05. O Amor de Cristo nos Constrange

Atualizado: Mar 29

Baixe esta revista digital nos formatos:

PDF - EPUB - MOBI

ÍNDICE


O Amor de Cristo nos Constrange

Christian Truth

O Amor que Constrange

W. J. Prost

Anseios por Deus

H. F. Witherby

Amor e Obediência

J. W. Smith

A Avaliação do Homem e do Cristão sobre o Amor

Bible Treasury

A Lei e a Graça

J. L. Harris

Aceito e Aceitável

C. H. Mackintosh

A Alma Restaurada

Christian Friend

Devoção Cristã

J. N. Darby

Por Minha Causa e pelo Evangelho

S. J. B. Carter (Poema)

O Grande Motivo

Hino 12



O Amor de Cristo nos Constrange


Nós não podemos ver Cristo como Ele era e é, sem agirmos igual e sermos formados de acordo com Ele. Há um poder de assimilação em Cristo, de tal forma que é impossível se relacionar com Ele sem sentir a influência constrangedora e tornar-se semelhante a Ele. Reconhecendo-O, então, como sendo a vida, nós temos a vida.

Reconhecendo-O como o Filho, também nos torna Filhos de Deus. Se Ele é o Rei, Ele nos fez reis. Se Ele é o Sacerdote, Ele nos fez sacerdotes. Porque Ele é a nossa vida, temos a vida eterna n’Ele. Ele é a nossa justiça e nós somos feitos justiça de Deus n’Ele.


Nós O vemos agora por fé, mas nós O veremos em breve face a face. Isso nos dá o desejo de sermos mais como Ele agora. Pelo Espírito estamos sendo transformados à mesma imagem. Quando O virmos, seremos interior e exteriormente como Ele é. “Seremos semelhantes a Ele; porque assim como é O veremos”.


Nós estávamos mortos em pecados. Pelo amor de Deus e pela morte e ressurreição de Cristo, estamos vivos para todo o sempre. Agora, Seu amor nos constrange e nos conforma a viver, não mais para nós mesmos, mas para Ele, exibindo Seu amor em nós para nossos irmãos e para os perdidos.

Christian Truth, vol. 15 (adaptado)

Voltar ao Índice


O Amor que Constrange


Durante a Segunda Guerra Mundial, quando muitos judeus na Europa estavam sendo enviados aos campos de concentração pelo governo nazista na Alemanha, uma bela jovem judia chamada Ibi, da Hungria, acabou em Auschwitz. Alguns anos antes de ser presa e enviada para lá, seu marido havia se divorciado dela, deixando-a com um filho pequeno. Para se sustentar, ela abriu uma pequena fábrica de roupas, e sendo muito inteligente e uma boa costureira, conseguiu uma vida razoável. Mas de vez em quando seu ex-marido vinha e sequestrava o menino enquanto ela estava no trabalho, levando-o para um lugar distante que era onde ele morava. Uma e outra vez Ibi pegava o trem para onde o pai do menino morava e trazia o filho de volta para casa.


Quando ela e seu filho foram enviados para o acampamento, eles foram separados e ela foi enviada para um dos blocos de mulheres. Ela não fazia ideia para onde o filho dela tinha sido levado e, com o passar do tempo, não sabia se ele ainda estava vivo. Mas ela estava otimista de que poderia sobreviver e ser capaz de encontrá-lo novamente.


É horrível até mesmo relatar, mas no decorrer dos meses seguintes, ela foi selecionada seis vezes para ser enviada para as câmaras de gás e foi carregada em um caminhão com outras mulheres. Mas nas seis vezes ela conseguiu pular do caminhão em movimento e então voltar para o bloco, evitando assim a morte. Por alguma razão, as autoridades, no momento, respeitaram sua coragem e a deixaram viver. Seu sucesso em ser capaz de escapar reforçou seu otimismo, e ela se sentiu confiante de que ela iria viver e se reuniria novamente com seu filho.


Que motivação!

Na última vez, ela quebrou a perna ao pular do caminhão e foi obrigada a ficar na enfermaria do acampamento por vários meses até que se curasse. Finalmente, ela foi selecionada pela sétima vez, com várias outras mulheres e obrigada a marchar até as câmaras de gás. Desta vez ela realmente tentou fugir, mas dentro do acampamento não havia nenhum lugar para onde correr, especialmente em sua condição enfraquecida. Ela logo foi pega e pereceu com todas as outras.


O que deu a Ibi tal determinação em face do poder avassalador da parte de seus inimigos? O que a fez lutar até o fim e fazer uma tentativa desesperada atrás da outra para escapar? Se tivesse sido apenas sua própria vida que estava em jogo, ela poderia muito bem ter desistido, mas foi o amor pelo seu filho que a estimulou a ter esforços quase sobre-humanos para viver. Sua esperança de procurar e encontrar seu filho novamente, e talvez ser capaz de resgatá-lo e cuidar dele, a estimulou apesar de tudo o que estava contra ela. Ela não precisava fazer isso, mas o amor de mãe a constrangia tão fortemente que ela correria qualquer risco, suportaria qualquer punição, sofreria qualquer privação, se ao menos isso desse a ela outra chance de se reunir com seu filho.


O amor de Cristo

Quando li sobre o amor constrangedor de Cristo, algumas vezes pensei nessa história. (A propósito, os detalhes são verdadeiros, tendo sido registrados por uma médica judia que também estava em Auschwitz e que sobreviveu à guerra para escrever o que ela havia visto). A palavra usada em 2 Coríntios 5:14 para “constranger” tem a ideia de realmente segurar alguém [restringir], ou até mesmo prendê-lo. Certamente é isso que o amor de Cristo faz no crente. Eu digo o que ele “faz” e não o que “deveria fazer”, pois a Escritura simplesmente faz a declaração: “O amor de Cristo nos constrange”. Todo verdadeiro crente é constrangido por esse amor.


Mas alguns podem dizer: Por que então não sinto a pressão desse constrangimento sobre mim? Por que não amo mais o Senhor e faço mais por Ele? A resposta pode ser encontrada, em termos humanos, falando sobre um ímã. Nós não dizemos que um ímã deveria atrair o ferro. Não, dizemos que ele atrai o ferro, pois essa é a sua natureza. No entanto, qualquer estudante de física sabe que a força de um campo magnético varia conforme o quadrado da distância do imã. Se o ferro estiver a alguma distância do imã, sua força será muito fraca, ou talvez quase inexistente.


