Nascentes, Fontes e Rios (Agosto de 2025)
- Revista O Cristão
- 1 de ago.
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ÍNDICE
E. Dennett (adaptado)
W.T.P. Wolston (adaptado)
J. N. Darby (adaptado)
J. B. M.
J. G. Bellett (de um livro de cartas não mais publicado)
W. H. Fosbery (adaptado)
W. T. Turpin
W. J. Prost
W. J. Prost
A. T. Schofield
G. V. Wigram (trecho de uma carta, 1870)
R. B.
Nascentes, Fontes e Rios

Deus dá água ao sedento, a água da vida. Ele também dá a própria fonte, e a dá gratuitamente. Primeiro é: “A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida” (Ap 21:6). Deus é um Doador. Compare: “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e Quem é o que te diz: Dá-Me de beber, tu Lhe pedirias, e Ele te daria água viva”, e: “Aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna” (Jo 4:10, 14). Segundo, Ele dará a cada alma sedenta, e não apenas da água da vida, mas da própria fonte. O anúncio é feito tendo em vista o objetivo final de recebê-la, ou seja, satisfação e bem-aventurança eternas. Terceiro, Ele a dará livre e gratuitamente – sem dinheiro e sem preço. Verdadeiramente nosso Deus é o Deus da graça!
E. Dennett (adaptado)
Fontes e Rios de Água Viva
O Espírito Santo é mencionado como uma “fonte de água a jorrar” (ARA) e também como “rios de água viva” que correm. Em João 4, lemos sobre a vida no poder do Espírito sendo dada como “uma fonte de água”, em conexão com a presença na Terra do humilde e gracioso Salvador. Então, em João 7, temos o Espírito de Deus sendo recebido pelo crente como algo conectado com o Senhor em Sua exaltação à glória celestial. Nessa passagem, Espírito que é dado está diretamente conectado com o lugar atual em glória celestial que o Senhor Jesus, como Homem, assumiu.
Quão belas e encantadoras são Suas palavras figuradas: “No último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-Se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a Mim e beba. Quem crê em Mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre”. Não precisamos adivinhar ou conjecturar o que isso significa, pois imediatamente o Espírito de Deus, pela pena do evangelista, dá o significado da Sua linguagem. “E isto disse Ele do Espírito que haviam de receber os que n’Ele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado” (Jo 7:37-39).
Quando o Senhor Jesus falou essas notáveis palavras, era o último dia da festa. A festa havia durado sete dias, e esse era o oitavo dia. Sete é o número na Escritura para a completude, enquanto o oitavo dia está conectado com a bênção da ressurreição. Foi no oitavo dia, o primeiro dia de uma nova semana, que o Senhor ressuscitou dentre os mortos. Foram oito dias após as palavras registradas em Lucas 9:23-27 que Ele foi visto em glória no monte da transfiguração. Vemos na Escritura que o oitavo dia está conectado com a bênção e a glória da ressurreição.
Toda essa bênção depende do Espírito Santo, “que haviam de receber os que n’Ele cressem”. Não somente a sede é saciada, mas “rios de água viva correrão do seu ventre”. Isso se dá claramente pelo poder do Espírito Santo, que vem da glória onde Cristo está e enche o coração do crente com a glória para a qual Ele passou. E o que é mais adequado a um deserto árido, como este mundo, do que “rios de água viva” fluindo por ele? Podemos muito bem nos maravilhar por sermos os canais por onde esses rios correm. Mas é exatamente por isso que somos deixados aqui após a conversão. Devemos testemunhar do nosso Senhor ausente.
A fonte e o rio
Esta figura do Espírito em João 7 é distinta daquela em João 3, que diz que, da “água e do Espírito”, nascemos de novo. Então, no capítulo 4, é como “uma fonte de água a jorrar” (ARA) – o poder do Espírito dentro de você, capacitando-o a desfrutar do senso de associação com o Pai e o Filho –, o crente entrando no gozo das coisas que não se veem, porque são celestiais e eternas, como mencionado em João 4. Então, em João 7, a figura é “rios de água viva” e está mais conectada com o serviço do que com a adoração, sugerindo ainda a ideia de conexão com um suprimento inesgotável de refrigério perene, tornando o crente, pela graça, realmente superior às circunstâncias que o cercam.
A respeito do significado da expressão “rios de água viva”, outra referência útil é Provérbios 18:4: “Águas profundas são as palavras da boca do homem, e ribeiro transbordante é a fonte da sabedoria”. Novamente: “E o SENHOR te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam” (Is 58:11). Também podemos aprender muito observando o uso do termo “rio” na Escritura. No Salmo 46:4, encontramos a expressão: “Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus”. Ali é algo que flui de Deus. No Salmo 65:9, diz: “Tu visitas a Terra, e a refrescas; Tu a enriqueces grandemente com o rio de Deus, que está cheio de água”. Se você não bebeu deste rio, se nunca foi levado, na história da sua alma, a entender o que isso significa, posso lhe assegurar que você está perdendo uma grande bênção.
O “rio” na Escritura tem um lugar antigo e é uma figura notável. Vamos examinar um pouco “o rio de Deus” em Sua Palavra. Seus canais serão diferentes de acordo com as diferentes dispensações, mas é o mesmo rio. Observe Gênesis 2:10, onde ele tem seu início no Éden. A ordem da “bênção da criação” é: “E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro”. Ali temos o rio de Deus, levando consigo refrigério e bênção por todo o mundo. A dispensação foi de bênção e bem na Terra, e todas as alegrias do homem estavam conectadas com a criação e com Deus, conhecido como Criador.
Água da rocha ferida
Mas o pecado entrou, e onde encontramos o rio em seguida? Acredito que você o encontra em Êxodo 17, o livro da redenção típica pelo sangue. Nesse capítulo, você encontrará os israelitas no deserto, e não havia água. Então, nos versículos 5 e 6, Moisés foi instruído: “Passa diante do povo, e toma contigo alguns dos anciãos de Israel; e toma na tua mão a tua vara, com que feriste o rio, e vai. Eis que Eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horebe, e tu ferirás a rocha, e dela sairão águas e o povo beberá. E Moisés assim o fez, diante dos olhos dos anciãos de Israel”.
