top of page

O Filho de Deus (Julho de 2011)

ree

Baixe esta revista digital nos formatos:


Revista mensal publicada originalmente em julho/2011 pela Bible Truth Publishers

ÍNDICE

 

          Tema da edição

          E. H. Chater

          J. N. Darby (selecionado)

          The Christian Friend, 2:125

          W. J. Brockmeier

          G. V. Wigram

          A. H. Rule (selecionado)

          Bible Treasury, 7:161

          W. J. Brockmeier

          W. J. Prost

          M. S. S.

O Filho de Deus

 

ree

O eterno Filho de Deus entrou neste mundo como Jesus Cristo, o Homem, e isso é o “princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus”. A admiração por Sua Pessoa é o tema de nossa adoração eterna. Conhecer o único Deus verdadeiro e Jesus Cristo, a Quem Ele enviou ao mundo para torná-Lo conhecido, é a vida eterna.

 

Ele, o Filho de Deus, veio a este mundo como o Filho do Homem, para que nós, filhos dos homens, pudéssemos nos tornar filhos de Deus. Não devemos, nem ousamos, tentar reduzir as glórias de Sua Pessoa a algo que nossa mente finita possa entender, mas, graças a Deus, conhecemos nosso Senhor Jesus, O adoramos, e Ele é o Objeto de nosso coração e de nossa vida. Desejamos cada vez mais poder permanecer na verdade, e com o apóstolo Paulo dizer: “Para mim o viver é Cristo”. “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em Seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1 Jo 5:11-12). Ao contemplarmos Sua Pessoa como Filho de Deus nesta edição, que o coração de cada um se encha e transborde em adoração a Ele.

 

Tema da edição

A Pessoa do Filho

 

A Pessoa bendita, a vida e a obra de nosso Senhor Jesus Cristo na Terra são apresentadas nos quatro Evangelhos. A principal característica de Mateus é Sua apresentação como o Messias; em Marcos, como o Profeta e perfeito Servo de Deus; em Lucas, como o Filho do Homem; e em João, como o Filho de Deus. Em bela consonância com isto, a genealogia de nosso Senhor é traçada em Mateus até Davi e Abraão; é omitida em Marcos; é traçada até Adão em Lucas; e é também omitida em João, pois é óbvio que, como o Filho de Deus, Ele não tinha nenhuma. Ao mesmo tempo, em todos os quatro Evangelhos, outros títulos, nomes e características também são apresentados, mas o que foi dito acima é a característica marcante da Sua apresentação em cada um.

 

O Verbo encarnado 

No primeiro capítulo do Evangelho de João, as próprias glórias do eternamente bendito Filho de Deus são apresentadas de maneira mais marcante. O texto começa com a sublime afirmação: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”.

 

O Verbo existia eternamente. O Verbo nunca teve um começo. No princípio, o Verbo já era, e o Verbo estava com Deus. A última parte nos apresenta uma personalidade distinta e, além disso, o Verbo era Deus, o que demonstra Sua divindade. Assim, neste versículo maravilhoso, temos diante de nós a eternidade, a personalidade e a divindade do Verbo – Suas glórias antes da criação e que permanecem eternamente. Como outro de maneira bela escreveu sobre Ele, “Ele é, e é a expressão de toda a mente que subsiste em Deus – ‘o Verbo’”.

 

O Espírito Santo acrescenta enfaticamente: “Ele estava no princípio com Deus”, guardando cuidadosamente Sua personalidade distinta na eternidade, antes da criação e do tempo.

 

E este maravilhoso Ser divino, o Verbo, que estava com Deus e que era Deus, foi o Criador. “Todas as coisas foram feitas por Ele”. Foi Ele Quem falou e tudo se fez, Quem deu o comando e logo tudo existiu. Foi Ele Quem chamou o céu e a Terra à existência, que adornou o ilimitado céu com incontáveis miríades de poderosos corpos celestes, que disse: “Haja luz”; e houve luz; Quem revestiu a Terra com vegetação e deu vida a todos os seres viventes. Todas as coisas, visíveis e invisíveis, foram feitas por Ele. Toda criatura viva no céu ou na Terra, todo principado, poder e domínio, a inumerável companhia de anjos e toda a raça humana devem sua existência ao poderoso decreto da Palavra eterna. pois “sem Ele nada do que foi feito se fez”.

 

“N’Ele estava a vida”. Não estava em nenhum outro lugar. O Verbo, Deus, é sua eterna fonte e manancial. A vida sempre esteve n’Ele. “E a vida era a luz dos homens”. A vida foi revelada e manifestada aqui no mundo, “a luz dos homens”, como também vemos em 1 João 1:1-3: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida (Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada); O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com Seu Filho Jesus Cristo”.

 

A luz dos homens 

Os homens estavam aqui em trevas. O mundo estava sob o poder delas por meio da entrada e do domínio do pecado. Os homens, como criaturas caídas, tiveram sua mente e coração entenebrecidos. Mas a Luz apareceu. “E a vida era a luz dos homens”. O eternamente bendito Filho de Deus, andando aqui como Homem na Terra (à parte do pecado), Jesus, era a vida. O Espírito Santo passa da apresentação do Verbo na eternidade para Sua manifestação aqui, no tempo, entre os homens. Aquele em Quem a vida estava veio ao mundo.

 

A vida era a luz dos homens, e não de anjos. Mas, embora seja verdade que “a luz resplandece nas trevas”, e isso com esplendor moral sem nuvens, ainda assim as trevas eram tão densas que elas não compreenderam a Luz. Em vez de as trevas serem dissipadas pela luz resplandecente, elas permaneceram como estavam. O homem, como tal, estava completamente sob seu poder. As densas trevas cobriam o mundo, e não havia compreensão daquela luz maravilhosa.