Assim é com o amor de Cristo. Eu não posso tentar amá-Lo mais do que já O amo, mais do que posso tentar amar de uma maneira natural. Mas se eu considerar o quanto Ele me ama e o quanto Ele fez por mim, meu amor fluirá para Ele, e haverá uma compulsão, um domínio sobre mim, não meramente uma questão de consciência, mas de amor que retorna Àquele que deu tudo para que eu pudesse ser d’Ele. Ele não foi apenas à cruz do Calvário para morrer por nós, mas também nos tornou Seus, nos trouxe para o relacionamento com Ele e prometeu levar-nos para a casa do Pai por toda a eternidade. Enquanto isso, Ele nos deu o penhor do Espírito e “todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1:3). Verdadeiramente, como alguém disse; “Toda a bênção Cristã é um pico de uma montanha além do qual até mesmo o próprio Deus não poderia ir”. Se tudo isso é desfrutado em nossa alma, haverá de fato um constrangimento sobre nós que não pode ser ignorado ou deixado de lado.


Permanecendo n’Ele

O segredo para desfrutar do amor de Cristo é permanecer n’Ele e nos mantermos em Sua Palavra, pois o amor de Deus é aperfeiçoado naqueles que guardam a Sua Palavra (veja 1 Jo 2:5). “Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor” (Jo 15:10). Em certo sentido, o amor precede a obediência, pois nosso Senhor disse: “Se Me amardes, guardareis os Meus mandamentos” (Jo 14:15), mas em outro sentido, somos mantidos no desfrute de Seu amor quando guardamos Seus mandamentos. Quando nos mantemos perto de Jesus, vivemos e nos movemos sentindo o Seu amor, e então nosso próprio amor não pode deixar de fluir em direção a Ele. Verdadeiramente, “Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4:19 – ARA). Ele nos deu uma nova vida, com capacidade para o amor divino, um amor que responde ao Seu amor.


A única outra permanência da qual João fala é permanecer nas trevas (Jo 12:46), e isso é falado daqueles que não são salvos. O Espírito de Deus, em João, não contempla que um verdadeiro crente desejaria andar em trevas, pois João frequentemente fala de forma resumida, colocando a verdade, como poderíamos dizer, como preto ou branco. Mas sabemos em nosso próprio coração que é possível nos afastarmos do Senhor e, assim, praticamente andar em algum grau de escuridão. Posicionalmente todo crente está na luz, mas é possível que nós, como Pedro, sigamos de “longe” (Lc 22:54). Mas quão abençoado é permanecer n’Ele, desfrutar de Seu amor e encontrar nosso coração tão ocupado com Ele que nosso amor responde ao d’Ele!

W. J. Prost

Voltar ao Índice


Anseios por Deus


A nova natureza que Deus deu a Seus filhos anseia pelo próprio Deus, Aquele que é sua origem, sua força e sua alegria. Na presença de Deus, a nova natureza tem prazer perfeito. Na criação, a felicidade da criatura depende de sua vida ser vigorosa e em ter liberdade. É o mesmo com os filhos de Deus. A vida sob restrição é sempre difícil. Um filho de Deus estar sobrecarregado com preocupações mundanas ou embriagado com prazeres mundanos, é uma contradição com sua nova natureza e uma negação de seus anseios.


O filho de Deus, em bom estado de alma, olha para o futuro, quando todo obstáculo será retirado e quando ele em espírito, alma e corpo, será como o Senhor na liberdade da glória. Ele também anseia pelo favor consciente da presença de Deus no dia a dia e anseia por conhecer mais de Cristo e viver em Sua comunhão até a glória chegar. Isso, embora varie em intensidade e seja interrompido pelas influências do mundo, é verdade para todos aqueles que têm vida divina. A medida do desejo pode mudar, mas a própria vida eterna, que age por meio da habitação do Espírito, ascende em direção ao Pai e ao Filho.


Vida eterna

A vida natural continua independentemente de quem são nossos pais, mas a vida eterna, que é possuída por cada Cristão, está imediatamente ligada à sua fonte e origem. Não está em nós separado de sua fonte, mas está no Filho. “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no Seu Filho” (1 Jo 5:11). Apesar dos desvios dos filhos de Deus e seus tristes resultados, não devemos esquecer a verdade imutável de que eles têm a vida eterna em Cristo.


O verdadeiro desejo Cristão pode ser resumido nestas poucas palavras: “Para conhecê-Lo” (Fp 3:10), palavras que são a expressão do apóstolo diante do Filho de Deus. Davi ansiava por Jeová no santuário. Paulo ansiava por Jesus em glória. Ele O viu em glória. Ele conheceu Jesus no céu, e sua alma se firmou na energia divinamente dada para alcançar o objetivo das afeições do Cristão. Quando esta meta for alcançada por todos nós, a esperança realizada da vida eterna será a alegria dos filhos de Deus.


Cristo é a nossa vida

Paulo dá o único princípio verdadeiro da vida piedosa em uma palavra: “Porque para mim o viver é Cristo” (Fp 1:21). Cristo é a nossa vida e o crente deseja viver Cristo. Deus Pai dá o poder para fazer isso, fortalecendo nossas afeições, por meio de Seu Espírito, de tal maneira que Cristo possa ser a contínua ocupação deles. “Corroborados com poder pelo Seu Espírito no homem interior; para que Cristo habite, pela fé” (Ef 3:16-17). Na proporção em que Cristo habita em nosso coração, pela fé, nosso coração é verdadeiramente levado a Ele como seu objetivo, e assim Cristo se torna o princípio da vida Cristã. Se muitas coisas estão enchendo nosso coração, o mundo é o objeto que temos em vista. Quando esse é o caso, o Cristão é como um homem sobrecarregado tentando correr em uma corrida.


Se quisermos prosperar, o próprio Cristo deve estar preenchendo nosso coração, e não apenas a verdade sobre Cristo. É um cuidado necessário em dias em que o conhecimento das verdades mais sagradas pode ser obtido intelectualmente por um esforço tão pequeno. É uma coisa feliz para nós entender a Palavra de Deus, mas, com essa Palavra entesourada em nosso coração, o objetivo das afeições do Cristão deve ser: “Para que eu possa conhecê-Lo”. Desejar viver na terra o que Cristo é e viver com Ele no céu, separa o Cristão do mundo e o separa em direção ao Senhor. A prática flui do afeto. Se o coração dorme, o Cristão, como um motor sem combustível, está parado. Os outrora ardentes efésios deixaram seu primeiro amor por Cristo e, a partir do centro das afeições mornas, a decadência espiritual se espalhou, até que por fim o privilégio deles como luz em Cristo foi removido.


Cristo morreu por nós e ressuscitou, não para vivermos para nós mesmos, mas para vivermos para Ele. Seu amor desperta o nosso. Seu amor é o nosso motivo, e nossas lâmpadas são iluminadas pela chama de Seu amor por nós. “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5:14-15).


Decadência

A decadência é, infelizmente, tão comum a todos nós, que devemos falar sobre isso. Há filhos de Deus que, sobrecarregados pelos seus pecados, foram absorvidos por desejos avassaladores de descanso de sua consciência. Deus em graça deu a eles o conhecimento do perdão e da libertação, e por um curto período eles correram bem. O que os impediu e onde eles estão agora? Dormindo entre os mortos! Houve uma época em que parecia quase impossível que esses que buscavam ansiosamente a Deus fossem encontrados nas fileiras dos Cristãos comuns, que dificilmente se distingue do mundo. Mas a verdade tomou o lugar na mente que Cristo deveria ocupar no coração. Os fatos da vida e da liberdade foram aceitos, enquanto continuar com o Senhor no coração passou a ser falho, e eles não brilham mais como luzes brilhantes no mundo.


