05. O Amor de Cristo nos Constrange

Atualizado: Mar 29

Baixe esta revista digital nos formatos:

PDF - EPUB - MOBI

ÍNDICE


O Amor de Cristo nos Constrange

Christian Truth

O Amor que Constrange

W. J. Prost

Anseios por Deus

H. F. Witherby

Amor e Obediência

J. W. Smith

A Avaliação do Homem e do Cristão sobre o Amor

Bible Treasury

A Lei e a Graça

J. L. Harris

Aceito e Aceitável

C. H. Mackintosh

A Alma Restaurada

Christian Friend

Devoção Cristã

J. N. Darby

Por Minha Causa e pelo Evangelho

S. J. B. Carter (Poema)

O Grande Motivo

Hino 12



O Amor de Cristo nos Constrange


Nós não podemos ver Cristo como Ele era e é, sem agirmos igual e sermos formados de acordo com Ele. Há um poder de assimilação em Cristo, de tal forma que é impossível se relacionar com Ele sem sentir a influência constrangedora e tornar-se semelhante a Ele. Reconhecendo-O, então, como sendo a vida, nós temos a vida.

Reconhecendo-O como o Filho, também nos torna Filhos de Deus. Se Ele é o Rei, Ele nos fez reis. Se Ele é o Sacerdote, Ele nos fez sacerdotes. Porque Ele é a nossa vida, temos a vida eterna n’Ele. Ele é a nossa justiça e nós somos feitos justiça de Deus n’Ele.


Nós O vemos agora por fé, mas nós O veremos em breve face a face. Isso nos dá o desejo de sermos mais como Ele agora. Pelo Espírito estamos sendo transformados à mesma imagem. Quando O virmos, seremos interior e exteriormente como Ele é. “Seremos semelhantes a Ele; porque assim como é O veremos”.


Nós estávamos mortos em pecados. Pelo amor de Deus e pela morte e ressurreição de Cristo, estamos vivos para todo o sempre. Agora, Seu amor nos constrange e nos conforma a viver, não mais para nós mesmos, mas para Ele, exibindo Seu amor em nós para nossos irmãos e para os perdidos.

Christian Truth, vol. 15 (adaptado)

Voltar ao Índice


O Amor que Constrange


Durante a Segunda Guerra Mundial, quando muitos judeus na Europa estavam sendo enviados aos campos de concentração pelo governo nazista na Alemanha, uma bela jovem judia chamada Ibi, da Hungria, acabou em Auschwitz. Alguns anos antes de ser presa e enviada para lá, seu marido havia se divorciado dela, deixando-a com um filho pequeno. Para se sustentar, ela abriu uma pequena fábrica de roupas, e sendo muito inteligente e uma boa costureira, conseguiu uma vida razoável. Mas de vez em quando seu ex-marido vinha e sequestrava o menino enquanto ela estava no trabalho, levando-o para um lugar distante que era onde ele morava. Uma e outra vez Ibi pegava o trem para onde o pai do menino morava e trazia o filho de volta para casa.


Quando ela e seu filho foram enviados para o acampamento, eles foram separados e ela foi enviada para um dos blocos de mulheres. Ela não fazia ideia para onde o filho dela tinha sido levado e, com o passar do tempo, não sabia se ele ainda estava vivo. Mas ela estava otimista de que poderia sobreviver e ser capaz de encontrá-lo novamente.


É horrível até mesmo relatar, mas no decorrer dos meses seguintes, ela foi selecionada seis vezes para ser enviada para as câmaras de gás e foi carregada em um caminhão com outras mulheres. Mas nas seis vezes ela conseguiu pular do caminhão em movimento e então voltar para o bloco, evitando assim a morte. Por alguma razão, as autoridades, no momento, respeitaram sua coragem e a deixaram viver. Seu sucesso em ser capaz de escapar reforçou seu otimismo, e ela se sentiu confiante de que ela iria viver e se reuniria novamente com seu filho.


Que motivação!

Na última vez, ela quebrou a perna ao pular do caminhão e foi obrigada a ficar na enfermaria do acampamento por vários meses até que se curasse. Finalmente, ela foi selecionada pela sétima vez, com várias outras mulheres e obrigada a marchar até as câmaras de gás. Desta vez ela realmente tentou fugir, mas dentro do acampamento não havia nenhum lugar para onde correr, especialmente em sua condição enfraquecida. Ela logo foi pega e pereceu com todas as outras.


