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Raabe, Acsa, Jael e Débora (Junho de 2020)



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Revista mensal publicada originalmente em junho/2020 pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE

Concise Bible Dictionary

H. F. Witherby (adaptado)

Christian Truth, vol. 34 (adaptado)

W. Kelly (adaptado)

Autor desconhecido

W. H. Fosbery (adaptado)

W. J. Prost

H. L. Rossier (adaptado)

E. Dennett (adaptado)

Selecionado

 

Raabe, Acsa, Jael e Débora


É evidente na Escritura que antigamente as mulheres eram tratadas com muito mais honra e estima do que são nos países do oriente de hoje em dia. Salomão, falando de mulheres, disse que, à medida que sua alma procurava, ele não encontrou uma em mil (Ec 7:28).


Isso fala da natureza humana caída, mas o verdadeiro pensamento quanto à mulher é que ela é a glória do homem, sua verdadeira ajudadora. Isso é cumprido no relacionamento da Igreja com Cristo.


No Novo Testamento, o verdadeiro lugar da mulher em sujeição ao homem é claramente declarado, como indicado na criação, e na assembleia a mulher deve ficar calada e não ensinar. Seu comportamento e conduta são expressões do que ela aprende sendo ensinada por Cristo. As mulheres foram grandemente honradas por ministrarem ao Senhor, e são reconhecidas por estar ajudando na obra do Senhor no evangelho e entre os santos.


Concise Bible Dictionary

 

A Fé de Raabe


Jericó, situada nas belas planícies do Jordão, era uma cidade de grande poder, numa posição de grande beleza, mas é uma figura deste mundo que se dirige ao juízo. Cristo virá do céu e executará juízo nesta Terra, e depois disso estabelecerá Seu reino e reinará. Além disso, o deus deste mundo será preso e encarcerado no abismo durante o reinado de Cristo (Ap 20:1-3).


Nos propósitos de Deus, os caminhos do mundo devem alcançar seu desenvolvimento, e certas características do mal devem progredir até a sua plenitude, antes que Cristo venha à Terra em juízo. Portanto, uma vez que o juízo ainda não chegou, pode-se dizer: “A medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia” (Gn 15:16). No entanto, o Cristão tem que ficar com os olhos fixos n’Ele, cuja vinda nos ares pode ocorrer a qualquer momento, enquanto se regozija na longanimidade de Deus em Sua misericórdia para com os pecadores pelo Seu evangelho. O desenvolvimento de eventos não é a estrela pela qual o Cristão dirige seus passos, mas ele é guiado por“O que diz a Escritura” .


Os espias encontram um coração preparado

Com essas considerações, seguimos os dois espias que Josué havia enviado secretamente para espiar Jericó. Os dois espias foram dirigidos por Deus para uma casa na cidade onde um coração preparado seria encontrado (Js 2:1). Aprendemos uma lição para nossos dias imaginando-nos em pé junto com Raabe no telhado plano de sua casa e olhando em volta. Note o desenvolvimento da cidade, com seus grandes e altos muros. Olhe para o rosto da natureza; os vales estão dourados por causa do trigo que amadurece, pois é a época da colheita. A prosperidade e a esperança de aumentar sua grandeza são abundantes. Quão pouco o mundo sonha que a foice, que está pronta para a colheita, é de juízo!


O velho Jordão flui, suas margens cobertas por águas profundas. O Sol que eles adoram, calmo no céu, afunda sob as montanhas, lançando seu rico brilho sobre os vales perfumados. Os negócios da cidade, seu comércio e seu luxo continuam como nas gerações anteriores. Para os escarnecedores da cidade, a fábula do juízo envelheceu; agora não há mais nada a temer!


O juízo vindouro

O testemunho da vinda de Cristo e Seu reino mundial já são ridicularizados. “Onde está a promessa da sua vinda? Pois desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como estavam desde o princípio da criação” (2 Pe 3:3‑4). Seja assim, mas “quando disserem: Há paz e segurança, então, lhes sobrevirá repentina destruição” (1 Ts 5:3). O escárnio da infidelidade e seus efeitos destrutivos não podem ser negados, mas quando um crente, no poder da fé, testemunha por seu modo de vida a realidade da vinda de Cristo, os homens tremem. A inteligência doutrinária não convence nenhum homem; mas comportamento prático fica sem resposta.


Os dois espias eram os expoentes de suas expectativas; eles vieram a Jericó não para torná-la seu lar, mas para espiá-la e partir. O Cristão é enviado ao mundo para ser testemunha de Deus e da vinda e reino de Cristo. Enquanto os dois espias conversavam com Raabe, ouvindo sua estranha notícia de corações derretendo e sem ânimo por causa do poder de Jeová, o rei de Jericó ouviu que eles estavam em sua cidade. Imediatamente surgiu uma oposição direta entre o rei e Raabe. Aliança com inimigos é loucura para a natureza, mas o povo de Deus deve romper seus laços com o mundo e Satanás. A segurança só pode ser obtida se tomarmosm o partido de Deus.


A sabedoria da fé invariavelmente supera Satanás. Raabe “escondeu” os homens (Js 2:4) pouco antes de serem procurados. Se um crente começa a planejar, lembre-se de que Satanás é um planejador mais habilidoso do que ele. Se o crente confia em seu Pai como uma pequena criança, Satanás é derrotado antes do início da batalha.


Sua fé e falsidade

Por causa da mentira que Raabe contou, aqueles que desejassem argumentar lançariam uma ofensa à veracidade de toda a história. Mas Deus diz a verdade sobre o caráter e os caminhos dela, assim como sobre tudo; é o homem que esconde o que não trará créditos positivos para si mesmo. Sua fé, não sua mentira, é elogiada, pois Raabe não tinha o direito de mentir ao rei. Se sua fé em Jeová tivesse ido mais longe, ela confiaria n’Ele para libertação, em vez de enganar.


Pela fé, Raabe acreditava que os dias de sua cidade estavam contados e, nos dois espias, viu mensageiros do Deus dos céus. Sua convicção era: “Bem sei que o SENHOR vos deu esta terra”. A fé sabe o que Deus fará, simplesmente porque Deus falou. Eu “bem sei” é uma certeza imóvel no coração do filho da fé, que não dá à infidelidade nenhum ponto de ataque. O testemunho dos espias encheu Raabe com segurança quanto à sua própria salvação e energia para a vida de toda a sua família. Seu clamor foi, portanto: “dareis a vida a meu pai e a minha mãe, como também a meus irmãos e a minhas irmãs, com tudo o que têm, e de que livrareis as nossas vidas da morte” (Js 2:13). Para a realização desse desejo, ela procurou um sinal verdadeiro, e os espias deram a ela sua solene garantia: “Nossa vida responderá pela vossa”. De maneira semelhante, temos a Palavra de Deus para confiarmos. Nela temos confiança para nosso bem eterno.

