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O Espírito Santo (Fevereiro de 2006)

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Revista mensal publicada originalmente em fevereiro/2006 pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


          Tema da edição

          H. H. Snell, The Word and the Spirit”, The Christian Friend

         W. Kelly, adaptado

         J. N. Darby. Collected Writings, Vol. 7, págs. 97-100

          W. W. Fereday (adaptado)

         J. N. Darby

          Things New and Old, vol. 25, pág. 161

          J. N. Darby, Sinopse, Vol. 4, págs. 193-194

          J. N. Darby

          J. G. Bellett (adaptado)

W. W. Fereday (adaptado)

W. J. Prost

          Autor desconhecido

 

O Espírito Santo



Quando Jesus estava na Terra, Deus estava presente entre os homens na Pessoa do Filho. Agora Deus está presente na Terra na Pessoa do Espírito Santo, habitando tanto na Igreja coletivamente quanto no Cristão individualmente. Ele, o Espírito Santo, une o corpo de Cristo à sua Cabeça glorificada no céu.

O Espírito Santo comunica as coisas de Deus para os filhos de Deus e dá a cada filho o entendimento dos pensamentos e coração de Deus. Cada membro do corpo recebe dons do Cristo que foi elevado ao céu, e estes dons mostram a presença e poder do Espírito Santo.

A comunicação da nova vida pelo Espírito por meio da Palavra dá ao crente o desejo de viver de acordo com a vontade de Deus, a Palavra de Deus dá a ele o entendimento dessa vontade, e o Espírito Santo de Deus, habitando nele, dá o poder para viver uma vida em obediência – uma vida livre dos laços do pecado.

O Espírito Santo direciona e administra os negócios de cada Cristão e o guia para a unidade do espírito e atua entre todos os crentes, produzindo assim, quando Lhe é dado Seu devido lugar, um espírito de unidade e paz.

O Espírito produz adoração, unge para entendimento, sela aquilo que é de Deus, e é o penhor para com os crentes de tudo o que foi prometido a eles em Cristo.


Tema da edição

 

A Palavra e o Espírito


Um dos maiores erros é a separação prática entre a Palavra de Deus escrita e o ensinamento do Espírito de Deus. Por ser um erro tão comum e sério, exige constantemente nosso cuidado e vigilância. A confiança do homem em si mesmo para lidar com a verdade resultou na falta de dependência do poder do Espírito Santo, e assim os últimos dias são caracterizados por ter “aparência de piedade, mas negando a eficácia dela” (2 Tm 3:5). Não há dúvida de que o homem tem uma habilidade natural para entender as coisas naturais, mas “ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus” (1 Co 2:11). Somos totalmente dependentes do Espírito de Deus, seja para conhecer, para discernir ou para comunicar “as coisas de Deus”.

Satanás sempre procura anular a presente obra de Deus na Terra. Quando se tratava de confessar o único Deus verdadeiro, ele trouxe idolatria. Agora o Espírito Santo desceu para dar testemunho de Cristo e de Sua obra consumada, porém é declarado que o homem tem competência para falar das coisas de Deus. A grande característica do Cristianismo é a vinda do Espírito Santo para permanecer conosco para sempre, e Satanás procura fazer com que deixemos isto de lado de maneira prática. A doutrina do Espírito Santo pode ser crida em alguma medida, mas Sua obra atual é tão pouco considerada que Ele é tanto entristecido quanto extinguido. Porque Ele não é mais conhecido de forma pessoal e particular, Seu poder não é conhecido corporativa e publicamente.


A harmonia com a Palavra

Alguns, no entanto, foram para o outro extremo e fingiram ter a orientação do Espírito apartada da Palavra. Como resultado, eles caíram nas mais extravagantes loucuras e erros. A Escritura ordena que tenhamos ouvidos para ouvir o que Deus diz em Sua Palavra em dependência consciente da orientação de Seu Espírito. Fazer separação entre a Palavra e o Espírito é fatal para um verdadeiro entendimento da mente de Deus, pois os dois estão unidos por toda a Escritura.

No início da Palavra de Deus temos Deus falando e o Espírito Se movendo. A Palavra do Senhor, trazida por Moisés e pelos profetas, foi escrita e falada pelo Espírito, pois “os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1:21). Quando alguns voltaram do cativeiro, eles deveriam agir de acordo com a Palavra de Deus “como está escrito”, enquanto o profeta lhes assegurava que o Espírito de Deus permanecia entre eles (Ag 2:5).

Quando o Espírito Santo desceu após a ressurreição de nosso Senhor, todos os crentes “foram cheios do Espírito Santo e anunciavam com ousadia a Palavra de Deus” (At 4:31). Finalmente, temos o exemplo perfeito em nosso bendito Mestre, que, sempre guiado pelo Espírito, lutou pela autoridade da Palavra escrita. Aquele em Quem o Espírito desceu como uma pomba constantemente colocou Seus inimigos em silêncio, dizendo: “Está escrito”.


