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A Instituição do Matrimônio - Parte 5


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ÍNDICE


 

Novas Responsabilidades Mais Uma Vez Capítulo 21


Este precioso bebê, que despertou as fontes da afeição dos pais guardadas no coração do jovem pai e mãe, também, trouxe a eles novas e sérias responsabilidades. Tal como a mãe de Moisés, que foi encarregada pela filha de Faraó de criar Moisés para ela (Êx 2:5-10), assim os pais Cristãos devem criar os seus filhos para o Senhor. E esta é uma ocupação de tempo integral, e uma que requer muita dependência no Senhor.


Num mundo ímpio, que piora a cada momento, é um assunto sério estar encarregado de criar os filhos. Haverá muitos ventos contrários soprando, que somente pela sabedoria divina que pode ser encontrada na Palavra de Deus, é que os jovens pais poderão traçar um caminho direito. Desde que Adão e Eva foram expulsos do Jardim do Éden, e o homem teve que fazer seu próprio caminho nesse mundo contaminado, os santos de Deus, de todas as épocas, precisaram de um caminho traçado pelo próprio Deus. Isso é verdade para todo nosso caminho, mas é especialmente importante na questão da criação de uma família.


Com muita frequência, a responsabilidade dos pais Cristãos não é percebida suficientemente cedo, e anos valiosos de formação da infância passam despercebidos e insuficientemente aproveitados. Precisamos fazer uso de todo o tempo que nos é dado “Remindo o tempo; porquanto os dias são maus” (Ef 5:16). Uma jovem mãe, certa vez, procurou um idoso servo do Senhor, e perguntou-lhe quando ela e seu marido deveriam iniciar a educação de seu filho; ele respondeu perguntando a ela, qual era a idade de seu filho. Quando a mãe falou a idade, o servo do Senhor disse: “Você já perderam todo esse tempo!”.


É difícil perceber, sobretudo os pais, que aquele inocente e doce bebê, tenha dentro de si a raiz de uma natureza má; já nasceu com uma natureza caída, capaz de produzir tristes frutos, que o levarão bem longe de Deus. As inclinações naturais já se encontram nele, e à medida que se desenvolve e cresce, também vai se despertando a capacidade de manifestá-las. Em tudo isso temos que nos lembrar que transmitimos aos nossos filhos, à nossa descendência, um coração perverso e uma vontade corrompida, que herdamos dos nossos pais e antepassados. “Como na água o rosto corresponde ao rosto, assim o coração do homem ao homem” (Pv 27:19).


“O que é nascido da carne é carne” (Jo 3:6). Passamos para nossos filhos o mesmo caráter da carne que temos, nem uma partícula melhor, nem uma um pouco pior. Não podemos dar a eles a nova vida. Eles devem recebê-la da mesma maneira que recebemos; eles, também, devem nascer de novo. O Espírito de Deus deve agir no coração deles, produzindo a nova vida, com novos desejos. Mas devemos nos desesperar porque isso é verdade?


Devemos cruzar nossos braços e dizer que devemos aguardar pelo Espírito de Deus agir neles? Não! Não!


Seria bom se os pais dobrassem os joelhos juntos e agradecessem a Deus pela dádiva da criança amada, e, então, e ali mesmo suplicar fervorosamente para que a criança seja trazida, ainda cedo em sua vida, ao conhecimento da salvação do Senhor Jesus Cristo. Esta deve ser uma questão próxima ao coração de todos os pais Cristãos, e uma questão que deve ser constantemente levada diante de nosso Deus e Pai. Devemos fazer isso em fé, contando com Ele; é um assunto de suma importância e deve ser o peso de nossas orações desde o dia do nascimento da criança.


O mundo tem muitos livros sobre educação infantil, que pretendem instruir os pais na maneira correta de criar os filhos. Mas para os pais Cristãos, isso não é confiável, se não perigoso. Podem conter uma certa quantidade de sabedoria humana, mas a sabedoria deste mundo não é para ser comparada com a sabedoria divina. É muito melhor orar sem cessar em busca da sabedoria de Deus “que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada” (Tg 1:5 – AIBB). Se nos falta sabedoria (e certamente falta), peçamos a Deus por sabedoria. Ele nunca falhará para com um coração confiante. É muito melhor estar em um lugar onde sentimos nossa incapacidade e nossa fraqueza, do que recorrer aos conselhos do mundo. “Bem-aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios” (Sl 1:1).


Devemos sempre lembrar que a Palavra de Deus contém a sabedoria que vem do alto; nela é encontrada aquela palavra para o pai – “não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6:4). Também contém muitas lições práticas. Vemos exemplos de homens e mulheres de fé que criaram os filhos no temor de Deus, e advertências solenes na história daqueles que falharam nessa responsabilidade.


Abraão tinha, em seus dias, sua casa bem ordenada. Ele não somente andava por fé, mas ordenava “seus filhos e a sua casa depois dele [após ele – JND], e por isso ele recebeu especial elogio do Senhor. Foi por sua fidelidade nas suas responsabilidades familiares, que ele recebeu comunicações vindas da mente de Deus – “disse o SENHOR: Ocultarei Eu a Abraão o que faço... Porque Eu o tenho conhecido, que ele há de ordenar a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do SENHOR”, etc. (Gn 18:17-19). Dessa maneira, ele obteve o título “amigo de Deus” (Tg 2:23).


Anrão e Joquebede foram fiéis em seus dias, e todos seus três filhos – Moisés, Arão e Miriã – foram notavelmente devotados ao SENHOR. No dia em que Moisés nasceu, o povo escolhido estava em circunstâncias muito difíceis. Eles eram escravos, maltratados no Egito, e um decreto governamental condenava os meninos recém-nascidos à morte (Êx 1:22). Certamente um livro publicado pelos egípcios em como tratar com crianças não serviria para esses pais fiéis. Eles agiram em fé diante de Deus, e protegeram seu precioso filho o máximo que puderam. Esse é realmente um bom exemplo para os pais, pois eles não têm muitos dias ou anos para proteger sua “herança do Senhor” da influência maligna deste mundo perverso. Cada oportunidade deve ser aproveitada para proteger seus pequenos filhos de influências malignas.