A promessa

Tendo recebido a promessa para ela com base na vida dos espias, ela “os despediu por outro caminho” (Tg 2:25), deixando-os sair por uma corda amarrada a sua janela, pois sua casa estava construída sobre a muralha. Então eles, estando fora de Jericó, deram o sinal externo, o sinal para Raabe – “este cordão de fio de escarlata” – e pediram que ela amarrasse o cordão na janela.


Raabe amarrou o cordão brilhante em sua janela em fé e na esperança da vinda de seus salvadores. Sua tonalidade que não se pode apagar, a cor que surge da morte, proclamava o reino, pois o corante carmesim é obtido pela morte de uma pequena criatura, e aponta para o sangue de Jesus, cujo reino será estabelecido na virtude de Sua morte reconciliadora. A habitação de Raabe era sobre o muro e sua casa era o único lugar na cidade a ser destruída onde a salvação podia ser alcançada. Sua janela estava virada para fora de Jericó, e o cordão de escarlata estava amarrado nela. Isso deve ser verdade na perspectiva de toda casa onde Cristo é conhecido; suas janelas não devem olhar para o mundo, mas para Aquele que virá.


Salvação aos indivíduos

Nenhuma mensagem de misericórdia chegou a Jericó e está escrito: “Agora é o juízo deste mundo” (Jo 12:31). Deus não envia boas novas agora ao mundo como tal, mas antes a indivíduos que estão nele. O evangelho é para “toda criatura” em “todo o mundo” (Mc 16:15), mas não para o mundo como um sistema. Um falso evangelho inverte essa verdade, pois clama: “Torne o mundo bom, melhore a sociedade, eduque o homem até a santidade” e se recusa a admitir o fato de que os pecadores precisam ser salvos deste mundo, como Raabe precisava ser salva de Jericó.


Que Deus desperte Seu povo para a fé na Aparição e reino de Cristo e no inevitável fim deste mundo; então surgirá verdadeira seriedade pela salvação das almas da ira vindoura! Onde quer que a realidade da Aparição e reino de Cristo possua a alma de um crente, esse homem é destacado do resto como um soldado Cristão. A noite já é passada, a Estrela da Manhã já brilha no coração dos Seus: “ainda um poucochinho de tempo, e O que há de vir virá e não tardará” (Hb 10:37).


O bom relato

Após o retorno dos dois espias ao arraial, eles trouxeram um bom relato ao povo de Israel – esse tipo de relato inspirador da alma que desperta energia para Deus. Eles falaram de vitórias ainda por vir: “Certamente o SENHOR tem dado toda esta terra nas nossas mãos, pois até todos os moradores estão desmaiados diante de nós” (Js 2:24). O coração deles derreteu como cera diante da face de Israel. Fé forte faz corações fortes.


Quarenta anos antes, os espias fracos de coração haviam desencorajado o arraial de Israel; eles haviam julgado pelo testemunho de seus próprios olhos, e a incredulidade fez corações derreterem. Eles não sabiam o estado real do povo da terra. Esse segredo foi declarado por Raabe, que estava escondido de Israel por 40 anos, por causa de seus murmúrios e descrença.


Com que olhar diferente dois servos do Senhor olharam para o mesmo campo de batalha! Um considerava tudo como perdido, vendo apenas gigantes e cidades com muros até o céu; outro via Deus. Um considera-se um gafanhoto, ficou assustado com o campo e contamina tudo o que encontra com o mesmo medo; o outro, forte em razão da fé, desperta a coragem de seus irmãos. Que tipo de espias somos nós? Qual é o nosso testemunho?

H. F. Witherby (adaptado)

 

Raabe: Segurança, Salvação, Cidadania, União


Provavelmente não há nenhum caso nas Escrituras que, em figura, ilustra as riquezas da graça de Deus mais completamente do que a história de Raabe. Sua história começa em Jericó, uma figura deste mundo e, como este mundo, foi marcada para o juízo. Jesus, quando estava prestes a ir para a cruz, disse: “Agora é o juízo deste mundo”, acrescentando: “E Eu, quando for levantado da Terra, todos atrairei a Mim. E dizia isso significando de que morte havia de morrer” (Jo 12:31-32). A destruição do mundo foi selada na cruz.


Raabe nos diz qual testemunho de Deus foi usado para trazer fé à sua alma. Ela diz em Josué 2:10 que eles ouviram o que Jeová havia feito no Mar Vermelho, que era o lugar onde o poder de Deus tinha sido manifestado – uma figura da morte e ressurreição de Cristo. Muitos em Jericó ouviram isso além de Raabe, e quantos existem agora que sabem do fato histórico da ressurreição de Cristo. Mas havia fé em Raabe, e “a fé vem pelo ouvir”. Enquanto da parte dos que não creram, “a palavra [...] nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram” (Hb 4:2).


Segurança

Sua casa, Jericó, parecia segura. Por todas as aparências, era invencível, assim como o mundo hoje se vangloria de progresso, enquanto prossegue para o juízo. Mas “a fé é a [...] a prova das coisas que se não veem” (Hb 11:1), e assim Raabe diz: “Bem sei que o SENHOR vos deu esta terra” (Js 2:9). E agora? Ela quer um lugar seguro para si e para a casa de seu pai quando o juízo cair. Ela quer um sinal de que, se agir de acordo com a palavra dita, suas vidas serão poupadas. Ela é instruída a amarrar o “cordão de fio de escarlata a janela”. O “fio de escarlata” é uma figura do precioso sangue de Cristo, e Deus diz: “O sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 Jo 1:7), como Israel em Êxodo 12, onde Jeová diz: “E aquele sangue vos será por sinal [...] vendo Eu sangue, passarei por cima de vós”.


Raabe também pensou na bênção de outros, mas deve haver um teste para eles. Recolhas “em casa contigo a teu pai, e a tua mãe, e a teus irmãos, e a toda a família de teu pai” (Js 2:18). O quê? Eles deveriam ficar sob o teto de alguém que era motivo de difamação para a família? Sim, pois “não há diferença, porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23). O orgulho no coração e a total ignorância da terrível devastação que o pecado causou, levaram muitos a rejeitar a maneira de Deus salvar. Simão, o fariseu em Lucas 7, e o irmão mais velho em Lucas 15 são ilustrações disso.


O fio de escarlata

Josué 6:23 nos mostra que a família de Raabe se valeu do modo de segurança de Deus no juízo prestes a cair. Embora seguro sob o abrigo do “fio de escarlata”, o poder de Deus ainda não havia agido em seu favor. Dizem-nos “o evangelho [...] é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1:16), mostrando que a salvação (ou “libertação”) está ligada à demonstração de poder. Em Êxodo 12, temos o sangue do cordeiro como base de segurança, mas quando chegamos ao Êxodo 14, encontramos o poder de Deus manifestado contra os inimigos do povo de Deus e a favor dos Seus, colocando-os do outro lado do Mar Vermelho.


