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Ofertas de Cheiro Suave (Setembro de 2020)



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Revista mensal publicada originalmente em setembro/2020 pela pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


J. N. Darby (adaptado)

G. H. Hayhoe

J. T. Mawson

W. J. Prost

H. E. Hayhoe (adaptado)

C. H. Mackintosh (adaptado)

J. N. Darby (adaptado)

H. W. Soltau

J. N. Darby

G. H. Hayhoe (adaptado)

J. N. Darby (adaptado)

Present Testimony, vol. 2 (adaptado)

Food for the Flock, vol. 6 (adaptado)

Bible Herald, vol. 5

C. E. Lunden (adaptado)

W. Kelly (adaptado)

J. Conder

 

Ofertas de Cheiro Suave


A perfeição de Cristo em todo o Seu caminho foi que Ele nunca fez nada para ser visto pelos homens; tudo subia inteiramente para Deus. Assim, o cheiro da oferta de manjares era agradável para os sacerdotes, mas tudo era dirigido a Deus. No serviço de Cristo ao homem, o Espírito Santo estava em todos os Seus caminhos, porém todo o efeito da graça n’Ele era sempre dirigido para Deus, mesmo que fosse para com o homem. E assim deve ser conosco; nada deve surgir como motivo, exceto o que é para Deus.


Em Efésios 4:32 e 5:1-2, vemos a graça do nosso Senhor Jesus Cristo para com o homem e a perfeição do homem para com Deus como o alvo. “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados”. Em todo o nosso serviço seguindo Cristo aqui, temos estes dois princípios: nossas afeições para com Deus, nosso Pai, e a operação de Seu amor em nosso coração para com aqueles que se encontrem em necessidade. Podemos amar para cima e para baixo – amar para Deus (para cima) e para o homem (para baixo).Na oferta de manjares, os sacerdotes podiam sentir o cheiro suave, mas ela não era oferecida a eles; era tudo queimado para Deus. Com relação ao caminho d’Ele, não havia nenhum sentimento que não fosse inteiramente para Deus – por nós, mas para Deus. Era aquilo que era perfeitamente aceitável a Deus.


J. N. Darby (adaptado)

 

O Holocausto


O livro de Levítico, embora um tanto difícil, é muito interessante e instrutivo se o lermos com atenção e oração. Deus não está nos falando sobre “costumes judaicos” simplesmente para satisfazer nossa curiosidade, mas todo esse ritual e esses sacrifícios foram dados por Deus e têm um significado muito precioso para nós. Todos eles apontam para Cristo, o bendito antítipo (cumprimento) de todas essas “sombras das boas coisas que haviam de vir” (Hb 10:1 – JND).


Se você ou eu estivesse escrevendo o livro de Levítico, nós teríamos colocado primeiro a oferta pelo pecado e a oferta pela culpa, porque primeiro pensaríamos em nossa própria necessidade, mas aqueles a quem Deus usou para escrever a Bíblia não escreveram de acordo com seus próprios pensamentos, pois “homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1:21). Eles escreveram o que Deus lhes disse, pois “toda a Escritura é inspirada por Deus” (2 Tm 3:16 – ARA). É a Palavra de Deus, não do homem.


Por que o holocausto vem primeiro

O holocausto vem primeiro porque tipifica o que a obra de Cristo no Calvário é para Deus. O livro começa, então, apresentando primeiro o lado de Deus, pois, se Deus foi totalmente satisfeito e glorificado quanto à questão do pecado, certamente nós podemos ficar satisfeitos também. Isso é o que vemos, em figura, apresentado a nós no holocausto, e quão precioso é para nosso coração meditar em Cristo desta maneira. Deus não só coloca o holocausto em primeiro lugar, mas também começa com o aspecto mais elevado dele – o novilho. Ele também era um sacrifício voluntário; ou seja, quem o trazia não tinha obrigação de fazer isso. Gostamos de pensar no Senhor Jesus fazendo voluntariamente a vontade do Pai até a morte – “e morte de cruz”. Nós O ouvimos dizer: “venho para fazer, ó Deus, a Tua vontade” (Hb 10:9), e nada houve que O desviasse disso.


O ofertante então colocava as mãos sobre a cabeça do bezerro, que era sem defeito, e dessa forma o valor do sacrifício era, por assim dizer, transferido para o ofertante. Quando pensamos no perfeito deleite que o Pai encontrou na obra de Seu bendito Filho, Aquele que Se tornou Homem para glorificar a Deus, quão maravilhoso é que sejamos levados a Deus em toda a perfeita aceitação de Sua Pessoa e obra! Somos “aceitos no Amado” (Ef 1:6 – KJV). Em seguida, lemos: “degolarás o novilho perante o SENHOR” (Lv 4:4), e quão belamente isso tipifica o Senhor Jesus oferecendo-Se a Si mesmo “imaculado a Deus” (Hb 9:14). Ninguém Lhe tirou a vida; Ele de Si mesmo a deu (Jo 10:18). O sangue do novilho, o sinal de que havia morrido, era então levado e aspergido sobre o altar, “porquanto é o sangue que fará expiação pela alma” (Lv 17:11).


Fogo e juízo

O corpo do novilho era então cortado em pedaços para ser oferecido sobre o altar de bronze. O fogo, na Escritura, é uma figura de juízo, e assim vemos o Senhor Jesus exposto ao juízo de Deus naquelas três horas de trevas na cruz. Assim como toda essa oferta subia como cheiro suave a Deus, sabemos que a obra do Senhor Jesus foi muitíssimo agradável ao coração de Deus, Seu Pai. Homens e mulheres pecadores desde Adão haviam desonrado a Deus de todas as maneiras possíveis, mas, quando Deus olhava para Seu bendito Filho, Ele não via nada a não ser aquilo que trazia pleno gozo ao Seu coração. Foi assim, mais do que em qualquer outro momento, quando Ele O glorificou em Seus sofrimentos expiatórios e morte.


G. H. Hayhoe

 

A Doce Fragrância de Cristo para Deus


As cinzas do holocausto tinham de ser cuidadosamente recolhidas e levadas para um local limpo. Tão precioso era o holocausto para Deus que não era permitido jamais que o fogo se apagasse; ele deveria ficar aceso a noite toda (Lv 6:9).


É noite neste mundo. Cristo, a verdadeira Luz do mundo, foi rejeitado, e o mundo permanece em trevas. Durante a ausência d’Ele, é privilégio de cada crente entrar na preciosidade de Cristo para Deus, contemplá-Lo entregando-Se a Si mesmo “em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” e compartilhar o deleite do Pai na doce fragrância dessa bendita Pessoa, que disse: “Por isso, o Pai Me ama, porque dou a Minha vida para tornar a tomá-la” (Jo 10:17). Não é de admirar que esse fogo jamais deveria se extinguir, mas que a cada dia se colocasse nova lenha no altar, o que fala do incessante e imutável deleite que o céu tem em Jesus.


J. T. Mawson

 

Nossa Apreciação de Cristo


Durante a história do Cristianismo, desde os dias dos apóstolos até agora, tem havido uma forte tendência dos crentes de se concentrarem em si mesmos e no que Deus fez e fará por eles. Isso não é surpresa, pois desde a queda do homem no jardim do Éden, o coração do homem tem sido não só egoísta, mas também egocêntrico, o que é muito pior. Seus pensamentos giram em torno de si mesmo – suas ambições, seu prazer, sua vontade. De fato, o pecado em si não é somente fazer coisas erradas, mas é, em sua raiz, o exercício de uma vontade independente. É triste dizer, mas essa atitude não é comum apenas no mundo; ela tende também a permear o Cristianismo.