Não podemos dar a nossos filhos fé para andar no caminho da fé, assim como não podemos lhes dar uma nova vida, mas educando-os na disciplina e instruções do Senhor, eles aprenderão o que é agradável ao Senhor. Moisés foi instruído de maneira tão completa no caminho e nos propósitos de Deus para com Israel, que quando sua mãe teve que devolvê-lo para à benfeitora real para ser ensinado nas escolas do Egito, ele foi capaz de caminhar por fé por si mesmo. Ele “foi instruído em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em suas palavras e obras” (At 7:22), mas lançou sua sorte com o desprezado povo de Deus – um grupo de escravos. “Ele deixou o Egito” (Hb 11:27), porque por fé, ele viu o final.


A palavra para educar as crianças na disciplina e instrução do Senhor é dada ao pai; ele é o responsável. A mãe, porém, exerce uma grande influência sobre os filhos, pois nos primeiros anos de vida a presença da mãe é mais constante com eles. É de extrema importância que o pai e a mãe estejam numa única mente diante do Senhor nessa questão. Nada além do mal pode acontecer quando o pai ou a mãe tende para um lado, enquanto o outro tende para o outro lado. Joquebede parece ter sido especialmente proeminente na educação de Moisés. É, também, digno de nota que na história dos reis de Judá e Israel, frequentemente, lemos: “Era o nome de sua mãe... (1 Rs 15:2; 1 Rs 14:31; 2 Rs 21:1, etc.). É como se o Espírito de Deus chamasse atenção para a parte que sua mãe teve no princípio de seus ensinamentos. Às vezes, o nome ou a nacionalidade da mãe, claramente indica o que se revelou na criança.


Timóteo foi instruído desde cedo nos caminhos do Senhor. Ele conhecia as Escrituras Sagradas desde sua infância, e a piedade de sua mãe, e de sua avó são mencionadas. Tais instruções são como um cuidadoso preparo para o fogo na fornalha; o papel e a madeira são meticulosamente colocados em ordem, para quando o momento apropriado chegar, tudo o que é necessário é uma chama. Um fósforo é tudo que é necessário para produzir um bom fogo depois que tudo é colocado em ordem na fornalha; então com a mente devidamente armazenada com o inestimável tesouro da Palavra de Deus, tudo o que é necessário é que o Espírito de Deus use a Palavra para implantar uma nova vida. Então, depois da criança ser salva, todas as riquezas armazenadas da Palavra a sustentam pela caminhada que está diante dela.


Pais Cristãos, tomem uma coragem renovada; confiem seus pequeninos ao Senhor, em fé, protejam a eles das influências malignas enquanto puderem, encham sua mente receptiva com a sabedoria vinda da Palavra de Deus, e instrua-os sobre a vaidade de tudo aqui e seu caráter transitório, enquanto você lembra a eles das glórias celestiais que aguardam todos aqueles que depositam sua confiança no Senhor Jesus.


Repetimos nosso aviso contra as muitas revistas e livros que estão à venda que se propõe a dar conselhos de sabedoria na maneira de educar a criança. Na maior parte esses livros são não somente um erro, mas são definitivamente prejudiciais. Eles têm sua origem nos ensinamentos infiéis do dia que diz que uma criança não tem uma natureza maligna, mas que é inerentemente boa, e somente o que a cerca é mau. Isso é a mais pura mentira, originada pelo “pai da mentira” (Jo 8:44).


De acordo com esse “conselho dos ímpios” (Sl 1:1), a criança só precisa de um pouco de instrução, e não de correção e disciplina. A maneira moderna é deixar que a criança se desenvolva naturalmente, e chamar toda sua maldade por outro nome. A criança deve seguir seus próprios instintos sem restrições. O nome menos ofensivo foi criado para isso – “autoexpressão” – mas chame como quiser, isso é uma das principais causas de toda a delinquência juvenil no mundo. Por meio disso, Satanás está preparando o alicerce para os dias de total rebeldia que estão por vir.


Pais Cristãos, não se deixam enganar pela chamada abordagem psicológica para educação da criança. É muito melhor usar a sabedoria que vêm do alto. Ela é encontrada naquele inestimável tesouro, a Palavra de Deus; e se os problemas surgirem para você, com os quais você não saiba lidar, você tem um Recurso constante onde a perfeita sabedoria pode ser obtida – o próprio Deus. “Se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus” (Tg 1:5).


Tenha certeza disso, Deus conhece melhor como as crianças devem ser educadas. Sua Palavra diz: “O que não faz uso da vara odeia seu filho, mas o que o ama, desde cedo o castiga” (Pv 13:24 – ACF). Desejaríamos ficar sem a correção de Deus? Desejaríamos ser deixados por nossa própria conta? Nós mesmos somos corrigidos às vezes, e por quê? “Porque o Senhor corrige a quem ama” (Hb 12:6 – ARA). Outro versículo diz: “Corrige a teu filho enquanto há esperança; mas não te incites a destruí-lo” (Pv 19:18 – AIBB).


A vara não deve ser usada com raiva, nem com brutalidade, mas no temor de Deus e no amor verdadeiro pela criança. Disciplina, no entanto, é uma responsabilidade solene que não pode ser negligenciada sem causar danos à criança, e consequentemente desonra ao Senhor. Qualquer maneira áspera e insensível na disciplina pode desencorajar as crianças; é para ser usada com o coração enternecido por eles, para o próprio bem deles.


