudo o que Ele é. Podemos não apreender isso plenamente, mas é impossível diminuir algo da plenitude que está em Cristo. Isso é um conforto imenso para a alma, uma imensa consolação para todos nós. Assim podemos dizer aqui, embora os ouvintes em Mateus que reconheceram Cristo por quem Ele era, só O tenham apreendido no que podemos chamar de a menor parte da Sua glória, isto é, na Messianidade. Ainda assim, eles aceitaram Cristo e foram reunidos a Cristo como seu centro; tudo o que Cristo era, bendito seja o Seu nome, estava ali para eles.

 

O Senhor continua perguntando: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” (Mt 16:15). Ele então traz a questão para o círculo restrito dos discípulos. Não se tratava simplesmente do amplo círculo de homens em geral, mas Ele traz isso agora para o círculo pessoal com Ele mesmo, “Quem dizeis que Eu sou?” Quão solene é isso! Pensem nisso. O Senhor queria que isso fosse declarado, e quer também que isso saia de nós. “Quem dizeis que Eu sou?” E então ouvimos do homem que foi ensinado do céu, ensinado por Deus, por uma revelação vinda do Pai, aquelas preciosas palavras: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Ó, que confissão de Sua Pessoa e glória! Que fundamento e centro desta grande superestrutura que Ele mesmo estava prestes a erguer! Antes de dizer uma palavra, antes de proferir uma única declaração sobre qual era o propósito eterno e o que Ele estava prestes a fazer agora, o fundamento de tudo, em Sua própria Pessoa bendita, se destaca de maneira tão bendita aqui: “O Cristo, o Filho do Deus vivo”. Quão bendito é contemplar um centro como esse! Oh, que consolo para nós pensar que Alguém como Ele é o centro, que Ele é o fundamento. O fundamento de quê? Suponho que todos devemos reconhecer que Ele é o fundamento das esperanças de nossa alma para o tempo e a eternidade; mas aqui é o fundamento, não de um indivíduo, mas da Igreja. É aqui o fundamento da Igreja, o fundamento da assembleia; aquilo sobre o qual a assembleia, Seu corpo, a Igreja, repousa. Que conforto é isso! Acho que é um conforto indescritível nesses momentos, quando todos estão olhando para o edifício exterior, e também o observando enquanto ele desmorona nas mãos dos homens, sermos livres o suficiente em espírito para nos voltarmos e olharmos para o fundamento. Oh, vamos nos deter muito no fundamento; e não apenas vamos ver a estabilidade eterna do fundamento, mas vamos pensar naquele edifício sobre o qual nenhuma mão de homem é levantada, mas que Cristo edifica.

 

W. T. Turpin (adaptado)

Fundamentado Sobre uma Rocha

 

No Novo Testamento, durante o ministério terrenal de nosso Senhor, Ele frequentemente falava em parábolas e frequentemente Se referia a Si mesmo nessas parábolas. Em duas parábolas, Ele Se ilustra como a Rocha sobre a qual devemos construir, embora seja a mesma parábola em ambos os casos, mas com algumas variações. Esta parábola nos leva de volta ao Velho Testamento, pois lemos em 1 Coríntios 10:4 (TB), a respeito de Israel no deserto, que eles “beberam duma Rocha espiritual que os acompanhava, a qual Rocha era Cristo”. Ele é, de fato, a Rocha sobre a qual devemos construir, a fim de termos um fundamento sólido e duradouro.

 

No relato em Mateus 7:24-29, nosso Senhor Se refere a um homem sábio que construiu sua casa sobre uma rocha. Quando “desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha”. Esta é uma imagem de alguém que ouviu as palavras do Senhor Jesus e as praticou. Em sua vida, poderia haver fortes tempestades e ventos intensos, mas, como suas esperanças e sua vida estavam alicerçadas em Cristo, sua “casa” não caiu. O homem natural pode sobreviver razoavelmente bem neste mundo quando as coisas vão bem, mas ele não consegue resistir às tempestades que possam vir. Ele precisa de alguém fora de si em quem se apoiar. Quando a morte alcança o homem deste mundo, ele não tem fundamento sobre o qual se apoiar, e todas as suas esperanças (sua casa) desmoronam.

 

O homem insensato construiu sua casa sobre a areia, mas quando vieram as tempestades e as enchentes, sua casa caiu, “e foi grande a sua queda”. Quando a fundação é apenas areia, as enchentes o levarão embora, e nada poderá sustentar aquela casa. A queda é “grande”, pois quando uma parte da casa começa a cair, toda a estrutura desmorona. Para aqueles que entenderam a parábola, ela era, e ainda é, um aviso solene para todos aqueles que constroem a vida e o futuro deles sobre coisas deste mundo. Elas não resistirão, nem às tempestades desta vida, nem à terrível tempestade do julgamento de Deus que em breve virá sobre este mundo.