Como resultado, os crentes muitas vezes consideram a obra de Cristo na cruz apenas como uma forma de escapar do fogo do inferno e olham para Deus como Alguém humanitário que está ali para suprir todas as suas necessidades, para resolver todos os seus problemas e para dar-lhes um caminho fácil por este mundo. É verdade que o Senhor prometeu cuidar de nós e suprir nossas necessidades. Ele quer que dependamos d’Ele e que venhamos a Ele com nossas dificuldades. Porém, se nosso relacionamento com Ele não vai além disso, perdemos muito e desonramos Aquele que tem muito mais do que isso para nós.


A perspectiva de Deus

Deus quer nos tirar de nós mesmos para termos um relacionamento com Ele de tal forma que vejamos tudo, não pelo nosso lado, mas pela perspectiva d’Ele. Deus vive e Se move na eternidade, e o homem, também, sendo feito à imagem e semelhança de Deus, foi feito para a eternidade. Vivemos em uma cena temporal, e no momento nossa mente está limitada pelo tempo, mas lemos em Eclesiastes 3:11 que Ele “pôs o mundo [ou o infinito, a eternidade] no coração deles”. Quando Deus eleva nosso coração acima deste mundo, vemos as coisas de uma forma mais ampla: nós apreciamos os pensamentos de Deus sobre tudo, e não apenas nossos limitados pensamentos. Este é um privilégio abençoado para nós como crentes, e particularmente considerando a verdade dada à Igreja no Novo Testamento. No entanto, temos figuras dessa preciosa verdade no Velho Testamento, e uma das melhores delas é o holocausto.


O termo “holocausto” remonta ao tempo de Abraão, mas a verdade acerca dele aparece logo no início da história do homem, pois lemos em Gênesis 4:4 que Abel “trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura”. A gordura era a porção do Senhor, que Abel ofereceu por fé, e fala da força e energia interior no sacrifício. Isso foi finalmente visto em perfeição em Cristo, o Verdadeiro Holocausto. Esta oferta foi para o próprio Deus, embora oferecida pelo homem, e é revelada integralmente nas ofertas voluntárias detalhadas na lei mosaica.


O holocausto

O holocausto, então, é o primeiro a ser mencionado, nas ofertas que nos são apresentadas nos primeiros capítulos de Levítico, como aquela que nos mostra Cristo oferecendo-Se a Si mesmo a Deus em plena obediência e para a glória de Deus. A oferta era voluntária, mostrando-nos que a obediência de Cristo foi voluntária; não foi forçada, mas sim: “Deleito-Me em fazer a Tua vontade, ó Deus Meu” (Sl 40:8). Além disso, o que está em questão não é tanto a expiação, mas, sim, o fato de que tudo devia ser “de cheiro suave ao SENHOR” (Lv 1:9). A expiação, é claro, é mencionada, pois o sangue devia ser aspergido “em redor sobre o altar” (ARA), mas nas ofertas voluntárias o pensamento é mais sobre a excelência do sacrifício do que sobre a culpa do ofertante. Assim, ao colocar a mão sobre a cabeça do holocausto, o ofertante se identificava com toda a excelência e valor do sacrifício.


Todo o holocausto era para o Senhor; “o sacerdote queimará tudo isto sobre o altar” (Lv 1:9). Nada devia ser comido ou usado de qualquer outra maneira. Isso nos mostra o deleite de Deus Pai em Seu Filho amado, que em obediência voluntária Se submeteu perfeitamente à vontade de Seu Pai, não importa o que custasse. Ele Se tornou “obediente até a morte, e morte de cruz” (Fp 2:8). O pecado não podia ser de cheiro suave, mas o sacrifício de Cristo, em tudo o que Ele era e em toda a Sua obediência voluntária, era de suavidade especial para Deus Pai. “Cristo ... Se entregou a Si mesmo ... em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” (Ef 5:2).


Graus de apreciação

De nossa parte, pode haver graus de apreciação do que Cristo foi para Deus, como evidenciado pelos vários animais para o holocausto que são mencionados. O novilho era um animal relativamente grande, e fala de uma grande apreciação do que Cristo foi para Deus e da excelência de Sua Pessoa. A ovelha ou cabra eram menores, e a rola ou pombo, bem pequenos. Mas como é belo; em cada caso, o comentário sobre o sacrifício foi o mesmo: “holocausto é, oferta queimada, de cheiro suave ao SENHOR” (Lv 1:9, 13, 17). Seja qual for a medida em que entendemos e apreciamos o que Cristo foi para Deus, nosso sacrifício de louvor e adoração é um cheiro suave para o Senhor.


No caso da rola ou do pombo, parte da ave devia ser retirada antes de ela ser oferecida. Mais do que isso, era o sacerdote quem matava a ave, não o ofertante; este não era o caso do novilho nem da ovelha ou cabra. O sacerdote tipifica o Senhor Jesus, que está, Ele mesmo, pelo Seu Espírito, ali para nos ajudar em nossa fraqueza quando O apresentamos a Deus em adoração. Um hino expressa bem isso: “A todas as nossas orações e louvores, Cristo acrescenta Seu doce perfume”.


Coisas para remover

As penas eram removidas, novamente pelo sacerdote, porque são figura da aparência exterior. Em algumas aves as penas são muito grossas, como, por exemplo, na grande coruja cinzenta. Quando ela ataca sua presa, o objeto de seu ataque geralmente tenta se defender, mas geralmente consegue apenas uma boca cheia de penas, porque elas são muito grossas. Mas as penas devem ser removidas, falando agora daquilo em nossa adoração que é meramente da natureza e não do Espírito.


Por fim, o papo deve ser removido, pois o papo de uma ave contém comida que ainda não foi digerida. Ela é mantida ali até ser transferida para o estômago da ave para digestão. Como crentes, podemos usar expressões em nosso louvor e adoração que tenhamos lido ou ouvido, mas sobre as quais ainda não meditamos e tornamos nossas. Isso é apenas expressar os pensamentos de outras pessoas, que ainda não são realmente nossos. Esta não é a verdadeira adoração, pois é a apreciação de Cristo de outra pessoa e não proveniente do nosso próprio coração. O Senhor Jesus, tipificado pelo sacerdote, precisa remover tudo isso, para que o que é apresentado a Deus seja apenas a realidade – aquilo que é do Espírito.


Em conclusão, então, vemos que a estimativa de Deus em relação a Seu amado Filho excede em muito a nossa, pois nossa apreciação d’Ele tende a ser baseada em nossa necessidade. Se permitimos que Deus leve nossos pensamentos para além de nós mesmos, para ver tudo pelo lado de Deus, não apenas nossos próprios pensamentos são grandemente expandidos, como também Deus é muito mais honrado e nosso Senhor Jesus Cristo muito mais glorificado.


W. J. Prost

 

A Oferta de Manjares


Quão preciosa é esta porção da Palavra de Deus para nossas almas! Nas ofertas que nos são trazidas em Levítico, temos em primeiro lugar o holocausto, a oferta de manjares e a oferta pacífica. Elas formam um grupo que podemos chamar de ofertas voluntárias; elas falam de adoração. A oferta pelo pecado e a oferta pela culpa formam outro grupo; elas falam de atender às reivindicações da natureza santa de Deus e da culpa do homem.