Poderíamos aprender algumas lições importantes em disciplinar crianças por considerar como nosso Pai sábio e amoroso nos disciplina. Em Hebreus 12:10, lemos que nossos pais nos corrigiam segundo melhor lhes parecia, mas pode lhes ter faltado sabedoria; não é assim com nosso Pai, que nos disciplina “para o nosso proveito, a fim de sermos participantes da Sua santidade” (Hb 12:10 – TB). Assim, a disciplina deve ser conduzida de forma refletida e em oração pelo bem da criança, com um certo objetivo em vista – a glória de Deus. Precipitação e aspereza na disciplina devem ser diligentemente evitadas. A criança deve sentir que os pais não gostam de puni-la, e que é feito em amor visando uma educação adequada.


Lemos de um sábio pai, que quando ele estava caminhando com seu filho, notou uma árvore velha e torta. Ele parou, chamou a atenção de seu filho para a má formação da árvore, e falou para seu pequeno filho que ele tentasse endireitar aquela árvore. O filho tinha idade suficiente para saber que aquilo não poderia ser feito, e disse a seu pai que era muito tarde para se fazer isso. Aquilo deu ao pai a maravilhosa oportunidade para explicar, que também é necessário corrigir as crianças quando ainda são jovens, e era por essa razão que ele frequentemente o corrigia, pois ele não queria que ele crescesse torto como aquela árvore velha.


É verdade que as crianças devem obedecer seus pais sem questionamento, mas não é sábio para os pais que exerçam seu poder arbitrariamente sem nenhuma razão ou explicação. A criança rapidamente sente quando nossas ações são ponderadas e pensadas, ou talvez, até mesmo injustas. Os pais podem ter ocasião para proibir a criança de fazer alguma coisa, ou de ir a algum lugar; não seria mais efetivo que o temor a Deus seja trazido para a questão? Não seria melhor explicar pelas Escrituras o motivo de sua recusa?


Quando o Apóstolo Paulo escreveu para os crentes Tessalonicenses, ele disse: “Assim como sabeis de que modo tratávamos a cada um de vós, como um pai a seus filhos, exortando-vos e animando-os” (1 Ts 2:11 – TB). Paulo tinha um coração de pai pelos santos, e suas declarações enfatizavam a parte que os pais tinham que educar as crianças (os filhos). O modo paternal de Paulo com aqueles crentes era para exortá-los, ou para encorajá-los, trazendo a Palavra de Deus para direcionar a conduta deles; ele também os consolava, e como poderia fazer isso sem trazer “o Deus de toda consolação” (2 Co 1:3)? Como um Apóstolo, ele poderia ensiná-los e testificar como deveriam andar para a glória de Deus. Leia sua palavra para eles no Capítulo 4: “Finalmente, irmãos, vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus que, assim como recebestes de nós, de que maneira convém andar e agradar a Deus, assim andai, para que continueis a progredir cada vez mais” (1 Ts 4:1).


Se os pais lessem as epístolas de Paulo, eles aprenderiam como ele, como pai, admoestava e instruía os santos. Que Deus conceda aos pais jovens de hoje mais desse espírito ao disciplinar seus filhos.


Paulo também agiu no papel de uma amorosa mãe para com aqueles santos; ele disse a eles: “antes, fomos brandos entre vós, como a ama que cria seus filhos” (1 Ts 2:7). Quem pode ter o coração de uma mãe além de uma mãe? E ainda assim, Paulo, em sua medida, tinha tal coração por aqueles queridos Cristãos. Oh! Que gentileza e bondade com as quais ele agia para com eles! Ele poderia ter agido de forma arbitrária como um apóstolo de Cristo, e ter ordenado o que deveria ser feito, mas leia como ele escreveu a Filemom; ele não exigiu, mas escreveu de tal maneira que somente um coração vil e frio poderia resistir aos seus apelos.


Quais pais que criaram filhos não reconhecerão que falharam no cumprimento de seu dever dado por Deus? E não confessaremos todos que nossa falha tem sido em grande medida devido à falta de atenção a esses princípios divinos que encontramos nas Santas Escrituras? Portanto, é importante que jovens pais e mães busquem na Palavra por essa sabedoria que vem do alto, para que estejam aptos a proteger seus queridos filhos das terríveis influências espalhadas pelo mundo. O curso do mundo está se tornando cada vez mais corrupto; as características marcantes da Terra antediluviana e de Sodoma estão voltando rapidamente, como o próprio Senhor disse que aconteceria (veja Lucas 17:26-30).


Possa Deus despertar no coração de Seu povo para a percepção da gravidade do tempo em que vivemos, e dos perigos que cercam nossos filhos.



"Contemple o rio largo e veloz!

Brilhante, parece ser tão atroz,

Mas em suas profundezas sem igual,

Certamente fluem correntes venenosas de mal.

Pais Cristãos parem para pensar

À beira daquele rio traiçoeiro,

Antes de lançar seu pequeno barco

Naquelas águas profundas e sombrias,


O caminho de Jesus, que é seu aqui.

Busquem-no para seus queridos filhos.

Embora vocês não possam transmitir a vida,

Nem encurvar um coração teimoso.

Não ajudem a tecer uma corrente,

Que vocês ficariam felizes em quebrá-la novamente.

Aquele que por vocês deu Sua vida,

Não supriria suas necessidades, na medida?


Aquele que lhes tem dado filhos

Ele pode abençoar a Terra e o céu.

Busque, então, primeiro Sua santa vontade,

Busque Seu prazer cumprir,

Constantemente em fé e oração,

Para que essa bênção seus filhos possam usufruir.


E quando pelo poder do Espírito,

Chegar a hora tão esperada,

Quando os lábios que tanto amas,

Da graça do Salvador proclamarem,

Que não tenham motivo algum para dizer

Que desviaste seus pés do caminho certo.

