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Vestes (Julho de 2018)


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Revista mensal publicada originalmente em julho/2018 pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


G. H. Hayhoe

W. J. Prost

W. J. Prost

C. H. Mackintosh (adaptado)

J. McBroom (adaptado)

W. W. Fereday (adaptado)

J. G. Bellett (adaptado)

Bible Treasure (adaptado)

C. H. Mackintosh (adaptado)

W. Scott (adaptado)

J. D. Smith

 

Vestes


Arão e seus filhos deveriam usar túnicas, cintos e tiaras feitos de linho fino (Êx 28:40). Eles também usariam calças de linho para cobrir sua nudez quando entrassem na tenda da congregação. O linho fino fala da justiça prática, e assim podemos ver que, em figura, tudo o que eles usavam deveria ser adequado ao caráter moral de Deus. Essa glória moral brilhou perfeitamente em Cristo, Aquele que usava “A túnica... tecida toda de alto a baixo, não tinha costura” (Jo 19:23).


É desnecessário dizer que o Senhor Jesus, o Bendito, o Qual a figura representa, nunca precisou de nada para cobrir Sua nudez, pois Ele sempre foi perfeito. Até as Suas “entranhas” foram lavadas com água (Êx 29:17). Isso nos mostra que todos os Seus motivos, palavras e ações eram sempre agradáveis a Deus, Seu Pai. Além disso, Sua vida exterior, que o olho do homem podia ver, era certamente um “linho fino” imaculado. Isso nos lembraria também que nós, como os filhos de Arão, sendo sacerdotes, deveríamos procurar “andar dignamente diante do Senhor, agradando-Lhe em tudo”, pois a santidade sempre convém à casa de Deus. Se falharmos, devemos julgar nossa falha imediatamente e, particularmente, antes de entrarmos em Sua presença como adoradores (1 Co 11:28).


G. H. Hayhoe

 

As Vestes do Cristão


A palavra “vestes” é usada muitas vezes na Palavra de Deus e tem diferentes significados em sua figura, dependendo do contexto em que é usada. Às vezes, é claro, refere-se apenas a roupas, como quando o profeta Aías “se tinha vestido de uma veste nova” (1 Rs 11:29), ou quando Esdras diz: “rasguei a minha veste e o meu manto” (Ed 9:3). Em outras ocasiões, no entanto, há significado espiritual para o termo. Eu sugeriria que há pelo menos dois significados principais para a palavra “veste”, como figura, na Palavra de Deus.


Direitos naturais

Em primeiro lugar, encontramos a palavra “vestes” usada para indicar o que era o direito natural ou a posse de um homem. Sob a lei mosaica, era ilegal tirar a roupa de um homem como penhor sem restaurá-la ao anoitecer, como é dito: “Se tomares em penhor a veste do teu próximo, lho restituirás antes do pôr-do-Sol, porque aquela é a sua cobertura e a veste da sua pele; em que se deitaria?” (Êx 22:26-27) A veste era dele – parte de seus direitos como homem, e não poderia ser tirada dele, mesmo que ele tivesse uma dívida.


Eu sugeriria que há pelo menos uma aplicação desse princípio no Novo Testamento, quando o Senhor Jesus diz a Seus discípulos: “o que não tem espada, venda a sua veste e compre-a” (Lc 22:36). Os discípulos não perceberam o significado figurado das palavras do Senhor, pois eles simplesmente apresentaram duas espadas literais que já estavam na posse deles. Mas talvez o significado da figura (que eles entenderiam mais tarde) é que, para ter a espada do Espírito, podemos ter que desistir de nossos direitos naturais neste mundo. Depois da morte e ressurreição do Senhor, os que criam n’Ele seriam uma companhia desprezada e rejeitada, num mundo hostil. Eles não podiam mais contar com a hospitalidade e apoio daqueles a quem eles pregavam, antes, eles deveriam fornecer seus próprios meios com recursos que somente o Senhor poderia fornecer. Mais do que isso, devem estar dispostos a abrir mão de seus direitos para alcançar almas, assim como o Senhor Jesus abandonou Seus direitos para alcançar um mundo perdido.


Estilo de vida

Segundo, e talvez mais óbvio na Escritura, as vestes são usadas para indicar nosso estilo de vida e as circunstâncias em que vivemos e nos movemos. Assim, em Levítico 13-14, temos lepra numa pessoa, numa roupa e numa casa. Do ponto de vista médico, a lepra não ocorre em uma peça de roupa ou em uma casa e, portanto, a instrução dada deve ter um significado figurado para nós. A instrução sobre a lepra numa veste é dada em Levítico 13:47-58. Se a lepra estava claramente atuando e se espalhando, a veste deveria ser queimada, mostrando-nos que se nossas circunstâncias e estilo de vida como crentes promovem o pecado em nós, devemos nos livrar dessas coisas. No entanto, se a lepra fosse detida, bastaria lavar a roupa ou talvez tirar aquele pedaço da roupa em que a lepra estava. Tudo isso é muito importante, pois no Novo Testamento Paulo pôde dizer aos coríntios que “as más conversações corrompem os bons costumes” (1 Co 15:33). Associações pecaminosas em nosso trabalho, escola, lares e recreação terão um efeito prejudicial em nosso Cristianismo, e devemos nos afastar delas, ou pelo menos eliminar essa parte de nosso estilo de vida. Nosso próprio Senhor pôde dizer aos Seus discípulos que, se a mão, o pé ou o olho os ofendessem, eles precisavam cortá-los ou removê-los para entrar na vida. Não devemos permitir que algo esteja entre nós e o Senhor.


Padrões mistos

Da mesma forma, foi dito aos israelitas para não usarem uma roupa “de diversos estofos de lã e linho juntamente” (Dt 22:11). Assim, o crente não deve ter padrões mistos, que vêm da tentativa de misturar princípios divinos e mundanos em nossa vida aqui. Quanto dano tem sido feito pelos crentes que desejam viver para o Senhor, mas ao mesmo tempo se acomodam no mundo para serem confortáveis e aceitos! De maneira semelhante, um crente pode contaminar suas vestes (veja Apocalipse 3:4) misturando-se com o mundo e seu mal.


Exibição pública

Uma veste pode ter o significado adicional daquilo que nos caracteriza – nossa exibição exterior para com os outros. Assim, José tinha “uma túnica de várias cores” (Gn 37:3), enquanto Acã cobiçou “uma boa capa babilônica” (Js 7:21). Aqueles que queriam exibir exteriormente uma atitude de humildade e arrependimento usavam pano de saco, como aconteceu em Nínive quando Jonas pregou a eles (Jn 3:5-8) ou quando Acabe se humilhou diante do Senhor (1 Rs 21:27).