Falando de Cristo

Não podemos negligenciar uma terceira verdade dada a nós com tudo isso, a saber, que a Palavra e o Espírito sempre falam de Cristo. Quando o Senhor Jesus falou da futura vinda do Espírito Santo, Ele pôde dizer: [Ele] não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará... porque há de receber do que é Meu e vo-lo há de anunciar” (Jo 16:13-14). Aqueles que foram cheios do Espírito, mencionados em Atos, não apenas “anunciavam com ousadia a Palavra de Deus”, mas também deram “testemunho da ressurreição do Senhor Jesus” (At 4:33). Estevão também, sob o poder do Espírito de Deus, usou a Escritura de maneira ampla ao dirigir-se a seus ouvintes, mas depois ficou tão envolvido com Cristo que O viu em pé à destra de Deus. Certamente o Espírito, a Palavra e Aquele de Quem Eles falam é um cordão tríplice que não pode ser facilmente quebrado.

O que aprendemos com isto? Aprendemos que a Palavra escrita, tendo sido dada pelo poder do Espírito, precisa do Espírito para trazê-la ao nosso coração. Além disso, quando o Espírito age pela Palavra em nós, isso estará nos conectando com o ministério de Cristo e produzirá em nós uma conduta de acordo com Ele. Se o intelecto tem permissão para trabalhar na Palavra de Deus sem o Espírito, podemos ficar inchados com o conhecimento. Isso levará a uma caminhada com um nível baixo enquanto professamos possuir as mais altas doutrinas. Mas se estivermos ocupados com a Palavra no poder do Espírito, teremos cuidado com tudo aquilo que a Palavra ensina. Haverá coerência em todos os caminhos em que somos chamados a andar. Procuraremos honrar a Deus em nossa caminhada pessoal, em nossa vida familiar e em nossos relacionamentos com a assembleia. Quando um crente não é coerente quanto à conduta geral, isso pode frequentemente ser atribuído à separação prática da Palavra de Deus e do Espírito de Deus. Que sejamos achados lendo a Escritura, ponderando sobre ela em oração e dependência do Espírito Santo, e aprendendo mais dela com Cristo!


H. H. Snell, The Word and the Spirit”, The Christian Friend

 

O Consolador 


Poderíamos naturalmente extrair da palavra “Consolador” que este termo estava relacionado a tristeza, e que insinua uma Pessoa que iria nos consolar no meio das aflições deste mundo, e, de fato, o Espírito Santo nos consola e conforta. Mas esta é apenas uma parte muito pequena das funções transmitidas por esta palavra. Ele é Aquele que é identificado com os nossos interesses, Aquele que empreende toda a nossa causa, Aquele que Se empenha em nos assistir no meio das nossas dificuldades, Aquele que em todos os sentidos Se torna nosso Representante e o grande Agente pessoal que transaciona todas as nossas questões para nós. É Alguém que é absolutamente e infinitamente competente para empreender para nós tudo o que Ele pode fazer em nosso favor, seja qual for o limite de nossa necessidade, seja qual for a nossa necessidade em qualquer dificuldade, quaisquer que sejam as exigências da graça de Deus para a bênção de nossa alma. Tal é o Espírito Santo agora, e quão abençoado é ter Alguém assim.


W. Kelly, (adaptado)

 

Adorar em Espírito


Cristo levou o nosso pecado, nos purificou de toda contaminação e nos tornou aptos para estarmos na presença de Deus, e para que pudéssemos desfrutar desta bendita realidade, Ele conquistou para nós, ao mesmo tempo, o dom do Espírito Santo. Quando fomos nascidos de novo, não apenas recebemos uma nova natureza, que é santa e capaz de ter sentimentos adequados à posição em que a graça nos colocou diante de Deus, mas recebemos o Espírito Santo, que nos mostra, revela e comunica coisas divinas e Aquele que desperta sentimentos tais quais deveriam ser despertados. Somos fortalecidos pelo Espírito no homem interior, a fim de que, estando enraizados e fundados em amor, Cristo habite em nosso coração pela fé, e que possamos ser capazes de compreender com todos os santos qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que possamos ser preenchidos com toda a plenitude de Deus (Ef 3:16-19).

O amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5:5). Ele toma as coisas de Cristo e as mostra para nós, e tudo o que o Pai tem é de Cristo (Jo 16:15; 17:10). As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem – são as que Deus preparou para os que O amam – Mas Deus no-las revelou pelo Seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus (1 Co 2:9-10).

O Espírito Santo é a “unção” que recebemos de Deus, pela qual podemos “conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus” (1 Co 2:12), pela qual “sabeis tudo” (1 Jo 2:20). Ele é o selo que Deus colocou sobre nós até o dia da redenção, pois Deus estabeleceu Sua marca apropriada para aquele dia de glória naqueles que creem. O Espírito Santo é também “o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus”. Ele nos dá plena certeza da eficácia da obra de Cristo. Ele nos transmite o conhecimento da posição em que fomos colocados, purificados pelo sangue do Salvador e, portanto, sem mancha aos olhos de Deus. Pelo Espírito Santo, o amor de Deus, de onde todas essas bênçãos realizadas fluíram, é derramado em nosso coração. Ele é o originador de todos os pensamentos e afeições que respondem a esse amor.