Antes, desde a mais tenra juventude,

Ensinados e nutridos na verdade,

Que a luz deles brilhe sem impedimento,

Para o louvor da graça divina.

 

Dando o Exemplo Capítulo 22


Não é preciso que as crianças cheguem a uma idade avançada, para estarem aptas a discernir a verdadeira sinceridade, ou a falta dela nos adultos. Elas talvez não sejam capaz de expressar suas reações; mas, apesar disso, são influenciadas por aquilo que observam. Por isso, é muito importante que os pais considerem que seus queridos filhos estão observando eles e o seu caminhar – não que os pais devam agir diante deles de forma diferente do que realmente são, mas devem ter muito cuidado para não haver recaídas na consistência de seu andar, pois aqueles atentos e pequenos olhos e ouvidos absorvem muita coisa. Eles discernirão se a profissão Cristã de seus pais é ou não é do tipo prática que governa toda sua maneira de viver. O futuro dos filhos pode depender mais ou menos daquilo que seus pais fazem, do que daquilo que eles aconselham. Isso não é dito para anular a importância de instruí-los nos “caminhos retos… do Senhor” (Sl 119:1), mas para enfatizar a importância de viver na prática diante deles o que lhes é ensinado.


Qual seria o valor de instruir as crianças, de que “os olhos do Senhor estão em todo o lugar, contemplando os maus e os bons” (Pv 15:3), e de que Ele os vê quando eles enganam os seus companheiros de trabalho, se eles vissem os seus pais se aproveitando do vizinho ou do dono da mercearia? Dessa forma, seria inútil dizer às crianças que Deus ouve as mentiras, se eles veem em seus pais a prática do engano – não que o fracasso dos pais seja realmente uma desculpa aceitável diante de Deus para que os filhos pequem.


O apóstolo Paulo foi o instrumento usado por Deus para a salvação de muitos dos primeiros Cristãos, a quem ele escreveu. Ele disse aos Coríntios: “Pelo evangelho, vos gerei em Cristo Jesus” (1 Co 4:15 – ARA); eles eram os seus filhos na fé, e como seus filhos amados ele os admoestou (v. 14), mas enviou-lhes Timóteo, para lembrá-los dos caminhos de Paulo em Cristo (v. 17). Era um pai amoroso ensinando seus filhos, pela voz da palavra de sua boca, e mostrando a eles pelo exemplo como deveriam andar.


Timóteo era também filho de Paulo na fé, por isso Paulo tinha um cuidadoso zelo pelo bem estar espiritual de Timóteo. Paulo escreveu livre e intimamente para ele, e falava afetuosamente dele aos outros. Ele deu a Timóteo palavras de “edificação, exortação e consolação” (1 Co 14:3), mas não estava contente em parar por aí; ele escreveu para ele: “Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, caridade (ou amor), paciência” (2 Tm 3:10).


A doutrina de Paulo era importante na época, e ainda é hoje; é toda a verdade distintiva do Cristianismo, mas Paulo lembrou seu amado filho e colaborador de seu modo de viver – era de veracidade, retidão e integridade. Seu propósito era igualmente impressionante, pois era para passar por esse mundo para glória de Deus, e para alcançar o Cristo que havia cativado todo o seu ser. Ele tinha aquela fé diária em Deus que confiava n'Ele em toda e qualquer circunstância. Vemos muitos exemplos de sua longanimidade em Atos e em suas Epístolas, e ele amava os queridos Coríntios, entretanto, quanto mais os amava, menos eles amavam Paulo. Quanto à paciência, ele podia dizer: “Os sinais de um apóstolo foram, de fato, operados entre vós com toda a paciência” (2 Co 12:12 – TB). Até mesmo sua autoridade apostólica nunca teve permissão para interferir no seu exercício de paciência, mas, ao contrário, era demonstrada por meio da paciência.


Que os pais Cristãos considerem seus caminhos, e que esses possam ser formados mais pelos padrões dos caminhos de Paulo diante de seus filhos na fé. Os pais ocupam uma posição relativamente semelhante, pois devem agir como guias espirituais, morais e físicos para seus filhos.


Não há lugar onde devemos ter mais cuidado, para não satisfazer à carne, nem permitir recaídas na conduta Cristã, do que no lar. Alguém disse: “Se quiser me conhecer, venha morar comigo”. É no círculo familiar onde a nossa real condição está mais propensa a ser vista. Oh, que os jovens pais possam perceber a grande importância de viver como verdadeiros Cristãos diante de seus filhos! É de grande importância como as pequenas coisas da vida são feitas. E se andamos conscientemente diante de Deus o tempo todo, não fará diferença onde estamos, em casa ou fora dela, com nossos irmãos em Cristo ou entre incrédulos no trabalho.

 

A Atmosfera do Lar Capítulo 23


A influência que permeia um lar é com frequência chamada de atmosfera. Quando entramos em um lar, imediatamente percebemos se há o calor da cordialidade e da amizade; ou somente a frieza da formalidade. Da mesma forma, a vida prática e o gozo de nosso Cristianismo serão sentidos por todos os que entram em nosso lar.


No reino da natureza, os egípcios tinham trevas na casa deles enquanto a praga das trevas cobria a terra, mas por intervenção divina os filhos de Israel tinham “luz em suas habitações”. O mesmo é verdade hoje em um sentido moral e espiritual. Temos a luz de Deus, e onde Ele mesmo é desfrutado, “os que entram” veem “a luz” (Lc 11:33).


Quando os israelitas obedeciam à Palavra de Deus, havia uma influência constante da Palavra de Deus no lar de cada um deles. Eles foram instruídos: “E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimarás [ensinarás diligentemente – KJV] a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por testeiras entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas” (Dt 6:6-9).