Como com uma nação, assim é com um indivíduo. A paz e a liberdade, não raramente, induzem a frouxidão e ao descuido, e de fato, como é solene expressar isso, muitos crentes abandonaram sua seriedade pouco depois de terem sido libertos das dúvidas e temores quanto à sua salvação. “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne” (Gl 5:13). Não é demais dizer que, para muitos, parece mais fácil chegar ao Senhor como Salvador no início e morrer confiando n’Ele como Amigo no final do que continuar insistindo, dia após dia, na dependência d’Ele. O começo e o fim da vida de muitos Cristãos são mais brilhantes do que o meio. Será que isso é porque nos dois extremos existe um sentimento de vazio tão grande que Cristo se torna necessariamente tudo?


Nós andamos por fé

Nós não passamos a fazer parte de um mecanismo no dia de nossa conversão, para nos movermos como os ponteiros de um relógio até que deixemos este mundo. Somos responsáveis por Aquele que nos ama, e a única maneira de viver a vida cotidiana de um verdadeiro Cristão é vivendo e caminhando cada dia pela fé e seguindo em direção a Deus, momento após momento, mesmo enquanto respiramos a cada segundo.


O que a obra de Cristo efetuou deve ser compreendido, mas não podemos deixar Cristo de lado no nosso coração. Conhecer tudo o que Cristo fez por nós não é suficiente, pois devemos tê-LO habitando em nosso coração pela fé. Que seja verdade para cada um de nós, como disse o apóstolo: “Para mim, o viver é Cristo”!

H. F. Witherby (adaptado)

Voltar ao Índice


Amor e Obediência


O amor é a mola da obediência. Qualquer obediência que não provenha do amor é legalismo, servilismo ou egoísmo. A obediência Cristã não conhece outra mola além do amor. O Cristão obedece porque ama e porque é amado. “Se Me amardes”, diz o Senhor “guardareis os Meus mandamentos”, ou como o apóstolo também escreve: “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5:14-15).


Ele nos amou primeiro

Nosso amor ao Senhor é apenas a resposta de nosso coração ao Seu amor por nós. “Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro”. Assim, nosso amor é o fruto do d’Ele; é gerado por Ele e é o resultado disso. Nós não O amamos para que Ele nos ame. Isso seria impossível. Como o coração desses infelizes poderia se forçar para amar alguém que, pelo pecado, infelizmente, eles odeiam? Não é a mente carnal inimizade contra Deus? Como então poderia amá-Lo? Se não houvesse uma demonstração de amor da parte d’Ele, em primeiro lugar, agindo independentemente de nós, não poderia haver nenhuma demonstração da nossa parte.


Mas, bendito seja Deus, essa é a própria verdade revelada no evangelho da Sua graça! Foi quando estávamos “mortos em ofensas e pecados”, que Deus nos amou. Foi quando ainda éramos “pecadores” que Cristo morreu por nós e que Deus encontrou ocasião para essa demonstração de Seu próprio amor. Foi quando ainda O odiávamos que a bondade e o amor de Deus apareceram. E foi quando estávamos perdidos que o Filho do Homem veio nos buscar e nos salvar.


Essa é a verdade do evangelho. A prioridade do amor de Deus ao homem antes da do homem para com Deus é assim claramente revelada. Por exemplo, “Deus amou o mundo de tal maneira” é a verdade que traz à alma uma feliz surpresa, pois o amor imerecido brilha em todo o seu precioso esplendor sem a menor participação do homem, mas brilha, apesar de tudo o que o homem poderia fazer para desencorajá-lo. Ainda mais, esse amor eterno e imutável brilha como um sol que nenhuma nuvem pode escurecer, porque flui de um coração, cuja natureza e essência são o próprio amor. “Deus é amor” é a grande e completa explicação do fato de que “Deus amou o mundo”, e a razão de Sua longanimidade para com este mundo que está aumentando a cada dia sua montanha de pecados e oposições a Ele.


Que verdade maravilhosa e libertadora é essa! Como é doce ouvir a história desse amor ou ficar de pé ao lado da cruz do Calvário e deixar que o coração orgulhoso seja comovido por esse triunfo da bondade amorosa. Verdadeiramente, “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (Jo 15:13). E por tal história o coração é ganho, o inimigo reconciliado e o pecador salvo. Por tal verdade é que acende no peito uma centelha de amor para com Ele. Assim, o amor gera amor e aquele que era inimigo torna-se amigo e seguidor.


Amas-Me?

Há uma impressionante conexão moral entre a pergunta feita pelo Senhor a Pedro em João 21:17 e a ordem dada a ele no versículo 22 do mesmo capítulo. A pergunta é: “Amas-Me?” e o comando, “segue-Me tu”. A ordem está correta. O amor deve vir antes da obediência, e a obediência nada mais é do que seguir o amor. Se o primeiro puder ser provado, o segundo irá acontecer. Se o Senhor pode ganhar o coração, Ele pode contar que terá também os pés. E consequentemente, com sabedoria divina, Ele testa as afeições do apóstolo. “Amas-Me”, a quem tanto te amou? E qual foi a resposta do coração pobre e quebrantado de Pedro? “Senhor, Tu sabes todas as coisas, Tu sabes que eu Te amo”. Bela declaração e profunda gratidão ao Senhor! “Tu sabes todas as coisas”, disse Pedro, como se voltasse a derramar as amargas lágrimas de arrependimento e reconhecesse a tripla negação do seu amado e amoroso Senhor e Salvador. “Tu sabes todas as coisas”, minha fraqueza, minha insensatez, minha autoconfiança, meu pecado e meu arrependimento, minha angústia e minha tristeza também. “Tu sabes que eu Te amo”. Se ninguém mais souber disso, Tu sabes.


“Segue-Me”

O Senhor então disse: “Segue-Me”. Se o Senhor é realmente amado, Ele também será verdadeiramente obedecido. A obediência será proporcional ao amor. “Quem não Me ama não guarda as Minhas palavras”, primeiro o amor, e então a obediência. Pode haver diferentes graus de entendimento quanto à Sua vontade, mas o espírito de obediência caracterizará todos os que realmente O amam. Um coração obediente é o seu deleite. Tal pessoa será treinada e nutrida por Ele e, como Ele diz, “Se alguém quiser fazer a vontade d’Ele, conhecerá a respeito da doutrina”. Oh! Que estas três palavras, “Segue-Me tu”, possam destacar-se em corajoso e claro alívio diante do olhar agradecido e amoroso de nossas afeições renovadas, para que possamos estimá-Lo como sendo digno de toda a nossa obediência aqui. E se a coroa que estará sobre a cabeça de cada santo deverá ser lançada a Seus pés, não devemos honrar Seu nome agora pela entrega grata, completa e sem reservas de coração, mãos e pés tão pobres, e de tudo o que temos e devemos ao serviço do mesmo Salvador e gracioso Senhor? Que nossa alma possa ouvir a sua pergunta: “Amas-Me?” e alegremente obedecer à Sua ordem, “segue-Me”.

