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As Mãos (Abril de 2023)



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Revista mensal publicada pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


C. Stanley (adaptado)

Young Christian, vol. 2

Christian Truth, vol. 31

W. J. Prost

W. J. Prost

H. H. Snell

G. Morrish, Dicionário Bíblico Conciso

P. Wilson (adaptado e atualizado)

Bible Herald, 1880 (adaptado)

Christian Friend, vol. 6

J. D. Smith

 


 

As Mãos


"Vede as Minhas mãos e os Meus pés"


Agora olhe para eles! O que você acha daquelas feridas no corpo ressuscitado de Jesus? Não falam eles de paz ao vosso coração e consciência? “O sangue de Jesus Cristo Seu Filho nos purifica de todo o pecado” (1 Jo 1:7). Ah! Sim, meu companheiro de fé, Jesus sente intensamente cada pensamento duvidoso que surge em nosso coração.


Bendito Jesus! Tua obra está consumada; nisso descansa a nossa alma. Nossos pecados foram colocados sobre Ti; eles não podem ser colocados sobre nós. Por nossa causa, a ira estava sobre Ti; por Tua causa isso é paz, paz sem fim, para nós. Ouça as palavras de Jesus: “Ide em paz”, e não duvide mais. Ele não diz: “Olhe para seus pecados ou suas falhas”. Podemos olhar para isso em desespero. Mas Ele diz: “Vede as Minhas mãos e os Meus pés” como se Ele tivesse dito: “Não é o suficiente? Eu poderia te amar mais?”


A fé é sempre uma renúncia a si mesmo; ela traz um coração quebrantado e esvaziado para receber e acolher os dons graciosos de Deus. A fé, portanto, dá toda a glória a Deus. Crendo em Cristo, chegamos a Ele por tudo, O empregamos em tudo, confiamos n’Ele por meio de tudo, olhamos para Ele por trás de tudo, esperamos n’Ele para fazer tudo e a Ele atribuímos a glória de tudo.


C. Stanley (adaptado)

 

A Poderosa Mão de Deus


Você já pensou nesta expressão, “a poderosa mão de Deus”, ou dedicou um tempo para considerar seu significado?


Criação

Vejamos duas ou três Escrituras que nos dizem algo do que essa mão poderosa fez. No Salmo 102:25, encontramos estas palavras: “Desde a antiguidade fundaste a Terra; e os céus são obra das Tuas mãos”. Que obra maravilhosa! E certamente a obra de uma mão poderosa! Novamente no Salmo 19:1: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos”. E mais uma vez: “O céu é o Meu trono, e a Terra, o escabelo [estrado – ARA] dos Meus pésPorque a Minha mão fez todas estas coisas… diz o Senhor” (Is 66:1-2). Certamente, quando olhamos ao nosso redor para todas as maravilhas dos céus, o Sol, a Lua, as incontáveis estrelas — cada uma delas um mundo em si mesma — e depois para todas as maravilhas da Terra – em seus reinos animal, vegetal e mineral – estamos prontos para exclamar: “A mão que fez tudo isso, realmente, deve ser poderosa”.


Mas será que essa mão poderosa somente criou todas essas coisas maravilhosas e depois as deixou? Ah, não! Ele sustenta e cuida das obras de Suas mãos, como lemos no Salmo 145:16: “Abres a mão e satisfazes os desejos de todos os viventes”. Nenhuma criatura, por mais insignificante ou desprezada que seja, é esquecida por Ele, e Se esqueceria Ele do mais novo e o mais fraco de Seus filhos?


Redenção

O quanto mais essa mão tem feito por nós do que por qualquer outra criatura; volte-se mais uma vez para a Escritura e leia em Zacarias 13:6: “E, se alguém Lhe disser: Que feridas são essas nas Tuas mãos?”. Poderíamos responder a essa pergunta dizendo: “Ele foi ferido por nossas transgressões”? Como isso supera todos os nossos pensamentos – Aquele Poderoso, o Criador do céu e da Terra, humilhando-Se, tornando-Se obediente até a morte, permitindo que uma das criaturas que Sua mão havia feito O ferisse, pregando-O numa cruz, e tudo para que Ele suportasse o castigo pelo pecado delas; sim, do nosso pecado.


Ressurreição

E em ressurreição, ainda O vemos sendo o mesmo Salvador amoroso e terno, dizendo a Tomé: “Põe aqui o teu dedo e vê as Minhas mãos” (Jo 20:27). Mais uma vez, essas mãos tomaram pão e peixe e os deram aos discípulos cansados, depois da noite de trabalho infrutífero no mar. Finalmente, a última visão que tiveram d’Ele foi com as mãos levantadas para abençoá-los, quando, “Se apartou deles e foi elevado ao céu” (Lc 24:51). E essa mão poderosa ainda está trabalhando por nós? Sim, está nos segurando dia e noite, e temos a própria Palavra de nosso Senhor de que “ninguém as arrebatará das Minhas mãos” (Jo 10:28). E quem é que Ele está segurando com tanta segurança e tanta certeza em Sua poderosa mão? Suas ovelhas – aquelas que ouviram Sua voz e vieram a Ele para salvação e proteção.


Humildade e dependência

Antes de encerrar esta meditação, vamos olhar para mais um versículo. Em 1 Pedro 5:6 encontramos: “Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus”. Não nos humilha pensar no Seu poder, e não nos humilha pensar no Seu amor? Mas qual é o próximo versículo? “Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós”. Você já se importou com uma criança indefesa, ou mesmo um passarinho, ou um cachorrinho ou um gatinho? Então você tem uma vaga ideia do que significa ter cuidado de outro. Não significa amar à distância; não, mas significa atos diários, de hora em hora, quase constantes, de amor atencioso.


Certa vez um amigo perguntou: “Você não se esquece muitas vezes do seu bebê, enquanto cuida dele?”, e a jovem mãe respondeu com surpresa: “Não! Ele está sempre em minha mente”. E se é assim que cuidamos do que amamos, o cuidado de nosso Senhor por Seus amados não é muito melhor? Poderíamos confiar com segurança n’Ele tudo aquilo que nos perturba ou aflige, sabendo que a mão que cuida de nós é “poderosa”?


