Para Que Te Vá Bem


Pensamentos Sobre o Namoro e Casamento



ÍNDICE

Três Decisões Importantes

A Base Bíblica para o Casamento

O Casamento

Divórcio

Este é um Assunto Sério

Procurando um Cônjuge

Então Você Encontrou Alguém

Pensamentos Finais

Decisão de Não se Casar

Homossexualidade

Comportamentos Destrutivos

O Que Fazer Quando Erramos?

Epílogo



PARTE I

Três Decisões Importantes

Tem sido dito que as três decisões mais importantes que tomamos na vida dizem respeito a: primeiro, nossa salvação; segundo, a assembleia; e terceiro, o casamento. Sem dúvida, existem outras escolhas importantes, mas não são tão cruciais como essas. O trabalho que almejamos ter, certamente afetará nossa vida, mas, embora possa não ser fácil, mudar de carreira é ao menos algo possível de se fazer. Em contraste, quando se trata da principal decisão, a salvação, as consequências são eternas, e isso não é algo que possamos tratar de modo leviano. É da maior importância que resolvamos essa questão em primeiro lugar e acima de tudo. De fato, se você não é salvo, não precisa deste livreto, você precisa do evangelho. Sem demora, ajoelhe-se diante de Deus que é justo e santo, reconheça que é um pecador, totalmente perdido aos Seus olhos, e receba esse presente gratuito da salvação por meio de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6:23). “Jesus Cristo, o nazareno, Aquele a Quem vós crucificastes e a Quem Deus ressuscitou dentre os mortos... porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos (At 4:10, 12 – ACF). “Mas Deus prova o Seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, sendo justificados pelo Seu sangue, seremos por Ele salvos da ira” (Rm 5:8-9). “Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo” (At 16:31). “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação”? (Hb 2:3).


Aos olhos da Cristandade a segunda decisão, a assembleia, é algo insignificante e sem consequência. Certamente admitem que se deve escolher uma boa igreja que ensine a Bíblia, que seja apropriada e com programações que atendam às necessidades de cada um. No entanto, apesar das opiniões predominantes, não é para frequentarmos igreja de nossa escolha, pois Deus tem a Sua Igreja! Estar indeciso quanto à verdadeira natureza da Igreja e da comunhão para qual fomos chamados (1 Co 1:9), conduz a um fundamento duvidoso sobre o qual construiremos um casamento e uma família. Nosso relacionamento com o Senhor deve ter maior prioridade em nossa vida do que qualquer outro vínculo terreno que tenhamos. Não é minha intenção neste livreto abordar o assunto da verdade da Igreja, mas eu encorajaria o leitor a considerar cuidadosamente o caráter da Igreja como encontrado na Palavra de Deus, e perguntar: Estou reunido de acordo com os princípios das Escrituras, ao nome do Senhor Jesus Cristo? A mesa com a qual estou identificado é a Mesa do Senhor, ou é a mesa dos homens? Esta é a Ceia do Senhor, ou é, como Paulo teve de dizer aos Coríntios, nossa própria ceia? (Mt 18:15-20; 1 Co 10:15-22, 11:17-34). Estamos nos lembrando do Senhor em Sua morte; isto é importante para mim ou não? Onde isto está na minha lista de prioridades? Reconheço que nosso entendimento dessas coisas possa ser limitado, todavia, estamos dispostos a confiar totalmente nosso caminho a Deus e permitir que Ele direcione nossos passos? “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia n’Ele, e Ele tudo fará” (Sl 37:5). Se você está indeciso quanto à assembleia – talvez se contendo por não querer se comprometer – então este é um sinal claro de que não está preparado para dar um passo em direção ao matrimônio.


Quanto à terceira decisão, felizmente, um número significativo de Cristãos ainda vê o casamento como uma instituição sagrada – por instituição, quero dizer um relacionamento estabelecido por Deus. Além disso, provavelmente existe um amplo consenso entre os Cristãos fundamentalistas de que o casamento é um compromisso vitalício. Infelizmente, a realidade não corresponde à crença. Entre 40% e 50% dos casamentos, mesmo entre aqueles que se identificam como Cristãos, terminam em divórcio. De fato, as taxas de divórcio para os chamados Cristãos fundamentalistas são na realidade mais altas que a média. Como Cristãos, eles não crêem que devam morar juntos, e assim se casam às pressas, e por muitas razões erradas. Como resultado, geralmente encontram-se pensando em se divorciar. (N. do A.: O que igualmente não é bíblico, como veremos adiante).


A instituição do casamento está sendo atacada como nunca antes. Certamente, o homem sempre encontrou uma maneira de enfraquecer aquilo que Deus estabeleceu, mas a própria natureza do casamento está sendo agora questionada. Não se trata mais de um relacionamento estabelecido por Deus, entre um homem e uma mulher, mas da união de dois indivíduos comprometidos. De certa forma, não devemos nos surpreender. O foco tem sido colocado sobre com quem nos casamos, e assim, o porquê tomou um lugar secundário. Talvez você pergunte: O casamento não é sobre com quem? Não é esta a pergunta? Quem é aquele que vai realizar meus sonhos? Cada romance, cada roteiro de Hollywood, concentra-se em encontrar a garota perfeita ou o belo príncipe. O número de pessoas com quem dormiram ao longo do caminho não importa e, quando finalmente vai começar o verdadeiro relacionamento, os créditos do filme começam a rolar! No entanto, eu sugeriria, como outros fizeram antes de mim, que se entendermos o porquê do casamento, o quem se torna mais fácil de se identificar.

Voltar ao índice


A Base Bíblica para o Casamento

Começarei citando do discurso da cerimônia tradicional de casamento, algumas partes podem parecer familiares. Durante séculos, os Cristãos que falam inglês prestam muita atenção ao seu conteúdo. Apesar da inconstância do homem, foi amplamente aceito como a visão Cristã do casamento. Apesar de toda a sua história e associações incertas, ele contém muita verdade.