Mas Ele faz mais – Ele é mais do que tudo isso por nós. “Mas o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito” (1 Co 6:17). Isso não é meramente uma imaginação, um sentimento, isso é um fato. O mesmo Espírito, cuja plenitude está em Cristo, permanece em nós e estamos unidos a Cristo como membros de Seu corpo, de Sua carne e de Seus ossos (Ef 5:30). Em um só Espírito todos nós fomos batizados, para que pudéssemos ser um só corpo (1 Co 12:13). Ele não é somente o poder, o elo desta união, mas Ele nos dá a consciência disso. “Naquele dia, conhecereis que estou em Meu Pai, e vós, em Mim, e Eu, em vós” (Jo 14:20).

O Espírito Santo, então, nos dá antes de mais nada a certeza de nossa redenção. Onde o Espírito está, há liberdade, pois Ele nos revela a glória de Cristo, conforme apresentado na Escritura, como fez outrora a Estevão, que, cheio do Espírito Santo, contemplou a glória de Deus e o Filho do homem à destra de Deus. Além disso, Ele nos dá a consciência de nossa união com Cristo no alto. Sabemos que somos vivificados juntamente com Ele, ressuscitados juntamente e então nos fez assentar juntos nos lugares celestiais em Cristo. Além de tudo isso, Ele derrama abundantemente o amor de Deus em nosso coração, o manancial e fonte de gozo para nós, de piedade para com este pobre mundo, e de amor para com toda a família de Deus.

Outra verdade de menor importância, mas muito preciosa em seu lugar, depende dessa presença do Espírito Santo: A que somos do mesmo corpo e, portanto, “membros uns dos outro” (Rm 12: 5). Se Cristo é a Cabeça do corpo, cada Cristão é um membro dele e consequentemente é unido pelo Espírito Santo, que forma o vínculo do todo em todos os outros membros.

O mesmo Espírito habita em cada Cristão, seu corpo é o templo do Espírito Santo (1 Co 6:19). E os crentes sendo vivificados e unidos, eles, como um todo, também são Seu templo (1 Co 3:16). Deus habita ali pelo Seu Espírito de maneira menos palpável mas muito mais excelente do que no templo de Jerusalém.


A verdadeira adoração Cristã

Agora é em sua posição, de acordo com a revelação gloriosa de Deus, e pelo Espírito que Ele nos deu, para que possamos desfrutar de todos os privilégios benditos que são nossos, que a verdadeira adoração Cristã é oferecida a Deus.

Sabendo o que Deus é, e o que Ele é por nós – contemplando a Ele, sem um véu, de acordo com a perfeição de Seu amor e Sua santidade – estando capazes de estar na luz, assim como Ele mesmo está na luz – o objeto do amor daquele que não poupou nem mesmo Seu Filho amado, para que nós possamos ser participantes disso – e tendo recebido o Seu Espírito, para que possamos compreender este amor e sermos capazes de adorá-Lo de acordo com o desejo e afeições de Seu coração por nós, rendemos adoração a Ele em resposta a revelação que Ele tem feito de Si mesmo neste mistério do amor que até mesmo os anjos desejam se atentar e pelo qual Ele fará conhecido, nos séculos vindouros, as abundantes riquezas da Sua graça em Sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.

Mas ainda permanece um outro elemento de nosso culto racional – o caráter do “Pai”. Deus deve ser adorado em “espírito e em verdade”, pois Ele é Espírito, mas é como “Pai” que Ele “procura a tais que assim O adorem”.

Adorar “em espírito” é adorar de acordo com a verdadeira natureza de Deus e no poder dessa comunhão que o Espírito de Deus dá. A adoração espiritual está, portanto, em contraste com as formas e cerimônias e toda a religiosidade da qual a carne é capaz.


J. N. Darby Collected Writings, Vol. 7, págs. 97-100

 

A Unção, o Selo, o Penhor e a Vivificação do Espírito

 

Em 2 Coríntios 1:21-22, o Espírito de Deus é trazido diante de nós sob três figuras marcantes. “Mas O que nos confirma convosco em Cristo e o que nos ungiu é Deus, o Qual também nos selou e deu o penhor do Espírito em nossos corações”. O apóstolo está apresentando o lugar estabelecido de bênção em que Deus introduziu todo crente em Cristo Jesus. Não estamos mais em Adão, expostos à morte e a condenação, mas em Cristo, e n'Ele encontramos todas as bênçãos propostas tornadas eternamente boas. Mas tão abundante é a graça do nosso Deus que acima de tudo isso, Ele nos deu o Espírito Santo como a unção, o selo e o penhor. Ele habita dentro de nós!


A unção 

O Senhor Jesus recebeu o Espírito desta maneira ao andar como Homem na Terra, como lemos: “o Teu santo Filho [Servo – ARA] Jesus, que Tu ungiste”, e “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude [poder – ARA] (At 4:27; 10:38). Esta foi uma expressão do prazer divino e complacência n'Ele pessoalmente. O Pai viu n'Ele perfeita dependência e obediência, o Espírito foi enviado sobre Ele em sinal de Sua plena aprovação e completa satisfação. Ele era a verdadeira oferta de manjares “amassados com azeite” (Lv 2:4). Os crentes são ungidos com o Espírito Santo em um princípio completamente diferente. Não é por causa do que Deus vê em nós, mas por causa do que os Seus olhos veem e do que o Seu coração encontrou no Cristo ressuscitado e exaltado.