Salvação

Deus demonstrou Seu poder na ressurreição (Rm 1:4; 2 Co 13:4). Paulo desejava que os santos soubessem que estavam diante de Deus de acordo com a demonstração de Seu poder que foi manifestado quando Ele ressuscitou Jesus dentre os mortos (Ef 1:19-20; 2:6). Somente após o poder de Deus ter sido manifestado contra o inimigo em favor de Raabe, é dito: “deu Josué vida à prostituta Raabe” (Js 6:25), tirando-a do que havia sido julgado e colocando-a em um lugar totalmente diferente. O mesmo acontece agora com o crente diante de Deus. Ele não é mais visto como estando “em Adão”, onde a morte tem influência universal, mas “em Cristo”, onde “não há condenação” (Rm 8:1). Raabe estava em segurança quando amarrou o fio de escarlata na janela, mas não foi salva até que a ação em Josué 6:25 tivesse ocorrido.


Cidadania

A graça de Deus para Raabe vai além de sua salvação de quando Jericó caiu. Lemos que ela: “habitou no meio Israel” (Js 6:25). Agora, em vez de ser uma moradora de Jericó, ela se torna moradora de Israel; sua cidadania é inteiramente de um novo país. Quando nos voltamos para o Novo Testamento, descobrimos que nós que estávamos “mortos em ofensas e pecados” e andávamos “segundo o curso deste mundo”, não apenas temos paz e somos salvos (pela graça), mas não somos mais “estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e da família de Deus” (Ef 2:19). Pertencemos a uma ordem de coisas inteiramente nova, como está escrito: “Se alguém está em Cristo, nova criatura [nova criação – JND] é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5:17). Somos “peregrinos e forasteiros” (1 Pe 2:11) quanto a este mundo, e “nossa cidade [ou cidadania] está nos céus” (Fp 3:20).


União

Mas as bênçãos de Raabe não terminam com sua nova cidadania. Em 1 Crônicas 2, obtemos o registro genealógico de Judá, a tribo real. Comparando o versículo 11 com Rute 4:21 e Mateus 1:5, descobrimos que ela era casada com Salma (ou Salmom – AIBB), o príncipe da tribo real. Em Romanos 7:4 e 1 Coríntios 6:17, 19-20, que verdade maravilhosa e preciosa é apresentada diante de nós! Como crentes, não somos apenas salvos e estamos a salvo, mas somos cidadãos dos céus, unidos ao Senhor, casados com outro, “daquele que ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus”. Quando vemos o contraste entre a “prostituta de Jericó” e a “esposa do príncipe da tribo real”, vemos uma maravilhosa imagem do que a graça tem feito hoje pelos crentes!


Modos

Que tipo de pessoa deveria ser Raabe agora e como ela deveria se comportar? Não apenas as coisas antigas passaram e todas as coisas se tornaram novas, mas ela era uma esposa; seus afetos foram conquistados. Como ela provaria que seu coração havia sido conquistado? Certamente, tentando agradar quem a ganhou! Jesus ganhou nosso coração? Então Ele nos dá a oportunidade de provar isso nesta cena em que Ele foi rejeitado e expulso. Entre todas as coisas novas está a motivação do coração, pois é dito: “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se Um morreu por todos, logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5:14-15) É assim, tendo sido unido Àquele que ressuscitou dentre os mortos, e exercidas as afeições do coração, que “demos fruto para Deus” (Rm 7:4).


“E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazer tudo em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai” (Cl 3:17).


Christian Truth, vol. 34 (adaptado)

 

A Fé e as Obras de Raabe


Raabe não é apenas um exemplo de fé, mas também de obras. “E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários e os despediu por outro caminho?” (Tg 2:25) As obras devem seguir a fé. Existem obras mortas que não são produto da fé, e há uma fé morta que não produz obras, mas as obras de Raabe só podiam ser fruto da fé. Um Abraão para oferecer seu filho como uma oferta queimada, uma Raabe para trair seu país, ou uma Maria para quebrar um vaso de alabastro de grande valor para “desperdiçar” [aos olhos dos homens] tudo o que ela tinha – um unguento de grande valor – todas essas coisas são condenadas pela sabedoria humana. Os autores de tais ações são censurados ou punidos pelo mundo, mas o que os torna aprovados por Deus é a fé que motiva a ação – fé que sacrifica tudo por Deus e entrega tudo por Seu povo.


Raabe encontra sua recompensa: Um lugar de honra é reservado para ela entre os que, no povo terrenal de Deus, formam a linhagem do Messias (Mt 1:5).


Food for the Flock, vol. 9

 

Raabe – a Linhagem Real


Observamos que a genealogia de nosso Senhor em Mateus difere totalmente da que temos em Lucas, onde não é apresentada até o final do capítulo 3. Assim, em Lucas aprendemos muito sobre o Senhor Jesus antes que Sua genealogia apareça. Em Mateus, nos encontramos em um terreno mais estreito, direcionado a uma determinada nação. Abraão e Davi são mencionados no primeiro versículo. “Livro da geração de Jesus Cristo, Filho de Davi, Filho de Abraão”. Davi foi o rei que Deus escolheu, e ele é mencionado aqui como o antepassado do Ungido do Senhor – “o Filho de Davi”. Abraão, novamente, era aquele em quem, dizia-se, todas as nações da Terra deveriam ser abençoadas. Assim, as palavras de abertura nos preparam para todo o Evangelho. Cristo veio com toda a realidade do reino prometido ao Filho de Davi. Mas se Ele foi recusado como Filho de Davi, ainda como Filho de Abraão, houve bênção não apenas para os judeus, mas para os gentios. Ele é o verdadeiro Messias, mas se Israel não O reconhece como tal, Deus fará com que as nações provem de Sua misericórdia.


As quatro mulheres

Começamos com Abraão, não seguindo Jesus até Abraão, mas de Abraão até Ele. “Abraão gerou Isaque; e Isaque gerou a Jacó; e Jacó gerou Judas e seus irmãos; e Judas gerou Peres e Zara de Tamar” (Mt 1:2-3). Qual é o motivo de trazer uma mulher e nomear Tamar aqui? Havia mulheres de grande destaque na linhagem do Messias – pessoas que os judeus naturalmente consideravam santas e honradas. Mas não há menção a elas aqui. Por outro lado, Tamar é mencionada. A graça, mais repreendendo a carne, podia ser encontrada por baixo disso, mas a mais preciosa em seu caminho. Há quatro mulheres, e apenas quatro, que aparecem na linhagem, e em cada uma delas houve uma mancha. Para um judeu orgulhoso, com todas essas mulheres, havia algo que era humilhante – algo que ele manteria oculto. Oh, maravilhoso caminho de Deus! O que Ele não pode fazer? O Messias deveria brotar de uma linhagem na qual tinha tido terrível pecado. Essas, sobre as quais houve tais borrões segundo a avaliação dos homens, são as únicas mulheres trazidas especificamente diante de nós. Não como se o pecado não fosse excessivamente pecaminoso, nem como se Deus pensasse levianamente nos privilégios de Seu povo. Mas Deus, sentindo o pecado de Seu próprio povo como o pior de todos os pecados, mas tendo introduzido neste mesmo Messias o único que poderia salvar Seu povo de seus pecados, não hesita em trazer seu pecado à presença da graça que poderia e iria purificar tudo.


