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Imoralidade (Abril de 2012)

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Revista mensal publicada originalmente em abril/2012 pela Bible Truth Publishers

ÍNDICE

 

          Tema da edição

          D. C. Buchanan

          W. J. Prost

          D. C. Buchanan

          D. C. Buchanan

          W. J. Prost

          W. J. Prost

          Autor Desconhecido

Imoralidade

 

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O Novo Testamento não negligencia o assunto da imoralidade. Todos os seus livros têm algo a dizer sobre isso, com exceção de quatro livros curtos, 2 Tessalonicenses, Filemom, 2 e 3 João. Os riscos são elevados e as batalhas são acirradas na guerra contra nosso adversário espiritual, Satanás e suas hostes  procuram destruir o espírito, a alma e o corpo de homens e mulheres Cristãos por meio de pecados sexuais. Essa guerra não é nova, mas a tecnologia moderna e a carnalidade aberta e desavergonhada trazem o conflito para bem perto. Para vencer efetivamente esta guerra, é necessário travar batalhas em duas frentes ao mesmo tempo. Devemos preencher o coração dentro de nós com boas instruções e guardá-lo (Pv 6), e devemos proteger a porta do lado de fora contra as tentações que vêm (Pv 7).

 

Nesta edição, veremos excelentes exemplos de alguém que caiu em pecado nas melhores circunstâncias e outro de alguém que o evitou nas circunstâncias mais difíceis. Da mesma forma, a história de Ló mostra como um motivo egoísta pode ser o começo de um caminho seriamente errado e de uma vida arruinada, afetando também a família dele. Embora nossa consciência deva ser advertida e alcançada para nos levar ao julgamento próprio conforme necessário, nosso coração é encorajado a ocupar nossa mente com Cristo para nos tornar adoradores no reino de Deus, em vez de profanadores que Deus deve julgar.

 

Tema da edição

Vício em Imoralidade

 

“Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da prostituição; Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra”  (1 Ts 4:3‑4).

 

Uma esmagadora maioria das pessoas admitiria que a pornografia é algo mau, mas isso não impediu seu rápido crescimento; agora é calculado como sendo um negócio de bilhões de reais. Os avanços da tecnologia, juntamente com a falta de uma firme regulamentação sobre os meios de comunicação, tornam necessário que o Cristão levante barricadas contra ela. Imagens sexualmente explícitas contaminam a mente, a alma e o corpo. Esse tipo de contaminação não é novo, mas seu perigo é muito maior devido à capacidade dos meios de comunicação de reproduzir imagens gráficas sedutoras e torná-las facilmente acessíveis. A pornografia é altamente viciante e destrutiva. A recuperação é possível, mas quanto mais profunda for a dependência e os prazeres pecaminosos que a acompanham, mais difícil será a reabilitação e menor será a probabilidade de recuperação. Essas coisas também roubam do casamento, o mais íntimo de todos os relacionamentos, a santidade que Deus lhe atribuiu e o degradam em prazer pecaminoso. A concupiscência é confundida com o amor, pois a pornografia é desprovida de amor e, portanto, deixa de lado o fundamento de um bom relacionamento. “Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará” (Hb 13:4).

 

Por que está errado 

Um olhar atento à Palavra de Deus dá instruções sobre o que está no cerne deste pecado. O Senhor Jesus apontou a causa raiz quando disse a respeito do adultério: “Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mt 5:28). A intenção da pornografia é apresentar algo para a concupiscência, e o olhar sensual é o primeiro passo em direção ao pecado sexual. O Livro de Tiago apresenta o processo que segue o olhar sensual: “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tg 1:14-15). A maneira de tratar com isso é recusar-se a olhar para ele. Se neste assunto sempre fizéssemos isso, poderíamos ser capazes de dizer: “Sim, irmão, o assunto foi resolvido. Conte-me mais sobre o Senhor Jesus – o Homem perfeito que tornou isso tão claro”. Mas o coração nem sempre resolve o problema com tanta simplicidade.

 

Outro engano é que, enquanto finge oferecer um relacionamento, a pornografia realmente destrói o fundamento de um bom relacionamento. É egoísta e dá uma “excitação” sem um relacionamento legítimo. Destrói a formação de um relacionamento que poderia levar a um cônjuge virtuoso e a um casamento feliz. Portanto, ela é enganosa e destrutiva. Os verdadeiros relacionamentos são desenvolvidos apenas onde há respeito, honra e amor um pelo outro.

 

A pornografia abre as portas para comportamentos promíscuos e todos os tipos de pecados sexuais. As prisões estão cheias de criminosos que se envolveram com ela e não conseguiram se controlar. Que ninguém pense que pode olhar para isso e não ser afetado.

 

A defesa necessária 

Todo Cristão deve levantar um escudo contra a imoralidade, pois o mundo está cheio de tentações atraentes que alimentam “a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida” (1 Jo 2:16). A tática do inimigo sempre foi tentar o homem com essas coisas. Devemos tomar as medidas preventivas necessárias para garantir que não fiquemos contaminados por ela e que aqueles em nossa casa não estejam expostos a ela. O lar deve manter do lado de fora as contaminações do mundo, como Deuteronômio 22:8 diz: “Quando edificares uma casa nova, farás um parapeito, no eirado, para que não ponhas culpa de sangue na tua casa, se alguém de algum modo cair dela”. Famílias, sejam vigilantes fiquem atentas aos vídeos, revistas, TV, jogos de computador e Internet permitidos em casa; essas formas de mídia devem ser cuidadosamente controladas ou talvez nem devam ser permitidas. Por exemplo, mantenha o computador em um local aberto onde possa ser monitorado. Lembre-se de que a mulher estranha espreita nas trevas e diz: “As águas roubadas são doces, e o pão tomado às escondidas é agradável” (Pv 9:17). E se vemos em nós mesmos ou em qualquer pessoa em nossa casa uma fraqueza ou incapacidade de resistir a esse tipo de tentação, são necessárias medidas mais drásticas para manter a mídia fora. “Se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno” (Mt 18:9). Sugerimos primeiro tentar a medida menos drástica de se livrar da mídia que apresenta as atrações que despertem a concupiscência dos olhos e da carne.