O Salmo 78:15-16, 20 faz um comentário sobre essa cena. O Espírito de Deus a descreve de forma mais vívida. “Fendeu as penhas no deserto; e deu-lhes de beber como de grandes abismos. Fez sair fontes da rocha, e fez correr as águas como rios… Eis que feriu a penha, e águas correram dela: rebentaram ribeiros em abundância”. Sim, o servo feriu a rocha, e dela jorrou o refrigério que Deus deu ao Seu povo cansado. Ela os seguiu por toda a jornada deles no deserto, pois eram os redimidos do Senhor. Os canais pelos quais a água corria podiam ser muitos, para saciar a sede daquelas poderosas hostes de Deus, mas a fonte era uma só, a Rocha ferida. Em 1 Coríntios 10 nos é dito Quem era essa Rocha: “Bebiam da Pedra espiritual que os seguia; e a Pedra [Rocha – JND] era Cristo” (v. 4). A Rocha era Cristo, e a água, o Espírito de Deus. É uma figura, admito (mas quão apropriada, como toda figura da Escritura é), do Espírito de Deus que viria de um Cristo glorificado. É o Espírito de Deus, vindo de um Cristo vivo, enchendo a alma que se volta para Ele e n’Ele crê, com refrigério infalível, de modo a fluir dela para os outros.
O Rio hoje – o Espírito Santo
Mas, voltando, de onde nasce esse rio hoje? Do coração do Filho do Homem ascendido em glória, que concede o Espírito Santo a toda alma que com sede realmente vai a Ele. Disso não pode haver dúvida, como lemos: “E isto disse Ele do Espírito que haviam de receber os que n’Ele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado”. Não é agora algo material, exterior, na criação. É o Espírito de Deus vindo do Salvador ascendido, para ser a testemunha de Sua glória e o poder do gozo em nós de tudo o que flui para nós da glória em que Ele está, como consequência da redenção consumada – perdão, justificação, paz, aceitação, e para nos dar o conhecimento do relacionamento no qual estamos diante de Deus, como nosso Pai. É pelo Espírito Santo recebido que somos colocados no lugar e estado Cristão. Não é apenas a sede saciada, satisfeita e extinta; é mais do que isso. A alma primeiro tem sua sede saciada, é cheia, e então, “rios de água viva correrão do seu ventre”.
O Espírito, dado desde a glória onde Cristo está, é recebido pelo crente individualmente no momento em que ele crê no testemunho de Deus quanto à obra com base na qual Ele O colocou ali (Ef 1:13). O Espírito de Deus é, então, o selo da fé que crê no testemunho de Deus quanto à obra de Cristo e o poder do gozo do lugar que dela depende e que é o estado Cristão normal. É o novo lugar, medido e marcado por Cristo, que, ressuscitado dos mortos, com base na redenção, assume um novo lugar, como Homem, diante de Deus, no qual Ele introduz todos os Seus. Este é o lugar onde o Espírito Santo, habitando no crente, o coloca conscientemente, com a paz estabelecida como resultado. O que resta, então, que poderia perturbá-la?
W.T.P. Wolston (adaptado)
A Fonte de Água
Em João 3 temos o poder vivificador do Espírito, o contraste entre a velha e a nova criação. Aqui, em João 4, temos outra coisa: a habitação do Espírito no crente. “A água que Eu lhe der será nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” (Jo 4:14 – ARA).
Um homem precisa nascer de novo – nascer da água e do Espírito – se quiser se aproximar de Deus. Isto é o que precisa ser apresentado ao pecador: “Necessário vos é nascer de novo”, enquanto, ao mesmo tempo, sabemos que deve ser obra de Deus. Não que seja dito em um sentido legal: “Necessário vos é”, porque sabemos que um homem não pode fazer isso por si mesmo. Mas há uma necessidade moral para isso, porque, até que nasça de novo, o pecador não consegue ter um só desejo ou coisa alguma nele que seja adequado a Deus. É o requisito que flui do que Deus é e do que o pecador é. Mas não há tal necessidade para a habitação do Espírito no crente. Em vez de ser uma exigência, é a expressão de pura graça – não tanto uma necessidade para o homem, mas algo concedido por Deus. Portanto, não apenas os Judeus, mas também os gentios podem tê-la. “Se tu [a pobre mulher samaritana] conheceras o dom de Deus”. Mesmo para o Judeu era necessário “nascer de novo”, e essa foi a instrução no capítulo 3. No capítulo 4, é de um puro dom que Ele fala, e Ele mostraria que o pior dos gentios poderia tê-lo, assim como um Israelita.
Poder
O Espírito Santo que é dado traz poder, bem como uma nova natureza. A nova natureza tem certas características, como amor e santidade. “Todo aquele que é nascido de Deus não peca” (1 Jo 5:18), mas há outra coisa – poder, e sem isso o próprio desejo por santidade só causará angústia de alma e sentimento de condenação. Não haverá paz, gozo, liberdade nem consciência de relacionamento, pois tudo isso está fundamentado na habitação do Espírito de Deus. O Espírito Santo produz esses efeitos na alma em que habita, trazendo à tona, em nós, o que é semelhante a Deus. Assim, vemos a diferença entre o Espírito Santo vivificando, ou concedendo uma nova natureza, e o Espírito Santo habitando em nós e nos dando poder.
A mulher samaritana, como sabemos, vem tirar água; o Senhor lhe pede de beber. Ela se surpreende por Ele pedir água a ela. No capítulo 3, O vimos conversando com um Judeu, um fariseu, um rabino honrado, mas aqui era uma samaritana desprezada. Ela ficou surpresa por Ele ter ultrapassado todos os limites para vir em perfeita liberdade para falar com ela: aqui estava o dom da graça que desceu até ela, assim como até o Judeu. Deixando de lado os detalhes de sua conversão, que são muito interessantes, podemos notar a humildade de Jesus em Seus atos para com ela. A posição d’Ele aqui é fundamentada em Sua total rejeição vindo Ele como promessa. Ele está a caminho, como rejeitado, para a Galileia, o lugar onde Deus visita Seu remanescente. “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz” (Is 9:2). Ele deixou a Judeia, e Deus O guia por essa miserável raça apóstata – uma figura do Senhor agindo agora em graça soberana, reunindo os gentios, antes de ir para o remanescente Judeu.