Graça para salvar

O que somos ensinados por isso? Se o Messias Se digna a Se vincular a uma família assim, certamente não poderia haver alguém tão mau que não pudesse ser recebido por Ele. Ele veio para salvar “o Seu povo dos pecados deles” (Mt 1:21 – TB), e não para encontrar um povo que não tivesse pecados. Quem não pode agora nascer de Deus? Quem é que um Deus assim rejeitaria? Tal indicação em Mateus 1 abre o caminho para as maravilhas da graça que aparecem depois. Em certo sentido, nenhum homem tem uma posição de privilégios antigos como o judeu; todavia, assim como com o Messias, esse é o relato que o Espírito Santo faz de Sua linhagem.


Mas isso não é tudo. “Salmom gerou de Raabe a Booz”, E quem e o que ela era? Uma gentia e outrora prostituta! Mas Raabe é tirada de todos os seus pertences – separada de tudo o que era sua porção por natureza. E aqui está ela, neste evangelho de Jesus escrito para o judeu – para as mesmas pessoas que O desprezavam e O odiavam, porque Ele iria considerar o gentio. Raabe já tinha o nome do céu, e nenhum judeu poderia negar isso. Ela foi visitada por Deus e fez parte da linhagem real da qual nasceria Jesus, o Messias, que é Deus sobre todos, Bendito para sempre. Oh, que maravilhas da graça surgem sobre nós, enquanto nos debruçamos sobre a mera lista de nomes da genealogia de nosso Senhor!


Odiosos gentios trazidos para dentro

Pode-se dizer que Raabe foi chamada em alguma época distante. Mas não! “Salmom gerou de Raabe a Boaz, e Boaz gerou de Rute a Obede, e Obede gerou a Jessé, Jessé gerou ao rei Davi” (Mt 1:5-6). Rute, por mais amorosa que fosse, para um judeu era de uma origem particularmente odiosa. Ela era moabita e, portanto, proibida pela lei de entrar na congregação do Senhor até a décima geração. Até os edomitas ou os egípcios eram tidos com menos aversão, e seus filhos poderiam entrar na congregação do Senhor na terceira geração (Dt 23:3-8). Assim, foi dado um testemunho ainda mais profundo de que a graça sairia e abençoaria o pior dos gentios. e Jessé gerou o rei Davi. Davi gerou Salomão da que fora mulher de Urias; Com apenas algumas gerações intervindo, temos essas três mulheres que seriam totalmente desprezadas e rejeitadas pelo mesmo espírito que rejeitou Jesus e a graça de Deus. Não havia, portanto, um novo pensamento – a misericórdia divina que se estendia para reunir os forasteiros dos gentios. Era a velha maneira de Deus agindo.


Deixar de fora o que um judeu se gloriava e trazer o que ele ocultaria por vergonha, e tudo com terna misericórdia a Israel, aos pecadores, era realmente divino. Podemos ver com isso que a menção dessas quatro mulheres é particularmente instrutiva. O homem não poderia ter produzido isso: Nosso lugar é aprender e adorar. Todas as mulheres nomeadas são aquelas que a natureza teria cuidadosamente excluído do registro, mas que a graça tornou mais proeminente nele. A verdade que ela ensinou nunca deve ser esquecida, pois Ele é um Messias que vem em busca dos pecadores; Ele não desprezaria ninguém necessitado, nem mesmo um pobre publicano ou uma prostituta. O Messias refletia tão completamente o que Deus é em Seu santo amor, e Ele é tão fiel a todos os propósitos de Deus, tão perfeita expressão da graça que está em Deus, que nunca houve um pensamento, sentimento ou palavra de graça ali, mas o que o Messias havia chegado agora para torná-la boa ao lidar com pobres almas, e antes de tudo com os judeus.


W. Kelly (adaptado)

 

Acsa – Valorizando Sua Herança


Pouco nos é dito sobre essa filha de Israel, mas acho que podemos aprender muito com o que está escrito em Josué 15:16 e Juízes 1:12, lembrando que toda a Escritura tem algo a nos dizer.


Acsa era filha de Calebe, o homem de fé, que podia dizer sem se vangloriar que “segui totalmente o Senhor meu Deus” (Js 14:8).


A consequência foi que nele não havia indecisão ou vacilo; em vez disso, ele possuía aquele objetivo aguçado de coração que o tornava superior a obstáculos aparentemente intransponíveis e circunstâncias difíceis. Assim, Ele foi mantido firmemente no caminho da vontade de Deus para o Seu povo, até que ele se tornou um vitorioso e um vencedor. Suas palavras de encorajamento a seus irmãos desanimados: “O Senhor está conosco: não os temas”, nos dizem o segredo de sua força.


Não estamos surpresos que Acsa prove ser uma verdadeira filha deste gigante espiritual. Ela é dada por Calebe como noiva para seu primo Otniel, quando, por sua bravura destemida, ele captura a fortaleza de Quiriate-Sefer do inimigo, provando, assim, ser um parceiro adequado para ela.


Ele parecia tão interessado quanto seu tio em tornar sua a herança que Deus havia dado para seu povo possuir. Assim, ele estava treinando para sua importante posição posterior, quando se tornou libertador e juiz de Israel por 40 anos, período durante o qual o povo de Deus descansou dos constantes ataques de assédio de seus inimigos vizinhos. É por ocasião de sua apresentação como noiva do conquistador que retorna que Acsa mostra que a presente possessão e o gozo da bênção de Deus também têm o primeiro lugar em seu coração.


Uma fonte de gozo constante

Nas mãos do pai, ela já havia recebido uma herança, a terra do sul, que sem água seria improdutiva e infrutífera. Portanto, ela faz um pedido adicional: “Dá-me uma bênção. Dá-me também fontes de água” (Js 15:19). Ela vai um passo além das filhas de Zelofeade, pois pediram apenas uma herança. Acsa tem uma herança e pede, com efeito, aquilo que a tornará uma fonte presente de satisfação e prazer para ela. Precisava apenas das fontes borbulhantes de água viva, superior e inferior, que seu pai concedia tão prontamente, para tornar a herança tudo o que ela desejava que fosse para ela – uma fonte de gozo constante.


Se nos comprometemos com Cristo e fazemos parte da noiva que Lhe foi concedida, a verdadeira Vencedora do mundo, nós temos uma herança incorruptível e imaculada, reservada no céu para nós. É vontade de Deus que estejamos no presente desfrute dessa herança celestial e das bênçãos relacionadas a ela, que estão centralizadas em Cristo à Sua destra. O mero conhecimento disso, no entanto, não produzirá frutos, nem trará gozo ao nosso coração, a menos que seja benéfico para nós pelo poder do Espírito Santo – “o penhor da nossa herança” (Ef 1:14). Nós, diferentemente de Acsa, não precisamos pedir para receber isso, pois, como um maravilhoso presente de Deus, o Espírito Santo é enviado para habitar todos os crentes desde que o Senhor Jesus foi glorificado.