“Amados, estamos aqui reunidos na presença de Deus e diante desta congregação, para unir este Homem e esta Mulher pelo santo Matrimônio; um estado honroso, instituído por Deus no tempo da inocência do homem, simbolizando para nós a união mística que existe entre Cristo e Sua Igreja; que Cristo adornou e embelezou com Sua presença, e o primeiro milagre que Ele realizou, em Caná da Galileia; e é recomendado por São Paulo que seja honrado entre todos os homens; e, portanto, não deve ser empreendido por ninguém, nem tomado pelas mãos, imprudente, leviana ou arbitrariamente, para satisfazer desejos e apetites carnais dos homens, como bestas brutais que não têm entendimento; mas com reverência, discreta e conscientemente, sobriamente e no temor de Deus; considerando devidamente as causas pelas quais o Matrimônio foi ordenado.


Primeiro, foi ordenado para a procriação de filhos, para serem criados na doutrina e admoestação do Senhor, e para louvor ao Seu santo Nome.


Em segundo lugar, foi ordenado como um remédio contra o pecado e para evitar a fornicação; para que pessoas que não tenham o dom da castidade possam se casar e manter-se membros imaculados do corpo de Cristo.


Em terceiro lugar, foi ordenado para o relacionamento mútuo, ajuda e conforto, que um teria do outro, tanto na prosperidade quanto na adversidade. Em cujo estado sagrado essas duas pessoas presentes vêm agora para se unir. Portanto, se alguém conhece alguma causa justa, pela qual eles não podem ser legalmente unidos, fale agora, ou então, se calem para sempre”.


A citação acima é da Solemnization of Matrimony do Livro de Oração Comum da Igreja da Inglaterra. Este livro representa a liturgia oficial da Comunhão Anglicana desde 1662. Embora tenham sido feitas tentativas para revisá-lo, as mudanças nunca foram ratificadas; para isso, é necessária a aprovação do parlamento do Reino Unido. Isso não quer dizer que não haja alternativas; o Livro de Serviço Alternativo de 1980 e os Livros de Adoração Comum de 2000 fornecem cerimônias atualizadas. Não é surpresa que as versões modernas enfraqueçam a original. Por exemplo, todas as referências à fornicação foram removidas; tal é a natureza do relativismo teológico moderno.


Não é minha intenção endossar o Livro de Oração Comum de 1662, ou o contrário. Certamente a própria noção de rituais formalizados é contrária à Palavra de Deus, sem mencionar uma casta sacerdotal para administrá-los. Não obstante, acho notável que esse ensino exista dentro dos impressos dessa denominação, especialmente dada a hostilidade com que seriam recebidos por muitos dos membros de hoje. Os rituais não podem e não conseguem preservar a verdade; os livros de liturgia não a sustentam. Devemos descansar totalmente na Palavra de Deus.


Pode não parecer muito interessante ou particularmente fascinante examinar a base bíblica para o casamento em um livro sobre como encontrar um cônjuge. No entanto, é essencial se desejarmos obter a perspectiva correta sobre o assunto. É o fundamento sobre o qual tudo repousa.


O Plano de Deus na Criação

“E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele... Portanto deixará o varão o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn 2:18, 24). É muito claro que a ordem de Deus na criação era de que o homem tivesse uma esposa. O relacionamento deles seria especial, indo além da mera companhia, eles seriam uma só carne. Deveria ser monogâmico, senão teria sido escrito esposas. O que encontramos em Gênesis antecede a lei em mais de três mil anos. Quando o Senhor Jesus veio, cerca de 1500 anos após a lei de Moisés, encontramos Ele citando as mesmas Escrituras para Seus discípulos: “Não tendes lido que Aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt 19:4-6). E novamente, nesta presente dispensação da graça, o apóstolo Paulo cita Gênesis: “Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque serão, disse, dois numa só carne” (1 Co 6:16). “Por isso, deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher; e serão dois numa carne” (Ef 5:31).


Fica claro no versículo em Coríntios que, em parte, a expressão numa só carne implica uma união sexual. Deus escolheu criar homens e mulheres para serem criaturas sexuais e com desejos sexuais. Ele também deixou claro que esses desejos só devem ser satisfeitos no relacionamento matrimonial. “Mas, por causa da prostituição [fornicação – JND], cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido” (1 Co 7:2). Os planos de Deus não são arbitrários e o homem não é mais sábio que Deus. Claramente, esta é uma área em que homens e mulheres ostentam hoje em dia a sua chamada liberdade. Não precisamos procurar provas na sociedade para ver a destruição que isso causa, pois acredito que as evidências sejam claras. Antes, precisamos descansar na Palavra de Deus e em Sua sabedoria. O engenheiro conhece o funcionamento interno da máquina que projetou, assim, certamente o Criador conhece muito mais Sua criatura.


A ordem de Deus, conforme estabelecido na criação, ainda permanece; nada mudou sobre isso. Essas não são ordenanças legais estabelecidas pela Lei Mosaica, pois claramente elas são anteriores à Lei. Quando os irmãos se reuniram em Jerusalém para discutir a posição dos Cristãos gentios com respeito à lei, eles apresentaram a seguinte frase: “Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição [fornicação – JND], do que é sufocado e do sangue” (At 15:20). Este não é um resumo da conduta Cristã, mas sim, diretrizes necessárias para os povos gentios daqueles dias, entre os quais essas coisas eram um comportamento aceito (At 15:28).


Deus criou Eva para ser a ajudadora e contraparte de Adão. A expressão adjutora, são duas palavras no hebraico: a primeira significa ajuda, já a segunda poderia ser traduzida como seu oposto. Eva era a contraparte perfeita de Adão – não que ela se tornaria assim, mas que Deus a criou para ser assim. Deus criou a mulher para ser o complemento perfeito para o homem. Não se trata de superioridade ou inferioridade. A esposa não é uma cidadã de segunda classe. No entanto, Deus os contemplou com papéis diferentes, necessidades diferentes e temperamentos diferentes. Apesar dessas diferenças, o homem e a mulher, pelo desígnio de Deus, respondem exatamente às necessidades do sexo oposto. Essa função complementar se estende a múltiplas facetas da vida conjugal.