Graça soberana
Aquilo que se apodera de um pecador é a graça soberana. Ele é rejeitado pelo homem, e o homem é rejeitado por Deus. Há uma completa e mútua rejeição. A promessa se foi, porque Cristo, vindo com as promessas, foi rejeitado. “A Minha alma se impacientou deles, e também a alma deles se enfastiou de Mim” (Zc 11:8). Agora é um Cristo rejeitado e humilhado, concedido como o dom soberano de Deus. Deus estava dando livremente, e Aquele que deu estava ali. Aquele que poderia criar outro céu e outra Terra, se quisesse, veio pedir de beber à mulher! Quanta confiança em Sua graça isso inspira! Ele não espera que ela peça a Ele até que Ele tenha pedido a ela. Nosso orgulho diria: Se eu aceitar os favores de Deus, Ele aceitará os meus. Aqui está o próprio Deus vindo e dizendo: “Se tu conheceras o dom de Deus”. Ele dependeria dela para beber durante o caminho. Essa foi a posição que Ele tomou. Quando Ele pôde Se colocar em tal posição a ponto de pedir um favor a ela, todas as comportas da confiança dela se abriram. “E era-Lhe necessário passar por Samaria”; esse foi o caminho em que Seu amor, ao descer aqui, O colocou.
Não há nada tão difícil para nosso vil coração entender como a graça, mas não há nada tão simples na presença de Deus. Se você conhecesse a Pessoa d’Aquele que lhe pede, você creria na perfeição da graça que desce até a miséria do homem para conceder. Não se trata de como você deve ser isto ou aquilo, mas aqui está Deus descendo até você.
Ele está perfeitamente à vontade com a samaritana, embora até então ela estivesse em seus pecados. Uma samaritana, e ainda assim Deus está conversando com ela! A revelação de Deus dessa forma nos dá a consciência de que podemos receber o que Ele tem para nos dar. No momento em que uma alma apreende o que há em Cristo, ela recebe a bênção. “Senhor, dá-me dessa água”, diz ela.
A consciência
Há um pensamento acrescentado no versículo 16: os pecados precisam ser trazidos à luz. Não há entendimento do que Ele tem para dar até que a consciência é alcançada e a mulher tem a convicção do pecado. Se as coisas de Deus pudessem ser recebidas pela mente natural do homem, o homem estaria, em certo sentido, à altura de Deus. Claramente, o homem não está nessa posição diante de Deus. Mas quando a consciência é despertada, ela traz o senso de necessidade. Então o pecador não vê nada além de pecado, e que nada além da graça de Deus pode resolver isso. Um homem nunca obtém entendimento espiritual até que Deus tenha tratado com sua consciência. Além disso, até que a carne seja, em certa medida, julgada, o Cristão não tem poder para entender Deus.
Quando conheço a Pessoa do Senhor Jesus Cristo, sei que tenho tudo o que preciso, porque tudo está n’Ele – amor, poder, santidade n’Ele. “Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede” (Jo 4:14). Um pecador que é detectado está em uma situação diferente da de estar na possessão do poço, mas a detecção fazia parte do caminho para possuir o poço. Para trazer esse poço ao coração, Ele precisa convencer do pecado. Ela precisa estar conscientemente na presença de Deus. Será que pensamos nisso – que estamos na presença de Deus? Nunca pecaríamos se o fizéssemos.
O poço de água
A mulher segue o curso natural de seus próprios pensamentos ao falar sobre a água do poço (vs. 11-12). Mas Cristo diz: “A água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água”. Ao se usar o que o pecado dá neste mundo, aquilo logo se esgota; sua força se esvai ao se gastar: a fonte se seca. Mas com as coisas espirituais é exatamente o contrário. Quanto mais uso, mais tenho. “Porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância” (Mt 13:12). E não deixa desejo por mais nada – nenhum anseio pelo que eu não tenho. “Aquele... nunca terá sede” – nunca terá sede de qualquer outra coisa, enquanto houver o crescente senso de necessidade da água viva continuamente.
Não posso dizer isso na prática sobre alguém cuja alma anseia por coisas terrenais. Quando há essa crosta dura sobre a alma, há necessidade de humilhação, mas o estado natural de um Cristão é seguir em frente e receber mais. Um Cristão mergulhado na carne tem sede. Se alguém fosse ao fundo de sua alma, poderia encontrar o poço, mas deveria haver na alma o senso de possessão e não de necessidade.
Descanso e poder
Aqui há descanso e poder. Não temos apenas a vida eterna n’Aquele de Quem nunca seremos separados, mas o homem tem uma fonte de água em si mesmo. Este é o poder que desce de Deus – o céu é trazido ao meu coração. É o poder da vida divina me colocando em comunhão com o Pai e o Filho. É nada menos que tudo o que está em Deus habitando em mim. Eu tenho algo que se apodera dessa nova vida: o dom de Deus. A fonte de água está no indivíduo; há uma fonte eterna em minha própria alma. Há um poder na pessoa que a associa a tudo o que está em Deus; o indivíduo a bebe, a recebe como uma pessoa sedenta, e então ela se torna nele uma fonte que o torna participante do que está em Deus. Ela se alimenta, com apreensão espiritual, das coisas de Deus.
Isso não se refere a um dom exterior, mas ao poder vivo na alma, abrangendo tudo o que o Pai e o Filho têm, e que tem o caráter e a marca, na pessoa, da vida eterna para a qual ele jorra. Essas coisas eternas pertencem à pessoa que as desfruta; a água “a jorrar para a vida eterna” (ARA).
J. N. Darby (adaptado)
Brota, ó Poço!
“Brota, ó poço! Cantai dele: Tu, poço, que cavaram os príncipes, que escavaram os nobres do povo, e o legislador com os seus bordões” (Nm 21:17-18).
A jornada dos filhos de Israel estava quase no fim, o deserto quase havia passado, e a necessidade da rocha havia desaparecido. E bem nas fronteiras da terra descobrimos que a Israel foram dados “poços brotando” e um cântico. Eles haviam entrado no deserto com um cântico – O Senhor “gloriosamente triunfou” –, mas seus ecos logo desapareceram em meio aos murmúrios e provocações da jornada. No final, eles têm outro cântico, enquanto os príncipes e nobres cavavam com seus bordões (ou cajados) – a confissão de sua peregrinação. Sim, é outro cântico – um cântico de peregrino, não em voz alta, com tamborim e dança, não das grandes coisas feitas no Mar Vermelho, mas um refrão mais humilde: “Brota, ó poço! Cantai dele”.
Ah! Deus também tem uma história das nossas campanhas no deserto. Ele registrou todas as vitórias que Seus santos alcançaram sobre o pecado e Satanás; cada luta e lágrima em segredo, desconhecidas de todos, exceto Deus; provas de fé e paciência, e tudo se achará em louvor, honra e glória na Aparição de Cristo. Todas as vitórias dos santos de Deus são exibidas em Suas crônicas, e em maravilhosa graça Ele lhes dá crédito por aquilo que Seu poder sustentador realizou. “O que fiz... nos ribeiros de Arnom”... “Nenhuma cidade houve que de nós escapasse; tudo isto o SENHOR nosso Deus nos entregou” (Nm 21:14; Dt 2:36).
