Luz para Almas Ansiosas

Atualizado: 21 de mar. de 2021

LUZ PARA AS ALMAS ANSIOSAS


INTRODUÇÃO


Se houve alguma coisa que pesou mais sobre o coração do autor ao escrever estas páginas, foi o pensamento de que a maioria dos que professam fé em Cristo praticam bem pouco essa fé. Em nossa preocupação com a ideia de levar paz às pessoas, existe um perigo especial que precisamos observar e orar para nos preservarmos dele e, ou seja, intrometer-nos (embora involuntariamente) entre Deus e os exercícios espirituais do indivíduo.


Este risco nunca foi provavelmente maior do que numa época superficial como a nossa. E fácil possuir hoje uma certa loquacidade em assuntos religiosos sem que a alma tenha sido absolutamente despertada. Ou, caso haja alguma espiritualidade, o caráter da mesma é tão pouco profundo que mal se deixa perceber em sua vida e comportamento diários.


Ao mesmo tempo, não pode haver dúvida de que através de impressões erradas quanto às próprias verdades fundamentais do evangelho, mediante hábitos de pensamento e expressão não-escriturísticos correntes em toda a Igreja professante, muitos corações se acham cheios de confusão e perplexidade realmente trágicos; embora os mesmos pudessem de outra forma estar saboreando a doçura da “alegria e paz na fé”. Isto não explica também a maneira pouco satisfatória do estilo de vida de inúmeras pessoas? Pois enquanto não tivermos um solo firme debaixo dos pés nosso andar será sempre vacilante.


Esta foi a consideração que encorajou o autor em seu objetivo de ajudar as almas, colocando estas páginas à frente delas; e sua oração é no sentido de que possam servir de bênção a muitos, sem fazer ninguém tropeçar. Quanto consolo encontramos nas palavras: “Pois fartou a alma sedenta, e encheu de bens a alma faminta” (SI 107.9).


O PROBLEMA ESPIRITUAL


NÃO existe problema no mundo como o espiritual. Quem pode suportar o tormento de uma consciência culpada? “Mas ao espírito abatido quem o levantará?” (Pv 18.14).


Um pouco menor do que a angústia de acordar na eternidade e descobrir que nossa alma está “perdida”, é a amargura de fazer essa descoberta a tempo embora o grande abismo não esteja ainda completamente “fixado”, nem a condenação da alma eternamente selada.


Quando o homem despertar para a verdade de que o fim da vida pecaminosa é o inferno, sendo esse no entanto, justamente o seu estilo de vida; quando o Espírito de Deus o fizer lembrar de que o próximo bater de seu pulso e de seu coração podem ser os últimos e que o Deus contra quem por tanto tempo e tão obstinadamente rebelou-se, comanda a sua respiração com o seu poder, não será de admirar então que vá para a cama sem jantar, passando a noite em vigília silenciosa e não em sono reparador, temendo e tremendo, debatendo-se e gemendo, orando e chorando.


A condenação ou a salvação eterna da alma não é uma questão superficial, e como poderá ele descansar até que isso se resolva? Merece perfeitamente ser condenado, todavia deseja com fervor a salvação. Ele parece esperar contra toda esperança, no entanto espera e não pode escapar desse sentimento. De um lado fica a “verdade”, irradiando a luz de sua “lâmpada” sobre o futuro inevitável e o passado inegável expondo plenamente ambos. Do outro lado, por assim dizer, se coloca a “graça”, dando-lhe testemunho de que apesar de sua perversidade e inteiramente devido ao mérito de Outrem, a bênção eterna ainda pode ser sua.


Quanta intensidade nesse conflito interior, até que o perdão sobrevenha e reine a paz; até que o destino da alma na eternidade esteja garantido além de qualquer dúvida ou indagação.


Existe um outro fator de importância nesta luta feroz. Satanás com suas sugestões e mentiras, está agora em plena atividade. Ele manteve-se “quieto por longo tempo”, mas agora precisa pôr em prática todos os recursos diabólicos que possa inventar a fim de impedir, se possível, os propósitos da graça; caso contrário, seu ex-escravo obediente se transformará em outra testemunha do valor do sangue do Redentor na purificação c de seu poder para salvar.


Num momento ele murmura, “Você é bom demais para perder-se afinal”; em outro, “Você é ruim demais para ser salvo; pelo menos, ruim demais para ser salvo na condição em que se acha; espere até melhorar”. Alguém disse muito bem que o relógio de Satanás está sempre muito adiantado ou muito atrasado. Segundo os conselhos perigosos dele, sempre há “muito tempo para pensar nessas coisas”, ou ele sussurra, “Deus é muito duro e justiceiro para mostrar misericórdia a um pecador como você; é tarde demais agora”.


DIFICULDADES ESPIRITUAIS


Como poderei escapar do castigo pelos meus pecados, desde que Deus é justo e eu pecador?

ESTA pergunta é tão antiga quanto o livro de Jó. E toca as próprias bases de todo descanso e paz. “Como, pois, seria justo o homem perante Deus, e como seria puro aquele que nasce da mulher?” (Jó 25.4). Deus não poderia deixar de corresponder ao seu caráter santo e justo. O pecado o coloca no lugar de juiz e da mesma forma que Deus é justo, o pecado precisa ser plenamente castigado. Os homens sentimentalizam o amor de Deus e se esquecem da sua justiça. O Senhor, porém, será tão justo ao levar alguém para o céu através da obra de Cristo, como ao enviar o pecador para o inferno por causa de suas próprias obras perversas.


Quando Ele exaltou Cristo à sua destra na glória, declarou sua própria justiça através desse ato. Quando enviar Satanás ao castigo eterno no lago de fogo, estará conforme essa mesma justiça. De fato, se qualquer pecador for salvo, Deus será tão justo ao fazê-lo quanto o foi ao colocar Cristo na radiância da glória celestial, ou como será ao enviar Satanás para as trevas do juízo eterno.


De que modo então, depois de calar “toda boca” na família humana inteira, e pronunciar “todo homem” culpado diante dele, poderá Deus salvar qualquer um com justiça?


Ouça a resposta abençoada do Espírito de Deus: “Pois é Cristo quem morreu” (Rm 8.34). “Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.5).


A culpa do pecado recaiu sobre o Cordeiro, segundo os desígnios do próprio Deus. Toda indagação da consciência perturbada quanto à penalidade aplicada ao pecado é respondida por outra pergunta, a qual perdurará por toda a eternidade, “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mc 15:34).


Quem poderia responder esse “Por que?” misterioso do Calvário? Vamos fazer uma pausa e investigar.

Os demônios confessaram ser Ele o Santo de Deus. Poderiam os poderes das trevas nos dar uma razão? Impossível. O próprio Satanás viu-se frustrado toda vez que se aproximou daquele que podia dizer, “Porque se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em mim”.