Esse pensamento nos leva a considerações adicionais sobre vestes, quando chegamos ao Novo Testamento, onde as vestes do crente são especificamente mencionadas. Primeiro de tudo, temos vestes em que os crentes são considerados vestidos, como resultado do poder purificador do sangue de Cristo. Quando o filho pródigo voltou para casa, seu pai ordenou: “Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lho” (Lc 15:22), enquanto que aquele que vencer em Apocalipse 3:5 será “vestido de vestes brancas”. Aqueles que as usam são verdadeiramente do Senhor, pois estas são as vestes de todo verdadeiro crente – nossa verdadeira posição diante de Deus. De acordo com 2 Coríntios 5:21, n’Ele somos “feitos justiça de Deus”. Isso nunca pode mudar, pois repousa na obra de Cristo e no valor de Seu sangue derramado diante de Deus.


Fazendo a veste

No entanto, a Escritura também fala de uma veste que fazemos para nós mesmos. Em Apocalipse 19:8, lemos sobre a noiva de Cristo: “E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos”. Aqui não é uma questão da justiça de Deus em Cristo, mas sim as “justiças dos santos”. É a exibição pública do que os santos fizeram em sua vida aqui embaixo, pois a veste em que a noiva será encontrada na ceia das bodas do Cordeiro será formada pelo que ela foi para Cristo durante o tempo de Sua rejeição. Este é um pensamento feliz e ao mesmo tempo solene. Se passamos o nosso tempo aqui neste mundo usando-o para nós mesmos e nos envolvemos com coisas mundanas, não haverá muito o que mostrar nequele dia. Mas todo pensamento e ação corretos farão parte desse manto de linho fino. Como alguém disse, “Tudo o que os santos fizeram por Cristo e em Seu nome durante o tempo de sua peregrinação na Terra – todos os sofrimentos, reprovações e insultos que eles suportaram, cada copo de água fria dado em Sua causa – será lembrado naquele grande dia e serão achados 'para louvor e honra e glória’. O menor ato que tem Cristo como motivo será um ponto na confecção da veste que adornará a Igreja quando afinal ela for apresentada a Cristo sem mancha ou ruga ou qualquer coisa semelhante”.


O vestido de casamento

Quando se trata de nossa aptidão para estar na casa do Pai, a vestimenta necessária é a “veste nupcial” (Mt 22:11-12), suprida por nosso Senhor como resultado de Sua obra na cruz do Calvário. Quando é a exibição da beleza da noiva no casamento do Cordeiro, temos o privilégio de fazer uma veste que é de material “puro e resplandecente”, para encontrar o olhar do nosso Noivo. Que privilégio precioso é este! Mas temos apenas o nosso tempo aqui embaixo para costurar aquele “vestido de noiva”, nós não podemos fazer isto ou adicionar algo a ele lá em cima. Será o resultado do que aconteceu no tribunal de Cristo para os crentes, quando tudo o que não é para Cristo terá sido queimado. Então somente aquilo que é “puro e resplandecente” permanecerá. Estas duas últimas vestes durarão por toda a eternidade: uma que Cristo fez para nós e uma que temos a oportunidade de fazer por nós mesmos em nosso caminho Cristão.


W. J. Prost

 

Mirra, Aloés e Cássia


No Salmo 45:8, temos aquelas belas palavras faladas profeticamente a respeito de nosso Senhor Jesus em Seu caminho enquanto esteve neste mundo: “Todas as Tuas vestes cheiram a mirra, a aloés e a cássia, desde os palácios de marfim de onde Te alegram”. O salmo traz perante nós profeticamente o Senhor Jesus em juízo e depois em exaltação, mas o versículo que acabamos de citar mostra que, para o Messias, o caminho ao trono passava pela cruz. As vestes do nosso bendito Senhor foram caracterizadas por cada uma das especiarias mencionadas, e certamente cada uma delas tem um significado distinto e precioso para nós.


Mirra – A fragrância por meio do sofrimento

Pode haver diferentes significados associados a essas especiarias, mas eu sugeriria que a mirra fala de fragrância e beleza. A mirra é obtida de uma pequena árvore espinhosa, mas é necessário continuamente “ferir” a árvore, cortando profundamente a casca para que a seiva “sangre”. Em seguida, forma uma resina aromática e perfumada que era considerada muito valiosa por toda a história do mundo.


Na Escritura, é mencionada como um dos componentes do azeite da santa unção (Êx 30:23), e também foi um dos tesouros oferecidos ao Senhor Jesus pelos magos que vieram do Oriente para adorá-Lo (Mt 2:11).


Foi em sofrimento que este odor de “cheiro suave” surgiu e subiu a Deus Pai. Embora essa bela fragrância tenha sido, sem dúvida, exibida ao longo do caminho terrenal de nosso Senhor, ela vista de maneira mais marcante em Seus sofrimentos na cruz. Tudo o que Ele sofreu, não apenas do homem, mas especialmente durante as horas de trevas, apenas serviu para revelar a beleza daquele supremo sacrifício. Quanto mais profundo o sofrimento, maior a fragrância e a beleza que emanam d’Aquele Bendito.


Aloés – A fragrância na amargura

Em segundo lugar, temos o aloés mencionado. Esta é uma especiaria incomum, também extraída da madeira de uma árvore. Tem a característica incomum de ser amarga ao paladar, mas que produz uma ótima fragrância. É mencionada várias vezes na Escritura, particularmente em conexão com o sepultamento do Senhor Jesus por José de Arimatéia e Nicodemos.


Mais uma vez, somos lembrados da amargura do sofrimento que nosso Senhor suportou. Pela mesma razão, a Páscoa devia ser comida com ervas amargas. Enquanto a mirra pode representar o cheiro suave do holocausto, o aloés traz diante de nós a amargura da oferta pelo pecado. Contudo, mais uma vez o sofrimento produziu a mais bela fragrância, pois o resultado de toda aquela amargura e sofrimento foi resolver toda a questão do pecado diante de um Deus santo e prover um caminho para a remoção do pecado, não apenas daqueles que creem, mas ao final do universo inteiro.


Cássia – A cura e o conforto

Finalmente, as vestes do Senhor foram permeadas com cássia, uma especiaria que é extraída dos galhos e da casca da árvore de canela. Embora tenha um aroma forte e agradável, foi reconhecida por milhares de anos como tendo propriedades medicinais e curativas. Muitos continuam a usar o óleo de cássia até os dias de hoje para esse mesmo propósito. É também mencionada na Escritura várias vezes e era um componente do azeite da santa unção, juntamente com a mirra.