 

João, um homem enviado por Deus, veio e prestou testemunho da luz para que todos os homens, por meio d’Ele, pudessem crer. “Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo”. A luz verdadeira não brilhava apenas para aquelas pessoas que Deus havia abençoado antigamente, que tinham a lei e “a lei é luz” (Pv 6:23), mas para todos, para os homens em geral. O mundo não O conheceu, e os Judeus não O receberam, mas havia um povo que O conheceu, um povo nascido de Deus, a quem Ele deu o direito de serem filhos de Deus, todos crentes neste dia de graça (Jo 1:12-13). Bem-aventurados todos os que são encontrados entre eles.

 

A encarnação 

Prosseguindo este capítulo maravilhoso, chegamos à encarnação. “E o Verbo Se fez carne, e habitou entre nós” (Jo 1:14). Que graça maravilhosa! O Verbo eterno estava aqui na Terra como Homem, vestido com a verdadeira Humanidade (sem pecado) – santo. Realmente um Homem, Jesus, habitava entre os homens – o Santo de Deus.

 

“Grande é o mistério da piedade: Deus Se manifestou em carne” (1 Tm 3:16). “E temos contemplado Sua glória, uma glória como a de um unigênito com o pai, cheio de graça e verdade” (Jo 1:14 – JND). Quão profundamente bendito! Quem não conhece a alegria de um pai terrenal em um filho unigênito? Quão maior é a alegria e o deleite do Pai em Seu Unigênito! Quão maravilhoso é que os homens contemplem tal Filho Unigênito!

 

Deus nunca foi visto por ninguém. Ele é invisível, pois “habita na luz inacessível; a Quem nenhum dos homens viu nem pode ver” (1 Tm 6:16). Ele é Espírito – luz, amor – o Deus invisível; mas o Filho unigênito, que está no seio do Pai, O revelou. N’Ele aprendemos o que Deus é, pois Ele era Emanuel, Deus conosco.

 

O Cordeiro de Deus 

João Batista, vendo Jesus vindo a ele, disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Que mistério maravilhoso! Esse mesmo Bendito é o Redentor, Aquele que estava prestes a oferecer a Si mesmo como um sacrifício pelo pecado – o Cordeiro de Deus.

 

Abraão disse a seu filho Isaque: “Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho”. Aqui está a grande figura, de quem podemos tomar essas palavras como proféticas – o Cordeiro de Deus, o Santo, sem mancha e sem mácula, o Cordeiro que tira o pecado. Ele era Quem iria morrer e Quem mais tarde morreu. No Calvário, Jesus Se ofereceu, sem mancha, a Deus para afastar o pecado (Hb 9:14, 26). O pecado se foi de diante de Deus para todos que creem e isso para sempre. Mas Ele estava na cruz em relação ao pecado do mundo e, finalmente, como resultado de Sua obra, o pecado será completamente tirado do mundo. E Deus estabelecerá um sistema eterno em que a justiça habitará, baseada na perfeição da obra consumada de Jesus, o santo Cordeiro de Deus.

 

Desse mesmo Bendito, João deu testemunho quando viu o Espírito descer sobre Ele no Seu batismo, que era Ele Quem batizava com o Espírito Santo, o Filho de Deus (Jo 1:33-34). “No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus”. Ele não é apenas o Emissário do pecado, mas o Cordeiro de Deus, em Quem Deus poderia encontrar Sua perfeita satisfação e deleite, e Quem, como holocausto na cruz, era um cheiro suave diante d’Ele. Os discípulos O seguiram quando ouviram as palavras de João, e a alegria se espalhou de um para outro, que o Messias, o Cristo, o Ungido de Deus, foi encontrado.

 

O próprio Jesus chamou Filipe; este, por sua vez, encontrou Natanael, confessando-O como Jesus de Nazaré, Aquele de Quem Moisés escreveu na lei, e os profetas. Natanael confessou-O como o Filho de Deus e o Rei de Israel e Jesus, entre outras coisas, disse-lhe: “Daqui em diante vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.

 

Esta porção preciosa termina assim com um prenúncio daquele bendito dia para esta pobre Terra, quando, ao ser removida a maldição (Ap 22:3), Jesus, Filho de Deus e Filho do Homem, reinará como Rei de Israel, e quando todas as coisas serão congregadas n’Ele, tanto no céu como na Terra (Ef 1:10).

 

As múltiplas glórias do Filho 

Quão maravilhosamente o Espírito Santo traz diante de nossa alma, neste capítulo, as múltiplas glórias da Pessoa do Filho amado de Deus! Certamente, todo coração que conhece a Ele e Seu amor deve se curvar em adoração e louvor, quando pensamos n’Ele – Aquele que é o Verbo eterno, Deus, o poderoso Criador, e ainda Se tornou um Homem para glorificar a Deus, realizar a redenção e, finalmente, Se entregar nessa cena de gemidos. É Ele Quem está agora assentado à destra da Majestade nos céus, coroado de glória e honra, o Salvador triunfante na glória eterna de Deus.

 

Tu que és o Verbo eterno,

O Filho unigênito do Pai;

Deus manifestado, Deus visto e ouvido,

O Amado do céu;

Digno és, ó Cordeiro de Deus,

Que todo joelho se dobre perante Ti! 

 

Que Deus envolva cada vez mais as afeições do coração de cada Cristão com Sua bendita Pessoa e nos dê um santo zelo pela glória de Seu nome.

 

E. H. Chater

O Verbo Se Fez Carne

 

João 1:1-13 

O objetivo do Espírito Santo no Evangelho de João é afirmar a glória pessoal de Jesus, e é por isso que talvez não exista um único capítulo no Novo Testamento que apresente nosso Senhor em tantos aspectos diferentes, ainda que todos pessoais, como este capítulo de abertura de seu evangelho. Sua glória divina é cuidadosamente guardada. É dito sobre Ele, em linguagem extremamente clara, que Ele é Deus quanto à Sua natureza, mas também que é um Homem.