 

Vício inicial 

Aqueles que trabalharam com homens em busca de recuperação do vício observaram que há estágios do vício. Nos estágios iniciais, é praticado em segredo, e o vício é negado. No entanto, aqueles que lançam um segundo olhar já estão se tornando viciados. “Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?” (Rm 6:16). Bastou apenas um dia para o rei Davi. O guarda-chuva do segredo não o manterá guardado, mas é uma desculpa para permitir que continue. Não existe algo como não ser descoberto. Pode-se ser capaz de escondê-lo, por um tempo, daqueles que estão ao redor mas nunca de Deus. A confissão do pecado é o caminho correto para superar o vício, e o perdão está disponível, pois “se confessarmos os nossos pecados, Ele é Fiel e Justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (1 Jo 1:9). O perdão dos membros de nossa família também é muito mais prontamente estendido quando o pecado é confessado nos estágios iniciais. Se o assunto for deixado de lado, a situação só piorará.

 

Outros vícios 

O curso de ação que Davi seguiu depois que ele viu do terraço Bate-Seba, que estava se lavando, é um exemplo de vício mais grave (2 Sm 11). O Senhor deu a Davi advertências quanto à raiz de seu erro no decorrer dos eventos, mas ele não lhes deu atenção. Podemos perguntar por que ele não percebeu os avisos e reagiu para interromper o curso de seu vício. A razão é clara e simples; anteriormente ele havia cedido ao desejo de agradar a si mesmo, e agora isso estava controlando Davi. Os versículos 1‑2 revelam como ele se entregou ao descanso quando deveria estar com seus soldados. Parece que o viver para agradar a si mesmo está no fundo de todos os pecados sexuais.

 

O vício de Davi tornou-se cada vez mais evidente quando ele tentou encobri-lo chamando Urias de volta do campo de batalha. Mas Urias, o homem contra quem ele pecou, deu um testemunho notável ao rei da própria coisa que Davi havia falhado em cumprir. “E disse Urias a Davi: A arca, e Israel, e Judá ficaram em tendas; e Joabe, meu senhor, e os servos de meu senhor estão acampados no campo; e hei de eu entrar na minha casa, para comer e beber, e para me deitar com minha mulher? Pela tua vida, e pela vida da tua alma, não farei tal coisa” (2 Sm 11:11). Seu cuidado estava voltado para a arca, para Israel e para seu senhor Joabe. Estando corretamente ocupado com essas coisas, ele não estava apenas longe de cair em tentação, mas também foi capaz de dar testemunho de verdadeira piedade a Davi. Seu coração estava próximo de seus companheiros de batalha. Que belo testemunho foi esse para Davi; era o que Davi não tinha! O Senhor recompensará Urias por isso em Seu reino de glória. Mas Davi falha em entender o ponto, pois ele está preso pelas cordas de seus pecados. Sua mente está envolvida em agradar a si mesmo, e ele prossegue usando aquilo que havia sido sua tentação para instigar Urias a voltar para sua casa. Ele deu vinho a Urias, para que ele descesse e fosse dormir com sua esposa. Toda a mentalidade de Davi era governada por seu vício e seu esforço para encobrir os resultados, enquanto Urias estava livre disso e era capaz de fazer o que era correto. Ele foi forte em recusar a tentação, mesmo sob a influência do vinho.

 

Enquanto isso, Davi não confessa seu pecado, mas segue um plano para se livrar daquele que lhe testemunhou onde ele havia falhado. Ele faz com que Urias seja morto e depois toma Bate-Seba como sua esposa. Deus não interveio até este ponto. Que triste história! É uma advertência para nós e para nosso lar acerca de quão dominador é o vício e de como somente a intervenção governamental de Deus pode interromper o seu curso quando o vício se torna grave. É a misericórdia de Deus que intervém de maneira governamental.

 

O governo de Deus 

A misericórdia do Senhor enviou Natã, o profeta, a Davi depois que ele tomou Bate-Seba como esposa. E acaso não podemos ver que a sabedoria de Deus escolheu esperar até esse momento para tratar com ele em juízo governamental? Quanto mais alguém se afastar do caminho, mais severo será o juízo. Deus sabia até onde permitir que Davi fosse e, de acordo com isso, trouxe sobre ele Seu juízo que correspondia à sua ação, para o seu bem. Conhecer a sabedoria e a misericórdia de Deus em Seus juízos governamentais deve nos levar a nos submeter humildemente a eles quando falhamos.

 

A parábola que Natã contou a Davi sobre o homem rico que tomou a ovelha do pobre fez Davi pronunciar seu próprio juízo contra si mesmo. Que justiça da parte de Deus! Davi disse que o homem deveria morrer e restituir quatro vezes mais. Restituir  quatro vezes era o que a lei prescrevia quando as ovelhas eram roubadas e degoladas (Êx 22:1), mas se o animal fosse encontrado vivo, a restituição devia ser em dobro (Êx 22:4). Davi foi longe em seu caminho de desobediência, e o preço da restituição foi alto. Deus assim trata conosco conforme o que é justo.