Young Christian, vol. 2

 

Sua Mão Direita – O Homem Dependente


Devoção

O Salmo 16 nos fala da vida de um homem perfeitamente dependente, e isso foi revelado mais plenamente na vida do Senhor Jesus. Sua vida de dependência foi caracterizada tanto pela devoção quanto pela confiança. O Salmo 16:8 nos mostra devoção: “Tenho posto o SENHOR continuamente diante de mim; por isso que Ele está à minha mão direita, nunca vacilarei”. Se decidíssemos pelo nosso próprio caminho, o que diríamos? Eu coloquei o Senhor às vezes diante de mim, e esse “às vezes” foi menos do que as outras vezes. Às vezes colocamos outro diante de nós; mais frequentemente colocamos a nós mesmos. Ele diz: “Tenho posto o SENHOR continuamente diante de Mim”. Ele não tem nada diante de Sua mente a não ser o Senhor, Jeová. Havia Sua devoção. “Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a Tua vontade” (Hb 10:9), diz Ele, e novamente, “Minha comida é fazer a vontade d’Aquele que Me enviou e realizar a Sua obra” (Jo 4:34).


Confiança

Há também confiança. “Por isso que Ele está à minha mão direita, nunca vacilarei”. Pense nisto: Deus Se agrada de Se colocar à mão direita da alma que simplesmente confia n’Ele? Deus diz: Se você Me colocar sempre diante de si, Eu Me aproximarei muito; eu Me porei à sua mão direita. Se você Me colocar sempre diante de si, Eu Me colocarei o mais perto possível. Por que Deus Se coloca à sua mão direita? Para que você ponha a sua mão direita na mão direita d’Ele e seja sustentado por Ele. “A Tua mão direita me susteve” (Sl 18:35). “Tu me seguraste pela mão direita” (Sl 73:23).


O que Deus pode fazer ao homem que coloca Jeová à sua mão direita? A resposta de Jeová ao homem dependente é esta: “Senta-Te à Minha direita”. Você tem ao Senhor Jesus colocando Jeová à Sua mão direita aqui abaixo; isso dá confiança. E ao homem que diz: “Tenho posto o SENHOR continuamente diante de mim”, Jeová responde: “Porei esse homem à Minha direita em glória”. O pensamento da mão direita mostrado aqui revela o fim do caminho do bendito Senhor Jesus. Como Ele alcança essa glória? Por meio da morte, e assim obtemos a bela conexão do Salmo 110 com o Salmo 16 no sermão de Pedro em Atos 2:25-36.


Gozo

Então, temos no Salmo 16:9 o que Lhe dá gozo em vista de tudo o que havia diante d’Ele. “Portanto, está alegre o Meu coração e se regozija a Minha glória; também a Minha carne repousará segura”. “O Qual, pelo gozo que Lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-Se à destra do trono de Deus” (Hb 12:2).


Confiança

No Salmo 16:10 temos confiança em vista da morte. “Pois não deixarás a Minha alma na morte [no Seol – JND], nem permitirás que o Teu Santo veja corrupção”. “Santo” faz referência ao que Ele era intrinsecamente e praticamente. Ele pôde até mesmo ir à morte em plena confiança, e assim o crente também pode. Cristo, é claro, não viu corrupção. Em 1 Coríntios 15:54 temos o outro lado para o crente: “E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade”. Ele é tão Santo que, ao entrar na morte como o fim de um caminho de graça e obediência, a única coisa que Deus pôde fazer foi tirá-Lo da morte e colocá-Lo em glória.


Associação com Deus em glória

O Salmo 16:11 nos dá o fim do caminho: “Far-me-ás ver a vereda da vida; na Tua presença há abundância de alegrias; à Tua mão direita há delícias perpetuamente”. É o próprio Deus que é a plenitude de Seu prazer. Delícias em que sentido? Eu acredito que elas estão em associação com Ele. Ele teve Deus aqui embaixo, e quando foi elevado à Sua direita, há associações eternas com Ele lá.


Este salmo nos dá de uma forma abençoada a vida divina que emerge em um homem aqui nesta Terra. Primeiro dependência; depois completa subserviência ou sujeição; depois comunhão, fidelidade, Deus como a porção da alma, satisfação; depois adoração e conselho, devoção e confiança, gozo, segurança em vista da morte e, finalmente, associação com Deus em glória.


Que o Senhor nos mantenha andando mais nas pegadas do bendito Mestre, por Seu próprio nome e por Sua glória.


Christian Truth, vol. 31

 

As Mãos do Senhor Jesus


A mão humana é uma das partes mais interessante e elaborada do nosso corpo. O Senhor a criou com a capacidade de fazer muitas coisas complicadas que para alguns de nós podem parecer impossíveis. Por exemplo, a falecida rainha Elizabeth II da Inglaterra recebeu um presente incomum – quatro cenas ao ar livre completas, pintadas em detalhes em quatro grãos de arroz. Essa pintura deve ter sido feita sob um microscópio! A maioria de nós já viu o modo como mãos bem treinadas, combinadas com um bom ouvido para música, podem tocar um violino e trazer belos acordes que tocam nosso coração. Alguns de nós também se maravilham com a habilidade de um cirurgião plástico, ou um carpinteiro, ou um bom confeiteiro, e as coisas que eles podem fazer com suas mãos.


No entanto, como os outros membros de nosso corpo, as mãos humanas podem ser usadas de maneiras erradas, e todos nós estamos cientes do mal neste mundo, e muito desse mal tem sido feito por mãos humanas, direta ou indiretamente. Homens e mulheres não só realizaram atos de violência contra os outros, mas também recorreram a roubos, vandalismo e outros atos envolvendo suas mãos. Nos últimos anos, o crime e a fraude na Internet tornaram-se desenfreados, novamente, todos envolvendo a mão humana e, é claro, o cérebro também.


