05. O Amor de Cristo nos Constrange

Atualizado: Mar 29

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ÍNDICE


O Amor de Cristo nos Constrange

Christian Truth

O Amor que Constrange

W. J. Prost

Anseios por Deus

H. F. Witherby

Amor e Obediência

J. W. Smith

A Avaliação do Homem e do Cristão sobre o Amor

Bible Treasury

A Lei e a Graça

J. L. Harris

Aceito e Aceitável

C. H. Mackintosh

A Alma Restaurada

Christian Friend

Devoção Cristã

J. N. Darby

Por Minha Causa e pelo Evangelho

S. J. B. Carter (Poema)

O Grande Motivo

Hino 12



O Amor de Cristo nos Constrange


Nós não podemos ver Cristo como Ele era e é, sem agirmos igual e sermos formados de acordo com Ele. Há um poder de assimilação em Cristo, de tal forma que é impossível se relacionar com Ele sem sentir a influência constrangedora e tornar-se semelhante a Ele. Reconhecendo-O, então, como sendo a vida, nós temos a vida.

Reconhecendo-O como o Filho, também nos torna Filhos de Deus. Se Ele é o Rei, Ele nos fez reis. Se Ele é o Sacerdote, Ele nos fez sacerdotes. Porque Ele é a nossa vida, temos a vida eterna n’Ele. Ele é a nossa justiça e nós somos feitos justiça de Deus n’Ele.


Nós O vemos agora por fé, mas nós O veremos em breve face a face. Isso nos dá o desejo de sermos mais como Ele agora. Pelo Espírito estamos sendo transformados à mesma imagem. Quando O virmos, seremos interior e exteriormente como Ele é. “Seremos semelhantes a Ele; porque assim como é O veremos”.


Nós estávamos mortos em pecados. Pelo amor de Deus e pela morte e ressurreição de Cristo, estamos vivos para todo o sempre. Agora, Seu amor nos constrange e nos conforma a viver, não mais para nós mesmos, mas para Ele, exibindo Seu amor em nós para nossos irmãos e para os perdidos.

Christian Truth, vol. 15 (adaptado)

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O Amor que Constrange


Durante a Segunda Guerra Mundial, quando muitos judeus na Europa estavam sendo enviados aos campos de concentração pelo governo nazista na Alemanha, uma bela jovem judia chamada Ibi, da Hungria, acabou em Auschwitz. Alguns anos antes de ser presa e enviada para lá, seu marido havia se divorciado dela, deixando-a com um filho pequeno. Para se sustentar, ela abriu uma pequena fábrica de roupas, e sendo muito inteligente e uma boa costureira, conseguiu uma vida razoável. Mas de vez em quando seu ex-marido vinha e sequestrava o menino enquanto ela estava no trabalho, levando-o para um lugar distante que era onde ele morava. Uma e outra vez Ibi pegava o trem para onde o pai do menino morava e trazia o filho de volta para casa.


Quando ela e seu filho foram enviados para o acampamento, eles foram separados e ela foi enviada para um dos blocos de mulheres. Ela não fazia ideia para onde o filho dela tinha sido levado e, com o passar do tempo, não sabia se ele ainda estava vivo. Mas ela estava otimista de que poderia sobreviver e ser capaz de encontrá-lo novamente.


É horrível até mesmo relatar, mas no decorrer dos meses seguintes, ela foi selecionada seis vezes para ser enviada para as câmaras de gás e foi carregada em um caminhão com outras mulheres. Mas nas seis vezes ela conseguiu pular do caminhão em movimento e então voltar para o bloco, evitando assim a morte. Por alguma razão, as autoridades, no momento, respeitaram sua coragem e a deixaram viver. Seu sucesso em ser capaz de escapar reforçou seu otimismo, e ela se sentiu confiante de que ela iria viver e se reuniria novamente com seu filho.


Que motivação!