 

Ele cavou fundo 

Em Lucas 6:46-49, temos essencialmente a mesma parábola, mas com algumas variações significativas. Em primeiro lugar, notamos que o homem sábio não somente construiu sua casa sobre uma rocha como fundação, mas também está registrado que ele “cavou, e abriu bem fundo”. Isso indica não apenas crer no Senhor Jesus, mas um verdadeiro exercício de consciência em relação ao pecado, e um profundo entendimento da obra de Cristo na cruz que vai além de vê-la apenas como um refúgio da tempestade. Lemos sobre isso em 1 Timóteo 2:3-4, onde “Deus, nosso SalvadorQue quer que todos os homens sejam salvos, e venham ao conhecimento da verdade”. Um profundo entendimento de Quem o Senhor Jesus é e de toda a verdade relacionada a Ele e à Sua obra firmará nosso coração na salvação de maneira inabalável.

 

O resultado será que não apenas nossa casa não cairá, mas as tempestades não poderão “abalar” a casa. Quando a casa cai, ela representa um incrédulo que não crê no Senhor Jesus e, portanto, caminha para uma eternidade perdida. Mas mesmo um verdadeiro crente que não segue o Senhor de todo o coração pode se ver abalado pelas tempestades desta vida. Isso é ainda mais evidente pelo fato de que, aqui no relato de Lucas, é dito que a casa do homem insensato foi fundada sobre “terra”. A palavra usada aqui no texto original para “terra” é totalmente diferente de “areia” e significa, na verdade, a própria terra, incluindo todo o globo e as pessoas que nele habitam. Embora essa construção sobre a terra possa muito bem se referir a um incrédulo, eu diria que também é um aviso para um Cristão mundano cuja vida é dedicada a buscar as coisas desta vida. Ele nunca poderá perder sua salvação, mas certamente pode ser abalado pelos acontecimentos de sua vida, pois a Palavra de Deus nunca oferece qualquer consolo a um Cristão mundano. A mundanidade em um crente é uma armadilha sutil, pois devemos viver e nos mover neste mundo, e devemos ser testemunhas para o mundo. Mas não devemos fazer parte do sistema mundano, pois, no momento, Satanás é o deus e príncipe deste mundo.

 

Em resumo, então, vemos a importância de construir sobre um fundamento sólido – sobre uma Rocha, que é Cristo. Ele é nossa única esperança para a eternidade, pois “nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4:12). Mas como é melhor ter "cavado fundo" nas coisas do Senhor, e não ter construído nem o mínimo sobre a Terra. Assim, não apenas seremos impedidos de ver nossa casa desabar, como também não seremos abalados pelos acontecimentos em nossa vida.

 

W. J. Prost

 A Casa de Deus

 

A Palavra de Deus às vezes apresenta a Igreja sob a figura de um edifício – a casa de Deus. Quando se trata da casa de Deus, há uma continuidade entre o Velho e o Novo Testamento. Deus habitava entre o Seu povo Israel, e o lugar de Sua habitação (seja o tabernáculo ou o templo) era chamado de casa de Deus: “Todos os filhos de Israel, e todo o povo, subiram, e vieram a Betel (a casa de Deus – KJV) e choraram, e estiveram ali perante o SENHOR” (Jz 20:26). Enquanto esses eram edifícios físicos, erguidos em um local geográfico, a Igreja é um edifício espiritual: “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual” (1 Pe 2:5). Ainda há um fundamento e pedras, mas não desta Terra. “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina” (Ef 2:20). Ao escrever sua epístola, Pedro sem dúvida se lembrou das palavras do Senhor: “tu és Pedro, e sobre esta pedra [rocha – JND] edificarei a Minha Igreja” (Mt 16:18). A Igreja é agora a casa de Deus. É a habitação de Deus na Terra no tempo presente, e supera todas as outras moradas. “Vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito” (Ef 2:22). Também observamos que o apóstolo Paulo se refere à Igreja como o templo de Deus: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3:16). O mesmo edifício está em vista mas, com essa expressão, a santidade de Deus é enfatizada.

 

Deus habitando entre eles 

Foi somente depois que os filhos de Israel foram redimidos do Egito que lemos qualquer menção à habitação de Deus entre eles (Êxodo 15:17). Era necessário que fossem libertados daquele país idólatra e de seu príncipe. No deserto, no Monte Sinai, Deus deu a Moisés o plano para o tabernáculo – um modelo do qual eles não deveriam se desviar (Êxodo 25:40; Hebreus 8:5). Embora construído por homens, a capacidade deles para isso foi dada por Deus por meio do Seu Espírito (Êxodo 31:2-3). A engenhosidade humana não teve participação em sua construção. Todas essas coisas prefiguravam o que estava por vir. “Ora, também a primeira (aliança) tinha ordenanças de culto divino, e um santuário terrestreque é uma alegoria [imagem – JND] para o tempo presente” (Hb 9:1, 9). Esses princípios, extraídos do Velho Testamento, são úteis para o nosso entendimento do Novo. Ao longo do livro de Hebreus, o Espírito de Deus contrasta a figura terrenal do tabernáculo com a realidade presente que temos no Cristianismo.