Responsabilidade

A palavra “mão” também passou a ser usada de maneira geral para se referir à responsabilidade que é reconhecida como tendo sido dada a alguém. Falamos de coisas que estão “nas mãos do governo”, e na Palavra de Deus, muitas vezes encontramos a expressão “a mão do Senhor” usada da mesma maneira.


Humanidade

É uma coisa maravilhosa pensar em nosso bendito Mestre, o Senhor Jesus Cristo, que, porque “os filhos participam da carne e do sangue, também Ele participou das mesmas coisas” (Hb 2:14). Nosso Senhor Jesus Se fez Homem e tinha todos os atributos humanos do homem, “mas sem pecado”. Suas mãos são mencionadas algumas vezes, e é reconfortante e instrutivo para nossa alma considerar o que a Escritura diz sobre elas.


Em primeiro lugar, Suas mãos sempre foram usadas da maneira correta – para a glória de Deus, Seu Pai. Quando Ele dispensava bênçãos neste mundo, Ele poderia facilmente ter feito isso por uma palavra de Seu poder. Ocasionalmente, Ele fez isso dessa maneira, dizendo, por exemplo, ao homem impotente no tanque de Betesda: “Levanta-te, toma a tua cama e anda” (Jo 5:8). Mas muitas outras vezes, Suas palavras foram combinadas com Suas benditas mãos. Quando Ele curou o leproso em Lucas 5:13, “E Ele, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero; sê limpo”. Que conforto foi esse toque adicional! Transmitiu não apenas poder, mas também compaixão. Ninguém mais ousou tocar o leproso, mas o Senhor Jesus, como Deus, poderia fazê-lo, e Ele o fez. Em outra ocasião, quando Ele Se encontrou com a procissão fúnebre do filho da viúva de Naim, está registrado que, “E, chegando-Se, tocou o esquife … e disse: Jovem, Eu te digo: levanta-te” (Lc 7:14). Esse toque significava muito, pois, mais uma vez, qualquer outro judeu teria sido contaminado por tocar um corpo morto.


O toque da mão

Quando as mães apresentaram seus filhos pequenos, o desejo delas era que o Senhor Jesus os tocasse (Lc 18:15), e em outro lugar (Mt 19:13), está registrado que “trouxeram-Lhe, então, algumas crianças, para que lhes impusesse as mãos e orasse”. Como Alguém que era reconhecido como um grande Mestre entre eles, Seu toque significava muito para as mães daquelas crianças pequenas. Por causa de Seu amor, o Senhor Jesus ficou muito feliz em tocar aquelas crianças. Não sabemos quantas dessas mães reconheceram o Senhor Jesus como o Filho de Deus, ou se alguma dessas crianças cresceu para conhecer e amar o Senhor Jesus.


Julgamento

Em pelo menos uma ocasião, nosso bendito Senhor usou Suas mãos em julgamento, defendendo a glória de Seu Pai. Quando Ele viu os cambistas e os animais no templo, sabemos que “tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, bem como os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas” (Jo 2:15). O Senhor pode ter feito isso duas vezes durante Seu ministério terrenal.


Mas tudo isso, por mais bendito que fosse, nunca poderia resolver a questão do pecado. Nosso Senhor pôde curar todas as doenças, alimentar os famintos e até ressuscitar os mortos, mas nada disso aproximou o homem pecador de Deus. As mãos de nosso Senhor tiveram que ser pregadas na cruz do Calvário, e isso foi profetizado no Velho Testamento: “traspassaram-Me as mãos e os pés” (Sl 22:16). Quando chegou o tempo para a redenção ser cumprida, Suas mãos e pés precisaram ser pregados na cruz do Calvário, e o julgamento pelo pecado suportado naquelas três horas de trevas. Um cântico infantil expressa bem isso: “Aquelas mãos gentis, que fizeram tanto bem, eles as pregaram numa cruz de madeira.”


Ressurreição do corpo

No entanto, como bem sabemos, nosso Senhor não permaneceu na morte, pois “não era possível que [Ele] fosse retido por ela” (At 2:24). Ele ressuscitou naquela manhã da ressurreição, e como uma das provas de Quem Ele era, “mostrou-lhes as mãos e o lado” (Jo 20:20). Aquelas marcas de pregos em Suas mãos e a marca da lança em Seu lado permanecerão por toda a eternidade, para nos mostrar que Ele sofreu por nós. Em um dia vindouro, quando Israel for trazido de volta à bênção na Terra, eles também reconhecerão pela primeira vez que Aquele a Quem crucificaram era de fato seu Messias. Naquele dia dirão: “Que feridas são essas nas Tuas mãos?” (Zc 13:6). A resposta de nosso Senhor será: “São as feridas com que fui ferido em casa dos Meus amigos”.


Quando Ele estava prestes a subir ao céu, encontramos Suas mãos mais uma vez usadas para abençoar: “levantando as mãos, os abençoou. E aconteceu que, abençoando-os Ele, Se apartou deles e foi elevado ao céu” (Lc 24:50-51).


Suas mãos no céu

Agora que nosso Senhor Jesus está no céu, Suas mãos estão ociosas? Ele está simplesmente descansando lá em cima, até que o Pai Lhe diga para voltar para tomar Sua noiva? É verdade que não há referência direta às mãos do Senhor na Escritura depois que Ele ascendeu de volta ao céu, mas se pensarmos na expressão “mãos” de maneira geral, Suas mãos certamente estão ocupadas conosco durante Seu tempo antes de sermos chamados para casa. Ele vive lá como nosso grande Sumo Sacerdote, sempre intercedendo por nós, e um hino expressa bem isso:


Nosso grande Sumo Sacerdote está assentado

À direita de Deus acima,

Por nós, Suas mãos levantadas,

Em empatia e amor.