Na última vez, ela quebrou a perna ao pular do caminhão e foi obrigada a ficar na enfermaria do acampamento por vários meses até que se curasse. Finalmente, ela foi selecionada pela sétima vez, com várias outras mulheres e obrigada a marchar até as câmaras de gás. Desta vez ela realmente tentou fugir, mas dentro do acampamento não havia nenhum lugar para onde correr, especialmente em sua condição enfraquecida. Ela logo foi pega e pereceu com todas as outras.


O que deu a Ibi tal determinação em face do poder avassalador da parte de seus inimigos? O que a fez lutar até o fim e fazer uma tentativa desesperada atrás da outra para escapar? Se tivesse sido apenas sua própria vida que estava em jogo, ela poderia muito bem ter desistido, mas foi o amor pelo seu filho que a estimulou a ter esforços quase sobre-humanos para viver. Sua esperança de procurar e encontrar seu filho novamente, e talvez ser capaz de resgatá-lo e cuidar dele, a estimulou apesar de tudo o que estava contra ela. Ela não precisava fazer isso, mas o amor de mãe a constrangia tão fortemente que ela correria qualquer risco, suportaria qualquer punição, sofreria qualquer privação, se ao menos isso desse a ela outra chance de se reunir com seu filho.


O amor de Cristo

Quando li sobre o amor constrangedor de Cristo, algumas vezes pensei nessa história. (A propósito, os detalhes são verdadeiros, tendo sido registrados por uma médica judia que também estava em Auschwitz e que sobreviveu à guerra para escrever o que ela havia visto). A palavra usada em 2 Coríntios 5:14 para “constranger” tem a ideia de realmente segurar alguém [restringir], ou até mesmo prendê-lo. Certamente é isso que o amor de Cristo faz no crente. Eu digo o que ele “faz” e não o que “deveria fazer”, pois a Escritura simplesmente faz a declaração: “O amor de Cristo nos constrange”. Todo verdadeiro crente é constrangido por esse amor.


Mas alguns podem dizer: Por que então não sinto a pressão desse constrangimento sobre mim? Por que não amo mais o Senhor e faço mais por Ele? A resposta pode ser encontrada, em termos humanos, falando sobre um ímã. Nós não dizemos que um ímã deveria atrair o ferro. Não, dizemos que ele atrai o ferro, pois essa é a sua natureza. No entanto, qualquer estudante de física sabe que a força de um campo magnético varia conforme o quadrado da distância do imã. Se o ferro estiver a alguma distância do imã, sua força será muito fraca, ou talvez quase inexistente.


Assim é com o amor de Cristo. Eu não posso tentar amá-Lo mais do que já O amo, mais do que posso tentar amar de uma maneira natural. Mas se eu considerar o quanto Ele me ama e o quanto Ele fez por mim, meu amor fluirá para Ele, e haverá uma compulsão, um domínio sobre mim, não meramente uma questão de consciência, mas de amor que retorna Àquele que deu tudo para que eu pudesse ser d’Ele. Ele não foi apenas à cruz do Calvário para morrer por nós, mas também nos tornou Seus, nos trouxe para o relacionamento com Ele e prometeu levar-nos para a casa do Pai por toda a eternidade. Enquanto isso, Ele nos deu o penhor do Espírito e “todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1:3). Verdadeiramente, como alguém disse; “Toda a bênção Cristã é um pico de uma montanha além do qual até mesmo o próprio Deus não poderia ir”. Se tudo isso é desfrutado em nossa alma, haverá de fato um constrangimento sobre nós que não pode ser ignorado ou deixado de lado.


Permanecendo n’Ele

O segredo para desfrutar do amor de Cristo é permanecer n’Ele e nos mantermos em Sua Palavra, pois o amor de Deus é aperfeiçoado naqueles que guardam a Sua Palavra (veja 1 Jo 2:5). “Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor” (Jo 15:10). Em certo sentido, o amor precede a obediência, pois nosso Senhor disse: “Se Me amardes, guardareis os Meus mandamentos” (Jo 14:15), mas em outro sentido, somos mantidos no desfrute de Seu amor quando guardamos Seus mandamentos. Quando nos mantemos perto de Jesus, vivemos e nos movemos sentindo o Seu amor, e então nosso próprio amor não pode deixar de fluir em direção a Ele. Verdadeiramente, “Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4:19 – ARA). Ele nos deu uma nova vida, com capacidade para o amor divino, um amor que responde ao Seu amor.