 

O edifício construído por Deus 

Ao considerarmos a Igreja como a casa de Deus, devemos distinguir, como faz a Escritura, entre o edifício que Deus está formando (que acabará por ser visto em toda a sua perfeição e beleza) e o testemunho presente da Igreja aqui na Terra – aquilo que vemos atualmente. Quanto ao primeiro, lemos: “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; no Qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor” (Ef 2:20-21). Esse edifício é perfeito. É sobre esse edifício que Cristo falou aos Seus discípulos: “sobre esta pedra edificarei a Minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16:18). Cristo não é apenas o Fundamento e a principal pedra angular, mas também o Construtor. Nada contrário será acrescentado ao edifício de Deus. Vemos aquele edifício em seu esplendor celestial no final do Apocalipse: “Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro. E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a santa cidade de Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus” (Ap 21:9-10 – AIBB).

 

O edifício feito pelos homens 

Em contraste com esse edifício perfeito, o apóstolo Paulo nos apresenta outra perspectiva: “Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele, porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará” (1 Co 3:10-13). Embora o fundamento permaneça firme, os homens acrescentaram a ele materiais de construção seriamente defeituosos. Assim como com suas grandes catedrais, rituais, corais, instrumentos musicais, etc., grande parte da Cristandade se tornou um edifício impressionante, mas não de acordo com a Palavra de Deus. Muito do que foi acrescentado, Deus acabará julgando e destruindo.

 

O testemunho de Deus 

Enquanto o corpo nos conecta com Cristo nos lugares celestiais, a casa, como habitação de Deus por meio do Espírito, está aqui na Terra. Os crentes, em todo o tempo, formam a morada de Deus (Efésios 2:22). Como tal, ela é o vaso do testemunho presente de Deus para este mundo. Pedro descreve nossa função nesta casa espiritual, tanto para com Deus (1 Pedro 2:5) quanto para com os homens. Sobre esta última função, ele diz: “para que anuncieis as virtudes d’Aquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (1 Pe 2:9). Há uma conduta adequada à casa de Deus, assim como havia no Velho Testamento. Paulo instrui Timóteo sobre o comportamento adequado na casa de Deus: “Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te bem depressa; mas, se tardar, para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade” (1 Tm 3:14-15). A Igreja deve sustentar e demonstrar as verdades do Cristianismo.

 

Como algo confiado à responsabilidade do homem, a casa de Deus está sujeita ao julgamento: “Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus” (1 Pe 4:17). Cristo é Filho sobre a Sua própria casa (Hebreus 3:6). Temos uma responsabilidade para com a casa, não porque ela seja nossa, mas sim porque a casa não nos pertence. É à autoridade de Cristo que devemos nos submeter.

 

N. Simon

Como Estamos Edificando na Casa de Deus?

 

A Igreja, como casa de Deus, é uma casa espiritual edificada sobre aquela Rocha eterna, o Senhor Jesus Cristo, e cada crente no Senhor Jesus é visto como uma pedra viva nessa casa. “Edificarei a Minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16:18). Quando o Senhor Jesus é o Construtor, não há material falso nessa edificação.

 

Isso é algo belo para se desfrutar, e precisamos desfrutar ainda mais no fundo de nossa alma, pois o Senhor Jesus, ao longo de todas essas eras, tem edificado Sua Igreja e Ele continua a edificá-la. Ela não é uma organização humana. É a Sua Igreja, e Ele a edifica por meio da obra soberana do Seu Espírito Santo. Ele está chamando pecadores ao arrependimento, chamando-os à fé em nosso Senhor Jesus Cristo, e quando um pecador vem ao Senhor com fé simples, ele é então acrescentado à Sua Igreja. Não há nada na Escritura sobre se juntar a uma igreja. Não, quando uma pessoa recebe o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador, ela se une à Igreja de Deus no momento em que crê.

 

Na Escritura, a Igreja também é vista de outra maneira. Ela é vista como uma casa de profissão Cristã, e dessa forma o homem é visto como o construtor. Todo verdadeiro crente, toda pessoa que professa o nome do Senhor Jesus, é vista como um construtor nesse edifício.

 

Em 1 Coríntios 3:1-18, Paulo está escrevendo ao povo de Corinto; os gregos eram os mais renomados pela sabedoria humana e terrenal daquela época. Mas a Igreja não se baseia na sabedoria humana; ela se baseia na revelação divina de que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo.

 

Descobrimos que os coríntios eram carnais. De que maneira eles eram carnais? Era por terem diante de si uma certa pessoa, um vaso humano. Poderia ser Paulo ou Apolo. Não era espiritualidade preferir uma pessoa, mesmo que fosse um instrumento de Deus. Não, Paulo diz: "Quem somos nós? Somos apenas ministros e servimos de acordo com o que Deus nos deu". Paulo pode ter plantado e Apolo regado, mas depois de todo o plantio e rega, não há fruto a menos que Deus dê o crescimento. Portanto, a obra é de Deus, quer Ele use um instrumento ou outro.

 

É tão natural para nosso coração humano olhar ou seguir pessoas aqui na Terra. Temos que confessar que há certas pessoas que gostamos de ouvir mais do que outras. A Escritura diz: “Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem” (1 Ts 5:20-21). Então, Deus pode usar um instrumento que você talvez não goste muito, mas Ele pode dizer algo que seja realmente para o seu bem. Pode haver coisas ditas que não sejam corretas também. Isso não significa que você tenha que aceitá-las, mas sim examiná-las e reter aquilo que é bom.

