Para Que Te Vá Bem


Pensamentos Sobre o Namoro e Casamento



ÍNDICE

Três Decisões Importantes

A Base Bíblica para o Casamento

O Casamento

Divórcio

Este é um Assunto Sério

Procurando um Cônjuge

Então Você Encontrou Alguém

Pensamentos Finais

Decisão de Não se Casar

Homossexualidade

Comportamentos Destrutivos

O Que Fazer Quando Erramos?

Epílogo



PARTE I

Três Decisões Importantes

Tem sido dito que as três decisões mais importantes que tomamos na vida dizem respeito a: primeiro, nossa salvação; segundo, a assembleia; e terceiro, o casamento. Sem dúvida, existem outras escolhas importantes, mas não são tão cruciais como essas. O trabalho que almejamos ter, certamente afetará nossa vida, mas, embora possa não ser fácil, mudar de carreira é ao menos algo possível de se fazer. Em contraste, quando se trata da principal decisão, a salvação, as consequências são eternas, e isso não é algo que possamos tratar de modo leviano. É da maior importância que resolvamos essa questão em primeiro lugar e acima de tudo. De fato, se você não é salvo, não precisa deste livreto, você precisa do evangelho. Sem demora, ajoelhe-se diante de Deus que é justo e santo, reconheça que é um pecador, totalmente perdido aos Seus olhos, e receba esse presente gratuito da salvação por meio de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6:23). “Jesus Cristo, o nazareno, Aquele a Quem vós crucificastes e a Quem Deus ressuscitou dentre os mortos... porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos (At 4:10, 12 – ACF). “Mas Deus prova o Seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, sendo justificados pelo Seu sangue, seremos por Ele salvos da ira” (Rm 5:8-9). “Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo” (At 16:31). “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação”? (Hb 2:3).


Aos olhos da Cristandade a segunda decisão, a assembleia, é algo insignificante e sem consequência. Certamente admitem que se deve escolher uma boa igreja que ensine a Bíblia, que seja apropriada e com programações que atendam às necessidades de cada um. No entanto, apesar das opiniões predominantes, não é para frequentarmos igreja de nossa escolha, pois Deus tem a Sua Igreja! Estar indeciso quanto à verdadeira natureza da Igreja e da comunhão para qual fomos chamados (1 Co 1:9), conduz a um fundamento duvidoso sobre o qual construiremos um casamento e uma família. Nosso relacionamento com o Senhor deve ter maior prioridade em nossa vida do que qualquer outro vínculo terreno que tenhamos. Não é minha intenção neste livreto abordar o assunto da verdade da Igreja, mas eu encorajaria o leitor a considerar cuidadosamente o caráter da Igreja como encontrado na Palavra de Deus, e perguntar: Estou reunido de acordo com os princípios das Escrituras, ao nome do Senhor Jesus Cristo? A mesa com a qual estou identificado é a Mesa do Senhor, ou é a mesa dos homens? Esta é a Ceia do Senhor, ou é, como Paulo teve de dizer aos Coríntios, nossa própria ceia? (Mt 18:15-20; 1 Co 10:15-22, 11:17-34). Estamos nos lembrando do Senhor em Sua morte; isto é importante para mim ou não? Onde isto está na minha lista de prioridades? Reconheço que nosso entendimento dessas coisas possa ser limitado, todavia, estamos dispostos a confiar totalmente nosso caminho a Deus e permitir que Ele direcione nossos passos? “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia n’Ele, e Ele tudo fará” (Sl 37:5). Se você está indeciso quanto à assembleia – talvez se contendo por não querer se comprometer – então este é um sinal claro de que não está preparado para dar um passo em direção ao matrimônio.


Quanto à terceira decisão, felizmente, um número significativo de Cristãos ainda vê o casamento como uma instituição sagrada – por instituição, quero dizer um relacionamento estabelecido por Deus. Além disso, provavelmente existe um amplo consenso entre os Cristãos fundamentalistas de que o casamento é um compromisso vitalício. Infelizmente, a realidade não corresponde à crença. Entre 40% e 50% dos casamentos, mesmo entre aqueles que se identificam como Cristãos, terminam em divórcio. De fato, as taxas de divórcio para os chamados Cristãos fundamentalistas são na realidade mais altas que a média. Como Cristãos, eles não crêem que devam morar juntos, e assim se casam às pressas, e por muitas razões erradas. Como resultado, geralmente encontram-se pensando em se divorciar. (N. do A.: O que igualmente não é bíblico, como veremos adiante).