Um grande resultado da unção é que temos comunhão com a mente de Deus. O Espírito Santo nos introduz no círculo dos pensamentos de Deus, conforme revelado em Sua Palavra. Não é suficiente que devamos nascer de novo: O Espírito deve ser possuído antes que qualquer avanço possa ser feito nas coisas de Deus. Por isso, quando o amado apóstolo advertiu os filhinhos contra os muitos anticristos que já existiam no mundo, ele mostra a eles duas coisas como salvaguardas: primeira: o ensino apostólico: “Portanto, o que desde o princípio ouvistes permaneça em vós” (1 Jo 2:24), e segunda: a unção: “E a unção que vós recebestes dele fica em vós” (1 Jo 2:27). As almas que se aproveitam assim e permanecem no círculo da instrução do Espírito são preservadas de todos os muitos esforços do inimigo. Nosso coração, então, desfruta do que o Espírito comunica e, portanto, está em posição para rejeitar as falsificações do diabo. Pode não haver capacidade de expor o erro que lhe é apresentado, mas se sabe que aquilo não é a verdade, e isso é suficiente para a alma simples.


O selo 

“Mas O que nos confirma convosco... O qual também nos selou”. O Senhor Jesus poderia dizer de Si mesmo: “o Pai, Deus, O selou” (Jo 6:27). O mesmo é verdade para todos os que creem, por meio de Sua morte e ressurreição. O selo segue a fé. Isso é bastante claro em Efésios 1:13. “E tendo n’Ele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa”. Era o selo da fé. É a fé na obra de Cristo que é selada pelo dom do Espírito Santo. Os crentes são assim marcados como pertencentes a Deus. Nossa conexão com o mundo foi quebrada, os grilhões que uma vez satanás nos atou foram cortados, e agora somos possessão de nosso Deus. Será que o coração de todos nós responde a isso? Estamos entregues, corpo e alma e espírito, a Ele para Seu serviço e glória? Que cada um de nós reconheça mais profundamente Suas reivindicações graciosas e nos rendamos inteiramente a Ele.

Que imenso conforto é saber que este Selo Divino nunca será removido de qualquer um de nós, nem mesmo do crente mais fraco. Muitos temem que o Espírito Santo seja realmente retirado, por causa de seus caminhos errados e modo de andar. Não mesmo. Deus me deu o Seu Espírito Santo sabendo bem o que eu deveria ser, e Ele O deu, não por causa do que Ele viu em mim, mas por causa do que Ele viu em Cristo. Isso nunca vai mudar. No entanto, uma caminhada santa e cuidadosa é exigida de nós, quando é nos é dito: “Não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no Qual estais selados para o dia da redenção” (Ef 4:30).


O penhor 

“O penhor do Espírito em nossos corações”. Isto tem em vista a herança futura. Deus pretende dar tudo no céu e na Terra ao Seu Filho amado. O usurpador pode ocupar atualmente parte de Seus domínios, mas o poder divino logo os tirará dele e os entregará ao Senhor Jesus. Ele compartilhará essa herança universal conosco, tal é o propósito do Seu coração. Mas isso não pode ser dado a nós ainda. Ainda existem propósitos a serem cumpridos e inimigos a serem derrubados. O Espírito de Deus habita, portanto, dentro de nós como o penhor (ou garantia) de tudo que está por vir. Ele é o penhor da nossa herança, para a redenção da possessão adquirida (Ef 1:14; 2 Co 5:5).


Despertar – O novo nascimento 

A obra de despertar do Espírito Santo na alma, produzindo a nova vida para Deus, onde uma vez reinou o pecado e a morte, é apresentada de forma muito simples em João 3. Nicodemos veio ao Senhor de noite. Ele tinha sido exteriormente convencido pelos milagres que o Senhor estava realizando, como muitos outros em Jerusalém naquela época (Jo 2:23). Ele começa dizendo: “Rabi, bem sabemos que és Mestre vindo de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que Tu fazes, se Deus não for com Ele”. O Senhor respondeu instantaneamente com a declaração solene: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus”.

Quão profundamente humilhante é isso! Aprendemos aqui o fato solene de que o homem em sua condição natural não pode perceber ou entender as coisas de Deus. Privilégios ou vantagens não fazem nenhuma real diferença. Nicodemos tinha muito dessas coisas. Ele era um judeu de alta posição, era um mestre entre seus companheiros, familiarizado com a letra da Escritura e, não temos motivos para duvidar, ele era moral e religioso. Que espécime mais justo da humanidade podemos encontrar!

Todos devem aprender, mais cedo ou mais tarde, que a natureza do homem é totalmente contrária a Deus, completamente má e corrupta diante d'Ele. Não é só que os homens fizeram coisas más, mas a própria natureza é má e está além de poder ser reparada. Poucos aceitam isso. Se eles se curvarem a isto, eles serão gratos por serem objetos da graça e amor soberano de Deus. Um homem deve nascer de novo, ou ele nunca pode ver ou entrar no reino de Deus.