Hinário Little Flock, 79 – apêndice


Ele também está lá em cima como nosso Advogado, cuidando de nossos interesses em todos os sentidos, para nos restaurar se pecarmos. Quão precioso é pensar que, como nosso grande Sumo Sacerdote e Advogado, Ele sustenta cada um de nós durante nossa jornada aqui na Terra!


Figurativamente falando, Ele continua a lavar nossos pés, à medida que entramos em João 13, e ao fazê-lo Ele remove toda a contaminação de nossa mente e consciência que adquirimos ao caminharmos por este mundo. Assim como Suas mãos estavam fisicamente envolvidas em lavar os pés dos discípulos antes de Ele ir para a cruz, assim Ele está ativamente lavando nossos pés de uma maneira espiritual hoje.


Todas as coisas em Suas mãos

Mas por que é dito que quando Jesus sabia que Ele deveria partir deste mundo para o Pai e que o Pai tinha dado todas as coisas em Suas mãos, Ele Se levantou da ceia e lavou os pés dos discípulos? Por que Ele fez isso considerando Sua eterna comunhão com o Pai e Seu domínio sobre todas as coisas que o Pai entregou em Suas mãos? Porque Ele sabia que naquela glória, tendo o domínio sobre todas as coisas, Ele seria o Servo do Seu povo para sempre. Como Ele os serviria quando estivessem com Ele em Seu reino celestial? Servindo para felicidade e gozo deles. Isso Ele mesmo diz, como lemos em Lucas 12:37. Depois de exortar Seus discípulos a vigiarem por Sua vinda, Ele disse: “Bem-aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que Se cingirá, e os fará assentar à mesa, e, chegando-Se, os servirá”.


Ele descansará

Além disso, sabemos que Ele ainda está “sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder” (Hb 1:3), pois certamente, como lemos em Colossenses 1:17, “Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele”. Só quando o estado eterno for estabelecido, quando o pecado for removido para sempre deste universo, nosso Senhor Jesus Cristo descansará, e naquele tempo Ele descansará, e o Pai descansará, na rica bênção dos Seus no céu e na Terra. Deus descansará naquele momento em nossa bênção, quando tudo estiver de acordo com a Sua mente. Mas as marcas de pregos em Suas mãos e aquela marca em Seu lado de onde fluiu aquele precioso sangue que nos purificou do pecado – aquelas feridas permanecerão por toda a eternidade, para nos lembrar do quanto Ele sofreu por nós.


W. J. Prost

 

As Mãos de Moisés


“Então, veio Amaleque e pelejou contra Israel em Refidim. Pelo que disse Moisés a Josué: Escolhe-nos homens, e sai, e peleja contra Amaleque; amanhã, eu estarei no cume do outeiro, e a vara de Deus estará na minha mão. E fez Josué como Moisés lhe dissera, pelejando contra Amaleque; mas Moisés, Arão e Hur subiram ao cume do outeiro. E acontecia que, quando Moisés levantava a sua mão, Israel prevalecia; mas, quando ele abaixava a sua mão, Amaleque prevalecia. Porém as mãos de Moisés eram pesadas; por isso, tomaram uma pedra e a puseram debaixo dele, para assentar-se sobre ela; e Arão e Hur sustentaram as suas mãos, um de um lado, e o outro, do outro; assim ficaram as suas mãos firmes até que o Sol se pôs. E, assim, Josué desfez a Amaleque e a seu povo a fio de espada” (Êx 17:8-13).


Nessa passagem vemos que Josué, sob o comando de Moisés, sai à frente dos homens escolhidos para a batalha. Josué traz diante de nós a Cristo conduzindo Seu povo a uma batalha na energia do Espírito de Deus. A batalha é do Senhor, pois, sem Ele não podemos esperar vitória. Devemos contar com o Senhor em todas as situações, em vez de confiar na energia e nos esquemas dos homens. Não pode haver guerra bem-sucedida com o inimigo, sem a energia do Espírito de Deus. “Maior é O que está em vós do que o que está no mundo” (1 Jo 4:4).


Vemos Josué conduzindo seus homens embaixo, na planície, enquanto Moisés sobe com Arão e Hur ao cume do outeiro. Moisés, dessa forma, é um tipo de Cristo no céu intercedendo por Seu povo. Ele conduz Seu povo, embaixo, na energia do Espírito, mas os mantém por Sua intercessão, acima, na presença de Deus. À parte de Sua intercessão sacerdotal, eles não têm poder contra o inimigo, e a energia do Espírito está conectada a essa intercessão. Paulo pôde dizer: “É Cristo Quem morreu, ou antes Quem ressuscitou dentre os mortos, o Qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Rm 8:34).


Arão – o grande sumo sacerdote

Nenhum homem é uma figura perfeita de Cristo, e assim Arão e Hur são necessários também. As mãos de Moisés estavam pesadas, e ele foi ajudado por Arão e Hur. Arão, embora não formalmente separado para o sacerdócio, naquele momento, foi, sem dúvida, uma figura de Cristo como nosso grande Sumo Sacerdote. Por causa de tudo o que Cristo passou, Ele é capaz de interceder por nós. Ele experimentou neste mundo tudo o que um homem sem pecado poderia experimentar e, portanto, é capaz de “compadecer-Se das nossas fraquezas” (Hb 4:15). Se nos valermos de Seu sacerdócio e estivermos dispostos a chegar “com confiança ao trono da graça” (Hb 4:16), de fato iremos, “alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hb 4:16).