Enquanto isso, temos o poço brotando, e o “cântico”, apesar dos gemidos, lágrimas, tristeza e fracasso, ainda é nosso para cantar, à medida que nos aproximamos do fim da jornada. A emoção e a exultação do primeiro cântico podem ter passado, assim como a flor da árvore, mas os preciosos frutos do Espírito – amor, gozo, paz – permanecem para amadurecer à luz do sol de Seu amor e presença.
“Se alguém tem sede, venha a Mim e beba...” e “a água que Eu lhe der será nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” (Jo 7:37; 4:14).
J. B. M.
Fontes Celestiais – O Rio do Mundo
Eu estava refletindo um pouco sobre a bela descrição, dada por Moisés a Israel, da terra (antes de entrarem nela) em Deuteronômio 8:7-9 e 11:10-12. Ele a apresenta a eles em suas excelências positivas e comparativas – como ela era em si mesma e em contraste com o Egito. Em si mesma, ela seria repleta de toda sorte de coisas boas – trigo, vinho e azeite (cap. 8:8) – das quais outra passagem diz: “O vinho que alegra o coração do homem, e o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o pão que fortalece o coração do homem” (Sl 104:15).
E não apenas o solo ou a terra em si seria, assim, para o depósito dessas coisas muitíssimo necessárias e melhores, mas suas colinas e suas pedras seriam depósitos de cobre e ferro, necessários no comércio e uso comum da vida (Dt 8:9).
O rio do Egito
Mas, em contraste com o Egito, o caráter da terra prometida é descrito de forma muito abençoada. O Egito era regado com o pé, isto é, pelo esforço comum de seu povo, extraindo a água do Nilo para seus campos e jardins (Dt 11:10). Seu rio era tudo para eles, e tudo o que queriam era estar ocupados em torno de suas margens, e poderem se abastecer dele.
A água de Canaã
Mas Canaã seria cultivada pelo Senhor. Ele a regaria do próprio céu. Seu coração cuidaria dela, e Seus olhos repousariam sobre ela do início ao fim do ano (Dt 11:11-12). Como Isaías 62 diz: “A tua terra será casada” (TB). Uma figura forte, o próprio Senhor era o marido do lavrador da terra de Seu povo. Mas, além disso, Canaã seria uma terra “de ribeiros de águas, de fontes, e de mananciais que saem dos vales e das montanhas” (Dt 8:7). E isso é ainda abençoado, creio eu, por conter profundas indicações da glória e gozo peculiares de Canaã.
O Egito tinha um rio caudaloso que era tudo para ele, mas a nascente desse rio era desconhecida. Canaã, ao contrário, não tinha nenhum rio caudaloso. Um “ribeiro”, por assim dizer, era seu maior curso d’água: até mesmo o Jordão, comparado ao Nilo, era apenas um riacho em comparação com um rio. Mas ele tinha “fontes” brotando em todos os seus montes e vales. Suas correntes e canais podiam ser pequenos, mas ele estava repleto das fontes e nascentes dessas correntes.
Isso era exatamente o oposto do Egito. Lá, a corrente era poderosa, mas a fonte desconhecida; aqui, os canais eram pequenos e sem importância, mas as fontes eram todas conhecidas e apreciadas, juntamente com suas águas e ribeiros.
Refrigério do Egito ou de Canaã?
Sabemos que essas duas terras eram mistérios – a terra do Egito representando o mundo, ou o lugar da natureza, de onde os redimidos são chamados, e Canaã, o cenário de comunhão com Deus para o qual os redimidos são trazidos. As características das duas terras também têm significado.
O mundo pode prosseguir, suprindo-se da grande corrente de misericórdias providenciais diárias e deixar a fonte ou a origem dela completamente em segredo, enquanto o crente ou a Igreja tem relação com a grande Fonte ou Origem em todas as coisas e em todo lugar. Uma fonte deve ser conhecida em cada colina e em cada vale, e, se os pequenos ribeiros forem provados, sabe-se bem onde eles nascem e de que entranha no vale ou na montanha eles brotaram.
Suprimento desconhecido e conhecido
Não há uma voz nisso? O próprio Nilo atraía a atenção do mundo, enquanto sua nascente era um mistério. Nenhum rio em Canaã valia a atenção de um geógrafo, pelo menos na escala dos rios, mas cada colina e vale ali tinham suas frescas e doces fontes. E podemos nos perguntar: em qual terra nos sentimos mais em casa? Gostamos de andar em um lugar cheio da presença de Deus, como Canaã, ou escolheríamos um lugar como o Egito, onde podemos obter todos os suprimentos providenciais, enquanto mantemos a grande Fonte deles a uma distância desconhecida?
O caráter do céu também é representado por esta Canaã. Certamente será um descanso; será a libertação de um deserto árido e devastado, mas será um descanso cheio da presença de Deus e das incessantes e permanentes testemunhas dessa presença. A Fonte estará por toda parte (Ap 7:17).
Que possamos acolhê-la mais por causa disso e, quanto mais pudermos habitar na presença da Fonte, mais satisfeitos fiquemos. Se subirmos uma colina ou descermos um vale, que a Fonte encontre nossos olhos alegres.
J. G. Bellett (de um livro de cartas não mais publicado)
Águas Refrescantes
De tempos em tempos, diferentes assembleias são capazes de agir conforme a Palavra do Senhor a Moisés. “Ajunta o povo e lhe darei água”. Estando assim reunidos, os santos dependem de Deus e precisam clamar: “Brota, ó poço” (Nm 21:16-17). Essa é uma cena do deserto, e os nobres estão ali com cajados em sinal de seu caráter peregrino e, ao comando do legislador, cavam a areia do deserto. Isso seria totalmente inútil em circunstâncias comuns, mas na bondade de Deus as águas refrescantes brotam e um cântico irrompe.
Acsa era uma mulher de fé confiante, uma fé que Deus Se deleita em reconhecer, dando abundantemente além de tudo o que pedimos ou pensamos. Ela induziu seu marido, Otniel, a pedir a seu pai um campo. Calebe lhes deu uma boa porção de terra ao sul. Mas uma terra ao sul sem água logo secaria, então ela pede mais. “Dá-me também fontes de água” (Js 15:18-19). Então ele deu a ela as fontes superiores e as fontes inferiores.