 

Dois juízos são colocados sobre Davi. A espada nunca se apartaria de sua casa porque ele matou Urias, e Deus permitiria que as esposas de Davi fossem publicamente tomadas dele por seu próximo. Não existe algo como um pecado oculto para com Deus. Durante a vida de Davi, quatro de seus filhos foram levados pela morte, embora a vida de Davi tenha sido poupada, pois o Senhor ainda o usaria. O descendente de Davi, Jesus Cristo, seria Aquele que poderia, com a Sua morte, tirar o pecado do mundo. Durante o restante da vida de Davi, a disciplina parece tê-lo preservado de repetir o pecado. Ele mostrou uma atitude humilde, especialmente quando fugiu de seu filho Absalão, que se levantou contra ele. Sem dúvida, naquele momento, ele reconheceu que era o juízo governamental de Deus sobre ele. Isso contribui grandemente para uma restauração feliz.

 

Restauração 

No Salmo 51, Davi descreve a experiência de alma pela qual passou após o pecado com Bate-Seba. É uma descrição de como é ter pecado sobre si ao retornar a Deus – a culpa, a falta de gozo, a falta de comunhão e o desejo de restauração. O Senhor deseja e preparou um caminho para a plena restauração, mas isso só é possível trazendo tudo à luz diante d’Ele. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é Fiel e Justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1:9).

 

É óbvio neste salmo que Davi considerou que vale a pena passar por isso para ser restaurado. Ele também escreveu: “O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas. Refrigera [restaura – JND] a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do Seu nome” (Sl 23:1-3). Neste salmo, vemos como Davi atribuiu sua restauração ao Senhor.

 

D. C. Buchanan

Homossexualidade

 

Nossa inclinação natural pode ser facilmente a de evitar uma discussão sobre esse tema, mas a publicidade dada ao assunto no mundo de hoje e o fato de ser mencionado várias vezes na Palavra de Deus tornam apropriado considerarmos o que Deus tem a dizer sobre a questão.

 

Antes de tudo, é de suma importância entender que a Palavra de Deus condena as práticas homossexuais nos termos mais severos possíveis. De acordo com a lei de Moisés, aqueles que se envolviam em tais atividades deveriam ser “extirpados do seu povo” (Lv 18:22, 29; também Lv 20:13). Da mesma forma, Paulo menciona o mesmo pecado em Romanos 1:26‑27, 1 Coríntios 6:9-10 e 1 Timóteo 1:10; em todos os casos, a prática é abominável e profundamente condenada. Na referência em Romanos 1, é dada uma causa raiz do problema: “Porquanto, tendo conhecido a Deus, não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si” (Rm 1:21-22, 24).

 

Esta é sem dúvida uma referência ao tempo imediatamente após o dilúvio de Noé, quando Noé e sua família possuíam o conhecimento do Deus verdadeiro. Mas com que rapidez sua posteridade abandonou esse conhecimento e se voltou para a idolatria! Como resultado, Deus os abandonou, permitindo que eles vissem a completa consequência de seu distanciamento d’Ele. A prática da homossexualidade era obviamente comum em Sodoma, resultando no julgamento de Deus naquela cidade perversa, e o incidente que ocorreu em Israel nos dias dos juízes é assustadoramente semelhante ao que ocorreu em Sodoma – veja Juízes 19:22.

 

Legalização 

Até muito recentemente, leis rigorosas contra práticas homossexuais existiam na maioria dos países ocidentais e também em muitos dos chamados países pagãos. Embora essas atividades sem dúvida ocorressem, elas eram, em grande parte, praticadas em oculto. Agora, o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi legalizado em alguns países, como Holanda, Bélgica, Canadá, Espanha, Portugal e em alguns Estados dos EUA. Em tais jurisdições, a prática da homossexualidade é abertamente permitida e é ensinada em escolas públicas como uma alternativa aceitável a um relacionamento heterossexual.

 

Fatores contribuintes de sua origem 

Está além do escopo deste artigo entrar em uma discussão detalhada da origem dessas tendências em alguns indivíduos. Provavelmente, existem fatores presentes na constituição genética de algumas pessoas que as tornam suscetíveis à atração por pessoas de mesmo sexo. Além disso, às vezes existem fatores resultantes do ambiente em que a pessoa é criada que podem agravar ou até estimular essa tendência. No entanto, há duas razões apresentadas na Escritura que são claras e definidas, e preferimos confiar na Palavra de Deus em vez de especular do ponto de vista humano.

 

Antes de tudo, temos a passagem em Romanos 1, já citada, que nos diz que essa tendência (entre outras práticas imorais) era um juízo direto de Deus sobre aqueles que haviam voluntariamente abandonado o conhecimento d’Ele. Deus não Se deixa escarnecer, e se os homens O excluem de sua vida, há consequências, tanto no presente quanto na eternidade. O surgimento do vírus da Aids, cerca de trinta anos atrás, parece ser outro exemplo de “homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro” (Rm 1:27).

 

Segundo, quando o pecado entrou neste mundo como resultado da queda do homem, a natureza do homem se tornou corrupta, e lemos que “a Terra... estava corrompida... e encheu-se a Terra de violência” (Gn 6:11). Embora não lemos especificamente sobre a homossexualidade antes do dilúvio, outras práticas imorais eram obviamente desenfreadas, e não temos motivos para acreditar que a homossexualidade não foi praticada. A atração pelo mesmo sexo é, portanto, parte do triste resultado da queda do homem, além de ser um juízo direto de Deus sobre o homem.

 

A atitude do crente 

Qual deve ser a atitude do crente em relação ao assunto? Antes de tudo, a perspectiva do crente nunca deve ser determinada pela corrente de pensamento no mundo ao seu redor. A Escritura nos diz que nos últimos dias “os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados” (2 Tm 3:13), e, ao vermos isso acontecendo, devemos guardar nossos pensamentos com mais cuidado ainda, certificando-nos de que sejam formados pela Palavra de Deus e não pela sabedoria humana. Ao vermos grande parte do mundo agora tolerando a homossexualidade, devemos ter em mente que a Escritura a identifica como algo de gravidade extrema. Mesmo entre muitas pessoas ímpias, ainda existe um forte repúdio. Sem dúvida, isso ocorre porque não é apenas moralmente errado, mas também um afastamento da ordem natural de Deus na criação.