 

A construção de Deus 

O povo de Corinto, ao falar sobre Paulo e Apolo, dizia: “Eu sou de Paulo; pertenço a este lugar”. Outro dizia: “Eu sou de Apolo; pertenço àquele outro lugar”. Isso era carnalidade e não o que Deus pretendia que Sua Igreja fosse. Não, era o Senhor Jesus Quem devia ter a supremacia. Mas observe em 1 Coríntios 3:9: “Vós sois... edifício de Deus”. Aqui temos novamente a construção de Deus. Não é um edifício físico, mas um edifício espiritual. É algo coletivo e todo crente no Senhor Jesus que professa esse nome glorioso faz parte desse edifício.

 

“Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele” (1 Co 3:10). Paulo diz que recebeu a verdade de forma especial e era o sábio construtor; ele lançou o fundamento.

 

“Mas veja cada um como edifica sobre ele”. Aqui está uma responsabilidade individual para todos os que creem no Senhor Jesus: atentar para como edificam sobre este fundamento. Alguns verdadeiros crentes podem pensar: “Eu não sou realmente um construtor. Aqueles que se levantam e pregam são os construtores”. Talvez isso seja válido em um sentido mais público, mas todos são construtores de uma forma ou de outra. Até os meninos e meninas mais novos estão construindo, se creem no Senhor Jesus.

 

Onde construir 

Há duas coisas que eu gostaria de destacar em 1 Coríntios 3. Primeiro, onde construir e, segundo, o que você constrói nesse edifício. É importante manter esse edifício sobre o fundamento. “Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Co 3:11). Toda construção feita fora desse fundamento não durará. Ideias humanas muitas vezes parecem boas, mas como é importante testar tudo com o fio de prumo das Escrituras Sagradas.

 

O que construir 

“E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um” (1 Co 3:12-13). Aqui temos seis materiais que compõem esta edificação. São figuras de linguagem, mas claramente os três primeiros são materiais duráveis: ouro, prata e pedras preciosas. Quando se acende um fogo e se coloca nele ouro, prata e pedras preciosas, nada lhes acontece. Eles permanecem! Não é a quantidade que importa aqui, mas sim a qualidade da obra.

 

Mas há outros três materiais: madeira, feno e palha. Não levaria muito tempo para construir uma pilha considerável de madeira, feno e palha. Mas, ao acender o fogo, logo tudo se reduz a cinzas. Essas são figuras que a Escritura usa para mostrar como nossa vida aparecerá naquele dia futuro diante do tribunal de Cristo.

 

Trata-se de nossas obras que serão provadas naquele dia pelo fogo do julgamento de Deus. Cada um de nós! É algo sério e solene pensar em quanta coisa pode virar fumaça naquele dia. Estamos fazendo com que nossa vida valha para a eternidade? Precisamos olhar para as coisas em relação a como elas estarão naquele dia, quando o fogo provar que tipo de trabalho é o nosso.

 

Três tipos de trabalhadores 

Em 1 Coríntios 3:14-17 há três tipos de trabalhadores. Todos nós nos encaixamos aqui de uma forma ou de outra. “Se a obra que alguém edificou nessa parte [que sobre o fundamento edificou – ARA]  permanecer, esse receberá galardão”. Aqui está o trabalhador cujas obras permanecem naquele dia. São ouro, prata e pedras preciosas, aquelas coisas que estão de acordo com a preciosa Palavra de Deus. Não apenas a obra permanece, mas ele também recebe uma recompensa. Não é isso um incentivo para trabalharmos de acordo com a maneira que Deus estabeleceu em Sua Palavra?

 

Um trabalhador 

“Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo”. Não se trata de salvação aqui. Esse homem é salvo, mas sua obra está perdida. Mas, de acordo com 1 Coríntios 4:5, falando sobre aquele mesmo dia do juízo, “e então cada um receberá de Deus o louvor”. Para todo verdadeiro crente, haverá algo que permanecerá naquele dia. Aquele ladrão que morreu na cruz ao lado do Senhor Jesus nada pôde fazer, mas ainda assim tinha uma língua solta e confessou que Jesus era o Senhor. Quantas almas foram salvas por meio do testemunho daquele ladrão que estava morrendo! Portanto, haverá algo que permanecerá para cada crente. Mas isso deve nos exercitar para que nossa vida seja dedicada a coisas que não se desfaçam em fumaça naquele dia.

 

Outro tipo de trabalhador 

Temos um terceiro tipo de trabalhador nesta casa. “Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo”. Eis uma pessoa que nunca aceitou verdadeiramente o Senhor Jesus como seu Salvador pessoal. Sim, ele diz ser Cristão. Talvez seja um pregador ou tenha algum diploma, mas não tem conhecido o Senhor Jesus como seu Salvador. Ele está contaminando o templo de Deus, e está escrito que Deus o destruirá. É algo solene pensar que existem os chamados obreiros Cristãos que não são verdadeiros crentes no Senhor Jesus. Que o Senhor nos conceda edificar de acordo com a Sua preciosa Palavra, para que haja aquilo que permaneça por toda a eternidade.