 

Ele não é menos Deus do que o Pai é ou que o Espírito Santo é, mas Ele é o Verbo de uma maneira que o Pai e o Espírito Santo não são. Foi Jesus Cristo, o Filho de Deus, que sozinho era o Verbo de Deus. Somente Ele de uma maneira pessoal expressou Deus. O Pai e o Espírito Santo permaneceram em Sua própria majestade invisível. O Verbo tinha como atribuição expressar Deus claramente, e isso pertencia a Ele, é evidente, como uma glória pessoal distinta.

 

Não apenas que Ele era o Verbo quando Ele veio ao mundo, mas “No princípio era o Verbo” quando não havia criatura. Antes que qualquer coisa que foi feita viesse a existir, o Verbo estava no princípio com Deus; não apenas em Deus, como Se estivesse imerso ou perdido em Deus, mas Ele tinha subsistência pessoal distinta antes que uma criatura existisse. “Ele estava no princípio com Deus”. Isso é de imensa importância, e com essas verdades nosso evangelho se inicia.

 

Sua glória criacional 

Então, encontramos a glória criacional declarada posteriormente. “Todas as coisas foram feitas por Ele”. Não há nada que mais apresente Deus como sendo Deus do que dar existência àquilo que não existia, fazendo existir por Sua própria vontade e poder. Agora, todas as coisas existem pelo Verbo, e é tão enfaticamente verdade que o Espírito acrescentou: “Sem Ele nada do que foi feito se fez”.

 

N’Ele estava a vida 

Mas havia aquilo que pertencia ao Senhor Jesus que não havia sido feito: “N’Ele estava a vida”. Não era apenas que Ele podia fazer com que existisse uma vida que não existia antes, mas havia uma vida que Lhe pertencia desde toda a eternidade. “N’Ele estava a vida”. Não que essa vida tenha começado a ser: Tudo o resto, toda a criação, começou a existir, e foi Ele Quem lhes deu o início de sua existência. Mas N’Ele estava a vida, uma vida que não foi criada, uma vida que era, portanto, divina em sua natureza.

 

Era a realidade e a manifestação desta vida que eram de primordial importância para o homem. Tudo o mais que existia desde o princípio do mundo era apenas criatura, mas n’Ele estava a vida. O homem estava destinado a ter a manifestação desta vida na Terra. Mas ela estava n’Ele antes que Ele viesse para estar entre os homens. A vida não era chamada luz dos anjos, mas a dos homens. Em nenhum lugar achamos que a vida eterna é criada. Nunca é dito que os anjos têm vida no Filho de Deus. Eles foram mantidos pelo poder santo e divino. A vida deles é puramente de criatura, enquanto é um fato maravilhoso de revelação que nós, que cremos, temos a vida eterna que estava em Jesus Cristo, o Filho de Deus, e, portanto, nos é dito que somos participantes da natureza divina. Isto não é de forma alguma verdade para um anjo. Não é que deixamos de ser criaturas por um momento, mas temos em Cristo, o Filho de Deus, o que está acima da criatura.

 

“E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam”. É impressionante observar aqui a omissão de toda a história do mundo, sobre a qual tendemos a dar tanto valor, sim, até mesmo dos tratamentos dispensacionais de Deus com os homens. Tudo é passado muito brevemente – aquelas eras que o homem pensa serem quase intermináveis, nas quais Deus deu existência à criatura e nas quais Ele pode ter mudado repetidamente as várias formas da criatura, onde a ciência está se esforçando para buscar seus próprios caminhos fracos e incertos. Toda argumentação se encerra nestas palavras: “Todas as coisas foram feitas por Ele”. A Escritura, e este capítulo em particular, resume isso com notável brevidade. “Todas as coisas foram feitas por Ele”. Os detalhes foram deixados completamente de lado. O que era bom para nós sabermos, nos é contado em Gênesis. Não há nada parecido com esse capítulo, mesmo nas cosmogonias[1] que dele se inspiraram. E tudo o que o homem pensou, disse ou escreveu sobre um sistema do mundo não pode ser comparado a ele em profundidade ou certeza, bem como em simplicidade, nem mesmo no menor detalhe.

[1] N. do T.: Conjunto de teorias, princípios ou doutrinas, com base científica, religiosa ou meramente mítica, que procura explicar e descrever a origem e a formação do Universo.

 

A luz dos homens 

Mas há uma razão pela qual todos esses assuntos desaparecem após duas ou três palavras. É porque o Senhor Jesus, o Verbo de Deus, é o Objeto no Qual o Espírito Santo está Se dedicando. No momento em que Ele é trazido à tona, a criação apenas presta homenagem a Ele, reconhecendo-O como o Criador, e é imediatamente descartada. “Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez”. Basta dizer que Ele criou tudo. Ele permanece em Sua própria graça. Agora aprendemos qual é o objetivo do Espírito nisso. Não era para nos dar detalhes da criação, mas sim para nos familiarizar com Jesus como a luz dos homens.

 

O Verbo de Deus foi a luz que manifestou a todos: Fossem Judeus ou gentios, eles eram somente trevas. Portanto, não é apenas que a criação física seja passada por alto da maneira mais breve, mas o mundo moral é encerrado com uma brevidade quase igual. “A luz resplandece nas trevas”, e qualquer que seja a vanglória dos gentios e a lei dos Judeus, aqui tudo é medido e dispensado, por assim dizer, pela verdadeira luz, a Palavra de Deus.

 

O testemunho da Luz 

Então temos João trazido à cena. A razão pela qual ele é distinguido dos outros creio que seja esta: Ele era o precursor imediato do Senhor Jesus. “Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio para testemunho para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele”. João deveria ser uma brilhante lâmpada que ardia, porém ele era apenas uma luz terrenal e derivada. Jesus é a luz, a luz verdadeira, que (como corretamente apresentada) ao entrar no mundo ilumina todo homem. Está falando do efeito da vinda de Cristo ao mundo. Ele é Aquele que lança Sua luz sobre todos aqui embaixo.