 

No entanto, devemos fazer uma distinção entre pecado e pecador. Deus abomina o pecado, mas ama o pecador. Além disso, devemos distinguir entre a tendência ou atração por indivíduos do mesmo sexo e a prática de atos homossexuais. Em Romanos, o apóstolo fala de ambos os pecados, (atos individuais de pecado, seja em pensamento voluntário ou em palavras e ações) e pecado (a velha natureza pecaminosa, que é a raiz de todos os pecados). Enquanto todos os pecados não são iguais diante de Deus, todos os pecados são o resultado da queda do homem e são merecedores do juízo de Deus.

 

Tendências para pecados diferentes 

Todos nós temos uma velha natureza pecaminosa e somos afligidos por tendências a pecados diferentes. A Escritura reconhece o “homem de grande apetite” (Pv. 23:2 – TB), e para esse, comer demais pode se tornar um pecado. Sabe-se que alguns, devido à sua constituição genética, tornam-se viciados em álcool com muito mais facilidade do que outros. Uns podem ter uma forte tendência à imoralidade, mas ser naturalmente gentil e bondoso. Outro pode abominar a imoralidade, mas ter uma forte predisposição à ira e à violência. Ainda outro pode abominar tanto a imoralidade quanto a violência, mas se inclinar a coisas como mentir, enganar e trapacear de modo dissimulado. (Vemos isso na vida de Jacó, até que a disciplina de Deus produziu uma mudança).

 

A imoralidade que transgride a ordem de Deus na criação (como pedofilia e homossexualidade) tende a provocar fortes reações por parte de alguns, mesmo no mundo em geral. Sabe-se que mesmo criminosos endurecidos, que pouco se importariam com roubos e violência, muitas vezes ameaçam até a vida de um companheiro de prisão condenado por molestar crianças. Às vezes, os crentes levantam questões sobre se alguém com tendência à pedofilia ou à homossexualidade poderia realmente ser salvo. É importante perceber que essas inclinações podem afligir certos indivíduos e exigir graça do Senhor para superá-las, assim como outros podem ter que superar uma propensão a coisas como mentira, violência ou imoralidade heterossexual.

 

Julgando a raiz 

Como ocorre com todos os impulsos na velha natureza pecaminosa do crente, as tendências homossexuais devem ser reconhecidas como um efeito da queda e uma raiz de grave imoralidade. A inclinação deve ser julgada sem complacência perante o Senhor, reconhecendo que estamos “mortos para o pecado, mas vivos para Deus” (Rm 6:11). Assim como muitos queridos crentes foram libertados de coisas como vícios em álcool, drogas e imoralidade heterossexual, também não podemos limitar o que a graça de Deus pode fazer ao libertar da imoralidade homossexual. Para alguns, a luta pode ser difícil, a ponto de tornar difícil desfrutar de um relacionamento heterossexual normal, mas certamente o Senhor que deu Sua vida por nós, ouvirá e concederá a graça necessária, se olharmos para Ele. Mas, mesmo que a tendência persista, certamente podemos nos apoderar das palavras do Senhor a Paulo: “a Minha graça te basta” (2 Co 12:9), e esperar por Ele para nos ajudar a não ceder à inclinação e assim cometer um ato manifesto de pecado.

 

Ajuda pastoral 

Também é importante que outros crentes, que não têm essa tendência, não evitem ou nem se afastem de alguém com tendência homossexual. A prática da homossexualidade deve ser fortemente condenada, mas as pessoas afligidas por esse problema precisam de ajuda, encorajaento e cuidado pastoral, a fim de ajudá-las a evitar cair em pecado. Deve haver liberdade para elas pedirem ajuda, sem medo de serem rejeitadas e evitadas.

 

Nestes últimos dias, quando toda a restrição parece ter sido abandonada, é preciso uma verdadeira dependência do Senhor para se manter longe da escancarada imoralidade que é exibida por toda parte, seja homossexual ou heterossexual. No entanto, Deus não nos disse para sermos vencedores se isso fosse impossível.

 

Libertação 

Uma questão final pode surgir sobre se a pessoa com tendência homossexual pode ser completamente libertada dela, de modo a ser capaz de levar uma vida normal e entrar em um relacionamento matrimonial feliz. Esta é uma questão sobre a qual é difícil de se afirmar algo, pois, nas palavras de alguém, “não há nada mais forte que a graça de Deus, mas nada mais fraco que a carne.” Há pessoas com alguns tipos de doenças mentais, por exemplo, que são incapazes de agir de uma maneira completamente normal em alguns aspectos da vida, apesar de caminharem com o Senhor e dependerem d’Ele. Do mesmo modo, alguns com fortes tendências homossexuais podem ter que reconhecer suas limitações e buscar a graça do Senhor para vencê-las dentro de tais limites. Deus não tirou todos os efeitos do pecado neste mundo, nem mesmo para o crente, mas aqueles que glorificam a Deus, apesar de tais limitações, sem dúvida colherão uma grande recompensa nos dias vindouros. No entanto, dizer que alguém não possa se libertar de tal aflição é limitar a graça e o poder de Deus. Em qualquer situação, no entanto, somos sempre responsáveis pelos motivos de nossas ações, e podemos pedir ao Senhor graça para viver uma vida para Sua glória aqui embaixo e andar em comunhão com Ele.

 

Depois de se referir a vários pecados, incluindo a prática da homossexualidade, Paulo poderia dizer aos coríntios: “E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus” (1 Co 6:11). As práticas que os caracterizaram antes de serem salvos deveriam ser abandonadas, e certamente Deus dará a graça necessária para isso hoje, como Ele fez nos tempos de Paulo.