 

R. Thonney (adaptado)

Um Caminho Limpo

 

Nosso caminho atual é muito simples. Pode haver todo tipo de mal aqui e ali, e até mesmo o povo de Deus que está tão misturado com isso a ponto, talvez, de não sermos capazes de dizer quem pertence a Ele e quem não pertence. “Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são Seus” (2 Tm 2:19). Mas também temos uma palavra para agir sobre a consciência: “e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade”. Se você disser: “Eu sei que o que estou fazendo não é bíblico e estou constantemente envolvido no que é errado, mas não vejo nada melhor”, respondo que você não deve continuar assim. Você deve “apartar-se da iniquidade”. Somos instruídos a nos purificarmos de vasos de desonra e que aquele que assim o fizer “será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor, e preparado para toda a boa obra” (2 Tm 2:21). Pode-se argumentar, então, que você terá que seguir sozinho ou iniciar alguma nova empreitada. Mas não é assim; eu devo seguir “a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor”. Nestes dias, porém, muita paciência também pode ser necessária, como Paulo lembra a Timóteo em sua época. Jeremias ficou indignado com a situação que viu ao seu redor; mas recebeu a palavra: “se apartares o precioso do vil, serás como a Minha boca” (Jr 15:19). Assim, no presente, alguém poderia ser levado a se abster de ter qualquer contato com pessoas das seitas, etc. mas devemos lembrar que existem verdadeiros santos de Deus nessas associações, cujo bem devemos buscar por amor ao Senhor.

 

J. N. Darby

Cidades dos Homens

 

Desde os dias de que “saiu Caim de diante da face do SENHOR... e... edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade conforme o nome de seu filho Enoque” (Gn 4:16-17), até hoje, os homens têm construído cidades e as adornado. As cidades têm fornecido os meios para a exaltação própria e o orgulho dos homens.

 

Certamente, as Escrituras e o conhecimento comum das condições existentes nos lembram da vaidade que há nas cidades das nações. As terríveis realidades das favelas, dos hospitais, das prisões, das instituições psiquiátricas e corretivas de todos os tipos, a vida de pecado e devassidão, contrastam fortemente com os exteriores dourados e a publicidade enganosa.

 

Outro fenômeno estranho na conduta dos homens em relação às cidades é que, desde tempos imemoriais, as cidades têm sido alvos especiais de ataques e destruição. Alguns homens as constroem e outros as destroem. Quanto maior a cidade, mais frequentemente ela tem sido destruída impiedosamente. De fato, pouquíssimas foram as cidades do mundo antigo que não foram destruídas pelos homens. Muros grandes e altos, foram construídos para proteger as cidades, mas os conquistadores inventaram máquinas de guerra para derrubar os muros ou para lançar mísseis destrutivos por cima deles. Com a invenção da pólvora, os muros perderam sua eficácia; e com as invenções modernas que podem fazer chover destruição dos céus, nenhuma cidade na Terra está segura.

 

Como é bom notar que homens de fé se elevaram acima das cidades dos homens e ansiaram por aquilo que é mais seguro e certo. Abraão “esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o Artífice e Construtor é Deus” (Hb 11:10). Havia algumas cidades notáveis em sua época, mas ele viveu a vida de um estrangeiro e um peregrino, e pela fé aguardava a “cidade de Deus”. Oh, que nós, que vivemos nos dias de grandes cidades e grandes conquistas, tenhamos a perspectiva correta e olhemos além do presente mundo mau.

 

Paul Wilson (adaptado)

Uma Cidade que Tem Fundamentos

 

Fiquei impressionado com o fato de que em Apocalipse 4, ao falar do trono do governo de Deus, há povos, anjos, assembleias, criaturas viventes – uma população inteira ali – mas quando chego à cidade celestial (Apocalipse 21), há um muro alto, ruas, portões de pérola, mas onde estão as pessoas? Ninguém é mencionado ali, porque as pessoas estão extasiadas na ideia da glória de Deus e do Cordeiro, e nada mais é pensado (embora saibamos que ela é a noiva do Cordeiro), pois Deus e o Cordeiro estão lá.

 

Abraão “esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o Artífice e Construtor é Deus” (Hb 11:10).

 

Foi a busca por essa cidade que fez de Abrão um peregrino e um estrangeiro. O mundo não conseguia entendê-lo e poderia ter dito: “Agora que Abrão está na terra, o que ele possui?” Nada, pois ele não podia explicar-lhes como era, mas ele tinha visto pela fé aquela cidade cujo Construtor era Deus. Vemos, então, que Abrão é chamado e, tendo entrado pela fé nas condições do chamado, ele entra na terra. Lá ele tem uma revelação presente do Senhor, que é o fundamento de sua adoração, mas ele não teve descanso; os cananeus estavam lá.