Hur – o advogado

Vemos também que Hur foi necessário, e seu nome significa “branco” ou “pureza”. Ele é uma figura de Cristo como nosso Advogado, pois lemos em 1 João 2:1: “Se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo”. Se percebêssemos mais nossa fraqueza e enfermidade e nos aproveitássemos do sacerdócio de Cristo com mais frequência, não pecaríamos. No entanto, se pecarmos, descobriremos que temos um advogado em Cristo – Alguém que nos atende em nossa necessidade. A palavra traduzida como “advogado” é a mesma que é traduzida como “consolador” no evangelho de João, e significa literalmente, “aquele que toma conta e cuida de todas as nossas coisas”. Não podemos lutar a batalha com pecado em nossa consciência, e Deus nunca supõe que o crente deve pecar porque ele é fraco. No entanto, Deus graciosamente fez provisão se pecarmos. Aquele que carregou nossos pecados na cruz agora vai a Deus, em justiça, para agir para a nossa restauração. Todas as situações possíveis estão cobertas e a vitória está garantida! O Espírito de Deus é nosso Consolador ou Advogado aqui embaixo, pois Ele foi enviado quando o Senhor Jesus foi glorificado no céu. Mas como é maravilhoso perceber que o Senhor Jesus também é nosso Consolador ou Advogado lá em cima, agindo por nós se pecarmos.


As duas mãos

Há um detalhe bonito a ser notado aqui. Quando, pela primeira vez, se faz referência a Moisés, é dito, “quando Moisés levantava a sua mão, Israel prevalecia”. Apenas uma mão é mencionada, embora tenha sido necessário Arão e Hur juntos para levantar as mãos, no plural. Em figura, isso nos traz uma preciosa verdade a respeito do sacerdócio e da advocacia do Senhor Jesus. Nem sempre chegamos ao trono da graça para nos valermos das funções sacerdotais do Senhor Jesus, pois nem sempre sentimos nossa necessidade. Não sentimos nossa fraqueza e, como resultado, nossa mão pode cair e perder a Mão sempre fiel do sacerdócio do Senhor. Então Amaleque, uma imagem da energia da carne no crente, pode prevalecer. Mas, por outro lado, a mão que representa a advocacia ainda está elevada; nunca falha. Não precisamos pedir ao Senhor que venha em nosso auxílio em Sua capacidade de Advogado, pois Ele faz isso sem que peçamos. Somos instruídos a ir com ousadia ao trono da graça, mas se pecarmos, ele simplesmente diz que “temos um Advogado para com o Pai”. Assim que pecamos, mesmo que não tenhamos percebido toda a extensão do nosso fracasso diante de Deus, Cristo como nosso Advogado começa a agir a fim de nos restaurar. Quão abençoado e quão reconfortante! Verdadeiramente “pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus” (Hb 7:25)!


W. J. Prost

 

Com Toda a Tua Força


“Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças” (Ec 9:10).


Thomas Carlyle, um dos principais historiadores e escritores do século XIX, frequentemente citava essa frase, e um dia ele teve uma grande chance de provar que se esforçava para praticá-la. Ele havia escrito a história da Revolução Francesa e emprestado o manuscrito a seu amigo, John Stuart Mill, que queria muito lê-lo antes de ser impresso.


Certa noite, Carlyle estava sentado em seu escritório depois de um dia duro de trabalho. Uma batida apressada soou na porta da frente, e pesados passos subiram as escadas. Mill entrou, parecendo mortalmente pálido. — Qual é o problema? disse Carlyle, levando o amigo a um assento. Então Mill contou-lhe, em frases interrompidas, como ele havia deixado o manuscrito sobre uma mesa, e alguém o havia queimado. Estava tudo acabado. Cinco meses de trabalho árduo foram perdidos!


Quando Carlyle se recuperou completamente do choque da má notícia, ele corajosamente começou a trabalhar e escreveu tudo de novo. Se você já teve um problema de matemática difícil de fazer antes de ser autorizado a sair para brincar, e se, quando você levou o seu trabalho para ser visto, o seu professor o rasgou e disse para fazê-lo novamente, você vai saber algo sobre os sentimentos de Carlyle.


Cada um de nós tem um trabalho a fazer neste mundo. Isso é parte do que estamos fazendo aqui, e nossa felicidade depende de fazer com que ele termine. Tudo o que vale a pena fazer vale a pena fazer bem. Se colocarmos todas as nossas forças em nosso trabalho, tiraremos o máximo proveito dele.


Dedicado à aprendizagem

Viajei de trem numa outra noite. Três jovens entraram no mesmo vagão. Imediatamente, quando o trem partiu, um disse ao outro: “Você está com ele?” Eu não ouvi o que ele pediu, mas eu não ficaria surpreso se tivesse sido um pacote de cartas. Mas não, era um pedaço de crânio humano. Passando isso entre eles, divertiram-se muito nomeando todas as partes dele. Eram estudantes de medicina que voltavam para casa de uma palestra na universidade e, para não desperdiçar o tempo que tinham, estavam repassando tudo o que haviam aprendido sobre as anotações feitas naquele osso.


Observe as ovelhas

Um eminente comerciante disse que uma vez aprendeu uma lição muito valiosa quando tinha 11 anos de idade. “Meu avô”, disse ele, “tinha um rebanho de ovelhas, e meu trabalho era cuidar delas. Como eu não podia fazer tudo sozinho, um menino foi enviado para me ajudar. Mas aquele menino gostava mais de se ocupar com um livro de histórias do que de cuidar de ovelhas, então o trabalho foi deixado principalmente para mim, enquanto ele se deitava debaixo das árvores e lia. Não gostei, e finalmente fui falar com o meu avô e queixei-me. Ele disse com um sorriso: “Não se importe, meu menino; se você cuidar das ovelhas, terá as ovelhas”. “O que meu avô quis dizer com isso?”, pensei eu. “Eu não espero ter as ovelhas, eu não quero ser um fazendeiro”. Eu não entendi, mas confiei nele. Pensei que ficaria tudo bem, e voltei para o meu trabalho.


“No campo, eu não conseguia parar de pensar naquelas palavras: ‘Se você cuidar das ovelhas, terá as ovelhas’. Então eu pensei em algo que eu tinha ouvido no Dia do Senhor: ‘Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei’ (Mt 25:21). Comecei a olhar a partir dessa passagem. Significava isto: “Não se importe com quem negligencia a obra que faz; seja fiel, e receberá a sua recompensa”.