Se alguém entrasse em um lar onde tudo isso tivesse sido seguido, ele teria dito: “Bem-aventurado é o povo cujo Deus é o Senhor” (Sl 144:15). Os ocupantes de tal lar estariam vivendo e respirando uma atmosfera de temor e de honra a Deus, e as crianças criadas em tal ambiente teriam sido realmente abençoadas.


Nosso lar muitas vezes conta uma triste história de uma tentativa de misturar as coisas de Deus e as coisas do mundo. Falamos juntos das coisas do Senhor como aqueles que encontraram “grande despojo”? Aqueles que encontram “grande despojo” são como aqueles que de repente herdam grandes riquezas e entram na posse de mansões e outras propriedades. Tais pessoas provavelmente falariam juntas de sua riqueza e tesouro recém-encontrados quando assentassem em sua casa, quando passassem pelo caminho, quando se deitassem e quando se levantassem. O salmista regozijou-se na Palavra de Deus da mesma maneira – “como aquele que acha grande despojo”.


Quão rapidamente um sopro dos entretenimentos do mundo fará com que a atmosfera piedosa desapareça! Será que poderíamos desfrutar e falar juntos sobre o Senhor e Suas coisas, ao mesmo tempo em que ouvimos o entretenimento do mundo entrando em nosso lar por meio do rádio? (N. do T.: O autor viveu entre 1899-1966) Se estivéssemos desfrutando das coisas de Deus, os primeiros sons do mundo de Caim teriam o mesmo efeito que uma rajada gelada do sul teria sobre uma planta tropical. E a mais recente obra-prima do diabo, com a qual ele busca remover o último vestígio de uma atmosfera piedosa do lar Cristão, é a televisão. As paredes e portas do nosso lar são para nos manter isolados do mundo lá fora, para que possamos calmamente desfrutar em paz do nosso tesouro escondido, mas Satanás encontrou uma maneira de atravessar as melhores paredes e portas, sim, até mesmo as trancadas, e introduzir o mundo por meio da televisão. Caro leitor Cristão, imploramos, Não permita que isso invada sua casa. Assim como Timóteo foi exortado, “Conserva-te a ti mesmo puro” (1 Tm 5:22), permita-nos parafrasear isso e dizer: “Conserva teu lar puro”. A televisão irá contaminá-lo, sem dúvida alguma.


Outra coisa... Vamos manter a atmosfera do lar de tal forma que os filhos encontrem o lugar onde são sempre bem-vindos e desejados. Do lado de fora, encontrarão o mundo disputando o coração, as mãos e os pés deles, mas o calor e o amor dos pais Cristãos e de um lar Cristão compensarão grandemente suas influências nocivas. O lar deve ser tão atraente para eles que vão querer estar lá. Deve ser para eles o lugar onde podem vir com todos os seus problemas e todas suas alegrias e encontrar um ouvido pronto a escutá-los. Pais que estão ocupados demais para serem companheiros de seus filhos privam-se de um grande privilégio, e podem involuntariamente conduzir os filhos a procurarem fora por aquilo que deveriam ter encontrado no lar – amor e entendimento.


Nestes dias de correria e luta, os pais tendem a relegar seus filhos a um segundo plano. O trabalho de ganhar a vida ou de ter o lar em perfeitas condições pode ser mais importante do que o interesse amoroso e atento pelos filhos. Às vezes, os pais estabelecem altos padrões no estilo e mobiliário da casa que os filhos dificilmente podem viver lá. Os filhos devem aprender a ter cuidado com as coisas no lar, pois é ali que aprendem a comportar-se, mas ele deve ser o lar deles, lugar a que pertencem e onde gostam de estar. Nada jamais compensará a perda da confiança que os filhos depositam nos pais, ou a perda da sensação de “estar em casa” no lar. A percepção deles de estar sendo amados e cuidados resultará em um afeto recíproco, cujo valor é incalculável.


Os filhos em fase de crescimento têm energias que precisam ser dirigidas de maneira correta; portanto, precisam de interesses e ocupações que sejam saudáveis e instrutivos. Quando estes são centrados no lar ou compartilhados com a família, eles tendem a forjar um elo que resistirá ao poder de atração do mundo. Uma mera abordagem negativa dos grandes problemas não será suficiente; não se pode dizer: “Você não pode fazer isso e não pode fazer aquilo”, sem dar uma explicação que os instrua no que é agradável ao Senhor ou oferecer algo que eles possam fazer corretamente. Gostaríamos de salientar a necessidade de criar uma atmosfera familiar calorosa, de interesse e amor, por um lado, e de temor de Deus, por outro. Mas, para tudo isso, os pais devem ter muita dependência do Senhor nessas questões.

 

Levando as Crianças às Reuniões Capítulo 24


A pergunta algumas vezes feita é: “Quando devemos começar a levar nossos filhos às reuniões?” Nossa resposta é: “Comecem imediatamente”. É bom que os filhos de pais Cristãos nunca saibam quando começaram a ir às reuniões onde o Senhor Jesus é lembrado em Sua morte, ou onde Ele é bem falado.


As crianças devem ser criadas esperando ir às reuniões; elas devem ver seus pais fiéis em seu comparecimento. Se os pais descuidadamente negligenciarem “a nossa congregação” (Hb 10:25), então eles podem esperar que as crianças considerem que isso tem pouca importância. Nos dias do rei Josafá, lemos: “Todo o Judá estava em pé diante do SENHOR, como também as suas crianças, as suas mulheres e os seus filhos” (2 Cr 20:13).


É realmente uma bela visão quando o pai, a mãe, os filhos em crescimento, e até mesmo o bebê nos braços são vistos indo juntos para a reunião do evangelho, ou para o lugar “onde julgávamos haver um lugar de oração” (At 16:13 – TB), ou para outras reuniões. Reconhecemos que há momentos de limitações na saúde e na força tanto dos pais quanto das crianças, mas estamos falando de uma regra geral e do que é desejável.