 

Outras glórias 

Temos outras glórias d’Ele trazidas à tona depois. Ouvimos d’Ele como o Filho, o Cordeiro de Deus, o que batiza com o Espírito Santo, o Rei de Israel e o Filho do Homem. Tudo isso se desdobra sucessivamente neste capítulo. De fato, seria difícil dizer qual glória de nosso Senhor não é apresentada aqui, exceto a do Sacerdote e de ser o Cabeça da Igreja. O encargo de João era mostrar Sua divina glória pessoal, ainda como Homem na Terra. Sacerdote era o que Ele foi chamado para ser no céu, e Ele está lá também como o Cabeça da Igreja. Mas João nos mostra o que Ele era em Si mesmo como vindo do céu e que Ele não perde nem um pouco de Sua glória ao Se tornar Homem. Por Ele ser Sacerdote e Cabeça da Igreja, vemos glórias especiais que Ele recebeu ao subir ao céu, e essas Paulo desenvolve para nós plenamente. O que João quer passar é que Deus e o Pai foram manifestados na Terra na Pessoa de Jesus Cristo, Seu Filho.

 

Que procuremos torná-Lo conhecido a toda criatura com todo o nosso coração, na medida de poder que o Senhor nos deu, honrando assim, e de qualquer outra maneira, o Senhor Jesus, a Quem o Espírito Santo ama honrar.

 

J. N. Darby (selecionado)

Jesus, Herdeiro de Todas as Coisas

 

No primeiro capítulo de Hebreus, encontramos Escrituras citadas que nos revelam várias dignidades e glórias do Senhor Jesus. Algumas delas falam daquilo que é permanente e eterno, outras do que é transitório. “Eu Lhe serei por Pai, e Ele Me será por Filho” (v. 5) parece ser citado da profecia sobre Salomão, que era uma figura (2 Sm 7:12-16), e está conectado com a Terra e a glória do governo.

 

Assim, temos neste capítulo a glória que Cristo tem como o Filho antes de que o mundo existisse, a glória que Ele agora tem e a glória que será exibida quando Ele for introduzido novamente neste mundo, como está escrito: “E outra vez, quando introduz no mundo o Primogênito, diz: E todos os anjos de Deus O adorem”.

 

Sua glória vindoura 

Da dignidade de Sua Pessoa e da glória que Ele agora possui, podemos aprender um pouco sobre o que será essa glória vindoura. Mas o primeiro momento em que realmente conheceremos o que a glória é quando Deus assim ordenar aos anjos que O adorem. Será o tempo da “manifestação” de nossa própria glória como “filhos de Deus” (Rm 8:15-19; 1 Jo 3:1-2). E é isso que o apóstolo quer dizer quando diz: “Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com Ele” (1 Ts 4:14). Quando Ele vier em Sua glória, estaremos na comitiva dessa glória.

 

No momento em que Ele expurgou nossos pecados, Ele pôde tomar Seu lugar no trono de Deus, o penhor da glória final da Igreja (Hb 6:20). No momento em que Ele voltar, seremos levados a conhecer o resultado de Sua obra, na glória. Associado à nossa experiência de glória, agora deve haver um tremor, pois a glória é sempre terrível para a natureza e os julgamentos de Deus, terríveis para os sentimentos humanos. Mas nos dizem que, quando Ele voltar, quando formos trazidos para a glória, seremos feitos semelhantes a Si mesmo, e isso pelo poder transformador de Deus. Ele é capaz de nos fazer semelhantes a Cristo, e isso em um momento, num piscar de olhos (1 Co 15:49-53). Não teremos, então, nenhum dos sentimentos de nossa natureza atual, da velha humanidade. Tudo o que é mera natureza será rompido e deixado de lado, e seremos como Cristo.

 

“E, quanto aos anjos, diz: Faz dos Seus anjos espíritos, e de Seus ministros labareda de fogo. Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o Teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; cetro de equidade é o cetro do Teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso Deus, o Teu Deus, Te ungiu com óleo de alegria mais do que a Teus companheiros. E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a Terra, e os céus são obra de Tuas mãos. Eles perecerão, mas Tu permanecerás; e todos eles, como roupa, envelhecerão, e como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas Tu és o mesmo, e os Teus anos não acabarão” (Hb 1:7-12).

 

Quem é esse Rei manifestado em Seu trono – louvado pelos anjos – ao redor de Quem todas as coisas estão congregadas? O Deus vivo e eterno. Cristo Jesus pode ter estado sob a pressão de Satanás e da morte por um tempo, mas Ele é imutavelmente Deus – pensamento maravilhoso. Nada pode alterar ou afetar Sua divindade e glórias essenciais e eternas.

 

Teus companheiros 

E somos chamados de “Teus companheiros”. Não podemos entender a natureza de nossa união com Cristo. A divindade não é nossa, nem jamais pode ser, e ainda assim teremos capacidades e poderes resultantes da união com Ele em tudo o que Ele é, assim como Deus.

 

Dizem que Ele é ungido com o óleo da alegria, “mais do que” Seus companheiros, e quando isso é dito, tudo é dito. É verdade que somos apenas os receptores, enquanto Ele é a Fonte; aquilo que n’Ele é essencial, em nós é derivado; todavia, em toda bênção sentida, devemos ser um com Ele. E não desejaremos que seja de outra maneira; nos alegraremos em dizer: “E tudo isto provém de Deus” (2 Co 5:18). Veremos a adequação de sermos apenas receptores, e de Ele ser a Fonte, como é dito: “Que é o Seu corpo, a plenitude d’Aquele que cumpre tudo em todos”.

 

O cetro de equidade 

O ser ungido com o “óleo da alegria” é mencionado em conexão com o que Ele foi aqui, como Quem amava a justiça e odiava a iniquidade. Podemos entender facilmente esse gozo – é uma fonte peculiar de gozo para o coração de Jesus. Mas podemos entrar um pouco no mesmo caráter de alegria, e isso proporcionalmente, enquanto aqui também amamos a justiça e odiamos a iniquidade.