Aquilo que tiver de fazer, faça-o como se quisesse terminá-lo. Faça como se fosse da maior importância fazê-lo bem e resolvê-lo. Observando o trabalho de alguns homens, você pensaria que eles gostariam de prolongá-lo o máximo que pudessem. Parecendo que achavam que nunca mais conseguiriam outro emprego neste mundo depois que aquele fosse feito. A única maneira verdadeira de trabalhar é se esforçar ao máximo nisso. Eu não acho que muitas pessoas trabalham porque gostam, mas porque têm que fazê-lo. E, no entanto, as pessoas mais miseráveis são geralmente aquelas que não têm nada para fazer.


Jesus disse: “Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho também” (Jo 5:17). Nosso Salvador pertence a uma família trabalhadora. E eu espero que você também.


H. H. Snell

 

A Imposição de Mãos


A imposição de mãos foi muito significativa nos sacrifícios do Velho Testamento. Na consagração de Arão e seus filhos, eles impuseram as mãos sobre o novilho da oferta pelo pecado, sobre o carneiro do holocausto e sobre o carneiro da consagração, mostrando a identificação dos ofertantes com os sacrifícios (Lv 8:14, 18, 22). Na consagração dos levitas, os filhos de Israel primeiro impuseram as mãos sobre os levitas, e os levitas impuseram as mãos sobre a cabeça de um novilho como oferta pelo pecado e sobre o outro novilho como holocausto, para fazer expiação pelos levitas (Nm 8:10-12). No dia da expiação, Arão impunha as mãos sobre a cabeça do bode emissário e confessava sobre ele todas as iniquidades dos filhos de Israel, e o bode era enviado para o deserto para expressar o afastamento dos pecados confessados sobre o bode (Lv 16:21).


Introdução ao ofício

Houve também imposição de mãos na introdução ao ofício, quando Moisés impôs suas mãos sobre Josué e deu-lhe mandamentos do Senhor como seu sucessor (Nm 27:23). Os apóstolos também impuseram as mãos sobre aqueles que tinham sido escolhidos para cuidar dos pobres (At 6:6), e é provável que, na designação de anciãos, mãos tenham sido impostas sobre eles. Timóteo foi aconselhado a não “impor precipitadamente as mãos” a ninguém (1 Tm 5:22). Como sinal de recomendação e comunhão, as mãos foram impostas sobre Paulo e Barnabé quando enviados em sua viagem missionária (At 13:3).


Um dom foi concedido a Timóteo com a imposição das mãos de Paulo, sendo o presbitério associado ao apóstolo no ato (1 Tm 4:14; 2 Tm 1:6). O Espírito Santo também foi dado com a imposição das mãos dos apóstolos (At 8:17; 19:6). Os enfermos eram frequentemente curados pela imposição de mãos (Mc 6:5; Lc 4:40; 13:13; At 28:8). Essa ação apostólica tem sido imitada na Cristandade e muito mal utilizada, com grandes pretensões sendo feitas quanto a uma posição concedida e bênção espiritual transmitida; ao passo que, se fosse considerada como um simples reconhecimento e sinal de comunhão no serviço, seria um ato escriturístico.


G. Morrish, Dicionário Bíblico Conciso

 

Mostre-Me Agora Seu Caminho


“Direita” e “esquerda” são palavras que entraram em uso comum para descrever políticos e governos nestes dias de conflitos ideológicos. Aqueles que se inclinam para a direita são aqueles que detêm valores mais conservadores e que favorecem os direitos do indivíduo, enquanto aqueles que vão para a esquerda são aqueles que favorecem o socialismo de Estado. Nós até ouvimos falar da “extrema esquerda”, e esse termo provavelmente se refere àqueles que iriam, em graus variados, integrar o socialismo pleno ou mesmo o comunismo.


A divergência entre as nações ocidentais e estados comunistas como a Rússia e a China veio, pelo menos em grande parte, dessa fenda ideológica. A Rússia e a China foram para a esquerda; os governos ocidentais permaneceram à direita — alguns mais e outros menos. Nos últimos 30 anos, no entanto, tanto a Rússia quanto a China alteraram suas práticas um pouco, permitindo que mais dos princípios do capitalismo assumissem o controle de suas economias. Eles descobriram ao longo dos anos que o comunismo puro simplesmente não funcionava. Em países como os Estados Unidos, há um forte elemento conservador que se inclina fortemente para a direita, mas também há uma quantidade crescente de pressão esquerdista. Esse conflito interno de ideologias está crescendo nas nações que devem participar da aliança do Império Romano, e talvez isso provoque a falta de coesão descrita em Daniel 2:43 como ferro que “não se mistura com barro”.


Essas turbulentas correntes cruzadas podem muito bem fornecer o combustível para produzir aquele terrível massacre (naqueles dias de angústia depois que os Cristãos forem levados para casa) mencionado em Apocalipse 6:4: “E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da Terra e que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada”. Essa é uma descrição, não de uma guerra internacional, mas da matança desenfreada corpo-a-corpo – anarquia. As forças do mal já estão em ação, mas podemos agradecer a Deus por ainda haver este Poder restritivo – o Espírito Santo, que “permite” ou “impede” a plena exibição do mal enquanto Ele está aqui. (Veja 2 Tessalonicenses 2:7).


Cristãos podem se tornar extremistas

Os Cristãos também podem se tornar extremistas em seus pensamentos e prática. Eles podem se virar para a direita ou para a esquerda daquele caminho que Deus marcou em Sua Palavra. Agora, Deus não quer que nos tornemos “direitistas” ou “esquerdistas”, pois nenhum dos dois está de acordo com Sua mente. Ele conhecia as tendências do coração humano e advertiu Israel quatro vezes em Deuteronômio (5:32; 17:11, 20; 28:14) e duas vezes em Josué (1:7; 23:6) para não se virar para a direita ou para a esquerda de tudo o que foi ordenado. Grande parte do nosso caminho Cristão envolve manter a Escritura em seu devido equilíbrio, e a única maneira de fazer isso é andar com o Senhor, no poder do Espírito Santo. Quando é lida corretamente, a Palavra de Deus sempre nos leva de volta à sua fonte – o próprio Senhor.