Eu sugeriria que a cássia fala de cura e conforto, e é mencionada por último como sendo o resultado dos sofrimentos figurados pela mirra e aloés. Se houvesse alguma cura da tristeza e mágoa que o pecado trouxe a este mundo, o sofrimento de nosso Senhor tinha que acontecer. Esta cura e conforto estão agora disponíveis para o crente de uma forma espiritual, pois embora o crente ainda possa sofrer fisicamente, agora mesmo ele está libertado da escravidão de seus pecados e também da escravidão de seus cuidados [preocupações]. Quando o Senhor vier, o crente também desfrutará de um corpo transformado, para não mais sofrer os efeitos do pecado. Em um dia vindouro, toda a criação será libertada da “servidão da corrupção” e será trazida à “liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8:21).


O sepultamento de Jesus

Já mencionamos o sepultamento do Senhor Jesus, quando dois homens ricos, José de Arimatéia e Nicodemos, se apresentaram e deram ao Senhor Jesus o sepultamento de um homem rico. “E puseram a sua sepultura... com o rico, na sua morte” (Is 53:9). Está registrado que eles trouxeram “quase cem libras de um composto de mirra e aloés” (Jo 19:39). Esta foi uma quantidade extraordinária de tais especiarias, a um custo imenso, mas Deus queria que Ele tivesse o Seu sepultamento assim. Assim que terminada a obra da expiação, Deus Pai nunca permitiu que mãos ímpias tocassem novamente o corpo de Seu Filho. A Ele deve ser concedida a honra que Lhe era devida.


Mas alguns se perguntam por que a cássia é deixada de fora. Se é claramente mencionada como permeando por Suas vestes, por que não deveria estar presente em Seu sepultamento? Eu sugeriria que há uma verdade muito preciosa aqui. Sem a ressurreição, não poderia haver salvação nem cura ou conforto. Por mais preciosa que fosse a Sua obra na cruz, não seria suficiente para tirar o pecado se Ele tivesse permanecido na sepultura. É na ressurreição que temos a cássia, talvez melhor descrita em João 20:17: “Eu subo para Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus”. A cássia não é especificamente nomeada, mas o resultado é claro. Somos trazidos para o favor e para o relacionamento, não só com Deus, mas com Deus como nosso Pai. Nunca esse relacionamento existiu antes, pois enquanto Deus sempre foi, em um sentido, “um só Deus e Pai de todos” (Ef 4:6), ainda assim Ele nunca fora conhecido antes pelo homem como Pai, no sentido íntimo desse relacionamento. É de fato uma relação a partir da qual a cura e o conforto fluem.


A obra do nosso Senhor na cruz – e seus resultados tanto para Deus quanto para o homem – está além do nosso entendimento. No entanto, usando especiarias aromáticas e caras, Deus nos ilustrou algo do valor de Seu amado Filho e Sua obra para nós.


W. J. Prost

 

Folhas de Figo


Foi perguntado a um velho que havia sido salvo recentemente: “Há quanto tempo você conhece o Senhor?” Sua resposta foi: “Cerca de três semanas, mas tenho quarenta anos costurando folhas de figueira”.


Há uma informação boa expressa nessas poucas palavras, pois milhares ainda estão ocupados no mesmo assunto inútil de costurar folhas de figueira. Aqueles que procuram salvar suas almas por meio de ritos e cerimônias, ordenanças e ir a Igreja, ou que estão construindo sua salvação eterna com base em orações, jejuns e doações a instituições de caridade estão apenas costurando folhas de figueira. Todas essas coisas podem ser muito boas no lugar certo, mas não são alicerces sobre os quais devemos edificar para a eternidade.


No terceiro capítulo de Gênesis, vemos a primeira tentativa do homem de costurar folhas de figueira – a mais antiga ilustração de todo esforço humano para cobrir a nudez moral e espiritual do pecador.


Assim que o homem comeu o fruto proibido, seus olhos se abriram e ele descobriu que estava nu. Ele tornou-se possuidor de uma consciência do bem e do mal. Até então, Adão e Eva sabiam apenas o bem, mas agora tudo foi mudado.


Obras

Como então eles agiram quando viram sua nova condição? “Coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais” (Gn 3:7). Foi obra deles, não de Deus, e isso marcou o caráter dela. Era impossível que a obra de uma criatura arruinada pudesse tirá-los da ruína em que eles haviam caído. Assim, descobrimos que quando “ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim” (Gn 3:8). Eles não se atreveram em confiar no avental de folhas de figueira, pois os aventais sequer satisfaziam a eles mesmos. Como então eles poderiam esconder Adão e Eva do olhar de um Deus justo que tudo sonda? Adão e Eva tinham negligenciado a única coisa vital, que era humildemente reconhecer sua condição de culpa diante de Deus e admitir que a morte e o julgamento lhes eram devidos.


Casacos de peles

“E chamou o SENHOR Deus a Adão e disse-lhe: Onde estás? E ele disse: Ouvi a Tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me” (Gn 3:9-10). O avental era inútil, de fato, e Adão o ignorou completamente. Assim é sempre; todos os esforços humanos se provam sem valor quando chega a hora do teste. Nada ficará além da própria obra de Deus. Para possuir uma paz verdadeira, sólida e divina, a alma deve estar descansando simplesmente naquilo que é inteiramente de Deus. Deste último, temos a figura mais antiga nas túnicas de pele que o Senhor Deus fez para Adão e sua esposa. “E fez o SENHOR Deus a Adão e a sua mulher túnicas de peles [pele – JND] e os vestiu” (Gn 3:21) Isso foi graça. Para a fé, essas túnicas de pele são adoráveis, pois falam da provisão gratuita de Deus para os pecadores na morte de Cristo, “o Cordeiro de Deus” (Jo 1:29).


Havia essa diferença significativa entre o avental e a túnica: Deus nunca deu um único ponto na confecção do avental, e o homem nunca deu um único ponto na confecção da túnica. O avental era inteiramente do homem e não podia trazer proveito; a túnica era totalmente de Deus e, portanto, trazia proveito.


Aventais de folhas de figueira

É triste dizer que a Cristandade está cravejada de uma ponta à outra com a fabricação de aventais de folhas de figueira. Esses aventais podem fazer bem até que a voz de Deus seja ouvida, e sua total inutilidade será descoberta quando for tarde demais. “Ouvi a Tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me” (Gn 3:10).


Em quem estamos confiando – no avental do homem ou na túnica de Deus? Consequências eternas dependem de nossa resposta a essa grande pergunta. Será indescritivelmente horrível descobrir, quando já for tarde demais, que estávamos construindo sobre lixo humano, em vez de construir sobre a Rocha Eterna. “Quem n’Ela crer não será confundido” (1 Pe 2:6).