A única outra permanência da qual João fala é permanecer nas trevas (Jo 12:46), e isso é falado daqueles que não são salvos. O Espírito de Deus, em João, não contempla que um verdadeiro crente desejaria andar em trevas, pois João frequentemente fala de forma resumida, colocando a verdade, como poderíamos dizer, como preto ou branco. Mas sabemos em nosso próprio coração que é possível nos afastarmos do Senhor e, assim, praticamente andar em algum grau de escuridão. Posicionalmente todo crente está na luz, mas é possível que nós, como Pedro, sigamos de “longe” (Lc 22:54). Mas quão abençoado é permanecer n’Ele, desfrutar de Seu amor e encontrar nosso coração tão ocupado com Ele que nosso amor responde ao d’Ele!

W. J. Prost

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Anseios por Deus


A nova natureza que Deus deu a Seus filhos anseia pelo próprio Deus, Aquele que é sua origem, sua força e sua alegria. Na presença de Deus, a nova natureza tem prazer perfeito. Na criação, a felicidade da criatura depende de sua vida ser vigorosa e em ter liberdade. É o mesmo com os filhos de Deus. A vida sob restrição é sempre difícil. Um filho de Deus estar sobrecarregado com preocupações mundanas ou embriagado com prazeres mundanos, é uma contradição com sua nova natureza e uma negação de seus anseios.


O filho de Deus, em bom estado de alma, olha para o futuro, quando todo obstáculo será retirado e quando ele em espírito, alma e corpo, será como o Senhor na liberdade da glória. Ele também anseia pelo favor consciente da presença de Deus no dia a dia e anseia por conhecer mais de Cristo e viver em Sua comunhão até a glória chegar. Isso, embora varie em intensidade e seja interrompido pelas influências do mundo, é verdade para todos aqueles que têm vida divina. A medida do desejo pode mudar, mas a própria vida eterna, que age por meio da habitação do Espírito, ascende em direção ao Pai e ao Filho.


Vida eterna

A vida natural continua independentemente de quem são nossos pais, mas a vida eterna, que é possuída por cada Cristão, está imediatamente ligada à sua fonte e origem. Não está em nós separado de sua fonte, mas está no Filho. “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no Seu Filho” (1 Jo 5:11). Apesar dos desvios dos filhos de Deus e seus tristes resultados, não devemos esquecer a verdade imutável de que eles têm a vida eterna em Cristo.


O verdadeiro desejo Cristão pode ser resumido nestas poucas palavras: “Para conhecê-Lo” (Fp 3:10), palavras que são a expressão do apóstolo diante do Filho de Deus. Davi ansiava por Jeová no santuário. Paulo ansiava por Jesus em glória. Ele O viu em glória. Ele conheceu Jesus no céu, e sua alma se firmou na energia divinamente dada para alcançar o objetivo das afeições do Cristão. Quando esta meta for alcançada por todos nós, a esperança realizada da vida eterna será a alegria dos filhos de Deus.


Cristo é a nossa vida

Paulo dá o único princípio verdadeiro da vida piedosa em uma palavra: “Porque para mim o viver é Cristo” (Fp 1:21). Cristo é a nossa vida e o crente deseja viver Cristo. Deus Pai dá o poder para fazer isso, fortalecendo nossas afeições, por meio de Seu Espírito, de tal maneira que Cristo possa ser a contínua ocupação deles. “Corroborados com poder pelo Seu Espírito no homem interior; para que Cristo habite, pela fé” (Ef 3:16-17). Na proporção em que Cristo habita em nosso coração, pela fé, nosso coração é verdadeiramente levado a Ele como seu objetivo, e assim Cristo se torna o princípio da vida Cristã. Se muitas coisas estão enchendo nosso coração, o mundo é o objeto que temos em vista. Quando esse é o caso, o Cristão é como um homem sobrecarregado tentando correr em uma corrida.