Uma vez que estamos discutindo o plano de Deus para o casamento na criação, é necessário abordar brevemente o assunto da liderança – mais sobre isso será abordado mais tarde. Isso é importante, pois diz muito sobre o tipo de homem que deveríamos ser. Também diz muito sobre as características que uma mulher deveria procurar num marido. Para os homens que lerem este livreto, deve ficar claro desde o início que a liderança nos fala de responsabilidade e não de privilégio. “Cristo é a Cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher; e Deus a Cabeça de Cristo... também o varão não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do varão... Todavia, nem o varão é sem a mulher, nem a mulher sem o varão, no Senhor” (1 Co 11:3, 9, 11). Esses versículos, da primeira epístola de Paulo aos Coríntios, explicam a base da liderança do homem. Também traz de maneira maravilhosa o relacionamento complementar de que tenho falado, entre o marido e a mulher.


A Família

Como observamos, a união matrimonial é uma união sexual. O fruto desse relacionamento são os filhos. Deus pretendia que os filhos fossem criados dentro dos limites de um casamento. Esta é a ordem que Deus estabeleceu. “Quero pois que as que são moças se casem... e então que elas ... gerem filhos” (1 Tm 5:14). Qualquer outro conceito é totalmente estranho à Escritura. Os filhos devem ser uma bênção e uma herança, não o produto acidental do desejo. “Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre, o seu galardão” (Sl 127:3).


Os filhos devem ser criados na doutrina e admoestação do Senhor (Ef 6:4). Por parte deles, devem ouvir “a instrução de teu pai,” e não deixes “a doutrina de tua mãe” (Pv 1:8). O ambiente familiar deve ser caloroso, carinhoso e acolhedor para a criança, onde o amor entre os pais é evidente. Se colocarmos nossas próprias necessidades egoístas antes do compromisso do casamento, o ambiente do lar será frágil.


As famílias ocupam um lugar único aos olhos de Deus. Por toda a Escritura, vemos Deus abençoando famílias. É importante que procuremos seguir o plano de Deus para o casamento em benefício de nossos filhos e da unidade familiar como um todo. Deveria ser nosso desejo entregar aos nossos filhos uma herança divina.


Amor e Conforto Mútuos

Eva foi criada como uma adjutora para Adão. Embora eu tenha mencionado que isso vai além do companheirismo, certamente o inclui. Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele” (Gn 2:18). Como homem, este mundo teria sido um lugar solitário para Adão sem Eva. “Eis que és formosa, ó amiga minha [meu amor – JND], eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas” (Ct 1:15). A palavra hebraica usada para amor neste versículo quer dizer realmente companheira; é a forma feminina para amigo. Este é um ponto importante a ser observado; aquele com quem nos casamos deve ser nosso amigo – este, acredito, é o plano de Deus.


Lemos sobre Isaque e Rebeca: “E Isaque trouxe-a para a tenda de sua mãe Sara, e tomou a Rebeca, e foi-lhe por mulher, e amou-a. Assim Isaque foi consolado depois da morte de sua mãe” (Gn 24:67). Rebeca era um consolo para seu marido. Por outro lado, quando chegamos à história de Elcana e Ana, vemos Elcana sendo um consolo para sua esposa que não tinha filhos: “Porém a Ana dava uma parte excelente; porquanto ele amava Ana, porém o Senhor lhe tinha cerrado a madre” (1 Sm 1:5). (N. do A: Elcana dificultou as coisas para si e para Ana por ter duas esposas, o que é contrário ao plano de Deus; isso era sem dúvida uma fonte do sofrimento de Ana. Penina provavelmente era a segunda esposa de Elcana; ele talvez tenha se casado com ela porque Ana era estéril). “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque, se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante. Também se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? E, se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa” (Ec 4:9-12).


A Escritura deixa perfeitamente claro que o casamento não deve ser algo sem amor. Lemos: “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja e a Si mesmo Se entregou por ela” (Ef 5:25). Também a esposa é exortada a amar o marido – ou, mais especificamente, a ser enamorada de seu marido. “Ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem (N. do A: A palavra grega usada em Tito vem de phileo e não de agapao; ela deve mostrar afeto; marido e filhos nem sempre são muito agradáveis!) seus maridos, a amarem seus filhos” (Tt 2:4). Muitos ressaltaram que o amor é uma ação, não um sentimento, e isso certamente é verdade. No entanto, nem por um momento acredito que Deus pretendeu que fosse uma ação sem emoção. Isso seria algo fora do comum. Se realmente amamos alguém, então os interesses dele serão os nossos, haverá empatia por essa pessoa, as coisas que agradam a ela também nos agradarão e será nosso desejo honrá-la.


Cristo e a Igreja

Até agora, a autoridade bíblica e os propósitos para o casamento que examinamos – a ordem de Deus na criação, o estabelecimento de famílias e o conforto e companherismo mútuos – nascem, em geral, de nossas necessidades temporais. Há, no entanto, algo que é de um caráter muito maior que qualquer coisa que consideramos até agora. “Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à Igreja; Porque somos membros do Seu corpo, da Sua carne, e dos Seus ossos. Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da Igreja (Ef 5:29-32 – ARF).


O casamento deve refletir algo do caráter da união espiritual entre Cristo e a Igreja. Nestes versículos, a expressão uma só carne traz diante de nós um pensamento diferente; fala agora do corpo físico e do cuidado que é dirigido a ele. Ninguém nunca negligencia seu próprio corpo – nós o alimentamos, lavamos, tratamos e vestimos – alguns mais do que outros! Esse também é o cuidado de Cristo por Seu corpo, a Igreja, e deve ser o cuidado do marido por sua esposa (Ef 5:28-29).