É necessário que prestemos atenção a toda Palavra de Deus se quisermos estar no caminho ordenado por Deus. Que heresias e divisões surgiram na Igreja na Terra por se enfatizar apenas um lado da verdade! Quando parte da verdade é enfatizada em detrimento do resto, ela pode se tornar um verdadeiro erro.


O Senhor Jesus disse a Seu Pai: “Santifica-os na verdade [não apenas uma parte dela]; A Tua Palavra é a verdade” (Jo 17:17). E o apóstolo Paulo podia dizer aos anciãos de Éfeso: “Estou limpo do sangue de todos; porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus” (At 20:26-27). Muitos têm sido os pontos de controvérsia em que uma parte da verdade tem sido enfatizada à custa de outra. Mencionaremos alguns.


Soberania e responsabilidade

Muita confusão tem sido causada por aqueles que enfatizam a soberania de Deus à custa da responsabilidade do homem, e vice-versa. Ambas são perfeitamente verdadeiras e, quando mantidas em seu respectivo equilíbrio, são harmoniosas. Não há desequilíbrio na Palavra de Deus; tudo é perfeito. O mesmo aconteceu com o Senhor Jesus Cristo como Homem aqui embaixo. Ele era a fina farinha com nenhuma característica mais proeminente do que outra. Ele era “cheio de graça e verdade”, perfeitamente combinado. Aqui novamente a imperfeição dos homens vem à tona; estamos aptos a mostrar graça às custas da verdade, ou a mostrar uma decidida falta de graça enquanto damos ênfase à verdade e à justiça. Que possamos aprender mais sobre Ele e não nos voltarmos “nem para a direita, nem para a esquerda”.


Atividade e ensino do evangelho

Depois, há aqueles que colocam toda a ênfase no evangelho; eles medem tudo em termos de salvar as pessoas. Esses dão pouca ou nenhuma atenção ao estabelecimento de almas salvas na verdade. Esquecem-se de que Paulo foi um dos maiores pregadores do evangelho que já trabalhou pelas almas, mas ele disse: “A quem anunciamos, admoestando a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo homem perfeito em Jesus Cristo; e para isto também trabalho” (Cl 1:28-29). E aos efésios ele escreveu sobre as grandes bênçãos espirituais que temos nos lugares celestiais em Cristo, que vão muito além do mero conhecimento da salvação. Nem se contentou com isso sozinho; ele orou por eles para que pudessem entrar nessas bênçãos (cap. 1) e que pudessem andar no bem delas – “para que Cristo habite” no coração deles (cap. 3).


Não diríamos uma palavra para desencorajar um espírito evangelista, mas lembremo-nos de que a salvação da alma é apenas o começo. Os que são salvos devem crescer e progredir na verdade, e essa verdade deve ser refletida em sua vida diária. De fato, superficial é aquela obra que fica satisfeita com o conhecimento dos pecados perdoados e é negligente em crescer no conhecimento do próprio Salvador, ou é descuidada, andando aqui abaixo de forma inconveniente.


Comunhão com os pensamentos de Deus

Podemos ir a um extremo e perder nosso interesse no evangelho, mas fazê-lo é estar fora de comunhão com os pensamentos de Deus, pois Ele está sempre interessado no evangelho de Seu Filho. Ou podemos ser levados pelo zelo evangélico e nos inclinar a usar métodos que nosso Senhor não pode aprovar. Podemos ver tais métodos serem bem-sucedidos nos trabalhos dos outros, porque Deus é soberano e pode abençoar Sua própria Palavra, embora misturado com coisas que Ele não pode sancionar; no entanto, devemos seguir as regras e não nos desviar delas para a direita ou para a esquerda. A fidelidade, e não o sucesso aparente, é o indicador pelo qual nosso Mestre avalia; “bem está, servo bom e fiel” (Mt 25:21,23).


Paulo teve o cuidado de comunicar as coisas espirituais por meios espirituais (veja 1 Coríntios 2:13 – JND). Tudo o que passa pela obra do Senhor na evangelização atual não pode satisfazer tal exigência, nem receberá recompensa. Somente o que é feito de acordo com a Palavra de Deus será recompensado (veja 2 Timóteo 2:5). Somos capazes de esquecer que, a menos que o Espírito de Deus opere no coração, toda a nossa persuasão humana, eloquência ou pressão não salvará uma alma sequer.


Zelo pelo evangelho

Que o Senhor aumente nosso zelo evangélico cem vezes mais, mas que isso seja equilibrado fazendo-o apenas por meios aprovados, em separação de tudo o que não é d’Ele, e procurando conduzir as almas salvas por meio da verdade. E que procuremos eclesiasticamente um caminho reto, no qual nossos próprios pés possam caminhar. Essa é uma questão que muitos ignoram, como se as nossas ligações não tivessem nenhuma consequência. Que o espírito de nosso coração seja: “Senhor... rogo-Te que agora me faças saber o Teu caminho”, e, Senhor, “onde queres”? Então não seremos nem “direitistas” nem “esquerdistas”.


Uma palavra final. Um irmão mais velho, agora com o Senhor, costumava nos dizer que se andássemos em uma posição extrema de um lado da estrada, receberíamos pedras atiradas em nós (figurativamente falando) daqueles na posição extrema do outro lado da estrada. Ele observou ainda que, se procurarmos trilhar um caminho diante do Senhor, não indo nem para a direita nem para a esquerda, provavelmente receberíamos pedras atiradas em nós de ambos os lados. Devemos nos preparar para isso.