O fruto do Espírito

Você se lembrará do que o Senhor disse à mulher samaritana: “Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” (Jo 4:14). E novamente em João 7:38-39, Ele diz aos judeus: “Aquele que crê em Mim ... do seu ventre fluirá rios de água viva. E isso disse Ele do Espírito, que haviam de receber os que n’Ele cressem”. É para nós providenciarmos para que não haja nada em nossa vida e maneiras que entristecerão o Espírito Santo e, assim, dificultem Sua obra em nós. Ele deseja tornar as alegrias permanentes do céu tão reais para nossas almas que as antecipamos agora, entrando naquelas coisas maravilhosas que “olhos não viram, nem ouvidos ouviram”, mas que Deus nos revelou por Seu Espírito. É somente por Seu poder que essas coisas nos dão verdadeiro gozo ou se tornam frutíferas para nossas almas; sem isso, nossa herança celestial nos proporciona pouco prazer.


Que cada um de nós, à medida que o dia do homem se aproxima rapidamente do fim e se aproxima o retorno de Cristo, esteja tão sujeito ao Espírito Santo de Deus que cada vez mais possamos entrar e desfrutar pelo Seu poder a realidade da nossa porção em Cristo, até aquele momento. quando na verdade a possuiremos plenamente em Sua presença.


Autor desconhecido

 

Acsa – Um Exemplo de Águas Refrescantes


De tempos em tempos, diferentes assembleias são capazes de agir de acordo com a Palavra do Senhor a Moisés. “Ajunta o povo, e lhe darei água”. Estando assim reunidos, os santos são dependentes de Deus e precisam clamar: “Sobe, poço” (Nm 21:17). Esta é uma cena do deserto, e os nobres estão lá com varas em sinal de seu caráter de peregrino, e no comando do legislador eles cavam a areia do deserto. Isso seria totalmente fútil em circunstâncias comuns, mas na bondade de Deus as águas refrescantes surgem e uma canção se manifesta.


Acsa era uma mulher daquela fé que aguarda, tal fé que Deus Se deleita em reconhecer, dando abundantemente além do que pedimos ou pensamos. Ela fez com que seu marido, Otniel, pedisse um campo a seu pai. Calebe deu-lhes uma boa porção da terra do sul. Mas uma terra do sul sem água logo estaria seca, então ela pede mais. “Dá-me também fontes de águas” (Js 15:18-19). Então ele deu a ela as fontes superiores e as fontes inferiores.


As fontes superiores

Deus nos trouxe ao brilho do Sol de Seu favor, e Ele também dá fontes superiores e fontes inferiores para manter nossas almas em frescor e fertilidade no gozo desse favor, apesar de tudo o que viesse para murchar. Nós bebemos das fontes superiores quando olhamos para cima e encontramos tudo em Deus. O salmista no Salmo 87:7 diz: “Todas as minhas fontes estão em Ti”. Ele estava bebendo sem reservas das fontes superiores que são inesgotáveis. O mesmo aconteceu com o apóstolo Tiago quando escreveu: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em Quem não há mudança, nem sombra de variação” (Tg 1:17).


Fontes inferiores

Que Deus nos dê de beber profundamente em nossas fontes eternas, para que possamos nos gloriar “em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5:11). Mas nós estamos em um mundo que é contrário a nós, onde a doença, a tristeza e sofrimentos abundam e às vezes afetam a nós mesmos e aos nossos entes queridos. Então precisamos recorrer às fontes inferiores e encontrar Deus em tudo. Paulo teve certeza disso quando escreveu em Romanos 8:28: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por Seu decreto”. Nosso coração deve tomar para si dessa mesma bendita certeza. Estas coisas que parecem mais dolorosas e tristes, e que podem parecer tão diferentes d’Ele, estão entre “todas as coisas” em que Ele está e que Ele está trabalhando juntamente para o nosso bem.


Ezequias aprendeu com a doença e as lágrimas amargas que “com estas coisas se vive”, e em que estava a vida de seu espírito (Is 38:16). Nós pensamos muito em nossas bênçãos temporais, mas Deus, enquanto suprindo nossas necessidades, tem especialmente em vista nosso bem-estar espiritual. Ele nos faria encontrar, em circunstâncias tristes e dolorosas, aquelas fontes inferiores pelas quais nosso bem-estar espiritual é mantido e aumentado. Isso é abençoadamente evidenciado no Salmo 84:5-7. pois o homem cujo coração está nos caminhos de Deus, enquanto passa pelo vale de Baca, ou chorando, faz dele um poço. Sendo assim revigorado, ele vai de força em força, fazendo das provações e tristezas, por assim dizer, trampolins para uma maior proximidade com Deus.


Cavando poços

Recebemos palavras de advertência e encorajamento em Gênesis 26:15-20. Isaque descobriu que os poços que seu pai havia cavado, os filisteus tinham tapado com a terra. O mundo procurará ocupar o crente com as coisas terrenas, de modo a sufocar os poços de refrigério e instrução nas verdades de Deus, que os santos, de gerações anteriores, cavaram para nós, conforme registrado em seus escritos. Escave-os novamente, para que possamos tirar o bem daquilo que o Espírito lhes revelou. Mas não pare para escavar outra vez os poços antigos; Isaque escavou novos. O inimigo tentou se opor e impedi-lo, como sempre faz, mas a energia espiritual triunfou, e o poço Reobote deu a ele paz e abundância.


Devo agora exortar meus jovens irmãos e irmãs não apenas a ler os escritos valiosos dos homens ensinados por Deus, mas a estudar diligentemente a Palavra com a orientação do Espírito. A água destes novos poços abertos por você, na dependência e comunhão com Deus, será ainda mais doce e fresca do que as dos poços que outros cavaram para você.


Fontes de água

“Manancial fechado, fonte selada” (Ct 4:12) Tal é a esposa do noivo. Até agora estivemos considerando o que Deus é para nós e quais fontes de água viva Ele nos provê, mas este versículo nos dá o que nós, como esposa, somos para Cristo. O pensamento em “fechar e selar” é semelhante ao do “jardim fechado” – algo reservado para o Seu deleite especial, algo para ser compartilhado e usado quando e como Ele Se agrada. Em João 4:14, nosso Senhor Jesus fala da fonte de água que jorra para a vida eterna. Aqui a fonte que Ele colocou dentro do crente é aberta, ou deslacrada, e no poder do Espírito Santo brota até Deus sua fonte, em adoração no Espírito e na verdade que Ele procura e que dá refrigério ao Seu coração.