C. H. Mackintosh (adaptado)

 

O Dia da Expiação


Levítico 16 é um capítulo precioso, quer o consideremos historicamente em conexão com Israel ou em seu caráter figurativo como sombra da obra expiatória de nosso Senhor Jesus Cristo. O grande tema do capítulo é Cristo e Sua obra, mas as vestes de Arão chamam nossa atenção. As vestes de linho significam santidade e pureza. Não há dúvida aqui de exibição exterior, antes, essas vestes representam figurativamente Cristo vindo para tratar da questão do pecado. Tudo n’Ele está em perfeito acordo moral com a pureza e santidade do trono de Deus. Embora O conheçamos agora em vestes de glória e ornamento (veja Êxodo 28), “coroado de glória e de honra”, ainda assim isso só poderia ser o resultado daquilo que é prefigurado nas vestes santas de linho e na obra relacionada a elas. O Espírito Santo revela essas coisas para nós em Hebreus 9. Nós O vemos lá vestindo as vestes santas de linho, como o antítipo de Arão na obra da expiação (vs. 11-12).


Então, no versículo 24 do mesmo capítulo nós O vemos como Ele agora comparece na presença de Deus por nós, em vestes de glória e ornamento. Tendo terminado a obra da propiciação e purificação, Arão despojou as vestes santas de linho, lavou a seu corpo em água e ofereceu o holocausto por si e o holocausto pelo povo, significando a aceitação divina da obra daquele dia. Nosso Senhor não usa mais as vestes de linho que usava, figurativamente, quando tratou a questão do pecado de uma vez por todas. Estando a obra consumada, Ele agora aparece por nós naquelas vestes de glória e ornamento, enquanto Ele Se ocupa em Sua obra de intercessão por nós. Tudo a respeito das vestes de glória e ornamento (Êxodo 28) fala de uma redenção realizada e de um povo redimido, mas também daqueles que precisam da constante obra de intercessão de seu Grande Sumo Sacerdote, enquanto caminham por um mundo que é capaz de nos contaminar.


J. McBroom (adaptado)

 

As Vestes de Glória e Ornamento do Sumo Sacerdote


O povo de Israel possuía um ritual magnífico e como o ritual de Israel apontava para Cristo os menores detalhes nos são dados. Vejamos Êxodo 28, que descreve as vestes dos sacerdotes, como o capítulo seguinte descreve as cerimônias relacionadas com a consagração de Arão e seus filhos para o ofício sacerdotal. Arão e seus filhos são figuras de Cristo e dos Cristãos. O sacerdócio dos filhos de Arão dependia do sacerdócio de seu pai, assim como o nosso depende do sacerdócio do Senhor Jesus. Eles eram sacerdotes por chamamento divino (Hb 5:4). O chamado de Cristo é encontrado no Salmo 110:4, o nosso em 1 Pedro 2:5.


O éfode

O éfode é descrito primeiro como sendo a veste sacerdotal principal e representava tudo o que o sacerdócio representava. Cada detalhe fala da graça sacerdotal. “Farão o éfode de ouro, e de pano azul, e de púrpura, e de carmesim, e de linho fino torcido, de obra esmerada”. O ouro fala do divino em nosso Senhor e foi entrelaçado com o azul e outras cores, pois a união do humano e do divino em Sua Pessoa é um dos mais santos mistérios de nossa fé. Em todos os Seus caminhos e palavras esta maravilhosa união resplandece. Azul é a cor celestial. “O segundo Homem, o Senhor, é do céu” (1 Co 15:47). Aquele que assim Se condescendeu a Se tornar Humano havia subsistido desde a eternidade na glória não criada acima.


Púrpura é a cor real. O Filho de Deus tem direitos reais e herda os direitos de José como seu herdeiro legal (Mateus 1). Escarlate fala da glória terrenal (Ap 17:3; 2 Sm 1:24). Não é suficiente que Cristo seja glorificado no alto, Deus fará com que Ele também seja glorificado em seu próprio tempo aqui embaixo. O linho fino torcido atesta a Sua perfeição imaculada. Embora nascido de uma mãe humana, Ele não herdou qualquer mancha moral dela. Ele era enfaticamente “o Santo” (Lc 1:35). Ele somente dentre todos os que já andaram na Terra poderia dizer aos Seus críticos: “Quem dentre vós Me convence de pecado?” (Jo 8:46).


O cinto do éfode

O curioso cinto do éfode era feito dos mesmos materiais que o próprio éfode (v. 8) e é o emblema de serviço – compare Lucas 12:37; 17:8. O pensamento é avassalador de que nosso Senhor Jesus poderia Se constituir a Si mesmo o Servo de Seu povo, mas é verdade – tão maravilhosa é Sua graça. Como o servo hebreu de Êxodo 21, Ele pretendia ser Servo para sempre. Assim, Ele ministra em nosso favor no santuário celestial durante a nossa peregrinação terrenal, enquanto Lucas 12:37 nos diz que num dia vindouro Ele nos fará assentar à mesa e nos servirá.


As ombreiras

Temos em seguida as ombreiras (vs. 9-13), nas quais havia duas pedras de ônix, com os nomes das tribos de Israel gravadas nelas, seis em cada pedra. O ombro é o lugar do poder. Portanto, o bom Pastor deita Sua ovelha perdida em Seus ombros e a traz para casa regozijando-Se (Lc 15:5). Os nomes foram talhados nas pedras “Conforme a obra do lapidário, como o lavor de selos” (v. 11) e, em seguida, “engastadas ao redor em ouro”. A segurança eterna de todo crente é tipificada nisto, e “ninguém as arrebatará das Minhas mãos” (Jo 10:28).


O peitoral

Os nomes das tribos também estavam no peitoral, pois em Cristo o poder e amor se combinam para a bênção de Seu povo. Nós lemos em Êxodo 28:29: “Arão levará os nomes dos filhos de Israel no peitoral do juízo sobre o seu coração”. O amor imutável de Cristo é nosso consolo e gozo. João 13:1 é tão verdadeiro para nós como para os discípulos de outrora: “Como havia amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim”.


No peitoral, Deus também nos mostrou Seu terno interesse em cada crente. Nas ombreiras, seis nomes foram gravados em cada pedra, já no peitoral cada nome tinha uma pedra para si. Cada santo individualmente, por mais pobre e humilde que possa ser, tem seu próprio lugar nas afeições divinas.


