Palavras às Mulheres (Dezembro de 2012)
- Revista O Cristão

- 30 de jan.
- 31 min de leitura

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Revista mensal publicada originalmente em dezembro/2012 pela Bible Truth Publishers
ÍNDICE
B. P. B.
“Um Espírito Gentil e Quieto” (adaptado)
C. P. H.
G. E. H. R.
J. N. Darby
C. P. H.
D. C. Buchanan
H. Habeck
W. J. Prost
Autor Desconhecido
Palavras às Mulheres

“Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis”. A virtude se mostra de várias maneiras. Aqui estão alguns exemplos: Maria disse: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador”. Ana “fazia uma túnica pequena, e de ano em ano” levava para o filho. Dorcas: “Esta estava cheia de boas obras e esmolas que fazia”. “À senhora eleita, e a seus filhos”. “Saúdam-te os filhos de tua irmã, a eleita”. “Eu sou morena, porém formosa”. “Eis que és formosa, ó amada minha, eis que és formosa; os teus olhos são como pombas”. “E era o nome de sua mãe Abi… e (Ezequias) fez o que era reto aos olhos do SENHOR”. “Marta servia”. “Maria, tomando um arrátel de unguento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus”. “Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a Sua palavra”. “A amada Pérside, a qual muito trabalhou no Senhor”. “Maria, que trabalhou muito por nós”. “Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-Lo”. “E foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do Sol”. “Levantam-se seus filhos e chamam-na bem-aventurada; seu marido também, e ele a louva, dizendo”: “a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada”. “Dai-lhe do fruto das suas mãos, e deixe o seu próprio trabalho louvá-la nas portas”.
Feminilidade
Quantos já viram um círculo desenhado em um pedaço de papel com um pequeno segmento faltando? Nossa mente consegue traçar o segmento que falta e completar o círculo. De alguma forma, a existência do segmento ausente é clara em nossa mente, mesmo que não esteja visível no papel. Deduzimos que a peça que falta é vital para o todo. Para mim, a “peça que falta” é um exemplo da posição complexa e singularmente desafiadora que as mulheres de Deus ocupam. Ao enfatizar a complexidade da posição de uma mulher piedosa, de maneira alguma eu gostaria de diminuir as dificuldades que hoje assediam o homem de Deus. Na esfera deles, eles lidam com coisas igualmente complexas e provadoras. Satanás está sempre pronto para derrubar tudo e todos quantos busquem exaltar a Cristo.
Mas, voltando às mulheres piedosas, para que estamos aqui? Sim, somos esposas e mães. Sim, somos irmãs e filhas. Segundo a ordem piedosa, procuramos cumprir tudo o que esses relacionamentos exigem de nós. Mas quem somos nós diante de Deus, e na família e na assembleia? Acaso nossa feminilidade está confinada às obrigações de nossos papéis? É nosso papel que define o gênero ou o gênero que define o papel? Fora de nossos deveres dados por Deus, o que nossa feminilidade oferece ao todo? Como completamos o círculo? Essas perguntas surgem em meu próprio coração, e não acho que sou a única mulher que luta com uma sensação de que o todo não está completo.
Se, por acaso, alguém que lê este artigo não sabe como uma mulher de Deus deve agir em casa e na assembleia, as Escrituras estão repletas de instruções. Leia: Gênesis 2‑3, Provérbios 31, 1 Coríntios 7 e 11, Efésios 5, Colossenses 3, 1 Timóteo 2 e 5 e Tito 2. As instruções são claras e vêm de um Deus de ordem e formosura, um Deus de completude e totalidade. Quando Ele começa um trabalho, Ele o completa. Não há segmentos ausentes em Seu todo. Então, como uma mulher piedosa encontra essa completude em sua feminilidade? Precisamos voltar ao princípio.
A ordem da criação
Deus criou o homem. Deus criou a mulher do homem. A semelhança entre eles é sua carne e ossos. “E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada” (Gn 2:23).
Deus criou duas pessoas singularmente distintas, homem e mulher, a partir de “carne e ossos” comuns. Igualmente distintos são os padrões de pensamento e as emoções do homem e da mulher. Os aspectos criacionais que diferenciam homem e mulher são básicos para os papéis que Deus deu a cada um. Essa sempre foi a intenção de Deus, e Ele dá instruções em Sua Palavra para confirmar Suas ações na criação.
O homem foi o ponto culminante na criação de Deus. “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom” (Gn 1:31). Mas havia algo que Deus viu que não era bom. “E disse o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea (companheira de ajuda) para ele” (Gn 2:18).
Não é belo vermos que Deus concebeu a ideia de relacionamento? Adão foi posto como cabeça sobre toda criação e sobre as criaturas contidas no novo mundo. Se o domínio em si só fosse completo, Adão não teria precisado de Eva. Deus conhecia a necessidade de Adão antes que ele estivesse consciente disso. Alguém do tipo de Adão era necessário para compartilhar seu domínio neste novo mundo. Adão precisava de uma companheira de ajuda que fosse adequada a ele nesta nova criação. Foi ideia de Deus dar Eva a Adão. Ele disse: “far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele”. Eva trouxe uma “completude” a Adão e uma dimensão ao seu ser que não era encontrada no restante da criação. Assim, sua maneira de vir à existência foi diferente de qualquer outro ser. Ela foi tirada do lado de Adão. Deus iniciou essa intimidade e interconexão entre eles. Acaso o próprio Deus não Se deleitou naquele momento em que Adão abriu os olhos após um sono profundo e viu a bela mulher diante dele? “Serão uma só carne” (AIBB) foi o pronunciamento de Deus sobre o relacionamento deles dois juntos. As qualidades de sua distinção se combinam para formar um “todo”. Eva foi a última peça da criação que completou o todo. Na epístola aos efésios, o apóstolo Paulo nos diz que esse era um “grande mistério” escondido em Deus desde a eternidade passada. Cristo viria, e o sangue que foi derramado do seu lado traspassado seria a base para redimir Sua noiva, a “Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga”. É um pensamento tão impressionante que “a Igreja, que é o Seu corpo”, é “a plenitude d’Aquele que cumpre (enche – ARA) tudo em todos”! Como poderia ser que o homem caído e destituído, pela graça e propósito de Deus, tivesse tal porção! Somente esse pensamento deve ser suficiente para esclarecer onde estamos diante de Deus. Mas a realidade é que muitas vezes não é assim.