Fontes superiores
Deus nos trouxe para a luz do Seu favor, e Ele também nos dá fontes superiores e inferiores para manter nossa alma em frescor e fertilidade no gozo desse favor, apesar de tudo o que possa vir para secá-las. Bebemos das fontes superiores quando olhamos para cima e encontramos tudo em Deus. O salmista, no Salmo 87:7, diz: “Todas as minhas fontes estão em Ti”. Ele estava extraindo sem reservas das fontes superiores que são inesgotáveis. O mesmo aconteceu com o apóstolo Tiago quando escreveu: “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em Quem não há mudança nem sombra de variação” (Tg 1:17).
Fontes inferiores
Que Deus nos dê a beber profundamente de nossas fontes eternas, para que possamos nos gloriar “em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5:11). Mas estamos em um mundo que é contrário a nós, onde a doença, a tristeza e o sofrimento abundam e, às vezes, afetam a nós mesmos e aos nossos entes queridos. Então, precisamos recorrer às fontes inferiores e encontrar Deus em tudo. Paulo tinha certeza disso quando escreveu em Romanos 8:28: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito”. Nosso coração deve extrair dessa mesma bendita certeza. Essas coisas que parecem as mais dolorosas e tristes, e que poderíamos pensar serem tão diferentes d’Ele, estão entre as “todas as coisas” nas quais Ele está e que Ele está fazendo com que contribuam para o nosso bem.
Ezequias aprendeu que sua doença e suas lágrimas amargas estavam entre as coisas pelas quais “vivem os homens” (TB) e nas quais estava a vida de seu espírito (Is 38:16). Damos muita importância às nossas bênçãos temporais, mas Deus, ao suprir as nossas necessidades, tem especialmente em vista o nosso bem-estar espiritual. Ele deseja que encontremos, em circunstâncias difíceis e dolorosas, aquelas fontes inferiores pelas quais o nosso bem-estar espiritual é mantido e aumentado. Isso é abençoadamente evidenciado no Salmo 84:5-7. O homem cujo coração está nos caminhos de Deus, ao passar pelo vale de Baca, ou enquanto chora, faz dele uma fonte. Sendo assim revigorado, ele avança de força em força, fazendo das provações e tristezas, por assim dizer, degraus para uma maior proximidade com Deus.
Cavando poços
Encontramos palavras de advertência e encorajamento em Gênesis 26:15-20. Isaque descobriu que os poços que seu pai havia cavado, os filisteus tinham entulhado com terra. O mundo tentará ocupar o crente com coisas terrenais, a fim de obstruir os poços de refrigério e instrução nas verdades de Deus que os santos de gerações anteriores, agora em repouso, cavaram para nós, conforme registrado em seus escritos. Cavemos novamente, para que possamos extrair o bem daquilo que o Espírito revelou a eles. Mas não nos limitemos a apenas cavar de novo os poços antigos; Isaque cavou novos. O inimigo tentou se opor a ele e impedi-lo, como sempre faz, mas a energia espiritual triunfou, e o poço de Reobote deu a ele paz e abundância.
Permitam-me exortar os jovens não apenas a ler os valiosos escritos de homens ensinados por Deus, mas a estudar a Palavra diligentemente com a orientação do Espírito. A água desses poços frescos abertos por vocês, em dependência e comunhão com Deus, será ainda mais doce e fresca do que aquela que outros cavaram para vocês.
Mananciais de água
“Um manancial fechado, uma fonte selada” (Ct 4:12 – TB). Assim é a esposa para o noivo. Até agora, temos considerado o que Deus é para nós e quais fontes de água viva Ele nos provê, mas esse versículo nos mostra o que nós, como esposa, somos para Cristo. O pensamento em “fechado... selada” é semelhante ao do “jardim fechado”: algo reservado para Seu deleite especial, algo para ser partilhado e usado quando e como Lhe aprouver. Em João 4:14, nosso Senhor Jesus fala da fonte de água que jorra para a vida eterna. Aqui, a fonte que Ele colocou dentro do crente é aberta e no poder do Espírito Santo jorra para Deus, sua origem, naquela adoração em Espírito e em verdade que Ele busca e que traz refrigério ao Seu coração.
Que privilégio que o transbordar de corações como o nosso, preenchidos por Ele mesmo, possa assim se elevar naquilo que Lhe dá alegria – nossos louvores, adoração e ações de graças. Em João 7:37-38, o Senhor Jesus promete dar ao sedento que se aproxima d’Ele água viva em abundância. Quando Ele abre as comportas, “rios de água viva” fluem para os sedentos ao redor, no poder do Espírito Santo que Ele lhes daria quando fosse glorificado. Assim, ao jorrar e fluir, o Senhor recebe refrigério e é glorificado.
Rios que fluem
Em conexão com os rios que fluem de um centro, veja como em Gênesis 2:10 nos é dito que o rio do Éden fluía, dividindo-se em quatro braços, levando bênção e refrigério universalmente. Isso é o oposto dos rios da Terra, onde vários rios pequenos se unem para formar um grande. Com as fontes ou rios de Deus, a plenitude é tão infinita que pode se dividir e ainda fluir com plenitude e poder que não diminuem. Que possamos aprender cada vez mais a nos regozijar em tudo o que Deus é para nós e por nós! Assim, encontramos, tanto nas fontes superiores quanto nas inferiores, a porção satisfatória e sustentadora de nossa alma. Como resultado, Cristo pode receber as águas que jorram em adoração e ser glorificado pelos rios que fluem em serviço para Ele segundo Seu comando.
W. H. Fosbery (adaptado)
Um Novo Poço – Jorrando para a Vida Eterna
Um fato que ilustra bem a grande verdade do Cristianismo ocorreu há muitos anos em uma pequena vila na costa oeste da Escócia.
O sistema de esgoto do local precisava de melhorias e limpeza e, durante a obra, um dos principais poços da cidade, de onde se abastecia água limpa para as famílias da região, poluiu-se devido ao contato com o esgoto. Assim que a causa do desastre foi descoberta, medidas corretivas foram iniciadas, na esperança de restaurar a fonte, agora contaminada, à sua pureza original. Todos os esforços que a habilidade e a engenhosidade poderiam sugerir foram considerados, mas sem sucesso. Pensou-se que seria possível limpar e lavar o antigo poço, mas a tarefa foi abandonada por se mostrar inútil. Em seguida, foi sugerido que, se a antiga construção do poço – areia, pedras, etc. – fosse removida e um novo poço fosse construído, o objetivo desejado seria alcançado. Muitas opiniões conflitantes prevaleciam quanto à possibilidade de sucesso. Este ou aquele plano deveria ser colocado em execução? Por fim, decidiu-se chamar um homem cuja ocupação era a de construtor de poços e que tinha muitos anos de experiência nessa área. Ele correspondeu plenamente ao que se esperava, pois, quando chamado e questionado, sua resposta foi, de forma clara: “Não é possível obter água pura e doce de uma fonte poluída pelo esgoto como esta, seja limpando a antiga estrutura do poço, ou removendo a antiga estrutura e construindo uma nova. É preciso construir um novo poço, com novas pedras, areia nova e em um lugar inteiramente novo”. Aconteceu de eu entrar justo quando isso estava sendo dito, e, quando ouvi, me impressionou que imagem do Cristianismo era aquela! Também me impressionou o quão pouco compreendido é o Cristianismo!