Na oferta de manjares não temos a remoção de pecados, mas, sim, Cristo como Aquele que desceu a este mundo para glorificar a Deus como Homem. Sua vida era não fazer Sua própria vontade, mas a vontade d’Aquele que O enviou.


Preparada em casa

Uma coisa muito marcante em relação à oferta de manjares é que ela parece que era preparada em casa. Ó irmãos, isso fala ao meu coração; é na comunhão com Deus em casa que aprendemos a preciosidade d’Ele para nossa alma. É uma bênção estarmos reunidos, mas quanto de Cristo meditamos e desfrutamos em nossa vida doméstica?


“Flor de farinha” fala de uniformidade, pois cada parte de Seu bendito andar era aceitável a Deus. Quão precioso é meditar sobre o Seu andar e caminhos aqui – Aquele de Quem João fala: “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse O revelou” (Jo 1:18 – ACF).


Companhia

Por que Deus enviou Seu Filho? Deus enviou Seu Filho para que pudéssemos ter a plena revelação de tudo o que estava no coração de Deus. Ele podia dizer: “Quem Me vê a Mim vê o Pai”. O que será o céu, irmãos? Será a companhia do Senhor Jesus e o conhecimento de tudo o que Deus é revelado n’Ele.


No primeiro versículo, temos: “nela, deitará azeite”. Isso é o bendito Senhor aqui embaixo como o Ungido. Cada ato d’Ele era na energia do Espírito de Deus, e junto com aquele ato estava o incenso que alcançava o coração de Deus, vindo daquela bendita Pessoa.


O “punhado da flor de farinha” nos diz que nunca conseguimos absorver tudo o que Cristo é – jamais apreender totalmente tudo o que Ele é ao coração de Deus –, mas cada um de nós pode tomar o seu punhado. Cada um, em sua medida, pode se apropriar dessa preciosidade da Pessoa do Senhor Jesus e desfrutá-Lo em sua alma.


Em Efésios 3:17 lemos: “para que Cristo habite, pela fé, no vosso coração”. Ele habita ali, mas a fé vive no bem disso, “a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade”. Se vai haver fruto, deve haver raízes. A palavra “compreender” deveria ser “apreender”, porque você não consegue absorver tudo. Esse é o “punhado da flor de farinha”.


Circunstâncias para glorificar a Deus

Quão precioso é saber que Aquele lá em cima na glória é Aquele que glorificou a Deus como Homem aqui embaixo! Mas quão fraca é nossa apreensão! Mas na medida em que Cristo é desfrutado, nosso coração anseia por Sua gloriosa vinda. Por que nosso coração não responde mais prontamente àquela palavra abençoada em Apocalipse 22: “O Espírito e a noiva dizem: Vem” (ARA)? Porque existe uma tendência em cada um de nós de se estabelecer aqui. Como gostaríamos que tudo corresse bem em nossa vida doméstica, em nossos negócios e na assembleia, mas Deus nunca ordena que seja assim. Por quê? Porque as dificuldades do caminho são justamente as oportunidades que Deus usa para nos ensinar mais sobre a preciosidade de Cristo – Sua graça paciente. Se Ele nos ensina sobre nossas falhas enquanto caminhamos com Ele, Ele também nos ensina sobre Seus próprios recursos em graça – Sua paciência, Seu amor. Quantas vezes Ele nos ensinou, em meio ao fracasso, a bendita satisfação de Seu amor que permanece!


Quantas vezes, em um momento de dificuldade, tentamos escapar dela, em vez de passar por ela com Deus! Não falo de estarmos envolvidos com o que é contrário a Deus, pois em tal caso devemos sair dessas circunstâncias. Mas, se estamos no caminho daquilo que Ele ordena, nunca o deixemos, por mais difíceis que sejam as circunstâncias. Se o Senhor não vem, as dificuldades aumentarão, mas encontro em mim uma tendência a fugir delas. Jamais façamos isso. Vamos passar por elas com Deus e aprender a lição que Ele quer que aprendamos. Como encontramos aquela bendita Pessoa trilhando esse caminho aqui, nunca Se desviando, seguindo naquele ministério de amor e graça, enfrentando por toda parte a rejeição do homem! Mas, oh, aquelas águas de divino amor e graça, que encontravam n’Ele a sua fonte, fluíam em toda a sua abençoada plenitude!


A perfeição de Cristo

Voltando agora a Levítico 2: “o sacerdote queimará o memorial dela sobre o altar” (KJV). O fogo fala de julgamento ou teste. Não é aqui o fogo com o qual Deus julga o pecado; ao contrário, Aquele que trilhou aqui esse caminho para a glória de Deus foi provado em cada passo desse caminho, e o teste apenas trouxe à tona a bendita perfeição que estava n’Ele. Não havia pecado n’Ele. Ele era o “Santo de Deus”, e a provação no deserto foi apenas para trazer à tona esse fato. Deus queria tornar manifesto que Ele é o Cordeiro de Deus preordenado antes da fundação do mundo. Como nosso coração se deleita em honrá-Lo! Cada prova trouxe a fragrância e a perfeição de Quem Ele era, a glória de Sua Pessoa.


No versículo 3, lemos: “O que ficar da oferta de manjares será de Arão e de seus filhos; é coisa santíssima das ofertas queimadas ao SENHOR” (ARA). Você e eu podemos realmente nos regozijar e adorar diante de Deus ao pensarmos n’Ele aqui como o bendito Homem perfeito. Observe que diz: “é coisa santíssima”. O Espírito de Deus, assim, guarda a Pessoa do Senhor Jesus como Homem e traz à nossa alma o deleite que estava no coração de Deus para com Aquele que sempre O glorificou na Terra.


Sofrimentos ocultos

Nos versículos 4-6, temos a oferta cozida no forno. Eu acredito que na verdade são aqueles sofrimentos de Cristo que estavam ocultos. Era a compaixão de Seu coração que fazia do Senhor um Sofredor, e não as dificuldades do caminho. No momento em que foi rejeitado, Ele pôde regozijar-se em Espírito, voltar-Se para o Pai e dizer: “Graças Te dou, ó Pai, Senhor do céu e da Terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste às criancinhas” (Lc 10:21). Encontramos o Senhor Jesus chorando apenas três vezes. Na sepultura de Lázaro, Seu coração se manifestou em simpatia. Pense em Quem Ele era – o Filho de Deus –, Deus manifestado em carne, com lágrimas escorrendo por Seu bendito rosto! A compaixão de Seu coração trouxe essas lágrimas, não as dificuldades de Seu caminho.


Quantas vezes você e eu podemos ouvir o bendito nome do Senhor Jesus tomado em vão, e talvez em cinco minutos já esquecemos isso. Mas se for contra você ou contra mim que tenham falado, às vezes nossos sentimentos são tão feridos que levamos semanas para superar! Que coração o bendito Senhor tinha! Que revelação do coração de Deus! Você e eu vamos viver com essa bendita Pessoa por toda a eternidade. Seu coração foi manifesto de modo tão abençoado para conquistar nossos corações deste pobre mundo – um mundo que nos enganará, se formos atrás dele.


Andando em comunhão

O coração que busca a companhia de Jesus encontrará aquilo que traz gozo e alegria, por mais escuro e difícil que seja o dia. Vemos isso apresentado de modo abençoado na epístola de João. João havia visto a Igreja estabelecida no Pentecostes; ele havia visto aqueles dias maravilhosos de poder e bênção, mas havia visto a decadência também. Ele havia visto “todos ... na Ásia” se apartarem, mas na Primeira Epístola de João temos o segredo da vida Cristã feliz em meio à ruína – andar em comunhão com o Pai e o Filho.