Algumas crianças aprendem muito facilmente que devem ficar quietas durante as reuniões, enquanto outras aprendem com grande dificuldade, e isso causa considerável dificuldade para os pais. Sabemos de alguns pais que se ajoelhavam juntos e buscavam a ajuda especial do Senhor toda vez antes de saírem para a reunião. É preciso sabedoria e paciência para perseverar até que as crianças aprendam a se comportar nessas ocasiões. Também pode exigir paciência e entendimento por parte dos outros enquanto os pais procuram educar os filhos. Normalmente, é apenas por um curto período de tempo para cada criança, então os pais devem ter coragem e levar os filhos para as reuniões, buscando a ajuda do Senhor para lidar com o problema de mantê-los quietos. Se, em alguma ocasião, uma criança causar muita perturbação, ela deve ser retirada da reunião, mas os pais não devem desistir.


Algumas mães reservam um tempo todos os dias para cantar e ler com seus filhos, enquanto os pequenos têm que ficar sentados e quietos. Outras se certificam de que haja um momento durante a leitura em família para que as crianças aprendam a disciplina de ficar quietas em uma reunião. Claro, precisa-se discernimento para não exagerar no tempo em que devem permanecer quietas. É importante que aprendam em casa como devem se comportar em uma reunião. Em tudo isso, às vezes, há uma disciplina considerável para os pais em seguir tal programa.


Que nenhum pai Cristão seja influenciado ao ouvir um incrédulo dizer que ele não irá a uma reunião porque foi forçado a ir quando criança. Na maioria das vezes, isso é apenas uma desculpa para sua recusa em ouvir o evangelho da graça de Deus agora, e uma desculpa muito esfarrapada. Mesmo que os pais de tal pessoa tenham agido sem sabedoria no modo como lidaram com sua relutância (se é que foi o caso), isso não é motivo para que pais Cristãos negligenciem seu dever e privilégio dado por Deus de levar seus filhos às reuniões.


Conforme as crianças crescem, elas devem ser ensinadas a ouvir o que é dito nas reuniões, e não ser encorajadas à desatenção ao terem outras coisas para ocupá-las. É lamentável quando crianças com idade suficiente para entender o que está sendo dito, ou pelo menos uma parte disso, recebem livros de desenho, e outros objetos semelhantes para distraí-las. Às vezes, crianças que deveriam estar bebendo uma solene mensagem do evangelho, e levando-a ao coração, estão presentes apenas fisicamente, enquanto sua mente está focada em algo que trouxeram consigo.


Alguns se desculpam por ocupar seus filhos com livros de desenho, figuras, e outras coisas, dizendo: “Eles não conseguem entender ou assimilar o que é dito”; mas é surpreendente o que eles conseguem entender e assimilar. Já vimos e ouvimos casos em que eles compreenderam o que foi dito de maneira impressionante, e tememos que os pais que permitem que seus filhos mais velhos tragam objetos alheios ao propósito da reunião estejam causando a eles um dano inegável.


Todos precisamos lembrar que “Deus deve ser em extremo tremendo na assembleia dos santos e grandemente reverenciado por todos os que O cercam” (Sl 89:7).

 

Outros Problemas Capítulo 25


Filhos em crescimento apresentam muitos problemas aos pais Cristãos exercitados que procuram criá-los na doutrina e admoestação do Senhor. A educação pública obrigatória cria alguns deles, e intensifica outros, pois as escolas e os professores são apenas um reflexo de um mundo que está amadurecendo rapidamente para o julgamento. Todo o sistema de educação é voltado para o mundo – o mundo que jaz no maligno.


É evidente que os pais não podem sair do mundo com seus filhos, então terão que enfrentar as circunstâncias como são, mas Deus é capaz de ajudá-los, e de mostrar a eles como enfrentar as exigências do caminho. Uma coisa que ajudará os pais nesses problemas é ter o entendimento das influências básicas que estarão em ação nas escolas; então, podem buscar, com a ajuda do Senhor, proteger seus queridos filhos contra os ataques do inimigo.


A infidelidade e a falta de confiança em Deus e em Sua Palavra são muito predominantes. Desde as instituições de ensino superior (onde é mais forte) até as escolas primárias, as crianças estão propensas a terem o veneno da infidelidade traiçoeiramente sugerido, ou descaradamente ensinado a elas. O primeiro passo para enfrentar esse perigo é orar muito a Deus para que seus preciosos filhos possam ser preservados de serem influenciados por isso. Então, as crianças devem aprender a respeitar a Palavra de Deus como é na verdade – A PALAVRA DE DEUS – e enquanto devem respeitar seus professores, devem aprender que tudo o que é contrário à Palavra de Deus é errado. Há um versículo em Isaías que as crianças devem aprender: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” (Is 8:20 – ACF).


Os professores podem falar com precisão sobre problemas de matemática, ou sobre muitos assuntos, mas se falam contrário à Palavra de Deus, não têm luz neles – nem mesmo um pouco. Aqueles que negam a Deus, ou questionam a Bíblia como Sua Palavra para nós, ou ensinam qualquer coisa contrária à Sua revelação da criação, estão em trevas. Não há tal coisa como o homem pré-histórico, pois Adão foi o primeiro homem e temos sua história. Nem o encontro de “evidências” do que eles chamam de “homem primitivo” seja uma prova de que o homem estava se evoluindo, mas sim uma prova de que o homem caiu da condição em que foi primeiramente colocado por Deus. O “homem das cavernas” não é prova de evolução, mas de retrocesso – não é o homem ascendendo de uma ordem inferior, mas o homem caindo sob o poder do inimigo, e afastando-se de Deus.


Uma criança enraizada e fundamentada na verdade de Deus, como revelada em Sua Palavra, não será facilmente movida pela infidelidade ensinada na sala de aula. Mas os pais têm a grande responsabilidade de fortalecer seus filhos contra as mentiras do inimigo.