As coisas velhas já passaram
Devemos entender que o homem em seu estado natural é um poço poluído – contaminado em sua fonte e em sua natureza corrompida! O que deve ser feito? O coração de Deus transborda de amor pelo homem culpado, enquanto o coração do homem transborda de ódio ou indiferença pelo Deus bendito. O que deve ser feito? Deus precisa deixar de lado esse poço imundo (o homem). A fonte está poluída em sua origem; o homem é irreparável. Então, Deus envia Seu próprio Filho bendito, o Senhor Jesus Cristo, a este mundo, cenário da desonra que Lhe foi feita, bem como testemunha da ruína e degradação do homem. Aqui, onde o homem falhou completamente em glorificar a Deus, Cristo, Aquele Homem belo e perfeito, glorificou perfeitamente a Deus. Que pensamento maravilhoso – “O Filho unigênito, que está no seio do Pai, Esse O revelou” (Jo 1:18), é Aquele que vem a este pobre mundo, que estava distante de Deus, para revelar os segredos daquele seio ao pobre homem. A história do homem agora está encerrada; o velho poço não tem conserto. Mas isso não é tudo, pois Aquele que em graça assim Se entregou “foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai” e Se torna agora, como ressuscitado, a nova posição para o novo poço. Por isso está escrito: “Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. E tudo isto provém de Deus” (2 Co 5:17-18).
E tudo provém de Deus
Oh, que palavras maravilhosas são essas, “e tudo isto provém de Deus”! A posição é de Deus, o edifício sobre ela é de Deus, o Construtor é Deus. Assim como no caso do poço, a antiga posição, a argamassa, as pedras e a areia foram todas colocadas de lado como imprestáveis; assim, também na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, o homem edificado como pecador, como filho de Adão, é inteiramente julgado e posto de lado. Não somente seus pecados são removidos, mas aquilo que os cometeu, sua natureza caída, é condenado. No Senhor Jesus Cristo ressuscitado dentre os mortos, a nova era ou segundo volume da nossa história se abre, e na página do título desse volume está inscrito: “Tudo isto provém de Deus”.
Que o Senhor, o Espírito, abra os corações para que vejam a grande salvação de Deus, como Ele resolveu a questão do velho poço com sua fonte corrompida. Que poço magnífico Ele abriu em Seu Filho ressuscitado dos mortos, o Segundo Homem, o Último Adão, que deu fim, em Sua morte, ao primeiro homem e agora ressuscitou como Cabeça da nova criação!
W. T. Turpin
Uma Fonte Turvada e Um Poço Contaminado
Frequentemente lemos na Palavra de Deus sobre o refrigério que se pode obter de uma fonte ou de um manancial de água, bem como de um poço puro. Mas também lemos que “como fonte turvada, e manancial poluído, assim é o justo que cede diante do ímpio” (Pv 25:26).
Talvez alguns de nós, sem saber, tenhamos bebido água de uma fonte impura, como uma fonte que foi “turvada” ou um poço que foi contaminado (ou poluído). A água pode ter tido um gosto bom, mas algum tempo depois as impurezas nela presentes nos deixaram doentes. Às vezes, a doença pode ser leve, como uma dor de estômago por algumas horas, mas outras vezes os resultados podem ser graves e até fatais. Doenças como cólera, febre tifoide, hepatite e poliomielite podem todas vir de água contaminada.
“Cambalear” diante dos ímpios
Aqui em Provérbios, o Espírito de Deus usa o exemplo da água poluída para nos lembrar da poluição moral e de como um homem justo pode ceder ou “cambalear” diante dos ímpios. Cambalear significa ser instável ao caminhar e estar sujeito a cair facilmente. Esperamos que um homem justo se levante diante dos ímpios e defenda o que é correto; não esperamos que ele “ceda”, ou talvez “cambaleie” e seja inseguro consigo mesmo.
Pode haver muitas razões diferentes pelas quais um homem justo poderia agir assim. Talvez um bom exemplo seja Ló, sobrinho de Abraão. Ló gostava da “campina do Jordão” que era “toda bem regada” (Gn 13:10), embora sua ida para lá o tenha aproximado da ímpia cidade de Sodoma. Por fim, Ló mudou-se para essa cidade e chegou a estar “assentado à porta de Sodoma” (Gn 19:1) – o local onde se realizava a administração da cidade. Devido à sua posição ali e à sua preferência pelo clima e conforto do lugar, ele acabou “cedendo” aos ímpios. Talvez ele pensasse que poderia ser uma boa influência para o lugar, mas, em vez disso, Sodoma foi uma má influência para ele. A Palavra de Deus se refere a ele como o “justo Ló” e como um “homem justo” (2 Pe 2:7-8 – JND), mas ele falhou ao não expor nem falar contra o terrível mal em Sodoma. Por fim, ele, sua esposa e suas duas filhas tiveram que ser arrastados para fora da cidade, pouco antes de o Senhor trazer o juízo sobre ela.
É verdade que, quando os dois anjos chegaram a Sodoma para investigar o que estava acontecendo, Ló os convidou para sua casa e lhes ofereceu refrigério, mas infelizmente isso estava misturado a todo o mal ao seu redor – um mal contra o qual ele parecia incapaz de falar ou agir. Ele era, de fato, uma fonte turvada e um poço contaminado.
Tudo isso deve servir de alerta para cada um de nós. Em um mundo que se torna cada vez mais ímpio, é fácil se comprometer e ceder diante dele, em vez de se posicionar corajosamente pelo Senhor e pela justiça. Não podemos impor justiça a este mundo, mas podemos ser um testemunho para Ele e, acima de tudo, lembrar a este mundo não apenas do juízo vindouro, mas também do caminho de Deus para escapar por meio da fé no Senhor Jesus Cristo.