Se quisermos prosperar, o próprio Cristo deve estar preenchendo nosso coração, e não apenas a verdade sobre Cristo. É um cuidado necessário em dias em que o conhecimento das verdades mais sagradas pode ser obtido intelectualmente por um esforço tão pequeno. É uma coisa feliz para nós entender a Palavra de Deus, mas, com essa Palavra entesourada em nosso coração, o objetivo das afeições do Cristão deve ser: “Para que eu possa conhecê-Lo”. Desejar viver na terra o que Cristo é e viver com Ele no céu, separa o Cristão do mundo e o separa em direção ao Senhor. A prática flui do afeto. Se o coração dorme, o Cristão, como um motor sem combustível, está parado. Os outrora ardentes efésios deixaram seu primeiro amor por Cristo e, a partir do centro das afeições mornas, a decadência espiritual se espalhou, até que por fim o privilégio deles como luz em Cristo foi removido.


Cristo morreu por nós e ressuscitou, não para vivermos para nós mesmos, mas para vivermos para Ele. Seu amor desperta o nosso. Seu amor é o nosso motivo, e nossas lâmpadas são iluminadas pela chama de Seu amor por nós. “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5:14-15).


Decadência

A decadência é, infelizmente, tão comum a todos nós, que devemos falar sobre isso. Há filhos de Deus que, sobrecarregados pelos seus pecados, foram absorvidos por desejos avassaladores de descanso de sua consciência. Deus em graça deu a eles o conhecimento do perdão e da libertação, e por um curto período eles correram bem. O que os impediu e onde eles estão agora? Dormindo entre os mortos! Houve uma época em que parecia quase impossível que esses que buscavam ansiosamente a Deus fossem encontrados nas fileiras dos Cristãos comuns, que dificilmente se distingue do mundo. Mas a verdade tomou o lugar na mente que Cristo deveria ocupar no coração. Os fatos da vida e da liberdade foram aceitos, enquanto continuar com o Senhor no coração passou a ser falho, e eles não brilham mais como luzes brilhantes no mundo.


Como com uma nação, assim é com um indivíduo. A paz e a liberdade, não raramente, induzem a frouxidão e ao descuido, e de fato, como é solene expressar isso, muitos crentes abandonaram sua seriedade pouco depois de terem sido libertos das dúvidas e temores quanto à sua salvação. “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne” (Gl 5:13). Não é demais dizer que, para muitos, parece mais fácil chegar ao Senhor como Salvador no início e morrer confiando n’Ele como Amigo no final do que continuar insistindo, dia após dia, na dependência d’Ele. O começo e o fim da vida de muitos Cristãos são mais brilhantes do que o meio. Será que isso é porque nos dois extremos existe um sentimento de vazio tão grande que Cristo se torna necessariamente tudo?


Nós andamos por fé

Nós não passamos a fazer parte de um mecanismo no dia de nossa conversão, para nos movermos como os ponteiros de um relógio até que deixemos este mundo. Somos responsáveis por Aquele que nos ama, e a única maneira de viver a vida cotidiana de um verdadeiro Cristão é vivendo e caminhando cada dia pela fé e seguindo em direção a Deus, momento após momento, mesmo enquanto respiramos a cada segundo.


O que a obra de Cristo efetuou deve ser compreendido, mas não podemos deixar Cristo de lado no nosso coração. Conhecer tudo o que Cristo fez por nós não é suficiente, pois devemos tê-LO habitando em nosso coração pela fé. Que seja verdade para cada um de nós, como disse o apóstolo: “Para mim, o viver é Cristo”!

H. F. Witherby (adaptado)

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Amor e Obediência


O amor é a mola da obediência. Qualquer obediência que não provenha do amor é legalismo, servilismo ou egoísmo. A obediência Cristã não conhece outra mola além do amor. O Cristão obedece porque ama e porque é amado. “Se Me amardes”, diz o Senhor “guardareis os Meus mandamentos”, ou como o apóstolo também escreve: “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5:14-15).