O dia a dia
O dia a dia é absorvente e repetitivo. Ele nos afasta de onde gostaríamos de estar ou do que gostaríamos de fazer. Que mulher preferiria lavar a roupa a ir a uma cafeteria com algumas amigas Cristãs ou ter o luxo de um tempo livre para refletir sobre um problema? Que mulher não gostaria de encontrar tempo para se expressar por meio de alguma forma de arte, seja tocar piano, escrever em um diário, pintar um quadro, costurar uma colcha, escolher um novo tecido para uma cadeira antiga, ajustar uma receita que tem em mente, ou decidir que flores devem ficar em determinado lugar no jardim? O cotidiano é absorvente e repetitivo e, pior ainda, ele sempre está ALI. Mas o cotidiano não pode tirar de nós quem somos. De fato, é no dia a dia que acabamos expressando quem nós somos. Pense em Rute, que acordava cedo, respigava o dia todo, malhava o trigo e provavelmente adormecia exausta. Pense na sunamita que pensava nas necessidades do profeta de Deus e as provia, mas que recusou favores para habitar, como ela disse: “no meio do meu povo”. Pense em Priscila, que em companhia de seu marido, chamou à parte o jovem promissor Apolo e “o levaram consigo e lhe declararam mais precisamente o caminho de Deus”. Pense em Dorcas, cuja falta foi profundamente sentida por causa de seu trabalho quieto de consertar e costurar. E (se você me permitir continuar!), pense em Ester, que arriscou sua vida pelo bem do povo de Deus. Pense em Jedida, que certamente deve ter ensinado seu filho Josias a temer ao Senhor. Quais dessas mulheres fizeram o que fizeram porque pensaram que seriam mencionadas na santa Palavra de Deus? Quais dessas mulheres fizeram o que fizeram porque pensaram que alguém as elogiaria? E, finalmente, qual dessas coisas poderia ter sido feita melhor por um homem? Talvez algumas delas pudessem ter sido feitas por um homem, mas não com a qualidade e a sensibilidade que nosso gênero fornece. Irmãs, o “cotidiano” é a espinha dorsal de nossa fé quando é praticado diante dos olhos de Deus! Será que a aceitação do “cotidiano” é parte integrante da restauração da “peça que falta” que completa o círculo?
A mulher virtuosa
Lemos sobre a “mulher virtuosa” em Provérbios 31: 28‑29. Esses versículos falam do louvor que ela recebeu por aquilo que fez, pelas obras que praticou. O versículo 30 nos diz quem ela era. Ela era uma mulher que temia ao Senhor. O versículo 31 nos diz os resultados de sua vida. Suas obras eram o resultado de quem ela era. Ela não foi empurrada para um papel e depois correspondeu a ele; ao contrário, ela desempenhou um papel por causa de quem ela era. Da lista de coisas que ela fez nos versículos 10‑27, algumas dessas coisas eram cotidianas, sem importância para ela? Acho que não. Ela era virtuosa. Ela as fez diante dos olhos de Deus. Levantai-vos, irmãs. Atentai bem para vossa família e vossa assembleia. Rejeitai o favor como enganoso. Temei ao Senhor.
Mulheres solteiras
Permita-me dizer uma palavra às irmãs que, por um motivo ou outro, se encontram fora da categoria de “casadas e com filhos”? Falo às irmãs solteiras que gostariam de pertencer à categoria acima. Falo às irmãs viúvas cujo “Adão” está com o Senhor. Falo às irmãs divorciadas, que sinceramente se perguntam onde tudo deu errado e estão tentando juntar os pedaços de sua vida despedaçada. Acaso o seu gênero – aquilo para o que vocês foram criadas diante de Deus – não tem um “segmento” para compor o “todo”? Vocês realmente acreditam nisso? Sem dúvida, às vezes vocês se sentem assim. Mas vocês realmente acreditam que Deus não tem um “segmento” para vocês? O enganador, que era desde o princípio, agora mesmo pode estar sussurrando para vocês: “É assim que Deus disse?” A receita permanece a mesma para vocês assim como para as “casadas e com filhos”. A espinha dorsal da fé encontra-se em levar adiante o cotidiano diante dos olhos de Deus. Sua receita pode ser mais complicada. Talvez você precise fazer algumas substituições nos ingredientes, mas o resultado será algo exclusivamente seu. Deus ama você. Seu ser feminino tem tido valor para Ele desde o princípio, desde a eternidade passada. O paraíso do Éden era solitário sem você. Deus nunca te deixará nem te abandonará. Desenvolva sua receita na confiança de Seu amor.
B. P. B.
Um Espírito Manso e Quieto
(de uma irmã, para minhas irmãs)
Vamos ler juntas 1 Pedro 3, versículos 1‑6.
Por muitos anos, tive sublinhadas em minha Bíblia as palavras “um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus”. Na verdade, elas foram sublinhadas muito antes de eu me casar. Quando eu sentia que minhas opiniões estavam se tornando muito fortes, eu me retraia e voltava meio envergonhada para aquele versículo (e a outros que eu havia marcado sobre mansidão), para tentar me colocar de volta no “meu lugar”. Agora percebo que isso não estava realmente tendo um espírito manso e gentil. Há alguns anos, uma irmã compartilhou comigo um livro muito útil, e gostaria de passar algumas reflexões de suas meditações.