W. J. Prost
Água Doce e Amarga
Há mais de 50 anos, um irmão que viajava na obra do Senhor estava visitando uma determinada localidade. Durante a visita, um irmão em Cristo que morava naquela região convidou o irmão visitante para almoçar com ele. Como o irmão local tinha seu próprio negócio, o irmão visitante combinou de encontrá-lo em seu local de trabalho, e, juntos, eles iriam almoçar num restaurante próximo.
Quando o irmão visitante chegou na hora marcada, a secretária do irmão local o informou que seu chefe estava com um sócio e estaria disponível em alguns minutos. Ela indicou ao irmão visitante um assento para aguardar. Durante o tempo em que esperou, ele não pôde deixar de ouvir a conversa entre o irmão local e seu sócio. Vozes se elevaram e palavras desagradáveis foram trocadas de ambos os lados. Obviamente, uma discussão acalorada estava acontecendo. Depois de alguns minutos, o sócio saiu, e o irmão local saiu e ficou surpreso e constrangido ao perceber que o irmão visitante tinha ouvido a conversa. No entanto, ele se desculpou dizendo: “Nosso Cristianismo é uma coisa, mas negócios também são negócios, não é mesmo, irmão?” Sua conduta foi um bom exemplo do que lemos em Tiago 3:11-12: “Porventura deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa? Meus irmãos, pode também a figueira produzir azeitonas, ou a videira figos? Assim tampouco pode uma fonte dar água salgada e doce”.
Histórias como essa são muito comuns entre os crentes em Cristo, e talvez alguns de nós já tenhamos sido culpados por comportamento semelhante. É fácil parecer semelhante a Cristo quando tudo está indo bem, mas é mais difícil quando interagimos com pessoas deste mundo (e talvez, às vezes, com outros Cristãos?), que podem ser irracionais e difíceis de tratar. Além disso, nós mesmos podemos estar num estado de espírito errado e contribuir para a “água amargosa”. Como Cristãos, temos uma nova vida que ama a justiça e, quando aqueles com quem convivemos neste mundo às vezes demonstram injustiça, podemos reagir fortemente contra ela. Qual é então a resposta? Como podemos produzir consistentemente “água doce”?
Não espere justiça
Em primeiro lugar, devemos reconhecer que os incrédulos neste mundo não têm uma nova vida em Cristo; eles têm apenas aquela velha natureza que não pode fazer nada além de pecar. No mundo dos negócios, como em outros aspectos da vida aqui na Terra, as pessoas geralmente são ensinadas a serem agressivas, usando qualquer tática possível para obter vantagem. Quando eu era jovem, um irmão mais velho costumava nos lembrar: “Não esperem justiça em suas relações com um mundo injusto”. O mundo não mudou moralmente desde os dias de Caim, e, embora possamos ser gratos pela influência que o Cristianismo teve em algumas partes do mundo, devemos continuamente perceber que ele continua sendo o mundo de Caim. Embora possamos e devamos buscar alcançar a consciência dos homens, devemos lembrar que não é tarefa do Cristão endireitar este mundo. Mas então alguns talvez perguntem: Como podemos evitar ser vítimas constantes da injustiça ou, como o mundo diria, “ser transformados em capachos o tempo todo”?
Eu diria que estar em comunhão com o Senhor seria a resposta, e perceber três coisas. Primeiro, é mais importante honrar o Senhor do que vencer a discussão ou obter vantagem em qualquer questão. Vencer a discussão ou “levar a melhor” sobre quem está contra nós pode render um ganho temporário, mas honrar o Senhor nos renderá uma recompensa que durará por toda a eternidade. Estamos dispostos a abrir mão da vantagem presente em troca de ganho futuro? Vai valer a pena.
Uma resposta calma e cuidadosa
Segundo, uma resposta calma e cuidadosa vinda do Senhor tocará a consciência de outra pessoa muito mais do que palavras fortes. Devemos lembrar que “a ira do homem não opera a justiça de Deus” (Tg 1:20). Eu soube de outra situação em que um sócio mentiu deliberadamente para um irmão. Quando o irmão o confrontou, o sócio defendeu sua mentira, insistindo que havia dito a verdade. Mas o irmão persistiu com calma, apontando que na ocasião ele havia escrito o que o outro havia dito e lembrando-o de que “os lábios mentirosos são abomináveis ao SENHOR” (Pv 12:22). A consciência foi tocada, e o sócio, embora não estivesse disposto a usar o termo “mentiu”, admitiu que sua conduta “não tinha sido muito profissional”. A Palavra de Deus tem poder, e, quando a usamos, o Senhor recebe a glória.
O Senhor está acima do resultado
Terceiro, em qualquer interação com as pessoas deste mundo, devemos reconhecer que o Senhor está acima de todos os resultados. Podemos manter com calma e firmeza o que achamos certo, mas ocasionalmente descobriremos que os outros não cederão e que teremos que ceder. No entanto, se honrarmos o Senhor, Ele nos compensará, e, se não nesta vida, na eternidade. Ele sabe como cuidar dos Seus, e devemos lembrar que “aos que Me honram honrarei” (1 Sm 2:30). Embora não busquemos recompensa neste mundo, o Senhor frequentemente Se agrada em reconhecer e honrar aqueles que O honram, mesmo nesta vida.
Cada um de nós, como crentes, ainda possui a velha natureza pecaminosa, e todos sabemos como ela pode facilmente se levantar quando provocada. Podemos pensar que estamos operando a “justiça de Deus” quando na verdade é apenas a “ira do homem”. Esse tipo de situação não ocorre somente no mundo dos negócios; pode acontecer em qualquer situação em que haja atrito. Sim, há lugar para a justa indignação, pois nos é dito: “Irai-vos e não pequeis” (Ef 4:26). Mas tenhamos certeza de que nossa indignação é por causa do insulto feito ao Senhor, e não por causa de perda ou inconveniência pessoal. Busquemos sempre que nossa fonte dê água doce!
W. J. Prost
Cisternas Rotas Que Não Retêm Água
Temos três grandes inimigos sempre buscando nos vencer: o mundo, a carne e o diabo. E, na proporção em que damos lugar a qualquer um deles, nos afastamos de Deus. Encontramos os três no caso de Pedro em Lucas 22. Nos versículos 45 e 50 ele é levado pela carne, ao dormir quando deveria estar vigiando, ao atacar quando não deveria ter resistido. Nos versículos 54 e 55, ele é desviado pelo medo do mundo: primeiro, ao se afastar para longe do lado de Cristo; segundo, pela comunhão com Seus inimigos. E, por último, nos versículos 57, 58 e 60, ele é levado três vezes pelo diabo: a negar a Cristo, a jurar e a negá-Lo novamente.