Que quadro encantador é indicado pelo sumo sacerdote de Israel levando os nomes do povo de Deus sobre seu ombro e coração continuamente na presença divina! No entanto, quão rapidamente tudo falhou nas mãos do homem! As vestes de glória e ornamento parecem nunca ter sido usadas na presença de Deus após as circunstâncias desastrosas do dia da consagração (Lv 10). A partir desse ponto o Santo dos Santos foi fechado ao sacerdócio, com exceção do Dia Anual da Expiação, e naquele dia Arão se aproximaria com roupas de linho branco (Lv 16:1-4). Que imenso conforto é para nosso coração saber que não pode haver tal fracasso com nosso Senhor Jesus Cristo!


O Urim e o Tumim

No peitoral, entre os nomes dos filhos de Israel, foi colocado o Urim e o Tumim. As palavras significam “as luzes e as perfeições”. O que eram exatamente, a Escritura não diz. São mencionados juntos sete vezes na Escritura e em duas das passagens, apenas o Urim é nomeado, já em uma (Dt 33: 8) a ordem é invertida e dada como “Teu Tumim e Teu Urim”. Estes evidentemente davam a resposta de Jeová a respeito de assuntos que eram apresentados a Ele pelo sacerdote. É porque o peitoral continha este instrumento pelo qual as decisões divinas eram dadas, que é chamado de “o peitoral do juízo”.


É o deleite de Deus Se tornar conhecido a Si mesmo e a Sua vontade para aqueles que desejam este conhecimento bendito. O Urim e o Tumim no peitoral do sumo sacerdote eram a promessa de que Israel nunca precisaria estar nas trevas sobre qualquer assunto. Hoje, com o Espírito Santo habitando dentro de nós, a completa Palavra de Deus em nossas mãos e Cristo glorificado se interessando por nós, não deve haver obscuridade em nossa mente a respeito dos mínimos detalhes de nosso caminho. Onde o olho é simples e o coração é verdadeiro, o caminho se torna claro.


O manto do éfode

“O manto do éfode” era todo de azul (Êx 28:31), enfatizando que o nosso Sacerdote é celestial. “Porque nos convinha tal Sumo Sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus” (Hb 7:26). Somos os irmãos de Cristo e participantes do chamado celestial, o povo celestial precisa de um sacerdote celestial. Um sacerdote da ordem de Arão não tem utilidade para nós, pois seu sacerdócio foi exercido em um santuário terrenal a favor de um povo terrenal. O Cristão mais fraco está em um terreno mais alto do que Israel já conheceu.


Nas bordas do manto azul havia campainhas e romãs dourados, que falam de testemunho e fruto. Quando Jesus ascendeu a Deus, o Espírito Santo veio e colocou as campainhas douradas do testemunho do evangelho tocando neste mundo sombrio. As campainhas também soaram quando Arão saiu da presença divina, pois da mesma forma um novo som será ouvido quando o Senhor Jesus vier novamente. Um novo testemunho será iniciado na Terra, e a abundância de frutos será colhida por meio dele. Israel, não a Igreja, será a testemunha de Deus naquele dia, pois “de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a Palavra do SENHOR” (Is 2:3).


A coroa de santidade

Chegamos agora a lâmina de ouro puro, com a inscrição “Santidade ao SENHOR” (Êx 28:36). Esta foi presa à frente da mitra de Arão por um cordão azul, e é duas vezes chamada de “a coroa de santidade” (Êx 39:30; Lv 8:9). Aquele em cuja cabeça foi colocada a coroa de espinhos é agora “coroado de glória e honra” (Hb 2:9). A lâmina de ouro foi colocada sobre a testa, “para que Arão leve a iniquidade das coisas santas, que os filhos de Israel santificarem em todas as ofertas de suas coisas santas; e estará continuamente na sua testa, para que tenham aceitação perante o SENHOR” (v. 38). Tal é a nossa enfermidade que, mesmo com o mais puro dos motivos, somos totalmente incapazes de oferecer sacrifícios espirituais a Deus em perfeição. Nosso conforto está no fato de que todas as nossas ofertas vêm diante de Deus pelas mãos do perfeitamente Santo em Sua presença.


As vestes do filho de Arão

As vestes dos filhos de Arão, embora de linho, são ditas “para glória e ornamento” (Êx 28:40-43; 39:27-29). Os filhos de Arão são figuras dos Cristãos, vistos, não como membros do corpo de Cristo, mas como pertencentes à família sacerdotal da qual Cristo é a Cabeça. Todos os detalhes das vestes dos filhos, bem como das vestes de seu pai, falam de Cristo. O que temos então nesta figura além de todo Cristão completamente coberto com as perfeições de Cristo, a ponto que o olho santo de Deus vê sobre nós nada além de Cristo quando nos aproximamos com fé diante d’Ele!


W. W. Fereday (adaptado)

 

Lã e Linho


Por toda a Escritura, podemos encontrar um povo de princípios mistos, como dizemos, que usam trajes de lã e linho (Dt 22:11), contrariando o chamado de Deus e as ordenanças puras de Sua casa. Ló, por exemplo, estava associado ao chamado de Deus. Como Abrão, ele deixou a Mesopotâmia, veio com Abrão para Canaã e era um homem justo. Abrão evidenciou o caminho da natureza, uma e outra vez se recuperou, mas embora as vestes de Abrão estivessem sujas de vez em quando, ela não era uma veste de “diversos estofos” [ou “materiais diversos” – Lv 19:19 – AIBB]. A vestimenta de Ló, porém, era de “lã e linho”, pois ele não foi fiel ao chamado de Deus. Ele se tornou um cidadão quando deveria ter sido apenas um peregrino, e ele foi um homem de princípios mistos durante todos os seus dias, enquanto Abrão durante todos os seus dias foi fiel ao chamado de Deus. E, o que é cheio de significado, observamos que depois que Ló se tornou um homem de princípios mistos, ele e Abraão não tiveram comunhão. Abraão correu para ajudá-lo no dia em que seus princípios o colocaram em perigo, mas não havia comunhão entre eles. E este não é um caso incomum até os dias de hoje.


Davi e Jônatas

O mesmo aconteceu com Davi. A natureza prevaleceu nele algumas vezes, mas ele nunca foi um homem de princípios mistos. Ele foi fiel ao chamado de Deus, mas não aconteceu o mesmo com seu amigo Jônatas; ele agiu nobremente e graciosamente algumas vezes, mas ainda assim ele não foi um homem separado. Ele foi um homem de fé, mas ele não estava onde o chamado de Deus queria que ele estivesse, pois a corte de Saul era um lugar contaminado naquela época. Jônatas era alguém amável individualmente, e ele nunca deu a Davi nada além de alegria, mas ainda assim sua posição não era fiel ao chamado de Deus naquele dia.