Outro grave perigo que atinge os filhos dos Cristãos é a imoralidade; é predominante em um grau alarmante nas escolas, escolas secundárias e faculdades do país. As chamadas nações Cristãs estão percorrendo rapidamente a mesma estrada outrora trilhada pelo antigo Império Romano, onde a virtude era praticamente inexistente. O padrão de moralidade do mundo mudou muito na última década ou duas. Um servo do Senhor disse certa vez: “O mundo é governado por duas coisas – suas concupiscências e a opinião popular”. À medida que a opinião popular declina e as coisas antes evitadas com desgosto e repulsa são agora comumente aceitas, o homem tem apenas suas concupiscências perversas para guiá-lo.


Podemos muito bem tremer ao ver crianças puras e simples lançadas em tais contatos malignos nas escolas, mas aqui, novamente, o ensino que recebem em casa e nas reuniões deve fortalecê-las contra a conduta imoral e indecente. Nenhum bom propósito será alcançado ao ignorarmos os fatos; é melhor encará-los. As crianças Cristãs precisam ser ensinadas que seus corpos são para o Senhor, e o que é adequado. Com uma curiosidade natural, é provável que aprendam com seus colegas de escola coisas que são impuras; por isso, é importante que os pais preparem seus preciosos filhos para resistir às más influências.


Satanás, o deus deste mundo, tem estado preparando a era moderna para um retorno aos moldes dos atos degradantes de Sodoma e Gomorra. A modéstia não é ensinada às crianças, mas toda a tendência no vestuário e no comportamento é em direção à frouxidão e à quebra do decoro. Não que defendamos o puritanismo, mas os pais Cristãos devem ter o cuidado de instruir seus filhos sobre como devem se comportar com respeito à modéstia e discrição. O mundo nunca foi capaz de estabelecer um padrão para o filho de Deus.


O terceiro grande perigo do atual sistema educacional é sua política de ensinar nossos filhos a serem grandes no mundo. Em todos os aspectos, isso se opõe ao chamado celestial e ao caráter do Cristão. As crianças são ensinadas a escalar e se destacar socialmente, economicamente, e em todo tipo de empreendimento. O que devemos almejar é passar pelo mundo com a menor contaminação possível, olhando para Jesus como Aquele que correu toda a carreira da fé e está assentado à destra de Deus (Hb 12:2). Devemos ter uma certa quantidade de educação do mundo, e algumas ocupações podem exigir treinamento especializado além da exigência legal, mas para o Cristão, sua educação, em qualquer quantidade necessária que seja, deve estar de acordo ao seu viver para glorificar a Deus enquanto transita por um mundo perverso. Nunca deve ser usado como um trampolim para se tornar grande neste mundo onde nosso Senhor foi expulso. É quase uma traição a Ele buscar ser grande na casa de Seus inimigos. É salutar lembrar que quanto mais alto subimos neste mundo, mais nos aproximamos de sua cabeça, seu deus e príncipe. É mais fácil seguir com Deus de maneira modesta, tranquila, e despretensiosa, do que quando se ocupa um lugar de importância neste mundo. Quando o Senhor foi expulso do mundo, Sua partida não causou nenhuma agitação em seu curso. Que os Cristãos andem como Ele andou.


(Quando consideramos a necessidade de proteger nossos filhos contra uma filosofia mundana que vai ensiná-los serem grandes no mundo que odeia nosso Senhor, é bom acrescentar algumas palavras com relação à necessidade de aconselhá-los e ajudá-los em escolher uma ocupação apropriada para a vida. Isso não deve ser feito sem muita oração por sabedoria e orientação divina. Os pais devem ser capazes, por experiência e observação, de ajudar indicando o caminho correto para eles. Há algumas ocupações que não podem ser empreendidas por um Cristão sem uma séria perda espiritual; um filho ou filha deve ser alertado contra isso. Depois, há outras que podem ser satisfatórias em si mesmas, que não se adequariam ao seu temperamento ou capacidade. Seria tolice tentar que um jovem que não tem aptidão para lidar com números, fazer dele um contador, ou tornar em um homem de negócios um filho que simplesmente não tem nenhuma habilidade para negociar. Algumas pessoas podem trabalhar bem com suas mãos que poderiam não ter sucesso em mais nada; e não há nenhuma desonra conectada com trabalho manual honesto. Algumas pessoas, tem tido muitas dificuldades ao longo da vida pela razão de tentar fazer algo para o qual não foi preparada. É bom quando alguém pode ter um meio de ganhar a vida de forma que “permaneça diante de Deus” (1 Co 7:24 – ARA). E o que quer que seja – negócio, profissão, ou trabalho manual – que possa ser somente um meio de ganhar a vida enquanto passamos por esse mundo; nossa principal preocupação deve ser fazer tudo para a glória de Deus).


Há um traiçoeiro princípio que frequentemente opera no coração dos pais Cristãos; que é buscar grandes coisas para seus filhos. Muitas vezes, os pais estão satisfeitos em passar pelo mundo com pouco para si mesmos, mas se esforçam para ajudar seus filhos a alcançarem grandes alturas. O profeta Jeremias recebeu instruções para falar assim a Baruque: “Buscas tu para ti mesmo coisas grandes? Não as busques” (Jr 45:5 – TB). Poderíamos nós perguntar com um espírito semelhante: “Buscas tu coisas grandes para teus filhos? Não as busques”, mas, em vez disso, busquemos que eles possam percorrer este mundo com piedade e contentamento, honrando a Deus e glorificando a Cristo. Um querido pai Cristão que ajudou seus filhos a alcançar grandes posições, mais tarde viu, para sua tristeza, que isso foi feito com grande perda espiritual e dano para eles, e foi ouvido lamentando por seu filho: “Eu preferiria que ele estivesse varrendo as ruas da cidade”.