Também lemos, em conexão com Cristo e Sua Igreja, que Ele é “para ser o Cabeça sobre todas as coisas, O deu à Igreja (Ef 1:22 – ARA) – observe que diz à Igreja e não sobre a Igreja. Para entender a distinção, pense novamente no corpo natural. A cabeça coordena todas as atividades; o cérebro recebe estímulos, por exemplo de dor, de outros membros do corpo e guia e orienta o todo a responder adequadamente. Quando a medula espinhal é rompida, o corpo não morre – o coração, o fígado e os demais órgãos continuam funcionando, ainda que de maneira imperfeita, pois o corpo fica paralisado; já não pode mais receber direção da cabeça. Nem a Igreja nem o casamento florescerão em tal estado de paralisia.


Um casamento funcional é um organismo vivo, dois agindo juntos como um, com o marido provendo a liderança. Eles agem, não por suas próprias necessidades egoístas, mas como um reflexo do amor e graça que Cristo derramou sobre Sua Igreja. Eles são “co-herdeiros da graça da vida” (1 Pe 3:7). É claro que falo de um casamento Cristão – um casamento no Senhor. Embora eu mencione dois agindo em conjunto, em tal relacionamento haverá, de fato, três; o Próprio Senhor será parte integrante do casamento. Alguém comparou isso a um triângulo com o Senhor na ponta superior e o casal representado em cada lado que converge para a ponta; quanto mais próximo o marido e a esposa estiverem d’Ele, mais perto estarão um do outro. “O cordão de três dobras não se quebra tão depressa” (Ec 4:12).


Esse aspecto do casamento deveria nos fazer parar e pensar. Há algo maior aqui. Casamento não é sobre minhas necessidades; além disso, não se trata apenas das necessidades dele e das necessidades dela; há algo a mais que Deus deseja realizar em um casamento. Embora eu tenha abordado o que é natural primeiro, ao refletirmos sobre o lado espiritual das coisas, começamos a perceber que essa deveria ser a força motriz por trás do relacionamento. Não pretendemos negligenciar o natural, mas ele assumirá uma perspectiva diferente e, eu sugeriria, uma perspectiva correta, quando vivermos para o espiritual.


Um último ponto deve ser abordado: A Escritura liga diretamente o casamento e a Igreja. Muitas vezes, encontramos a verdade da Igreja e o comportamento na assembleia, relacionados ao casamento e à família. Os dois são inseparáveis. Novamente, eu reiteraria a importância de ser claro quanto à assembleia antes de iniciar-se o relacionamento matrimonial.

Voltar ao índice

O Casamento

Falamos sobre a instituição do casamento sendo algo de Deus, mas o que define um casamento? A Escritura distingue entre ser solteiro, noivo (N. do A: Comprometido) e casado. Com a mesma certeza, não lemos sobre uma cerimônia de casamento específica. No entanto, não devemos interpretar isso como significando que um reconhecimento oficial do casamento não seja esperado. Pelo contrário, os exemplos que encontramos na Escritura sugerem exatamente o oposto. O servo de Abraão passou por um procedimento elaborado, incluindo a troca de presentes, para obter uma esposa para Isaque (Gn 24). O casamento de Boaz com Rute foi testemunhado nos portões da cidade – o local onde os procedimentos judiciais eram realizados (Rt 4). O Senhor sancionou o casamento em Caná por Sua presença (Jo 2). A esse respeito, existem várias referências a festas de casamento nos evangelhos. Uma cerimônia oficial, diante das testemunhas, para reconhecer um casamento está firmemente estabelecida na Escritura. Um relacionamento de união estável, não importa quão fiel seja, começa com fornicação. “Seja honrado o matrimônio por todos, e seja o leito sem mácula; pois aos fornicários e adúlteros, Deus os julgará” (Hb 13:4 – TB). O vínculo matrimonial em si é especialmente mencionado neste versículo, não apenas o relacionamento matrimonial já existente.


Os Votos de Casamento

Embora hoje seja decididamente popular escrever os próprios votos de casamento – alguns excepcionais, outros menos dignos de elogios – voltarei aos votos ingleses tradicionais (substitua o nome do homem no lugar de H. e o nome da esposa no lugar de M.):


Eu H. tomo a M. como minha Esposa, para tê-la e mantê-la a partir de hoje, na alegria ou na tristeza, na riqueza ou na pobreza, na doença ou na saúde, para amar e cuidar, até que a morte nos separe, de acordo com a santa ordenação de Deus, e dou testemunho que isso é verdade.


Eu M. tomo a H. como meu Esposo, para tê-lo e mantê-lo a partir de hoje, na alegria ou na tristeza, na riqueza ou na pobreza, na doença ou na saúde, para amar e cuidar, até que a morte nos separe, de acordo com a santa ordenação de Deus, e dou testemunho que isso é verdade.


Embora não seja minha intenção falar longamente sobre a natureza e o caráter do voto matrimonial, ele tem alguma relação com o assunto em questão. Apesar de podermos adaptar os votos nos dias de hoje para dizer exatamente o que queremos que eles digam, fiz referência a esses votos tradicionais, pois eles têm um conteúdo bíblico. Antes de abordarmos o assunto de escolher um cônjuge, precisamos pensar a que somos chamados na Escritura para nos comprometer em um relacionamento matrimonial.


O marido deve amar sua noiva “como também Cristo amou a Igreja e a Si mesmo Se entregou por ela” (Ef 5:25). “Assim devem os maridos amar a suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo” (Ef 5:28). O amor mencionado aqui é incondicional. O versículo diz assim como “Cristo... Se entregou”. “Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8). Ninguém negligencia seu corpo, mesmo quando não está bem; de fato, em tais momentos, ele o cobre de cuidados, nutre e o preza (Ef 5:29). Em Colossenses, lemos: “Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura” (Cl 2:19 – ARA). Deus previu que as esposas nem sempre serão tão amáveis; no entanto, o mandamento ainda permanece, o marido deve demostrar amor, independentemente da circunstância.