Ele nos amou primeiro

Nosso amor ao Senhor é apenas a resposta de nosso coração ao Seu amor por nós. “Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro”. Assim, nosso amor é o fruto do d’Ele; é gerado por Ele e é o resultado disso. Nós não O amamos para que Ele nos ame. Isso seria impossível. Como o coração desses infelizes poderia se forçar para amar alguém que, pelo pecado, infelizmente, eles odeiam? Não é a mente carnal inimizade contra Deus? Como então poderia amá-Lo? Se não houvesse uma demonstração de amor da parte d’Ele, em primeiro lugar, agindo independentemente de nós, não poderia haver nenhuma demonstração da nossa parte.


Mas, bendito seja Deus, essa é a própria verdade revelada no evangelho da Sua graça! Foi quando estávamos “mortos em ofensas e pecados”, que Deus nos amou. Foi quando ainda éramos “pecadores” que Cristo morreu por nós e que Deus encontrou ocasião para essa demonstração de Seu próprio amor. Foi quando ainda O odiávamos que a bondade e o amor de Deus apareceram. E foi quando estávamos perdidos que o Filho do Homem veio nos buscar e nos salvar.


Essa é a verdade do evangelho. A prioridade do amor de Deus ao homem antes da do homem para com Deus é assim claramente revelada. Por exemplo, “Deus amou o mundo de tal maneira” é a verdade que traz à alma uma feliz surpresa, pois o amor imerecido brilha em todo o seu precioso esplendor sem a menor participação do homem, mas brilha, apesar de tudo o que o homem poderia fazer para desencorajá-lo. Ainda mais, esse amor eterno e imutável brilha como um sol que nenhuma nuvem pode escurecer, porque flui de um coração, cuja natureza e essência são o próprio amor. “Deus é amor” é a grande e completa explicação do fato de que “Deus amou o mundo”, e a razão de Sua longanimidade para com este mundo que está aumentando a cada dia sua montanha de pecados e oposições a Ele.


Que verdade maravilhosa e libertadora é essa! Como é doce ouvir a história desse amor ou ficar de pé ao lado da cruz do Calvário e deixar que o coração orgulhoso seja comovido por esse triunfo da bondade amorosa. Verdadeiramente, “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (Jo 15:13). E por tal história o coração é ganho, o inimigo reconciliado e o pecador salvo. Por tal verdade é que acende no peito uma centelha de amor para com Ele. Assim, o amor gera amor e aquele que era inimigo torna-se amigo e seguidor.


Amas-Me?

Há uma impressionante conexão moral entre a pergunta feita pelo Senhor a Pedro em João 21:17 e a ordem dada a ele no versículo 22 do mesmo capítulo. A pergunta é: “Amas-Me?” e o comando, “segue-Me tu”. A ordem está correta. O amor deve vir antes da obediência, e a obediência nada mais é do que seguir o amor. Se o primeiro puder ser provado, o segundo irá acontecer. Se o Senhor pode ganhar o coração, Ele pode contar que terá também os pés. E consequentemente, com sabedoria divina, Ele testa as afeições do apóstolo. “Amas-Me”, a quem tanto te amou? E qual foi a resposta do coração pobre e quebrantado de Pedro? “Senhor, Tu sabes todas as coisas, Tu sabes que eu Te amo”. Bela declaração e profunda gratidão ao Senhor! “Tu sabes todas as coisas”, disse Pedro, como se voltasse a derramar as amargas lágrimas de arrependimento e reconhecesse a tripla negação do seu amado e amoroso Senhor e Salvador. “Tu sabes todas as coisas”, minha fraqueza, minha insensatez, minha autoconfiança, meu pecado e meu arrependimento, minha angústia e minha tristeza também. “Tu sabes que eu Te amo”. Se ninguém mais souber disso, Tu sabes.