“A palavra traduzida por ‘manso’ ou ‘gentil’ é a palavra grega ‘praus’. Literalmente significa poder que está sob controle ou poder que está submisso ou rendido. Em nossa língua Inglesa [ou portuguesa], pensamos em mansidão e gentileza como ações, mas no grego essas palavras se referem mais à condição da mente e do coração. No sentido mundano, uma mulher forte é energética, mas no sentido bíblico uma mulher forte é submissa à liderança em sua vida. Vemos o Senhor Jesus como um Homem, manso e gentil... mas Ele era sem poder? De maneira nenhuma. Quando Ele ficou em silêncio diante de Pilatos, estava sem poder? Não, ele estava no controle total do momento, pois estava completamente submisso ao Pai”.
“A palavra traduzida por ‘quieta’ é a palavra grega ‘hesuchios’. Literalmente significa tranquilidade que procede do interior, imperturbável, pacífica. Será que são essas palavras que me descrevem ou o termo ‘estressada’ seria mais aplicável? Não nos é dito, como mulheres, instruídas a estarmos quietas no sentido de “não falar”; o que é descrito na Escritura é antes um estado de ser, que procede da paz interior”.
“Um Espírito Gentil e Quieto” (adaptado)
Imitando o Exemplo
Nós todas gostaríamos de imitar o exemplo apresentado nesta passagem. No entanto, você e eu podemos ter tantos “e se”! Talvez você diga: “E se eu não tiver um marido?” ou “E se for muito difícil de me submeter ao meu marido, pois ele não lidera?” Ou no outro extremo do espectro: “E se ele seguir em frente, bater o tambor e esperar que suas tropas sigam em frente, sem fazerem perguntas?” Pare bem aqui, e permitam que eu diga: “Leia a sua própria correspondência”. Deixemos nosso marido ler as dele. Isso é para nós pessoalmente. Como irmãs em Cristo, todas devemos começar por nos submeter a Um, nosso Senhor Jesus, como nosso Cabeça. Agora, o que esses versículos dizem para você e para mim?
Antes de tudo, devemos reverenciar/respeitar nosso “cabeça” (Ef 5:33). Este versículo se refere a um marido, mas também pode se referir a um pai, um chefe no trabalho, ou aos irmãos mais velhos na assembleia. Se for nosso marido, Deus diz que nossa reverência para com ele produzirá o amor dele para conosco. Em nossa passagem em 1 Pedro, vemos que o marido pode ser ganho “sem palavras”. Isso é realmente algo para se dizer à mulher, quando nosso gênero é conhecido pelas “palavras”, e, geralmente, a mulher tem tanto desejo de compartilhar e conversar sobre coisas! E o que então substitui as “palavras”? Aqui precisamos tratar com algo que não é popular em um dia de feminismo – uma exortação quanto ao nosso modo de vestir e ao nosso comportamento.
O testemunho de comportamento
O homem recebeu o lugar de liderança na criação, seja no mundo, no lar ou na assembleia. Então nós, como mulheres, desaparecemos na insignificância? Não. Aqui é o lugar especial que temos. Nosso testemunho para o mundo é nossa conduta, o qual inclui o nosso modo de vestir e o nosso “homem interior”, o espírito gentil e amável que demonstramos ao reverenciar nosso marido e ao realizar nossas tarefas cotidianas. Podemos manifestar tudo isso a partir de uma posição de submissão. Isso é uma honra! Isso significa que somos desleixadas e desarrumadas? Não, toda esposa procura agradar ao marido e estar linda para ele. Mas se o espírito interior estiver correto para com Deus, o que é exterior e visto pelo mundo estará em conformidade. Eu admito que hoje em dia é difícil fazer compras e encontrar o que realmente queremos vestir e o que seria agradável a nosso Senhor. Mas não vamos nos contentar com os artigos expostos para aqueles que não têm uma nova vida que deseja se submeter e agradar a Deus. Um espírito manso e quieto não se vestirá de maneira provocativa e inadequada. E lembre-se, isso é à vista de Deus de “grande valor” (ARA)... muito precioso.
Uma esposa que se comporte dessa maneira provavelmente terá a atenção de seu marido. O respeito gera respeito. Feliz é o lar em que cada um aceita críticas construtivas e amorosas do outro.
Sr. e Sra. Pedro
Ao ponderar essa passagem, comecei a pensar no discípulo que o Senhor usou para colocá-la por escrito para nós. Ele usou Pedro! Poderíamos dizer: “Justamente ele para falar sobre espíritos mansos e quietos!” Mas sabemos que Pedro tinha uma esposa (Mateus 8:14). De fato, Pedro é o único entre os seguidores do Senhor de quem nos é dito que tinha uma esposa. Quão interessantes são os detalhes da Escritura! Penso na esposa de Pedro, em casa e nos bastidores, enquanto seu marido rude e disposto, talvez impetuoso, direto e precipitado, acompanha o Senhor durante Seu ministério terrenal. A Bíblia faz um trabalho maravilhoso de dar vida ao seu povo em todas as dimensões.
Então, vemos a sra. Pedro permanecendo em silêncio nos bastidores. Mas então um dia ela tem o privilégio de ter o Salvador em sua casa em um momento de grande necessidade. Sua mãe estava doente e ela recebeu a bênção do toque curador do Salvador. Enquanto o Senhor está trabalhando com seu marido e em seu marido, Ele não esquece as necessidades da esposa dele. Ele Se deleita em nos dar o encorajamento e o conforto da Sua presença. O Senhor estava fazendo uma grande obra no coração e no caráter de seu marido. A cirurgia deve ter sido muito dolorosa para Pedro. Ele tinha confiança própria, desembainhou sua espada e acabou negando seu Senhor três vezes e depois chorou amargamente. Talvez ele não fosse o homem mais fácil de se casar! Mas houve arrependimento e restauração. Que homem mudado saiu da mesa de operações de Deus.
Esposas e irmãs em Cristo, precisamos fazer o que Deus nos pediu. Confiar n’Ele; Ele cuidará do resto. Podemos ajudar mais nosso marido e ter a maior influência sobre as pessoas ao nosso redor, sendo a mulher que Deus nos pede para ser.