Por outro lado, às esposas é dito: “sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a Cabeça da Igreja: sendo Ele próprio o Salvador do corpo. De sorte que, assim como a Igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seu marido” (Ef 5:22-24). A propósito, este versículo não quer dizer que o marido assume o lugar do Senhor na vida de sua esposa; o marido não toma e não pode assumir essa posição. Esta é a mesma expressão usada em “servindo de boa vontade como ao Senhor, e não como aos homens” (Ef 6:7). Sempre que fazemos algo como ao Senhor, torna-se muito mais fácil e agradável. No contexto do versículo no capítulo 6, refere-se a servos e senhores. Meu chefe pode não ser muito agradável, mas ainda posso fazer meu trabalho como ao Senhor. Certamente, confiamos que o marido é amoroso e gentil, mas, independentemente de sua simpatia, sua liderança deve ser honrada, porque é isso que o Senhor pediu à esposa.


O segredo para um casamento feliz e saudável é expresso no versículo “cada um em particular ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido” (Ef 5:33). Como parte do relacionamento complementar que Deus previu entre homens e mulheres, Ele escolheu definir a mulher para ser amada e o homem para ser respeitado e honrado. Não podemos ficar esperando que o outro aja. Se cuidarmos de nossa responsabilidade, então com frequência será surpreendente como o outro responderá. Quando nosso comportamento é recompensado dessa maneira, isso só deve servir para nos esforçar ainda mais. Isso por sua vez, incentiva o outro a exercer sua responsabilidade. E assim o casamento se torna uma parceria próspera, e não um relacionamento disfuncional entre duas pessoas que moram juntas.

Voltar ao índice

Divórcio

Escrever sobre o divórcio em um livro sobre casamento é lamentável, mas necessário. Até agora, consideramos a base bíblica para o casamento e um pouco da bênção que Deus planejou para a humanidade. É igualmente importante reconhecer que um casamento bíblico é um compromisso para a vida toda. Antes de entrarmos em um casamento, precisamos ouvir o que Deus tem a dizer sobre romper esse vínculo.


Encontramos nosso Senhor abordando o assunto do divórcio quatro vezes em três evangelhos separados – Mateus, Marcos e Lucas. Se algo é repetido quatro vezes, deveria chamar nossa atenção. O evangelho de Mateus nos dá o tratamento mais completo sobre o assunto. Citando em parte: “Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la? Disse-lhes Ele: Moisés, por causa da dureza do vosso coração, vos permitiu repudiar vossa mulher; mas ao princípio não foi assim. Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério” (Mt 19:6-9).


Apesar de uma previsão para o divórcio sob a Lei Mosaica, este não era o plano de Deus desde o início. Exceto no caso de fornicação por parte de um cônjuge infiel, não há fundamento bíblico para o divórcio. Ao ouvir isso, os discípulos ficaram descrentes: “Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar” (Mt 19:10). Parece que as pessoas daquela época tinham uma visão bastante liberal do divórcio (N. do A.: O abandono por parte de um cônjuge incrédulo é possivelmente a única exceção. No entanto, a circunstância abordada pelo apóstolo Paulo no sétimo capítulo de Primeira a Coríntios fala de uma situação na qual nenhum dos dois era salvo antes do casamento) – não muito diferente dos dias atuais. O Senhor não repreende Seus discípulos, mas simplesmente aponta que nem todo homem é capaz de viver uma vida celibatária. Ou seja, se você não pode aceitar um compromisso para a vida toda, então não se case; mas para a maioria, isso não seria possível.


Se um casal busca o divórcio que seja contrário à Palavra de Deus, os dois ficam em uma posição complicada. Nenhum dos dois fica livre para se casar novamente, não importa quem iniciou a separação. Se se casarem novamente, cometerão adultério. Eles criaram uma situação para si mesmos que não podem desfazer. Pode haver uma restauração parcial e ainda pode haver bênção, mas a circunstância deles permanece.


O casamento é literalmente até que a morte os separe. A morte da esposa ou do marido põe em liberdade o cônjuge vivo; ele ou ela pode se casar novamente. “De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera, se for doutro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera, se for doutro marido” (Rm 7:3). Da mesma forma, o casamento não se estende além da morte: “Porque, na ressurreição, nem casam, nem são dados em casamento; mas serão como os anjos no céu” (Mt 22:30).

Voltar ao índice

Este é um Assunto Sério

Analisamos material suficiente da Palavra de Deus para reconhecer que:

Deus pretendia que homens e mulheres se casassem; de fato, muitos de nós acharia muito difícil viver uma vida (moralmente correta) fora do casamento. “Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se” (1 Co 7:9). O casamento é, portanto, não apenas para a felicidade, mas para a nossa santidade e para a glória de Deus.


Para a maioria de nós, podemos fazer uma escolha de quem será nosso cônjuge; portanto, apenas uma oportunidade de construir um relacionamento saudável e produtivo para o Senhor.


Claramente, a decisão que tomamos sobre nossa companhia e cônjuge vitalício é a mais séria possível. Não é algo que deva ser feito às pressas. Por outro lado, também é uma decisão que provavelmente não podemos evitar. Ninguém está sugerindo que isso deva ser doloroso ou difícil. Deveria ser um momento feliz e alegre em nossa vida. Muito, no entanto, dependerá de como faremos essa busca.

Voltar ao índice

PARTE II

Introdução

Nesta seção, consideraremos como encontrar um cônjuge em potencial e, tendo encontrado essa pessoa, como podemos saber se ela é a pessoa certa. Muito é direcionado somente ao homem ou somente à mulher, no entanto, existe aquilo que se aplica a ambos. Eu o encorajaria a ler tudo; e saberá quando algo falar a seu coração – independentemente do gênero ao qual os comentários possam ter sido endereçados. Confio que as coisas específicas ao homem ou à mulher serão inequívocas.

Voltar ao índice

Procurando um Cônjuge

Talvez você esteja pensando: Para Adão foi fácil! Ele nem precisou procurar uma esposa. Deus deu a Adão a garota mais surpreendente e bonita que alguém poderia imaginar – pelo menos, não acredito que não seja razoável supor isso. Além disso, Eva não teve de esperar por um marido, lá estava ele! Antes de deixarmos nos levar pelo quão simples isto foi para Adão e Eva, lembremo-nos do que aconteceu a seguir. Dentro de um curto período de tempo, talvez dias, Eva foi tudo, mas não uma ajuda para Adão e, ainda pior, Adão falhou em sua liderança. Quão rápido o pecado entrou e estragou esse belo relacionamento estabelecido por Deus.