A “caçoula [assadeira – ARA] nos dá os sofrimentos manifestos de Cristo. Talvez enquanto você e eu lemos as Escrituras, sejamos capazes de discernir apenas os sofrimentos manifestos. Lemos sobre aquelas ocasiões em que o Senhor chorou. Seus sofrimentos estavam manifestos, mas e quanto aos sofrimentos ocultos? Todo o Seu caminho foi de tristeza porque Seu coração se compadecia daqueles por Quem Ele morreu, por causa das tristezas do caminho. Que Salvador bendito!


H. E. Hayhoe (adaptado)

 

Dois Aspectos da Oferta de Manjares


Na oferta de manjares de Levítico 2, a Humanidade perfeita é oferecida a Deus na Pessoa de nosso bendito Senhor. Não há fermento aqui. Outro aspecto da oferta de manjares (aquela dos pães do Pentecostes, em Levítico 23) nos mostra o homem redimido apresentado a Deus no poder do Espírito Santo, com o fermento sendo cozido nos pães. Vamos considerar brevemente os dois aspectos desta oferta.


Em Levítico 2, nosso Senhor é visto como o Homem perfeito, pois o Verbo Se fez carne. Quando Ele andou sobre a Terra, toda a Sua vida estava cheia de fragrância para Deus. Todo o incenso era queimado com o memorial no versículo 2 e subia em cheiro suave. A oferta era santíssima entre os sacrifícios oferecidos por fogo a Jeová.


Nos versículos 4-10, é bom observar que cada porção do bolo era untada com azeite, pois cada ação de nosso Senhor, cada palavra, trazia o caráter do azeite – o bendito Homem, dependente, que sempre andou no poder do Espírito. Quanto mais lemos sobre Sua vida, mais vemos a beleza divina dela. O memorial era queimado no altar, e o que sobrava da oferta era comido pelo sacerdote. Nós, também, precisamos, neste caráter, nos alimentar da oferta de manjares.


As primícias

Os últimos versículos de Levítico 2 são muito abençoados e nos mostram outra maneira pela qual a oferta de manjares era apresentada a Deus. As espigas de milho (grão) são esmagadas, e o memorial queimado. Observe que em toda oferta de manjares é preciso passar pelo fogo, e o cumprimento disso encontramos nos Evangelhos, onde a oferta perfeita foi feita. Especialmente no Evangelho de Lucas, encontramos a perfeita Humanidade de nosso bendito Senhor exposta ao fogo.


Mas vamos agora olhar brevemente para o segundo aspecto da oferta de manjares, em Levítico 23:16-21. No versículo 15, sete semanas eram contadas a partir do dia em que o molho das primícias era apresentado, e esse molho sem dúvida representa a ressurreição de nosso Senhor. Não poderia haver mudança moral alguma em Sua Pessoa, pois Ele é Jesus Cristo, O mesmo ontem, hoje e eternamente. Mas que mudança de condição, naquela manhã da ressurreição, quando Jesus, não mais o Homem de dores, mas triunfante sobre a sepultura, deu vida em abundância aos discípulos! O Último Adão é espírito vivificante, e assim encontramos, no molho das primícias, a figura do Cristo ressurreto.


A festa do Pentecostes

Então, sete semanas depois, veio o dia de Pentecostes, o dia em que o Espírito Santo foi enviado para formar a Igreja de Deus na Terra. A assembleia é aqui representada pelos dois pães cozidos levedados; há um testemunho adequado da graça de Deus, pelo qual a companhia redimida é apresentada a Ele com base na redenção perfeita em Cristo.


Nada parecido havia sido conhecido antes disso, e alguém disse muito bem que, antes que o Espírito Santo pudesse vir habitar nos homens, a habitação devia ser preparada. Sua própria presença na assembleia testifica da obra perfeita na cruz d’Aquele que ressuscitou sete semanas antes do dia de Pentecostes. Bem-aventurados aqueles que entendem a verdadeira conexão entre o Senhor ressuscitado e a companhia favorecida unida a Ele pelo Espírito Santo! É muito importante saber que o Espírito está agora presente na Terra, enviado pela Cabeça glorificada da Igreja.


Pães cozidos levedados

Mas notamos que havia fermento nesses dois pães, ainda que estivesse cozido neles. Esta é uma oferta muito diferente daquela que consideramos como a figura da Humanidade perfeita de nosso Senhor. Nesta, representando a Igreja, encontra-se o fermento, pois existe mal em nós. A passagem em Gálatas 5:17, onde se diz que a carne cobiça contra o Espírito e o Espírito contra a carne, nos ajudaria aqui. O significado é que não devemos fazer aquilo que naturalmente, segundo a carne, podemos desejar. Embora a carne esteja ali, o Espírito é superior a ela, e vemos isso nos pães apresentados no Pentecostes com o fermento cozido neles. O homem redimido é apresentado a Deus no poder do Espírito.


Observe, também, que, na passagem diante de nós (Lv 23:18-19), holocaustos e uma oferta pelo pecado acompanhavam a apresentação dos dois pães; isto é, nada pode neutralizar o pecado, a não ser a obra de Cristo. Isso é trazido à memória pelo bode oferecido como oferta pelo pecado (v. 19), pois Cristo como nossa oferta pelo pecado deve estar sempre diante de nós. Assim, vemos nessas duas passagens, de um lado (Lv 2), a beleza de Cristo como a perfeita oferta de manjares; do outro (Lv 23), uma nova oferta de manjares – o homem apresentado a Deus em redenção, no poder do Espírito, porém com fermento, mostrando que a carne ainda está em nós. Mas essa nova oferta de manjares era apresentada com um holocausto, uma oferta pelo pecado e uma oferta pacífica, mostrando-nos que, quanto ao pecado, tudo foi atendido em Cristo.


E. L. Bevir (adaptado)

 

Incenso


Com relação à oferta de manjares (ou de alimentos), lemos o seguinte na Escritura: “E a trará aos filhos de Arão, os sacerdotes, um dos quais tomará dela um punhado da flor de farinha e do seu azeite com todo o seu incenso; e o sacerdote queimará este memorial sobre o altar; oferta queimada é, de cheiro suave ao SENHOR” (Lv 2:2).


A perfeição de Cristo em todo o Seu caminho foi que Ele nunca fez nada para ser visto pelos homens; tudo subia inteiramente para Deus. Assim, o cheiro da oferta de manjares era agradável para os sacerdotes, mas tudo era dirigido a Deus. No serviço de Cristo ao homem, o Espírito Santo estava em todos os Seus caminhos, porém todo o efeito da graça n’Ele era sempre dirigido para Deus, mesmo que fosse para com o homem. E assim deve ser conosco; nada deve surgir como motivo, exceto o que é para Deus.