Nesta curta epístola, Pedro usa a palavra “precioso” cinco vezes. Isso soa como aquele pescador corpulento que sempre parecia ter sua própria programação? O Senhor não teria usado Pedro para dar a nós, irmãs, essas instruções especiais se sua casa não estivesse em ordem. Amo suas palavras para seus irmãos no versículo 7 a respeito das esposas: “herdeiras juntamente convosco da graça da vida” (AIBB). Que precioso isso!
Gosto de imaginar Pedro com seus braços em torno de sua esposa enquanto diz a ela: “coerdeiros”. Estou ansiosa para conhecer algum dia essa senhora não nomeada, mansa e gentil. Tenho certeza de que será muito em breve.
“Derrama ainda o Teu orvalho da quietude,
Até que todos os nossos esforços cessem;
Tire de nossa alma a tensão e o estresse
E deixe nossa vida ordenada confessar
A beleza de Tua paz.”
J. G. Whittier
C. P. H.
Suas Mãos – Uma Homenagem à Mãe
“Busca lã e linho, e trabalha de boa vontade com suas mãos” (Pv 31:13)
Desde que ficou órfã aos dez anos de idade, e mesmo antes disso, suas mãos trabalharam diligentemente e de bom grado para sua família. Começando com os cuidados da casa para com sua mãe e seus irmãos, suas mãos trabalharam sem parar sua vida toda. Suas mãos balançavam berços, trocavam fraldas, limpavam o nariz escorrendo, cortes e machucados enfaixados, enxugavam as lágrimas e administravam a disciplina necessária. Suas mãos esfregaram o chão, lavaram janelas, arrancaram ervas daninhas, lavaram roupas e levaram os filhos pelas rotas de entrega de jornais. Suas mãos nunca ficaram ociosas. Começando com os cuidados da casa para sua mãe viúva e terminando com os cuidados amorosos e ternos dessa mesma mãe, suas mãos trabalharam voluntariamente por toda a vida.
“Estende as suas mãos ao fuso, e suas mãos pegam na roca” (Pv 31:19)
Suas mãos cerziram e costuraram, remendaram e consertaram, bordaram, aplicaram e embelezaram mais roupas do que jamais se poderia contar. Suas mãos confeccionaram roupas para uma neta que não usava um numero de roupa padrão e uma nora que estava num estágio avançado de gravidez. Suas mãos fizeram amorosamente roupas de boneca para netas pequenas e adornaram travesseiros amorosamente para filhas e colchas para bisnetos pequenos. Suas mãos demonstraram pacientemente seu conhecimento de costura para suas netas. Suas mãos assumiram o controle e concluíram os projetos de costura iniciados e nunca terminados por mãos menos hábeis. Suas mãos fizeram cortinas, colchas e aventais sem número para os outros.
“Abre a sua mão ao pobre, e estende as suas mãos ao necessitado” (Pv 31:20)
Suas mãos confeccionaram roupas para os pobres e, muitas vezes, em situações de necessidade, suas mãos silenciosamente emitiram um cheque e o colocaram discretamente na mão do destinatário com um abraço e um “não há necessidade de agradecimento”. Suas mãos descascaram montanhas de legumes e produziram muitas panelas de sopa que chegaram a pessoas agradecidas. Suas mãos prepararam refeições – milhares delas – para a família, para os amigos e para o estranho que estava precisando.
Suas mãos agora mostram que elas trabalharam arduamente por muitos e muitos anos e adquiriram algumas dores e incômodos. Suas mãos são mais queridas do que nunca para todos nós.
Nós te amamos, Mãe.
G. E. H. R.
Devoção das Mulheres
A mulher que ungiu o Senhor (Mateus 26:7) não foi informada das circunstâncias prestes a acontecer, nem era profetisa. Mas a aproximação daquela hora de trevas foi sentida por alguém cujo coração estava fixo em Jesus. Mas a perfeição de Jesus, que atraiu a inimizade, atraiu a afeição nela, e ela (por assim dizer) refletiu a perfeição em sua afeição, e assim como a perfeição foi posta em ação e trazida à luz pela inimizade, assim foi com a afeição dela. Então, o coração de Cristo não pôde deixar de encontrá-la. Jesus, por causa dessa inimizade, era ainda mais o Objeto que ocupava um coração que, sem dúvida guiado por Deus, instintivamente apreendeu o que estava acontecendo.
Mas ainda mais algumas palavras sobre a mulher que O ungiu. O efeito de ter o coração fixo em Jesus é manifestado nela de maneira impressionante. Ocupada com Ele, ela é sensível à Sua situação. Ela sente o que O afeta, e isso faz com que sua afeição atue de acordo com a devoção especial que essa situação inspira.
Oposição
À medida que o ódio contra Ele se elevava à intenção homicida, o espírito de devoção a Ele crescia nela em resposta a isso. Consequentemente, com o tato de devoção, ela faz precisamente aquilo que era adequado à Sua situação. A pobre mulher não tinha consciência clara disso, mas fez o que era apropriado. O valor que ela atribuía à Pessoa de Jesus, tão infinitamente precioso para ela, a tornou perspicaz quanto ao que estava passando em Seu íntimo. Aos seus olhos, Cristo estava investido de todo o interesse de Suas circunstâncias, e ela derrama sobre Ele aquilo que expressava sua afeição. Fruto desse sentimento, sua ação atendeu às circunstâncias e, embora fosse apenas o instinto de seu coração, Jesus lhe confere todo o valor que Sua inteligência perfeita poderia lhe atribuir, abrangendo ao mesmo tempo os sentimentos do seu coração e os acontecimentos que viriam.
Mas esse testemunho de afeição e devoção a Cristo traz à tona o egoísmo, a falta de coração dos outros. Eles censuram a pobre mulher. Prova triste (para não falar de Judas) de quão pouco o conhecimento daquilo que diz respeito a Jesus necessariamente desperta uma afeição adequada em nosso coração! Mas a narrativa continua. Algumas mulheres pobres – a quem a devoção muitas vezes concede, da parte de Deus, mais coragem do que aos homens em sua posição mais responsável e ocupada – estavam junto à cruz, contemplando o que era feito Àquele a Quem amavam (Mt 27:55-56).