J. W. Smith (adaptado)

Voltar ao Índice


A Avaliação do Homem e do Cristão sobre o Amor


O mundo julga que os homens estão vivendo em amor quando andam moralmente, cumprem seus deveres, evitam dívidas, frequentam sua igreja, leem um pouco as Escrituras e fazem suas orações a noite e pela manhã. É tido como falta de amor duvidar de que eles realmente sejam Cristãos, ainda mais se estivermos preocupados com eles como culpados e perdidos aos olhos de Deus.


Quão diferente é a avaliação do amor Cristão como afirmado nestes versículos! “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5:14-15).


Amor Cristão

O amor Cristão não é a mera expressão de um sentimento humano e de circunstâncias superficiais. Ele se baseia na verdade de Deus e, para chegar a essa verdade, introduz e aplica o caso de Cristo e Sua morte. Lá foi provado que o homem é inimigo de Deus, pois Ele enviou Seu Filho unigênito ao mundo para que pudéssemos viver por meio d’Ele. Mas o homem não permitiria a ideia de que estava moralmente morto - morto em ofensas e pecados, tanto o judeu quanto o gentio. O judeu havia sido avisado sobre isso de maneira mais clara e direta do que o gentio nas Escrituras do Velho Testamento. Mas para a maioria foi em vão. “E não quereis vir a Mim para terdes vida”, disse o bendito Salvador, entristecido pela incredulidade deles. E os gentios se juntaram aos judeus no pior que podiam fazer a Alguém que pôde e deu a vida eterna a todos aqueles que olham para Ele com este objetivo. Raramente os judeus e gentios se uniram, mas se uniram para matar o Senhor da glória. Aquele que Se esvaziou da sua própria honra e divindade, e Se humilhou como homem até a morte e morte da cruz.


O bem e o mal se encontraram na cruz

Assim Ele provou o Seu amor, ao mesmo tempo que eles mostraram o seu ódio, ao máximo, pois somente assim o pecado poderia ser divinamente julgado, Deus vindicado e o pecador limpo. O bem e o mal se encontraram na cruz. A bondade infinita proveu o Cordeiro para o sacrifício. O ódio sem causa rejeitou e negou Aquele que fazia o bem e curava a todos os que estavam sob o poder do diabo, porque Deus estava com Ele. Satanás instigou a todos, mas para sua própria destruição na questão final. Deus fez do Justo, pecado por nós – aqueles que não tinham nada além de pecado – e O abandonou para nunca abandonar a nós que cremos em Cristo e temos n’Ele a vida que nunca pode acabar. “Pelo que também Deus O exaltou soberanamente e Lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na Terra, e debaixo da Terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2:9-11).


Este glorioso propósito de Deus será cumprido em Seu dia. Mas qual é o resultado atual para aqueles que creem agora? É o contraste com todos aqueles que estão mortos, embora Cristo tenha morrido por todos. O objetivo atual de Deus é que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que morreu por eles e foi ressuscitado, pois o Deus que O enviou em amor fez Sua parte para elevá-Lo e dar-Lhe glória, para que nossa fé e esperança estejam em Deus. E Sua alegria não está em apenas glorificar Aquele que suportou essa morte, mas também justificar aqueles que de outra forma se perderiam para sempre. Agora, não somos apenas escravos perdoados e com uma salvação divina, mas vivemos para Aquele que morreu por nós e foi ressuscitado.


Nós estávamos mortos – Agora vivemos

A verdadeira avaliação do amor é que todos estavam mortos. Mas Um morreu por todos. Isso sozinho não resolve o caso desesperado, a menos que acreditemos n’Ele. Então viveremos n’Ele, em vez de estarmos apenas mortos em Adão e em nós mesmos. Quando percebemos que alguns agora vivem n’Ele como crentes, constrangidos pelo Seu amor e tendo a Sua vida, entendemos o nosso novo privilégio e dever de viver não para nós mesmos, mas para Aquele cuja morte e ressurreição nos trouxeram para uma nova relação de bem-aventurança.


É uma ideia insignificante do Cristianismo, considerá-lo como mero perdão e talvez apenas uma medida parcial, com a necessidade de mais algum perdão no dia a dia. Aqui, em 2 Coríntios 5, fala do constrangedor amor de Cristo e a bênção positiva da vida ressurreta n’Ele. Assim, não julgamos com base em alguma esperança vaga, erroneamente chamada de “caridade”, mas na fé em Sua morte para nos livrar do mal, para que possamos viver para Ele e não para nós mesmos (2 Co 5).

Bible Treasury (adaptado)

Voltar ao Índice


A Lei e a Graça


Há sempre uma forte tendência em nós de “saborear as coisas dos homens” nas coisas de Deus. Colocamos nossa própria construção nos pensamentos de Deus e extraímos nossas próprias conclusões, não percebendo que eles não são como nossos pensamentos, mas infinitamente mais elevados e abençoados (Is 55:8-9). Assim, nós rebaixamos os pensamentos de Deus. Olhe, por exemplo, para a liberdade. Quão grande é a distinção entre o pensamento humano e o divino neste ponto preciso! A liberdade, de acordo com o homem, é obstinação, todo limite retirado da vontade humana, resultando na pior forma de corrupção e apostasia. Os judeus em seu pior estado de escravidão, tanto temporal quanto espiritual, tiveram a audácia de dizer: “Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes Tu: Sereis livres?” Quão solene é a resposta de Jesus àqueles orgulhosos por terem essa sua liberdade: “Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado” (Jo 8:34). O apóstolo Pedro mostra muito claramente que nos dias em que vivemos, os mais orgulhosos de terem sua liberdade são miseráveis escravos da corrupção (2 Pe 2:18-19). Somos chamados à “liberdade”, não uma liberdade para a carne agir, mas para servirmos.


Os Cristãos são frequentemente levados a conectar sua adoração e seu serviço com sua salvação. Mas a verdade é que eles são libertados por Cristo a fim de adorar, servir a Deus e servir a seus irmãos. Sim, e servir a todos os homens, tantos quanto puderem. O evangelho é a lei da liberdade, a lei do amor. E quão fácil e abençoada é a lei do amor: O amor tem um poder constrangedor (que leva a). A lei, ao contrário, um poder impeditivo. A lei da liberdade não é “não farás”, mas a sua linguagem é: “Correrei pelo caminho dos Teus mandamentos, quando dilatares o meu coração” (Sl 119:32). Até que a questão de nossa aceitação individual seja resolvida, o coração não é “dilatado” para servir a Deus. Somos libertados do pecado pela redenção que está em Cristo Jesus, para nos tornarmos servos de Deus. A verdadeira liberdade e a verdadeira santidade estão inseparavelmente conectadas. “A lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus” nos libertou da lei do pecado e da morte. Quando realmente nos libertamos, em vez de julgar os outros, somos livres para interceder por eles, conhecendo a graça em que nós mesmos estamos. Um espírito legalista é sempre um espírito que busca falhas. Se estivéssemos mais na região da graça, deveríamos estar menos na região do julgamento. Mas quando nos tornamos legalistas, nós mordemos e devoramos uns aos outros, em vez de ministrar graça uns aos outros, aplaudindo uns aos outros e assim por diante, de modo a nos capacitar a pisar com um passo leve este deserto cansativo.