Nascido da água e do Espírito 

Mas como isso é feito? Nicodemos não sabia dizer, nem muitos hoje em dia sabem, mas o Senhor Jesus explica. “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito”. Aqui nós temos isto em poucas palavras. É a obra direta do Espírito de Deus, agindo por meio da Palavra de Deus sobre a alma.

A água é um símbolo da Palavra de Deus, que o mestre judeu deveria ter entendido lendo passagens do Velho Testamento como Ezequiel 36:25 e Salmo 119:9. Os Cristãos têm este pensamento confirmado em Efésios 5:26 e João 15:3. O Espírito de Deus traz a Palavra sobre a alma, convencendo-a do pecado e revelando o Salvador morto e ressuscitado. A isto a alma se curva com fé e, assim, uma nova vida e natureza positivas são transmitidas. Como lemos em 1 Pedro 1:23: “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela Palavra de Deus, viva e que permanece para sempre”.

Isso não é algo peculiar ao Cristianismo. Desde que o pecado veio ao mundo, os homens foram assim graciosamente trabalhados pelo Espírito Santo. O que é peculiar a esse período é a habitação do Espírito, mas Sua operação vivificante na alma é verdadeira em todos os momentos, independentemente das diferenças dispensacionais. Mas a vida não foi revelada em seu caráter pleno e celestial, até que o Filho unigênito veio do Pai para o mundo.


W. W. Fereday (adaptado)

 

Entender e Comunicar as Coisas Espirituais 


O Espírito Santo é Aquele por Quem os apóstolos receberam as coisas espirituais, foram capazes de comunicá-las e por Quem, então, outros foram capazes de discerni-las (1 Co 2:12, 15). É o mesmo Espírito que os apóstolos receberam para que pudessem conhecer as coisas de Deus e por Quem outros as discerniram, isto é, o dom apostólico da revelação e da comunicação, e o dom do entendimento espiritual nas coisas no Cristão simples.


J. N. Darby

 

O Batismo do Espírito Santo 


O Espírito Santo foi “enviado do céu” e, bendito seja Deus, Ele ainda está aqui e permanecerá conosco para sempre. “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres” (1 Co 12:13). Este foi o batismo do Espírito Santo. Foi a formação do “um só corpo” na Terra, do qual Cristo é a Cabeça no céu. Obra maravilhosa! Quem senão uma Pessoa divina poderia ser suficiente para unir todos os crentes na Terra a Cristo, a Cabeça no céu e um ao outro em um só corpo? Isso foi feito pela vinda do Espírito Santo. Precioso mistério da graça, poder e sabedoria divina!

Se o próprio Espírito Santo está aqui e em nós, e Ele não dá o Espírito por medida, como poderíamos pedir uma medida adicional do Espírito? Impossível que uma alma inteligente e temente a Deus fizesse isso! E se o batismo do Espírito Santo é a formação na Terra de todos os crentes em um só corpo, como poderíamos pedir um novo batismo do Espírito? Poderia o “um só corpo” ser formado pelo “um só Espírito” repetidas vezes? De modo algum! Esta foi a bênção recebida em Pentecostes, e foi quando o corpo foi formado pelo batismo do Espírito Santo.


Things New and Old, vol. 25, pág. 161

 

O Templo do Espírito Santo


“Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1 Co 6:19-20).

A doutrina de que o corpo é para Cristo decidiu outra questão, à qual os hábitos depravados dos coríntios deram origem. Todo tipo de fornicação é proibida. Para nós, com nossos atuais hábitos mentais Cristãos, é uma coisa natural – para os pagãos isso era algo novo, mas a doutrina eleva todos os assuntos. Nossos corpos são os membros de Cristo. Outra verdade relacionada a isso é de grande importância: Se (por união de acordo com a carne) dois eram um corpo, aquele que está unido ao Senhor é um espírito. O Espírito cuja plenitude está em Cristo é o mesmo Espírito que habita em mim e me une a Ele. Nossos corpos são Seus templos. Que verdade poderosa quando pensamos nela!


Dois motivos para a santidade 

Além disso, nós não somos de nós mesmos, mas fomos comprados por preço – o sangue de Cristo oferecido por nós. Portanto, devemos glorificar a Deus em nossos corpos, que é Seu – motivo poderoso e universal, que governa toda a conduta sem exceção. Nossa verdadeira liberdade é pertencer a Deus. Tudo o que é para si mesmo é o mesmo que roubar os direitos d'Aquele que nos comprou para sermos Seus. Tudo o que um escravo era ou ganhava era propriedade de seu senhor; ele não era o dono de si mesmo. Assim era com o Cristão. Fora disso, ele é o miserável escravo do pecado e de Satanás - o egoísmo, seu domínio e banimento eterno da fonte do amor seria o seu fim. Pensamento horrível! Em Cristo somos os objetos especiais e os vasos desse amor. Temos aqui dois poderosos motivos para a santidade: o valor do sangue de Cristo, no qual fomos comprados, e o fato de sermos o templo do Espírito Santo.