Parte dos homens e das mulheres
A parte que as mulheres tomam em toda essa história é muito instrutiva, especialmente para elas. A atividade pública, aquilo que pode ser chamada de “obra”, pertence naturalmente aos homens (tudo o que se refere ao que geralmente é chamado de ministério), embora as mulheres compartilhem uma atividade muito preciosa em particular. Mas há um outro lado da vida Cristã que é particularmente delas: a devoção pessoal e amorosa a Cristo. Foi uma mulher que ungiu o Senhor enquanto os discípulos murmuravam; eram mulheres que estavam na cruz quando todos, exceto João, O abandonaram; foram mulheres que vieram ao sepulcro e que foram enviadas para anunciar a verdade aos apóstolos que tinham ido, afinal, cada um para sua própria casa; eram mulheres que ministravam às necessidades do Senhor. E, de fato, isso vai além. A devoção no serviço é talvez a parte do homem, mas o instinto de afeição, que entra mais intimamente na posição de Cristo e, portanto, está mais intimamente ligado aos Seus sentimentos, é uma comunhão mais estreita com os sofrimentos do Seu coração – essa é a parte da mulher – certamente uma parte feliz.
A atividade de serviço para Cristo coloca o homem um pouco fora dessa posição, pelo menos se o Cristão não estiver vigilante. Tudo tem, no entanto, seu lugar. Falo daquilo que é característico, pois há mulheres que serviram muito e homens que sentiram profundamente. Note também aqui, o que creio já ter observado, que esse apego de coração a Jesus é a posição na qual as comunicações do verdadeiro conhecimento são recebidas. O primeiro evangelho completo é anunciado à pobre mulher que era pecadora, a qual lavou Seus pés (Lucas 7); o embalsamamento para a Sua morte é confiado à Maria (João 12: 3), nossa posição mais elevada é revelada a Maria Madalena (João 20), e a comunhão que Pedro desejava via-se em João, que estava reclinado em Seu seio (João 13). E nessas coisas as mulheres têm uma grande participação.
J. N. Darby
Submissão
“Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor” (Ef 5:22 – ARC).
Aqui temos instruções para as esposas. É um conselho direcionado diretamente ao seu coração e alma, embora possa frequentemente ser difícil de colocar em prática. Mas, como frequentemente acontece, precisamos ler os versículos que precedem a advertência. Eles nos dão a chave para podermos seguir este comando. Sim, é isso, um comando!
O verso 19 diz: “Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração”. Isso não significa ter o rádio ligado, ou mesmo necessariamente um CD de boa música. Não há nada como uma canção de louvor saindo de nossos lábios e coração. Certa vez, uma irmã de mais idade fez o comentário de que mantinha um hinário encostado no peitoril da janela da cozinha sobre a pia para poder cantar enquanto trabalhava lá.
O versículo 20 diz: “dando sempre graças por tudo”. Nem sempre é fácil. Mas um espírito agradecido é um pré-requisito para nossa felicidade e a bênção de Deus em nossa vida.
O versículo 21 fala de “sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus”. Este é o simples ato de colocar os outros antes de nós mesmos e honrar alguém em uma posição de autoridade sobre nós.
Tendo lido, digerido e andado nos versículos 19‑21, uma esposa pode prosseguir para o versículo 22 na confiança de que o Senhor lhe dará sabedoria e graça para realizar a submissão que é requerida.
É interessante notar que mais uma vez a advertência sobre a submissão da esposa em Colossenses 3:16-18 segue esse mesmo padrão. A ordem existe para nossa bênção e instrução. O padrão de Deus é sempre perfeito e dado a nós em Sua sabedoria e amor.
C. P. H.
Beleza e Adorno
A história de Ester, muitas vezes admirada por leitores jovens e idosos, assume um significado adicional hoje quando mulheres, a semelhança de Vasti, desconsideram o papel e a autoridade que pertencem aos homens. A flagrante insubordinação pública de Vasti foi considerada um mau exemplo para todos e a levou a ser removida de sua posição de rainha. Isso resultou em uma oportunidade para que Ester viesse a ocupar um lugar de destaque por causa de sua beleza, submissão e conduta piedosa. Ela agradou o rei com sua mansidão e beleza e “alcançou favor” diante de todo o povo. A beleza de Ester foi engrandecida por sua conduta mansa e se destacou em contraste com as demais. A história é profética, revelando o que trará a remoção dos gentios de seu atual lugar de favor diante de Deus. Nós, que somos gentios, fomos abençoados por Deus. Essa bênção para os gentios durante o tempo presente, como declarado em Romanos 11:18‑25, é uma consequência da incredulidade dos Judeus. Mas essa Escritura adverte ainda os gentios a não se ensoberbecerem, para que não sejam removidos e os Judeus sejam novamente reconduzidos à bênção. Como nós, que somos o sal da Terra, vemos esse cenário se desenvolvendo em nossa sociedade, deve nos abominar qualquer forma de desrespeito à autoridade, conhecendo as consequências finais – o fim da presente dispensação – a “plenitude dos gentios” (v. 25). Essas condições morais são, então, para os olhos ungidos, uma indicação de que a vinda do Senhor está próxima.
Banquete e jejum
O rei Assuero fez um banquete, primeiro para os príncipes e nobres e depois para toda a cidade – pequenos e grandes. Ele se entregava ao desfrute de sua riqueza e reino. A rainha também fez um banquete para as mulheres da casa real e, enquanto se banqueteava em fartura e prazer, ela recusou o pedido do rei para comparecer ao seu banquete. É difícil julgar quem estava mais fora de lugar nisso, mas como frequentemente acontece, a mulher é quem mais sofre. Vasti foi removida de ser rainha por isso, mas é irônico que essa também seja uma profecia de como o governo de Assuero e de todos os governantes gentios terminará. O comportamento manso e submisso de Ester se destaca nitidamente nessas circunstâncias. Quão fácil é cair na armadilha do prazer e não cumprir o que somos chamados a fazer. O Senhor nos adverte que essa será a armadilha no final desta dispensação. “E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia. Porque virá como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a Terra” (Lc 21:34-35). Banquetear-se ou viver por prazer está intimamente relacionado à turbulência em nossa sociedade com relação aos papéis de homens e mulheres. Que o Senhor nos conceda discernir essas coisas com clareza e evitar as armadilhas.