Os anjos ministraram a Ele depois de sua tentação no deserto. Não sabiam que Deus se agradava dele e que fizera sempre aquilo que dava prazer ao Pai? Seria possível, no entanto, responderem a esta pergunta momentosa? Repetimos, impossível: “para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” (1 Pe 1.12).


Seus discípulos viram como a boca dos opositores fora silenciada pelo seu desafio sem resposta: “Quem dentre vós me convence de pecado?” (Jo 8.46) Eles deviam conhecer as palavras de Davi nas escrituras do Velho Testamento: “Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão” (SI 37.25). Vemos agora o único Homem absolutamente justo que já pisou nesta terra, “Jesus Cristo, o justo” e Ele foi desamparado! Maravilha das maravilhas! Por que? O homem não tem resposta para essa pergunta; nem mesmo aqueles mais dedicados a Ele.


Deus o Pai, atraíra mais de uma vez a atenção do céu e da terra para o fato de que no Abençoado e Humilde, Ele encontrara perfeita satisfação e prazer. Irá Ele abrir novamente os céus para dar uma resposta a esse “Por que?” misterioso? Não. O bendito portador de pecados é deixado para sentir, como só Ele poderia sentir, em meio às trevas daquelas três horas, o terror dessa palavra: “DESAMPARADO”. Outros haviam clamado em tempos idos; suas vozes foram ouvidas, eles foram salvos; mas atente às palavras d’Ele, enquanto alcançam e ferem nosso coração, em meio àquelas trevas terríveis: “Eu clamo... e tu não me ouves” (SI 22.2). Não existe, portanto, resposta à pergunta? Bendito seja Deus, ela existe, caso contrário, adeus a qualquer esperança de paz para você e para mim. A fé encontrou uma resposta. De onde a tirou? Se os demônios, anjos, homens, não puderam fornecê-la; se Deus não o fez, qual a sua procedência? Ela saiu dos lábios d’Aquele que fora Esquecido! Ele justificou a Deus por Se esquecer d’Ele. Quão precioso! Precioso e inconcebível! Repita isso sempre e jamais deixe que essa lembrança se apague. Ele justificou Deus por desampará-lo. Ouça as suas palavras benditas no Salmo 22.3, PORÉM TU ÉS SANTO, o que habitas entre os louvores de Israel”. Foi como se dissesse: “Sois tão santo que não poderias fazer menos que isso, em toda justiça, além de voltar as costas ao pecado, mesmo quando teu amado Filho o levava sobre Si”. É verdade! Quando se trata de julgar o pecado, não pode haver alívio, nenhuma resposta, até que a taça da condenação se esgote. Quanta solenidade, todavia quanta beleza nisso tudo! Como o pecador perturbado se sente atraído para esse precioso Salvador, enchendo seu coração de paz e fazendo-o transbordar de louvor. Que maior prova podemos ter então de que os pecados dos crentes em Jesus já foram julgados com justiça, julgados na pessoa de seu adorável Substituto? Deus pode ser agora então “justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3: 26) Eles não são justificados pelo fato de nada poder ser dito contra a sua pessoa, mas sim pelo sangue precioso que, de uma vez por todas, satisfez todas as acusações que o próprio Deus poderia fazer contra eles.


Adorai-Lhe, Adorai-Lhe,

Sua gloriosa obra consumou

Louvai-Lhe e Exaltai-Lhe,

Do pecador o juízo tirou

E sobre o Filho de Deus o lançou

“Está consumado”

clamou em dor na cruz ao morrer por mim

Fui culpado e pecador

Mas Cristo me salva assim.


Vemos assim que os pecados do crente não escaparam do castigo. O evangelho não fala de um Deus cujo amor foi expresso passando por alto o pecado, mas de um Deus cujo amor pelo pecador só poderia manifestar-se quando seus direitos santos contra o pecado tivessem sido rigorosamente satisfeitos e sua penalidade suportada até o fim.


“Que seja o pecado julgado”

Sobre a cruz está escrito.

“E o pecador libertado”

Oh gozo bendito!


Ao tentar ser bom, só consegui tornar-me pior.

Não encontramos talvez um erro mais comum do que supor que salvação significa um aperfeiçoamento gradual do indivíduo, uma melhora, até que ele se encontre finalmente cm condições para estar na presença de Deus, pronto para o céu.


Mas a Bíblia torna claro que a salvação vem somente pela fé na obra de Cristo, consumada na cruz de uma vez por todas.


Sabemos que o apóstolo Pedro ficou “cheio do Espírito Santo” quando testemunhou corajosamente diante das autoridades e anciãos de Israel, “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12).


Torna-se necessário entender claramente que o Espírito Santo jamais é apresentado como nosso Salvador, como se Ele tivesse morrido pelos nossos pecados. Através do Espírito Eterno é que Cristo ofereceu-se, sem mácula, a Deus (Hb 9.14). Mediante a obra do Espírito em nossas almas nos tornamos sensíveis à nossa necessidade de Cristo e de Seu sacrifício. O Espírito é que efetivamente aponta a obra de Cristo a toda alma despertada. No entanto, o trabalho do Espírito em nós não é a base da paz. “Sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1), pois foi Ele que “por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação” (Rm 4.25). Vamos examinar a ideia simples de “sede” usada repetidamente nas Escrituras para descrever a necessidade de um pobre pecador: “Se alguém tem sede”, disse o Senhor bendito, “venha a mim, e beba” (Jo 7.37). Até uma criança, se lhe perguntássemos isso, poderia dizer que a sede é o resultado de algo produzido no interior de nosso corpo; o que mata essa sede é algo provido exteriormente e quando esta provisão externa é aplicada à necessidade interna, a sede é extinta.


Quando o testemunho da palavra de Deus, quanto à morte de Cristo, é recebido pela fé por parte de um pecador com a consciência atormentada, o resultado é paz. Eu merecia a morte e a condenação, ele lhe dirá, mas Cristo bebeu a taça do juízo e morreu em meu lugar; meus pecados eram inúmeros, mas Deus, que os conhecia, colocou os mesmos sobre o Seu Filho amado, como meu substituto, e o juízo completo sobre eles recaiu sobre a Sua bendita cabeça. Toda a minha perversidade foi exposta; nada ficou oculto; nada escapou ao julgamento. “Ele foi ferido pelas nossas transgressões”, “Foi entregue pelas nossas ofensas”, Deus ressuscitou-o dentre os mortos e a paz da alma é obtida através da fé n’Ele e no Deus que o ressuscitou.


Não se trata de um “aperfeiçoamento cada vez maior” da nossa parte. Se Deus não pudesse salvar-nos até que fôssemos suficientemente bons para merecê-lo, não haveria esperança para nós. Em lugar de estabelecer um determinado padrão de mérito a ser atingido pelo homem, Ele nos ensina dois fatos bem dolorosos sobre a nossa natureza:

  1. Nossa condição de pecadores.

  2. Nossa incapacidade de salvar-nos a nós mesmos.

Devemos aprender que não somos apenas culpados e ímpios, mas também que não temos poder para nos tornar aquilo que desejaríamos ser.