J. L. Harris (adaptado)

Voltar ao Índice


Aceito e Aceitável


“Nos fez agradáveis [aceitáveis – KJV] a Si no Amado” (Ef 1:6 – ARC). “É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para Lhe sermos agradáveis [aceitáveis – KJV]” (2 Co 5:9 – ARA).


As duas palavras que formam o título deste artigo, embora traduzidas pela mesma palavra em nossa versão da Bíblia – Bíblia King James [também na João Ferreira de Almeida] – não são as mesmas. A primeira diz respeito à pessoa do crente, já a última tem a ver com os seus caminhos práticos. Uma coisa é ser aceito e outra completamente diferente é ser aceitável. A primeira é o fruto da livre graça de Deus para conosco como pecadores. A segunda diz respeito ao fruto do nosso trabalho fervoroso como santos, embora, certamente, é somente pela graça que podemos fazer qualquer coisa.


Aceito

É importante entender a distinção entre estas duas coisas, pois nos preservará do legalismo por um lado e da frouxidão do outro. Isso permanece como verdade imutável que Deus nos fez agradáveis no Amado. Nada pode mudar isso. A ovelha mais fraca do rebanho se mantém aceita no Cristo ressurreto. Não há nenhuma diferença. A graça de Deus colocou a todo o rebanho neste elevado e bendito terreno. Nós não trabalhamos para ser aceitos. Tudo isso é fruto da Graça de Deus. Ele encontrou a todos nós igualmente mortos em ofensas e pecados. Nós éramos moralmente mortos, longe de Deus, sem esperança, impiedosos, sem Cristo, filhos da ira, sendo judeus ou gentios. Mas Cristo morreu por nós e nos deu uma nova vida, ressurretos e estabelecidos em Cristo, nos fez aceitos n’Ele.


Esta é a inalienável e eterna posição de todos os que creem no nome do Filho de Deus. Cristo em Sua infinita graça colocou a Si mesmo judicialmente onde estávamos moralmente, e tendo afastado nossos pecados e perfeitamente satisfeito, em nosso favor, às reivindicações da justiça divina, Deus O ressuscitou dentre os mortos e com Ele todos os Seus membros. Em Seu próprio propósito eterno, no devido tempo, eles serão trazidos para a posse e desfrute do maravilhoso lugar de bênção e privilégio, pela operação eficaz do Espírito Santo.


Podemos muito bem pegar as primeiras palavras da epístola aos Efésios e dizer: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, como também nos elegeu n’Ele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante d’Ele em caridade, e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para Si mesmo, segundo o beneplácito de Sua vontade, para louvor e glória da Sua graça, pela qual nos fez agradáveis a Si no Amado”. Todo o louvor ao Seu nome por toda a eternidade!


Aceitável

Mas todos os crentes são aceitáveis em seus comportamentos práticos? Será que todos eles estão se comportando de tal forma que suas atividades e ações suportarão a luz do tribunal de Cristo? Todos estão trabalhando para serem agradáveis a Ele?


Estas são questões sérias; deixe-nos solenemente pesá-las. Não nos afastemos da espada afiada da verdade simples e prática. O apóstolo Paulo sabia que ele era aceito. Isso o tornava negligente, descuidado ou indolente? Bem longe disso. “Nos esforçamos”, diz ele, para Lhe sermos agradáveis. A doce garantia de que somos aceitos n’Ele é o fundamento pelo qual nossos esforços são aceitáveis para Ele. “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5:14-15).


Tudo isso é proeminentemente prático. Somos chamados, por todos os argumentos que podem governar o coração e a consciência, a trabalhar diligentemente para sermos aceitáveis ao nosso bendito e adorável Senhor. Existe alguma coisa de legalismo nisso? Nem um pouco, mas sim o contrário. É a santidade de uma vida devota, erigida sobre este fundamento sólido de nossa eleição eterna e perfeita aceitação em um Cristo ressuscitado e glorificado à destra de Deus. Como poderia haver o menor átomo de legalismo aqui? Totalmente impossível. É todo o fruto puro da graça livre e soberana de Deus, do primeiro ao último.


A diligência devida

Mas não devemos nos despertar para atender às reivindicações de Cristo quanto à justiça prática? Não deveríamos zelosamente e amorosamente procurar dar prazer a Ele? Devemos nos contentar em falar sobre nossa aceitação em Cristo, enquanto, ao mesmo tempo, não há um verdadeiro cuidado sério quanto à aceitabilidade de nossos caminhos? De modo nenhum! Em vez disso, que nos debrucemos sobre a rica graça que brilha na nossa aceitação para que possamos ser levados a um esforço diligente e fervoroso e sermos considerados aceitáveis em nossos caminhos.


Há muito a temer porque existe entre nós um grande número de antinomianismo, uma adulteração na graça de Deus, sem qualquer cuidado piedoso, sem qualquer aplicação dessas doutrinas à nossa conduta prática. Certamente é necessário que todos os que professam ser aceitos em Cristo, trabalhem fervorosamente para serem aceitáveis para Ele. (Antinomianismo literalmente significa “sem lei” e representa uma doutrina que leva a preciosa verdade da justificação pela fé a uma conclusão antibíblica, afirmando que não há necessidade de guardar a lei moral ou de sermos cuidadosos com a nossa conduta, porque a obra de Cristo lidou com todos os nossos pecados. Isso é usar a graça de Deus como uma desculpa para pecar).

C. H. Mackintosh (adaptado)

Voltar ao Índice


A Alma Restaurada


Na cena de João 21:9-14, Jesus alimentou e satisfez todos os Seus discípulos, testificando assim, um amor que não fazia distinção entre eles. O Senhor levou Pedro a um lugar à parte com Ele mesmo e perguntou-lhe: “Simão, filho de Jonas, amas-Me mais do que estes?” Pedro amava ao Senhor, mas havia outro discípulo que O amava, não digo mais, mas melhor que Pedro. Enquanto este estava ocupado com o serviço do Senhor, João estava ocupado com o Senhor. Ele nunca se chama de o discípulo que amava a Jesus, mas o discípulo “a quem Jesus amava”. O que pareceu maravilhoso para ele chegar a registrar isso, era que Jesus amava alguém como ele, e ele não se cansava de repetir isso.