Que privilégio que o transbordamento de corações como o nosso, preenchidos por Ele mesmo, possa se elevar naquilo que dá gozo a Ele, até mesmo nossos louvores, adoração e ação de graças! Em João 7:37-38 o Senhor Jesus promete dar ao que tem sede e que vem a Ele, água viva em abundância. Quando Ele abre as comportas, “rios de água viva” fluem para os sedentos ao redor do poder do Espírito Santo que Ele lhes daria quando Ele tivesse sido glorificado. Assim, no jorrar e fluir para fora, o Senhor é confortado e glorificado.


Rios correntes

Em conexão com os rios que fluem de um centro, veja como em Gênesis 2:10 nos é dito que o rio do Éden fluía, dividindo-se em quatro braços, levando bênçãos e refrigério a todos. Este é o oposto dos rios da Terra, onde vários pequenos se unem para formar um grande rio. Já com as fontes ou os rios de Deus, a plenitude é tão infinita que pode se separar e, ao mesmo tempo, fluir com plenitude e poder inalterados. Que aprendamos cada vez mais a nos regozijar em tudo o que Deus é em nós e para nós. Assim, encontramos em ambas as fontes superior e inferior, a porção satisfatória e que sustentará nossas almas. Como resultado, Cristo pode receber as águas que fluem de adoração e ser glorificado pelos rios que estão fluindo em serviço para Ele por Sua ordem.


W. H. Fosbery (adaptado)

 

Jael – Heroína ou Homicida Traiçoeira?


A maioria de nós, mesmo as crianças mais novas da escola dominical, conhece a história de Jael e como ela matou Sísera usando uma estaca de tenda, que ela cravou na têmpora dele enquanto ele dormia profundamente. Sem dúvida, foi um ato corajoso e permitiu a Deus destruir um inimigo forte e brutal de Israel. No entanto, alguns a criticaram pela maneira perversa com que o ato foi realizado e questionaram se a ação dela deveria ser elogiada ou condenada.


Certamente havia coisas relacionadas ao seu encontro com Sísera que não parecem muito corretas. Antes de tudo, é evidente que Héber, o queneu, marido de Jael, “se tinha apartado dos queneus” (Jz 4:11) e vivido em uma parte diferente da terra de Israel. Héber era filho de Hobabe, sogro de Moisés, conhecido como Jetro, e aparentemente ele e outros se estabeleceram na terra de Israel, depois que Hobabe voltou ao seu lugar anterior. Sendo um estrangeiro na terra, ele fez as pazes com Jabim, o rei de Hazor. Como Jabim estava naquele momento oprimindo os filhos de Israel, essa aliança parece ter sido um meio de “salvar sua própria pele”, enquanto ainda desfrutava da generosidade da terra de Israel.


Segundo, porque havia paz entre Jabim e Héber, sem dúvida Sísera achou que a tenda de Héber era realmente um refúgio seguro para ele, pelo menos até que ele dormisse e recuperasse suas forças. Então ele poderia ter usado Héber como salvaguarda para ajudá-lo a escapar da captura pelos israelitas. Jael não fez nada para levantar suspeitas ou fazer com que Sísera questionasse essa confiança nela e no marido. Antes, quando o cansado Sísera apareceu à sua porta, ela o encorajou dizendo: “Entre, meu senhor, entre em mim; não temas” (Jz 4:18). Ela então o cobriu com um manto ou colcha e, quando ele pediu para beber água, ela lhe deu leite. Tudo isso foi certamente calculado para fazer Sísera sentir que estava totalmente seguro.


Certo e errado

Frequentemente, na Palavra de Deus, encontramos eventos registrados sem comentários sobre estarem certas ou erradas as ações registradas. Isto é especialmente verdade nas coisas que aconteceram no Velho Testamento, antes que a luz do Cristianismo tivesse surgido neste mundo. Deus nos deixa para julgar essas ações à luz do Novo Testamento, onde “graça e verdade” vieram “por Jesus Cristo” (Jo 1:17). Sem dúvida, é por isso que Paulo disse aos atenienses que “Deus, tendo ignorado os tempos da ignorância, agora ordena aos homens que todos se arrependam em todos os lugares” (At 17:30 – JND). Não que os padrões de Deus mudassem do Velho para o Novo Testamento, mas que Deus não considerava os homens responsáveis no Velho Testamento. Considerando a luz moral limitada que foi dada nos tempos do Velho Testamento, o Espírito de Deus Se refere a esses dias como “tempos de ignorância”.


No caso de Jael, certamente era moralmente errado que ela agisse de maneira traiçoeira, e especialmente quando existia uma paz conhecida entre sua casa e Jabim, de quem Sísera era o capitão. Era errado ela fingir que sua casa era um refúgio seguro para Sísera, quando ela sabia muito bem que trairia essa confiança e o mataria. Em outras situações no Velho Testamento, encontramos mentiras recorridas por homens piedosos, como no caso de Abraão, Isaque, Davi, Samuel e outros. Muitos casamentos polígamos envolviam homens e mulheres piedosos e, na velhice do rei Davi, eles até lhe trouxeram uma bela jovem, a fim de mantê-lo aquecido. Nenhuma dessas coisas se encaixa na presença de Deus, mas elas são registradas na Escritura.


O cântico de Débora

Aqui o ato de Jael é registrado, juntamente com a traição e o engano que o acompanhavam, mas sem comentar. No entanto, o cântico de Débora e Baraque elogia suas ações, dizendo: “Bendita seja sobre as mulheres Jael, mulher de Héber, o queneu; bendita seja sobre as mulheres nas tendas” (Jz 5:24). Ao considerar esta celebração de Jael e suas ações, devemos ter em mente que, enquanto o registro do cântico é inspirado, não podemos dizer que o cântico em si foi necessariamente inspirado, pelo menos não na sua totalidade. Podemos dizer com certeza que o resultado final foi de Deus, pois vinha de Deus o destruir Sísera e libertar Israel. Mas os meios e caminhos pelos quais tudo isso foi realizado têm as marcas da mera energia humana e até do comportamento moralmente errado.


Assim, tem sido tudo ao longo da história do homem, e talvez ainda mais desde que os tempos dos gentios começaram com o reino da Babilônia sob Nabucodonosor. O próprio Nabucodonosor teve que aprender que “o Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens; e os dá a quem quer e até ao mais baixo dos homens constitui sobre eles” (Dn 4:17). Outro comentou que, desde aquela época, Deus cumpriu Seus propósitos na maioria das vezes, permitindo que o mais baixo dos homens governasse. Somos gratos por ter havido exceções a isso, mas a história apoia o fato de que muitas vezes os homens mais baixos (ou mulheres) governam desde o início dos tempos dos gentios; todavia, Deus cumpriu Seus conselhos, apesar disso. Isso glorifica a Deus, enfatizando que hoje Deus não está intervindo abertamente nos assuntos dos homens e, ao mesmo tempo, está trabalhando “todas as coisas, segundo o conselho da Sua vontade” (Ef 1:11).