 

O pensamento transmitido pela frase um “cetro de equidade” é o da vara do pastor. Um rei deveria ser para o seu povo o que o pastor é para o seu rebanho. Agora, Cristo segurará a “vara” naquele dia como um Rei Pastor e será um “cetro de equidade”. E participaremos de Seu governo. Mas Ele o mantém agora (embora ainda não seja para o mundo) para Sua Igreja. Reconhecemos este cetro? A verdade se torna algo bendito para nós de maneira prática quando vista, não abstratamente, mas como conectada a nós mesmos.

 

Herdeiros juntos com Ele 

Quando lemos este capítulo, podemos dizer: “É isso que é nossa herança”. Se isso nos coloca acima dos anjos, quanto mais acima do que é natural, seja em nós mesmos ou nos outros! Por mais encantador que o que é natural possa parecer, estamos muito acima disso. Com tal porção e tal glória, podemos desejar honra ou dignidade aqui? Isso dá contentamento àqueles que são humildes no mundo e humilhação aos que são grandes. Esses são os sentimentos interiores produzidos nos santos pelo conhecimento da glória.

 

Nas coisas exteriores, há duas linhas de diferença entre aqueles que são um em Cristo. Primeiro, no que diz respeito aos dons na Igreja; estes, o Espírito Santo reparte a cada um como Ele deseja. Segundo, quanto aos arranjos e relacionamentos naturais designados por Deus; essas coisas são certas e boas, e as achamos assim, quando recebidas no Espírito. Se agirem na carne, trazem tristeza. Paulo e Onésimo, quanto aos sentimentos interiores, estavam em igualdade, mas na Igreja eles tinham lugares e dons diferentes, assim também como homens.

 

Essas são grandes coisas que dizem respeito à glória de Jesus e à nossa união com Ele, mas é a Palavra de Deus, e não a do homem. A mesma Palavra que nos fala de Adão e seu pecado nos fala disso. Não vimos Adão pecar, mas acreditamos que ele pecou e sentimos as consequências de seu pecado. Por que não devemos receber plenamente o testemunho de Deus, quando Ele fala de nossa união com Seu Filho e da glória para a qual seremos trazidos, como herdeiros com Ele?

 

The Christian Friend, 2:125

Um Nome Mais Excelente

 

“Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles” (Hb 1:4).

 

Em Hebreus 2:9, o Senhor Jesus é visto ocupando um lugar “menor do que os anjos”, tornando-Se Homem e, finalmente, morrendo. Consequentemente, em Sua obra completa de “purificação dos nossos pecados” (Hb 1:3) – observe a expressão característica daqueles que estavam acostumados aos rituais terrenais – Ele é visto em Sua ascensão e, como tal, ocupa um lugar “mais excelente do que os anjos” (v. 4).

 

A palavra “feito” não dá o sentido correto em nenhuma das passagens (Hb 1:4 ou 2:9). Em vez disso, é o lugar que este Bendito tomou. Sua ascensão é mencionada primeiro porque o capítulo 1 enfatiza a majestade do Filho, enquanto no capítulo 2 encontramos Sua humilhação, adaptando-o para ser “o Príncipe da salvação deles” (tipificado por Josué) e “misericordioso e fiel Sumo Sacerdote” de Seu povo (tipificado por Arão) durante a jornada no deserto (Hb 2:10, 17).

 

No capítulo 1, o Filho é apresentado como maior que os anjos; no capítulo 3, maior que Moisés; no capítulo 7, Ele é visto como o cumprimento da notável figura que é Melquisedeque e, portanto, é maior que Abraão, Arão e seus descendentes.

 

Os anjos eram considerados significativos para o Judeu, especialmente no recebimento da lei (At 7:53), mas em vista da grandeza do Filho, o papel deles agora é simplesmente o de “espíritos ministradores” (Hb 1:14). O Filho é superior aos anjos em todos os sentidos.

 

A expressão, “Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és Meu Filho” (v. 5), refere-se ao Filho eternamente. “Hoje Te gerei” (v. 5) é a encarnação do Filho, um homem que é reconhecido como o “Filho de Deus” (Lc 1:35) – não na criação como era Adão (Lc 3:38); não pela fé resultante da redenção, como conosco (Gl 3:26), mas agora, no tempo e na humanidade, o Senhor Jesus é reconhecido Filho de Deus. Isso de forma alguma nega a Sua eterna Filiação, mas se baseia nela. “Eu Lhe serei por Pai, e Ele Me será por Filho” (v. 5) é o caminho do Filho através deste mundo. Essa expressão não enfatiza o fato do próprio relacionamento, que sempre existiu entre o Pai e o Filho, mas transmite o regozijo prático e as consequências desse relacionamento. Em 2 Coríntios 6:18, vemos um pensamento semelhante, desta vez em relação ao crente.

 

“E outra vez, quando introduz no mundo o Primogênito, diz: E todos os anjos de Deus O adorem” (v. 6) refere-se à Aparição do Filho em glória, o que nos leva ao reino estabelecido em poder: “Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o Teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; cetro de equidade é o cetro do Teu reino” (v. 8).

 

Finalmente, na conclusão do seu reinado benéfico de mil anos, o Filho devolve o reino “a Deus, ao Pai” (1 Co 15:24), e encerra a primeira criação material, como se alguém dobrasse uma roupa e a guardasse. “Tu, Senhor, no princípio fundaste a Terra, e os céus são obra de Tuas mãos. Eles perecerão, mas Tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, e como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas Tu és O mesmo, E os Teus anos não acabarão” (Hb 1:10-12). Estes versículos nos levam da criação ao dia eterno. A mão do Filho colocou a criação em ordem e a mesma mão a enrolará. No entanto, Ele permanece: “Tu permanecerás... Tu és O mesmo” – que consolo para os hebreus que estavam deixando tudo que estava à vista para abraçar realidades eternas desfrutadas apenas pela fé! Nossa porção é apreciada da mesma maneira.