J. N. Darby, Sinopse, Vol. 4, págs. 193-194

 

Orando ao Espírito 


O Espírito Santo veio, pessoalmente, a Terra na Igreja. Ele está presente em Pessoa, e Ele é Alguém que pode ser entristecido. Ele está presente de duas maneiras – no indivíduo e na Igreja: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3:16). “O nosso corpo é o templo do Espírito Santo” (1 Co 6:19). Ele mesmo é o dom de Deus, enviado pelo Filho, enviado pelo Pai. Portanto, mesmo Ele sendo Deus, não encontramos orações sendo dirigidas a Ele: não que todo louvor não seja devido ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, mas porque Ele é sempre visto estando na Terra, como o Filho esteve antes, não Se glorifica a Si mesmo, mas glorifica ao Pai e ao Filho e é a fonte de toda oração e louvor ao Pai que Lhe deu e ao Filho que é glorificado.


J. N. Darby

 

A Unidade do Espírito

 

A “unidade do Espírito” é uma das mais maravilhosas expressões da Palavra de Deus. Em Efésios 4:3 (TB), lemos: “esforçando-vos diligentemente para guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz”. Isso traz diante de nós a maravilhosa verdade de que Deus pode tomar pecadores perdidos de todas as raças, nações, culturas e línguas e reuni-los na Igreja de Deus. Ao mesmo tempo, Ele habita neles pelo Seu Espírito e lhes dá o poder de caminhar juntos em unidade de pensamento. Assim, podemos dizer que a unidade do Espírito é aquela unidade na qual o Espírito de Deus procura conduzir todos os crentes, de acordo com a verdade de Deus revelada em Sua Palavra.

Isso não significa que todos os crentes necessariamente estarão no mesmo nível de maturidade espiritual, pois a Escritura reconhece que haverá filhinhos, jovens e pais na família de Deus. Além disso, em Filipenses 3:16 (ARA) nos é dito: “Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos”, e que “se sentis [pensais – JND] alguma coisa doutra maneira, também Deus vo-lo revelará” (v. 15). Deus considera que os crentes estão sujeitos à liderança do Espírito para que cada um cresça na verdade e seja capaz de andar junto com os outros no corpo de Cristo.

O maior obstáculo a isso, e o antídoto de Deus para isso, é encontrado em Efésios 4:2: ”com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor”. A carne ainda está em cada um de nós e o orgulho é talvez a pior manifestação da carne. Se a sua atividade não é reconhecida e tratada diante de Deus, isso levará a conflitos e ao desejo de ter minha própria maneira, em vez da unidade do Espírito. Diferenças na personalidade, na educação, no modo de ver e no estilo de vida tendem a nos impedir de caminhar nessa unidade. Nosso desejo de ter nossa própria maneira tenderá a forçarmos nossa opinião sobre os outros, seja com relação à doutrina ou à prática.

O remédio para isso é caminhar em humildade e mansidão, reconhecendo que há uma unidade do Espírito em que ainda podemos andar. Se reconhecermos a tendência de nosso coração de forçar sua própria maneira sobre os outros, então perceberemos com que facilidade podemos deixar de caminhar naquela unidade para a qual fomos chamados. O Espírito de Deus está aqui na Terra, habitando em cada verdadeiro crente individualmente e também habitando entre os crentes coletivamente como a casa de Deus. Se todos estão sujeitos a Ele e estão dispostos a suportar uns aos outros, que grande diferença isso faria!

Dizem-nos para guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Que belo vaso “com toda a humildade e mansidão, com longanimidade”, para depositar tal tesouro – “a unidade do Espírito”. Na história moral da Cristandade, o orgulho quebrou esse vaso. Mas Paulo mostra o que é a unidade do Espírito, que não podemos destruir. Podemos quebrar o vaso e expor o tesouro, mas não podemos quebrar o tesouro.


J. G. Bellett (adaptado)

 

Na Carne e no Espírito

 

Romanos 8 é o clímax de uma série muito importante de instruções. Estávamos uma vez em Adão (Romanos 5) e estávamos, então, sob a morte e condenação. Estávamos uma vez sob a escravidão do pecado (Romanos 6) tão verdadeiramente quanto o antigo Israel estava sob a mão do faraó no Egito. Nós (ou pelo menos os crentes judeus) já estivemos debaixo da lei com todas as suas consequências solenes para a nossa alma (Romanos 7).

Mas fomos libertos de tudo isso. Nós já passamos da nossa antiga posição pela morte, e agora estamos diante de Deus no Cristo ressuscitado. Isto Romanos 8 nos apresenta plenamente. “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (v. 1). “Em Cristo” descreve nossa nova posição diante de Deus, por meio da graça. Temos n'Ele uma vida que a morte não pode tocar e que está além de toda condenação. Temos todas as vantagens de Sua posição de ressurreto. Tudo o que é Seu em virtude de Sua obra realizada é nosso também. O mesmo favor e amor divinos que repousam sobre Ele repousam sobre nós, também, que estamos n'Ele. Lugar maravilhoso para ser levado!