Jônatas amava Davi como sua própria alma e, no entanto, não sacrificava sua posição por ele. O amor de Abigail, que mais se assemelhava ao de João, era a sensação de ser possível que ela fosse amada por tal homem, ela que era apenas uma “serva [que] servirá de criada para lavar os pés dos criados de meu senhor”.


Amas-Me?

João, como Maria Madalena, estava ocupado com a pessoa e o amor de Cristo, portanto, ele foi rápido em reconhecer Jesus e não foi como Pedro que precisou de alguém para lhe dizer: “É o Senhor”. Pedro, com toda a impetuosidade de sua natureza, lançou-se ao mar para chegar a Jesus e mostrar sua afeição. João estava satisfeito em ser o objeto do amor de Jesus.


“Amas-Me mais do que estes?” Pedro dissera que ele O amava mais e ainda assim O havia negado. O Senhor o leva, por assim dizer, pela mão, de volta ao ponto de origem da sua queda – confiança em sua própria força e em seu amor por Cristo. Três vezes durante as últimas entrevistas do Salvador com Seus discípulos, Pedro manifesta claramente sua autoconfiança. “Ainda que todos se escandalizem em Ti, eu nunca me escandalizarei” (Mt 26:33). “Senhor, estou pronto a ir Contigo até à prisão e à morte” (Lc 22:33). E, “Por que não posso seguir-Te agora? Por Ti darei a minha vida” (João 13:37). O Senhor pega estas três palavras, começando com a primeira: “Ainda que todos se escandalizem”, “Amas-Me mais do que estes?” Ai, todos o haviam abandonado, mas somente Pedro O havia negado e, portanto, não pode mais confiar em seu amor em comparação com o dos outros. Assim, humilhado, ele apela, não a seus sentimentos, mas ao conhecimento do Salvador. Ele sabia. “Sim, Senhor; Tu sabes que Te amo”. Ele não acrescenta: “Mais que estes”, pois ele se compara a Cristo e, na humildade, considera os outros melhores que ele.


Apascenta os Meus cordeiros

Então Jesus lhe disse: “Apascenta os Meus cordeiros”. O cuidado pastoral das jovens almas vem da humildade, juntamente com o amor ao Senhor. Onde o Senhor encontra isso em Seu povo, Ele pode confiar neles para executarem este serviço. Outros dons talvez estejam completamente desconectados do estado interior, mas não se pode realmente atender às necessidades das tenras almas sem abnegação e muito amor, não apenas por elas, mas por Cristo.


“Apascenta os Meus cordeiros”. Essa palavra nos mostra o que eles são para Jesus e o valor do que o Senhor confiou a Pedro. Eles são Sua propriedade. O coração de Cristo não mudou a respeito de Simão, e Ele confiou a Pedro o que amava, em seu primeiro passo no doloroso caminho que o levava à restauração. O coração de Pedro estava quebrantado, mas sustentado por Cristo no quebrantamento. Jesus não o sondou três vezes para dar a ele uma resposta apenas na terceira questão, Ele já deu na primeira. Que afeição delicada e carinhosa na disciplina! Se as três perguntas tivessem sido feitas sem o encorajamento de uma promessa para cada uma, o coração de Pedro teria ficado sobrecarregado de tristeza, mas a promessa o sustentava a cada golpe destinado a derrubá-lo. Era como a sarça ardente, que a graça impediu de ser consumida. Jesus sondou Pedro três vezes. Ele tinha negado a Jesus três vezes. Na última vez nada restou além do que o Senhor produziu e pôde aprovar. A tristeza também estava lá, sem dúvida, mas unida à certeza de que o amor que era fruto de Seu amor, embora ocultado aos olhos de todos pelas manifestações da carne, o olho que tudo vê de Cristo pôde discernir. “Senhor, Tu sabes todas as coisas, Tu sabes que eu Te amo”. Depois da segunda e da terceira pergunta, o cuidado das ovelhas e o apascentar de todo o rebanho foram confiados a Pedro. Foi quando, por meio da graça, ele se viu, e foi obrigado a apelar ao Senhor para descobrir o que ele tinha deixado de descobrir em si mesmo, que ele se encontrava possuindo a bênção plena e sem reservas.

Christian Friend (adaptado)

Voltar ao Índice


Devoção Cristã


O poder da verdade Cristã no coração se mostrará em devoção.

Cristo é tanto a vida como o objeto ou motivo da vida em nós, dando assim Seu caráter para nossa caminhada. “Para mim”, diz o apóstolo, “viver é Cristo”.


Cristo foi a exibição, com todo custo para Si mesmo, do amor divino aos homens. Seu Pai era Seu prazer e objeto contínuo, Sua demonstração de amor e de Seu Pai era constante e perfeita. Esta foi Sua devoção. Além disso, Ele demonstrou obediência total à vontade de Seu Pai, tendo essa vontade como Seu motivo constante.

O amor ao Pai e a obediência a Ele deram forma e caráter ao Seu amor por nós.

Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo vos amou e Se entregou a Si mesmo por nós”. Note a plenitude do motivo e do caráter que é mostrado para o nosso comportamento, imitadores de Deus.


Somos seguidores e imitadores de Deus. Nós andamos em amor como Cristo nos amou. Nossa vida deve ser o exercício do amor divino como foi exibido em Cristo. Assim é que somos chamados a andar, imitar a Deus e segui-Lo assim como Ele Se mostrou a Si mesmo em Cristo.

O amor que desce de Deus operando no homem, se eleva sempre em direção a Deus como Seu objeto justo e necessário. Não pode ter nada menor do que suas fontes.

“Nisto conhecemos”, disse João, “que Cristo deu a Sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos”.

Somos chamados a mostrar, visto que temos Sua vida, o próprio Cristo em nós.

O manancial e fonte de toda devoção verdadeira é o amor divino que preenche e opera em nosso coração, como Paulo disse, “o amor de Cristo nos constrange”. Sua forma e caráter devem ser extraídos do caráter e das ações de Cristo.


Os anjos aprendem das “abundantes riquezas da Sua graça, pela Sua benignidade para conosco em Cristo Jesus”. Isso une nosso coração a Cristo, nos levando a Deus n’Ele, Deus n’Ele por nós. Nada nos separa desse amor. O primeiro efeito é elevar o nosso coração, santificando-o assim. Nós bendizemos a Deus, adoramos a Deus, assim conhecido, nosso deleite, alegre adoração, está em Jesus.


Quanto mais próximo de Deus e em comunhão com Ele, conscientemente unidos a Cristo pelo Espírito Santo, o amor divino flui para dentro e por meio de nosso coração. Nós nos animamos com isso por meio do nosso prazer n’Ele. É realmente “Deus habitando em nós”, como João expressou. “Seu amor derramado em nosso coração”, como Paulo demonstrou, deixando isso fluir para os outros como aconteceu em Cristo. Seus objetivos e motivos eram como eram em Cristo.


A morte de Cristo governa o coração. “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a Sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos”. “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou”.