 

W. J. Prost

Enfrentando a Tentação

 

Quando eu pedi minha esposa em casamento, a resposta dela foi: “Eu mal te conheço”. Tenho certeza de que nos amávamos naquele momento, mas agora, depois de mais de quarenta anos, sou eu quem diz a ela: “Ainda estou te conhecendo”. Eu percebi como os relacionamentos são construídos sobre confiança, honra e respeito mútuos, além do amor. Eles são os blocos de construção para um bom relacionamento, não apenas durante o namoro, mas durante os anos do casamento. A crescente disponibilidade de pornografia e a exposição frequente e inevitável a anúncios sedutores e todos os tipos de mídia colocam diante de nós tentações às quais devemos resistir. Se não aprendermos a resistir, ela nos destruirá. O mais querido e valioso relacionamento está em jogo. Quando os blocos de construção do relacionamento matrimonial são comprometidos, as consequências são devastadoras.

 

A resistência de José à tentação 

O exemplo de como José resistiu à tentação quando a esposa de seu senhor lhe disse: “deita-te comigo”, revela as coisas encobertas que estão em jogo e como superar a tentação. Há três partes na resposta dele. Antes de mais nada: “Ele recusou, e disse à mulher de seu senhor: Eis que meu senhor não toma conhecimento de coisa alguma comigo; o que há na casa, e tudo quanto ele tem, ele entregou em minha mão” (Gn 39:8 – JND). José honra a confiança e a convicção que seu mestre deposita nele; ele é fiel ao seu mestre. Qualquer quebra de relacionamento adequado com a esposa de seu mestre seria não apenas pecaminosa, mas também uma traição à confiança. Qualquer ação que violasse essa confiança não poderia ser amor verdadeiro. É dito da mulher virtuosa em Provérbios: “O coração do seu marido confia nela, e não haverá falta de ganho” (Pv 31:11 – ARA).

 

Segundo, José diz: “Ninguém há maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher” (Gn 39:9). Ele preserva a honra que seu mestre havia lhe dado, recusando-se a agir de maneira desonrosa. Ele honra seu mestre ao reconhecer seu relacionamento adequado com a esposa de seu mestre. Nós, como Cristãos, precisamos defender a honra que nos é depositada. Ceder à tentação desonra nosso Senhor; devemos agir como filhos de Deus. “Força e honra” são as roupas (testemunho público) da mulher virtuosa e “seu marido é conhecido nas portas” (Pv 31: 23,25).

 

Terceiro, José diz: “como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?” (Gn 39:9). Ele viveu na percepção da presença de Deus. A tentação foi vista não apenas como um pecado contra seu mestre, mas também como um grande pecado contra Deus. Os olhos d’Ele o viam. José levanta a capa do segredo e revela o olho de Deus que tudo vê. Lembremos que nunca saímos impunes do que fazemos! “Todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos d’Aquele com Quem temos de tratar” (Hb 4:13).

 

Evite a tentação 

Desejamos chamar atenção para outro ponto a respeito de como José se comportou depois que a esposa de Potifar tentou seduzi-lo. “E aconteceu que, falando ela cada dia a José, e não lhe dando ele ouvidos, para deitar-se com ela, e estar com ela” (v. 10). Ele não apenas não deu ouvidos a ela, mas também evitou a situação que o colocaria em casa a sós com ela. Sempre que houver um local conhecido de tentação, devemos sempre procurar evitá-lo e, se isso não for possível, melhor ter alguém conosco enquanto enfrentamos a situação. A instrução de Salomão em Provérbios é a única maneira correta de lidar com a situação: “Não entres pela vereda dos ímpios, nem andes no caminho dos maus. Evita-o; não passes por ele; desvia-te dele e passa de largo” (Pv 4:14-15).

 

Além disso, somos aconselhados nas palavras de sabedoria que Deus deu ao rei Salomão nos capítulos 6‑7, de que existem duas maneiras de nos preparar para resistir à tentação da imoralidade sexual, como retratado na mulher estranha. O capítulo 6:20‑35 fornece a preparação interna do coração, recebendo instruções e permitindo que elas formem nosso caráter; o capítulo 7 adverte sobre as formas e táticas externas da mulher estranha e para onde elas levam no final. À medida que nos aproximamos do fim dos tempos, em que a violência e a corrupção são cada vez mais predominantes, nossa sobrevivência moral será grandemente aprimorada por estarmos bem armados com essas duas defesas.

 

O tempo do silêncio 

A conduta enganosa da esposa de Potifar depois que José recusou as investidas dela prova o quão egoísta ela era. Não havia amor em seu coração; era apenas concupiscência. Confiança, honra e respeito um pelo outro são necessários para que exista uma relação de amor. José, ao guardar esses princípios, permaneceu calado quanto às falsas acusações; nós o vemos assumindo a culpa em vez de se justificar. Ele não se tornou um fofoqueiro para se salvar. Ele respeitava e honrava seu mestre a um grande custo. Se, em sua própria defesa, ele contasse o que realmente havia acontecido, isso causaria grandes danos ao casamento de Potifar. “Não erreis: Deus não Se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6:7). No tempo de Deus, a verdadeira história foi divulgada.

 

A veste 

A veste que José deixou para trás quando fugiu tornou-se testemunha de dois testemunhos opostos. Na realidade, isso era evidência do amor fiel, da honra e do respeito de José por seu mestre. A esposa de Potifar a usou falsamente como evidência de concupiscência, desonra e desrespeito. Qual testemunho será acreditado? Nesses casos, na maioria das vezes, o testemunho que as pessoas acreditam é aquele em que elas desejam acreditar. Os julgamentos são feitos de acordo com a inclinação do coração, e Potifar acreditou no que estava de acordo com seu coração. O verdadeiro discernimento para avaliar corretamente tais situações pertence apenas àqueles que, em submissão à Palavra de Deus, andam de acordo com Seus ensinamentos. Ao fazer isso, eles não se deixam cegar pela sua própria vontade, mas mantêm o amor, o respeito e a honra uns pelos outros.