 

No versículo 3, lemos que o Filho Se assenta em Sua própria dignidade e justiça; no versículo 13, Sua ascensão é referenciada novamente, mas desta vez Ele Se assenta a convite de Deus – nenhum anjo jamais foi assim convidado! Ao acompanharmos o desenvolvimento ordenado desde a encarnação do Filho até o estado eterno (vs. 5-12), somos novamente levados de volta ao ponto em que o Filho está agora, ascendido à destra de Deus (v. 13). Ao sermos conduzidos pelo deserto, o Espírito de Deus continuamente direciona nossos pensamentos para onde o Filho está agora – um Homem à destra de Deus como Objeto de fé e adoração.

 

Um sacrifício mais excelente 

“Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício [sacrifício mais excelente – JND] do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala” (Hb 11:4).

 

Se no capítulo 1 temos a excelência superior da Pessoa do Filho, nesta Escritura temos, por inferência, a maior excelência de Sua obra em contraste com os sacrifícios sob o Judaísmo (principalmente observados no capítulo 9 e na primeira metade do capítulo 10).

 

Os exemplos de fé no capítulo 11 não são incidentes aleatórios registrados para nosso interesse geral, mas atos específicos de fé que seriam de particular ajuda para os crentes Judeus da época. O “sacrifício mais excelente” (JND) é o ponto de partida para a fé.

 

W. J. Brockmeier

O Eterno Filho de Deus como Homem

 

Nunca houve aqui um caráter como o do eterno Filho de Deus como Homem – um caráter que tem profundidade e altura que não podem ser encontradas em ninguém além do próprio Deus e que só poderiam ser delineadas pelo Espírito Santo. Satanás teria feito de tudo no céu e na Terra para ter diminuído Sua perfeição, mas ele não podia tocar n’Aquele Santo e Imaculado. Era Deus Se aproximando do homem de acordo com Seu próprio caráter; tudo, desde a manjedoura até a cruz, era divino.

 

É algo muito real ter a ver com Cristo. Quando você recebe a Cristo, você encontra toda a glória moral de Deus na face desse Cristo – não apenas Sua glória brilhando ali, mas todas as ternas afeições do coração de amor do Pai, manifestadas n’Aquele que tomou nossa forma e habitou entre nós como um Homem.

 

Por que Ele deveria deixar o céu e descer aqui – o Deus-Homem perfeito, incomparável e sem par? O que era esse mundo para Ele? Ah! Deus tinha todos os Seus planos centrados n’Aquele Um. Desde a fundação do mundo, foi ordenado que Ele assumisse a questão do pecado, e, seja qual fosse a ruína e a miséria trazida por ele, Cristo era perfeitamente capaz de transformar toda a ruína em Sua própria glória.

 

Ninguém, a não ser o próprio Filho de Deus, podia olhar para o rosto de Deus e dizer: “Eu posso resolver a questão do pecado”. Ninguém, a não ser Ele, podia olhar para o coração e a mente de um pecador, seja Judeu ou gentio, e dizer: “Sei exatamente o que você é, e posso fazer uma obra da qual Deus possa dizer que encontrou Seu descanso, por meio do qual Ele está perfeitamente livre para agir em graça para com o mais miserável pecador”.

 

Não há parte da vida do bendito Senhor em que Ele Se manifeste tão notoriamente como Deus quanto quando estava na cruz, capaz de enfrentar todo o volume da ira de Deus pelo pecado, levando em Seu próprio corpo um sem-número de pecados acumulados, e pelo sacrifício de Si mesmo deixando claro o direito de Deus de justificar o pecador. O caráter de Deus como amor também foi mostrado, ao dar Seu Filho para ser o sacrifício aceito pelo pecado. Deus nunca foi antes revelado dessa maneira.

 

G. V. Wigram

A Eterna Filiação de Cristo

 

Quanto mais eu olho para o assunto, mais estou convencido de que o termo “unigênito” não pode ser limitado ao Seu nascimento no mundo. Eu acredito que João 1:14, 18 o leva de volta à eternidade. No versículo 14, é Sua glória pessoal “como a de um unigênito com um pai” (JND), não algo que se tornou realidade somente por Seu nascimento no mundo. E no versículo 18, é: “O Filho unigênito, que está no seio do Pai” – algo que nunca teve um começo. É um relacionamento eternamente subsistente – não Seu relacionamento com Deus como o Messias nascido no mundo, de acordo com o Salmo 2, e, portanto, um relacionamento no tempo.

 

Agora, quanto ao relacionamento no tempo, Ele foi “gerado”; O Salmo 2 diz isso – “hoje Te gerei”. Mas no relacionamento eterno não há Escritura que fale do ato de gerar. Ela apenas declara o que Ele era como Filho com o Pai, um “unigênito”“unigênito... no seio do Pai” – e não um que foi “gerado”. Essa distinção é importante.

 

A mesma dificuldade pode ser levantada quanto ao “Primogênito de toda criação”. O termo “Primogênito” expressa Sua posição em relação à criatura, sem nenhuma dúvida sobre o tempo de Seu nascimento. “Unigênito” expressa Seu relacionamento com o Pai como Filho, um lugar que nenhum outro tem. Somos “filhos” por nascimento e adoção, mas somente Ele é um “unigênito”, e a Escritura não diz que é por “nascimento” ou “adoção”. É, creio, o que simplesmente Ele é de eternidade em eternidade.

 

“Primogênito” 

É importante ver que em Hebreus 1, uma passagem que cita o Salmo 2, Ele não é chamado de “unigênito”. É dito: “Hoje Te gerei” e “primogênito”. É o relacionamento, no tempo, com Deus e com a criatura que é expressa nesses dois termos, embora que o que Ele é em Sua própria Pessoa seja destacado nos três primeiros versículos: “Filho”, “o resplendor da Sua glória, e a expressa imagem da Sua Pessoa”. Seu lugar com o Pai e no seio do Pai não é o ponto aqui e, portanto, “unigênito” não é usado.