Neste nosso dia há, como Jônatas, muitos santos, queridos ao coração e resplandecentes em graças pessoais, que são encontrados à parte do lugar onde a energia do Espírito opera, de acordo com a regra da dispensação. As ações nobres e generosas são feitas por eles individualmente, mas sua conexão é sua desonra, como era a de Jônatas. Sua presença não tornou o acampamento ou tribunal de Saul diferente do que era. Da mesma forma, a única impressão que temos de Ló em Sodoma é a de um Ló contaminado, não de uma Sodoma santificada.


Uma veste suja

Existem, no entanto “coisas que diferem”, e a alma exercitada por Deus deve distingui-las. Existe uma veste manchada, que não é, ao mesmo tempo, uma veste mista, uma vestimenta de vários tipos, de “lã e linho”. Nosso caminho sob o Espírito é o de manter nossas vestes imaculadas, mas uma veste que de vez em quando tem um fio de outro tipo não deve ser confundida com aquela cuja textura é feita no exato princípio de “lã e linho”. As vestes de Ló e Jônatas eram feitas de diversos estofos de lã e linho. Mas olhe para Jacó, em contraste. É verdade que seus esquemas e cálculos desfiguraram grandemente vários períodos de sua vida, enquanto a construção de uma casa em Sucote e a compra de um pedaço de terra em Siquém eram coisas que não combinavam com a vida de um peregrino. Mas Jacó não deve ser comparado com Ló, sua vida não foi formada por Sucote e Siquém, embora assim o vejamos ali, antes, ele era um forasteiro com Deus na Terra. E no final de sua peregrinação, quando ele estava no Egito, temos muitas belas evidências do estado recuperado de sua alma.


Misturas

Da mesma forma, os dias de Acabe, rei de Israel, foram frutíferos em ilustrações desse tipo. Havia naqueles dias um Elias, um Micaías, um Josafá e um Obadias, e todos estes no meio do pior afastamento dos caminhos de Deus. Mas todos estes não devem ser classificados juntamente com os demais. Para usar a linguagem de “lã e linho” ou “veste de diversos estofos”, eu devo dizer, não havia como confundir o tecido de Elias e Micaías. O cinto de couro de um e as faixas de prisão do outro nos dizem o que os homens eram e mostram sua completa separação. Mas Obadias não era Elias, e também Josafá não era Micaías.


Josafá, rei de Judá, era um homem separado, mas um homem que, às vezes, é encontrado em conexão com o que era profano. Ele era da geração de Jacó, embora ele possa ser mais falho do que Jacó. A vaidade o traiu diversas vezes, enquanto a política mundana traía Jacó. Josafá tinha afinidade com Acabe e agiu ali em terrível inconsistência com a santidade e separação da casa de Davi. Mas, apesar de tudo isso, sua vida não era de princípios mistos. Ações muito nobres foram feitas por suas mãos, afeições muito queridas foram expressas por seu espírito, e o Senhor o reconhecia. Mas, como Jacó, e em uma medida mais dolorosa, ele foi traído por certas conexões que tornaram seu testemunho uma coisa imperfeita. Não era apenas uma roupa suja, mas uma peça cuja textura dificilmente era perceptível, tão vergonhosamente os “tipos diversos” aparecem às vezes.


As vestes de Obadias

Mas a veste que Obadias usou não pode ser confundida; os “diversos tipos” de lã e linho devem ser vistos nela de cima a baixo. Não é que ele tenha evidenciado isso algumas vezes; toda a sua vida evidencia um homem de princípios mistos. Ele tinha respeito pelas aflições dos profetas, escondendo-os em cavernas da perseguição e alimentando-os ali, mas durante todo o tempo ele era o conselheiro, o companheiro e o ministro de Acabe, em cujo reino a iniquidade era praticada. O seu cinto não era o cinto de couro de Elias, e quando eles se juntam, essa diferença é expressa de forma mais impressionante. Obadias procura conciliar a mente de Elias. Ele o lembra do que havia feito pelos profetas perseguidos de Deus no dia de sua angústia e lhe diz que teme ao Senhor, mas Elias se move devagar e com frieza em relação a ele. Tudo isso é doloroso de se ver entre dois santos de Deus, mas é algo comum e muito mais comumente sentido do que expresso.


Abraão e Ló

Não poderia haver mistura entre os espíritos de Abraão e Ló depois que Ló seguiu o caminho de Sodoma. Abraão resgatou Ló do rei Quedorlaomer, mas esta não foi uma reunião de santos, pois eles não podiam se misturar. Assim foi, em uma expressão muito mais vívida, em Elias e Obadias. Eles se encontram em um dia mau, Obadias procurando por água no dia em que o Senhor, por meio de Elias, não estava dando à terra nem chuva nem orvalho. Há esforço da parte de Obadias e reserva com Elias. Obadias chama Elias de seu senhor, mas Elias o lembra de que Acabe é seu senhor. Não devemos servir o mundo atrás das costas de outro e então, quando nos reunimos, assumimos que nos encontramos como santos. Mas Elias agiu em caráter, fiel ao seu irmão agora como ele tinha sido ao seu Senhor antes.


Podemos nos perguntar se estivemos nos lugares celestiais ou na corte de Acabe. Temos feito provisão para a carne ou desejando as coisas de Cristo? Obadias foi governador da casa de Acabe, então, como poderia um como Elias estar confortável ou à vontade com ele? A veste de vários tipos, de lã e de linho, mal combinava com o cinto de couro de um testemunho separado e sofrido de Cristo. Em contraste, a pobre viúva de Serepta desfrutou da completa empatia que fluía de Elias, aquela humilde propriedade foi a cena que teve sua fonte e sua recompensa com Deus.


J. G. Bellett (adaptado)

 

O Cordão Azul


Deixe-me dizer uma palavra sobre o Senhor instituir um cordão azul para ser usado pelos israelitas na orla de suas vestes. Todo Cristão perceberia que isso transmite uma lição divina.


Quanto ao significado geral da cor “azul”, que muitas vezes encontramos neste livro de Números, não pode haver qualquer dúvida sobre isso. É a cor do céu e o testemunho apropriado de um caráter celestial. O branco é usado comumente para a representação da pureza, como o carmesim ou escarlate fala da glória do mundo, o cordão azul sendo a cor celestial, o pensamento é de imensa importância prática. O Senhor quer que Seu povo, mesmo nas coisas mais comuns da vida cotidiana, apresente o testemunho constante diante dos olhos deles mesmos, assim como diante dos olhos dos outros, de que eles pertencem ao céu. Vamos descobrir que isso tem um efeito muito influente na alma. Não é suficiente para nós que simplesmente nos abstenhamos daquilo que é mau, ou que devemos cultivar a piedade. Nenhuma pessoa nascida de Deus pode negar nossa obrigação à santidade, ou que os filhos de Deus estão obrigados a se abster até mesmo da aparência do mal. Mas supondo tudo isso, e que cada um usasse sua veste sempre tão imaculada, seria isso o cordão azul? Isso não significa lembrar dia-a-dia a qual o lugar pertencemos?