Só depois de repetidos esforços de reforma, após inúmeras decisões não levadas a termo, é que o versículo 6 do capítulo 5 de Romanos foi aplicado à alma sequiosa do escritor, “Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios”; assim como a água satisfaz a necessidade de um viajante sedento perdido no deserto, esse versículo satisfez a sua necessidade. O seu passado dera provas abundantes de que era “ímpio”, enquanto todos os seus esforços infrutíferos para ser o que um cristão deveria ser provaram apenas que era “fraco”. Mas agora, “Minha sede foi saciada, minha alma reviveu, E vivo hoje n’Ele”.


Não é necessário crescer na graça até que sejamos salvos; i.e., até que estejamos preparados para o céu?


Esta dificuldade se assemelha à que acabamos de tratar. A resposta será simplificada se lembrarmos que em vista da salvação da nossa alma apoiar-se inteiramente nos méritos da obra de Cristo na cruz a nosso favor, não pode haver progresso na segurança do crente, nenhum progresso na libertação “da ira vindoura”, desde que não existe progresso numa obra já “consumada”.


“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2.11); “Eis aqui agora o dia da salvação” (2 Co 6.2); “Hoje veio a salvação a esta casa” (Lc 19.9); “Que nos salvou” (2 Tm 1.9); “Porque pela graça sois salvos” (Ef 2.8).


Deve ser notado, porém, que existe além deste, um outro aspecto da salvação, embora não seja o tema tratado por nós aqui a salvação futura do corpo na vinda do Senhor (Fp 3.21), e a proteção diária dos que são reconciliados com Deus (Rm 5.10).


Deus havia declarado em tempos idos: NÃO SUBIRÁS POR DEGRAUS AO MEU ALTAR.


“Não o farás de pedras lavradas; se sobre ele levantares o teu buril, profana-lo-ás. Não subirás também por degraus ao meu altar” (Êx 20:25-26). Tome nota! Nenhuma obra artesanal, nenhum progresso na obra dos pés, é o que aprendemos aqui. Em linguagem figurada, o significado é este, “Estai quietos, e vede o livramento do Senhor”. Como um altar desse tipo era conveniente para um ladrão agonizante!


O que poderia ele ler feito caso houvesse necessidade de qualquer atividade das mãos e dos pés? Só podia olhar para Cristo, e isso era tudo. Seu pecado levou-o à presença do Cordeiro de Deus sobre o altar. A Luz da Vida despertou a sua consciência; o amor atraiu seu coração; sem necessidade de aguardar o progresso de um dia sequer, ele foi preparado para o paraíso naquele mesmo momento. E, mais ainda, com base na maior Autoridade, ele sabia disso.


Podemos então perguntar: Não existe algo como o progresso ou crescimento cristão? Graças a Deus há, mas (e repetimos com nova ênfase) nenhum progresso em nosso preparo para o céu, nem nosso livramento do juízo vindouro. Que “nos livra da ira futura” (1 Ts 1.10). “Que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz. Que nos tirou da potestade das trevas” (Cl 1.12,13).


Vejamos uma ilustração. Um homem que não sabia nadar caiu num rio profundo. Um senhor, desconhecido do indivíduo que se afogava, se apressa ao longo da margem até onde ele se acha lutando e afundando. Tirando o casado e o chapéu, ele corajosamente mergulha para salvá-lo. Sua coragem é recompensada. O homem é salvo. Algumas palavras de agradecimento sincero são trocadas de um lado e cumprimentos alegres do outro. O salvador e o salvo se despedem então, seguindo cada um o seu caminho.


Uma terceira pessoa que testemunhara o incidente seguiu o homem salvo e lhe disse: Você sabe quem foi que lhe salvou a vida?

“Ele me disse o seu nome”, replicou este, “mas gostaria de conhecê-lo melhor”.

“Você quer que vá visitá-lo um dia desses e lhe fale sobre ele? É uma excelente pessoa.”

“Quero sim. Venha e passe comigo algum tempo esta noite.”


O convite foi aceito e repetido para cada noite daquele mês. O tema da conversa foi sempre a pessoa que o salvara de morrer afogado. No fim desse período, aquele homem não estaria conhecendo muito melhor o seu bondoso salvador, do que o conhecia no primeiro dia? Claro que sim. Mas, teria havido algum progresso na salvação propriamente dita? Não. Todavia, houve crescimento. Ele cresceu no conhecimento de seu salvador.


Vamos aplicar agora nosso exemplo. O Filho bendito de Deus viu, em sua presciência, que se não interferisse a nosso favor, nos afogaríamos para sempre nas profundezas do juízo de Deus sobre o pecado. Não havia outro olhar misericordioso, nenhum outro braço que pudesse salvar. Mas “o amor levou-o a morrer”, e na plenitude do tempo Ele veio:


Desde os céus Ele veio, alta glória


Ao Calvário morrer, linda história.




Ele empreendeu a obra da nossa salvação. Foi batizado nas águas escuras da morte. As enchentes do juízo levantaram a sua voz. As ondas da ira rolaram com força esmagadora sobre Ele; de modo que para Ele e seu povo protegido nada resta a sofrer. A justiça foi satisfeita: Deus recebeu glória nesse sacrifício de expiação de pecados. Através dessa obra consumada, todo culpado que n’Ele confia, ficou tão livre da condenação quanto Aquele que a suportou em seu lugar. Ele está “livre da ira futura”. Foi feito filho de Deus mediante a fé em Cristo Jesus (Gl 3..26), e por ser filho, Deus lhe envia o Espírito de seu Filho ao seu coração, clamando Abba, Pai (G1 4.6). Note que não recebemos o Espírito para tornar-nos filhos, mas porque somos filhos. Nossos corpos se tornam então o templo do Espírito Santo. (Veja 1 Co 6.19.) Ele habita em nós e nos sela para o “dia da redenção”, i.e., a “redenção de nosso corpo”. (Compare Ef 4.30 com Rm 8.23.)


Não se trata de um simples visitante, que aparece ocasionalmente como o homem na ilustração; Ele permanece; fica para sempre”, foi a promessa fiel (Jo 14.16). E qual o seu grande tema como habitante permanente? Cristo. “Ele testificará de mim” (Jo 15.26). “Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar” (Jo 16.14).