Como “em Cristo” expressa nossa nova posição diante de Deus, “no Espírito” nos caracteriza agora em nossa caminhada aqui embaixo. O Livro de Romanos não nos considera como estando nos lugares celestiais, como Efésios, mas como aqueles que foram feitos livres para caminhar para a glória de Deus aqui na Terra. “Na carne” caracterizava nosso estado anterior. A carne foi a fonte de todos os nossos pensamentos e ações. A carne é contrária a Deus e os que estão nela não podem agradar a Deus. A mente da carne não está sujeita à lei de Deus, nem de fato pode estar. O resultado certo de seguir seu curso é a morte, como o apóstolo fala: “Porque a inclinação [ou a mente] da carne é morte... porque, se viverdes segundo a carne, morrereis” (vs. 6, 13).

Nós não estamos na carne agora (Rm 7:5; 8:9), embora a carne ainda esteja em nós. Não é mais um poder controlador; isso não caracteriza nossa vida como antes. A fé trata isso como algo condenado e não permite que ocupe posição nenhuma. Se ela agir, nos tirará da presença do Senhor para algum caminho de pecado e tristeza. Nós não somos agora devedores à carne, para vivermos de acordo com ela. “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é d'Ele” (Rm 8:9). O Espírito Santo é o grande dom de Deus para todo crente, e é o Espírito, em contraste com a carne, que agora dá caráter a todos os nossos caminhos e maneiras. Ele nos dá o feliz conhecimento de que Cristo está em nós, como Ele próprio disse: “Naquele dia, conhecereis que estou em Meu Pai, e vós, em Mim, e Eu, em vós” (Jo 14:20), Ele forma todos os nossos pensamentos e desejos, nos ensina a orar, nos capacita a produzir frutos para Deus, nos fortalece para todos os nossos conflitos contra o inimigo e sustenta nosso coração ao longo do caminho por Seu gracioso ministério de Cristo para nós. Ele é nosso Líder e, por Seu poder, somos capacitados a mortificar as ações do corpo.

Uma coisa é saber e aceitar isso como doutrina, outra bem diferente é andar no poder dela. Todo Cristão vive no Espírito ou ele não seria Cristão, mas nem todo Cristão necessariamente anda no Espírito (Gl 5:25). E não devemos esquecer, também, que é perfeitamente possível que um verdadeiro crente semeie na carne e não no Espírito.

“A inclinação [mente] do Espírito é vida e paz” (Rm 8:6). O segredo, portanto, de uma caminhada pacífica é seguir a liderança graciosa do Divino Morador. Se a carne é habitualmente julgada e mortificada, e ao Espírito de Deus é permitido Seu verdadeiro lugar, nossa alma prospera e cresce. Coisas que perturbariam e causariam tristeza amarga não se intrometeriam. O Espírito não terá que nos ocupar conosco e com nosso estado, mas estará livre para nos conduzir a um conhecimento mais completo de Cristo, que é o Seu deleite.


W. W. Fereday (adaptado)

 

O Espírito de Deus na Terra 

 

“Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2 Co 3:17).


Sabemos que toda ação de Deus é feita em Trindade, seja criação, redenção, ressurreição ou julgamento. A ordem da Escritura é – Deus Pai, Aquele que origina os propósitos; Deus o Filho, Aquele que os executa; e Deus o Espírito Santo, o poder pelo qual os propósitos são cumpridos. Isso era verdade muito antes de Deus em Seu caráter trino ser totalmente conhecido pelo homem. Mais do que isso, foi o Espírito de Deus que agiu de tempos em tempos em vários indivíduos no Velho Testamento, seja para trazer a mente de Deus oralmente ou para escrever a Palavra inspirada. No entanto, em nenhum momento antes do dia de Pentecostes o Espírito de Deus esteve presente na Terra com o caráter de habitar. Assim, a dispensação da graça é única, pois é caracterizada pela presença do Espírito de Deus neste mundo. O Espírito de Deus está aqui na Terra, habitando em cada verdadeiro crente individualmente e também habitando entre os crentes coletivamente como a casa de Deus. Esta é uma verdade maravilhosa, pois tal coisa nunca ocorreu antes do período da igreja, nem ocorrerá novamente nos tratos de Deus para com o homem na Terra. As implicações disso são importantes para todo crente perceber.

No Velho Testamento, o homem recebeu instruções de Deus quanto à sua caminhada, quer seja por Deus falar diretamente ao homem, quer por meio de Sua Palavra, pelos profetas e outros homens de Deus. Essas instruções, particularmente na lei, cobriam quase todos os aspectos da vida. Na maioria dos casos, no entanto, aqueles que receberam essas instruções tiveram que realizá-las sem entender as razões para elas existirem. Em sua maior parte, não havia espaço para exercício pessoal ou consideração da mente de Deus sobre um assunto específico – a estrita obediência era tudo o que era necessário. É verdade que homens como Abraão, Moisés e Davi (citando alguns) levantaram-se acima do dia em que viveram e andaram perto do Senhor, a ponto do Espírito de Deus dizer no Salmo 103:7: ”Fez notórios os Seus caminhos a Moisés e os seus feitos, aos filhos de Israel”. Mas a maioria dos homens não conhecia Deus de maneira íntima.