 

Se Deus me chamou para fora, devo deixar o mundo como ele está, e não pensar em consertá-lo. Não se pode ter um relacionamento com Cristo e com o mundo ao mesmo tempo. A adoração a Deus se fundamenta no conhecimento da posição celestial em que nos encontramos, sendo chamados para fora do mundo para a comunhão com Ele próprio. Não temos uma coisa sequer em comum com o mundo, mas podemos cantar sobre a redenção, como se estivéssemos agora no céu. Meu relacionamento com Deus não mudará em nada quando eu chegar à casa; será exatamente o mesmo então como é agora. Ele nos colocou em Cristo, e podemos dizer, como em Deuteronômio 26:3: “Hoje declaro perante o SENHOR teu Deus que entrei na terra” – não “entrarei”. Estamos lá e temos o entendimento de como Deus cumprirá Suas promessas – na “tua semente". Não o descanso terrenal no cumprimento de uma promessa ao homem, mas o descanso celestial onde Ele habita, onde a glória de Deus o ilumina, e o Cordeiro é a sua luz.

 

J. N. Darby

A Nova Jerusalém

 

Se nos voltarmos para Apocalipse 19, observaremos que, do versículo onze desse capítulo até o versículo oito do capítulo 21, temos uma narrativa sequencial. Ela começa com a vinda do Senhor Jesus, seguida pelos exércitos que estavam no céu, em julgamento; e então temos a destruição da “besta”, o falso profeta e seus exércitos, a prisão de Satanás, os mil anos, a libertação de Satanás, o grande trono branco e o estado eterno. Imediatamente após isso, somos conduzidos de volta, no versículo nove, a uma descrição da nova Jerusalém, que se estende até o capítulo 22. Nessa passagem, encontramos as características da cidade durante o milênio e sua relação com a Terra milenar.

 

João diz: “E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das sete últimas pragas, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro. E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a santa cidade de Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, tendo a glória de Deus” (Ap 21:9-11 – AIBB). A primeira coisa que nos chama a atenção é o contraste intencional entre esta passagem e a do capítulo 17: “E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas” (v. 1). Neste capítulo, temos a Babilônia retratada; no capítulo 21, a nova Jerusalém. A primeira é a cidade do homem, e a segunda, a de Deus; Uma é a expressão do que o homem é, a outra a perfeição dos pensamentos de Deus, revestida da glória de Deus. Vamos refletir cuidadosamente sobre o contraste e aprender suas lições divinas.

 

A Noiva, a Esposa do Cordeiro 

Outro ponto deve ser observado: a cidade é “a noiva, a esposa do Cordeiro” (Ap 21:9 – AIBB). Isso determina seu caráter. É a Igreja que Cristo agora apresentou a Si mesmo como, “Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5:27), embelezada com a Sua própria beleza e tendo a glória de Deus. Sua posição também deve ser notada. Em Apocalipse 21, tanto no versículo 2 quanto no versículo 10, ela é vista descendo do céu, da parte de Deus; mas uma comparação das duas passagens nos mostrará o lugar que a cidade ocupa ao longo dos mil anos. No versículo 10, ela é vista descendo do céu, da parte de Deus; mas após a declaração semelhante no versículo 2, João ouve a proclamação: “Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens", mostrando que a cidade agora havia descido e repousado sobre a nova Terra. A conclusão, portanto – e uma que é amplamente comprovada por outras passagens – é que, no versículo 10, a cidade desce em direção à Terra milenar, mas repousa acima dela, sobre a Jerusalém terrenal. Posicionada assim, por assim dizer, acima da cidade terrenal, ela será um objeto visível de luz e glória; e isso talvez explique as palavras que o profeta dirigiu a Jerusalém: “Nunca mais te servirá o Sol para luz do dia nem com o seu resplendor a lua te iluminará; mas o SENHOR será a tua luz perpétua, e o teu Deus a tua glória” (Is 60:19).

 

Podemos agora examinar algumas de suas características [milenares].

 

A cidade “tinha a glória de Deus; e a sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente” (Ap 21:11). Sua luz, portanto, é o resplendor da glória na qual ela está colocada; pois o jaspe é um símbolo da glória de Deus (Apocalipse 4:3). A Igreja é glorificada juntamente com Cristo na glória de Deus, e como tal é aqui manifestada. Em Apocalipse 21:18-19, é dito que a construção do muro e o primeiro fundamento são ambos feitos de jaspe. A glória de Deus é, portanto, a estabilidade e a segurança, bem como a luz e a beleza da cidade celestial. Mas o muro excluía tudo o que era inadequado para essa glória, assim como guardava tudo de acordo com ela.