Caminhos celestiais

A veste exterior era usada para estabelecer aquilo que é exibido diante das pessoas – nosso caráter e modos. O que Deus, como eu acredito, nos mostra pelo azul nas franjas das bordas, é a mescla nos modos mais comuns da vida cotidiana, do constante sinal de que somos celestiais, e não meramente que estaremos lá mais tarde. Se, por assim dizer, adiássemos o céu, tornando-o puramente uma esperança para o futuro, não seria isso para um israelita, evitar usar esse cordão azul? Mas o efeito de nossa alma acolher a verdade que essa figura nos ensina é que, enquanto estamos na Terra, cercados por dificuldades, o céu está diante de nossos olhos e coração. Caso contrário, estaremos agindo simplesmente como homens terrenais – talvez piedosos, bondosos e sinceros, mas totalmente aquém de tudo que é a vontade de Deus a nosso respeito. Mesmo servir a Cristo, por mais bendito que seja, não é a mesma coisa que ser celestial. Em muitos casos tudo isso é verdade em santos de Deus, onde o cordão azul é esquecido.


O que corresponde à figura, de acordo com o poder do Novo Testamento, é a verdade que temos em Colossenses 3. Nós estamos lá tratados como aqueles que pertencem ao céu, mas claro que ainda sobre a Terra, o que dá origem a todas as dificuldades do caminho da fé. Não haverá dificuldade em andar corretamente quando estivermos no céu, mas a luta e a vitória são pela fé agora. Somos tão aptos a julgar pelos sentimentos de nosso coração e, assim, sermos levados para longe facilmente. E o que pode nos fortalecer contra nós mesmos? Vamos ouvir o que o Senhor diz aqui: “E nas franjas vos estará, para que o vejais, e vos lembreis de todos os mandamentos do SENHOR, e os façais” (Nm 15:39). Não é notável que a franja azul seja usada por Deus como um incentivo à obediência?


Caminhada celestial

O próprio fato de que nossa alma começa cada dia com este memorial diante de nós não é uma coisa pequena. Quão crucial é lembrar que pertencemos ao céu! “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da Terra” (Cl 3:1-2). Se isto estivesse diante de nós, não há nada, pequeno ou grande, que o Cristão não faria de acordo com Deus: haveria uma ligação sentida com o céu, e não meramente uma questão de necessidade ou de caráter, que está abaixo de um Cristão. É claro que um Cristão será honesto e piedoso, mas se eu faço do caráter ou da necessidade a razão pela qual faço uma coisa, não ando como Cristão de forma alguma, mas como muitos homens que são inimigos de Deus e de Seu Filho. Fazê-lo por uma questão de dever não eleva você acima de si mesmo e das coisas presentes. Eu posso olhar para o Senhor simplesmente como Alguém que me fortalece no meu dever diário, e isso é bem verdade, mas não é a medida completa da verdade. Não é o cordão azul. Mas se meus olhos são levantados da Terra, e fixados em Cristo no céu – se eu me lembrar de que minha associação atual é com Cristo no céu, e que Deus espera que eu ande dignamente de Cristo agora acima de mim mesmo, nisso encontramos a grande verdade que corresponde à figura. E isso o Senhor aqui conecta com o lembrar de todos os Seus mandamentos, fazê-los e em andar em santidade. Ele os tirou do Egito para que pudessem andar de acordo com Ele, e que eles pudessem ser Seu povo e Ele seu Deus. Quantas vezes, infelizmente, nós caminhamos meramente “como homens”. Mas se não nos elevarmos acima desse padrão, não estaremos caminhando de acordo com esse testemunho das coisas celestiais que o Senhor apresentou, em figura, à Israel. Descobriremos que o poder de ser celestial está de acordo com a medida que nossa alma entra em Cristo ali. Não é uma questão de corrigir isso ou aquilo, ou de começar uma coisa e outra, mas das coisas celestiais em Cristo, separando nosso coração das coisas da Terra. Quando olhamos desde o céu, como conscientes disso, e trabalhamos do céu para baixo, as coisas terrenais logo diminuem, e o louvor pelo desaparecimento delas não retorna a nós mesmos, mas a Cristo. Assim, Ele mesmo tem toda a glória, seja qual for a boa obra que possa ser realizada pelo Espírito entre os filhos de Deus.


Bible Treasure (adaptado)

 

Lepra na Veste


Gostaríamos de analisar brevemente a questão da lepra em uma veste, conforme apresentado em Levítico 13:47-59.


A veste ou pele (couro) sugere a nós a ideia das circunstâncias ou hábitos de um homem. Este é um ponto profundamente prático. Devemos vigiar contra o mal em nossos caminhos com a mesma cautela que contra o mal em nós mesmos. A mesma investigação paciente é observável com relação à veste, como no caso de uma pessoa. “E o sacerdote examinará a praga e encerrará a coisa que tem a praga por sete dias” (v. 50). Não deve haver indiferença nem descuido. O mal pode penetrar em nossos hábitos e circunstâncias de inúmeras maneiras, e, portanto, no momento em que percebemos algo de natureza suspeita, ele deve ser submetido a um processo calmo e paciente de investigação sacerdotal. Deve ser fechado sete dias para que possa ter tempo integral para se desenvolver.


O julgamento do mal

“Então, examinará a praga ao sétimo dia; se a praga se houver estendido na veste, ou no fio urdido, ou no fio tecido, ou na pele, para qualquer obra que for feita da pele, lepra roedora é; imundo está. Pelo que se queimará aquela veste” (vs. 51-52). O hábito errado deve ser abandonado no momento em que eu o descobrir. Se me encontro em uma posição totalmente errada, devo abandoná-la. A queima da veste expressa o ato de julgar o mal, seja nos hábitos ou circunstâncias de um homem. O mal não deve ser tratado como sem importância. Em certos casos, a veste deveria ser lavada, o que expressa a ação da Palavra de Deus sobre os hábitos de um homem. “Então, o sacerdote ordenará que se lave aquilo em que havia a praga e o encerrará, segunda vez, por sete dias” (v. 54). Há que esperar pacientemente para averiguar o efeito da Palavra. “E o sacerdote, examinando a praga, depois que for lavada, e eis que, se a praga não mudou... com fogo o queimarás” (v. 55). Quando há algo radical e irremediavelmente mau em nossa posição ou hábitos, a coisa toda deve ser abandonada. “Mas, se o sacerdote vir que a praga se tem recolhido, depois que for lavada, então, a rasgará da veste, ou da pele, ou do fio urdido, ou do tecido” (vs. 56). A Palavra pode produzir tal efeito, que as características erradas no caráter de um homem, ou os pontos errados em sua posição, são abandonadas, e então se livra do mal. Mas se o mal continuar, tudo deve ser condenado e posto de lado.