Apesar das fraquezas de nossos antepassados – fraquezas que herdamos – a promessa de Deus ao homem permanece: “O que acha uma mulher acha uma coisa boa e alcançou a benevolência do Senhor” (Pv 18:22). Encontrar implica uma procura. Embora andemos pela fé e não por vista, ainda assim, andamos. A fé não é inativa. Perseguir nossas próprias vontades não é fé; mas dar um passo na dependência do Senhor é fé. Pedro pode ter afundado, mas pelo menos ele saiu do barco. Ele tinha pouca fé – e muita autoconfiança – no entanto, ele deu passos em direção àquelas ondas tempestuosas.


Não tenho dúvida de que Deus sabe tudo, incluindo com quem nos casaremos, mas isso não significa dizer que nosso cônjuge será entregue à nossa porta, embalado em papel de embrulho marrom e amarrado com fitas vermelhas ou em papel de seda branco e laços cor de rosa. Não, na vida existem exercícios profundos, erros e talvez até lágrimas, mas no devido tempo, se estivermos apoiados no Senhor, haverá alegria e felicidade pela manhã. Convido você a ler Cantares de Salomão (N. do A.: Aliás, Cantares de Salomão não descreve um relacionamento pré-marital; é a restauração do cônjuge à plena confiança e amor do noivo; a intimidade descrita está dentro do casamento. Se tivermos isso em mente, as lições contidas nesse livro serão interpretadas corretamente) para ver como isso é verdade, tanto em nossa vida espiritual quanto também em coisas naturais. E então, rapazes, se vocês desejam uma esposa, preparem-se para algumas ondas – nem tudo será um navegar suave!


E quanto à garota? O livro de Provérbios – de onde acabamos de citar – é, em muitos aspectos, dirigido aos jovens rapazes (Pv 1:4). Os nove primeiros capítulos são especialmente a orientação de um pai e de uma mãe para seu filho. Mas a Escritura não fala nada da garota desejando um marido? Certamente que sim, e consideraremos alguns exemplos posteriormente. Por enquanto, proponho este versículo: [ela] fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Co 7:39). A partir disso, podemos concluir que a mulher fará uma escolha – com quem quiser. Do ponto de vista da Escritura, seu papel pode ser mais passivo, mas também não é totalmente inativo. Seu comportamento será a chave para quem ela atrai. Os passos que tomar serão igualmente importantes e exigirão tanta fé quanto do jovem rapaz, se ela procura encontrar um marido com a aprovação de Deus.


Como Começar

A procura deve começar em oração. Talvez isso pareça um clichê, mas não é. Eu posso ouvir alguns dizerem: Mas eu oro por um parceiro adequado há anos, e nada acontece! Há muitas razões pelas quais o Senhor não responde à oração da maneira que gostaríamos. Talvez seja falta de dependência. Nossas orações são misturadas com fé? Estamos procurando pelas razões corretas? Talvez não estejamos prontos para o casamento. Existe alguma necessidade em nossa vida que deva ser tratada primeiro? Pode até ser que Deus tenha outros planos para nós. Eu sugeriria a qualquer pessoa que se encontre nessa posição, que ore verdadeiramente, com toda sinceridade, e pergunte: Por que minha oração não foi respondida? “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto, e ser-lhe-á dada” (Tg 1:5). A oração é, ou não é genuina. Com muita frequência, faz-se oração e não se espera pela resposta. Também podemos orar com a atitude de que já temos a resposta. Nesse caso, não estamos realmente orando, mas apenas buscando alguma indicação para confirmar nossa crença. Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Lc 11:9).


Rapazes: “Casa e riquezas são herdadas dos pais; mas a mulher prudente vem do Senhor” (Pv 19:14 – AIBB). Se você quer uma esposa prudente, então ela deve vir do Senhor. A propósito, prudente não significa tímida; significa sábia, inteligente e habilidosa. Talvez exista uma tendência de achar que uma garota espiritual, inteligente e responsável vinda do Senhor não seja divertida. E assim, pode até haver relutância em pedir orientação ao Senhor. Se você está tendo este tipo de pensamento, isso me faz questionar se seu coração está pronto. Pare e pense por um momento: Deus poderia nos dar a resposta errada? Além disso, que tipo de cônjuge você está procurando; alguém para amar e cuidar, respeitar e honrar? Ou é alguém que possa cumprir suas concupiscências. “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites” (Tg 4:3). Correndo o risco de ser repetitivo, permita-me dizer novamente: Deus conhece nossas necessidades e sabe como melhor satisfazê-las. Mas Deus quer que possamos satisfazê-las dentro de um relacionamento amoroso, não em uma união egoísta. Eventualmente, a garota que o atrai fisicamente antes de casar-se, não saiba como se comportar no casamento. Tudo o que ela sabe sobre sexualidade diz respeito a conseguir um homem, e não há compreensão da beleza da intimidade piedosa.


Embora grande parte do parágrafo anterior tenha sido dirigido aos rapazes, existem princípios comuns que também são aplicáveis às garotas. Da mesma forma, desconfie do rapaz que é ligado ao físico; está ele realmente interessado em você ou apenas em seu corpo? Deve haver uma conexão mais forte do que a parte física para que um casamento funcione. “Bom seria que o homem não tocasse em mulher” (1 Co 7:1).


Deus é bastante direto quando se trata de nossas próprias escolhas: “O que confia no seu próprio coração é insensato, mas o que anda sabiamente escapará” (Pv 28:26). Muitas pessoas foram livradas da miséria por, finalmente, se submeterem a Deus, apesar de terem começado em obstinada independência. O melhor, é claro, é começar e terminar a busca na dependência de Deus.