Em Efésios 4:32 e 5:1-2, vemos a graça do nosso Senhor Jesus Cristo para com o homem e a perfeição do homem para com Deus como o alvo. “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados”. Em todo o nosso serviço seguindo Cristo aqui, temos estes dois princípios: nossas afeições para com Deus, nosso Pai, e a operação de Seu amor em nosso coração para com aqueles que se encontrem em necessidade. Quanto mais miserável o que recebe o serviço no segundo caso, mais verdadeiro é o amor, e mais simplesmente o motivo é para Deus. Podemos amar para cima e para baixo – amar para Deus (para cima) e para o homem (para baixo). Quanto mais vis e indignas são as pessoas por quem me disponho a abençoar, mais graça há nisso. “Deus prova o Seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8). Mas, embora isso seja verdade, por outro lado, quanto ao estado do meu coração, quanto mais elevado o objeto, mais elevada a afeição. Com Cristo, isso foi perfeito. Como pode uma pobre criatura como eu ser um imitador de Deus? Não foi Cristo um exemplo – Deus visto em um Homem? E devemos andar “em amor, como também Cristo nos amou e Se entregou a Si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus” (Ef 5:2). Ele Se entregou por nós, mas para Deus; era a graça de Deus para com pobres pecadores perdidos.


Na oferta de manjares, os sacerdotes podiam sentir o cheiro suave, mas ela não era oferecida a eles; era tudo queimado para Deus. Com relação ao caminho d’Ele, não havia nenhum sentimento que não fosse inteiramente para Deus – por nós, mas para Deus. Era aquilo que era perfeitamente aceitável a Deus.


J. N. Darby (adaptado)

 

Incenso


O incenso era acrescentado aos bolos que estavam sobre a mesa para expressar outro aspecto e verdade a respeito do Senhor Jesus como Homem, a saber, a pureza e fragrância manifestada por Ele a Deus em todos os Seus caminhos, ações e pensamentos. A pureza dos caminhos e palavras de Jesus não era uma santidade fingida, nem foi alcançada por Se separar dos lugares frequentados pelos homens; não era mero resultado do hábito, porque outros observavam, nem era Seu objetivo o aplauso dos homens, mas ela era o resultado natural da inexistência de mácula em Sua própria natureza. E foi sempre diante de Deus que Ele viveu, pensou e agiu. Se o mal viesse de Satanás ou do homem, mesmo nisso Seu consolo era seguir a vontade de Deus. Nele não havia desconfianças, nem suspeitas, nem murmurações de coração contra Deus. Seu caráter e forma de agir eram brancos e puros como o incenso, e Ele sabia que o Pai a Quem tanto amava era bom em todos os momentos e em todas as circunstâncias. Tudo era aberto e transparente em Cristo; Ele não tinha nada a esconder; Ele não tinha ambiguidades, nem intenções duplas, pois tinha um olho simples. Suas ações, portanto, e Suas palavras eram a transcrição de Si mesmo, a exibição espontânea do que Ele era intrinsecamente – todo pureza e fragrância. Quão maravilhoso e, ainda assim, quão abençoado é que uma árvore da terra produzisse esse incenso puro e de aroma suave – que um mundo, de onde o pecado, a impureza e a abominação continuamente exalavam um mau cheiro, finalmente encontrasse um em seu meio cujos pensamentos mais íntimos, bem como a forma externa de agir, fossem puros, imaculados e perfumados como o incenso que estava diante de Deus! O que, portanto, o Senhor era intrinsecamente como Homem, tipificado pela flor de farinha, Ele também era em todo o puro e fragrante desenvolvimento de Seu caráter, representado pelo incenso. E os olhos e o coração de Deus podiam descansar em tudo isso e Se deleitar no Filho amado, sempre agradável ao Pai, que realmente tinha a bênção de ser “limpo de coração” e, portanto, estava apto para estar debaixo dos olhos de Deus.


H. W. Soltau

 

A Oferta Pacífica


No primeiro capítulo de Levítico está a descrição do holocausto representando a dedicação e obediência própria do Senhor, até a morte, vindo primeiramente para fazer a vontade do Pai e depois Se oferecendo a Si mesmo sem mácula a Deus. No segundo, temos a oferta de manjares, que mostra a perfeição de Sua natureza, provada pelo fogo de Deus na morte, e o caráter detalhado dessa perfeição, com o memorial dela sendo oferecido perante Jeová e o restante sendo comido pelos sacerdotes – uma oferta de manjares sem fermento.


O capítulo 3 aborda a parte da oferta pacífica que era oferecida a Deus. Não há menção ao que era feito com o corpo do animal; devemos consultar o capítulo 7 para isso. É dito que a gordura e o sangue, que representam a vida e a energia da vítima oferecida, são o “manjar” (“alimento” – ACF) da oferta queimada. Eles não podem ser comidos, mas são apresentados a Jeová e são todos queimados por estatuto perpétuo. A vida pertence a Deus, e em Cristo tudo foi oferecido a Ele e para Sua glória.


Temos, na oferta pacífica, o mesmo caráter que as duas anteriores; ainda um sacrifício feito por fogo de cheiro suave. A característica peculiar desta oferta é que é dela que o próprio Jeová Se alimenta; não é apenas uma oferta, mas o alimento da oferta. Isso lhe confere um caráter peculiar e introduz a comunhão. A satisfação e o deleite, o alimento de Deus, estão na oferta de Cristo. Tudo o que Deus é encontra Seu repouso ali e é perfeitamente glorificado ali; nela também encontramos nosso alimento, nosso deleite.


As várias partes

No capítulo 7 vemos que o restante da oferta pacífica era comido pelo adorador, com exceção do peito movido e da espádua alçada, que eram dos sacerdotes. Estas três coisas, então, podemos observar: o sangue é aspergido e a gordura é queimada, por cheiro suave; o peito movido era para Arão e seus filhos, a espádua alçada era para o sacerdote que oferecia; e o resto era para o adorador se alimentar, como uma ocasião de gozo e ação de graças perante Jeová. Esta prática em que o ofertante participa de seu sacrifício era seguida nos sacrifícios pagãos aos quais o apóstolo alude (1 Co 10:18-21); parte era oferecida ao ídolo, e com o restante faziam um banquete, participando juntos dele. Novamente, quando o apóstolo está dando liberdade aos coríntios para comerem o que era vendido no açougue, ele os limita àquilo que comiam na ignorância. “Mas, se alguém vos disser: Isto foi sacrificado aos ídolos, não comais” (1 Co 10:28). Eles aspergiam o sangue no altar e depois comiam o sacrifício; portanto, aqueles que conscientemente participavam dele eram considerados participantes do altar. Esta era a forma de mostrar comunhão, seja com um ídolo, seja entre um crente e Deus. E isso tem um significado abençoado.


O assunto da comunhão

Cristo não é apenas representado aqui como o holocausto perfeito totalmente oferecido a Deus na morte para Sua glória, mas também como uma oferta da qual nos alimentamos. Ele não é apenas o deleite de Deus, mas também é aquilo de que podemos com Ele participar. Ele é o assunto da comunhão. “Assim como ... Eu vivo pelo Pai, assim quem de Mim se alimenta também viverá por Mim” (Jo 6:57). A comunhão é entre todos os santos, o adorador, o sacerdote e Deus. Não apenas é um privilégio para nós ver o sacrifício oferecido a Deus e abrindo uma via de acesso a Ele (como no holocausto e outros), mas também descobrimos que o Senhor Se deleita em ter comunhão conosco em torno disso.


A primeira coisa a ser observada na oferta pacífica é a aceitação completa e absoluta do sacrifício, de modo que Jeová fala dela como Seu alimento, aquilo em que Sua santidade podia achar intrínseca satisfação. As entranhas eram apresentadas por cheiro suave (como Jesus); elas eram provadas e examinadas pelo fogo e consideradas alimento para o próprio Deus. A gordura representa os atos espontâneos do coração. A riqueza de um animal é sua gordura; julgamos sobre seu estado saudável e vigoroso por isso.