A instituição do casamento está sendo atacada como nunca antes. Certamente, o homem sempre encontrou uma maneira de enfraquecer aquilo que Deus estabeleceu, mas a própria natureza do casamento está sendo agora questionada. Não se trata mais de um relacionamento estabelecido por Deus, entre um homem e uma mulher, mas da união de dois indivíduos comprometidos. De certa forma, não devemos nos surpreender. O foco tem sido colocado sobre com quem nos casamos, e assim, o porquê tomou um lugar secundário. Talvez você pergunte: O casamento não é sobre com quem? Não é esta a pergunta? Quem é aquele que vai realizar meus sonhos? Cada romance, cada roteiro de Hollywood, concentra-se em encontrar a garota perfeita ou o belo príncipe. O número de pessoas com quem dormiram ao longo do caminho não importa e, quando finalmente vai começar o verdadeiro relacionamento, os créditos do filme começam a rolar! No entanto, eu sugeriria, como outros fizeram antes de mim, que se entendermos o porquê do casamento, o quem se torna mais fácil de se identificar.

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A Base Bíblica para o Casamento

Começarei citando do discurso da cerimônia tradicional de casamento, algumas partes podem parecer familiares. Durante séculos, os Cristãos que falam inglês prestam muita atenção ao seu conteúdo. Apesar da inconstância do homem, foi amplamente aceito como a visão Cristã do casamento. Apesar de toda a sua história e associações incertas, ele contém muita verdade.


“Amados, estamos aqui reunidos na presença de Deus e diante desta congregação, para unir este Homem e esta Mulher pelo santo Matrimônio; um estado honroso, instituído por Deus no tempo da inocência do homem, simbolizando para nós a união mística que existe entre Cristo e Sua Igreja; que Cristo adornou e embelezou com Sua presença, e o primeiro milagre que Ele realizou, em Caná da Galileia; e é recomendado por São Paulo que seja honrado entre todos os homens; e, portanto, não deve ser empreendido por ninguém, nem tomado pelas mãos, imprudente, leviana ou arbitrariamente, para satisfazer desejos e apetites carnais dos homens, como bestas brutais que não têm entendimento; mas com reverência, discreta e conscientemente, sobriamente e no temor de Deus; considerando devidamente as causas pelas quais o Matrimônio foi ordenado.


Primeiro, foi ordenado para a procriação de filhos, para serem criados na doutrina e admoestação do Senhor, e para louvor ao Seu santo Nome.


Em segundo lugar, foi ordenado como um remédio contra o pecado e para evitar a fornicação; para que pessoas que não tenham o dom da castidade possam se casar e manter-se membros imaculados do corpo de Cristo.


Em terceiro lugar, foi ordenado para o relacionamento mútuo, ajuda e conforto, que um teria do outro, tanto na prosperidade quanto na adversidade. Em cujo estado sagrado essas duas pessoas presentes vêm agora para se unir. Portanto, se alguém conhece alguma causa justa, pela qual eles não podem ser legalmente unidos, fale agora, ou então, se calem para sempre”.


A citação acima é da Solemnization of Matrimony do Livro de Oração Comum da Igreja da Inglaterra. Este livro representa a liturgia oficial da Comunhão Anglicana desde 1662. Embora tenham sido feitas tentativas para revisá-lo, as mudanças nunca foram ratificadas; para isso, é necessária a aprovação do parlamento do Reino Unido. Isso não quer dizer que não haja alternativas; o Livro de Serviço Alternativo de 1980 e os Livros de Adoração Comum de 2000 fornecem cerimônias atualizadas. Não é surpresa que as versões modernas enfraqueçam a original. Por exemplo, todas as referências à fornicação foram removidas; tal é a natureza do relativismo teológico moderno.