 

“Unigênito” não pode ser confundido com o ter sido gerado ou “primogênito”. “Gerado” está conectado com o tempo e uma geração real. “Primogênito” é o Seu título em relação à criatura, e, quando Ele, como tal, é introduzido ao mundo, todos os anjos são convocados a adorá-Lo. Isso mostra Sua preeminência nessa conexão. Ambos os termos estão em Hebreus 1. Somente João usa o termo “unigênito” (João 1:14, 18; 3:16, 18; 1 João 4:9), aplicado à Pessoa do Filho. Isso por si só é significativo, pois João, de uma maneira especial, retorna até antes do tempo e mostra qual era a glória da Pessoa do Filho na divindade absoluta. Outros discorrem sobre Suas glórias oficiais e títulos relativos, mas João desenvolve Suas glórias pessoais e eternas. Até mesmo “Filho do Homem, que está no céu” é Sua glória divina – glória que não provém de Ele ser “Filho do Homem”, mas do que Ele é como Deus – é Sua Pessoa, mas como divina, e assim nos céus, embora corporalmente na Terra.

 

“Unigênito” 

No uso do termo “unigênito”, João destaca duas coisas – primeiro, a glória do Filho, e segundo, o amor de Deus em dar o Seu Filho. Ele não era apenas um “Filho” com o Pai, mas um “Filho unigênito”; não apenas “o Filho... que está no seio do Pai”, mas “O Filho unigênito, que está no seio do Pai”. Não há nenhum pensamento de “gerado” aqui, assim como quando dizemos “o Filho”. É o caráter único do relacionamento, como que preenchendo o deleite do coração do Pai.

 

Então, em João 3:16 e 1 João 4:9, há a revelação da grandeza do amor de Deus. Ele amou o mundo de tal maneira que deu – não apenas “Seu Filho”, mas – Seu Filho unigênito”. Conecte “unigênito” aqui com o tempo, e a força da expressão será perdida por completo.

 

Santo temor 

Parece claro para mim e muito precioso também, mas não sei se posso fazer com que outros vejam isso da mesma maneira. Não tenho sombra de dúvida alguma em minha mente quanto a isso. É um assunto interessante, mas que deve ser visto com cuidado e santo temor. A mera razão não serve para nada ao manuseá-lo. Temos o Espírito para nos dar a força da Escritura, e isso temos pela graça.

 

Uma pessoa pode não ter clareza quanto a essas expressões, mas negar que “o Filho unigênito, que está no seio do Pai” é um relacionamento eternamente subsistente seria um erro grave, roubando do Filho a Sua glória e do Pai o Seu eterno deleite, além de enfraquecer a verdade do evangelho na expressão do amor de Deus, o Pai, ao dar “Seu próprio Filho”, “Seu Filho unigênito”.

 

A. H. Rule (selecionado)

A Glória do Unigênito

 

“E o Verbo Se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”. Essa foi a manifestação de Cristo como Filho e declarada por meio do Espírito por João. E é essa glória, essa plenitude de graça e verdade, que brilha em todo o ministério público de Cristo, conforme registrado por João nos capítulos 1-9. E no progresso desse ministério, observei dois atributos ou ações dessa glória. Primeiro, ela sempre se recusa a se juntar a outra glória de qualquer espécie. Segundo, ela persevera em se manifestar desafiando todo tipo de resistência.

 

Bible Treasury, 7:161

Este Mesmo Jesus

 

“Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu O vistes ir” (At 1:11).

 

Às vezes, ouvimos essa Escritura mencionada como um lembrete tocante da vinda do Senhor para nós (o arrebatamento). Então alguém mais aponta que esse versículo não se refere ao arrebatamento quando subiremos para encontrar o Senhor nos ares, mas sim à Aparição do Senhor quando Ele novamente virá à Terra e colocará Seus pés sobre o Monte das Oliveiras (Zc 14:4).

 

Embora reconheça a importância de cada um desses grandes momentos, eu sugeriria que este versículo não se refere exatamente à vinda do Senhor por nós nem à Sua vinda conosco com poder e glória na Sua Aparição.

 

A ocasião aqui responde em caráter à Sua vinda por nós, isto é, para fé e para aqueles que O esperam, mas é no tempo de Sua Aparição. Quanto ao tempo, é uma manifestação particular do Senhor Jesus para os Seus: Judeus piedosos esperando por Ele na Terra – não Cristãos acolhidos em casa no céu.

 

O Livro dos Atos começa de onde o Evangelho de Lucas parou (Lucas escreveu os dois livros). O Senhor Jesus levou alguns dos que O amavam para fora de Jerusalém (apartados do sistema que O rejeitou) a Betânia (aquele lugar de comunhão com os Seus), situado perto do Monte das Oliveiras, e dali Ele subiu ao céu, onde uma nuvem O recebeu ocultando-O a seus olhos. É aqui que o Cristianismo começa. Como alguémdisse bem, “o Cristianismo começa do outro lado da nuvem”. Cristo glorificado no céu e o Espírito de Deus habitando na Terra caracterizam os dias atuais. Sete anos após o Espírito de Deus ser retirado do mundo, Cristo voltará à Terra, não para sofrer, mas para reinar.

 

José se deu a conhecer a seus irmãos somente depois de ter dispensado todos os outros de sua presença (Gn 45:1). Da mesma forma, quando o Senhor direcionou Tomé (uma figura do remanescente Judeu arrependido) para Suas mãos e para o Seu lado, foi uma ocasião privada, pois a Escritura registra, “estando as portas fechadas” (Jo 20:26). A vindicação pública de Cristo é algo que todo coração verdadeiro deseja ver, mas quão precioso é considerar também aqueles momentos privados em que Ele Se revela àqueles a quem Ele ama e por quem sofreu.

 

W. J. Brockmeier

“Há Muitos deuses”

 

Como resultado das guerras e derramamento de sangue ocasionados por conflitos entre as várias religiões do mundo, surgiu um movimento que prega a tolerância e promove o “diálogo inter-religioso” para descobrir pontos em comum e trabalhar juntos em prol da humanidade. Como parte desse movimento, está sendo postulado que toda religião adora essencialmente o mesmo Deus, mas de uma maneira diferente.