Está escrito: “o nosso Deus é um fogo consumidor” (Hb 12:29). Essa expressão às vezes é interpretada erroneamente, como se falasse de Deus sem envolver Cristo. Nós não sabemos nada sobre Deus fora de Cristo. Nós podemos nós mesmos estar fora de Cristo; nesse caso, de fato, como um fogo consumidor, a própria presença de Deus seria destrutiva para nós. Mas também, como é sabido por nós que estamos em Cristo, Ele é um Deus intolerante com todo o mal, com tudo o que é inconsistente com Ele.


J. N. Darby (adaptado)

 

A Oferta Pacífica


Depois do holocausto e da oferta de manjares, a próxima oferta mencionada é a oferta pacífica. Como já observamos, cada uma dessas ofertas nos traz um aspecto diferente da obra de Cristo. O holocausto é o que a obra de Cristo é para Deus, glorificando-O plenamente sobre o pecado. A oferta de manjares é a Humanidade perfeita de Cristo e nos mostra, em figura, como cada teste e provação por que Ele passou como Homem apenas revelou uma perfeita uniformidade e fragrância que foi um deleite para o coração de Deus, Seu Pai, além de ser comida para nós como sacerdotes.


Comunhão

A oferta pacífica poderia ser chamada de oferta de comunhão. Assim que o pecado entrou no mundo no jardim do Éden, a comunhão entre Deus e o homem foi quebrada e só poderia ser restaurada em Cristo, Aquele que glorificou plenamente a Deus sobre a questão do pecado. Ele trouxe aqueles que são salvos a um lugar de aceitação e favor onde podemos ter “comunhão ... com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo” (1 Jo 1:3). Fomos levados a um lugar mais próximo – muito mais próximo do que aquele desfrutado por Adão antes da entrada do pecado. Antes éramos inimigos, mas agora fomos “reconciliados a Deus pela morte de Seu Filho” (Rm 5:10 – JND). Todos os nossos medos se foram e podemos nos regozijar “em Deus por [meio de – JND] nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5:11). Bendita porção!


A maneira de se aproximar de Deus é assim tipificada em todos os sacrifícios do Velho Testamento, pois a única maneira pela qual o homem pecador poderia comparecer perante um Deus perfeitamente santo era por meio do sangue de um sacrifício. E agora, na oferta pacífica, temos a base da comunhão tão belamente tipificada, bem como a energia que a mantém.


Graus de comunhão

Em primeiro lugar, notamos que a oferta poderia ser tomada dentre o gado, como um novilho, ou poderia ser dentre o rebanho, como uma ovelha ou uma cabra. O novilho é um animal grande, enquanto as ovelhas ou cabras são menores, mostrando-nos que a medida da comunhão não é a mesma para todo crente; no entanto, a comunhão é somente por meio de Cristo. Quanto mais estivermos ocupados com Ele, mais desfrutaremos dessa bendita intimidade de comunhão com Deus em nossa alma. Que nossa medida seja, então, aumentada!


Regozijando com Ele

Quando a oferta era apresentada, o ofertante colocava as mãos sobre a cabeça do animal, identificando-se assim com ele. O animal era então morto e seu sangue aspergido sobre o altar em redor. A única forma de entrar na presença de Deus é por meio do sangue, pois é o sangue que tira o pecado.


Se conectarmos o que temos aqui com a lei da oferta pacífica em Levítico 7, aprenderemos muitas coisas preciosas, ajudando-nos a perceber em maior medida que privilégio maravilhoso é ter os pensamentos de Deus e desfrutar de Cristo. Notamos aqui que a gordura que estava sobre as entranhas do animal era queimada sobre o altar e é chamada de “manjar” da oferta (Lv 3:11, 16). Deus quer nos ensinar, antes de tudo, sobre Sua porção em Cristo, e nossa comunhão e gozo é por causa disso. Como Ele Se deleita em conduzir Seu povo aos Seus pensamentos, desfrutando daquilo que Ele desfruta! Se amamos alguém, queremos que ele desfrute do que desfrutamos, e é maravilhoso pensar que Deus, nosso Pai, quer que nós nos regozijemos com Ele e tenhamos Seus pensamentos sobre Seu Filho.


G. H. Hayhoe (adaptado)

 

Adoração: Sobretudo em Relação à Oferta Pacífica

A oferta pacífica representa para nós a comunhão dos santos com Deus, com o sacerdote que a ofereceu por nós, uns com os outros e com todo o conjunto dos santos como sacerdotes de Deus. Ela vem depois daquelas que nos apresentam o próprio Senhor Jesus – tanto em Sua dedicação à morte (o holocausto) como também em Sua devoção e graça em vida, com a prova do fogo (a oferta de manjares) – para que possamos entender que toda comunhão é baseada na aceitabilidade e no cheiro suave deste sacrifício.


A gordura

O animal era morto à porta do tabernáculo, e toda a gordura era queimada no altar do holocausto para o Senhor. O uso deste símbolo, a gordura, é familiar na Palavra de Deus, como, por exemplo, no Salmo 17:10: “Na sua gordura se encerram e com a boca falam soberbamente.” É a energia e a força da vontade interior, o interior do coração de um homem. Logo, onde Cristo expressa toda a Sua mortificação, Ele declara que poderiam contar todos os Seus ossos (Sl 22), e no Salmo 102: “Por causa da voz do Meu gemido os Meus ossos se apegam à Minha pele” (ACF).


Mas, em Jesus, tudo o que era de energia e força era oferecido a Deus por cheiro suave – o alimento da oferta pertencente a Deus. Nisto o próprio Jeová encontrou Seu deleite, pois era muito bom – bom em perfeita obediência.


A excelência de Cristo

Se os olhos de Deus passassem pela Terra, só poderiam descansar em satisfação e paz quando Jesus pudesse ser visto nela. No momento em que Ele Se apresentou em serviço público, o céu se abriu, o Espírito Santo desceu para habitar neste Seu único lugar de repouso aqui, e a voz do Pai declarou desde o céu: “Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo” (Mt 3:17). Este Objeto perderia Sua excelência em meio a um mundo de pecado? Não, foi ali que se provou a Sua excelência.


Ele aprendeu a obediência pelas coisas que padeceu, pois tudo que brotava de Seu coração era consagrado a Deus. Jeová encontrou contínuo prazer n’Ele e, sobretudo, em Sua morte: o manjar (ou alimento) da oferta estava ali. Com a gordura sendo queimada como holocausto, a consagração a Deus prossegue até seu ponto máximo de aceitação e graça.


A lei das ofertas

Voltando à lei das ofertas (Lv 7:28-34), descobrimos que o restante era comido. O peito era para Arão e seus filhos – figura de toda a Igreja; a espádua direita era para o sacerdote que aspergia o sangue – mais especialmente uma figura de Cristo – como o Sacerdote da oferta. O restante do animal era comido por quem o apresentava e por seus convidados. Dessa forma, havia identidade e comunhão com o deleite d’Aquele a Quem a oferta era oferecida, e com o sacerdócio e o altar, que eram os instrumentos e meios da oferta. De fato, devemos comer em nome do Senhor Jesus, oferecendo nossos sacrifícios de ação de graças, e, assim, consagrar tudo de que participamos, e a nós mesmos, em comunhão com o Doador.