P. Wilson (adaptado e atualizado)

 

À Destra de Deus


“Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado n’Ele”. Deus é perfeitamente glorificado, o pecado perfeitamente manifestado, e a obra completamente realizada, a qual tira o pecado; em uma palavra, Deus, em tudo o que Ele é, é glorificado na morte de Seu Filho. E então? “Se Deus é glorificado n’Ele, também Deus O glorificará em Si mesmo e logo O há de glorificar” (Jo 13:32). A glória do Pai O ressuscitou dentre os mortos, e depois de quarenta dias na Terra, Ele subiu. “E levou-os [Seus discípulos] fora, até Betânia; e, levantando as mãos, os abençoou. E aconteceu que, abençoando-os Ele, Se apartou deles e foi elevado ao céu” (Lc 24:50-51). Que fato maravilhoso de se contemplar! Um Homem subiu para a glória de Deus, mais do que o homem, certamente, mas um verdadeiro Homem. Imagine que visão deve ter sido para as hostes celestiais testemunharem, enquanto esse Bendito ascende! Ele vai cada vez mais alto, passando por todas as posições; principados, poderes, anjos – todos deixados para trás na maravilhosa subida, até atingir o ponto mais alto em glória. Como é dito em Efésios 1:21 - AIBB, “muito acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro”. Onde Estêvão O vê? À direita de Deus. Agora eu tenho um Homem em glória, e um Homem que não foi lá até que Ele realizou uma obra pela qual eu poderei estar lá também. Agora pode haver associação, e que coisa maravilhosa isso é! Eu preciso primeiro ter o Homem a fim de ter associação com Ele; mas onde? “À direita de Deus”. Alguma vez nos ocorreu (falo ao meu próprio coração) como o Espírito de Deus parece trabalhar para educar os filhos de Deus sobre esse ponto? Parece que Ele não pouparia esforços para nos instruir quanto ao local exato onde Cristo está, e ainda assim quão pouco percebemos isso. Marcos 16:19 diz: “O Senhor ... foi recebido no céu, e assentou-Se à direita de Deus”. Atos 2:33 usa a frase: “exaltado pela destra de Deus”. Duas vezes em Atos 7 temos a expressão: “à direita de Deus”. Romanos 8:34 diz: “O Qual está à direita de Deus”. Finalmente, Hebreus 1:3 enfatiza que Ele agora “assentou-Se à destra da Majestade, nas alturas”.


Bible Herald, 1880 (adaptado)

 

Trabalhando com Suas Mãos


Há uma exortação em Efésios que surpreende um pouco por sua própria obviedade: “Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade” (Ef 4:28). Devemos lembrar de que as primeiras assembleias eram formadas por pessoas recém-saídas do paganismo, com todas as suas abominações, e consistiam em parte de escravos, uma classe oprimida e degradada, entre os quais o furto era praticado sem escrúpulos ou vergonha. A exortação também vai além do roubo declarado e, em princípio, condena toda a obtenção de vantagem injusta, como até mesmo a moralidade “menos restrita” de nossos dias, muitas vezes, condena, embora de maneira mais fraca. Mas o interesse da exortação reside mais no motivo do que no curso da conduta imposta. Se os crentes estivessem debaixo da lei, um simples apelo ao oitavo dos dez mandamentos teria sido suficiente. Mas, não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça. Então, qual é a obrigação imposta por essa posição? Não apenas para fazer “a justiça da lei”, mas muito mais. Cristo parou de fazer a justiça da lei? Pelo contrário, Ele foi muito além disso. A lei exige que amemos o próximo como a nós mesmos, mas não exige que entreguemos a vida pelo próximo. Isso, no entanto, foi o que Cristo fez, e se a vida de Cristo está em nós, “devemos dar a vida pelos irmãos” (1 Jo 3:16). Tão extremo sacrifício pode de fato ser raramente exigido, mas esse espírito pode sempre ser mostrado. Cristo não só não prejudicou o homem, mas “sendo rico, por amor de vós Se fez pobre, para que, pela Sua pobreza, enriquecêsseis” (2 Co 8:9). Toda a Sua vida foi de amor abnegado. Quão lindamente isso reaparece em Paulo: “de muito boa vontade, gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas” (2 Co 12:15). O Cristão deve andar no mesmo caminho, pois tem a mesma vida, não apenas abstendo-se de furtar, ou de obter uma vantagem injusta, mas trabalhando para ter meios de repartir “com o que tiver necessidade”.


Isto o Espírito Santo, por uma das mais simples exortações da Escritura – uma exortação que, por causa de seu caráter comum, pode parecer dificilmente digna de um lugar em tal epístola – revela uma das diferenças mais marcantes entre lei e graça. A lei simplesmente proíbe o mal; a graça se deleita em fazer o bem. A lei é o que Deus exige do homem; a graça é o que Deus é em Si mesmo. Quão triste, então, é vermos os crentes, que foram trazidos à liberdade e associados a Cristo, voltando para a classe inferior de motivos e princípios e colocando-se novamente em cativeiro sob um sistema para o qual são declarados “mortos pelo corpo de Cristo”. Toda a “justiça da lei” brilhou nos caminhos de Cristo, e brilhará nos caminhos de quem permanece em Cristo. Mas quão infinitamente além da lei é a graça revelada em cada ação daquela vida perfeita! E isso é o que aparecerá, é claro, em um grau muito inferior, mas ainda como um fruto real de permanecermos n’Ele, e andando no poder da nova vida na qual somos vivificados junto com Ele.


Christian Friend, vol. 6

 

Meus Tempos Estão em Tuas Mãos


Meus tempos estão em Tuas mãos graciosas;

Estou feliz que meus tempos estejam nelas;

Muito não entendo;

O suficiente é que Tu é Quem cuidas.


Meus tempos estão em Tuas mãos orientadoras;

E isso é para minha paz;

Pois Tu guiarás como planejaste,

E isso me fará prosperar.


Meus tempos estão em Tuas mãos protetoras;

Assim, o que pode me acontecer?

Onipotente – Tu comandas;

Teu cetro governa sobre tudo.


Meus tempos estão em Tuas mãos provedoras;

Assim, até que minha carreira termine –

Até chegar à terra celestial,

Não preciso ter preocupação alguma.

J. D. Smith

 

“E, se alguém Lhe disser: Que feridas são essas nas Tuas mãos?"

(Zc 13:6)

 

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