No ano de 1888 um idoso cristão morreu em Lincolnshire. Ele fora convertido em 1813 e servira como pregador local durante 50 anos. Andara a serviço do Mestre cerca de 24.000km cálculo feito por baixo. Todavia, não possuía maior mérito para a salvação, depois de todos esses anos de serviço, do que no dia em que deu o primeiro passo nela. Não há dúvida que durante 75 anos ele atravessara com segurança muitas dificuldades, fora salvo de muitas armadilhas, ajudado em inúmeras situações complexas; aprendera também bastante a respeito de si mesmo e de seu Mestre, cujo conhecimento não tinha no princípio. Mas só o sangue era o seu direito ao céu no início e também só ele tinha valor no fim. Seu crescimento na graça durante todos aqueles longos anos dependeria da medida em que andara na companhia do Espírito. Todavia, a não ser que pudesse haver qualquer acréscimo ao valor do sangue precioso, seu título para a glória não tinha condições de crescer. Impossível Se o homem salvo em nosso exemplo tivesse mantido o visitante ocupado todo o tempo, ou a maior parte dele, em corrigir seu procedimento errado, teria havido pouco desenvolvimento no que se refere a conhecer melhor a pessoa que salvara. Não é isso que acontece com muitos de nós?


Nosso comportamento é tal que entristecemos o Espírito Santo, pois Ele tem de ocupar-se mais em corrigir nossas más tendências do que em exercer sua missão agradável de desvendar as glórias de Cristo. É por isso que não crescemos. Embora salvo deva crescer, o crescimento na graça não representa salvação do juízo devido aos nossos pecados.


Devemos notar que o apóstolo Pedro não só nos exorta “aperfeiçoar-nos”, mas também nos ensina como conseguir isso “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo” (1 Pe 2.2). E se alguém perguntar, “Como crescemos, alimentando-nos da Palavra?”


E porque as Escrituras falam de Cristo. “As Escrituras ... de mim testificam” (Jo 5.39).

Assim sendo:

  • O Espírito dá testemunho de Cristo.

  • As Escrituras testificam de Cristo.

Ambos trazem Cristo à nossa presença, ou seja, o Espírito usa a Palavra para isso, fazendo que cresçamos no conhecimento pessoal de Cristo. Repetimos, no entanto, não existe progresso em nossa segurança. O homem na água necessitava salvação teria perecido caso não a recebesse; fora da água, na terra seca estava salvo.

Em nossos pecados não estamos salvos.


Fora de nossos pecados, mediante o sangue precioso de Cristo, estamos salvos. A partir de então, o Espírito Santo passa a habitar em nós. Que maior testemunho poderíamos ter de estarmos preparados para a presença de Deus do que a habitação do Espírito Santo em nós? Lembre-se, porém, Ele não faz isso em vista daquilo que somos por nós mesmos, mas devido ao valor do sangue. O azeite (tipo do Espírito) foi colocado em cima do sangue da expiação da culpa, quando o leproso foi purificado (Lv 14.17) e não diretamente sobre o carne dele.


Penso que sou pecador demais para ser salvo, perverso demais para merecer o favor de Deus, não tendo mérito algum para ter qualquer relacionamento com Ele.


Ouça bem! Talvez existam milhares no inferno que se julgam bons demais para se “perderem”, até que provaram a amarga realidade dessa palavra terrível, além do ocaso de seu dia da graça. Mas é certo que entre as incontáveis miríades dos remidos na glória, não se pode encontrar um que diga, “Estou aqui gozando o céu porque na terra fui suficientemente bom para ser salvo”. O apóstolo Pedro lá se encontra, mas ele se declara um homem “pecador”, indigno de estar na presença do Mestre.


Paulo confessou ser “o principal dos pecadores” e assim todos os outros. “Pela graça” e só por ela, cada um deles foi salvo.


O fato é que o pensamento de merecer a salvação é tão natural ao coração humano quanto as ervas daninhas ao seu jardim; e Satanás sabe muito bem como tirar proveito disto, ocultando de seus olhos o caráter amoroso da “multiforme graça de Deus”, através da qual ele recebe a salvação. Satanás odeia a história da graça de Deus, pois ela não pode ser contada sem registrar a glória redentora de Cristo. É a “graça” que reina através da justiça — uma justiça declarada na cruz, onde o castigo devido ao pecado recaiu sobre o Substituto voluntário. Só por causa desse sangue precioso derramado é que o perdão livre e imerecido poderia ser pregado aos pecadores culpados.


O mérito é então todo d’Ele, e a culpa nossa. Nós, suficientemente perversos para merecer o juízo: e Ele, bom o bastante para vir e livrar-nos da morte, suficientemente bondoso para beber a taça do juízo por nós. Ele bebeu-a até o fim e disse, “Está consumado”. Deus só tem dois métodos para tratar com os homens culpados. Ele lhes dará (com base em seus próprios méritos) tudo o que merecem, até a última gota; ou, achegando-se a Cristo como culpados e perdidos, Ele lhes dará, completamente, aquilo que Cristo merece. Felizes, portanto, os que podem cantar:


Sou salvo por seu mérito, não há outro mais fiel, Nem mesmo onde a glória habita, na terra de Emanuel”.


Se o leitor tivesse apenas um vislumbre do que é a graça, ele jamais falaria de ser perverso demais para receber a salvação.


Suponhamos que alguém tivesse de colocar sobre a sua porta estas palavras (vamos chamar essa porta de No. 2):


CAFÉ DA MANHÃ NESTA CASA.


BILHETES ENTREGUES NA PORTA AO LADO (No. 1) SÓ PARA NEGROS. NINGUÉM PODE ENTRAR DEPOIS DAS NOVE HORAS.


Qual o negro, velho ou jovem, escravo ou livre, que seria tão tolo a ponto de ficar tremendo do lado de fora daquela porta até passar do horário de entrar, com medo de ser “negro demais” para conseguir um bilhete grátis para o café da manhã? Nada disso, quanto mais negra a pele, tanto mais inegável seu direito à entrada.


Suponhamos, entretanto, que um certo negro, tendo-se recusado a pedir o bilhete na porta No. 1, vá até a porta No. 2 e peça o café sem ele. Deveria surpreender-se ao descobrir que ela não se abre? De que valeria se argumentasse: “Vocês acabaram de receber um homem menos negro do que eu” “Tem razão”, seria a resposta, “mas não foi por causa da cor preta, ou branca, que foi admitido.”


A cor de sua pele deu-lhe a melhor recomendação possível para a entrega do bilhete, se fosse mais branco seu direito a ser chamado de negro poderia ter sido posto em dúvida, mas é o bilhete que lhe confere o direito ao café, e foi isto que você recusou. Vá-se embora.”


Existem igualmente muitos que parecem pensar que o fato de sermos todos pecadores e por ouvirem que Deus vai levar alguns destes ao céu, com certeza julgam que só irão os melhores dentre eles; essas pessoas raciocinam então, se fulano e fulano chegarem lá, eu certamente terei uma boa possibilidade de ser admitido.


Grave porém isto, caro leitor, o fato de ser pecador não lhe dá direito à glória, mesmo que pudesse afirmar ser o melhor dentre a raça arruinada de Adão. O fato de ser pecador lhe confere a melhor recomendação possível para o Salvador, mas é este Salvador que lhe dá o direito à glória.