Assim, a oferta de Cristo como holocausto é o deleite de Deus: é de cheiro suave para Ele. Diante do Senhor, em Sua mesa, por assim dizer, os adoradores, vindo também por este sacrifício perfeito, também se alimentam dele e têm comunhão perfeita com Deus no mesmo deleite do sacrifício perfeito de Jesus. Assim como os pais têm um gozo comum em seus filhos, os adoradores têm uma só mente com o Pai em Seu deleite na excelência de um Cristo que foi oferecido. E o Sacerdote que ministrou tudo isso também tem a Sua parte. Além disso, toda a Igreja de Deus está incluída nela.


Tal, então, é toda a verdadeira adoração dos santos. No céu, Ele Se cingirá, os fará assentar à mesa e, chegando-se, os servirá (Lc 12).


O gozo da adoração

O gozo da adoração necessariamente se associa também a todo o conjunto dos remidos, visto como nos lugares celestiais. Arão e seus filhos, figura da Igreja, têm direito de entrar nos lugares celestiais e oferecer incenso, uma vez que foram constituídos sacerdotes para Deus. Logo, a verdadeira adoração não pode separar-se de todo o corpo dos verdadeiros crentes. Não posso ir com meu sacrifício ao tabernáculo de Deus sem encontrar lá os sacerdotes do tabernáculo. Sem o Sacerdote tudo é vão, mas não posso encontrá-Lo sem todo o Seu corpo de pessoas manifestadas. Não posso me aproximar d’Ele senão em associação com todo o corpo daqueles que são santificados em Cristo. Aquele que não anda nesse espírito está em conflito com a ordenança de Deus e não tem uma verdadeira oferta pacífica de acordo com a instituição de Deus.


Mas havia outras circunstâncias que devemos observar. Primeiro, apenas aqueles que estavam limpos podiam participar, entre os convidados. Os israelitas então participavam das ofertas pacíficas, e, se um israelita fosse imundo, ele não poderia comer enquanto sua contaminação perdurasse. Somente os Cristãos cujos corações são purificados pela fé podem adorar diante de Deus, e, se o coração estiver contaminado, a comunhão é interrompida. Nenhuma pessoa visivelmente contaminada está habilitada para participar da adoração e comunhão da Igreja de Deus. Os verdadeiros adoradores devem adorar o Pai em Espírito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim O adorem (Jo 4:23-24). Se a adoração e a comunhão são pelo Espírito, somente aqueles que têm o Espírito de Cristo e que não tenham entristecido o Espírito podem participar.


No entanto, havia outra parte dessa figura que parecia contradizer isso, mas que de fato lança luz adicional sobre ela. Com as ofertas que acompanhavam este sacrifício, foi ordenado (Lv 7:13) que se oferecessem bolos levedados. Embora aquilo que é imundo deva ser excluído, sempre há uma mistura de mal em nós e em nossa adoração. O fermento está ali; pode não vir à mente quando o Espírito não está entristecido, mas está ali onde o homem está. O pão asmo também estava ali, pois Cristo está ali.


O voto e a ação de graças

Havia uma outra direção muito importante nessa adoração. No caso de voto, podia ser comido no segundo dia após a queima da gordura; no caso de ação de graças, era para ser comido no mesmo dia. Isso identificava a pureza do serviço dos adoradores com a oferta da gordura a Deus. É impossível separar a verdadeira adoração e comunhão espiritual da oferta perfeita de Cristo a Deus. No momento em que nossa adoração se separa disso, ela se torna carnal e uma forma ou um deleite da carne. Se a oferta pacífica fosse comida separadamente desta oferta da gordura, ela era apenas uma festividade carnal e era na verdade iniquidade. Quando o Espírito Santo nos leva à verdadeira adoração espiritual, esta nos leva a toda a infinita aceitabilidade, para Deus, da oferta de Cristo. Fora disso, então, nossa adoração cai de volta na carne; nossas orações tornam-se um ensaio fluente de verdades e princípios conhecidos, em vez da expressão de louvor e ação de graças no gozo da comunhão. Nosso canto se torna um prazer para os ouvidos, gosto musical e expressões pelas quais simpatizamos – tudo um arranjo na carne e não comunhão no Espírito.


É bom notar que podemos começar no Espírito e passar para a carne, na adoração. A mente espiritual descobrirá isso imediatamente quando acontecer. O Senhor nos mantém perto de Si para julgar todas as coisas em Sua presença, pois fora dela nada podemos julgar!


Para o Senhor

É bom ter fortemente em mente esta expressão: “que pertence ao Senhor” (Lv 7:20 – AIBB). A adoração não é nossa; é do Senhor. O Senhor a colocou ali para nosso gozo, para que possamos participar de Seu gozo em Cristo, mas, no momento em que a tornamos nossa, nós a profanamos. Logo, o que restava era queimado no fogo; logo, o que era imundo não tinha nada a ver com ela. Daí a necessidade de associá-la à gordura queimada ao Senhor, para que seja realmente Cristo em nós e, portanto, verdadeira comunhão.


Lembremo-nos de que toda a nossa adoração pertence a Deus – que ela é a expressão da excelência de Cristo em nós e, portanto, é nosso gozo, como em um só Espírito, com Deus. Ele no Pai, nós n’Ele, e Ele em nós é a maravilhosa cadeia de união que existe tanto na graça quanto na glória: Nossa adoração é a erupção e o gozo do coração fundada nisto, para Deus, por meio de Cristo. Assim, enquanto Ele próprio está ministrando nisso, o Senhor diz: “Anunciarei o Teu nome a Meus irmãos, cantar-Te-ei louvores no meio da congregação” (Hb 2:12). Que experiência perfeita do que é aceitável diante de Deus deve ter Ele, que, na redenção, apresentou tudo de acordo com a mente de Deus! Sua mente é a expressão de tudo o que é agradável ao Pai e nos conduz, ensinados por Ele próprio, ainda que imperfeitos e fracos nisso, na mesma aceitabilidade. “Nós temos a mente de Cristo” (1 Co 2:16).


J. N. Darby (adaptado)

 

Os Nomes das Ofertas


Gostaria apenas de observar, para concluir, que os nomes das ofertas em nossa versão em inglês são facilmente mal-entendidos, especialmente os das ofertas de manjares e das ofertas pacíficas. As palavras “oferta de carne” (“meat offering” – na versão inglesa King James) transmitem aos ouvidos modernos exatamente o oposto do significado real, pois esta é quase a única oferta em que a carne estava ausente. Um termo mais apropriado seria oferta de manjares. Novamente, oferta de paz [ou pacífica, como em nossas versões em português] soa como se fosse o mesmo que a oferta pelo pecado – uma oferta de expiação, ou para fazer paz. Oferta de prosperidade ou oferta de agradecimento estariam mais próximas da verdade. Talvez o caráter da oferta seria bem expresso pelo nome oferta de comunhão – uma oferta, na qual se desfrutava de comunhão ao se participar dela, com base na prosperidade que o Senhor havia concedido.


Present Testimony, vol. 2 (adaptado)

 

O Couro do Holocausto


Observamos em Levítico 7:8 que “o sacerdote que oferecer o holocausto de alguém, o mesmo sacerdote terá o couro do holocausto que oferecer”. Em 1 Pedro 2, vemos que tanto o sacerdócio santo quanto o sacerdócio real são dados a nós. O crente está primeiro tão ocupado com o holocausto – com Cristo na presença de Deus oferecido totalmente a Ele –, que pode aparecer de uma nova maneira para o homem. Vou a uma reunião, e meu coração se deleita no que Cristo é para Deus. O que eu tenho como resultado disso? Eu tenho o couro – a cor externa, a beleza do animal. Assim como Moisés desceu da montanha e seu rosto resplandecia, assim eu me aproximei de Deus, deleitando-me naquilo que Cristo é para Ele, e agora, descendo ao homem, eu tenho o couro.