“Segue-Me”

O Senhor então disse: “Segue-Me”. Se o Senhor é realmente amado, Ele também será verdadeiramente obedecido. A obediência será proporcional ao amor. “Quem não Me ama não guarda as Minhas palavras”, primeiro o amor, e então a obediência. Pode haver diferentes graus de entendimento quanto à Sua vontade, mas o espírito de obediência caracterizará todos os que realmente O amam. Um coração obediente é o seu deleite. Tal pessoa será treinada e nutrida por Ele e, como Ele diz, “Se alguém quiser fazer a vontade d’Ele, conhecerá a respeito da doutrina”. Oh! Que estas três palavras, “Segue-Me tu”, possam destacar-se em corajoso e claro alívio diante do olhar agradecido e amoroso de nossas afeições renovadas, para que possamos estimá-Lo como sendo digno de toda a nossa obediência aqui. E se a coroa que estará sobre a cabeça de cada santo deverá ser lançada a Seus pés, não devemos honrar Seu nome agora pela entrega grata, completa e sem reservas de coração, mãos e pés tão pobres, e de tudo o que temos e devemos ao serviço do mesmo Salvador e gracioso Senhor? Que nossa alma possa ouvir a sua pergunta: “Amas-Me?” e alegremente obedecer à Sua ordem, “segue-Me”.

J. W. Smith (adaptado)

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A Avaliação do Homem e do Cristão sobre o Amor


O mundo julga que os homens estão vivendo em amor quando andam moralmente, cumprem seus deveres, evitam dívidas, frequentam sua igreja, leem um pouco as Escrituras e fazem suas orações a noite e pela manhã. É tido como falta de amor duvidar de que eles realmente sejam Cristãos, ainda mais se estivermos preocupados com eles como culpados e perdidos aos olhos de Deus.


Quão diferente é a avaliação do amor Cristão como afirmado nestes versículos! “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5:14-15).


Amor Cristão

O amor Cristão não é a mera expressão de um sentimento humano e de circunstâncias superficiais. Ele se baseia na verdade de Deus e, para chegar a essa verdade, introduz e aplica o caso de Cristo e Sua morte. Lá foi provado que o homem é inimigo de Deus, pois Ele enviou Seu Filho unigênito ao mundo para que pudéssemos viver por meio d’Ele. Mas o homem não permitiria a ideia de que estava moralmente morto - morto em ofensas e pecados, tanto o judeu quanto o gentio. O judeu havia sido avisado sobre isso de maneira mais clara e direta do que o gentio nas Escrituras do Velho Testamento. Mas para a maioria foi em vão. “E não quereis vir a Mim para terdes vida”, disse o bendito Salvador, entristecido pela incredulidade deles. E os gentios se juntaram aos judeus no pior que podiam fazer a Alguém que pôde e deu a vida eterna a todos aqueles que olham para Ele com este objetivo. Raramente os judeus e gentios se uniram, mas se uniram para matar o Senhor da glória. Aquele que Se esvaziou da sua própria honra e divindade, e Se humilhou como homem até a morte e morte da cruz.


O bem e o mal se encontraram na cruz

Assim Ele provou o Seu amor, ao mesmo tempo que eles mostraram o seu ódio, ao máximo, pois somente assim o pecado poderia ser divinamente julgado, Deus vindicado e o pecador limpo. O bem e o mal se encontraram na cruz. A bondade infinita proveu o Cordeiro para o sacrifício. O ódio sem causa rejeitou e negou Aquele que fazia o bem e curava a todos os que estavam sob o poder do diabo, porque Deus estava com Ele. Satanás instigou a todos, mas para sua própria destruição na questão final. Deus fez do Justo, pecado por nós – aqueles que não tinham nada além de pecado – e O abandonou para nunca abandonar a nós que cremos em Cristo e temos n’Ele a vida que nunca pode acabar. “Pelo que também Deus O exaltou soberanamente e Lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na Terra, e debaixo da Terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2:9-11).


Este glorioso propósito de Deus será cumprido em Seu dia. Mas qual é o resultado atual para aqueles que creem agora? É o contraste com todos aqueles que estão mortos, embora Cristo tenha morrido por todos. O objetivo atual de Deus é que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que morreu por eles e foi ressuscitado, pois o Deus que O enviou em amor fez Sua parte para elevá-Lo e dar-Lhe glória, para que nossa fé e esperança estejam em Deus. E Sua alegria não está em apenas glorificar Aquele que suportou essa morte, mas também justificar aqueles que de outra forma se perderiam para sempre. Agora, não somos apenas escravos perdoados e com uma salvação divina, mas vivemos para Aquele que morreu por nós e foi ressuscitado.