“Este recebe pecadores” (Lc 15.2) é a inscrição colocada sobre a porta do Salvador e nenhum deles será perverso demais. Leia de novo, “Ninguém vem ao Pai, senão por mim”. “O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (Jo 14.( 6.37). Outra vez, “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu os aliviarei” (Mt 11.28). “Se. Alguém entrar por mim, salvar-se-á” (Jo 10.9).


“Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra” (Is 45.22).

“Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10.13).


Tome cuidado, portanto, para não ignorar, como o negro a porta No. 1 e supor que pode, através daquilo que é, reclamai a bênção necessária na No. 2. Só seremos salvos em vista daquilo que Cristo é e da Sua obra a nosso favor. Mesmo que você tivesse feito tantos atos meritórios quantos grãos de areia existem nas praias do oceano e seus pecados fossem tão poucos e tão raros como os poderosos submarinos que singram através dos mares, ou tão ocultos quanto os torpedos mortais que se escondem em seu leito, sem Cristo você não teria direito algum, exceto ao lago de fogo. Um só pecado seria a sua ruína, uma palavra impensada, uma ideia maldosa, um único ato de obstinação bastaria. Ele fecharia as portas do céu para você com tanta força quanto o primeiro ato de desobediência de Adão bastou para expulsá-lo do paraíso.


Não perca tempo precioso “tentando melhorar” antes de achegar-se a Cristo. O próprio fato de necessitar de reforma prova que o seu passado não foi bom e se você pensa em basear-se em seu próprio mérito, lembre-se de que “DEUS PEDE CONTA DO QUE PASSOU” (Ec 3.15).


Dizer que é “perverso demais” é diminuir a glória da graça toda abundante de Deus, limitar o poder de purificação total do sangue de Jesus. O mar sustenta com a mesma facilidade o navio de cinco mil toneladas e a pena macia de uma gaivota. Desde que Ele busca os nossos corações e desde que aqueles a quem muito é perdoado muito amam, tenha a certeza de que Ele está tão disposto a acolher os mais perversos quanto é capaz de salvar os maiores pecadores.


Há alguns anos o autor visitou um próspero homem de negócios a fim de ver sua filha que estava morrendo. Ela estava doente sem esperança e sabia disso. A pobre mãe tentara por todos os meios aliviar o medo da filha, dizendo-lhe não haver uma verdadeira causa de alarme quanto ao futuro; que embora tivesse passado o verão anterior na terra em meio a toda a alegria da “temporada londrina”, continuara no entanto uma “moça de mente pura” em meio de tudo.


Depois de considerável relutância por parte dos pais, o autor teve finalmente permissão para subir ao quarto da doente.


A enfermeira foi dispensada pelo pai afetuoso e o visitante ajoelhou-se aos pés do leito e clamou do fundo de sua alma para que a moça agonizante fosse abençoada. Depois de levantar-se, ele leu alguns versos de Romanos 5, demorando-se um pouco no v.8, “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores”.


Neste ponto aquela infeliz criatura exclamou, “Ah! o senhor não sabe o que fui, ou não estaria falando comigo sobre o amor de Deus. Não pode haver misericórdia para mim!”


O autor replicou a isto, “Srta. ..............., acredito que se visse a si mesma através dos olhos de Deus, se julgaria dez mil vezes pior do que se acha agora. Mas cometeu um grande erro hoje, a meu ver”.


O pai idoso levantou os olhos inquiridores, através das lágrimas, como se dissesse: “Qual o erro cometido?”


“Olhe”, continuou o autor, “não viajei tanto para perguntar se você acha que possui mérito suficiente para que Deus tenha confiança na sua pessoa, mas para trazer-lhe as novas benditas de que Deus acha seu Filho suficientemente digno para que você confie n’Ele. A sua bênção para a eternidade depende disto.”


No momento seguinte a fisionomia dela mudou, como se um raio de luz celestial acabasse de entrar.


Não pode também haver dúvida de que isso aconteceu; pois o pai dela escreveu pouco depois para falar da bênção de sua filha, dizendo que ela em breve estaria onde nuvem alguma surgiria para escurecer o seu céu, ou para ocultar por um momento sequer de seus olhos o Seu Senhor.


O Senhor também envia raios de glória da sua graça para entrarem no seu coração, caro leitor, e fazer com que veja que Deus não está procurando mérito em sua pessoa quanto ao passado, nem qualquer decisão de que será digno no futuro; mas Ele tem muito a dizer-lhe sobre o mérito de Jesus, seu Filho amado.


Ele é o “prego” colocado em “um lugar seguro” e sobre Ele você pode apoiar-se com toda tranquilidade e confiança. Se o “prego” cair, tudo que estava pendurado nele cairá, sejam utensílios de ouro polido ou o barro mais grosseiro. A segurança não depende da qualidade dos utensílios, mas da estabilidade do “prego”. (Veja Is 22:23, 24.) Creia n’Ele, então, porque é digno, aceitando a promessa de sua própria palavra, de que a bênção é sua. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).


Tentei reconciliar-me com Deus, mas jamais me senti tranquilo nesse sentido. Penso que não tentei da maneira certa.


“Tentar da maneira certa” é coisa que não existe. Em primeiro lugar não há necessidade, mesmo que pudesse. Em segundo, você não poderia mesmo que quisesse. Reconciliar-se com Deus em relação a seus pecados, seria satisfazer as reivindicações justas d’Ele quanto aos mesmos, suportar seu justo juízo por causa deles. Quem teria coragem de fazer tal transação? Claro que ninguém. Graças a Deus, não foi pedido a ninguém que o fizesse. Essa obra pertence a Outro. Cristo “havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz” e, pelo Espírito Santo, enviado pelo grande Pacificador, o Deus da paz, está agora “pregando a paz por Jesus Cristo”. É crendo no que Ele fez que a paz com Deus se estabelece.


“Justificados, pois, mediante a fé, tenhamos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1).


O que a maioria das pessoas indica com a frase “fazer as pazes com Deus” é a ideia de apaziguá-lo fazendo algo que as recomende junto a Ele, como Jacó tentou abrandar a ira esperada de Esaú, o irmão roubado e frustrado. “Eu o aplacarei com o presente que me antecede, depois o verei; porventura me aceitará a presença” (Gn 32.20). Eles esperam, mas não passa de um “porventura” afinal de contas, que em consideração aos erros corrigidos, Ele esquecerá os pecados da vida que passou e os leve para o céu. Mas, será que o pecado e a expiação são coisas assim tão superficiais? Estão certos em considerá-los leves, como disse alguém: “se da mesma forma que meu sopro apaga a vela ou uma gota d'água a extingue, uma oração, um suspiro penitente, ou algumas lágrimas derramadas, puderem extinguir a ira de Deus”. Tais pessoas devem saber muito bem que uma simples expressão de tristeza, um pequeno arrependimento, jamais seriam aceitos como pagamento de uma dívida entre homem e homem; no entanto, são suficientemente cegos para pensar que isso poderia satisfazer as exigências de um Deus santo em relação a uma vida inteira de pecado!