Dito tudo isso, não queremos deixar a impressão de que Jael não era mais do que uma mulher má que foi usada por Deus para realizar um ato que cumpriu Seus propósitos. Não, ela era sem dúvida uma mulher de fé, que contava com Deus enquanto fazia sua parte na destruição do inimigo do Seu povo. Como já observamos, parece que o marido dela fez as pazes com Jabim, rei de Canaã, a fim de proteger a si e à sua família, enquanto ainda desfrutava dos benefícios de viver em Israel. É claro, no entanto, que as simpatias de Jael estavam com Israel, e não em Jabim. É bem possível que ela não tenha concordado com a estratégia do marido de fazer as pazes com Jabim, embora como esposa ela tenha se submetido a ele. Da mesma forma, Jael reconheceu que a derrota do exército de Jabim era de Deus, e mais do que isso, ela reconheceu a necessidade de se livrar do capitão de seu exército, para que não houvesse mais problemas.


Consequentemente, ela fez o que pôde sob as circunstâncias, como uma mulher, e exibiu muita coragem. Ela não contou com a ajuda de outras pessoas e, humanamente falando, assumiu um grande risco no que fez. Um deslize ou movimento errado teria sido desastroso. Por tudo isso, ela deve ser elogiada. Mas, novamente, não podemos elogiar alguns dos subterfúgios e do engano que ela usou para realizar tudo isso.


A aprovação de Deus e o propósito de Deus

No mundo complicado e pecaminoso de hoje, vemos muitas coisas, mesmo sob o nome de Cristo, que não poderiam encontrar a aprovação de Deus. No entanto, Ele o usa para cumprir Seus propósitos e trabalha nos bastidores para direcionar tudo de acordo com Sua vontade. Tudo está levando ao tempo em que nosso abençoado Senhor Jesus terá Seu lugar de direito – quando, na “administração da plenitude dos tempos”, Deus “encabeçará todas as coisas em Cristo, as coisas nos céus e as coisas sobre a Terra" (Ef 1:10 – JND).


Isso significa que Deus aprova o antigo provérbio: “O fim justifica os meios”? De maneira alguma. Paulo levanta a questão em Romanos 3:8: “Façamos males, para que venham bens?” Em relação aos que poderiam advogar tal conduta, Paulo comenta mais: “A condenação desses é justa”. Não, Deus espera e exige santidade e justiça nos Seus neste mundo, e como já observamos, especialmente nesta dispensação da graça, quando temos o pleno conhecimento de Deus em Cristo. Nossas vidas como crentes neste mundo devem ser caracterizadas pela piedade e, como lemos em 1 Timóteo 3:16, o mistério (ou segredo) da piedade é encontrado em Cristo. Nunca vemos nosso Bendito Mestre Se inclinando para a injustiça, a fim de alcançar um fim certo.


Nestes últimos dias, veremos sem dúvida uma crescente manifestação de maneiras e meios entre os homens que Deus não poderia aprovar, mas ao mesmo tempo reconhecendo que os propósitos de Deus estão sendo infalivelmente realizados. Nossa parte é reconhecer isso, e ao mesmo tempo tomar cuidado escrupuloso em nossas próprias vidas pessoais, que nossa conduta seja “como convém a santos” (Ef 5:3).


W. J. Prost

 

Débora e Jael – Usadas por Deus


Até esse momento, Deus, em juízo, tinha entregado os israelitas infiéis nas mãos de inimigos externos. Outra prova de infidelidade da parte deles é seguida por consequências mais sérias. Jabim, rei de Canaã, reinando em Hazor, conquistou Israel e os oprimiu. Em Josué 11, encontramos um ancestral neste mesmo Jabim, e naqueles dias Israel entendia, sob a poderosa energia do Espírito de Deus, que não havia nada em comum entre eles e Jabim. Israel o feriu ao fio da espada, depois de queimarem seus carros e destruírem sua capital.


Recurso ao poder mundano

Infelizmente, tudo agora mudou, e Israel infiel cai sob o governo do mundo. Hazor, seu antigo inimigo, é reconstruído dentro dos limites de Canaã, e a herança do povo se torna o reino de Jabim! Isso tem paralelo na história da Igreja, cuja posição no início era de uma separação completa do mundo. Mas que caminho a Igreja percorreu desde então? Na realidade, é o mundo que governa a Igreja. “Eu sei”, diz o Senhor a Pérgamo, “onde habitas, que é onde está o trono de Satanás” (Ap 2:13). Mesmo no grande reavivamento da Reforma, os santos recorreram aos governos do mundo e se apoiaram neles. Nos dias atuais, há Cristãos que, quando perseguidos, em vez de se regozijarem em sofrer por causa de Cristo, reivindicam proteção contra os poderes que existem. O juízo de Josué sobre o Hazor não é mais nada além de uma lembrança.


A fé de Débora

Além disso, esse não era o único sintoma da baixa condição de Israel naqueles dias, pois se exteriormente eles eram governados por seu inimigo, qual era o estado interno do governo? Confiado às mãos de uma mulher! Mas Débora era uma mulher notável, uma mulher de fé, profundamente impressionada com a condição humilhante do povo de Deus. Ela vê que seria para vergonha dos líderes em Israel que Deus confiasse um posto de atividade pública a uma mulher no meio deles. Ela diz a Baraque: “Certamente irei contigo, porém não será tua a honra pelo caminho que levas; pois à mão de uma mulher o SENHOR venderá a Sísera” (Jz 4:9). Mas, em todo o seu exercício de autoridade para Deus, Débora mantém, em circunstâncias que podem ter sido uma grande armadilha para ela, o lugar designado por Deus em Sua Palavra à mulher. Caso contrário, ela não seria uma mulher de fé. Este capítulo nos conta a história de duas mulheres de fé, Débora e Jael. Cada uma mantém o caráter de acordo com a posição atribuída por Deus à mulher. Onde Débora exerce sua autoridade? A Palavra diz que ela “habitava debaixo das palmeiras de Débora ... e os filhos de Israel subiam a ela a juízo” (Jz 4:5). Profetisa e juíza, embora estivesse em Israel, ela não saiu da esfera que Deus havia designado para ela.


A falta de caráter

Baraque era um homem de Deus e considerado pela Palavra um juiz em Israel. “Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté” (Hb 11:32). Mas Baraque era um homem sem caráter, energia moral e confiança em Deus. A falta de caráter em Baraque o fez desejar ser o ajudante da mulher, enquanto Gênesis 2:18 a torna a ajudante do homem. Ele degradou o cargo em que Deus o colocara e, o que era pior, procurou tirar Débora do lugar de dependência dela como mulher. “Certamente irei contigo”, diz ela, por isso ela poderia fazer consistentemente com seu lugar de acordo com a Escritura. Mais tarde, lemos sobre mulheres santas que acompanharam o Senhor, tornando-se Suas servas, a fim de ministrar às Suas necessidades. O ato de Débora estava certo, mas o motivo de Baraque estava errado, e Débora o repreendeu severamente. Qual era o motivo de Baraque no fundo? Ele estava disposto a depender de Deus, mas não sem um suporte humano também. Existem muitas dessas almas hoje. Há, por sua vez, tão pouco sentido da presença de Deus que, para seguir o caminho da fé, eles preferem confiar em outro, em vez de depender diretamente somente d’Ele. Mas Deus, o Senhor, Seu Espírito e Sua Palavra são infalíveis. A fiel Débora não encoraja Baraque nesse caminho errado, e Baraque sofre as consequências de sua falta de fé.