 

Doze fundamentos 

A próxima característica é que, “tinha um grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel. Do lado do oriente tinha três portas, do lado do norte, três portas, do lado do sul, três portas, do lado do poente, três portas. E o muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro” (Ap 21:12-14). Deve-se observar atentamente que tudo isso diz respeito ao muro da cidade, e sua característica distinta é o número doze – doze anjos, doze tribos e doze apóstolos. Como alguém já disse, “Ela tem doze portas. Os anjos se tornaram os porteiros voluntários da grande cidade, fruto da obra redentora de Cristo na glória. Isso também marcou a posse, pelo homem assim trazido à glória na assembleia, do lugar mais elevado na criação e na ordem providencial de Deus, da qual os anjos eram anteriormente os administradores. As doze portas representam a plena perfeição humana do poder administrativo governamental. A porta era o lugar do julgamento. Doze, como vimos frequentemente, indica perfeição e poder governamental. O caráter disso é notado pelos nomes das doze tribos. Deus as governou dessa forma. Elas não eram o fundamento; mas esse caráter de poder foi encontrado ali. Havia doze fundamentos; mas estes eram os doze apóstolos do Cordeiro. Eles foram, em sua obra, o fundamento da cidade celestial. Assim, a demonstração criativa e providencial de poder, o governamental (Jeová) e a assembleia outrora fundada em Jerusalém, são todos reunidos na cidade celestial, a sede organizada do poder celestial! É a assembleia fundada em Jerusalém sob os doze, a organizada sede do poder celestial, a nova e agora capital celestial do governo de Deus.” Então ela é medida (vs. 15-17), indicando que ela é reconhecida e apropriada por Deus. As medidas são, quase desnecessário dizer, simbólicas – simbólicas de uma perfeição divinamente concedida. Assim, a cidade é um cubo – igual em todos os lados – perfeição finita. Depois, temos os materiais com os quais a cidade e os fundamentos foram formados. Novamente, tomamos emprestada a linguagem de alguém: “A cidade foi formada, em sua natureza, em justiça e santidade divinas – ouro transparente como vidro.”

 

“Aquilo que agora era operado pela Palavra e aplicado aos homens aqui abaixo era a própria natureza de todo o lugar (veja Efésios 4:24). As pedras preciosas, ou variada exibição da natureza de Deus, que é luz, em conexão com a criatura, agora resplandecem em glória permanente e adornavam os fundamentos da cidade. As portas tinham a beleza moral (cada porta era feita de uma única pérola) que atraía Cristo na assembleia, e de uma maneira gloriosa. Aquilo por onde os homens caminhavam, em vez de trazer perigo de impureza, era em si mesma justa e santa; as ruas, tudo com que os homens entravam em contato, eram justiça e santidade – ouro transparente como vidro.”

 

Ela não tinha templo. “E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro” (v 22). Um templo falaria de ocultação, ou de um lugar especial onde Deus Se manifestava àqueles que se aproximavam para adorar. Mas tudo isso é passado. Mesmo agora, enquanto estamos aqui, temos liberdade de acesso ao mais santo de todos os lugares (Hebreus 10); nosso lugar é na luz, assim como Deus está na luz. Na cidade celestial, portanto, Deus é plenamente manifesto.

 

Não há necessidade de luz criada. “E a cidade não necessita de Sol nem de Lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada” (v. 23). Se Deus Se manifestasse plenamente, tal necessidade seria impossível. Quando Ele Se revela, Sua glória ilumina a cidade, e o Cordeiro é a sua luz.

 

E. Dennett

A Sunamita

 

Os recursos de Deus não se esgotam pelas falhas do homem, e a fé não se distrai. Mas, nos dias atuais do Novo Testamento, temos algo mais a observar: a plena satisfação que a fé encontra naquilo que Deus já lhe proporcionou. Temos o zelo e o cuidado do Espírito, para que usemos, e nos apeguemos a isso, na perfeita satisfação de que é suficiente para atender a todas as novas e crescentes demandas. Em outros tempos, a fé contava com aquilo que ainda receberia; nestes dias atuais, ela é fiel e permanece naquilo que já recebeu. Pois ela recebeu Cristo, o fim de todas as provisões divinas.

 

A sunamita, em 2 Reis 4, ilustra essas belas formas de fé, e o faz de maneira primorosa. Somos lembrados daquele versículo: “Se forem destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?” (Salmo 11:3). A sunamita não se deixou abater ou distrair por um dia de fracasso e confusão; ela está preparada para isso sob as mãos do homem; mas tendo entendido e alcançado a Deus e Seus recursos, ela está satisfeita e permanece ali.

 

Isso se mostra bem em sua história. No início, ela apreende Eliseu com justiça. Sem apresentações, ela percebe que ele é “um homem de Deus” e, como tal, o acolhe e o hospeda. Ela pode contar com o fato de Deus ter Seus recursos à disposição, embora o reino seja reprovado. E ela faz isso da maneira adequada. Ela conhece o caráter dele, tão bem quanto sua pessoa. Se ele é um homem de Deus, ela confiará nele por ter os gostos e empatias dele, e como tal ela prepara para ele – um pequeno quarto junto ao muro, e os móveis necessários: uma cama, uma mesa, uma cadeira, um castiçal. Não para exibir os tesouros de sua casa, mas para recebê-lo em seu caráter, é o que ela pensa; e isso é comunhão. Seus instintos estão certos, pois sua fé é forte e inteligente.

 

O cenário era celestial, pois tudo ao redor daquele quarto falava de sermos estrangeiros celestiais na Terra nos dias de corrupção e apostasia. As coisas estavam então em completa ruína moral. A família de Acabe, a casa de Onri, estava no trono, e nada no reino, naquele momento, era digno de Deus. Pequenas coisas eram suficientes, e somente elas eram suficientes para o povo de Deus naquela época. Nos dias de Salomão será diferente. Agora, uma cama, uma mesa, uma cadeira e um castiçal são suficientes; Então, os servos, suas vestes e seus assentos, com tudo o mais, demonstrarão a grandeza terrenal e secular. Tudo isso é cheio de beleza e significado.