Não é minha intenção endossar o Livro de Oração Comum de 1662, ou o contrário. Certamente a própria noção de rituais formalizados é contrária à Palavra de Deus, sem mencionar uma casta sacerdotal para administrá-los. Não obstante, acho notável que esse ensino exista dentro dos impressos dessa denominação, especialmente dada a hostilidade com que seriam recebidos por muitos dos membros de hoje. Os rituais não podem e não conseguem preservar a verdade; os livros de liturgia não a sustentam. Devemos descansar totalmente na Palavra de Deus.


Pode não parecer muito interessante ou particularmente fascinante examinar a base bíblica para o casamento em um livro sobre como encontrar um cônjuge. No entanto, é essencial se desejarmos obter a perspectiva correta sobre o assunto. É o fundamento sobre o qual tudo repousa.


O Plano de Deus na Criação

“E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele... Portanto deixará o varão o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn 2:18, 24). É muito claro que a ordem de Deus na criação era de que o homem tivesse uma esposa. O relacionamento deles seria especial, indo além da mera companhia, eles seriam uma só carne. Deveria ser monogâmico, senão teria sido escrito esposas. O que encontramos em Gênesis antecede a lei em mais de três mil anos. Quando o Senhor Jesus veio, cerca de 1500 anos após a lei de Moisés, encontramos Ele citando as mesmas Escrituras para Seus discípulos: “Não tendes lido que Aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt 19:4-6). E novamente, nesta presente dispensação da graça, o apóstolo Paulo cita Gênesis: “Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque serão, disse, dois numa só carne” (1 Co 6:16). “Por isso, deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher; e serão dois numa carne” (Ef 5:31).


Fica claro no versículo em Coríntios que, em parte, a expressão numa só carne implica uma união sexual. Deus escolheu criar homens e mulheres para serem criaturas sexuais e com desejos sexuais. Ele também deixou claro que esses desejos só devem ser satisfeitos no relacionamento matrimonial. “Mas, por causa da prostituição [fornicação – JND], cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido” (1 Co 7:2). Os planos de Deus não são arbitrários e o homem não é mais sábio que Deus. Claramente, esta é uma área em que homens e mulheres ostentam hoje em dia a sua chamada liberdade. Não precisamos procurar provas na sociedade para ver a destruição que isso causa, pois acredito que as evidências sejam claras. Antes, precisamos descansar na Palavra de Deus e em Sua sabedoria. O engenheiro conhece o funcionamento interno da máquina que projetou, assim, certamente o Criador conhece muito mais Sua criatura.


A ordem de Deus, conforme estabelecido na criação, ainda permanece; nada mudou sobre isso. Essas não são ordenanças legais estabelecidas pela Lei Mosaica, pois claramente elas são anteriores à Lei. Quando os irmãos se reuniram em Jerusalém para discutir a posição dos Cristãos gentios com respeito à lei, eles apresentaram a seguinte frase: “Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição [fornicação – JND], do que é sufocado e do sangue” (At 15:20). Este não é um resumo da conduta Cristã, mas sim, diretrizes necessárias para os povos gentios daqueles dias, entre os quais essas coisas eram um comportamento aceito (At 15:28).


Deus criou Eva para ser a ajudadora e contraparte de Adão. A expressão adjutora, são duas palavras no hebraico: a primeira significa ajuda, já a segunda poderia ser traduzida como seu oposto. Eva era a contraparte perfeita de Adão – não que ela se tornaria assim, mas que Deus a criou para ser assim. Deus criou a mulher para ser o complemento perfeito para o homem. Não se trata de superioridade ou inferioridade. A esposa não é uma cidadã de segunda classe. No entanto, Deus os contemplou com papéis diferentes, necessidades diferentes e temperamentos diferentes. Apesar dessas diferenças, o homem e a mulher, pelo desígnio de Deus, respondem exatamente às necessidades do sexo oposto. Essa função complementar se estende a múltiplas facetas da vida conjugal.


Uma vez que estamos discutindo o plano de Deus para o casamento na criação, é necessário abordar brevemente o assunto da liderança – mais sobre isso será abordado mais tarde. Isso é importante, pois diz muito so