Mais tarde, quando Ester se tornou rainha, o rei Assuero fez um banquete para ela. “Então o rei deu um grande banquete a todos os seus príncipes e aos seus servos; era o banquete de Ester; e deu alívio às províncias, e fez presentes segundo a generosidade do rei”. A entrega de presentes e um alívio especial caracterizam esse banquete em vez de prazeres egoístas. Não teria Ester estabelecido o tom para esse tipo de banquete? Quando, no início, chegou a sua hora de ir ao rei, ela não pediu nada além do que o camareiro recomendou. Ela deu de si mesma, não se apoiando em artifícios ou coisas de outros. Que diferença sua influência fez no reino! Em vez de esforço egoísta, vemos a dádiva de presentes. Quão importantes são as palavras de Paulo: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma” (1 Co 6:12). Ester demonstrou que não se deixaria dominar por viver para si mesma.
Adorno de Ester
Ester não se tornou rainha por acaso por causa de sua antecessora. Ela conquistou o trono adornando sua beleza exterior com o adorno interior de um “espírito manso e quieto”. Não era apenas porque ela estava em sujeição, mas ela exibia o “homem encoberto no coração” junto com sua beleza natural. Isso lhe deu favor diante do rei. Até os ímpios veem e apreciam isso. Ela continuou agradando os outros enquanto era rainha, usando sua posição e beleza para servir. Mais tarde, ela respondeu ao chamado para colocar sua vida em risco para interceder por seu povo. Foi com mansidão que ela entrou na corte para solicitar uma audiência perante o rei, não com firmeza, embora tenha sido preciso muita coragem. Antes de tudo, ela pede uma oportunidade de servir ao rei: “E disse Ester: Se parecer bem ao rei, venha hoje com Hamã ao banquete que lhe tenho preparado” (Ester 5:4). Ela procura agradar-lhe servindo antes de pedir o que ela deseja. Um ato de serviço não foi suficiente; na segunda vez, acrescentou as palavras: “Se achei graça aos olhos do rei, e se bem parecer ao rei conceder-me a minha petição” (v. 8). Isso nos lembra as palavras “graça sobre graça” (ARC). Esse serviço muito gentil e generoso despertou o orgulho do coração de Hamã, enquanto ao mesmo tempo o coração do rei foi alcançado. Como ele poderia dizer “não” a ela depois? Por causa de sua abordagem piedosa ao rei, Ester alcança dois objetivos opostos. Isso nos lembra 2 Coríntios 2:15: “Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para estes certamente cheiro de morte para morte; mas para aqueles cheiro de vida para vida”. Seus modos graciosos com eles trouxeram o melhor dos melhores e o pior dos piores. Manifestou quem era verdadeiro e quem não era. Nenhum homem em todo o reino poderia ter feito o que Ester realizou servindo humildemente com sua beleza e adorno.
Almas ganhas por conduta divina
“Semelhantemente, vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns não obedecem à Palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavra” (1 Pe 3:1). Nem todas as mulheres têm um marido amoroso e gentil que as trata bem como deveria e que diz a elas o quanto elas são amadas e apreciadas. O caso de Ester é muito notável a esse respeito. Como já vimos antes, quase todo mundo se entregava a viver por prazer. Ester morava em um lugar onde tinha que manter em segredo sua identidade. Ela também teve muita competição feminina, sendo uma das muitas escolhidas como candidatas a rainha. Os Judeus estavam vivendo em um país estranho, com o templo destruído. Ninguém sequer menciona o nome de Deus em todo o livro, nem nunca vemos alguém orando pelas dificuldades, embora seja provável que eles tenham orado quando jejuavam. Mas o testemunho público de Jeová como Deus de Israel era “zero” naqueles dias. Nessas circunstâncias, o que uma garota órfã poderia fazer para mudar a situação? Ester fez o que nenhum homem jamais poderia ter feito; ela neutralizou os efeitos das leis imutáveis dos medos e persas, salvou seu povo da aniquilação e conseguiu remover o perverso Hamã. Como é que conseguiu isso? Adornando sua beleza com boa conduta. Nenhuma pregação; nenhum ensino ou dança – apenas a vida vivida corretamente. Ela mudou o mundo com sua boa conduta.
Nem todos os que procuram viver em piedade, embora em circunstâncias difíceis, podem esperar ver nesta vida mudanças tão drásticas como resultado de sua vida como Ester pôde ver, mas certamente a história é registrada para nos encorajar a olhar para o futuro quando O Senhor virá, “o Qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor” (1 Co 4:5).
D. C. Buchanan
Hospitalidade de Lídia
“E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia” (At 16:14).
Quando ponderamos as histórias maravilhosas dos primeiros crentes, cujos testemunhos e suas testemunhas são registrados para nós, podemos ver por que Deus achou oportuno colocá-los na Bíblia para nos edificar.
Dorcas, a sogra de Pedro e Febe são algumas mulheres crentes cuja vida nos ajudará, mas Lídia – sua hospitalidade e disposição de ajudar os outros – é um exemplo especialmente bom. Encontramos a vida de Lídia registrada em Atos 16:14, 40. Uma vendedora de púrpura de Tiatira, Lídia morava em Filipos e adorava a Deus. Ela ouviu Paulo e os outros com ele, talvez especialmente Timóteo e Silas, e estava “atenta ao que Paulo dizia”. Ela foi batizada, juntamente com sua casa, e sua ação seguinte, tanto quanto as Escrituras nos dizem, foi constranger os irmãos a entrar em sua casa e ficar lá.