 

Essa querida mulher apreende o testemunho de Deus naquele dia mau. Ela sabe que Deus é verdadeiro, embora todo homem seja mentiroso. Ela sabe que, se os fundamentos forem destruídos, ainda há algo que os justos podem fazer (Salmo 11:3). Deus ainda está em Seu santo templo. Naquele dia mau, ela viu os recursos de Deus em Seu vaso, Eliseu. Ele é um estrangeiro, um homem solitário, uma espécie de Jonas em Nínive, sem apresentação, sem reconhecimento. Mas ela o apreende e, tendo-o aceitado, permanece firme por meio dele. O marido pode falar de luas novas e sábados; o próprio Eliseu pode falar do servo e do bordão; mas para ela, o vaso de Deus é tudo. Ele foi o princípio de sua confiança, e ela o terá como tal, firme até o fim.

 

A fé, tanto naqueles dias quanto nestes dias, se apega aos recursos de Deus. A fé busca repetidamente, como eu já disse, novos recursos, à medida que novas necessidades surgem; mas enquanto esses recursos estavam nas mãos de Deus para o Seu povo, até que dessem lugar a outros novos motivos, devido a uma nova corrupção, a fé se apegava a eles. Assim foi esta sunamita para com o profeta, quando todo o reino das dez tribos, tanto no trono quanto no santuário, estava em ruínas.

 

J. G. Bellett

Nosso Papel com as Coroas

 

Os santos estão no lugar mais abençoado quando descem de seus tronos e lançam suas coroas aos pés do Senhor, do que quando estão em seus tronos, porque estarão adorando Aquele que lhes deu as coroas. “Tu me amaste antes da fundação do mundo”, e Eu quero que eles vejam até mesmo essa glória. Ele quer que vejamos como Ele foi amado antes da fundação do mundo. Esta é a glória pessoal (João 17:24); pois o destino do mundo é permanecer na ignorância do Pai, para a sua própria ruína (v. 25).

 

J. N. Darby

Ricos em Boas Obras

 

Em 1 Timóteo 6:17-19, temos os ricos sendo abordados – aqueles a quem Deus permitiu ter bens terrenais. Eles foram instruídos a não serem altivos, nem a confiar na incerteza das riquezas, mas em Deus. Foram exortados a que “enriqueçam em boas obras” e estivessem prontos a distribuir seus bens, usando assim os bens deste mundo de forma a acumular para si mesmos um bom fundamento para “o futuro”. Eles poderiam acumular seu dinheiro e ainda assim perdê-lo, porque é algo muito incerto; ou poderiam retê-lo e deixá-lo para a sua posteridade. Mas em nenhum dos casos teriam obtido uma recompensa para si mesmos no tempo vindouro. Não que a recompensa deva motivar alguém a ser generoso ao dar o que Deus lhe deu; isso deve proceder do amor a Cristo e do sentimento de guardar tudo para Ele, mas a recompensa deve nos encorajar. Tal generosidade não será esquecida pelo Senhor, o justo Juiz.

 

G. V. Wigram

Tu Me Amaste

“Sim, Eu te amei com um amor eterno” (Jr 31:3).

 

Tu me amas, apesar de todas as minhas falhas,

Tu conheces toda a minha fraqueza e o meu pecado;

Mas Tu morreste no Calvário para me redimir,

Para me purificar e me tornar branco como a neve por dentro.

 

Teu é um amor insondável, eterno,

E muitas águas não podem extinguir o Teu amor;

Tal amor como o que tens pelo pecador culpado,

Fez com que deixaste o Teu glorioso trono celestial.

 

Tu me amas, uma criatura miserável e falha,

Indigna, mas a Tua dignidade eu reivindico;

Tua veste de justiça é a minha salvação,

Eu deposito a minha fé no Teu preciosíssimo Nome.

 

Tu me amas antes da fundação do mundo,

“Escolhido n’Ele” antes da Lua e do Sol,

O amor eterno traçou todo o meu caminho,

E me guiará até o fim da vida na Terra.

 

Tu me amas e intercedes por mim,

E sempre operas todas as coisas para o meu bem,

Ó, ajuda-me, Senhor, a repousar na Tua promessa,

Regozijando-me nos Teus caminhos, incompreendidos.

 

Tu me amas, ah! Maravilha de todas as eras,

Tão maravilhoso amor! Jamais o entenderemos;

Mas podemos recebê-lo com gratidão e alegria,

Desfrutando das bênçãos da Tua mão bendita.

 

Ó, que possamos repousar no Teu amor mais plenamente!

E confiar em Ti para as necessidades de cada dia,

Certos da Tua bondade e da Tua benignidade,

Com misericórdias estará sempre presente em meu caminho.

 

Lois Beckwith

“Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são Seus”

2 Timóteo 2:19










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