Nós estávamos mortos – Agora vivemos

A verdadeira avaliação do amor é que todos estavam mortos. Mas Um morreu por todos. Isso sozinho não resolve o caso desesperado, a menos que acreditemos n’Ele. Então viveremos n’Ele, em vez de estarmos apenas mortos em Adão e em nós mesmos. Quando percebemos que alguns agora vivem n’Ele como crentes, constrangidos pelo Seu amor e tendo a Sua vida, entendemos o nosso novo privilégio e dever de viver não para nós mesmos, mas para Aquele cuja morte e ressurreição nos trouxeram para uma nova relação de bem-aventurança.


É uma ideia insignificante do Cristianismo, considerá-lo como mero perdão e talvez apenas uma medida parcial, com a necessidade de mais algum perdão no dia a dia. Aqui, em 2 Coríntios 5, fala do constrangedor amor de Cristo e a bênção positiva da vida ressurreta n’Ele. Assim, não julgamos com base em alguma esperança vaga, erroneamente chamada de “caridade”, mas na fé em Sua morte para nos livrar do mal, para que possamos viver para Ele e não para nós mesmos (2 Co 5).

Bible Treasury (adaptado)

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A Lei e a Graça


Há sempre uma forte tendência em nós de “saborear as coisas dos homens” nas coisas de Deus. Colocamos nossa própria construção nos pensamentos de Deus e extraímos nossas próprias conclusões, não percebendo que eles não são como nossos pensamentos, mas infinitamente mais elevados e abençoados (Is 55:8-9). Assim, nós rebaixamos os pensamentos de Deus. Olhe, por exemplo, para a liberdade. Quão grande é a distinção entre o pensamento humano e o divino neste ponto preciso! A liberdade, de acordo com o homem, é obstinação, todo limite retirado da vontade humana, resultando na pior forma de corrupção e apostasia. Os judeus em seu pior estado de escravidão, tanto temporal quanto espiritual, tiveram a audácia de dizer: “Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes Tu: Sereis livres?” Quão solene é a resposta de Jesus àqueles orgulhosos por terem essa sua liberdade: “Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado” (Jo 8:34). O apóstolo Pedro mostra muito claramente que nos dias em que vivemos, os mais orgulhosos de terem sua liberdade são miseráveis escravos da corrupção (2 Pe 2:18-19). Somos chamados à “liberdade”, não uma liberdade para a carne agir, mas para servirmos.


Os Cristãos são frequentemente levados a conectar sua adoração e seu serviço com sua salvação. Mas a verdade é que eles são libertados por Cristo a fim de adorar, servir a Deus e servir a seus irmãos. Sim, e servir a todos os homens, tantos quanto puderem. O evangelho é a lei da liberdade, a lei do amor. E quão fácil e abençoada é a lei do amor: O amor tem um poder constrangedor (que leva a). A lei, ao contrário, um poder impeditivo. A lei da liberdade não é “não farás”, mas a sua linguagem é: “Correrei pelo caminho dos Teus mandamentos, quando dilatares o meu coração” (Sl 119:32). Até que a questão de nossa aceitação individual seja resolvida, o coração não é “dilatado” para servir a Deus. Somos libertados do pecado pela redenção que está em Cristo Jesus, para nos tornarmos servos de Deus. A verdadeira liberdade e a verdadeira santidade estão inseparavelmente conectadas. “A lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus” nos libertou da lei do pecado e da morte. Quando realmente nos libertamos, em vez de julgar os outros, somos livres para interceder por eles, conhecendo a graça em que nós mesmos estamos. Um espírito legalista é sempre um espírito que busca falhas. Se estivéssemos mais na região da graça, deveríamos estar menos na região do julgamento. Mas quando nos tornamos legalistas, nós mordemos e devoramos uns aos outros, em vez de ministrar graça uns aos outros, aplaudindo uns aos outros e assim por diante, de modo a nos capacitar a pisar com um passo leve este deserto cansativo.

J. L. Harris (adaptado)

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