Lídia abriu sua casa às necessidades dos irmãos; ela havia trabalhado com sua família para que eles também fossem batizados e agora rogava aos irmãos visitantes que permanecessem com ela. Sabemos que o Senhor disse: “o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”, mas Lídia estava desejosa de ver que Paulo e os outros tivessem um lugar para ficar.
Foi em Filipos que Paulo e Silas foram lançados na prisão por curar uma mulher atingida por um espírito maligno. Enquanto estavam na prisão, estavam cantando quando a terra tremeu, a porta da cela se abriu e eles tiveram a oportunidade de fugir – mas optaram por permanecer e pregar o evangelho ao carcereiro. Depois, Paulo e os outros foram embora e foram para a casa de Lídia novamente.
É um pensamento doce que, antes dos problemas, Lídia tivesse a chance de servi-los, e agora, depois, eles voltaram para onde se sentiram bem-vindos e aproveitaram a oportunidade para confortar os irmãos.
Lídia tinha um privilégio especial: Ela podia olhar para trás nos anos seguintes e lembrar-se de ter hospedado Paulo e Silas – dois homens que Deus havia escolhido para Sua obra – assentada com eles e ouvindo seu ministério, e tendo o gozo de oferecer a eles um quarto em sua casa. Os resultados foram duradouros: Lídia foi a primeira convertida registrada em Tiatira e sua hospitalidade e zelo pelas coisas de Deus são escritas para todo o sempre.
Também precisamos estar prontos para abrir nossa casa e hospedarmos os irmãos quando pudermos. Os irmãos são cuidados, mas, como Lídia, somos nós que lucramos.
H. Habeck
“Far-lhe-ei uma Ajudadora Idônea para Ele”
Quando Deus criou o homem, Ele disse: “e que eles tenham domínio sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a Terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a Terra” (Gn 1:26 – JND). Deus claramente teve em Seus conselhos a criação de homem e mulher, embora os detalhes não sejam dados até o próximo capítulo. Quando lemos sobre esses conselhos divinos, descobrimos que o Senhor Deus disse que não era bom que o homem estivesse sozinho; assim, Ele criaria uma “companheira de ajuda, semelhante a ele (ou contraparte)” (Gênesis 2:18 - JND).
É significativo que Deus tenha tirado uma costela do lado de Adão, da qual Ele fez Eva. Primeiro de tudo, a noiva de Adão era parte dele – “osso dos meus ossos, e carne da minha carne”. Como ele poderia deixar de amá-la? Segundo, foi usada uma costela, sem dúvida indicando que a mulher deveria estar ao seu lado, perto do coração e sob sua proteção. Finalmente, ela era uma figura da Igreja – aquela a qual Cristo amou e pela qual morreu. Por esse motivo, os maridos são exortados a “amar a sua própria mulher como a seu próprio corpo” (Ef 5:28 – ARC).
O fato de a Escritura usar o termo “companheira de ajuda” para descrever a mulher nos mostra como ela deveria agir em seu relacionamento com o homem. Ela deveria complementá-lo – preencher áreas em que ele era deficiente, “arredondá-lo” e torná-lo completo. Deus, em Sua sabedoria, criou a mulher e a capacitou para esse papel.
Sociedade em mudança nos dias de hoje
Por alguns anos no mundo de hoje, pelo menos no Ocidente, a sabedoria do homem tentou mudar tudo isso. Dizem às mulheres que não apenas elas podem fazer qualquer coisa que um homem possa fazer, mas que elas devem fazê-lo, para sua própria realização e para o suposto bem da sociedade. É-lhes dito que não precisam mais considerar o lar como seu principal local de serviço, mas que elas deveriam procurar agir no mundo de todas as maneiras que um homem age. A palavra de ordem foi: “Você pode ter tudo”, significando que uma mulher deve ter uma carreira de sucesso fora de sua casa, mas ainda assim pode ter um casamento satisfatório, criar filhos e ter uma vida familiar feliz. Muitas tentaram fazer isso, mas como podemos esperar, os resultados não foram bons. Casamentos, filhos e vida doméstica sofreram em consequência. As crianças foram deixadas nas creches, em vez de serem cuidadas, disciplinadas e receberem ensinamentos morais de uma mãe amorosa, enquanto os maridos frequentemente ficam perdidos, tentando preencher o papel de nutrir para o qual Deus capacitou as mulheres. As taxas de divórcio dispararam, e as taxas de criminalidade entre adolescentes (e até crianças ainda mais novas!) aumentaram drasticamente.
Recentemente, Anne-Marie Slaughter, ex-alta autoridade do Departamento de Estado dos EUA, escreveu um artigo em uma edição da Revista Atlântica intitulada “Por que as mulheres ainda não podem ter tudo”. Aqui está um pequeno trecho desse artigo:
“Dezoito meses depois de assumir o meu cargo de primeira mulher a ser diretora de planejamento de políticas no Departamento de Estado, um cargo de política externa cujas origens remontam a George Kennan, eu me encontrava em Nova York, na assembleia anual das Nações Unidas que reúne todos os ministros das relações exteriores e chefe de estado do mundo. Numa quarta-feira à noite, o Presidente e a Sra. Obama fizeram uma recepção glamorosa no Museu Americano de História Natural. Eu bebi champanhe, cumprimentei dignitários estrangeiros e circulava entre os convidados. Mas eu não conseguia parar de pensar no meu filho de 14 anos, que havia começado a oitava série na escola três semanas antes e já estava retomando o que havia se tornado seu padrão: não fazer a lição de casa, perturbar as aulas, ir mal em matemática e esquivar-se de qualquer adulto que tentasse alcançá-lo... Eu estava cada vez mais consciente de que as convicções feministas sobre as quais eu havia construído toda a minha carreira estavam mudando sob meus pés”
Enquanto o restante do artigo deixa claro que a autora não adota de modo algum uma visão bíblica de homens e mulheres, ainda assim, é evidente a partir de seus comentários que até mesmo o mundo está começando a perceber que um afastamento da sabedoria de Deus resulta em más consequências.