A nova vida divina que há em nós aprecia Deus. Somente esta vida é capaz de apreciar, sendo da mesma natureza, a benção que está n’Ele.


A atividade da natureza divina no novo homem é testada, porque Cristo tem necessariamente o primeiro lugar nessa natureza e é o motivo de suas ações.


Nosso corpo é o templo do Espírito Santo, e o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado. Ele flui como uma fonte para a vida eterna, e então, água viva flui de nós pelo Espírito Santo que nos foi dado. Toda devoção verdadeira, então, é a ação do amor divino nos remidos, por meio do Espírito Santo dado a eles.


A atividade do amor não destrói o senso de obrigação do santo, mas altera todo o caráter de sua obra. “Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”. Em Deus, o amor é ativo, mas soberano, já nos santos ele é ativo, mas é um dever, por causa da graça. Deve ser livre para ter o caráter divino, para ser amor. No entanto, devemos tudo e, mais do que tudo, Àquele que nos amou.


O Espírito de Deus que habita em nós é um Espírito que fixa nosso coração no amor de Deus de maneira constrangedora. Todo sentimento correto em uma criatura deve ter um objeto e, para ser correto, esse objeto deve ser Deus, e Deus revelado em Cristo como o Pai, pois assim Deus possui nossa alma.


Paulo disse: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o Qual me amou e Se entregou a Si mesmo por mim” (Gl 2:20). A vida de Paulo foi uma vida divina. Cristo viveu nele, mas foi uma vida de fé, uma vida que se dedicou inteiramente a um objeto, e esse objeto era Cristo, conhecido como o Filho de Deus que o amou e se entregou por ele. Aqui obtemos o caráter prático e o motivo da devoção Cristã, viver para Cristo.


Nós vivemos por causa de Cristo: Ele é o objeto e a razão da nossa vida (tudo fora d’Ele é a esfera da morte). “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5:14-15). Vivemos para isso e nada mais. Pode ser um motivo para vários deveres, mas é o motivo e fim para nossa vida. Não somos de nós mesmos, “porque fostes comprados por preço”, e por isso “glorificai a Deus no vosso corpo”.


O Seu amor constrangedor não é uma lei que aprisiona ou prende a vontade que busca seu próprio prazer, mas a sensação bendita e grata de devermos nossa vida ao Seu amor, e um coração que entra neste amor tendo Ele como seu objeto. Portanto, o constrangimento é uma lei de liberdade.


Uma vida que é constrangida pelo Seu amor só pode ter objetivos de serviço que Sua vida pode ter, e o Espírito Santo pode focar o coração n’Ele e então a obra se tornará um serviço prazeroso. A carne pode buscar formas para dificultar, pois seus objetivos não são aqueles do novo homem e do Espírito Santo. O coração ama todos os santos, porque Cristo os ama. Ele procura a todos por quem Cristo morreu, porém sabendo que apenas a graça pode trazer qualquer um deles. Paulo disse: “Tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com eterna glória” (2 Tm 2:10). “A fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo”, para ver os santos crescerem em direção Àquele que é o Cabeça de todas as coisas, e vê-los andando dignos do Senhor, buscando ver a igreja apresentada como uma virgem casta para Cristo. Continuou em seu amor, embora quanto mais amasse, menos foi amado. Estava pronto para suportar as dificuldades como um bom soldado de Jesus Cristo.


O motivo que governa nosso coração caracteriza nossa caminhada e julga todas as coisas por ele. Um homem que busca somente prazeres esbanja dinheiro, o mesmo acontece com um homem ambicioso. Eles julgam o valor das coisas pelo prazer e pelo poder. O homem cobiçoso pensa que o nosso caminho é loucura, julga todas as coisas por sua tendência de enriquecer. O Cristão julga todas as coisas por Cristo, e lança fora aquilo que esconde a Sua glória em si mesmo ou em outro, julgando tais coisas não como sacrifício, mas descartando-as como um obstáculo. Tudo é escória e esterco por causa da excelência do conhecimento de Cristo Jesus nosso Senhor. O descartar a escória não é algo de grande sacrifício. Quão abençoadamente o “eu” se vai aqui! O “ganhar para mim” desapareceu. Libertação é isso! Indizivelmente precioso para nós mesmos e elevado moralmente!


Cristo deu a Si mesmo. Temos o privilégio de esquecer de nós mesmos e viver para Cristo. O nosso serviço em graça será recompensado, mas o amor tem suas próprias alegrias em servir por amor. O “eu” gosta de ser servido. O amor se deleita em servir.


Viver para Deus interiormente é o único meio possível de viver para Ele exteriormente. Toda atividade externa não movida e governada por isso é carnal e até mesmo um perigo para a alma, com a tendência de fazer as coisas sem Cristo e trazer para nós mesmos.


A atividade externa da devoção será governada pela vontade de Deus e pela competência dada por Deus para servir. A devoção é uma coisa humilde e sagrada, fazendo a vontade do seu Mestre. Nós queremos sabedoria: Deus a dá livremente. Cristo é nossa verdadeira sabedoria. Nós queremos poder, aprendemos isso em dependência d'Aquele que nos fortalece. A devoção é dependente, pois vem de um espírito humilde, assim como foi com Cristo. Ela espera no seu Senhor. Tem coragem e confiança no caminho da vontade de Deus, porque se apoia na força divina em Cristo. Ele pode fazer todas as coisas. Assim, a devoção é paciente e faz o que tem que fazer de acordo com a Sua vontade e Palavra, depois disso Ele pode trabalhar.


Estamos em um mundo onde a vontade de Deus encontrará oposição e rejeição, e nosso coração naturalmente quer se livrar dessa oposição. Pedro apresentou o pensamento de livrar a Cristo e foi tratado como Satanás por Ele (Mt 16:23). Encontraremos a carne instintivamente se afastando das circunstâncias e do efeito da devoção a Cristo – estaria desistindo de si mesmo – e traria sobre nós reprovação, abandono e oposição. Temos que tomar nossa cruz para seguir a Cristo (leia Mateus 10), não voltar para dar adeus aos que estão em casa. Ainda é nossa casa, se podemos dizer assim, e seremos, na melhor das hipóteses, “João Marcos” no trabalho (At 12:25, 15:38). E aprenderemos que sempre será “permita-me que primeiramente [...] (Mt 8:21).


Se houver algo a não ser Cristo, isso será antes de Cristo, e não devoção a Ele com olhar simples. É difícil para o coração que não haja egoísmo, nem autopreservação, nem autoindulgência! No entanto, nenhuma dessas coisas é devoção a Cristo e aos outros, mas exatamente o oposto. Portanto, se devemos viver para Cristo, devemos nos considerar mortos e vivos para Deus por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor.