Não se trata também apenas de considerar levianamente o pecado, mas de desprezar o que Deus é, tanto como “luz” ou como “amor”. Se o pecado tiver de ser castigado, nem todas as lágrimas de todos os arrependidos que este pobre mundo jamais conheceu poderiam servir para isso. É necessário que sangue seja derramado e não lágrimas. Pois “sem derramamento de sangue não há remissão”. Mas, quais são então as boas novas do evangelho? São estas: “Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus” (1 Pe 3.18). Tome nota, Ele “morreu”, pois o sofrimento (a morte) era a penalidade devida pelos nossos pecados.


Em lugar de nossas obras nos recomendarem ao amor de Deus, “Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8). Quando uma dívida tem de ser paga, um mar de lágrimas não irá cancelá-la. Nem os remorsos por atos passados, embora sinceros, nem promessas para o futuro, por mais autênticas que sejam, acertariam esta conta. Mas se o devedor soubesse que um amigo tinha interferido e pago o débito inteiro, toda ideia de “tentar um acordo” como credor seria afastada.


Toda alma ansiosa sem dúvida começa com o pensamento certo quando diz a si mesma: “Com todos os meus pecados diante de mim, se quiser colocar-me algum dia na posição reta à frente de um Deus santo, alguma coisa precisa ser feita.”


Nesse ponto é que Satanás encontra justamente uma brecha para murmurar: “E verdade, você vai descobrir que Deus é duro e exigente. O melhor é começar logo”, embora ninguém saiba melhor que Satanás que isso não está contido no evangelho. Não se trata de alguma coisa ter que ser feita e portanto eu devo fazê-la, mas sim: O que precisa ser feito já foi feito. CRISTO O FEZ: por isso Deus o exaltou tanto. O apóstolo, mediante o Espírito de Deus, chama a atenção do crente para Ele como Salvador entronizado e diz, “Ele é a nossa paz”.


“E seus ferimentos no céu declaram que a obra de expiação está feita.”


Alguém contou esta história: Do mesmo modo que os soldados de um exército vitorioso exibem sua bandeira manchada de sangue e perfurada por balas, assim como seus vários troféus e despojos de guerra, confirmando o preço pago pela derrota do inimigo e para garantir a paz em seu país, Jesus também, triunfante e ressurreto, voltando do lugar de conflito e morte, anuncia a paz que Ele assegurou para os que lhe pertencem (Jo 20. 19, 20); ao mesmo tempo, Ele exibe suas mãos e lado feridos para lembrá-los do alto preço pago pela sua paz, silenciando Satanás para sempre.


Será possível então, contemplar esse Vencedor coroado de glória sobre “ o trono da Majestade nos céus” e ainda falar de fazer paz com Deus? Não devemos em vez disso cantar, “O Senhor triunfou gloriosamente” e “nos deu a vitória”?




“Dele seja a vitória;


Pois veio só Ele Reinar.


Aos santos triunfantes resta a glória


Da conquista com Cristo gozar”


Sei perfeitamente o que Cristo fez. Se apenas pudesse aceitar isso e sentir-me satisfeito.




As almas nestas condições podem pensar que sabem o que Cristo fez, mas se realmente compreendessem a natureza de sua obra consumada não falariam desse modo.


Vejamos um caso suposto como ilustração: Um menino quebra o vidro de uma loja na cidade. Ele é preso e lhe exigem pagamento pelo dano causado. Mas o garoto não tem dinheiro { se o caso for adiante, não há outra saída para ele senão a prisão ou o reformatório. Acontece que um parente do lojista assistiu tudo e reconheceu o rapaz como aluno ocasional de uma escola noturna na periferia. Sua mão é posta imediatamente no bolso; algumas palavras de censura branca que quase cortam c coração do jovem e depois a pergunta importante:


Em quanto ficou o prejuízo?


Dez cruzados, é a resposta imediata.


Ei-los aqui. Está satisfeito?


Aceitando o dinheiro oferecido, o dono responde: Perfeitamente.


Agora então o recibo.




O recibo é dado, o lojista ficou satisfeito; e o garoto, o que aconteceu com ele? Tinha ainda de pedir misericórdia? Ficou desejando poder aceitar o que o amigo fez? Nada disso. Ele sabe que o perdão foi recebido e que ele está livre, livre de qualquer acusação. Sabe também que não é ele que deve sentir satisfação, mas diz: “Se aquele cuja vidraça quebrei está contente por que não devo também ficar tranquilo a esse respeito?”




Se você encontrasse um rapaz nessa situação e lhe perguntasse sobre o ocorrido, ele lhe diria que não lhe era possível pensar em seu ato irrefletido sem ligá-lo à bondade do amigo. Suponhamos que você diga: Como sabe que o lojista não irá pedir que você faça o pagamento um dia?




“Ah! Ele jamais faria isso. Não teria condições de agir desse modo legalmente, seria a resposta. “De fato, ele responde pelo meu perdão junto à pessoa que pagou os dez cruzados. A minha liberdade é devida ao meu amigo!”




Você quer dizer que está dependendo do caráter reto dele?


Claro. Ele é honesto demais para exigir um novo pagamento da mesma dívida.




Há necessidade de aplicarmos o exemplo? Cristo não se colocou na fresta aberta pelo pecado entre um Deus santo e os homens pecadores? Ele não se ofereceu, imaculado, a Deus, para a satisfação de todas as exigências justas de Deus quanto ao pecado? Não foi Ele também o dom do seu amor, o Cordeiro provido por Ele mesmo?


A pergunta não é, portanto: “Você pode aceitar o que Ele fez?” mas, “Pode Deus aceitar esse ato como satisfazendo a exigência infinita de sua própria justiça contra nossos pecados?” Você não crê que Deus aceitou o sofrimento de seu Filho na cruz pelos nossos pecados? Se acredita, comece a louvar imediatamente Aquele que sofreu em seu lugar, e o Deus que o ofereceu com amor para isso.


A aceitação da obra do Substituto por parte de Deus tem sido fartamente provada. O véu rasgado, o túmulo aberto, a glória que desceu para levantar dele o Portador de pecados esquecido, sua posição atual no lugar de maior honra à destra do Pai, a glória que brilha em seu rosto, as coroas que circundam sua testa, tudo nos assegura de que sua obra foi aceita. Além deste coro de testemunho celestial, acham-se as maravilhosas palavra que saíram de seus próprios lábios benditos, ao subir ao Pai, “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” (Jo 17.4).


Como nos alegra ver que a palavra de Deus estende esta obra ao pecador. “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores” (1 Tm 1.15; veja também Rm 5.6-8).


Vamos imaginar o caso de um condenado à morte que jaz em sua cela esperando o dia fixado e fatal. Um mensageiro entra com notícias importantes. “Fui enviado para dizer-lhe”, afirma, “que alguém lá fora ofereceu-se para morrer em seu lugar.”