Uma companheira de ajuda
O que significa então ser uma “companheira de ajuda”? Antes de tudo, a Escritura deixa claro que o principal local de influência e serviço da mulher está dentro da estrutura do lar. Paulo poderia exortar as mulheres mais idosas a serem “sérias no seu viver, como convém a santas”, para que, por sua vez, pudessem ensinar as jovens a serem “discretas, castas, diligentes no trabalho da casa” (Tt 2:3‑5 – JND). Por essa razão, Paulo disse para Timóteo: “Quero, pois, que as que são moças se casem, gerem filhos, governem a casa, e não deem ocasião ao adversário de maldizer” (1 Timóteo 5:14). Por toda a Palavra de Deus, esse padrão nos é dado pelo exemplo. Como outro já disse, Deus deu à mulher uma mente e inteligência iguais às de um homem, porque Ele queria alguns dos melhores cérebros no lar.
Isso significa que uma mulher pode desenvolver completamente sua mente e usar sua inteligência dada por Deus para aproveitar ao máximo o ambiente doméstico. Ela pode querer ter uma boa educação, e a Escritura não levanta nenhuma barreira a isso, se isso for feito de acordo com a mente do Senhor. Quando lemos sobre a mulher virtuosa em Provérbios 31, a encontramos dirigindo sua casa de uma maneira muito capaz. Ela cuidava de todas as necessidades de sua casa, até trazendo “de longe o seu pão”. Ela também exerceu sua capacidade comercial, pois diz que ela “Examina uma propriedade e adquire-a” (v. 16). Ela era capaz de ganhar dinheiro, pois vendia parte do que foi feito em sua casa – “Faz panos de linho fino e vende-os, e entrega cintos aos mercadores” (v. 24). Mas ela também “Abre a sua mão ao pobre, e estende as suas mãos ao necessitado” (Pv 31:20). Como resultado, “O coração do seu marido está nela confiado” (v. 11) e “Seu marido é conhecido nas portas, e assenta-se entre os anciãos da terra” (v. 23). É o seu marido que ocupa o lugar público de julgamento nas portas, enquanto ela, ao administrar a casa de maneira eficaz, o complementa e permite que ele aja bem em sua posição. Tudo está em perfeita harmonia.
Exemplos de companheiras de ajuda
Encontramos muitos exemplos de “companheiras de ajuda” na Escritura. Joquebede, a mãe de Moisés, instruiu fielmente Moisés em seus tenros anos e também o afastou de tudo o que poderia estragar seu treinamento e ensino. Quando ela foi obrigada a entregá-lo à filha de Faraó, o Senhor honrou sua fé. Da mesma forma, Ana criou cuidadosamente Samuel para o Senhor, mas com fé o entregou “ao Senhor” enquanto ele ainda era muito jovem. Mais uma vez, o Senhor honrou sua fé, apesar do mal que estava presente no sacerdócio naquela época. Embora o termo seja usado principalmente em conexão com o relacionamento de Eva com o seu marido, Adão, certamente o privilégio de ajudar não se restringe ao marido de uma mulher. Maria e Marta foram notadas por sua hospitalidade, e é evidente que nosso próprio Senhor encontrou no lar delas um refúgio de tudo o que O ocupava nos negócios de Seu Pai. Dessa maneira, elas foram companheiras de ajuda até mesmo ao próprio Senhor. Febe foi descrita por Paulo como alguém que “tem ajudado muitos, inclusive a mim mesmo” (Rm 16:2). No curso de seu serviço, ela foi uma ajuda até para Paulo. Uma mulher é frequentemente capacitada para detectar necessidades entre outras pessoas e oferecer ajuda em situações em que os homens podem não ser tão sensíveis. Se eu puder falar de mim mesmo, minha esposa é minha principal companheira de ajuda, mas houve muitas ocasiões em que outras irmãs piedosas foram ajudantes práticas ao longo do caminho. Muitas vezes, elas cumprem o papel de serem dadas “à hospitalidade”, assim como Maria e Marta.
Irmãs, não abdiquem de sua posição como companheiras de ajuda. Antes de tudo, é uma desonra e uma afronta ao próprio Senhor, que lhe deu essa posição e capacitou você para ela. Segundo, isso não funciona e apenas traz problemas e dificuldades para quaisquer relacionamentos que estejam envolvidos, incluindo a outra ocupação. Terceiro, embora pareça lhe dar uma gratificação temporária, acabará por deixá-la infeliz, como aconteceu com Anne-Marie Slaughter. As mulheres piedosas em seu devido lugar descobrirão que são “como pedras de esquina lavradas à moda de palácio” (Sl 144:12 JND). Moral, espiritual e fisicamente, elas agirão como Deus deseja e comandarão amor e respeito de acordo com isso.
W. J. Prost
O Serviço do Amor
Pai, eu sei que toda a minha vida
Está traçada para mim;
As mudanças que certamente virão,
Não temo ver;
Peço-Te uma mente presente,
Atenta em Te agradar.
Peço-Te um amor atencioso,
Sábio por meio da vigilância constante,
Para receber a alegria com sorrisos felizes
E para enxugar os olhos que choram,
E um coração tranquilo,
Para acalmar e compadecer.
Não queria ter uma vontade inquieta
Que corre de um lado para o outro,
Buscando alguma grande coisa para fazer
Ou algum segredo para saber;
Quero ser tratado como uma criança
E guiado para onde ir.
E se algumas coisas eu não pedir,
A Tua vontade me conceder,
Que o meu espírito se encha ainda mais
De amor grato a Ti,
Mais preocupado em não Te servir tanto
Quanto em Te agradar perfeitamente.
No serviço que o Teu amor designa,
Não há grilhões para mim;
Meu coração secreto aprende “a verdade”
Que torna Teus filhos “livres”;
Uma vida de amor que renuncia a si mesmo
É uma vida de liberdade.
Autor Desconhecido
“As mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, Mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras”
1 Timóteo 2:9




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