 

Esses são os fatores importantes com os quais devemos lidar, ao enfrentarmos tentações imorais. Devemos ter a preparação interna de nosso coração e também a vigilância sobre as circunstâncias exteriores que podem levar à tentação. “Também da soberba [pecados de presunção[1] – TB] guarda o Teu servo, para que se não assenhorie de mim. Então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão. Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a Tua face, SENHOR, Rocha minha e Redentor meu!” (Sl 19:13-14).

[1] N. do T.: Ou pecado feito propositalmente, “à mão levantada” (Nm 15:30 – ARC).

 

D. C. Buchanan

Ló e o Último Dia de Sodoma

 

Antes de Deus destruir Sodoma e Gomorra, Ele enviou anjos para verificar se a condição em Sodoma era tão grave quanto se observava. Naquela época, Abraão intercedeu diante de Deus para poupar a cidade, caso nela fossem achadas dez almas justas. Infelizmente, os anjos encontraram menos de dez; o tempo de juízo para Sodoma era iminente. Ló, que morava na cidade, não pôde adiar o juízo. O único recurso era salvar almas de Sodoma, mas Ló não tinha poder moral para convencer alguém a deixar a cidade. Embora ele estivesse “enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis” (2 Pe 2:7), ele também disse sobre a vida na cidade: “Deixe-me escapar para lá... para que minha alma viva” (Gn 19:20). Sua relutância em deixar a cidade de Sodoma também foi evidência de seu apego a ela. Essa duplicidade de espírito o deixou com pouco poder para convencer até os membros de sua própria família a deixar a cidade antes do juízo iminente. Não existe poder moral para o bem sem estar separado do mal contra o qual testemunhamos.

 

Hospitalidade do Ló 

Ló foi hospitaleiro com os mensageiros, dizendo: “Eis agora, meus senhores, entrai, peço-vos, em casa de vosso servo, e passai nela a noite, e lavai os vossos pés; e de madrugada vos levantareis e ireis vosso caminho” (Gn 19:2). Ele sabia que não era seguro para eles passarem a noite nas ruas, mas aparentemente ele não percebia o quão madura a cidade estava para o juízo. Ele lhes diz: “passai nela a noite, e lavai os vossos pés; e de madrugada vos levantareis e ireis vosso caminho”. Eles lhe dizem: “Não... Porque nós vamos destruir este lugar, porque o seu clamor tem aumentado diante da face do SENHOR” (Gn 19:2, 13). Pedro nos adverte sobre esse perigo: “nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências, E dizendo: Onde está a promessa da Sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação” (2 Pe 3:3‑4).

 

A hospitalidade de Ló foi uma refeição que incluía pão sem fermento – pão da aflição – que, embora possa ter sido apropriado para a ocasião, se destaca em forte contraste com a refeição que Abraão já havia servido. Abraão não estava enredado na condição daqueles que viviam ao seu redor e podia desfrutar de uma refeição de bolos assados na lareira, além de uma vitela tenra e boa com manteiga e leite. Porque tal diferença? É um caso de estar separado da sujeira do pecado, não apenas uma separação física do mal que nos cerca (embora muitas vezes essa seja a melhor opção), mas uma separação moral. Ló morava moralmente em Sodoma, afligindo-se. Nessa condição, ele não podia desfrutar das melhores coisas da vida, assim como podia Abraão. Quantos verdadeiros Cristãos ficam tão ocupados com o mal que os rodeia que perdem esse tipo de comunhão com o Senhor!

 

A condição moral de Sodoma 

A visita dos anjos a Sodoma revela a condição moral dos que nela vivem e como Ló lidou com essa condição. Isso nos permite saber em que ponto Deus decide julgar. Notemos o que a Escritura diz sobre os homens de Sodoma. Primeiro, vemos que eles se ajuntaram para fazer o mal (Gênesis 19:4). Além disso, eles abandonaram a ordem de Deus quanto ao casamento e foram entregues a afeições desordenadas (v. 5). Vemos que eles resistiram a qualquer julgamento contra si mesmos por seu comportamento. Finalmente, eles usariam força ou violência para resistir (vs. 9-10). Tal é a terrível condição degradada do homem entregue à imoralidade. Esta foi a condição que Deus considerou madura para o juízo.

 

As palavras de Ló: “meus irmãos, rogo-vos que não façais mal”, não têm proveito algum. O que Ló oferece aos homens de Sodoma em suas filhas mostra o quanto ele havia perdido a noção de certo e errado em relação à preservação de sua própria família. Ele estava se comprometendo com os homens de Sodoma, em vez de testemunhar o que era certo, e isso se tornou um laço para sua família. Depois de serem tratados como foram, não seria de se admirar que mais tarde as duas filhas de Ló tenham se comportado daquela maneira com o pai! “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes”.

 

O julgamento de Deus sobre a imoralidade 

Trememos ao considerarmos como a imoralidade ao nosso redor reflete os dias de Noé e Ló. Deus “não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, pregoeiro da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios; E condenou à destruição as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinza, e pondo-as para exemplo aos que vivessem impiamente” (2 Pe 2:5‑6). O Senhor nos avisou que nos últimos dias a imoralidade seria como nos dias de Noé e Ló: “Assim será no dia em que o Filho do Homem Se há de manifestar” (Lc 17:28-30). Neste momento, existem almas que precisam ser resgatadas das mandíbulas do pecado e de Satanás, mas é inútil procurar corrigir a condição do mundo. As palavras de Judas sobre o último tempo são relevantes: “Conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna. E apiedai-vos de alguns, usando de discernimento; e salvai alguns com temor, arrebatando-os do fogo, odiando até a túnica manchada da carne. Ora, Àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a Sua glória, ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém” (Jd 21-25).