Ló pode ter desejado para seus filhos as vantagens que Sodoma oferecia, mas isso foi para a ruína deles. Quantos pais levaram seus filhos para o mundo, e, em seguida, quando perceberam o que havia acontecido (pois tais passos, frequentemente, são quase imperceptíveis no início), procuraram tirá-los, mas descobriram que era impossível. Ló levou sua família para Sodoma, e perdeu alguns de seus filhos lá, e aqueles que foram “salvoscomo que pelo fogo” (1 Co 3:15 – AIBB), foram uma vergonha e um desgosto para ele. Ah, que os pais Cristãos possam perceber o perigo do mundo para seus filhos, e tomem todo o cuidado para mantê-los afastados dele, e instruí-los sobre como deveriam viver nele!


Outro teste, frequentemente, encontrado em tempos de escola é o de decidir entre associar-se a organizações onde crentes e incrédulos estão ligados por um propósito comum, ou obedecer a determinação do Senhor: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos” (2 Co 6:14 – ARA). Este aviso é abrangente, e engloba todas as esferas da vida. Pressão é, frequentemente, aplicada às crianças nas escolas para que se associem a alguma organização, e então seus pais são impelidos a permitir que façam isso. Citamos aqui as palavras de um servo do Senhor a um jovem Cristão. Ele disse a ele: “Vou lhe dar alguns conselhos que, se seguidos, irão preservá-lo de muitos problemas – NUNCA SE ASSOCIE A NADA”. Este é um conselho saudável.


O mundo diz: “A união faz a força”, e é por meio de organizações que o mundo funciona, mas o Cristão que obedece à Palavra de Deus evitará toda e qualquer associação com incrédulos para qualquer propósito, mesmo para objetivos louváveis como filantropia e religião. A fidelidade nesta separação pode custar algo, mas Aquele que te chama para sair e ser separado também diz: “Eu vos receberei; e Eu serei para vos Pai… diz o Senhor Todo-Poderoso” (2 Co 6:16-17). Em outras palavras, Aquele que diz: “apartai-vos” (2 Co 6:17), promete: Farei a parte de um pai e cuidarei de vocês; e lembrem-se, Sou capaz de fazer isso porque Eu Sou Todo-Poderoso. E “é melhor confiar no SENHOR do que confiar no homem” (Sl 118:8). É melhor ter a aprovação do Senhor do que a ajuda e o favor do mundo.


Nos dias de Josué, os israelitas corriam o perigo de servir aos ídolos dos pagãos, assim como hoje os Cristãos são tentados a servir ao mundo e seus objetivos, mas Josué resumiu o assunto em poucas palavras, e colocou-o claramente diante deles. Ele colocou Jeová, o Deus de Israel, de um lado, e todos os ídolos do outro, e disse-lhes: “Escolhei hoje a quem sirvais” (Js 24:15). Eles iam servir a um ou a outro. O próprio Senhor disse: “Nenhum servo pode servir a dois senhores… Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Lc 16:13). Que haja mais, como Josué, que possam falar por si mesmos e por sua família: “Porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR” (Js 24:15). Que o Senhor conceda a todos nós, esse propósito de coração, por um lado, e um grande senso de nossa própria fraqueza, por outro, para que lancemos a nós mesmos e nossa família a Ele por Sua ajuda para assim “andar e agradar a Deus” (1 Ts 4:1).


O percurso de uma geração inteira foi acompanhado nos capítulos anteriores, começando com os jovens dando os primeiros passos que podem levar ao casamento, até os filhos chegarem à idade em que farão a mesma coisa. Procurei apresentar os princípios das Escrituras que deveriam nos guiar nos vários problemas e exigências do caminho da peregrinação, e (apesar de sentir que isso foi feito de maneira imperfeita) apresento isso agora ao leitor com o desejo sincero de que possa ser lido com proveito. Usei o pronome nós para expressar conclusões, observações, e apelos, pois os julgamentos expressos não são de modo algum apenas os do escritor; eles representam o julgamento de muitos homens piedosos, tanto contemporâneos quanto de anos passados, e são endossados pelos editores.


Que o Senhor abençoe este pequeno tratado para muitos queridos jovens Cristãos, para que no fim eles possam estar estabelecidos e fortificados para o caminho através desse mundo maligno, e que tudo possa redundar em louvor e glória a Ele que deu a Si mesmo por nós.


“Permanecendo no amor celestial,

Nenhuma mudança meu coração temerá,

E seguro em tal confiança,

Pois nada muda aqui.

A tempestade pode rugir ao meu redor,

Meu coração pode estar abatido,

Mas Deus está ao meu lado,

Posso eu ficar desanimado?


Onde quer que Ele me guie,

Nenhuma necessidade me fará retroceder;

Meu Pastor está ao meu lado,

E nada me faltará.

Sua sabedoria está sempre desperta,

Sua visão nunca é turva;

Ele sabe o caminho que toma,

E eu andarei com Ele.


“Pastos verdejantes estão diante de mim,

Que ainda não vi,

Céus brilhantes logo estarão sobre mim,

Onde as nuvens escuras estiveram.

Minha esperança não posso medir,

Meu caminho para a vida é livre,

Meu Salvador tem meu tesouro,

E Ele caminhará comigo.


Antes de mais uma manhã surgir,

Meu espírito pode estar livre,

Ausente do corpo,

Em casa, ó Senhor, contigo.

Ó sono, ó descanso, quão preciosos!

Enquanto, guardado pelo Teu cuidado,

Aguardo a Tua promessa

De encontrar-Te no ar.


O próprio Senhor, Jesus,

Em meio à multidão resgatada,

Sua glória, alegria e beleza,

Seu cântico sem fim.

Ó dia de promessa maravilhosa!

O Noivo e a noiva

São vistos em eterna glória:

Satisfeitos para sempre."


Paul Wilson

 


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