Como o prisioneiro parece imediatamente louco de alegria! Como suas faces enrubescem! E não é para menos!


“Ofereceu-se para morrer por MIM! Quem, Quem?” gagueja ele. “Quem fez isso?” A seguir vêm as perguntas, uma após outra, rapidamente.


“Ah! Parece bom demais para ser verdade. Você acha que ele pretende mesmo fazer o que prometeu? E se estiver sendo sincero agora, será que não vai mudar de ideia no final?”


“Não tenha medo”, disse o mensageiro. É meu privilégio informá-lo de que ele já morreu em seu lugar!


“Mas, e as autoridades do governo? O governador ficou satisfeito?”


“Sim. Seu amigo foi aceito como seu substituto voluntário antes de subir ao cadafalso. Agora que a execução já acabou, Sua Excelência enviou-me para contar-lhe que já não existem barreiras entre você, sua casa, e a liberdade. O perdão e a liberdade, através daquele que morreu por você, lhe são graciosamente anunciados em nome do governador.




Cristo não só ofereceu-se a si mesmo, imaculado, a Deus, por você (veja Hb 9.14; 10,9), mas “Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus” (1 Pe 3.18). Por que foi acrescentado, “para levar-nos a Deus”?


Porque Deus nos queria perto d’Ele. E agora o Senhor não só declarou-se satisfeito com a obra, duplamente satisfeito, tendo havido satisfação de seu coração amoroso e exigência santas, mas também glorificado.


Isto é da máxima importância, pois de que valeria a morte de alguém para o condenado se o governador não tivesse aceito esse ato de substituição? (A aceitação do substituto por parte do criminoso é naturalmente suposta aqui.)


Ouça agora a palavra de Deus (Jo 13.32),


“Se Deus é glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e logo o há de glorificar”.




Isto Ele fez, porque lemos: “Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai” (Rm 6.4).


Ele foi “recebido acima na glória” (1 Tm 3.16).


Ele está “coroado de glória e de honra” (Hb 2.9).




Que provas maiores que essas Deus poderia dar de que estava satisfeito com a obra de Cristo? E se Ele se considera satisfeito, não devemos nós também ficar? Não satisfeitos conosco mesmos ou nossos feitos mesquinhos, mas com Cristo e a obra através da qual Ele glorificou eternamente a Deus, ao assegurar a bênção eterna para o homem.




Espero que o leitor não esteja mais preocupado com seus próprios sentimentos de satisfação, mas possa dizer:


Doce descanso encontro em Sua Luz, Rico louvor que minha alma sustem.


Deus se agradou em Jesus, E Nele eu me satisfaço também.


O pedido de perdão não me trouxe o sentimento que ambiciono de ter sido perdoado.




Ao considerar a questão do perdão de pecados é importante ver, em primeiro lugar, a base real da mesma. Se tiver de obter o perdão de Deus, é necessário que o alcance segundo a vontade d’Ele. Fica claro nas Escrituras que Deus associa nosso perdão com o valor da expiação através do sangue de Jesus. “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Ef 1.7).




Dois grandes erros costumam ser comuns hoje neste respeito. O primeiro é que iremos obter perdão se pedirmos insistentemente e por longo tempo, afim de induzir Deus a concedê-lo. O segundo, que vamos ter certeza de que o obtivemos mediante certas emoções interiores. A verdade, no entanto, é esta:


1. Ele é obtido para nós pelo sangue de Cristo.

2.

3. Ele é recebido pela fé.

4.

5. Isso nos é assegurado pela Palavra de Deus.

6.



Não é o fato que um cristão sensato não se alegre ao ouvir um pedido de misericórdia saído dos lábios de um pecador. Mas que a alma ansiosa veja que o perdão não é obtido através de suas lágrimas e gritos, mas pelo sangue de Cristo, e só por ele. “Sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9.22). Por outro lado, também não poderíamos deixar de alegrar-nos ao ver o coração de um pecador perdoado transbordando com “uma alegria profunda demais para ser traduzida em palavras”. Mas devemos lembrá-lo de que deve, para obter a certeza do perdão, apoiar-se em algo mais sólido do que os sentimentos profundos que a alegria confere. Quantos milhares descobriram isto, para sua tristeza, até agora? Enquanto a alegria e radiância do primeiro amor perdura eles se sentem seguros; mas com o tempo sua alegria se vai e ficam perdidos na mais negra escuridão.


Devemos aprender a associar nosso perdão com o preço que o obteve. Quanta tranquilidade sentiria um pobre devedor se não tivesse apenas visto a conta paga no escritório do credor, mas a própria nota de Cz$ 100, que um amigo pagara por ele, presa à página do livro onde sua conta fora registrada! Com que ousadia poderia dizer, “Estou livre de minha dívida. Não livrei-me mediante prestações; não fui “libertado sob fiança” até um ajuste futuro de contas! Minha dívida foi paga por inteiro, de uma vez para sempre.


Isto leva a uma outra dificuldade muito comum.


Se apenas pudesse sentir-me feliz, acho que saberia que meus pecados foram perdoados.




Talvez não exista uma dificuldade mais geral que esta. As almas atormentadas ouvem os cristãos falarem da alegria que experimentaram quando souberam que seus pecados tinham sido perdoados; isto é feito algumas vezes deliberadamente de um modo que pode levar a interpretações erradas. Uma pessoa aflita, ouvindo tais declarações, naturalmente deduz que foi através desse fluxo de alegria celestial que os crentes em questão souberam ter sido perdoados.




O devedor perdoado, que acabamos de citar, nos diria que o fato de sentir-se feliz é que o levou a saber que sua dívida fora cancelada? Não diria ele, em vez disso, que tinha boas razões para sentir-se feliz porque sabia que sua dívida fora cancelada?




Não teria também o mesmo direito de afirmar, que o fato de sentir-se feliz ou não, de modo algum alteraria o valor daquela nota de Cz$ 100 pregada em sua conta?




Mas, o que você pensaria de um vizinho desse homem que, sendo também devedor, diz um dia: “Se pudesse pelo menos sentir-me tão feliz quanto meu vizinho, eu saberia que minha dívida também foi cancelada”.




Existe um absurdo igual? Todavia, quantas almas ansiosas estão cometendo justamente esse erro tolo.


Isso é começar pelo lado errado. Você deve começar com Deus em lugar de si mesmo. A satisfação do credor deve ser obtida antes que a mente do devedor possa tranquilizar-se.