Não é por causa da minha devoção, nem é por meio do serviço que adquiro o couro. É o sacerdócio; é por estar ocupado com Cristo diante de Deus. É aquela bem-aventurança que é conhecida pela alma somente quando ela está extasiada com a beleza de Cristo. Então eu pego um pouco dela; eu pego o couro – a beleza d’Aquele que é precioso e em Quem Deus Se deleita. Assim como os filhos que amam seus pais tendem a fazer as coisas como eles, eu me aproximei tanto dessa Pessoa bendita que fiquei com algo de Sua semelhança. Agora posso sair para mostrar as virtudes d’Aquele que me chamou das trevas para Sua maravilhosa luz.


Food for the Flock, vol. 6 (adaptado)

 

A Gordura


A parte do Senhor nas ofertas pacíficas (ou de prosperidade) sendo a gordura das entranhas, e esta sendo consumida no holocausto (Lv 3:5) e com a oferta de manjares (Lv 7:12), realmente colocava-os (o sacerdote que apresentava a oferta, os sacerdotes em geral e os adoradores) em comunhão com o próprio gozo e deleite de Deus. Isso não acontecia apenas na oferta pacífica, mas também nas ofertas queimadas e de manjares, das quais a gordura da oferta pacífica era “o manjar”.


Bible Herald, vol. 5

 

Sal


O sal é necessário à vida, tanto para o homem quanto para o animal, e é um meio de purificação do corpo. Está presente no sangue que corre por todo o nosso corpo. “Bom é o sal; mas, se o sal degenerar, com que se há de salgar?” (Lc 14:34 – ACF). O sal não pode salgar a si mesmo e, como ele não beneficia a si mesmo, destina-se a ser usado para os outros. O sal é uma figura do poder da santa graça no homem. Um verdadeiro crente se assemelha ao sal que dá sabor (ou tempera) e conserva. Ele age como um sabor moral e, enquanto estiver neste mundo, o crente é um preservador. O sal é o poder separador da santidade, guardando-nos do mundo e do mal, por dentro e por fora. “A vossa palavra seja sempre com graça, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um” (Cl 4:6 – AIBB). A separação aqui diz respeito ao que dizemos, o que deve ser feito com graça para edificação dos outros.


Tanto na adoração como em uma oferta consagrada no serviço não deve faltar o sal da santa graça e devoção. O Velho Testamento fala de ofertas e sacrifícios, e nem todos se aplicam à expiação. Muitos deles tipificam o crente em seu papel normal, em relação a como ele deve oferecer sua vida e serviço a Deus aqui na Terra. Tudo isso foi escrito para o nosso aprendizado. Isso não quer dizer que o homem consiga prover algo para Deus por si mesmo, mas pode haver devoção, uma resposta do coração, percebida por Deus e muitas vezes um testemunho na Terra para Sua glória.


“Acabando tu de o purificar [o altar], oferecerás um novilho sem defeito e, do rebanho, um carneiro sem defeito. Oferecê-los-ás perante o SENHOR, os sacerdotes deitarão sal sobre eles e os oferecerão em holocausto ao SENHOR” (Ez 43:23-24 – ARA). O novilho fala da grandeza da apreciação do que Cristo é, em Sua oferta de Si mesmo a Deus. O discernimento disso é por meio do sal, da inteligência interior, bem como da santa graça e devoção. Quantas vezes precisamos nos julgar quanto a isso! É justo que Deus tenha o máximo de devoção, seja na adoração ou no sacrifício, e o sal deve sempre acompanhá-los. “E toda a oferta dos teus manjares salgarás com sal; e não deixarás faltar à tua oferta de manjares o sal do concerto do teu Deus; em toda a tua oferta oferecerás sal” (Lv 2:13).


“Cada sacrifício será salgado com sal” (Mc 9:49). Tudo o que é feito para Cristo é testado para ver se é feito com devoção e por graça. Os esforços da carne não têm lugar em nenhum sacrifício, seja para adoração ou serviço. Que estas meditações refresquem nosso espírito para a verdadeira devoção e santa graça.


C. E. Lunden (adaptado)

 

Mel


Na oferta de manjares havia a proibição de “mel algum”. Significa algo agradável, quanto à natureza, e que não é errado, mas que é impróprio de ser oferecido a Deus. Não pode haver melhor prova da ausência, em Cristo, de uma doçura meramente natural do que a maneira como Ele agia até mesmo no que dizia respeito à Sua mãe. A Escritura registra que ela solicitou favores especiais ao Senhor, mas seus pedidos não foram atendidos. Ele veio para fazer a vontade d’Aquele que O enviou e para consumar Sua obra. Quando criança, Ele viveu sujeito a José e Maria, mas, quando Ele entrou no serviço de Deus, teria sido misturar mel com a oferta de manjares se Ele tivesse atendido às petições dela. Que antecipação, e de fato repreensão, para a vã superstição de homens que fariam de Maria o principal meio de acesso a Deus, influenciando Seu Filho! Ele era perfeito. Ele não veio para satisfazer nem mesmo o lado amável da natureza humana; Ele veio para fazer a vontade de Deus. Isso Ele fez, e a oblação, ou oferta de manjares, mostra isso.


Havia a unção do Espírito, não o fermento, e o sal do concerto, não o mel. Isso não exclui, como nos é dito, a oferta de mel como primícias, ou mesmo pães cozidos levedados, mas eles não podiam ser queimados, pois não eram em si de cheiro suave (Lv 2:12).


W. Kelly (adaptado)

 

Ofertas de Cheiro Suave


Às vezes cantamos esse hino no Dia do Senhor, quando nos lembramos do Senhor. A verdade expressada neste hino é um exemplo do que as ofertas de cheiro suave nos dão em figura.


Tu és a Palavra eterna, O Filho único do Pai; Deus manifesto, Deus visto e ouvido, O Amado do céu; Digno, ó Cordeiro de Deus, és Tu, Que todo joelho se dobre a Ti!


Em Ti, perfeitamente expresso, O Eu do Pai brilha; Plenitude da Divindade também: o Bendito, Eternamente divino; Digno, ó Cordeiro de Deus, és Tu, Que todo joelho se dobre a Ti!


Imagem do Infinito Invisível, Cujo Ser ninguém pode conhecer; Brilho de luz que nenhum olho viu, O amor de Deus revelado aqui embaixo; Digno, ó Cordeiro de Deus, és Tu, Que todo joelho se dobre a Ti!


Os mistérios superiores de Tua fama O alcance da criatura transcendem; O Pai somente Teu bendito nome De Filho pode compreender. Digno, ó Cordeiro de Deus, és Tu, Que todo joelho se dobre a Ti!


No entanto, amando a Ti, em Quem Seu amor Inefável repousa, Os adoradores, ó Senhor, acima, Sendo um Contigo, são abençoados; Digno, ó Cordeiro de Deus, és Tu, Que todo joelho a Ti se dobre!


Do vasto universo de bem-aventurança, O centro, Tu, e o Sol; O eterno tema de louvor é este, Ao Amado do Céu: Digno, ó Cordeiro de Deus, és Tu, Que todo joelho a Ti se dobre!


J. Conder

 

“Andai em amor, como também Cristo vos amou e Se entregou a Si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave”


Efésios 5:2

 




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