 

Reuniões ecumênicas foram convocadas para incentivar pesquisas que levariam a “recursos cooperativos” para ajudar todas as religiões. Mesmo entre os Cristãos esse movimento teve um certo apelo e está ganhando força, principalmente entre os que sofreram, direta ou indiretamente, discórdia religiosa. Miroslav Volf, um proeminente teólogo da Yale Divinity School, escreveu um livro, “Allah: Uma resposta Cristã”, no qual ele argumenta que o deus muçulmano “Allah” é o mesmo Deus adorado pelos Cristãos. Tendo visto sérios conflitos religiosos em seu país, a Iugoslávia, ele argumenta que “ter valores comuns tornará possível negociar diferenças”. Vamos examinar tudo isso à luz da Palavra de Deus.

 

No começo da existência do homem neste mundo, Deus Se revelou a ele e desejou sua companhia. Mas o homem escolheu desobedecer a Deus e, ao introduzir o pecado no mundo, afastou-se de Deus. Depois de permitir que o homem visse o resultado de ser deixado para si mesmo, Deus destruiu o mundo com um dilúvio, mas salvou oito pessoas na arca, que depois foram usadas para repovoar a Terra. Nesse momento, todos eles tinham claramente o conhecimento do Deus verdadeiro. E o que aconteceu depois? Lemos em Romanos que “tendo conhecido a Deus, não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu” (Rm 1:21). Como um resultado, porque “como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso” (Rm 1:28).

 

Idolatria 

Não parece ter havido idolatria antes do dilúvio de Noé, mas depois se desenvolveu muito rapidamente. O homem não queria o Deus verdadeiro, pois seu coração pecador queria se entregar às coisas que sua consciência, na presença de Deus, condenaria. Em vez disso, a imaginação do homem, energizada por Satanás, criou deuses em todos os lugares e de todos os tipos, pois o homem em sua natureza tem um espírito – uma parte consciente de Deus em seu ser.

 

Imensos sistemas foram estabelecidos, e a infinidade de deuses e religiões que abundam hoje em dia é o resultado de tudo isso. Houve variações ao longo do tempo e em diferentes culturas, mas há um tema comum a todos os falsos deuses e religiões. Estes são deuses adequados ao coração pecaminoso do próprio homem – deuses que ele pode manipular para se adequar aos seus propósitos pecaminosos. Embora possa ser encoberta por princípios morais de alto tom, as religiões criadas pelo homem estão associadas à mais terrível degradação em concupiscências pecaminosas, pois os homens fazem deuses que lhes permitem gratificar suas paixões. Citando J. N. Darby: “O homem procura em vão satisfazer a necessidade de seu coração por meio de objetos que o degradam e que, por fim, o fazem esquecer o Deus verdadeiro”.

 

A revelação de Deus 

Em tudo isso vem a revelação de Deus sobre Si mesmo, primeiro por Seu poder na criação, depois por Sua Palavra e, finalmente, por enviar Seu Filho a este mundo. Deus não pode ser conhecido, exceto por Sua revelação de Si mesmo. Mas Ele Se revelou a nós por Sua Palavra no Velho Testamento, e depois de maneira mais completa por enviar Seu Filho. O único Deus verdadeiro foi revelado como um Deus trino; um Deus da verdade, mas também do amor e da graça. É uma das perfeições da Escritura que isso também tem sido associado à revelação da bondade em Deus, para não nos ocupar com o mal, embora a Palavra de Deus julgue o mal em seu caráter moral.

 

O único Deus verdadeiro 

Quando todas essas coisas são cuidadosamente consideradas, fica claro que as falsas religiões NÃO adoram o mesmo Deus que a Palavra de Deus revela. Em vez disso, o homem inventou o que combina com sua condição perdida, embora, em muitos casos, emprestado da revelação divina para tentar dar alguma legitimidade aos sistemas falsos que ele estabeleceu.

 

A Palavra de Deus é clara: “Em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4:12). Não é necessário investigar o que é falso, nem “negociar” entre o falso e o verdadeiro. “Porque, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na Terra (como há muitos deuses e muitos senhores), Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de Quem é tudo e para Quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo Qual são todas as coisas, e nós por Ele” (1 Co 8:5-6). Por um lado, nos é dito: “não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas” (Ef 5:11), enquanto, por outro lado, devemos lembrar que “Deus, nosso Salvador... deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Tm 2:3-4 – ARA). “Olhai para Mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da Terra; porque Eu Sou Deus, e não há outro” (Is 45:22).

 

W. J. Prost

Digno é o Cordeiro que Foi Morto

Apocalipse 5:12


Digno, ó Cordeiro de Deus, és Tu!

Que todo joelho se dobre diante de Ti,

Digno dos dias mais doces do céu,

Digno do louvor dos pecadores redimidos.

 

Digno, ó Senhor, pelo que és,

Revelador do coração do Pai,

Digno pelas obras que fizeste,

Por poderosas vitórias que conquistaste.

 

Digno porque foi Teu gozo

Deixar Teu glorioso trono nas alturas,

Vir à Terra para fazer a vontade de Deus,

E cumprir todo o Seu conselho.

 

Digno porque, em graça paciente,

Tu Te colocaste no lugar do pecador;

Na cruz do Calvário, Teu sangue fluiu,

Para pagar a grande dívida que tínhamos.

 

Oh! Quem no céu ou na Terra

Pode expressar todo o Teu glorioso valor!

Quem, senão Teu Pai, conhece

Quão terrível é o Teu conflito com o inimigo!

 

Muitas coroas que usas,

Entronizado na mais alta glória ali;

Tu, Esmagador da cabeça da serpente,

Tu, "Primogênito dentre os mortos".

 

Sim, Tu és digno, Jesus, Senhor,

De ser adorado pelo céu e pela Terra;

Aproxima-se o dia em que todo joelho

Se dobrará sob Teu legítimo domínio.

M. S. S.

“Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez”

João 1:3


Comentários


bottom of page