Pode-se, de fato, dizer que tal conduta é prenunciada no primeiro Salmo. O conselho dos ímpios, os ditames da razão carnal, levaram à agressão com a espada; o deter-se no caminho dos pecadores é ilustrado ao ficar em pé parado e se aquecer; enquanto o sentar-se na roda dos escarnecedores é encontrado no versículo 55.
O caminho do que se afasta
E agora, o que dizer de nós? Ouçam as seguintes palavras:
Não há no vasto mundo coração tão infeliz quanto aquele que foi desviado da santidade e da alegria da obediência para os caminhos do egoísmo e do pecado.
“Que horas de paz eu outrora desfrutei,
Quão doce ainda é a sua lembrança!
Mas elas deixaram um vazio doloroso,
Que o mundo jamais poderá preencher.”
E essa é a linguagem, em poesia ou em prosa, da alma cujo primeiro amor foi deixado; que, infelizmente, de uma forma ou de outra, abandonou o Senhor para desfrutar os favores do mundo.
“Meu povo fez duas maldades: a Mim Me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm águas” (Jr 2:13). Tal foi a lamentação de Deus no passado. Quão corretamente Ele Se intitulou “o Manancial de águas vivas” – a fonte e manancial de bênçãos; e quão solenemente descritiva é a expressão “cisternas rotas, que não retêm água”, da experiência adquirida ao nos apartarmos d’Ele.
Ele sabe onde se encontra a bênção. Nós, infelizmente, muitas vezes em meio a mares de tristeza, temos que aprender que as cisternas às quais recorremos estão, na verdade, rotas, e que não retêm água, e que resta, como único resultado de nossa decadência, um vazio doloroso, um coração distraído e descontente – um estado de espírito, de fato, que não teve paralelo nas horas mais miseráveis de nossos dias quando não éramos convertidos.
Ah, por trás de muitos rostos sorridentes, por trás de muitas risadas vibrantes, debaixo de muita atividade forçada e esforço anormal, encontra-se um coração miserável, que procura por esses meios esconder o fato de seu afastamento de Deus.
E, no entanto, quão vão é esse esforço – quão vazia aquela risada! Mas também a Palavra de Deus se mostrará eficaz, ainda que por muito tempo desprezada; e a alma rebelde, embora conduzida por caminhos de profunda e perscrutadora provação, descobrirá que o amor com que era amada era um “amor eterno”. Tal amor poderia voltar seu olhar, pleno e perdoador, para um pobre Pedro que falhou, e operar, por meio de seu silencioso, porém ferido, olhar, a completa restauração dele.
Deixaste o teu primeiro amor
Você não reconhece e sente a verdade dessas palavras? Não consegue se lembrar, com o coração angustiado, das brilhantes e santas memórias do passado, da outrora amada Bíblia, do lugar “onde se costumava fazer oração”, do feliz trabalho para o seu Senhor? Pode ser que alguma tarefa pobre, fria e formal, professamente para Ele, ainda ocupe você, mas o tempo todo você ouve a voz d’Ele sempre dizendo a você: “Deixaste o teu primeiro amor”. Gradualmente, você não apenas deixou as coisas que um dia amou, mas voltou àquelas que um dia odiou por causa de Cristo. O romance envolvente, corroendo seu cérebro e seu tempo, a canção mundana, as diversões deste mundo, tudo isso está prendendo suas correntes em torno de você, e você não está feliz. Você tenta estar, mas não consegue. Você inveja a feliz despreocupação das almas mortas ao seu redor. Elas não sentem remorso; os prazeres do mundo não contêm para elas nenhum ferrão oculto. Elas nunca conheceram e amaram o Salvador que você abandonou. A voz da consciência não lhes diz incessantemente, como a você: “Você está agindo errado. Você está pecando contra a luz.”
Considere agora, onde foi o seu primeiro passo de afastamento? Não era tão pequeno a ponto de ser quase imperceptível? Você não começou jogando fora sua Bíblia por um romance; você não trocou imediatamente a reunião pela sala de concertos. Não! A primeira coisa foi uma negligência gradual da leitura e da oração privadas. À medida que seu coração esfriava e você perdia o interesse por isso, o diabo sussurrava: “Desista; não adianta continuar com formalidades; espere até que seu coração se aqueça novamente”, sabendo bem que, ao dizer isso, ele estava privando você do calor e da luz. E você o obedeceu. Você não leu nem orou esta manhã ao se levantar, nem ontem, nem anteontem. De fato, estou descrevendo um caso triste, mas, ainda assim, há graça abundante para enfrentá-lo.
A. T. Schofield
A Fonte da Oração
“A oração é uma obra segura e o prenúncio de bênçãos. Foi o que descobri em 46 anos de peregrinação. Tem sido um conforto para mim pensar assim, embora eu tenha me lembrado de uma verdade ainda mais preciosa. Se a oração é um canal de bênçãos, a fonte está em Deus e a fonte de bênçãos é Cristo Jesus. As bênçãos fluem livremente. Geralmente, o que nos leva a orar por mais é uma primeira gota de Seu rico amor e graça.”
“Preguei esta noite sobre 1 João 4, mostrando o que era o evangelho, o qual João queria que retivéssemos firmemente nestes últimos dias. Ultimamente, tenho pensado que vivemos muito longe d’Ele; nossa inquietação por causa dos malfeitores é uma prova disso.”
G. V. Wigram (trecho de uma carta, 1870)
Todas as Minhas Fontes Estão em Ti
Tu, fonte divina de alegrias que crescem,
Eterna fonte de paz sem fim,
E esperança mais segura, cujo fluxo constante
Da mais alta bem-aventurança jamais pode cessar.
Oh, quem entre todos nós pode dizer
As profundezas ilimitadas do amor divino,
Que Te trouxe aqui para com o homem habitar,
E graça e justiça combinar?
De Ti flui a corrente viva
Cujas águas alegram todo coração,
Que enche a alma de gozo supremo,
E cura suas feridas e alivia suas dores.
Das fontes terrenais nos afastamos –
Não mais cavamos cisternas rotas;
Com goles celestiais satisfazemos nossa alma,
Com água viva renovamos as forças.
Em Ti estão todas as nossas fontes mais frescas,
Fontes perenes que nunca secam;
Ansiamos por abrir nossas asas alegres
E subir para beber gozo celestial.
R. B.
“A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida”
Apocalipse 21:6
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