Quando o Senhor Jesus veio à Terra, Ele não apenas revelou o coração de Deus, mas revelou Deus em Trindade pela primeira vez. Ele falou abertamente de Seu Pai e também falou sobre o Espírito de Deus. Parte disso foi antecipação, mas o conhecimento do Pai e a ação do Espírito de Deus foram mencionados muitas vezes. Mais tarde, em Seu ministério, Ele predisse a vinda do Espírito Santo, para que “fique convosco para sempre” (Jo 14:16). O Espírito não viria mais sobre um profeta ou outro homem de Deus, apenas para lhe dar uma mensagem e depois sairia novamente. Não, o Espírito permaneceria com os crentes para sempre.

No dia de Pentecostes, sabemos que o Espírito desceu, não apenas para habitar cada verdadeiro crente, mas também os batizando em um só corpo (1 Co 12:13) e habitando entre eles coletivamente como a casa de Deus (1 Co 3:16). A maravilhosa verdade é que o Espírito permanecerá residindo neste mundo até que o Senhor venha! Enquanto Ele estiver aqui, Ele é Aquele que “resiste até que do meio seja tirado” (2 Ts 2:7). O Espírito de Deus neste mundo restringe o mal que de outra forma engoliria este mundo em pecado abertamente, mas quando o Senhor vier e levar Sua Igreja para casa, então o Espírito de Deus não estará mais aqui num caráter de habitar. É verdade que Ele continuará a operar, pois toda vez que uma nova vida é concedida a uma alma, é uma obra do Espírito de Deus. Se as almas forem salvas durante o período da tribulação, ouvindo o evangelho do reino, será pelo Espírito que estará usando a Palavra (João 3:5). Mas Ele não estará presente de forma permanente como Ele está durante este período da graça de Deus.

A presença do Espírito aqui na Terra tem implicações tremendas para nós, tanto positivas quanto negativas. Como alguém observou, essa preciosa verdade é ao mesmo tempo nossa maior força potencial, mas também nossa maior fraqueza potencial. Como vimos, o Velho Testamento foi caracterizado por instruções minuciosas, mas que muitas vezes tinham que ser realizadas sem inteligência quanto às razões para essas instruções terem sido dadas. O Novo Testamento é um livro de princípios, escrito para corações dispostos, e esses princípios devem ser aplicados em comunhão com o Senhor. Eles devem ser interpretados e realizados no poder do Espírito de Deus.

Quando o crente caminha com o Senhor, o Espírito de Deus está livre para trazer a Cristo diante dele, para interpretar a Palavra de Deus e para dar a orientação necessária em todas as situações. Assim, os princípios podem ser aplicados em várias situações, onde o Espírito de Deus pode conduzir de acordo com todas as circunstâncias do caso. No Cristianismo, não fazemos regras, mas tomamos decisões. O crente precisa de mais do que princípios corretos – Ele precisa do próprio Deus. Ele não segue precedentes, mas vive em dependência direta do Senhor, guiado pela Palavra de Deus.

Por outro lado, se o crente se afasta do Senhor, o Espírito nele é entristecido (Ef 4:30) e precisa fazer com que ele se ocupe com seu pecado até que ele lide com isso em arrependimento e confissão. Nesse caso, ele não pode ir ao Senhor em busca de orientação, e o Espírito não interpreta a Palavra para ele da mesma maneira. Assim, o crente descobre que ele não pode tentar obter a mente do Senhor em uma situação sem trazer seu estado de alma à cena. Se ele se recusa a julgar seu pecado, ele se vê debatendo sem orientação e sem gozo em sua alma. Em certo sentido, ele é mais fraco do que o santo do Velho Testamento, que poderia pelo menos seguir as instruções de Deus.

Que possamos apreciar mais a posição de proximidade e bênção em que a graça de Deus nos colocou e nos deleitar em andar com o Senhor no poder de um Espírito que não está entristecido. Desta forma, teremos gozo constante em nossa alma e facilmente descobriremos que, quanto às questões em nossa vida, as palavras do Senhor serão verdadeiras para nós: “Guiar-te-ei com os Meus olhos” (Sl 32:8).


W. J. Prost

 

“Bastante Tenho Recebido e Tenho Abundância”

Filipenses 4:18


Um homem pobre, eu – nenhum homem pode dizer,

Pois vastas riquezas possuo;

As riquezas do mundo voam:

As minhas são melhores do que todas as dele.

 

Eu tenho um Pai lá no alto,

O grande, eterno Deus vivo,

Ele nos observa com terno amor,

Seus filhos e filhas comprados com sangue.

 

Eu tenho um Salvador, o querido Filho de Deus,

Para me purificar de meu pecado, Sua vida Ele deu,

Seu trabalho está muito além do alcance do homem:

Sua obra está completa, Ele pode salvar todos.

 

Tenho o Espírito de Deus para me ensinar;

Ele vive dentro do meu coração sempre,

Revela a verdade de Deus, me trouxe um novo nascimento,

Sua voz quero ouvir e sempre obedecer.

 

Eu tenho uma bússola na Palavra de Deus,

Um guia para o dia eterno do céu;

Uma lâmpada para a estrada mais escura,

Para manter meus pés, nem me deixar desviar.

 

Herança eu também tenho,

Reservada no céu, seu penhor aqui;

Senhor, com tantos tesouros, quem na Terra

Com minhas preciosas dádivas posso comparar?

 

Traduzido do chinês

 

“Mas Deus prova o Seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós”

Romanos 5:8


 

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