Jael em sua esfera

Baraque sobe com seu exército e Débora com ele. Héber, o queneu, naqueles tempos conturbados, achou conveniente se separar de sua tribo e montar sua tenda em outro lugar. Agora “havia paz entre Jabim, rei de Hazor, e a casa de Héber, queneu” (Jz 4:17). O ato de Héber não parece ter sido de fé. Ele se separou do povo em seu estado baixo, de modo a se livrar da responsabilidade da triste condição de Israel. Além disso, ele estava em paz com o inimigo declarado de seu povo e conseguiu não ser incomodado por Jabim. Mas uma mulher morava sob a tenda de Héber – uma mulher que recusava a segurança por um preço tão alto e não reconhecia uma aliança com o inimigo de sua nação. Israel possuía totalmente o seu coração. Baraque obtém a vitória, e Débora, essa mulher de fé e mãe em Israel, não participa dela. O exército de Sísera é derrotado e ele próprio, forçado a fugir a pé, chega à tenda de Jael, onde conta com um abrigo hospitaleiro. Jael o esconde; ele pede um copo de água e ela lhe dá o que era melhor, leite. Ela não o trata inicialmente como um inimigo, mas com pena; contudo, na presença do inimigo de seu povo, ela se torna impiedosa.


O instrumento que ela usou para a libertação de Israel era ainda mais inútil que o de Sangar, pois as únicas armas que ela possuía eram as ferramentas de uma mulher que fica na tenda; é com eles que ela dá o golpe fatal na cabeça do inimigo. Com que sentimentos de humilhação, Baraque deve ter contemplado a vitória de Jael, vendo uma mulher assim honrada por Deus, em um caminho em que ele, embora líder e juiz, não desejava caminhar. Mas Deus fez uso de Débora e Jael para despertar os filhos de Seu povo a um senso de sua responsabilidade, pois, uma vez despertados, eles “exterminaram a Jabim, rei de Canaã” (Jz 4:24).


H. L. Rossier (adaptado)

 

Levou Cativo o Cativeiro


A história da expressão, “leva em cativeiro os teus cativos” (JND), encontrada pela primeira vez em Juízes 5:12, ilustra de maneira notável a observação de um escritor conhecido: “aquele que não vê Cristo em todos os lugares do Velho Testamento, não o vê em lugar algum”. A expressão acima é aqui endereçada a Baraque. “Desperta, desperta, Débora: Desperta, desperta, entoa um cântico. Levanta-te, Baraque, e leva presos os teus cativos, ó filho de Abinoão”. (v. 12 – TB). Após a vitória sobre Sísera, o Espírito Santo colocou um cântico de celebração nos lábios de Débora e Baraque, no qual eles recordam o antigo estado de Israel, a reunião do povo e as circunstâncias do conflito. As palavras que ocupam nossa atenção assumem a forma de uma exortação na perspectiva da luta, instando Baraque a lidar com ela e a trazer em cativeiro o poder que mantinha Israel em cativeiro.


Descrição de Cristo

Passando para o Salmo 68, lemos: “Tu subiste ao alto, levaste cativo o cativeiro, recebeste dons para os homens [no Homem – JND] e até para os rebeldes, para que o SENHOR Deus habitasse entre eles” (Sl 68:18). Aqui neste salmo o conflito acabou, mas as palavras não são, como nos juízes, uma exortação, mas uma descrição – uma descrição da questão vitoriosa do conflito na ascensão e exaltação de Cristo como Homem. Mas há mais, como outro observou, pois “Ele levou cativo o poder do inimigo que arruinou todas as bênçãos conferidas e, como Homem, e em Sua natureza humana, recebeu dons, mesmo para Israel rebelde, que Jeová Elohim possa habitar entre eles”.


Presente fruto da vitória

Aprendemos, portanto, que a energia divina do Espírito, que operou em e por meio de Débora e Baraque para derrubar os inimigos de Israel, era apenas um prenúncio do poder divino que foi manifestado em e por meio de Cristo. Seu conflito com o poder de Satanás foi visto claramente em Sua morte na cruz (veja Cl 2:15), e será manifestado por meio dele novamente quando Ele voltar para a libertação de Seu povo Israel em um dia posterior. O Salmo 68, embora tudo se baseie e exista em virtude de Sua morte, refere-se a Israel e ao futuro; mas se nos voltarmos agora para Efésios – o último lugar em que a expressão é encontrada – a referência é ao Seu conflito e vitória passados, quando Ele superou todo o poder de Satanás. “Pelo que diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens” (Ef 4:8). Ou seja, Ele destruiu o poder que nos mantinha em cativeiro; e Satanás, como o inimigo que foi derrotado, agora espera apenas pela execução de sua sentença (veja Ap 20:1-2, 10). Não apenas isso, mas nós, libertados de nosso cativeiro, somos levados ao gozo dos presentes frutos da vitória nos dons dados pelo vitorioso e ascendido Cristo (Ef 4:7-14).


O efeito para Israel será que o seu Senhor Deus mais uma vez habitará entre eles em poder e bênção, enquanto os crentes já receberam as bênçãos conquistadas por eles na provisão feita “para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo”, e pode antecipar com gozo o resultado completo, na glória futura, da vitória.


E. Dennett (adaptado)

 

O Que Tens em Tua Mão?


O que tens na tua mão Mulher?

“Um punhado” a mais;

Vá alimentar o profeta e ele durará

Até que a fome acabe.


O que tens na tua mão, Viúva?

“Um pote de óleo”;

Vá e derrame-o e encontre um local

De despojos ricos e inestimáveis.


O que tens na tua mão Maria?

Um “perfume puro”;

Derrame sobre Sua cabeça;

Até que haja fragrância por toda parte.


E Raabe, o que você tem?

“Um fio de escarlata”;

Espere com fé, junte seus parentes –

As bênçãos de Deus repousam sobre você.


E, Dorcas, o que você tem?

“Uma agulha e um fio”;

Entregue-os a Deus, eles abençoarão os pobres

E trará a você dentre os mortos.


O que tens na tua mão, Viúva?

“Duas moedas” – não mais;

Dê-as a Deus, e elas crescerão

Até serem um poderoso depósito.


O que tens na tua mão Mãe?

“As mãos de um bebê”;

Ensine-o para Ele, assim a sua vida

Dará frutos em todas as terras.

Selecionado

 

“A mulher que teme ao Senhor, essa será louvada”.

Provérbios 31:30

 

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