 

D. C. Buchanan

 O Caráter Moral dos Últimos Dias 

 

Quando o apóstolo Paulo revisou sua vida e ministério com os anciãos de Éfeso, em Atos 20, ele mencionou três assuntos principais sobre os quais havia pregado – o evangelho da graça de Deus, o reino de Deus e todos os conselhos de Deus. A ordem destes é importante. Devemos ouvir e crer no evangelho primeiro, para ter uma nova vida em Cristo. Então devemos entender o reino de Deus e, finalmente, podemos aprender todo o conselho de Deus. É o reino de Deus que desejamos considerar neste artigo.

 

O reino de Deus 

Quando o Senhor Jesus estava na Terra, falou com frequência do reino de Deus, pois Ele havia vindo para estabelecer esse reino. A expressão realmente se refere ao caráter moral adequado ao reino de Deus e, em Seu ministério, o Senhor Jesus instruiu Seus ouvintes Judeus sobre o que seria uma conduta apropriada em Seu reino. O homem natural não pôde aceitar isso e, consequentemente, rejeitou o Senhor Jesus, Aquele que podia dizer de Si mesmo: “o reino de Deus está entre vós” (Lc 17:21).

 

Estando consumada Sua obra na cruz, os crentes que agora têm nova vida em Cristo são chamados a servir de exemplo, em sua caminhada diária, daquele caráter adequado ao reino de Deus. Não existe reino visível hoje, pois o legítimo Rei foi rejeitado e ainda não voltou para estabelecer Seu reino. No entanto, aqueles que reconhecem o legítimo Rei são chamados a agir de acordo com a qualidade moral desse reino. Nunca enfatizaremos o suficiente a importância disso. Em seu ministério, Paulo fala repetidamente sobre o reino de Deus e diz a seus ouvintes que aqueles que se envolvem na prática de atos perversos e carnais não herdarão o reino de Deus. Mesmo antes de Paulo, Filipe pregou as coisas “acerca do reino de Deus” (Atos 8:12), e o Senhor Jesus falou disso em ressurreição – “falando das coisas concernentes ao reino de Deus” (At 1:3).

 

Verdadeiro Cristianismo 

A exibição prática do reino de Deus em nossa vida é a verdadeira essência do verdadeiro Cristianismo. C. H. Mackintosh expressou bem isso na seguinte citação:

 

“O Cristianismo é uma realidade viva e divina. Não é um conjunto de doutrinas, por mais verdadeiras que sejam; ou um sistema de ordenanças, por mais imponente que seja; ou uma série de regras e regulamentos, por mais importantes que sejam. O Cristianismo é muito mais do que qualquer uma ou todas essas coisas. É uma realidade viva, que respira, que fala, poderosa – algo a ser visto na vida cotidiana – algo a ser sentido nas cenas da história pessoal e doméstica de hora em hora – algo formativo e influente – um poder divino e celestial introduzido nas cenas e circunstâncias pelas quais temos que nos mover como homens, mulheres e crianças de domingo de manhã até sábado à noite.”

 

“O Cristianismo é a vida de Cristo comunicada ao crente – habitando nele – e fluindo d’Ele, nos dez mil pequenos detalhes que compõem nossa vida prática diária.”

 

A influência do mundo 

Ao escrever Sua Palavra, o Senhor sabia muito bem como a influência do mundo ao nosso redor tenderia a enfraquecer e até corromper tudo isso. Por todas as eras do testemunho Cristão, os esforços de Satanás têm sido arrastar a vida e o comportamento do crente para baixo.

 

Quando temos que viver e nos mover em uma condição terrível de coisas, é muito fácil ceder a ela, pelo menos até certo ponto. Nossa linguagem pode tender a assumir o caráter do mundo, e talvez expressões ásperas, rudes ou mesmo imorais escapem de nossos lábios, em vez de nossa fala ser “sempre agradável [com graça – ARA], temperada com sal” (Cl 4:6). Hoje, até mesmo as mulheres costumam usar termos vulgares que raramente seriam ouvidos em público há apenas alguns anos atrás.

 

Mostrando o reino de Deus 

Nossa vida pessoal e doméstica, em vez de ser modelada e governada pela Palavra de Deus, pode inclinar-se a seguir as tendências encontradas nas revistas, na televisão ou nos filmes do mundo. Aqui está uma área em que uma família Cristã pode mostrar o reino de Deus. Nós nos vestimos de uma maneira modesta? Como família, dedicamos tempo para as coisas do Senhor? Lemos a Palavra de Deus juntos e falamos sobre ela? As crianças aprendem pelo exemplo, principalmente de seus pais e dos mais idosos. Que sejamos uma influência positiva.

 

Em nossa vida profissional e de negócios, em vez de procurar servir “a Cristo, o Senhor” (Cl 3:24), podemos adotar práticas mundanas, como mentir e trapacear, juntamente com um egocentrismo que se esforça para progredir a todo custo. Podemos rir de piadas obscenas, esquecendo que “os insentatos zombam do pecado” (Pv 14:9). Podemos adotar o hábito de tomar dinheiro emprestado de forma imprudente ou viver a crédito quando há pouca ou nenhuma capacidade de pagar. Podemos nos mergulhar tão fundo no modo de pensar do mundo que deixamos de reconhecer que o que estamos fazendo é realmente desonesto. Mas será que outro crente consideraria isso correto e honesto? Meus colegas de trabalho me veriam como uma “pessoa justa”?