Se a carne tiver permissão para agir, será um obstáculo contínuo. A reprovação e a oposição serão um fardo e não uma glória. Temos que nos manter como Paulo “trazendo sempre por toda parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos”, e ter a sentença de morte como algo bom para nós. Aqui a ajuda do Senhor, durante as provas e dificuldades, entra em cena. Mas “somos mais do que vencedores, por Aquele que nos amou”. Nada nos separa desse amor.


Quando chegarmos à administração do nosso próprio coração, descobriremos que estar “trazendo sempre por toda parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo” é a grande dificuldade e testa o estado interior da alma. No entanto, não há liberdade de serviço nem de poder, mas este padrão: “trazendo sempre [...] a mortificação”. Nós temos esse poder no sentido da graça. É o poder da percepção que temos de Sua morte e entrega por nós que, pela graça, faz nos manter mortos para todos, menos para Ele.


O serviço externo pode ser comparativamente fácil quando o ego e o poder de Satanás não são sentidos em oposição.


Considerar sempre a morte de Cristo fará bem contra o ego, exibida pela cruz, subentende que Cristo seja tudo nas afeições. O verdadeiro poder e qualidade de serviço é medido pela operação do Espírito de Deus por nós.


O amor de Cristo na cruz constrange a nos entregarmos inteiramente Àquele que tanto nos amou, dando-Se inteiramente por nós. O Cristo vencedor. E ser como Ele em glória, dá energia e a fonte de poder e de esperança ao nosso caminho. Quão constrangedor e poderoso é o motivo, se realmente o sentimos! No entanto, quão humilde! Nos faz ter pouca estima por nós mesmos na presença de tal amor. Nós vemos que não somos de nós mesmos, mas fomos comprados por um preço.


A sensação do amor de Cristo toma posse do coração e nos constrange. Desejamos viver também para Aquele que se deu por nós. A perfeição da oferta e a perfeição absoluta com que foi oferecida, da mesma maneira que o Seu amor a nós nela, têm poder sobre nossas almas. “Pelo Espírito eterno, Se ofereceu a Si mesmo imaculado a Deus”.


O entendimento de que não somos de nós mesmos aprofunda a afirmação em nosso coração, e tira todo mérito da devoção. Os caminhos de Deus são sábios e nos santifica! Assim como é o pensamento de que ganhá-Lo faz tudo à nossa volta como escória e excremento por causa da excelência do conhecimento d’Ele!


O que é tudo comparado a satisfazê-Lo, possuí-Lo, estar com Ele e ser como Ele para sempre! Isso coloca o valor de Cristo como motivo em tudo o que fazemos. Leva à verdadeira grandeza de coração, pois tudo o que para Ele é precioso torna-se precioso para nós, e evita toda a frouxidão da natureza e dos sentimentos, pois estamos focados em Cristo. O que não faz parte da Sua glória é impossível, e põe o pecado praticamente para fora do coração pelo poder das afeições divinas, tendo o coração cheio d’Ele. Na prática, a nova natureza só vive com Cristo como seu objeto.


O constrangedor amor de Cristo se aplica a tudo, porque temos que agradar a Cristo em tudo. O mundanismo em todas as suas formas desaparece, seja na maneira de se vestir e nos modos mundanos, pois se forem iguais não podem ser agradáveis Àquele a quem o mundo rejeitou, porque Ele testificou que suas obras eram más. Pelo fato de o tom da mente ser mundano, não se recorre a isso, exceto para fazer o bem quando pode.


O lugar do Cristão é ser a epístola de Cristo. Cristo possuindo assim o coração tem um poder circunscrito. Os motivos, pensamentos e relações do mundo não entram no coração. Mas Cristo movendo tudo dentro e tudo sendo direcionado no coração para Ele, carrega Seu caráter para o mundo. Pelo exercício ativo do bem que está n’Ele, o amor de Deus, o Cristão é guardado do mal. O coração está focado em Deus, mas toda a bem-aventurança de Deus é dada na medida em que o vaso o contém.


Cristo tem “purificado para Si um povo Seu especial, zeloso de boas obras”. O amor de Cristo é ativo, mas é guiado pela mente de Cristo que ama os irmãos como Cristo amou, isto é, tem sua fonte em si, não no objeto. Ele sente todas as suas tristezas e enfermidades, mas está acima de todas elas para suportar e tolerar, e encontra nelas a ocasião de seus santos exercícios. É igualmente terno em espírito e firme em coerência com o caminho divino, pois tal é o amor de Cristo.


A vida de Cristo, em toda a sua devoção e atividade, é uma vida de obediência. Não pode haver uma vontade justa em uma criatura, pois a justiça em uma criatura é a obediência. Adão caiu porque tinha uma vontade independente de Deus. Cristo veio para fazer a vontade d'Aquele que O enviou, e em Sua mais alta devoção, Seu caminho era o da obediência. “O príncipe deste mundo nada tem em Mim. Mas é para que o mundo saiba que Eu amo o Pai e que faço como o Pai Me mandou”. Isso tanto orienta em devoção como nos mantém quietos e humildes.


Somos chamados a uma devoção simples e sem divisão a Cristo, com Cristo sendo o único motivo do coração, Seu amor nos constrangendo, em todas as coisas, cuidando daquilo que Ele cuida, com o Cristo crucificado e ressuscitado posto diante de nós como nossa esperança. O centro, em torno do qual toda a nossa vida gira.

J. N. Darby (adaptado de Christian Devotedness)

Voltar ao Índice

Poema:

Por Minha Causa e pelo Evangelho


“Mas quem perder a sua vida por amor de Mim e do evangelho, salvá-la-á” (Mc 8:35).



Senhor Jesus, este Teu duplo pensamento

Certamente nos deve envolver

Neste amor que até ao fim vai desfrutar,

Todo aquele que em Teu caminho crescer.


"Por minha causa e pelo evangelho!"

Como esse motivo vibra em nós o amor!

Que agora liga a Tua Palavra

Com o serviço a Ti, ó Senhor!


Ainda que seja grande o sacrifício em si,

No entanto, teu olhar perspicaz

Vendo o trabalho sendo feito para Ti -

Todo o valor a ele Tu darás.


Não amaríamos o trabalho do Mestre

Mais do que nosso Mestre querido,

Nem tentaríamos de nossa cruz fugir

Enquanto aqui O quisermos seguir.


Perdas, sofrimentos, porém doce labor

O servo da cruz segue em Teu amor;

Conduzido por Ti, seguimos em favor

Pelo bem do evangelho e em tremor.


Amado, que possamos nos render,

A Ti pedimos, dá-nos Teu amor,

Ao coração em que Tua graça e Teu poder,

Dará repouso ao Teu lado, ó Senhor!


S. J. B. Carter (adaptado para o português)

Voltar ao Índice


O Grande Motivo — Hino 12


“Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou”

(2 Co 5:14-15).

Voltar ao Índice


138 visualizações

Posts recentes

Ver tudo
logo.png
0

Associação Verdades Vivas

Rua Élio Antoniassi, 1083 - Jardim Paraíso
CEP 14610-000- Ipuã/SP

CNPJ: 51.410.512/0001-67