No Senhor

Um Cristão nunca deveria se casar com alguém que não é salvo. “Fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Co 7:39). “Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (2 Co 6:14 – AIBB). Um Cristão que não namore um incrédulo não se casará com um incrédulo. Não subestime sua suscetibilidade. “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida” (Pv 4:23). Sejamos claros; Deus nunca nos levará a essa união. É fácil, especialmente quando estamos profundamente apegados a alguém, pensar que o Senhor poderia estar nos usando para a salvação dessa pessoa ou para conduzi-la à assembleia. É, no entanto, perigoso misturar emoções dessa natureza com um desejo de evangelizar. Por mais genuíno que seja o nosso desejo, nossa visão é facilmente ofuscada. Além disso, precisamos reconhecer que um casamento no Senhor vai além de apenas encontrar um cônjuge Cristão. Significa que o casal deseja reconhecer completamente a autoridade do Senhor sobre seu relacionamento.


Onde procurarmos determinará com quem nos casaremos. Se procurarmos na academia, no trabalho ou na faculdade, nos exporemos a problemas. Não digo que seja impossível se casar com alguém que encontramos em um desses locais, mas, se o fizermos, criaremos imediatamente uma dificuldade antes mesmo do casamento começar. Partindo da suposição de que eles sejam Cristãos, onde adoram? Em que creem? Como foram criados? Todas essas coisas devem vir juntas num casamento.


No livro de Êxodo, vemos o princípio de Deus para encontrar uma esposa. “E foi-se um varão da casa de Levi e casou com uma filha de Levi” (Êx 2:1). E para as mulheres que procuram um marido: “Sejam por mulheres a quem bem parecer aos seus olhos, contanto que se casem na família da tribo de seu pai. Assim, a herança dos filhos de Israel não passará de tribo em tribo” (Nm 36:6‑7). No segundo caso, essa ordenança se refere especificamente a uma família que tem somente filhas e nenhum filho. Como a herança do pai passou para as filhas, elas não deveriam se casar fora de sua tribo. Dessa maneira, a terra era preservada dentro da tribo e não perdida por herança. Talvez haja a objeção de que não estamos sob lei! Isso é verdade, mas um importante princípio espiritual permanece. Quando alguém se casa com alguém de fora da assembleia, muitas vezes esse casal vai deixar a assembleia. Infelizmente, como frequentemente acontece nesses casos, a herança espiritual desse indivíduo, que poderia ter sido passada para as crianças, é perdida.


Como sabemos se alguém é Cristão? Se ele não pode dar uma clara confissão de sua fé, então este é certamente um começo ruim. Além disso, que tipo de Cristãos eles são? Só porque estão na assembleia, ou mesmo que estejam à mesa do Senhor, infelizmente, isso pode não significar muito. Eles oram? Leem suas Bíblias? Entendem o que leem e, se não entendem, o que fazem sobre isso? Se um indivíduo está lutando espiritualmente, isso não terminará após o casamento; em vez disso, seu parceiro será atraído para essa mesma luta. Desde nossa infância, cantamos:


Leia sua Bíblia, ore todos os dias,

Ore todos os dias, ore todos os dias.

Leia sua Bíblia, ore todos os dias,

E você crescerá, crescerá, crescerá.

Hinário Let’s Sing About Jesus nº 36


Isso é algo real? Estamos crescendo? Se não lemos nossa Bíblia e nem oramos todos os dias – e não quero dizer por horas seguidas, qualidade é mais importante que quantidade – então por que devemos imaginar que atrairemos alguém com essas características? Naturalmente, estou assumindo que você está procurando alguém com esses atributos. Lembre-se de que geralmente encontramos o que estamos procurando.


Deus espera que o homem seja... bem, um homem! “Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente e fortalecei-vos” (1 Co 16:13). Está tudo muito bem em se casar com um homem que tenha peitoral como de um fisiculturista, mas a força física desaparece; e quanto à força espiritual dele? Ele é um levantador de pesos, ou se contenta em ser um peso leve?


O que Você Está Procurando?

Um cônjuge! Sim, entendi; mas vamos tentar este exercício mental simples: imagine o garoto ou a garota dos seus sonhos. Se você não é do tipo visual (e, a propósito, mesmo que seja), pense nas qualidades que estão no topo da sua lista – afinal, as qualidades devem ser mais importantes do que a aparência! Agora, pergunte-se honestamente: Onde tem estado meu foco? Tem sido nas minhas necessidades – aquelas coisas que me satisfarão; aquilo que me fará feliz? Antes de avançarmos, vamos esclarecer: seu cônjuge não te satisfará e você não o satisfará. Com base nos princípios das Escrituras expostos na primeira seção deste livreto, Deus criou homens e mulheres para formar um relacionamento complementar; precisamos encontrar alguém para nos complementar e não somente para nos satisfazer. Agora, em vez de perguntar o que há no relacionamento para mim, que tal perguntar: O que há no relacionamento para meu futuro cônjuge? Ou, mais importante: O que há nele para o Senhor? “Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33). “Para que em tudo Deus seja glorificado” (1 Pe 4:11). O casamento não está incluído nesses versículos?


O casamento não tem a ver com o eu. Até que deixemos esse modo egoísta de pensar, uma grande parceria é apenas um sonho romântico. No dia do casamento, não tenho dúvidas de que a noiva e o noivo estarão subconscientemente pensando no que os aguarda. Ah, eu tenho certeza de que não colocariam dessa maneira – mas o pensamento velado está ali. Francamente, a menos que tenham tratado isso antes, eles realmente têm pouca ideia do que realmente sejam as necessidades do outro. Apesar do fato de que nós – homens e mulheres – vivemos no mesmo planeta, assim como nos entendemos um ao outro, às vezes parece que viemos de mundos diferentes. Obviamente, isso não é verdade – temos um Criador que sabia muito bem o que estava fazendo. No entanto, quanto menos suposições fizermos sobre o sexo oposto e mais estivermos dispostos a aprender um com o outro, mais felizes seremos. Não suponha que se estou satisfazendo minhas necessidades, então claramente devo estar satisfazendo as dela (ou dele) – isto está errado!