 

O estado moral correto 

Tudo isso enfraquece muito nosso poder espiritual e estraga efetivamente qualquer testemunho para os incrédulos. Em vez de nos afastarmos do mal, como Abraão, ou estarmos dispostos a sofrer mais a perda do que o pecado, como José, nos tornamos como Ló. Apesar de suas boas intenções, o fato de querer o melhor neste mundo resultou em sua degradação progressiva até que ele quase pereceu no julgamento de Deus sobre Sodoma. Além de tudo isso, não podemos realmente apossar-nos de “todo o conselho de Deus”, a menos que tenhamos primeiro levado a sério as coisas do reino de Deus. A menos que nosso estado moral esteja correto diante de Deus, o Espírito de Deus não nos confiará “as profundezas de Deus” (1 Co 2:10). Permaneceremos bebês em Cristo e não seremos capazes de lidar com o “sólido mantimento” que é reservado “para os adultos” (Hb 5:14 – ARA). Mais do que isso, não teremos nossos “sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal” (Hb 5:14). Como o mal se tornou algo comum para nós, será impossível diferenciar entre o bem e o mal.

 

Isso não precisa ser assim. Se buscarmos a graça do Senhor para ler Sua Palavra, andar em Sua força e viver moralmente em separação deste mundo, descobriremos que o próprio Senhor desejará nossa companhia. Ele diz: “se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele Comigo” (Ap 3:20).

 

W. J. Prost

Ocupação com Cristo

 

Vários artigos desta edição se concentraram necessariamente, em grande parte, em avisos sobre imoralidade em suas várias formas – o lado negativo do assunto. No entanto, é de suprema importância entender o lado positivo do assunto, a saber, a ocupação com Cristo. Se Ele, em toda a Sua amabilidade, enche nosso coração, não desejaremos as coisas deste mundo, sejam elas más ou simplesmente aquilo que afasta nosso coração d’Ele. Deus nos deu um Objeto que enche Seu próprio coração, e certamente também encherá o nosso. Um coração cheio não tem espaço para o mal.

 

“Nosso crescimento em semelhança com Cristo enquanto aqui embaixo – nosso aumento em santidade prática – é fruto da ocupação, de estar constantemente envolvido com a glória do nosso abençoado Senhor e meditarmos sobre ela. Essa afirmação é confirmada pela linguagem de nossa Escritura. ‘Mas nós todos, contemplando a glória do Senhor, com rosto descoberto, somos transformados à semelhança da mesma imagem, de glória em glória, como pelo Senhor o Espírito’ (2 Co 3:18 – JND). Três coisas são mostradas aqui. Primeiro, é por contemplar que somos transformados; segundo, que a transformação é gradualmente efetuada; e em terceiro lugar, que o Espírito é o poder pelo qual a transformação é realizada” (E. Dennett).

 

“Existe o perigo de estar muito ocupado com o mal; isso não reconforta, não ajuda a alma. ‘Mantenha-se à distância de toda forma de iniquidade’ (1 Ts 5:22 – JND), mas fique ocupado e ocupe os outros com Cristo. O próprio mal não se torna menos mau, mas menos em comparação com o poder do bem, onde a alma habita” (J. N. Darby).

 

“Nem sempre é na correção das falhas que se apresentam diante de nós que as fontes do mal são curadas; elas desaparecem quando as almas são nutridas pelas riquezas que estão em Cristo. Nós devemos pensar nisso; devemos, enquanto nos alimentamos de Cristo – e Ele nos concede de que nos alimentemos d’Ele sem restrição – fazer com que outros respirem uma nova atmosfera, onde Cristo está.” (J. N. Darby).

 

Quando perguntado se ele havia participado de uma grande exposição que estava acontecendo na época (mais de cem anos atrás), o irmão George W. Heney respondeu: “Se você soubesse a exposição que está acontecendo em minha mente, não me perguntaria isso”.

 

“Gosto de pensar nesse versículo: ‘Como o Pai Me amou, também Eu vos amei a vós’ (Jo 15:9). Deseja-se permanecer no bem disso. Suponha que você entre em um trem e se sente a pensar nesse versículo. Oh, a doçura disso – a preciosidade disso! Faz de alguém um adorador. É assim que devemos passar pelo mundo. Você acha que, se o companheiro de assento lhe oferecer uma revista boba ou imunda, se você estiver desfrutando desse versículo, leria a revista? Não; você tem algo melhor. É o desfrutar da verdade na alma que nos mantém afastados do lixo do mundo. ‘Como o Pai Me amou, também Eu vos amei a vós’. O inimigo pode lhe dizer: Isso não pode ser verdade para você, porque você é uma coisa tão pobre e fraca; mas isso é verdade para todo santo de Deus. Ele pode ter que tratar conosco no governo; Seus caminhos podem mudar, mas Seu amor nunca muda” (H. E. Hayhoe).


D. Buchanan

“Sede Santos, Porque Eu Sou Santo”

 

Senhor Jesus, Salvador! Tu, cuja face gloriosa

Nós, expectantes, ansiamos contemplar;

De Quem, uma vez contemplado, nosso olhar extasiado

Não poderia mais se desviar ou desejar perder,

Ainda que por um instante, tal visão

De êxtase que transporta a alma e satisfaz;

 

Ó, preenche-nos de Ti mesmo; sim, Senhor, ansiamos,

Não, temos sede, com sede crescente, por mais

E mais de Ti; desejaríamos beber profundamente

Do Teu espírito paciente; Do Teu amor incansável,

Da Tua pura abnegação que não podia ver,

Com o coração impassível, o sofrimento alheio;

Mas podia e queria, em silêncio, suportar o Teu próprio;

 

Ó, que enquanto aqui, em atitude de espera,

Nós, que nos deleitamos em Te chamar de Senhor e nos curvar

Com a maior alegria ao Teu domínio, possamos aqui mesmo

Ter olhos, coração e vida cativados por Ti.


Autor desconhecido

Foge também das paixões da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor.

Filipenses 2:10-11


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