Bons hábitos

Há uma riqueza de instrução prática em tudo isso. Devemos olhar bem para a posição que ocupamos, as circunstâncias em que nos encontramos, os hábitos que adotamos, o caráter que vestimos. Há uma necessidade especial de vigilância. Todo sintoma e traço suspeito devem ser cuidadosamente vigiados, para que não se prove posteriormente como uma lepra que se espalhe, pela qual nós mesmos e os outros possamos a ser contaminados. Podemos ser colocados em uma posição à qual estão ligadas certas coisas erradas, que podem ser abandonadas sem abandonar completamente a posição, e por outro lado podemos nos encontrar em uma situação na qual é impossível “permanecer com Deus”. Onde o olho é simples, o caminho será simples. Onde o único desejo do coração é desfrutar da presença divina, descobriremos facilmente as coisas que tendem a privar-nos daquela bênção inexprimível.


Que nosso coração seja tenro e sensível! Que possamos cultivar uma caminhada mais próxima e profunda com Deus, e possamos nos proteger cuidadosamente contra toda forma de contaminação, seja pessoal, de hábitos ou associações!


C. H. Mackintosh (adaptado)

 

A Esposa do Cordeiro se Prepara!


Em Apocalipse 19:7 lemos: “Sua esposa se aprontou”. Embora este comentário se refira à Igreja, neste contexto o termo “noiva” não seria apropriado. Agora existem dois tipos de aptidão, e a Igreja é o assunto de ambos. Primeiro, Deus, no exercício de Sua graça soberana, nos torna aptos para a glória celestial, como lemos: “Dando graças ao Pai, que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz” (Cl 1:12). Segundo, os crentes têm que se preparar antes de entrar em Sua eterna glória. Nossa vida deve ser revisada no tribunal de Cristo (2 Co 5:10). A luz do trono examinará cada momento de nossa vida, descobrindo o oculto e revelando o verdadeiro caráter do ato, palavra e serviço. Os enigmas da vida serão explicados, problemas não resolvidos serão resolvidos e todos os erros e mal-entendidos serão corrigidos. Esta, e mais, é a aplicação do tribunal de Cristo aos santos celestiais e precede o casamento. “Sua esposa se preparou”. A luz do trono fez a sua bendita obra, produzindo um grande alívio de todos os incidentes de sua história na Terra.


O que seria se, na glória, nos lembrássemos de um incidente doloroso que não estivesse resolvido? O pensamento seria intolerável. Mas todos sairão do tribunal como um assunto tratado entre cada santo e Deus. Tampouco deve ser entendido como significando juízo judicial, por tudo o que foi resolvido na cruz. Aparecemos diante do tribunal de Cristo, coroados e glorificados, “ressuscitará em glória” (1 Co 15:43), para ter a luz do trono lançado sobre o passado. Nós então passaremos deste lugar de revisão e julgamento com sua perscrutadora luz para a presença amada do Cordeiro como Sua noiva e esposa para sempre.


Vestidos de noiva

E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos” (Ap 19:8). A prostituta estava magnificamente vestida, mas sua pompa, esplendor e ornamentos foram reivindicados como uma questão de direito. Com a noiva é diferente, ela está pronta por causa da graça, porque “foi dada a ela”. Sem dúvida, há recompensas por serviço prestado, como nos é mostrado claramente em Mateus 25:14-23. “Deus não é injusto para Se esquecer da vossa obra e do trabalho da caridade [amor] (Hb 6:10). Esquecer é algo que bem pode acontecer conosco, mas Ele nunca Se esquecerá.


Há, no entanto, outro lado dessa questão que sempre deve ser levado em conta, a saber, a soberania de Deus. É direito d’Ele dar ou reter. Muitos eminentes servos de Deus fizeram um naufrágio da verdadeira vida e serviço, negligenciando a grande verdade que equilibra tudo – Deus é soberano. A parábola dos talentos em Mateus 25 mostra a graça de Deus em recompensar, enquanto a parábola do pai de família em Mateus 20 é uma demonstração da soberania de Deus em dar a todos igualmente, independentemente do trabalho ou do tempo de serviço.


As vestes de linho puro em que os anjos estão vestidos – aqueles que seguram as taças do julgamento (Ap 15:6) – expressam o caráter justo de sua missão, pois é uma missão de julgamento. O puro e lustroso linho fino da mulher do Cordeiro é a sua justiça, ou “atos justos”, feitos na Terra. Mas ela não reivindica nenhum mérito, pois esses atos de justiça foram realizados pelo poder do Espírito Santo nela. As cores espalhafatosas nas quais a prostituta está vestida apresentam um forte contraste com o linho puro, branco e brilhante da noiva. Suas vestes falam de seu caráter prático. Ela agora pode entrar no desfrute do eterno companheirismo e união da natureza mais próxima (a da esposa) com o marido, o Cordeiro. Suas ações na Terra foram avaliadas em seu verdadeiro valor no céu. Ela está disposta neles ou, nas palavras expressivas de nosso texto, “se preparou”. Ela passa do tribunal de Cristo para o casamento e daí para o seu lugar no reino.


W. Scott (adaptado)

 

Vestes Formosas

“Veste-te das tuas vestes formosas” (Is 52:1).


Ele quer que usemos vestes formosas,

Não importa o quão monótono seja o dia;

Não importa quão longo ou solitário,

Ou penoso possa parecer o caminho.


Ele quer que usemos vestes formosas,

Aquelas que temos por graça,

O manto de um espírito tranquilo,

A calma de um rosto pacífico.


O encanto de uma maneira gentil,

O brilho dos olhos iluminados pelo céu,

Aquele manto de tal esplendor sagrado,

O espírito de sacrifício.


Estas, essas e ainda outras peças de vestuário,

Tudo lindo, brilhante e justo,

Podemos, por Sua graça, adornar-nos,

E para Sua glória usá-los.



J. D. Smith

 

“E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos”

Apocalipse 19:8

 



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