Tem a Bíblia alguma indicação do que deveríamos procurar em um cônjuge? Com certeza! Vamos começar com a garota. Que qualidades ela deveria procurar em um homem? Uma vez que o marido deve ser o cabeça, certamente ela deve procurar qualidades adequadas a esse papel. Homens mandões são maridos ruins – liderança não é ditadura. Procure alguém que possa prover orientação espiritual e prática em casa, que seja capaz de liderar e dirigir e, quando solicitado, tome as decisões difíceis. Curiosamente, muitas das qualidades exigidas para um presbítero e diácono representam traços desejáveis no marido. De fato, alguém que não seja um bom marido e pai, não está qualificado espiritualmente para assumir um papel de supervisão ou mesmo de serviço na assembleia. ...marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia” (1 Tm 3:2‑4). Pense no homem descrito por esses versículos – e naqueles que não têm essas características.


De acordo com as Escrituras, o marido deve prover para sua esposa e filhos. Isso não significa dizer que a esposa não pode ajudar – de fato, ela pode muito bem ajudar, principalmente antes de ter filhos. No entanto, o apóstolo fala de modo firme sobre a responsabilidade do homem: “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus [não provê para os seus – JND] e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente” (1 Tm 5:8 – ARA). Em Provérbios lemos: “Prepara fora a tua obra, e apronta-a no campo, e então edifica a tua casa” (Pv 24:27). Eu questionaria os motivos de um jovem que esteja procurando uma garota, quando ele não tem meios para mantê-la. A responsabilidade recai sobre quem? Sobre ele ou ela? As palavras que Noemi falou a sua nora vêm à mente: “Minha filha, não te hei de buscar descanso, para que fiques bem?” (Rt 3:1 – ARA). Noemi não estava procurando um marido rico para Rute, para que então ela pudesse se acomodar com servos prontos a servi-la; este não é o descanso que ela procurava. A noiva em Cantares de Salomão descreve assim aquele descanso: “Eis que és formoso, ó amado meu, como amável és também; o nosso leito é viçoso. As traves da nossa casa são de cedro, e os caibros de cipreste” (Ct 1:16-17 – AIBB). Ele era formoso e gentil, com certeza, mas além disso, ele proveu descanso, segurança e abrigo. Para algumas mulheres isso pode ser traduzido como maturidade e força. Confio, no entanto, que você é mais sábia do que isso; o físico é uma avaliação superficial de um homem (ou mulher).


E sobre o homem; existem versículos semelhantes que descrevem o que procurar em uma esposa em potencial? Certamente existem. Provérbios 31 imediatamente vem à mente. “Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede o de rubis. O coração do seu marido está nela confiado, e a ela nenhuma fazenda faltará. Ela lhe faz bem e não mal, todos os dias da sua vida” (Pv 31:10-12). Esta sim, é uma ajudadora! Se o capítulo 31 de Provérbios descreve a mulher a ser procurada, o capítulo 5 descreve aquela que deve ser evitada. “Porque os lábios da mulher estranha destilam favos de mel, e o seu paladar é mais macio do que o azeite; mas o seu fim é amargoso como o absinto, agudo como a espada de dois fios. Os seus pés descem à morte; os seus passos firmam-se no inferno” (Pv 5:3-5). A palavra estranha neste contexto não significa esquisita. Sem dúvida, essa mulher tem muito charme natural. Ela é estranha porque não tem nada em comum com um jovem piedoso.


Encontramos advertências e exortações semelhantes no Novo Testamento: “E, além disto, aprendem também a andar ociosas de casa em casa; e não só ociosas, mas também paroleiras e curiosas, falando o que não convém. Quero, pois, que as que são moças se casem, gerem filhos, governem a casa e não deem ocasião ao adversário de maldizer” (1 Tm 5:13-14). Embora possa não ser o principal papel da esposa ser provedora da família, o que ela está fazendo enquanto permanece solteira? Ela é uma fofoqueira intrometida? “Ocupai-vos até que eu venha” deve ser verdade para todos os servos de Deus – homem ou mulher (Lc 19:13 – KJV). A mulher virtuosa, de Provérbios 31, é trabalhadora, complementando a renda do marido na medida do possível; suas mãos são mencionadas sete vezes. Nesta economia moderna, essa atividade pode ser mais mental do que manual e não há nada de anti-bíblico nisso.


Há muitos outros versículos que poderíamos recorrer com relação ao marido e à esposa em potencial. Se você está procurando um cônjuge piedoso, a Escritura fornece um retrato detalhado.


Apaixonando-se

Até agora, eu não disse uma palavra sobre romance ou sobre apaixonar-se. Talvez alguns estejam perguntando: Não devemos seguir nosso coração? Apesar dessa fala ter sido usada inúmeras vezes na mídia popular, a resposta curta é: não! “Enganoso é o coração, mais do que todas as cousas, e perverso: quem o conhecerá” (Jr 17:9). Dito isto, no entanto, não significa necessariamente que não haverá romance, ou que ninguém irá se apaixonar. Seria um relacionamento triste se tudo fosse conduzido como se fosse uma transação comercial, onde há uma lista de requisitos, certas qualidades que devem ser atendidas, e o acordo é então fechado. De fato, se não houver afeto, se o coração não estiver comprometido – se não houver química, como as pessoas dizem, certamente algo estará faltando.


Em Cantares de Salomão, a sulamita (Ct 6:13) está tão tomada por seus sentimentos que ela diz: “Desfaleço de amor” (Ct 2:5) – ou como diríamos: Estou doente de amor. É um estado que ela não deseja perturbar: “não acordeis nem desperteis o meu amor, até que ele o queira” (v. 7 – AIBB). As três vezes em que encontramos essa última expressão em Cantares de Salomão (Ct 2:7, 3:5, 8:4), marcam o fim de uma cena. Em cada caso, no entanto, segue-se um tempo de atividade renovada, e vemos um maior desenvolvimento nos afetos da noiva e na compreensão do noivo. Por mais que desejemos, não se pode andar em estado de euforia, sem apetite e incapaz de dormir. Em última análise, a realidade deve retornar e pensamentos racionais d