Não se trata também simplesmente de um caso de satisfação justa, embora nada menos que isso traria paz contínua; pois, por trás da grande “transação” do Calvário descobrimos os anseios e a riqueza do amor de Deus. E maravilhoso dizer que o desejo de apagar nossos pecados não se originou em nossos corações, mas no d’Ele. Nem a obra da cruz foi o meio de atrair o coração de Deus para nós. Ela foi a expressão perfeita, o resultado transbordante do mesmo. Foi “pela graça de Deus” que Ele “provou a morte por todos” (Hb 2.9). “O Pai enviou o Filho.” Ele sabia que nada senão o valor infinito do precioso sangue de Jesus poderia expiar o pecado. “É o sangue que fará expiação pela alma”, Ele declarara muito tempo antes; e, mais ainda, “Vô-lo tenho dado (o sangue) sobre o altar” (Lv 17.11). Na plenitude do tempo esse sangue foi derramado com a declaração do Espírito sobre o que ele pode realizar, “purifica de todo o pecado” vem a notícia, “Seja-vos, pois, notório . . . que por Ele É JUSTIFICADO TODO AQUELE QUE CRÊ” (At 13.38,39).


Que consolo saber que temos o privilégio de descansar sobre os pensamentos de Deus e não sobre os nossos. Se me disser que Ele, que é o único a compreender o caráter desesperador do meu caso, o resolveu a seu modo, pelo sangue de Cristo, inclino-me e creio n’Ele.


Se Ele me der o penhor do que esse sangue pode realizar, eu aceito com gratidão. Se Ele se agrada em declarar o que pensa de todos os que têm fé nesse sangue, simplesmente acredito. Acredito porque foi Deus quem disse e não porque sinto isso. Ou, em resumo, acredito:

  • Nos pensamentos de Deus sobre minha necessidade.

  • Nos pensamentos d’Ele sobre o sangue d’Aquele a quem entregou para satisfazer essa necessidade.

  • Nos pensamentos d’Ele sobre todos os que creem em seu testemunho a esse respeito.

Não é possível crer no primeiro e segundo itens sem estar “justificado” de todas as coisas. Não é possível crer no terceiro sem se ter certeza disso. Deus diz, “TODO o que crê é justificado de TODAS as coisas”. Veja bem, o verbo está no presente e não no futuro: “É” e não “será”. Todas as coisas perversas que Deus sabia a respeito dos homens não pesam mais sobre eles; pela melhor das razões, a saber, que foram lançadas sobre Aquele que morreu por eles e ressuscitou. Nada existe aqui sobre sentimentos de felicidade. Como posso ser realmente feliz até saber que fui justificado? E como posso saber isso, a não ser através da melhor autoridade possível? E que melhor autoridade do que o Deus que afirma tal coisa?


Sob a mesma autoridade, o crente tem o privilégio de avançar mais um passo na segurança de sua bênção. Deus declara: “aos que justificou a estes também glorificou” (Rm 8.30).


Se o fato de crer torna a justificação certa no tempo, a justificação torna a glória certa na eternidade; e sei de ambas as coisas mediante a autoridade do próprio Deus.




Há dois anos atrás, o autor viu ao lado da linha da estrada de ferro um enorme anúncio feito de chapa de ferro que caíra evidentemente de um muro onde fora colocado. Ele observou que a alvenaria do muro fora recoberta com uma camada grossa de estuque e o anúncio pregado nessa massa. Quando chegaram as geadas e chuvas do inverno, o estuque desprendeu-se em grandes blocos do muro e ao cair deitou também por terra o anúncio.


Se a chapa de ferro tivesse sido fixada na alvenaria, provavelmente não se desprenderia até que o muro propriamente dito caísse. Esta é uma sugestão valiosa para você, leitor ansioso. Se prender a sua segurança de perdão aos sentimentos alegres de hoje quando estes tiverem desaparecido amanhã, sua certeza também se irá. Mas se quiser uma segurança permanente, você deve fixá-la naquilo que não pode ser derrubado. “Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu” (SI 119.89). “A palavra de nosso Deus subsiste eternamente” (Is 40.8).




Davi declarou, “Apego-me aos teus testemunhos”(Sl 119. 31), e se você fizer o mesmo; ou seja, se apegar-se ao testemunho divino, a segurança divina certamente se apegará a você. Não será “envergonhado” nem aqui nem futuramente.


Se Deus deu o Seu Filho, não devo aceitá-Lo? Meu medo é não ter ainda feito isso, embora saiba que é um Salvador digno e meu coração anseie por Ele.




Esse tipo de dificuldade com certeza não surgiria em relação às associações naturais, nem quanto às coisas espirituais, se nossas almas fossem mais simples e inocentes.




Quando as palavras ditas pelo servo de Abraão sobre Isaque, fizeram nascer no coração de Rebeca afeto por aquele de quem dava testemunho, a questão de “aceitar Isaque” estava fora de cogitação!


Abraão queria dar Isaque a ela e quando chegasse o momento em que ela desejasse recebê-lo, essa parte da questão estava resolvida.


Se através de um sentimento de seu estado culpado diante de Deus, você quiser ter Cristo, certamente no fundo do seu coração você já o aceitou, embora seja tímido demais para confessá-lo, seja a Ele mesmo ou a qualquer outro.


O “amor” e o “dar”' pertencem a Deus; o dom é seu Filho unigênito; e você não pode desejá-lo realmente sem ser acolhido por Ele.


Rebeca não iria de modo algum chorar porque Abraão não queria que ela tivesse Isaque, pois não fizera o seu servo aquela longa e difícil viagem porque ele desejava justamente isso?


Pense então nela chorando desconsolada por temer não tê-lo aceito! O que você diria a ela senão que cada lágrima derramada era uma prova inegável de que em seu coração ela o aceitara? A que ponto as nossas preocupações pessoais nos reduzem! Que o Senhor nos conceda mais simplicidade inocente e nos livre dos raciocínios insensatos de nossos pobres corações.


Sei que tudo se resume em crer e tento isso, mas não posso.




Vamos examinar mais de perto esta declaração frequentemente repetida. As pessoas não imaginam o que esteja envolvido nela.


Deus manifestou-se plenamente na Pessoa de seu Filho bendito, agindo neste mundo em perfeita concordância consigo mesmo. Ao fazer isto, segundo o que você está dizendo, Ele perdeu todo direito à sua confiança a ponto de você até “tentar crer nele, mas não conseguir”!


Mas ainda, Ele enviou uma mensagem especial do céu através do Espírito Santo, a mensagem do evangelho; mas as notícias enviadas por Ele são tão indignas de sua aceitação, que embora você tenha sido suficientemente bondoso para tentar crer nela, na verdade não consegue.


Está escrito que “Creu Abraão a Deus” (Rm 4.3). Como é simples essa declaração! Ficamos sabendo depois (v. 19), que ele não considerou as aparências, não olhou para si mesmo, pois tinha outra Pessoa à sua frente, alguém tão confiável que acreditou poderia fazer o que prometera. E assim, é-nos dito, “deu glória a Deus”.


Suponhamos que tivesse sido escrito: Abraão tentou crer em Deus, mas não pôde, que efeito grave isso teria sobre o Deus Eterno que não pode mentir!


Compare agora sua afirmação com esta, caro leitor, e prostre-se diante d’Ele, confessando a natureza desonrosa de sua incredulidade sobre Deus.