O que deu a Ibi tal determinação em face do poder avassalador da parte de seus inimigos? O que a fez lutar até o fim e fazer uma tentativa desesperada atrás da outra para escapar? Se tivesse sido apenas sua própria vida que estava em jogo, ela poderia muito bem ter desistido, mas foi o amor pelo seu filho que a estimulou a ter esforços quase sobre-humanos para viver. Sua esperança de procurar e encontrar seu filho novamente, e talvez ser capaz de resgatá-lo e cuidar dele, a estimulou apesar de tudo o que estava contra ela. Ela não precisava fazer isso, mas o amor de mãe a constrangia tão fortemente que ela correria qualquer risco, suportaria qualquer punição, sofreria qualquer privação, se ao menos isso desse a ela outra chance de se reunir com seu filho.


O amor de Cristo

Quando li sobre o amor constrangedor de Cristo, algumas vezes pensei nessa história. (A propósito, os detalhes são verdadeiros, tendo sido registrados por uma médica judia que também estava em Auschwitz e que sobreviveu à guerra para escrever o que ela havia visto). A palavra usada em 2 Coríntios 5:14 para “constranger” tem a ideia de realmente segurar alguém [restringir], ou até mesmo prendê-lo. Certamente é isso que o amor de Cristo faz no crente. Eu digo o que ele “faz” e não o que “deveria fazer”, pois a Escritura simplesmente faz a declaração: “O amor de Cristo nos constrange”. Todo verdadeiro crente é constrangido por esse amor.


Mas alguns podem dizer: Por que então não sinto a pressão desse constrangimento sobre mim? Por que não amo mais o Senhor e faço mais por Ele? A resposta pode ser encontrada, em termos humanos, falando sobre um ímã. Nós não dizemos que um ímã deveria atrair o ferro. Não, dizemos que ele atrai o ferro, pois essa é a sua natureza. No entanto, qualquer estudante de física sabe que a força de um campo magnético varia conforme o quadrado da distância do imã. Se o ferro estiver a alguma distância do imã, sua força será muito fraca, ou talvez quase inexistente.


Assim é com o amor de Cristo. Eu não posso tentar amá-Lo mais do que já O amo, mais do que posso tentar amar de uma maneira natural. Mas se eu considerar o quanto Ele me ama e o quanto Ele fez por mim, meu amor fluirá para Ele, e haverá uma compulsão, um domínio sobre mim, não meramente uma questão de consciência, mas de amor que retorna Àquele que deu tudo para que eu pudesse ser d’Ele. Ele não foi apenas à cruz do Calvário para morrer por nós, mas também nos tornou Seus, nos trouxe para o relacionamento com Ele e prometeu levar-nos para a casa do Pai por toda a eternidade. Enquanto isso, Ele nos deu o penhor do Espírito e “todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1:3). Verdadeiramente, como alguém disse; “Toda a bênção Cristã é um pico de uma montanha além do qual até mesmo o próprio Deus não poderia ir”. Se tudo isso é desfrutado em nossa alma, haverá de fato um constrangimento sobre nós que não pode ser ignorado ou deixado de lado.


Permanecendo n’Ele

O segredo para desfrutar do amor de Cristo é permanecer n’Ele e nos mantermos em Sua Palavra, pois o amor de Deus é aperfeiçoado naqueles que guardam a Sua Palavra (veja 1 Jo 2:5). “Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor” (Jo 15:10). Em certo sentido, o amor precede a obediência, pois nosso Senhor disse: “Se Me amardes, guardareis os Meus mandamentos” (Jo 14:15), mas em outro sentido, somos mantidos no desfrute de Seu amor quando guardamos Seus mandamentos. Quando nos mantemos perto de Jesus, vivemos e nos movemos sentindo o Seu amor, e então nosso próprio amor não pode deixar de fluir em direção a Ele. Verdadeiramente, “Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4:19 – ARA). Ele nos deu uma nova vida, com capacidade para o amor divino, um amor que responde ao Seu amor.


A única outra permanência da qual João fala é permanecer nas trevas (Jo 12:46), e isso é falado daqueles que não são salvos. O Espírito de Deus, em João, não contempla que um verdadeiro crente desejaria andar em trevas, pois João frequentemente fala de forma resumida, colocando a verdade, como poderíamos dizer, como preto ou branco. Mas sabemos em nosso próprio coração que é possível nos afastarmos do Senhor e, assim, praticamente andar em algum grau de escuridão. Posicionalmente todo crente está na luz, mas é possível que nós, como Pedro, sigamos de “longe” (Lc 22:54). Mas quão abençoado é permanecer n’Ele, desfrutar de Seu amor e encontrar nosso coração tão ocupado com Ele que nosso amor responde ao d’Ele!

W. J. Prost

Voltar ao Índice


Anseios por Deus